Comentário da lição da Escola Sabatina de 3 a 10 de março de 2012, preparado por Carmo Patrocínio Pinto autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Davi orava três vezes ao dia e o profeta Daniel também tinha o mesmo costume. Durante um período de tempo de minha pré-adolescência trabalhei junto com alguns colegas da igreja nas lavouras de abacaxi do Triângulo Mineiro. Diariamente, o pai de um deles, nos lembrava de orar ao meio dia. Sob um Sol causticante e a brisa tremendo à nossa frente nos ajoelhávamos e, sobre a terra incandescente, tínhamos o nosso contato com Deus. Eu não me lembro do conteúdo daquelas orações, mas ficou a doce lembrança de um saudável costume que, aos poucos, infelizmente foi sendo sufocado pela correria da vida moderna.
Jesus foi vitorioso graças à oração e Paulo, ciente desse poder em nossa vida, nos orienta: “Orai sem cessar” (1 Tessalonicenses 5:17). Com certeza o motivo de muitos se desanimarem da carreira cristã esteja no seu descuido com a oração. Ellen G. White nos adverte: “A menos que o cristão vigie em oração, dá rédea solta aos hábitos que deve vencer. A não ser que ele sinta a necessidade de contínua guarda, incessante vigilância, suas inclinações abusadas e mal dirigidas, serão o meio para sua apostasia de Deus” (Manuscrito 47, 1896).
Uma pesquisa sobre a oração concluiu que aproximadamente de 8,4 bilhões de orações por dia são feitas no mundo, ou 5, 833 milhões por minuto, o mesmo que 97 mil preces por segundo!Em meio a esses milhões de orações dirigidas ao Céu será que Deus nos ouve? Diz a irmã Ellen G White: “Exponde continuamente ao Senhor vossas necessidades, alegrias, pesares, cuidados e temores. Não O podeis sobrecarregar; não O podeis fatigar” (Caminho a Cristo, p. 100). A orientação de Jesus é: “Crê somente” (Marcos 5:36).
Domingo
Houve uma época de minha vida em que passei por sérias provações. Decidi jejuar todos os sábados do último trimestre daquele ano, mas os meses passavam e nada de diferente acontecia em minha vida. Desanimado, no último sábado do ano, fui à igreja. Para surpresa minha o pregador era o pastor Amim Roodor, um grande amigo e ex colega de colégio. Pensei em falar com ele após o sermão, mas foi impossível. Saí da Igreja mais chateado do que quando nela entrei pela manhã.
O sábado chegava ao fim e as minhas esperanças também. Decidi fazer o por do Sol com um amigo de infância, o irmão Alaor de Araújo e confidenciar-lhe as minhas decepções. O Sol raspava no horizonte quando alguém bateu na porta. Era o pastor Amim que, ao entrar já foi dizendo: “Eu não posso falar com vocês. Estou indo para o aeroporto. Vamos orar.” Ele não sabia de nada do que estava passando comigo, mas ao despedir colocou a sua mão em meu ombro e falou baixinho: “Sempre que me lembro de algum ex colega de colégio eu oro por essa pessoa. Durante este ano eu me lembrei muito de você e sempre tenho orado em seu favor. Eu não sei porque estou orando mas você e Deus sabem.”
Acima de um céu de chumbo tem um Deus compassivo que de uma maneira ou de outra atende com carinho a petição de Seus filhos. No rodapé da página de domingo a autora da lição pergunta: “Onde você estaria em sua caminhada cristã sem a oração?” A minha resposta é: Com certeza eu não estaria mais caminhando.
Segunda
Imagino que os discípulos tinham a sua maneira de orar. Mas viam uma grande diferença nos resultados das orações de Jesus quando comparados com as suas. Foi então que, com humildade pediram ao Mestre: “Ensina-nos a orar.”
Jesus deve ser o nosso modelo em tudo o que fazemos, principalmente na oração. “Jesus, nosso Exemplo, passava muito tempo em oração; e oh! quão sinceras e fervorosas eram Suas petições! Se Ele, o amado Filho de Deus, era impelido a tal fervor, a tal agonia, em nosso favor, quão mais necessário é que nós, que dependemos do Céu quanto a toda a nossa força, tenhamos toda a nossa alma avivada para lutar com Deus!” (E Recebereis Poder, Meditação Matinal p. 369) E mais: “Em Sua juventude, a madrugada e o crepúsculo vespertino muitas vezes O encontravam sozinho ao lado da montanha ou entre as árvores da floresta, passando uma hora silenciosa de oração e estudo da Palavra de Deus” (Educação, p. 185).
Feliz aquele que tem por costume buscar o Senhor antes do nascer do Sol. A promessa é: “Eu amo aos que me amam, e os que de madrugada me buscarem, me acharão” (Proverbios 8:17).
Terça
Em 1965 eu colportei em Brasilia e tomava as refeições em um restaurante próximo ao alojamento. Certa vez ao abrir os olhos após a oração na hora do almoço uma senhora que me servia perguntou: “Como você ora?” No momento a resposta surgiu fácil, mas hoje, na tentativa de dar resposta a essa pergunta outros questionamentos tem surgido em minha mente, tais como:
As minhas orações estão alicerçadas na fé em Deus e estão revestidas da certeza de que Ele está atento a ouvir o meu clamor. Oro simplesmente para atender a um costume ou para suprir a falta que sinto de Deus? Sempre que oro tenho a convicção de que entrei na sala de estar do Altíssimo? Eu sei que Deus ouve a oração de qualquer pessoa independente de como ela está e de onde ela está; mas será que isso me dá o direito, com a luz que tenho, de me apresentar a Deus de qualquer maneira? Quais os motivos que me levam a orar? O propósito de minha oração é que Deus me ouça ou espero ouvir a voz de Deus enquanto oro?
Que resposta você daria para aquela senhora?
Em se tratando da oração considero o buscar e o clamar expressões semelhantes porém, bem diferentes de estar em oração. O buscar envolve o clamar a Deus por algo urgente e que está fora de nossa possibilidade. Envolve humildade, confissão de pecados, reconsagração e entrega total.
Quarta
Tenho um irmão não adventista que diz acreditar que um curandeiro pode realizar um milagre de cura na vida de qualquer pessoa, menos na dele. Certa vez, ele procurou um desses para resolver o problema de um pé doente e não obteve a cura desejada; mas foi enfático: “Eu sabia que não iria acontecer”. E vem a pergunta: Mesmo com a certeza de que não daria certo por que tentou?
Não vejo diferença entre este senhor e muitos de nós adventistas. Às vezes oramos por desencargo de consciência, mas não com aquela fé capaz de mover montanhas. Certa vez o meu cardiologista me indicou uma cirurgia do coração. Eu deveria fazer um implante de valva aórtica, uma revisão da valva mitral e uma revascularização. Diante da complexidade do quadro e a minha idade avançada achei não ser prudente orar para que Deus resolvesse o problema. Pedi apenas para que Ele me desse muita calma. Fui ouvido, pois não perdi um só minuto de sono por causa disso. Mas Deus foi mais além. Na semana da cirurgia um médico que havia feito um dos exames pré-operatórios me ligou. Segundo ele, eu não necessitava mais me submeter ao delicado processo cirúrgico. Quando retornei ao cardiologista ele ficou nervoso e disse “Tem algo de errado aqui.” Mas ao conferir os exames se acalmou.
Deus não só ouve as nossas orações, mas vai além da nossa falta de fé. Depois deste fato passei a entender melhor Romanos 8:25:“E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.”
Quinta
As passagens bíblicas apresentadas na pergunta de número oito sugerem cinco condições para que uma oração seja atendida: Fé, buscar de todo o coração, renunciar o pecado, observância dos mandamentos e uma vida consagrada. Podemos acrescentar outras mais como: Pedir em nome de Jesus. “E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho” (João 14:3). Que a vontade de Deus seja feita. “Pedindo sempre em minhas orações que nalgum tempo, pela vontade de Deus, se me ofereça boa ocasião de ir ter convosco” (Romannos 1:10) e perseverança na oração. “Orai sem cessar” (1 Tessalonicenses 5:17).
Conclusão
O momento mais importante da oração não quando falamos com Deus, mas quando ouvimos a voz de Deus.