quinta-feira, 29 de março de 2012

Evangelismo pessoal e testemunho

Comentário da lição da Escola Sabatina de cinco a doze de maio de 2012, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            A lição desta semana traz trinta perguntas incluindo as notas e o rodapé das páginas. Parece que foi intensão do autor provocar o nosso raciocínio com o propósito de reavivar o nosso senso de responsabilidade para com a pregação do evangelho.
            De todas as perguntas as que mais mexeram comigo são as derivadas do salmo 139. O salmista demonstra o seu desejo de ter uma vida consagrada para melhor testemunhar de Deus para o mundo. Nos dois últimos versos Ele faz dois pedidos especiais que por muitos anos tem aguçados a minha imaginação. Veja:
            - Sonda-me, ó Deus.
- Prova-me.
Não sei se todos nós temos consciência do que significa pedir para que Deus sonde o nosso coração e se necessário nos submeta às provações.  Não sei o que significa para cada um de nós sermos provados por Deus. Jó não fez essa oração e foi provado até no fundo de sua alma. Não sei qual é a nossa disposição de sermos provados como foi Davi que, em dado momento implorou: “Torna a dar-me a alegria da salvação.”
Vejo com frequencia a igreja cantar o hino 398 do Hinário Adventista
que traduz em cântico essa oração de Davi. Quando cantamos este hino não sei quantos de nós estamos dispostos a permitir que Deus, se necessário, nos prove. Espero que todos nós tenhamos consciência do significado de cantarmos este hino e que estejamos dispostos a aceitar as provações que Deus julgar proveitosas para que o nosso testemunho seja realmente eficaz.
            Já fiz três cateterismos cardíacos e alguns eco cardiogramas. No cateterismo uma sonda é introduzida por uma artéria e ao chegar no coração faz uma sondagem de todos os vasos sanguinos que irrigam o coração. Já o eco cardiograma é capaz de detectar qualquer irregularidade nas valvas, átrios e ventrículos.  Quando nos submetemos a um exame destes temos que estar dispostos a nos submeter a uma angioplastia ou a uma cirurgia cardíaca de alto risco se for necessário.
            Quando Deus sonda o nosso coração o seu propósito é detectar e reparar alguma coisa que esteja interferindo em nosso testemunho cristão. Oremos conscientes para que Ele nos sonde e faça o que for necessário para que sejamos um cheiro de vida para vida.

Domingo
            O senário era o lugar mais frequentado pelas autoridades judaicas: a porta do templo. A pessoa beneficiada era homem coxo de nascença conhecido de todos. Os operadores do milagre, dois pescadores indoutos sem nenhuma projeção social.
            Fazia pouco tempo que os sacerdotes haviam dado o que julgavam fatal, um sério golpe no Cristianismo. Jesus, o líder foi morto de maneira vergonhosa. Mas logo depois as “más línguas” começaram a propagar que o Mestre havia ressuscitado. Por mais que as autoridades tentassem sufocar aquele “boato”, milagres em nome de Jesus aconteciam a todo o instante. Só que agora a coisa foi escancarada demais. Aconteceu bem ali na porta do templo.
            De súbito um conhecido paralítico entra no templo saltando e louvando a Deus. Acostumados a vê-lo só na porta mendigando agora, além de vê-lo saltar dentro do templo, podiam ouvi-lo bradar a plenos pulmões os nomes dos autores do espantoso milagre.
            Todos estavam boquiabertos. Os dois homens que operaram o milagre eram dois fracassados pescadores que abandonaram a profissão para seguir um andarilho que Se denominava ser o Filho de Deus.
            Para aumentar o constrangimento dos sacerdotes Pedro faz um eloquente sermão de exaltação ao salvador que eles haviam crucificado. O Sinédrio foi convocado.  Mas as autoridades rapidamente chegaram à conclusão do segredo de tudo aquilo: Eles haviam estado com Jesus.
            A vida daqueles dois apóstolos era uma prova sem exageros de que “Jesus sempre fica por onde passa.”
Segunda
Felipe sabia muito pouco de Jesus, mas sentiu a necessidade de apresenta-Lo para os seus amigos. Eufórico vai contar as boas novas a Natanael. Sobre este encontro comenta Flávio Persona: “A mensagem de Filipe não está totalmente correta. Ele diz ter encontrado aquele de quem escreveram Moisés e os profetas, Jesus de Nazaré, filho de José. Jesus não era de Nazaré, era de Belém, e não era filho biológico de José, mas tinha sido gerado pelo Espírito Santo. Mesmo sem saber tudo sobre Jesus, Filipe é usado por Deus para levar as boas novas.”
Apolo era eloquente e poderoso nas Escrituras. Sabia muito sobre João e quase nada sobre Jesus. Ele começou a falar ousadamente na sinagoga; e, quando o ouviram Priscila e Áquila, o levaram consigo e lhe declararam mais precisamente o caminho de Deus. Porque com grande veemência, convencia publicamente os judeus, mostrando pelas Escrituras que Jesus era o Cristo (Ler Atos 18).
Jesus Se tornou conhecido no mundo por intermédio de pessoas que mesmo não O conhecendo bem, estavam ansiosas de mostra-Lo para os seus amigos. Se você acabou de conhecer o Salvador, não se acanhe achando que só pode falar dEle depois de conhecer muito bem a Bíblia. Os sacerdotes estudavam todos os dias as Escrituras e se gabavam de conhecê-las, e mesmo assim crucificaram o Messias. 
Eu não sei qual seria o futuro de nossa igreja sem a participação efetiva de membros simples e às vezes analfabetos. Conhecimento é importante, mas não é tudo.
Terça
            Comentei a parte anterior sem ter observado o assunto de hoje. Fiquei emocionado ao ver este comentário do autor da lição: “A Bíblia nos revela que Deus não está necessariamente procurando os mais qualificados, e sim, os que estão dispostos a ser usados, sejam quais forem os seus dons e talentos” (Lição professor, p71).
            O salmo 139 fala da necessidade de vivermos em pureza de vida. Essa é a maneira mais eficaz de impressionar os nossos amigos e vizinhos e despertar neles o interesse de conhecer o nosso Deus.
            O nosso potencial tem a ver com a nossa vida espiritual. Diz o autor da lição: “É bom pedir que Deus nos examine e mostre nossa verdadeira condição, porque ela influencia o nosso potencial” (Lição professor, p 71).
Quarta
            Pedro faz um chamado extensivo a homens e mulheres. Mostra a responsabilidade que temos de testemunhar do amor e do poder transformador do evangelho. Com uma vida coerente com os princípios do céu estaremos prontos para testemunhar.
Pedro enfatiza três pontos: 
- Vida santificada
- Conhecimento doutrinário.
- Equilíbrio psicológico
Além de consagração e conhecimento bíblico é necessário que sejamos equilibrados psicologicamente. É comum pessoas se irritarem conosco em conversa sobre a Bíblia. Talvez, já cientes de que falta amparo bíblico para apoiar as suas crenças, já se armam contra nós.
Conheço uma denominação religiosa que não prega nenhuma doutrina bíblica e que orienta aos seus membros a não discutirem com ninguém. Como não tem base bíblica a ordem é o silêncio. Mas esse não é o conselho bíblico. Pedro insiste: “Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1 Pedro 3:15).
Jesus nos compara a uma luz. A luz não tem outro objetivo a não ser brilhar. Esse brilhar tem dois objetivos. O primeiro é para que o mundo veja o que o evangelho mudou em minha vida. E o segundo é este testemunho levem as pessoas a glorificarem a Deus. “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mateus 5:16).
Quinta
            Certa vez eu colportava em uma cidade e ao mostrar um livro que dava orientações sobre os malefícios do cigarro, a senhora que me ouvia pediu licença e foi até o quarto. Retornou com um exemplar do mesmo livro que eu lhe estava mostrando, ainda lacrado no plástico vindo da editora.
Emocionada ela me disse: “Comprei este livro para me ajudar a romper com o cigarro. Com ele em mãos raciocinei que era ridículo uma senhora mãe e avó usar um livro para deixar um vício tão vil. Todas as vezes que vinha a vontade de fumar eu olhava para o livro e dizia para si mesma: Não vou ler você e também não vou fumar.”
Duas coisas me chamaram a atenção naquele dia. Como é bom encontrar pessoas que, por intermédio de outrem, foi beneficiada com a nossa mensagem. E que poder tem a nossa literatura ao ponto que um livro mesmo fechado cumpriu o objetivo para o qual foi escrito.
Certa vez ao fazer um contato missionário com um vizinho ele me adiantou: “Já faz alguns anos que estudei a Bíblia com um adventista.” E adiantou: “Conheço sobre o Santuário, o Milênio, o sábado enfim, só me faltou decidir.”
O testemunho pessoal é uma arma missionária poderosa que passa de mão em mão e, ao longo da história, vai semeando os seus resultados. Por mais insignificante que possa parecer a nossa participação no testemunhar, é ela que faz da nossa igreja o que ela é hoje.
Conclusão
            Gosto de dizer para os irmãos que é gostoso falar de uma igreja fundamentada na Bíblia. Tanto o surgimento profético como as doutrinas fundamentais tudo está bem fundamentado nas Escrituras. Quem se propõe seguir a Bíblia está caminhando conosco.
Podemos pregar e testemunhar de peito aberto.



            

Pensamento

O  testemunho pessoal é uma arma missionária poderosa que passa de mão em mão e ao longo da história vai semeando os seus resultados. Carmo.




           

quarta-feira, 28 de março de 2012

Pensamento

No testemunhar conhecimento é importante mas não é tudo. Carmo

sábado, 24 de março de 2012

Evangelismo e testemunho como estilo de vida

Comentário da lição da Escola Sabatina de 21 a 28 de abril de 2012 preparado por Carmo patrocínio Pinto,  ex-diretor do jornal esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
No momento em que escrevo este comentário, uma rede de televisão está dando grande ênfase a um determinado líder de igreja que, segundo a emissora, está investindo o que a igreja arrecada em patrimônio pessoal. Por outro lado essa rede de televisão também foi adquirida da mesma maneira. E pior, exibe novelas, propaga bebidas alcoólicas e se mede de igual para igual com as outras emissoras. Fica evidente uma verdadeira guerra de interesses. São testemunhos de vida nada condizentes para a salvação das pessoas.
            A lição desta semana enfatiza a importância de uma vida exemplar como principal estratégia para influenciar pessoas ao nosso redor. Ao falar da Igreja Primitiva Ellen G. White afirma: Notava-se uma transformação na vida dos que tinham professado o nome de Jesus. A comunidade se beneficiava por sua influência. ...” (Reavivamento e seus Resultados, p 8).
            Não é fácil fazer de nossas ações no dia a dia um sermão eficaz. Mas é a maneira mais convincente de atrair pessoas para Cristo. Viver todos os dias em novidade de vida é o grande desafio proposto para cada um de nós.
Em uma de minhas férias escolares trabalhei com um jovem que se propunha ser um pastor da igreja Adventista do Sétimo Dia. Certa vez ele me surpreendeu com uma declaração assustadora: “Quando entro em uma casa e uma mulher me dá alguma oportunidade eu não deixo passar em branco.”
            Aquele rapaz fez teologia e se tornou um pastor da igreja. Pouco tempo depois foi excluído do ministério por motivos semelhantes aos confidenciados a mim naquela época. A nossa vida lá fora fala mais alto do que aquela que vivemos dentro da igreja.
Domingo
            Certa vez um garotinho, em seu aniversário, ganhou uma determinada soma de dinheiro. Ele decidiu comprar algumas peças de roupas. Ao chegar em casa, trazia com as compras um pequeno embrulho de presente. Ao ser perguntado pela mãe de quem era o presente? E o garotinho respondeu: “Eu me lembrei do meu irmão.” Esse garotinho mostrou a sua verdadeira identidade cristã.
O amor ao próximo é difícil de ser praticado tanto fora como dentro da igreja. Lá fora fazemos da desconfiança a nossa principal defesa. Realmente hoje não é fácil mostrar essa principal característica do cristão.
Quando eu era criança morávamos na margem de uma estrada bastante movimentada para a época. Era comum a presença de andarilhos pedindo comida, água e ás vezes pousada. Papai sempre os recebia em casa. Um deles confessou que era alcoólatra e saiu de sua casa em Belo Horizonte com o proposito de deixar de beber. A sua passagem por nossa casa que deveria durar apenas o tempo de beber um gole de água durou mais de dois anos.  Chegou ao ponto de ser considerado um membro da família. Hoje a insegurança mete medo e desconfiamos de tudo e de todos. Mas não é por isso que no dia do juízo não seremos cobrados.
Se for difícil exercitar a hospitalidade com pessoas desconhecidas temos que descobrir outras maneiras de mostrar a nossa identidade cristã para o mundo. Independente disso, um sorriso, om olhar de simpatia ou um gesto cabe em qualquer lugar.
Dificilmente alguém de estômago vazio ou carente de afeto se detém para ouvir a palavra de Deus. Ellen G. White nos mostra o caminho: “Unicamente os métodos de Cristo trarão verdadeiro êxito no aproximar-se do povo”. O Salvador misturava-Se com os homens como uma pessoa que lhes desejava o bem. Manifestava simpatia por eles, ministrava-lhes às necessidades e granjeava-lhes a confiança. Ordenava então: "Segue-Me"” (Maranata, Meditação, p 101). 
Segunda
            Compaixão (do latim compassione) pode ser descrito como uma compreensão do estado emocional de outrem. A compaixão frequentemente combina-se a um desejo de aliviar ou minorar o sofrimento de outra pessoa, bem como demonstrar especial gentileza com aqueles que sofrem.
            É interessante que a definição de compaixão se atém exclusivamente no sentido de minorar o sofrimento de alguém. Mas existem pessoas que torcem o verdadeiro sentido de compaixão e em seu nome cometem os mais hediondos crimes. No momento em que escrevo, os meios de comunicação denunciam dois enfermeiros argentinos que eliminaram uns cinquenta pacientes com injeções letais. Afirmam eles que foi um ato de compaixão, uma vez que não queriam ver os pacientes sofrendo.
            Normalmente a compaixão se evidencia por meio de ações em favor de alguém. Estudos científicos afirmam que a prática da compaixão produz o hormônio DHEA que, segundo especialistas, retarda o processo de envelhecimento e ameniza o stress.
            Jesus se movia de compaixão das multidões que viviam abandonadas como ovelhas que não tinham pastor. Hoje é o que mais existe no mundo. O seu conselho para que os discípulos orassem solicitando trabalhadores para ajudar na colheita dá a ideia de que tem muita gente que poderia estar fazendo alguma coisa e estão acomodadas.
            “Há um pavoroso estado de indiferença e apatia entre professos cristãos. Eles são insensíveis, descaridosos, implacáveis” (Fundamentos da Educação Cristã, p 66). A melhor maneira de definir compaixão é ação. É o que Jesus espera de cada um de nós.
Terça
            Um olhar altivo de nossa parte, com certeza tornarão as pessoas desinteressadas em nos ouvir. Um comportamento farisaico de supremacia tem levado muito trabalho missionário ao fracasso.
            Quando o meu pai foi acidentado, deixei os meus estudos e voltei para casa. Impossibilitado de trabalhar, as suas lavouras estavam cobertas de mato. Reuni os trabalhadores e os convoquei para uma ação enérgica no sentido de botar tudo em ordem. Disse para eles que eu nunca iria exigir que eles fizessem qualquer coisa. Iria sim, convidá-los para fazermos juntos. A reação foi positiva e em poucas semanas as lavouras estavam limpas.
Lá pelos idos de 1960 o pastor Nevil Gorski fez um giro pelo Triângulo Mineiro. Era uma época de muita chuva e um dia ao chegar a nossa casa disse: ”Ontem a chuva molhou minhas calças, mas deixei-as debaixo do travesseiro durante a noite e amanheceram em condições de vesti-las.” A sua simplicidade mexeu com o meu pai. Ali estava um homem culto, de terno e gravata, mas que se identificou conosco.
A Bíblia afirma que Jesus é “Deus conosco.” Ele despojou de tudo que o Céu oferecia. Sujou os pés com a poeira dos nossos pecados e foi mais além: lavou os nossos pés. Esse foi o recado do profeta Isaias: “Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, E chamá-lo-ão pelo nome de Emanuel, Que traduzido é: Deus conosco” (Mateus 1:2).
Jesus não foi aceito por sacerdotes, saduceus e fariseus. Era algo que ia de encontro à maneira de ser e de proceder deles. Isaias falou de um comportamento “impossível” de ser vivido por qualquer líder judeu. E aconteceu o pior: “Veio para o que era Seu e os seus não o receberam” (João 1:11).
Por mais de vinte anos trabalhei em um hospital que se localiza pertinho da igreja que frequento. Certo dia, conversando com uma colega de serviço que morava naquelas imediações, ela comentou: “As mulheres de sua igreja se vestem tão bem que eu não tenho coragem de ir lá.” É louvável se apresentar bem vestido na igreja, mas não podemos permitir que a nossa roupa oculte a simplicidade de Cristo em nossa vida.
Quarta
            A breve estada de Jesus entre os gadarenos nos ensina uma grande lição. Ao curar um endemoninhado aconteceram duas coisas curiosas. Primeiro, temendo por mais prejuízos, os gadarenos expulsaram Jesus de seus temos. Por outro lado, o homem beneficiado demonstrou o desejo ardente de seguir a Jesus.
             O salvador, em Sua excelsa sabedoria, previu que seria impossível Ele pregar o evangelho para aquele povo. Viu naquele homem liberto de Satanás, alguém capaz de apresentar a mensagem de salvação com mais eficácia para toda a sua gente. Aquele homem tinha algo a lhes mostrar que Jesus não tinha. Ele sabia o que era ser liberto de Satanás. O seu testemunho pessoal seria mais eficiente do que os sermões do grande Mestre. Ele continuaria seguindo o Mestre e, testemunhando do Seu amor, seria um cheiro de vida para vida onde a presença pessoal de Jesus se tornara impossível.
             O nosso testemunho pessoal, dado com simplicidade, causará um impacto nas pessoas capaz de leva-las a decidir por uma vida melhor. O seu e o meu testemunho pessoal é uma experiência linda que nenhum ser celestial experimentou. Que privilégio partilhar essas maravilhas com os que sofrem ao nosso redor.
Quinta
            João apresenta a preocupação de Jesus a respeito de seus seguidores. Ao mesmo tempo em que Ele ordena que preguemos o evangelho a toda nação, tribo, língua e povo e que façamos outros discípulos por onde quer que passemos.  Ele reconhece que não é fácil testemunhar em um mundo avesso aos princípios do Céu. Na sua oração relatada por João no capitulo dezessete do seu livro, Ele Se lembrou de todos os Seus seguidores de todos os lugares e de todos os tempos. Ele se lembrou de mim e de você.
            Paulo nos exorta a uma vida de oração para que as portas se abram à pregação do evangelho. A Sua promessa é de que Ele enviará os Seus anjos à nossa frente para preparar o nosso caminho.
Conclusão
            Vamos concluir o nosso estudo com o pensamento encontrado na primeira nota de nossa lição de quarta feira: “As pessoas não se importam com o que sabemos até que saibam o quanto nos importamos com elas”.
           
                                                                                                      


Pensamento

É louvável se apresentar bem vestido na igreja, mas não podemos permitir que a nossa roupa oculte a simplicidade de Cristo em nossa vida. Carmo

quinta-feira, 22 de março de 2012

Dons Espirituais para evangelizar e testemunhar

Comentário da lição da Escola Sabatina de 14 a 21 de abril de 2012, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
A palavra Carisma significa “dom”, manifestação do Espírito. Caris (grego) quer dizer “graça”. Este vocábulo é usado 17 vezes no Novo Testamento. Os dons são manifestações sobrenaturais concedidas, pelo Espírito com a finalidade de edificação da Igreja. Ler Romanos 12:6-8 e Tiago 1:17.
Existe diferença entre dons espirituais e talentos naturais. O talento natural é a capacidade que uma pessoa tem de executar algo de modo espontâneo. Podem ser hereditário ou adquirido com estudo, dedicação e persistência.
O meu avô materno tinha grande facilidade para inventar objetos de madeira. Era uma pessoa que mal sabia ler, mas chegou até a fazer violinos. A maioria dos seus netos tem facilidade para “bolar” coisas. O Espirito Santo pode desenvolver um talento transformando-o em dom. Os dons espirituais especificamente são sobrenaturais na origem e nos resultados.
As principais listas de dons espirituais na Bíblia são três. Romanos 12, 1 Coríntios 12 e Gálatas 4. Elas mencionam vinte dons. Alguns autores chegam a enumerar trinta dons espirituais encontrados na Bíblia.
Porém, o mais importante não é saber quantos dons existem, mas sim, descobrir qual ou quais são os meus dons e permitir que o Espirito Santo me use para engrandecer o nome de Deus. Tem pessoas que se arrogam de usar o Espirito Santo para fazer milagres quando o certo é permitir que Ele nos use. Outro ponto importante é que o dom não é opção pessoal, mas é o Espirito Santo que designa para o que Ele julgar melhor.

Domingo
            Certa vez pedi a um pastor de bastante influencia na obra para que escrevesse um artigo para um jornal de minha igreja. Ele recusou com essas palavras: “Encontro facilidade para pregar, mas para escrever não tenho jeito.” Todos nós somos assim. Um tem jeito para fazer uma coisa, mas não tem facilidade para fazer outra; e é bom que respeitemos os dons de cada um. Tive um tio que foi um exímio carpinteiro treinado em fazer currais. Ele dizia que “homem de muito oficio nem por isso’’.
A irmã Ellen G. White tem duas afirmações que esclarece a nossa responsabilidade no testemunhar. A primeira é que Todo verdadeiro discípulo nasce no reino de Deus como um missionário” (A Ciência do Bom Viver, p 102). E a segunda diz: Tão certo como nos está preparado um lugar nas mansões celestes, há também um lugar designado aqui na Terra, onde devemos trabalhar para Deus” (Parábolas de Jesus, págs. 326 e 327).  Cada pessoa tem o seu dom. ou os seus dons.
Alguns irmãos julgam ter apenas o dom de “papa sermões”. Vão á igreja, mas não se envolvem com nada. Não é necessário que eu tenha um cargo na igreja para testemunhar. O testemunhar vai muito além disso. Imaginemos o caso da menina cativa. Eram uma simples escrava que vivia longe de sua terra natal e dos seus. Como ela teve a coragem de ajudar quem lhe causou tanta desgraça? A Bíblia não apresenta o seu nome, mas por milênios a sua história tem atravessado gerações.
Pedro é claro. Não estamos aqui para fazer algo acima de nossa capacidade. Devemos administrar o dom da maneira como o recebemos. Deus não nos cobra o que está acima do nosso limite, mas, por outro lado, não Se coaduna com a nossa indiferença. O nosso privilégio e responsabilidade em testemunhar é intransferível.
Segunda
            Estamos diante de um assunto bastante delicado. Alguém é chamado e capacitado para exercer determinada atividade na igreja e às vezes leva as coisas de qualquer jeito. Outro não é dotado de determinado dom, mas insiste em exercer função que exige aquele dom e o fracasso é total.
            Certa vez presenciei uma sena batismal acompanhada de cinco pastores. Mas um membro leigo insistiu com o pastor oficiante para que o deixasse fazer o apelo final. Foi um fracasso.
            Tanto podemos pecar pela omissão como pela intromissão. Alguns vivem se lamentando porque a comissão de nomeações não os recomendou para determinado cargo na igreja e por isso se omitem em colaborar. Outros insistem em ir além dos limites propostos pelo Céu.
            Todos nós necessitamos de coragem e humildade. Coragem para atuar onde fomos colocados e humildade para aceitar o que nos foi ofertado. Certa vez antes da comissão de nomeações o pastor me procurou. Ele queria explicações do que eu escrevi em um formulário distribuído um sábado antes da comissão de nomeações se reunirem. O formulário tinha uma extensa lista de cargos e cada membro deveria assinalar a sua preferencia. Não assinalei nenhuma opção, apenas escrevi: Para mim qualquer coisa ou nenhuma coisa é a mesma coisa e acrescentei que preferia que apenas o Espírito Santo conduzisse a comissão. Com minha posição não quero dizer que seja errado fazer uma consulta prévia aos membros. Eu sei que alguns se melindram se a sua preferência não foi acatada.
            O Espirito Santo é quem deve presidir qualquer comissão ou mesa. Infelizmente se vê alguma política e lobby na igreja. As coisas devem acontecer naturalmente sob a direção Daquele que tudo vê e tudo sabe.
Terça
            Certa vez, quando eu estudava no antigo Colégio Adventista Brasileiro, hoje UNASP campos I, foi convidado para pregar em determinada igreja. Antes do sermão um adolescente se apresentou para cantar. A sua pele parecia ser bem castigada pelo Sol. O seu crescimento físico se encarregou de deixar as pernas de suas calças no meio das canelas. Usava sapatos limpos, mas bastante surrados. Quando o vi assim suspirei fundo e murmurei para mim mesmo: Que rapazinho de coragem!
            Timidamente ele começou a cantar “Pra terra abençoada vou, ansioso peregrino sou...” e o fez de uma maneira tão expressiva que achei por bem mudar o sermão e convidei a igreja para lermos Apocalipse 21:1 e 2. Ainda hoje quando prego sobre a Nova Terra procuro dar ao sermão a mesma vida que senti naquela mensagem cantada há quase cinquenta anos.
            A nossa tendência é avaliar, por antecipação, uma pessoa pela sua aparência. Jamais podemos imaginar o que o Espirito Santo pode operar por intermédio de quem quer que seja, por mais simples que possa parecer. Infelizmente temos dificuldades para ver e aceitar esse caminho mais excelente que o Espirito Santo proporciona para muitos ao nosso redor.
Quarta
            A Bíblia menciona alguns dons que vieram a tona por ocasião do nascimento da Igreja Primitiva. Entre tantos foram evidenciados liderança, hospitalidade, serviços e outros.
            Na época tecnológica de nossos dias outros dons são acrescentados como sonoplastia, informática, transmissões via satélite e assim por diante. Quanta tecnologia está à disposição da igreja e o Espirito Santo está capacitando pessoas para trabalhar com cada uma delas.
            Quando se realiza algum evangelismo via satélite, por trás do pregador está um exército de técnicos trabalhando, cada um dentro de sua área, para que a pregação alcance o maior número de pessoas possível ao redor do mundo. Não esquecendo que antes da data prevista este exército já está ativo preparando o caminho para que o evento transcorra sem qualquer interferência.
            Alguns pontos são imprescindíveis para que uma igreja local tenha sucesso no evangelismo e no testemunho. Entre eles podemos salientar consagração, entusiasmo, alegria, desprendimento e amor a Cristo e ao nosso próximo. Um cristianismo fictício trará prejuízos ao invés de benefícios para a pregação do evangelho.
Vivemos em um momento solene quando o destino de milhões depende de nossa inteira dedicação ao trabalho de evangelizar e testemunhar. “Se já houve tempo em que precisássemos da guia especial do Espírito Santo, esse é agora. Necessitamos de consagração completa. Já é bem tempo de havermos dado ao mundo uma demonstração do poder de Deus em nossa própria vida e ministério” (A Igreja remanescente, p 79).
            Quinta
            Deus não nos chamou para vivermos apenas de brisa. Todo chamado vem acompanhado de uma responsabilidade. O Espírito Santo não nos capacita para alimentar o nosso egocentrismo. Tudo deve ser feito com humildade e com um único proposito: enaltecer o nome de Deus. “Todos devem ser cooperadores de Deus. O próprio eu não deve tornar-se preeminente. O Senhor confiou talentos e capacidades a cada pessoa, e aqueles que são mais favorecidos de oportunidades e privilégios para ouvir a voz do Espírito estão sob a mais pesada responsabilidade para com Deus”  (E Recebereis Poder - Meditação, p. 273).
O tempo de Deus é limitado. Em breve ele expirará e chegara o momento de prestar conta de nossa mordomia. “Aproxima-se a hora em que os que desperdiçaram o tempo e as oportunidades se lamentarão de não haverem buscado a Deus. Ele vos concedeu a faculdade do raciocínio, e quer que a useis para vós mesmos e para a Sua obra. Quer que trabalheis para Ele com zelo nas igrejas. Quer que organizeis reuniões para as pessoas que não pertencem à igreja, de maneira que aprendam as verdades desta última mensagem de advertência. Lugares há onde sereis recebidos com júbilo, onde as almas vos agradecerão por terdes acorrido em sua ajuda. Oxalá vos ajude Deus a dedicar-vos como nunca o haveis feito ainda(Testemunhos Seletos volume 3,  p 341). 
Conclusão
            Os dons são ministrados para a edificação da igreja, o corpo de Cristo e Deus espera que façamos uso prudente dos mesmos. Que privilégio é o nosso. E que responsabilidade isso nos impõe.

domingo, 18 de março de 2012

O ministério de cada cristão


Comentário da Lição da Escola sabatina de sete a quatorze de abril de 2012. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            O verso áureo da lição desta semana que está em 1 Pedro 2:8 e não 9 como está na lição, é um dos versos mais lindos da Bíblia. Ele apresenta quatro características dos filhos de Deus. O Senhor nos caracteriza assim não pelo que somos ou pelo que merecemos, mas pelo que Ele espera de nós. O céu nos qualifica assim porque tem um objetivo bem definido para com cada um de nós.
            O mundo sempre foi povoado por nações que se destacaram em algum período da história da terra e, hoje, temos nações em torno das quais gravitam o poder e a economia do mundo. Mas nenhuma delas apresenta ou apresentou as características que destacam os filhos de Deus. A Bíblia afirma que não somos um povo qualquer. Somos uma geração eleita. Essa geração eleita está presente no mundo desde Abel até os nossos dias. Ela enfrento períodos difíceis mas, pelo poder de Deus, chegou até nós. 
            Pedro afirma que somos sacerdócio real. Aqui já se destaca não só uma característica mas, também indica que somos responsáveis por uma missão especial. O exercício deste sacerdócio implica em uma responsabilidade que seria impossível exerce-la sem a qualificação seguinte, santidade! Não que sejamos santos, mas tendo a santidade como alvo, pela graça de Deus podemos viver em santidade de vida..
            Como povo exclusivo de Deus não podemos servir a nenhum outro senhor. A exclusividade implica em uma vida separada para um objetivo específico. Alguns trabalhadores ao serem contratados assinam um termo de exclusividade. Ele não exerce nenhuma atividade paralela. É o caso dos pastores da Igreja Adventistas do Sétimo Dia. Em nossa vida diária é fácil perdermos de vista essa exclusividade e passarmos a viver servindo mais a Satanás do que a Deus.
            O exercício do sacerdócio real a que Pedro se refere implica em “anunciar as obras Daquele que nos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz”. Em suma Deus nos chamou e nos qualificou para testemunhar ao mundo de Suas maravilhas. E a principal de Suas maravilhas é a salvação de pecadores. Esse é o ministério de cada cristão.
Domingo
            Ao aceitarmos o convite de Deus para fazermos parte deste povo especial Paulo destaca o tríplice propósito de Deus para com cada um de nós. Quando nos propomos a testemunhar o nosso crescimento espiritual é automático. E Deus espera que cresçamos até alcançarmos a “estatura completa de Cristo”. A vida espiritual é uma estrada de duas vias. É necessário consagração para testemunhar e ao testemunhar aprimoramos a nossa consagração.  Esse testemunhar comprometido e exclusivo reflete direto na edificação da igreja. A igreja que é o corpo de Cristo cresce em quantidade e qualidade.
Todos nós somos convidados a testemunhar. Ao nos chamar Jesus já escolheu o lugar onde devemos atuar. Ellen G. White afirma: “Tão certo como nos está preparado um lugar nas mansões celestes, há também um lugar designado aqui na Terra, onde devemos trabalhar para Deus” (Parábolas de Jesus, p. 327). 
            Falando aos coríntianos Paulo afirma que somos embaixadores de Deus. Um embaixador é alguém que, longe do seu país, representa o seu governo em qualquer parte do mundo. Aqui tem dois aspectos a considerar. Primeiro ele vai mostrar um padrão de comportamento compatível com o seu governante. Em segundo lugar ele vai fazer o seu país conhecido, amado e respeitado entre as nações.
Segunda
            “E, vendo as multidões, teve grande compaixão delas, porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor” (Mateus 9:3). Gosto de associar este versículo com João 4:36: “Levantai os vossos olhos, e vede as terras, que já estão brancas para a ceifa. E o que ceifa recebe galardão, e ajunta fruto para a vida eterna.”
Jesus Se comovia ao ver as multidões sem esperança e sem Deus no mundo. Em João Ele compara essas multidões como uma grande lavoura pronta para a colheita. E Ele acrescenta que os trabalhadores que se empenharem nesta colheita receberão uma recompensa especial. Cada um terá o seu galardão.
Por muitos anos trabalhei com o meu pai no cultivo de abacaxi e arroz. Ele tinha por costume de, além do salário, doar seis sacas de arroz para cada trabalhador que permanecesse trabalhando só para ele desde o plantio até a colheita. Era comovente ver o entusiasmo com que aqueles homens trabalhavam. No final da colheita papai lotava um caminhão de arroz e entregava as seis sacas na casa de cada um deles. A alegria estava estampada no rosto de cada criança ao ver o seu papai receber aquele troféu. Elas sabiam que tinham arroz garantido para o ano inteiro.
 Por seis milênios Deus está empenhado no resgate de cada pecador. Esse trabalho de semeadura e colheita tem passado de geração para geração. Caso não fosse a Sua aparente demora e muitos de nós não faríamos parte deste povo especial. Jesus não teria nos escolhido caso não notasse que seriamos uma bênção para aqueles que estão ao nosso redor. Não podemos decepcioná-Lo. Ele promete que receberemos cem vezes mais nesta vida e no final a vida eterna. Poderá ter algum galardão maior do que esse?
Essa é a promessa para aqueles que se comovem ao ver os campos maduros.
Terça
            Algumas denominações evangélicas consideram que todas as igrejas que pregam a Jesus como Salvador fazem parte do corpo de Cristo. Ellen G. White deixa claro que Existem verdadeiros cristãos em todas as igrejas, não excetuando a comunhão católica romana, que creem sinceramente ser o domingo o dia de repouso divinamente instituído. Deus aceita a sinceridade de propósito de tais pessoas e sua integridade” (O Grande Conflito, p 449). Não podemos tomar essa declaração de Ellen G. White para apoiar a ideia que todas as igrejas que falam de Cristo fazem parte do corpo de Cristo. O contexto é outro. A Igreja possui uma identidade que deve ser mostrada ao mundo. “Na época atual, a Igreja precisa vestir suas belas vestes - "Cristo, justiça nossa". Há distinções claras e precisas a serem restauradas e expostas ao mundo, exaltando-se acima de tudo os mandamentos de Deus e a fé de Jesus” (A Igreja Remanescente, p 13).
            Outro ponto importante é que como corpo de Cristo a igreja deve ser interligada por uma união que faz cada membro dependente dos demais. Essa união inclui modo de pensar e de agir. Cada membro desempenha o seu papel exercitando os seus dons para promover o crescimento e a unidade da igreja.
Quarta
            Durante o mês de fevereiro estive em um dos estados de nossa federação. Um fato me chamou a atenção. Passamos por muitas pontes improvisadas enquanto ao lado uma estrutura monumental de uma ponte iniciada ah anos estava sendo corroída pela ferrugem. Essa é uma atitude corriqueira no meio político. Uma autoridade gasta milhões na execução de em um projeto e depois, o seu sucessor não dá prosseguimento.
            Paulo notou que essa prática viciosa começava a afetar a Igreja e alertou para o perigo de cada um querer mostrar o seu trabalho isoladamente e mostrou que cada membro da Igreja tem o seu lugar nessa corrida de revezamento. Chegará o dia em que eu passarei o bastão para alguém mais jovem do que eu e ele continuará correndo com os mesmos objetivos que marcaram a trajetória minha e de meus antecessores. O apostolo enfatiza que sem Deus não haverá crescimento.
            Infelizmente se vê muito partidarismo entre irmãos e o eu dominando muitas ações na igreja. Não é assim que o corpo de Cristo é edificado.
            Caso não estejamos impregnados do amor de Deus o nosso trabalho é vão. Deus espera que todas as pessoas sejam alcançadas pelo evangelho e para que isso aconteça Ele dispõe de apenas um recurso: a nossa participação ativa.
Quinta
            A Bíblia enfatiza a importância de relatar o nosso trabalho missionário. Podemos identificar dois modelos de relatório. Um é aquele escrito ou numérico onde são contabilizadas todas as nossas ações ao longo da semana. Este relatório estatístico é de grande importância para a administração da igreja. Ele vai identificar as necessidades da igreja quer seja de nutrimento ou de treinamento.
            O outro relatório está mais identificado de como o trabalho foi realizado e fala dos resultados alcançados. É quando testemunhamos para a igreja como foi o nosso testemunho lá fora.
            Alguns membros se eximem de relatar usando a orientação bíblica de que uma das mãos não deve saber o que a outra fez ou faz. Mas tal postura emperra o crescimento do corpo de Cristo na terra, a Sua Igreja.
Conclusão
            Todos nós fazemos parte deste sacerdócio real. Como sacerdotes de Deus Ele nos conclama: “Para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz.” É importante que você ocupe o seu lugar e atue com determinação. Apenas quem atua desfruta da alegria que o trabalho de Deus proporciona. 

quarta-feira, 14 de março de 2012

Definindo evangelismo e testemunho


Comentário da Lição da Escola Sabatina de 31 de março a 7 de abril de 2012, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
Estamos iniciando mais uma série de estudos da Bíblia. Por três meses vamos conhecer mais sobre Evangelismo e Testemunho. As duas palavras não são a mesma coisa, embora apareçam juntas. O testemunho dá uma melhor ênfase em nosso Evangelismo. Quando fazemos Evangelismo testemunhando do amor de Deus por nós as nossas palavras fluem com mais motivação e poder.  Não existe verdadeiro evangelismo caso não tenhamos nada a testemunhar de Jesus. Evangelho quer dizer as boas novas a respeito de Cristo. O testemunho é contar ao mundo o que este Evangelho fez em minha vida. As boas novas de salvação apresentadas pelos quatro evangelistas do Novo testamento devem impregnar o nosso evangelismo.
“É o privilégio de todos dar ao mundo, em sua vida de família, em seus costumes e práticas e ordem, um testemunho do que o evangelho pode fazer pelos que lhe obedecem” (A ciência do Bom Viver, p.196).
A palavra evangelista provém da palavra do grego koiné que significa "boas novas". Assim, os evangelistas são os autores dos evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João.
O Evangelismo, em função de sua complexidade, é a arte de fazer discípulos. O escritor D. T. Niles formulou as seguintes definições de Evangelismo:
“- Evangelismo é a missão suprema da Igreja.
- Evangelismo é fazer a Palavra de Deus chegar ao conhecimento do povo.
- Evangelismo é a Igreja que vai.
- Evangelismo é a Igreja que segue.
- Evangelismo é a Igreja que ataca.”
E alguém completou: “Evangelismo é compartilhar Cristo a toda e qualquer pessoa; através da palavra falada ou escrita.”
            Todos nós temos o privilégio e o dever de testemunhar do amor de Jesus ao mundo. Certa vez escrevi: A nossa vida não é curta e nem longa. É o tempo suficiente que Deus nos concede para darmos um recado ao mundo.
            Que o estudo deste trimestre nos motive a darmos as boas novas de salvação ao mundo testemunhando com alegria do que elas fizeram na vida de cada um de nós.

Domingo
            Entendemos por Evangelismo a pregação do evangelho em massa. Um pastor e equipe anunciam o evangelho para um grande grupo de pessoas. Podemos dizer é a pregação por atacado. Hoje ela é feita pelo rádio, internet, televisão, editoras e por pregadores que atingem, ao mesmo tempo, um grande número de pessoas.
A maior parte de Atos dos Apóstolos conta a história do que o Evangelho fez na vida das pessoas atingidas por ele na época. Temos a história da conversão de Paulo,
das três mil pessoas agregadas ä igrejas por intermédio do sermão de Pedro, a conversão do eunuco entre tantos exemplos. Em suma, Atos dos Apóstolos da testemunho do que os evangelistas fizeram e conseguiram na época da Igreja Primitiva.
            O entusiasmo com que os apóstolos pregavam o evangelho levou a Igreja a um fervor e desprendimento das coisas materiais nunca visto no mundo. “Um era o coração de todos” afirma a Bíblia. Mas este fervor não foi alcançado por acaso. Antes que tudo isso acontecesse os apóstolos se entregaram por completo a Cristo. Diferenças foram reparadas e, então o Espirito Santo os envolveu. E essa é uma necessidade em nossos dias. Diz Ellen G. White: É-me mandado dizer aos nossos irmãos do ministério: Esteja a mensagem que vos sai dos lábios impregnada do Espírito de Deus. Se já houve tempo em que precisássemos da guia especial do Espírito Santo, esse é agora. Necessitamos de consagração completa. Já é bem tempo de havermos dado ao mundo uma demonstração do poder de Deus em nossa própria vida e ministério” (A Igreja remanescente, p. 79). 
Segunda
Testemunhar é a pregação do evangelho no varejo e vai além de apenas contar para o mundo o que o evangelho tem feito por nós. Testemunhar envolve exemplo de vida. Diz Ellen G. White: “Não importa quão zelosamente seja advogada a verdade, se a vida diária não testemunhar de seu poder santificador, as palavras faladas de nada aproveitarão. Uma conduta incoerente endurece o coração e estreita o espírito do obreiro, colocando também pedras de tropeço no caminho daqueles por quem ele trabalha” (Obreiros Evangélicos, p. 144). O que testemunhamos em palavras deve ser visto em nossa vida diária.
O testemunhar é que realmente agrega as pessoas ä Igreja. Elas podem ouvir comoventes sermões pregados por exímios evangelistas, mas se não houver aquele toque pessoal dificilmente elas se unirão ao nosso convívio. Desde criança ouço dizer: “As palavras convencem, mas os exemplos arrastam.”
Quando, há 65 anos, o saudoso Francisco Miranda começou a dar estudos bíblicos para o meu pai, não foram as suas palavras que levaram Juvenal Francisco Pinto a decisão final. Enquanto a mensagem era apresentada em cada estudo papai, que vivia aos trambolhões com minha mãe, observava que a família Miranda apresentava um relacionamento familiar digno de ser imitado. Foi então que, em conversa com minha mãe, se propuseram a se aproximar mais daquela família.
Ë responsabilidade de cada um de nós mostrar aos nossos amigos, colegas de trabalho e vizinhos uma replica de Atos dos Apóstolos em nossa vida escrito em palavras e literalmente em atos. Seria mais ou menos assim: Atos do apostolo Carmo, Atos do apostolo Antônio e assim por diante.
Terça
            Antioquia hoje Antakva foi uma cidade antiga erguida na margem esquerda do rio Orontes na Turquia. Era a terceira maior cidade do mundo. Antioquia ocupa um importante lugar na história do cristianismo. Foi onde Paulo de Tarso pregou o seu primeiro sermão (numa sinagoga), e foi também onde os seguidores de Jesus foram chamados pela primeira vez de Cristãos (Atos 11:26).
A igreja em Antioquia possuía uma liderança bastante culta e abrigava um grande número de doutores. Entre eles, Paulo e Barnabé. Eram pessoas tão ávidas por testemunharem de Jesus que se tornaram conhecidas como cristãos.
O evangelismo que eles faziam estava fundamentado nas profecias do Velho Testamento que apontavam para Jesus, o Salvador. A mensagem consistia em duas vertentes: Evangelismo, mostrando o Jesus das profecias e Testemunho, contar o que este Jesus fez em suas vidas.
Estabelecida a igreja em Antioquia, o Espirito Santo Se fez presente. Separou Paulo e Barnabé para uma viagem especial: O primeiro porto de escala foi Salamina, na ilha de Chipre, terra natal de Barnabé.  Depois pregaram em Icônio, Listra e Derbe. Na ilha de Pafos, o mágico Barjesus foi seriamente repreendido por Paulo.  Finda assim, a primeira viagem missionária, que durou cerca de dois anos e cujo relato de Lucas, ocupa os capítulos 13 e 14 de Atos.
A Bíblia afirma que muitos sacerdotes foram comovidos pelo testemunho dos conversos e aceitaram o evangelho. A nossa vida espiritual deve ser uma vida de resultados. Caso contrário a nossa pregação se torna ineficaz.
Quarta
A pessoa que influenciou a minha esposa a aceitar a mensagem é uma senhora analfabeta. Ela não tinha como dar estudos bíblicos, mas tinha um grande entusiasmo em contar para as pessoas o que Jesus fez em sua vida.
O testemunho é a melhor arma para levar pessoas a Cristo, mas deve ser usado com muita cautela. Tenho visto pessoas que no passado foram assassinas completamente fora da lei e contam com minucias como praticavam os crimes e o fazem de tal forma que mais alimentam o seu ego do que testificam do amor de Cristo.
Paulo soube dar o seu testemunho. Ele sempre o fez com o risco da própria vida. Nunca se deixou ser dominado pela vangloria barata e traiçoeira. A sua vida, depois de convertido, se tornou uma sequencia de quando escapava do espeto caia em brasas. Mas nada abalava a sua fé.
Todos nós temos a nossa história de conversão, ou pelo menos de como Deus tem Se manifestado em nossa vida. O testemunho envolve contar ao mundo não só como nos convertemos mas, também como tem sido o nosso dia a dia com Jesus.
Conhecendo a mensagem aos cinco anos de idade eu não tenho uma história de conversão mirabolante. Mas a minha vida está marchetada de momentos nos quais a intervenção divina se fez presente de uma forma inesperada e providencial mesmo antes dos cinco anos de idade.
Quinta
“Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1 Pedro 3:15 - Itálico nosso).
Pedro enfatiza três pontos básicos que devem fazer parte do nosso testemunho. O primeiro é a Santificação. O segundo é o Preparo e o terceiro: Equilíbrio. Com uma vida santificada vamos usar de coerência e discrição. Uma vida santificada oferece o ambiente ideal para a atuação do Espírito Santo em nossa vida. Sem Ele o nosso testemunho é infrutífero. O preparo é importante, pois nos leva a estarem sempre prontos independente de estarmos agendados para testemunhar ou não. O testemunho é algo natural e o seu momento é imprevisível. Ele pode surgir do nada.
            Estar preparado implica também em ter um conhecimento básico da Bíblia capaz de enriquecer e fundamentar o nosso testemunho. O terceiro ponto é manter o equilíbrio emocional em nossos contatos. Esse equilíbrio faz com que eu esteja pronto para falar e também para ouvir. Em dados momentos o silêncio fala e convence mais do que as palavras. Talvez no afã de dar o nosso recado nos falte a paciência necessária para ouvir.
Conclusão
            Quarenta dias antes do Pentecostes os discípulos estavam amedrontados e enclausurados a sete chaves. Temiam que a sorte de Jesus os alcançasse. O momento era de insegurança e muitas incertezas. Até então, o futuro do cristianismo parecia ser a sua extinção mesmo antes que ele se tornasse conhecido. Seguir as orientações de Jesus foi o segredo do sucesso.
            A orientação de Jesus foi que permanecessem em Jerusalém até que do alto fossem revestidos de poder. “E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder” (Lucas 24:49).  Por outro lado eles permaneceram em fervorosa oração e suplicas. ”Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos” (Atos 1:14)
`           Não existe outro meio de recebermos o poder do Espirito Santo para testemunhar a não ser comunhão com Cristo e oração. Ellen G. White descreve a experiência dos discípulos naqueles dias: “Esses dias de preparo foram de profundo exame de coração. Os discípulos sentiram sua necessidade espiritual, e suplicaram do Senhor a santa unção que os devia capacitar para o trabalho de salvar almas. Não suplicaram essas bênçãos apenas para si. Sentiam a responsabilidade que lhes cabia nessa obra de salvação de almas. Compreendiam que o evangelho devia ser proclamado ao mundo, e reclamavam o poder que Cristo prometera” (Atos dos Apóstolos p. 37).
            A conclusão da obra só acontecerá quando estreitarmos o nosso relacionamento com Cristo e humildemente implorarmos o poder do Espirito Santo para testemunhar.