Comentário
da Lição da Escola Sabatina de 22 a 29 de dezembro de 2012. Preparado por Carmo
Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a
Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja
Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
No
estudo desta semana vamos recordar os acontecimentos que marcam o inicio e o
fim do milênio. Veremos também que durante o milênio estaremos no Céu exercendo
uma atividade tira dúvidas. Nesta semana vamos rever as maravilhas da Nova
Terra e como será a vida ali.
O titulo da lição nos oferece a
certeza de que um dia tudo se fará novo. Quem fez essa promessa foi o próprio
Deus. “E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas
as coisas. E disse-me: Escreve; porque estas palavras são verdadeiras e fiéis”
(Apocalipse 21:5).
Deus
criou o Universo perfeito e todos os dias Ele visitava as Suas criaturas no
jardim do Éden. Mas o pecado afastou o homem de Deus. Porém, o Senhor deseja
restabelecer o Seu relacionamento conosco. O Seu sonho não é apenas passear
conosco pela viração do dia, mas morar conosco pela eternidade. “Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados
juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim
estaremos sempre com o Senhor” (1
Tessalonicenses 4:1).
O Seu amor para conosco é que O levou a
elaborar o plano redentivo do homem. “Mas Deus,
que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou. Estando
nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela
graça sois salvos), e nos ressuscitou
juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus”
(Efésios 2:5-6).
“Esse tempo
está às portas. Hoje, os sinais dos tempos declaram que nos achamos no limiar
de grandes e solenes acontecimentos. Tudo em nosso
mundo está em agitação. Ante os nossos olhos cumpre-se a profecia do Salvador
relativa aos acontecimentos que precedem Sua vinda:
"Ouvireis de guerras e de rumores de guerras. ... Porquanto se levantará
nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e
terremotos, em vários lugares. Mat. 24:6
e 7”” (Educação, pág. 179).
Os sinais do fim seguem uma
sequencia profética capaz de afastar qualquer dúvida de que em breve o Senhor
cumprirá o Seu propósito.
Domingo
Antes dos remidos
desfrutarem do Éden restaurado passaremos mil anos no Céu. Mas findos os mil
anos a Jerusalém celestial descerá do Céu e ocupará o lugar do antigo Éden de
Adão e Eva.
A Bíblia não deixa dúvidas. Jesus voltará, os santos
mortos ressuscitam e juntos com os santos vivos serão transformados e subirão
com o Senhor nos ares. Aí terá inicio o milênio. Diz Paulo: “E,
quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é
mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está
escrita: Tragada foi a morte na vitória” (1 Coríntios 15:54).
A
ressurreição dos justos marcará dois acontecimentos que só os santos
experimentarão. O inicio da eternidade para eles e o inicio do Milênio.
O
milênio é uma parte de tempo do grande julgamento. As sentenças foram
arbitradas e para que não pese nenhuma dúvida sobre a exatidão do juízo Deus
permitirá que durante o milênio os salvos tenham acesso a cada decisão antes da
execução final.
Os
sinais não deixam dúvidas. Os acontecimentos seguem o fiel cronograma
profético. O tempo determinado mencionado pelo profeta Habacuque se escoa
rapidamente: “Porque
a visão é ainda para o tempo determinado, mas se apressa para o fim, e não
enganará; se tardar, espera-o, porque certamente virá, não tardará” (Habacuque 2:3).
Segunda
Certa vez uma emissora de televisão foi até o Haiti e
trouxe de lá uma família de haitianos. Antes de receberem uma casa nova e
confortável eles foram conhecer um pouco do Brasil que agora seria a sua nova
terra. Metrô, micro ondas, shoppings, luzes, carros, escadas rolantes,
elevadores, em fim, tudo era novo para eles. Ficaram como que perdidos diante
de tantas coisas que eles não sabiam como usar. Eles não se apartavam do seu
guia que mostrava e esclarecia cada novidade.
Imagino
que a nossa experiência não será diferente quando chegarmos ao Céu. Qual será a
minha e a sua experiência depois de escaparmos da “grande tribulação”, nos
depararmos com as glórias do Lar Eterno? Como se comportará eu diante das “coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, E não
subiram ao coração do homem?” (1 Coríntios 2:9) e mais: Como
será fazermos parte daqueles que “seguem o Cordeiro para onde quer que vá”
(Apocalipse 14:4).
A
Bíblia afirma que vamos viver e reinar com Cristo por mil anos. Diz ainda que
vamos assentar em tronos e que teremos a capacidade de julgar. Quando vejo
tantos horrores no mundo de hoje, tantas contradições, tantas situações
delicadas, suspiro aliviado ao pensar: não serei eu que vou julgar tudo isso.
Mas no Céu teremos uma noção clara do que é julgar
e como julgar. O Apocalipse afirma: “E vi
tronos; e assentaram-se sobre eles, e foi-lhes dado o poder de julgar”
(Apocalipse 20:4).
Quando
fiz o primário tive um professor que sempre me convidava para ajuda-lo a
corrigir as provas. O mestre me dava autoridade para dar as notas para os meus
colegas. Como eu me sentia importante em estar ao seu lado! Mas o melhor de
tudo era o quanto eu aprendia ao fazer esse trabalho. Sim, vamos aprender muito
quando chegarmos lá.
João afirma que: “viveram, e reinaram com Cristo durante mil anos” (Apocalipse 14:4). O
milênio será o nosso período de estágio para aprendermos a viver a eternidade.
Terça
Quando eu ajudava o meu
professor cada aluno recebia uma
nota correspondente ao que ele escreveu na prova. Durante o milênio os salvos
estarão revisando os casos dos ímpios que permanecem na sepultura. Diz a Bíblia:
“E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se
os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados
pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras” (Apocalipse
20:12).
Terminada a segunda fase do juízo chamada de revisão vem
a terceira e última parte: a executiva. Satanás que até agora estava
encarcerado numa grande solitária, pois a terra não tem nenhum ser vido durante
o milênio, entrará em uma atividade extenuante com a ressurreição dos ímpios.
Ao ver Cristo e a Nova Jerusalém descer do Céu e com eles
os redimidos de todas as épocas, Satanás arregimenta a grande multidão de
ímpios para atacarem a cidade santa. Será o seu último esforço para usurpar o
trono de Deus. Neste momento Deus age de maneira maravilhosa. “E subiram sobre
a largura da terra, e cercaram o arraial dos santos e a cidade amada; e de Deus
desceu fogo, do céu, e os devorou” (Apocalipse 20:9). Malaquias,
no Velho Testamento, ao falar deste acontecimento escreveu: “Porque eis que
aquele dia vem ardendo como fornalha; todos os soberbos, e todos os que cometem
impiedade, serão como a palha; e o dia que está para vir os abrasará, diz o
Senhor dos Exércitos, de sorte que lhes não deixará nem raiz nem ramo” (Malaquias 4:1).
Hoje
a graça de Deus está sendo oferecida a todos os homens. Aceita-la ou não vai
definir de que lado estarei naquele grande Dia.
Quarta
Certa vez, quando eu estudava no antigo CAB-São Paulo,
fui a Monte Alegre de Minas visitar os meus pais. O meu acento era muito
desconfortável. Estava localizado em cima das rodas dianteiras do ônibus.
Embora ele fosse mais alto que os demais, eu tinha de viajar com as pernas encolhidas.
Enquanto
eu me acomodava na poltrona surgiu uma senhora propondo trocar de lugar comigo.
Dizia ela: “Essa poltrona é mais alta e eu quero ser a primeira pessoa a ver a
cidade de Uberlândia.” E acrescentou: “Como é linda a minha cidade!”
Às
cinco horas da manhã me despertei com os gritos daquela mulher. Ela acordou
todos os companheiros de viagem dizendo: “Vejam a cidade dos meus sonhos!” Naquele
momento a cidade não passava de um manto de luz espraiando na escuridão. A sua
alegria era transbordante e ela não estava nem ai para os resmungos e as caras
feias.
Em
nossa viagem para Canaã já dá para divisarmos as luzes e esplendores da Pátria
de nossos sonhos. Mas antes da chegada temos de acordar os companheiros de viagem
para que eles conheçam essa linda cidade que João descreve com tanta maestria.
Semelhantes ao profeta falemos para o mundo: Eu, Carmo vi a Santa Cidade! (Veja
meditação Reavivar a Esperança p 195).
Ali
o nosso olhar se desviará das coisas que “olho nenhum já viu e ouvido nenhum
ouviu” e a nossa atenção se voltará para os sinais dos cravos nas mãos de
Cristo, cujo sangue carimbou o nosso passaporte e garantiu a nossa presença
“para estamos para sempre com o Senhor”.
Quinta
Todo
o dia Deus visitava Adão e Eva no Jardim do Éden. No Novo Éden restaurado isso
não acontecerá. O Senhor plantará o Seu trono na praça central da nova
Jerusalém. E a Bíblia afirma: “e assim estaremos
sempre com o Senhor” (1
Tessalonicenses 4:17). E
mais: “Estes são os que seguem o Cordeiro para
onde quer que vá. Estes são os que dentre os homens foram comprados como
primícias para Deus e para o Cordeiro” (Apocalipse 14:4).
Realmente
não dá para imaginar como será viver no Céu. Sempre que penso em um Deus
onipotente morando para sempre conosco me vem a mente a pergunta da Samaritana
diante de Jesus: “Como pode?” Somente a graça poderá, aos poucos, nos esclarecer
tudo. Digo aos poucos pois, embora transformados ainda não teremos condições de
saber tudo de uma vez. Diz Ellen G. White: “Ao guiar Seus filhos às
fontes das águas vivas, o Salvador lhes comunicará abundância de conhecimentos.
E dia a dia as maravilhosas obras de Deus, as provas de Seu poder na criação e
manutenção do Universo, desdobrar-se-ão perante seu espírito em uma nova
beleza. À luz que irradia do trono, desaparecerão os mistérios, e a alma se
encherá de espanto em face da simplicidade das coisas antes não compreendidas”
(A Ciência do Bom Viver p. 466). E mais: “E por toda a eternidade os homens podem continuar
sempre a examinar, a aprender, sem nunca esgotar os tesouros de Sua sabedoria,
bondade e poder” (Caminho a Cristo, p. 109).
Davi
ao se deparar com o grande amor de Deus ficou absorto: “Quando vejo os teus céus,
obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste; Que é o homem
mortal para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites?” (Salmos
8:3-4). Ao escrever essas palavras Davi se referia à primeira vinda de Cristo a
essa Terra e a qualificou como “visita”. Mas na Nova Terra o Senhor estará para
sempre conosco.
Conclusão
Durante
o Milênio Satanás permanecerá sozinho aqui na Terra. Semelhante ao bode
emissário ele será responsabilizado por todas as trasngreções cometidas pelos
homens e pagará por isso. A sua solidão culminará com a sua destruição.
Com
a ressurreição dos ímpios ele estará solto e arregimentará todos os ímpios para
a batalha final do grande conflito. Mas nesse momento Deus intervém. “E subiram sobre a largura da terra, e cercaram o
arraial dos santos e a cidade amada; e de Deus desceu fogo, do céu, e os
devorou” (Apocalipse 20:9).
E
grande promessa de Deus é: “Não se levantará por
duas vezes a angústia” (Naum
1:9). Nunca mais lágrimas, nunca mais a dor e a morte.