Comentário
da Lição da Escola Sabatina de vinte e seis de abril a três de maio de 2014,
preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de
Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro
da Igreja Adventista do Sétimo Dia, Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Conheço um
senhor que dava risadas ao comentar que cada adventista tinha em casa uma vara
comprida com um gancho na ponta. Ela era usada nas tardes de sábado para puxar
o Sol para que ele se pusesse mais cedo, liberando os fieis para as suas
atividades normais.
É conhecida a história de
determinado pastor evangélico que ao tentar provar para um de seus fieis que
todos os dias da semana são iguais pegou sete limões e foi identificando cada
um com o nome de um dia da semana. Depois, misturaram todos eles e desafiou
aquele irmão a identificar o sábado. O irmão pegou os mesmos limões e repetiu o
gesto daquele pastor, mas ao identificar o limão que representava o sábado deu
três unhadas no mesmo dizendo: Deus abençoou, Deus santificou e Deus descansou.
Agora o limão que representava o sábado estava bem identificado.
Nos tempos de Cristo os judeus não
conheciam outro dia de guarda senão o sábado. Para eles esse dia era tão especial
que um grande número de inserções foi acrescentadas ao sábado e muitas delas em
benefício próprio. Elas limitavam a distancia que um judeu poderia caminhar no
sábado, o peso que ele poderia carregar e coisas como não prestar nenhum
auxílio a alguma pessoa nesse dia. Porém, se uma ovelha caísse em um buraco ela
poderia ser salva no dia de sábado, não pelo seu valor estimativo, mas sim,
financeiro.
Jesus estava diante de uma situação
delicada. Como Criador do Universo e como bom judeu Ele sabia da importância de
se observar a lei e, principalmente, como observar o dia de sábado. Enquanto os
outros mandamentos eram observados pelos judeus de maneira superficial, o
sábado era sobrecarregado com extremos que fazia desse dia uma sequencia de
práticas que tornava difícil e cansativa a sua observância. Com maestria Jesus
foi mostrando a real importância de todos os mandamentos e a maneira correta de
observá-los. Essa atitude de Jesus Lhe custou caro.
Os que apregoam a nulidade do sábado
são unânimes em defender a validade dos outros mandamentos. Por que apenas o
sábado é descartado? Durante os seis
milênios de pecado Satanás tem se esforçado para atingir a Lei de Deus e
sabemos que os seus esforços se intensificarão mais e mais à medida que nos
aproximamos do fim de todas as coisas. Ele sabe que “Qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só
ponto, tornou-se culpado de todos” (Tiago
2:10).
Domingo
“E
havendo Deus acabado no dia sétimo a obra que fizera, descansou no sétimo dia
de toda a sua obra, que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo, e o
santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que Deus criara e fizera” (Gênesis
2:2-3). Alguns argumentam que o sábado é apenas
para os judeus. No estudo de hoje cabe algumas perguntas: Adão e Eva eram
judeus? Ou melhor: Deus é judeu? Ele foi o primeiro a observar o sábado.
Deus é o criador do sábado e do
homem. Ele sabe de nossas limitações físicas e programou para que a cada seis
dias tivéssemos um dia específico para descanso. A necessidade biológica de um
dia de descanso semanal, hoje reconhecida em todo o mundo foi uma orientação
divina apresentada no Éden. O primeiro país do mundo a reconhecer parcialmente essa
necessidade foi a França. Em 1848, os aspectos sociais e
biológicos impulsionaram a limitação da jornada de trabalho e a introdução de
intervalos. O fundamento utilizado baseava-se em que “o trabalho manual muito
prolongado não
só arruína a saúde dos trabalhadores, mas também os impede de cultivar a inteligência, prejudicando a
dignidade do homem”.
Esse
reconhecimento limitado dos franceses, graças às pesquisas científicas de hoje foi
ampliado. Já se sabe que não só o trabalho manual ininterrupto arruína a saúde
mas também o trabalho intelectual. Sabemos que o domingo como é observado não
atende a necessidade de descanso intelectual. Apenas a observância do sábado,
como orienta as Escrituras oferece um repouso completo. Não é a toa que a
Igreja Católica tem se esforçado para que o domingo seja observado como o
sábado bíblico.
Na carta apostólica Dies Domini o
papa João Paulo II, assim se expressa na página 12: “É necessário, portanto,
reler a grande página da criação e aprofundar a teologia do sábado, para chegar à plena compreensão
do domingo.” Caso toda a humanidade observasse o sábado como Deus orientou o
mundo desfrutaria de melhor saúde. Com certeza os níveis de estresse, depressão
e problemas cardíacos não alcançariam os níveis que vivenciamos hoje.
Mais do que um mandamento, o descanso sabático
é uma necessidade extensiva a todo o ser humano.
Segunda
É curioso um Jesus, criador do mundo,
em forma humana se submeter à observância de um dia de descanso instituído por
Ele nos primórdios da criação. O mais interessante de tudo é que esse fato não
foi novidade para o Cristo humano. Ele foi o primeiro observador do sábado no
universo. “E havendo Deus acabado no dia sétimo a obra que fizera, descansou no
sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito” (Gênesis
2:2).
Normalmente as pessoas trabalham
freneticamente durante a semana. No domingo, dia de descanso, vai à igreja pela
manhã, talvez, pensando em um negócio mal resolvido durante a semana ou
preocupado em passar na feira após o culto e fazer as compras da semana. É o
dia de ver, com calma, o apartamento ou fazenda que esta sendo cogitado para
compra. O domingo é o dia de manusear o jornal e se atualizar com as noticias
para iniciar a semana bem informado. E se está “descansando” porque não
planejar os negócios para a semana seguinte nesse dia? Claro que esse proceder
não sintetiza um descanso físico e muito menos um descanso mental.
Muitos acham estranho um adventista
não comprar nem vender no sábado. Parece extremismo se eximir de fechar um bom
negócio só porque o Sol se pôs na sexta-feira ou baixar as portas do comércio
mais cedo nesse dia. Certa vez, no término do culto de sábado, um vendedor de
sorvetes estacionou o seu carrinho na porta de nossa Igreja, Depois de algum
tempo sem vender nada me aproximei dele e lhe expliquei o motivo do seu
“fracasso comercial”. Isaías lembra: “Se desviares o teu pé do sábado, de
fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso, e o
santo dia do Senhor, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus
caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falares as tuas
próprias palavras, então te deleitarás no Senhor, e te farei cavalgar sobre as
alturas da terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Jacó; porque a boca
do Senhor o disse” (Isaías
58:13-14).
Isaías é claro em afirmar que o descanso sábatico vai
além de um mero descanso de nossas atividades laborais nesse dia. Esse é o dia
de estreitar o nosso relacionamento com o Criador e “adorar
ao Senhor na beleza da Sua santidade” (Salmo 96:9). A promessa para quem faz do sábado esse dia “diferente” é
maravilhosa: “então te deleitarás no Senhor, e te farei cavalgar sobre as
alturas da terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Jacó; porque a boca
do Senhor o disse” (Isaías
58: 14). Caso houvesse em toda a Bíblia apenas os
versos de Isaías 58:13 e 14, já seria o suficiente para toda a humanidade
observar esse dia sem questionamentos.
O homem, por mero interesse
político, mudou o sábado para o domingo. “Porém, respondendo Pedro e os
apóstolos, disseram: Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos dos Apóstolos 5:29).
Terça
O sábado é o dia de estreitar as nossas relações com o
Criador. É o dia de posicionarmos na Sua presença e aprender Dele. Na presença
de Deus não há tristezas. Davi, com frequência experimentava esse
privilégio. “...na tua presença há
fartura de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente” (Salmos
16:11).
Não vejo razão da segunda pergunta
da parte de terça-feira. Creio não fazer nenhuma diferença se Jesus comeu ou
não daquele alimento colhido no sábado. Para mim a explicação que Ele deu é o
suficiente.
Ele é o Senhor do sábado e criou
esse dia não para o Seu benefício próprio, mas exclusivamente por uma
necessidade física, mental e espiritual do homem. Vale a pena servir a um Deus
que se preocupa em miminizar as nossas tristezas nos oferecendo um dia por
semana no qual podemos desfrutar de “fartura de alegria”.
Na Sexta Feira da Paixão um sobrinho
meu, católico, se expressou: “Nesse dia não tem quem me faça dirigir meu carro
que seja por um metro.” Vemos em suas palavras dois equívocos. Primeiro, não há
fundamentação bíblica para a sua decisão. E, em segundo lugar, seria fechar as
portas caso fosse necessário levar alguém a um hospital ou prestar qualquer
outro tipo de ajuda.
São impressionantes como as pessoas
descansam em determinados dias que não tem nada a ver com a recomendação
bíblica. Na minha juventude trabalhei na lavoura. Muitos trabalhadores achavam
estranho não trabalharmos no sábado. Porém, esses mesmos trabalhadores faltavam
ao trabalho em “dias santos” como o dia de Santa Luzia, São Pedro, São Judas
Tadeu e outros. Todos esses santos, por mais santos que tenham sido permanecem
dormindo no pó da Terra e só voltarão à vida na primeira ressurreição. Eles nada
podem fazer porque “Também o seu amor, o seu ódio, e a sua inveja já pereceram,
e já não têm parte alguma para sempre, em coisa alguma do que se faz debaixo do
sol” (Eclesiastes 9:6).
Quarta
Talvez, das curas realizadas por Jesus no sábado a que
mais causou espanto entre os judeus foi a do homem junto ao tanque de Betesda.
Pois além de Ele próprio “transgredir” o mandamento ordenou que o homem
restaurado carregasse a sua própria cama no dia de sábado.
Em todos os tempos Satanás tem
trabalhado com afinco para descaracterizar o sábado de sua santidade e
importância. Após o exílio em Babilônia os primeiros israelitas que voltaram
para Jerusalém comercializavam normalmente no dia de sábado. Neemias teve de
agir com firmeza para que isso não acontecesse, Neemias 13:15-22. Os escribas e
fariseus, talvez por zelo, acrescentaram tantas tradições quanto à observância
do sábado chegando ao ponto de descaracterizar esse dia de sua principal razão
de existir. Jesus procurou corrigir essas distorções. Já em nossos dias
acontece o contrário, para a maioria dos cristãos, o sábado foi pregado na cruz
e jogado na lata de lixo.
O sábado é um dia especial para ser
útil ao próximo. É um dia especial próprio para realizar a cura física e a cura
espiritual das pessoas. O simples fato de uma pessoa observar o sábado, segundo
a orientação bíblica, o leva a desfrutar de melhor saúde. Essa pessoa se
resguarda dos males do presente século. Estresse, hipertensão, diabetes,
depressão se apresentam em menor quantidade e intensidade entre aqueles que
“tem prazer na lei do Senhor”. “Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na
sua lei medita de dia e de noite” (Salmos
1:2).
Quinta
O sábado é um monumento da criação.
Depois de criar todas as coisas, Deus criou o sábado. Dedicou esse dia para
apreciar as belezas criadas. O Céu estrelado, O Sol surgindo enquanto a lua
modestamente se oculta atrás do horizonte, flores se espraiando pelos prados,
os animais saltitando num campo de vegetação suculenta. Uma criação completa
que não cabia retoques. Ao rever tudo o que criara uma exclamação completa todo
o seu sentimento: “E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom”
(Gênesis 1:31).
O mundo caiu em pecado. A bela criação se desfigurou. Mas
a Sua promessa é: “Eis que faço novas todas as coisas. E
disse-me: Escreve; porque estas palavras são verdadeiras e fiéis” (Apocalipse
21:5). Sim, Jesus promete um novo mundo.
O homem desfigurou a criação de Deus
e pelo andar da carruagem, caso não haja uma intervenção divina, a vida no
planeta está seriamente destinada à extinção. Não contente apena com os
estragos feitos no mundo o homem atingiu apropria lei de Deus numa tentativa de
abalar ou destruir o marco da criação, o santo sábado.
Deus vai restaurar tudo. Apenas um
detalhe: O ser humano que deseja participar dessa restauração deve fazer agora
a sua opção. Aquele que aceitar a Cristo será transformado em uma nova
criatura. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas
velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2
Coríntios 5:17). E pela eternidade sem fim “...e desde um
sábado até ao outro, virá toda a carne a adorar perante mim, diz o Senhor” (Isaías
66:23).
Conclusão
Jesus mostrou por palavras e exemplo a maravilha que é
observar o santo dia do Senhor. Essa postura de Jesus agradou a Deus e o Mestre
foi engrandecido pelo cumprimento de toda a Sua lei e, principalmente o Seu
zelo para com o sábado. “O Senhor se agradava dele por amor da sua justiça;
engrandeceu-o pela lei, e o fez glorioso” (Isaías
42:21).