domingo, 27 de abril de 2014

Cristo e o sábado


Comentário da Lição da Escola Sabatina de vinte e seis de abril a três de maio de 2014, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia, Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

            Conheço um senhor que dava risadas ao comentar que cada adventista tinha em casa uma vara comprida com um gancho na ponta. Ela era usada nas tardes de sábado para puxar o Sol para que ele se pusesse mais cedo, liberando os fieis para as suas atividades normais.

            É conhecida a história de determinado pastor evangélico que ao tentar provar para um de seus fieis que todos os dias da semana são iguais pegou sete limões e foi identificando cada um com o nome de um dia da semana. Depois, misturaram todos eles e desafiou aquele irmão a identificar o sábado. O irmão pegou os mesmos limões e repetiu o gesto daquele pastor, mas ao identificar o limão que representava o sábado deu três unhadas no mesmo dizendo: Deus abençoou, Deus santificou e Deus descansou. Agora o limão que representava o sábado estava bem identificado.

            Nos tempos de Cristo os judeus não conheciam outro dia de guarda senão o sábado. Para eles esse dia era tão especial que um grande número de inserções foi acrescentadas ao sábado e muitas delas em benefício próprio. Elas limitavam a distancia que um judeu poderia caminhar no sábado, o peso que ele poderia carregar e coisas como não prestar nenhum auxílio a alguma pessoa nesse dia. Porém, se uma ovelha caísse em um buraco ela poderia ser salva no dia de sábado, não pelo seu valor estimativo, mas sim, financeiro.

            Jesus estava diante de uma situação delicada. Como Criador do Universo e como bom judeu Ele sabia da importância de se observar a lei e, principalmente, como observar o dia de sábado. Enquanto os outros mandamentos eram observados pelos judeus de maneira superficial, o sábado era sobrecarregado com extremos que fazia desse dia uma sequencia de práticas que tornava difícil e cansativa a sua observância. Com maestria Jesus foi mostrando a real importância de todos os mandamentos e a maneira correta de observá-los. Essa atitude de Jesus Lhe custou caro.

            Os que apregoam a nulidade do sábado são unânimes em defender a validade dos outros mandamentos. Por que apenas o sábado é descartado?  Durante os seis milênios de pecado Satanás tem se esforçado para atingir a Lei de Deus e sabemos que os seus esforços se intensificarão mais e mais à medida que nos aproximamos do fim de todas as coisas. Ele sabe que “Qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos” (Tiago 2:10).

 

Domingo

            E havendo Deus acabado no dia sétimo a obra que fizera, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que Deus criara e fizera” (Gênesis 2:2-3). Alguns argumentam que o sábado é apenas para os judeus. No estudo de hoje cabe algumas perguntas: Adão e Eva eram judeus? Ou melhor: Deus é judeu? Ele foi o primeiro a observar o sábado.

            Deus é o criador do sábado e do homem. Ele sabe de nossas limitações físicas e programou para que a cada seis dias tivéssemos um dia específico para descanso. A necessidade biológica de um dia de descanso semanal, hoje reconhecida em todo o mundo foi uma orientação divina apresentada no Éden. O primeiro país do mundo a reconhecer parcialmente essa necessidade foi a França. Em 1848, os aspectos sociais e biológicos impulsionaram a limitação da jornada de trabalho e a introdução de intervalos. O fundamento utilizado baseava-se em que “o trabalho manual muito prolongado não só arruína a saúde dos trabalhadores, mas também os impede de cultivar a inteligência, prejudicando a dignidade do homem”.

            Esse reconhecimento limitado dos franceses, graças às pesquisas científicas de hoje foi ampliado. Já se sabe que não só o trabalho manual ininterrupto arruína a saúde mas também o trabalho intelectual. Sabemos que o domingo como é observado não atende a necessidade de descanso intelectual. Apenas a observância do sábado, como orienta as Escrituras oferece um repouso completo. Não é a toa que a Igreja Católica tem se esforçado para que o domingo seja observado como o sábado bíblico.

            Na carta apostólica Dies Domini o papa João Paulo II, assim se expressa na página 12: “É necessário, portanto, reler a grande página da criação e aprofundar a teologia do sábado, para chegar à plena compreensão do domingo.” Caso toda a humanidade observasse o sábado como Deus orientou o mundo desfrutaria de melhor saúde. Com certeza os níveis de estresse, depressão e problemas cardíacos não alcançariam os níveis que vivenciamos hoje.

             Mais do que um mandamento, o descanso sabático é uma necessidade extensiva a todo o ser humano. 

 

Segunda

            É curioso um Jesus, criador do mundo, em forma humana se submeter à observância de um dia de descanso instituído por Ele nos primórdios da criação. O mais interessante de tudo é que esse fato não foi novidade para o Cristo humano. Ele foi o primeiro observador do sábado no universo. “E havendo Deus acabado no dia sétimo a obra que fizera, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito” (Gênesis 2:2).    

            Normalmente as pessoas trabalham freneticamente durante a semana. No domingo, dia de descanso, vai à igreja pela manhã, talvez, pensando em um negócio mal resolvido durante a semana ou preocupado em passar na feira após o culto e fazer as compras da semana. É o dia de ver, com calma, o apartamento ou fazenda que esta sendo cogitado para compra. O domingo é o dia de manusear o jornal e se atualizar com as noticias para iniciar a semana bem informado. E se está “descansando” porque não planejar os negócios para a semana seguinte nesse dia? Claro que esse proceder não sintetiza um descanso físico e muito menos um descanso mental.

            Muitos acham estranho um adventista não comprar nem vender no sábado. Parece extremismo se eximir de fechar um bom negócio só porque o Sol se pôs na sexta-feira ou baixar as portas do comércio mais cedo nesse dia. Certa vez, no término do culto de sábado, um vendedor de sorvetes estacionou o seu carrinho na porta de nossa Igreja, Depois de algum tempo sem vender nada me aproximei dele e lhe expliquei o motivo do seu “fracasso comercial”. Isaías lembra: “Se desviares o teu pé do sábado, de fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso, e o santo dia do Senhor, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falares as tuas próprias palavras, então te deleitarás no Senhor, e te farei cavalgar sobre as alturas da terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Jacó; porque a boca do Senhor o disse” (Isaías 58:13-14).

Isaías é claro em afirmar que o descanso sábatico vai além de um mero descanso de nossas atividades laborais nesse dia. Esse é o dia de estreitar o nosso relacionamento com o Criador e “adorar ao Senhor na beleza da Sua santidade” (Salmo 96:9). A promessa para quem faz do sábado esse dia “diferente” é maravilhosa: “então te deleitarás no Senhor, e te farei cavalgar sobre as alturas da terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Jacó; porque a boca do Senhor o disse” (Isaías 58: 14). Caso houvesse em toda a Bíblia apenas os versos de Isaías 58:13 e 14, já seria o suficiente para toda a humanidade observar esse dia sem questionamentos.

            O homem, por mero interesse político, mudou o sábado para o domingo. “Porém, respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (Atos dos Apóstolos 5:29).

 

Terça

            O sábado é o dia de estreitar as nossas relações com o Criador. É o dia de posicionarmos na Sua presença e aprender Dele. Na presença de Deus não há tristezas. Davi, com frequência experimentava esse privilégio.  “...na tua presença há fartura de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente” (Salmos 16:11).

            Não vejo razão da segunda pergunta da parte de terça-feira. Creio não fazer nenhuma diferença se Jesus comeu ou não daquele alimento colhido no sábado. Para mim a explicação que Ele deu é o suficiente.

            Ele é o Senhor do sábado e criou esse dia não para o Seu benefício próprio, mas exclusivamente por uma necessidade física, mental e espiritual do homem. Vale a pena servir a um Deus que se preocupa em miminizar as nossas tristezas nos oferecendo um dia por semana no qual podemos desfrutar de “fartura de alegria”.

            Na Sexta Feira da Paixão um sobrinho meu, católico, se expressou: “Nesse dia não tem quem me faça dirigir meu carro que seja por um metro.” Vemos em suas palavras dois equívocos. Primeiro, não há fundamentação bíblica para a sua decisão. E, em segundo lugar, seria fechar as portas caso fosse necessário levar alguém a um hospital ou prestar qualquer outro tipo de ajuda.

            São impressionantes como as pessoas descansam em determinados dias que não tem nada a ver com a recomendação bíblica. Na minha juventude trabalhei na lavoura. Muitos trabalhadores achavam estranho não trabalharmos no sábado. Porém, esses mesmos trabalhadores faltavam ao trabalho em “dias santos” como o dia de Santa Luzia, São Pedro, São Judas Tadeu e outros. Todos esses santos, por mais santos que tenham sido permanecem dormindo no pó da Terra e só voltarão à vida na primeira ressurreição. Eles nada podem fazer porque “Também o seu amor, o seu ódio, e a sua inveja já pereceram, e já não têm parte alguma para sempre, em coisa alguma do que se faz debaixo do sol” (Eclesiastes 9:6).

 

Quarta

            Talvez, das curas realizadas por Jesus no sábado a que mais causou espanto entre os judeus foi a do homem junto ao tanque de Betesda. Pois além de Ele próprio “transgredir” o mandamento ordenou que o homem restaurado carregasse a sua própria cama no dia de sábado.

            Em todos os tempos Satanás tem trabalhado com afinco para descaracterizar o sábado de sua santidade e importância. Após o exílio em Babilônia os primeiros israelitas que voltaram para Jerusalém comercializavam normalmente no dia de sábado. Neemias teve de agir com firmeza para que isso não acontecesse, Neemias 13:15-22. Os escribas e fariseus, talvez por zelo, acrescentaram tantas tradições quanto à observância do sábado chegando ao ponto de descaracterizar esse dia de sua principal razão de existir. Jesus procurou corrigir essas distorções. Já em nossos dias acontece o contrário, para a maioria dos cristãos, o sábado foi pregado na cruz e jogado na lata de lixo.  

            O sábado é um dia especial para ser útil ao próximo. É um dia especial próprio para realizar a cura física e a cura espiritual das pessoas. O simples fato de uma pessoa observar o sábado, segundo a orientação bíblica, o leva a desfrutar de melhor saúde. Essa pessoa se resguarda dos males do presente século. Estresse, hipertensão, diabetes, depressão se apresentam em menor quantidade e intensidade entre aqueles que “tem prazer na lei do Senhor”. “Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite” (Salmos 1:2).

 

Quinta

            O sábado é um monumento da criação. Depois de criar todas as coisas, Deus criou o sábado. Dedicou esse dia para apreciar as belezas criadas. O Céu estrelado, O Sol surgindo enquanto a lua modestamente se oculta atrás do horizonte, flores se espraiando pelos prados, os animais saltitando num campo de vegetação suculenta. Uma criação completa que não cabia retoques. Ao rever tudo o que criara uma exclamação completa todo o seu sentimento: “E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom” (Gênesis 1:31). 

O mundo caiu em pecado. A bela criação se desfigurou. Mas a Sua promessa é: “Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve; porque estas palavras são verdadeiras e fiéis” (Apocalipse 21:5). Sim, Jesus promete um novo mundo.

            O homem desfigurou a criação de Deus e pelo andar da carruagem, caso não haja uma intervenção divina, a vida no planeta está seriamente destinada à extinção. Não contente apena com os estragos feitos no mundo o homem atingiu apropria lei de Deus numa tentativa de abalar ou destruir o marco da criação, o santo sábado.

            Deus vai restaurar tudo. Apenas um detalhe: O ser humano que deseja participar dessa restauração deve fazer agora a sua opção. Aquele que aceitar a Cristo será transformado em uma nova criatura. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Coríntios 5:17). E pela eternidade sem fim “...e desde um sábado até ao outro, virá toda a carne a adorar perante mim, diz o Senhor” (Isaías 66:23).

 

Conclusão

            Jesus mostrou por palavras e exemplo a maravilha que é observar o santo dia do Senhor. Essa postura de Jesus agradou a Deus e o Mestre foi engrandecido pelo cumprimento de toda a Sua lei e, principalmente o Seu zelo para com o sábado. “O Senhor se agradava dele por amor da sua justiça; engrandeceu-o pela lei, e o fez glorioso” (Isaías 42:21).

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Cristo e a lei no sermão da montanha


Comentário da Lição da Escola Sabatina de dezenove a vinte e seis de abril de 2014, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia-Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

            O texto em estudo na lição dessa semana esta voltado para a atitude de Jesus para com a Lei. É curioso que na sua abordagem sobre a importância de cada mandamento o sábado não é mencionado. Esse fato tem atraído a atenção dos críticos que advogam a nulidade do sábado uma vez que o mandamento não é mencionado por Jesus.

             É interessante que todos os mandamentos sofreram algum tipo de regulamentação por parte dos judeus. Essas regulamentações enfraqueciam o mandamento e, em alguns casos, o tornava nulo como já foi estudado na lição anterior em que a lei rabínica anulava o quinto mandamento. Normalmente essas inserções rabínicas tendiam a favorecer os judeus, principalmente na parte financeira.

            No caso do sábado, por insinuação de Satanás aconteceu o contrário. O sábado foi sobrecarregado de dezenas de inserções que o tornava um fardo insuportável e não uma bênção. Tinha a distância exata que uma pessoa poderia caminhar no sábado e o peso exato que ela poderia carregar. Nesse dia não se cuspia no chão porque um fiapo de grama poderia “ser irrigado”. Porém, se uma ovelha caía em um abismo no dia de sábado ela poderia ser resgatada, não por compaixão, e sim, pelo seu valor financeiro.

            Caso Jesus acentuasse a observância do sábado seria chover no molhado. Mesmo assim Ele disse: “O Sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do Sábado” (Marcos 2:27). E mais: Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til jamais passará da lei, sem que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus” (Mateus 5:17-19). Esse era um mandamento que todo o judeu devotava o maior respeito ao ponto de se submeter a excessos. Caso ele fosse repetidamente acentuado por Jesus seria um reforço a mais para os disparates já praticados em sua observância.

            Ao Cristo fazer a observação de que Ele não veio para anular a lei e sim, cumpri-la, alguns argumentam que Ele já cumpriu a lei por todos nós e, portanto, não necessitamos mais observar a lei. Só que os que dizem assim não matam, não rouba, não adulteram etc. Por que consideram tais práticas pecado? Sem nenhuma base bíblica insistem em afirmar que o sábado foi anulado.  

 

Domingo

            Jesus jamais concordou com algumas das regulamentações elaboradas pelos judeus em referencia à lei. Isso deixava transparecer para os judeus que Jesus era contrário à lei e apoiava a anulação da mesma. Sabemos que Jesus não apoiava os excessos, pois descaracterizavam o próprio Deus que a criou.

 O Mestre deixou bem claro que mantinha o maior respeito para com a lei e ao mesmo tempo se esforçava para torná-la mais clara para o povo. É lógico que os judeus, detentores não só da lei, mas também das alterações acrescentadas, não gostaram da atitude de Cristo. E depois de dizer que nem um I ou Til seria tirado ou acrescentado à lei Jesus da um sério recado: “Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus” (Mateus 5:19).

Essas palavras de Cristo são tomadas por alguns para reafirmar que a observância da lei não é tão exigida assim, pois todos os transgressores da mesma de um modo ou de outro estarão nos Céus. Jesus usou apenas uma força de expressão para clarear a importância de todos os mandamentos. Claro que todos os transgressores que o fazem voluntariamente e que não se arrependeram de sua maneira de agir não participarão das mansões eternas.

Levar para o Céu um transgressor contumaz seria anular todo o plano da redenção e permitir que o pecado continue a sua malvada trajetória iniciada no Éden, justamente porque a lei de Deus foi transgredida.

É bom lembrar-se das advertências encontradas lá no final da Bíblia: “E, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro” (Apocalipse 22:19). E mais: “Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro” (Apocalipse 22:18).

 

Segunda

Segundo a explicação de alguns teólogos, entende-se que a palavra "Ráca" tenha o significado de tolo, insensato, cabeça oca. Ela abrange o significado de outras palavras que indicam algo totalmente desprezível, sem valor ou lixo. Essa palavra é uma descrição de como se sentiu Jonas ao ver que os ninivitas se converteram em massa. Ele se sentiu tão humilhado que pediu a morte.

Jesus está falando para um grupo que menosprezava as pessoas de outras etnias. Na oração do fariseu ele se vangloriava: “não sou como os demais”. O Mestre deixou claro que todos somos iguais e, qualquer pessoa, por mais pecadora que seja merece a nossa atenção e respeito.

Dizem os “comentaristas de plantão” que o homem judeu se orgulha de três coisas: Primeiro de ser judeu. Segundo, por ser homem e não ter nascido mulher e terceiro por ser a raça que mais contribuições tem dado para o mundo durante os seis milênios de existência do planeta Terra. Para Deus todos somos iguais.

Certa vez um grupo de pessoas levantou uma discussão. Por que Deus criou o homem no sexto dia? Um deles respondeu: “Ao criar o homem no sexto dia Ele não queria cometer os mesmos erros que cometeu ao criar os animais.” Outro acrescentou: “Ele sentiu a necessidade de fazer testes.” Nesse momento apareceu um sábio. A sua  opinião fez calar os demais. Ele foi incisivo:   “Muito simples, para que, quando fossemos tocados pelo orgulho, pudéssemos refletir: até mesmo um simples mosquito teve prioridade no trabalho Divino”.

Jesus observou que os judeus de Seu tempo criaram mil maneiras de como observar melhor o dia de sábado, mas não praticavam a essência da lei: o amor a Deus e ao próximo. Quanto ao sábado era necessário desmistificar alguns complementos de origem humana. Quanto aos demais mandamentos, eram tratados de maneira superficial. Ele esclareceu que a respeito do adultério, do assassinato e de outros mandamentos eles deixavam muito a desejar.

Jesus mostrou que o simples fato de odiar alguém já é um assassinato. “Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele” (1 João 3:15). Nessa perspectiva os que odiavam a Cristo já O estava crucificando.

 

Terça

A Talmudic Encyclopédia nos dá uma ideia porque foi necessário Jesus esclarecer melhor o sétimo mandamento e porque no caso da samaritana apenas ela deveria ser apedrejada. Diz a enciclopédia: “Aquele que tiver conhecimento carnal da mulher de um gentio não está sujeito à pena de morte, porque está escrito: “a mulher do teu próximo” em vez de a mulher do estrangeiro; e mesmo o preceito que um homem “manter-se-á fiel à sua mulher” que é dirigido aos gentios não é aplicável a um judeu, tal como não existe matrimônio para um pagão; e embora uma mulher gentia casada seja proibida aos gentios, de qualquer forma o Judeu está isento.

Isto não implica que as relações sexuais entre um homem judaico e uma mulher gentia sejam permitidas – pelo contrário. Mas o castigo principal é infligido à mulher gentia; deve ser executada, mesmo que tenha sido violada pelo judeu: Se um judeu praticar o coito com uma mulher gentia, seja ela uma criança de três anos ou uma adulta, seja casada ou solteira, ela deve ser morta.”

Veja: Um gentio não era considerado um próximo e sim um estrangeiro. O mandamento proíbe relações com a mulher do próximo. Relações com a mulher do estrangeiro eram permitidas. O casamento entre os gentios não era considerado casamento. Assim qualquer mulher gentia era considerada promiscua.

Jesus esclareceu o sétimo mandamento ampliando a sua aplicabilidade assim como, ultimamente, foi ampliado o conceito de estupro em nossa legislação.

As inserções de Jesus ao mandamento era um verdadeiro tapa no bumbum dos líderes religiosos daquele tempo e, claro, em muitos de nós hoje.

 

Quarta

Talvez um dos mandamentos mais esquecido hoje é o que nos resguarda de tomar o nome de Deus em vão. Hoje, Jesus Se transformou em adesivos de carro e estampas de camisetas. Outros fazem tatuagens  com o propósito ter Jesus marcado em seus corpos. O nome de Deus é banalizado e parece mercadoria barata encontrada em qualquer esquina.

É curioso como Jesus ligou o terceiro mandamento com os últimos seis mandamentos que versam sobre o nosso relacionamento com o próximo. Promessas feitas a esmo tanto a Deus como ao próximo tem o mesmo peso diante do nosso Criador e Ele nos adverte quanto ao perigo que isso representa.

Podemos imaginar a seriedade desses princípios que, eles foram dados em uma época em que um simples aperto de mão ou um fio de cabelo da barba valiam mais que um documento firmado em cartório nos dias de hoje.

Muitos dos que se submetem a juramentos juram que estão jurando falso. Hoje, os compromissos com o próximo e mesmo com Deus são feitos de maneira leviana sem uma profunda compreensão do que isso significa. Esta diante de nos mais uma campanha eleitoral. É a época propícia de ouvirmos promessas e promessas. Muitas delas, após a eleição, desaparecem como plumas levadas pelo vento. Jesus mostrou o que essa atitude irresponsável significa.

 O nome de Deus é tomado em vão quando mencionado de maneira impensada sem um propósito definido. Qualquer promessa ou compromisso a ser feito deve ser precedido de um profundo exame das possibilidades de torná-los válidos sob quaisquer circunstancias.

Seus não nos obriga a fazer qualquer compromisso, mas uma vez feito ele deve ser cumprido. Esse princípio vale para o nosso relacionamento com Deus e com o nosso próximo e vale também para qualquer tipo de compromisso seja no âmbito social, espiritual ou financeiro. Ananias e Safira pagaram com a própria vida ao voltarem atrás ao reter parte do dinheiro prometido ao Senhor.

 

Quinta

Uma jovem que morava em Portugal desabafou: “Estou contente em voltar para o meu país (Brasil). Mas duma coisa vou sentir falta: a segurança.” Estamos vivendo em uma época em que a violência tem tomado dimensões estratosféricas; ela está à frente de nossa imaginação. Você deseja ficar rico dentro de pouco tempo? Então abra um comércio de equipamentos de segurança. O medo faz parte do nosso cotidiano e cansados de esperar por uma solução a ideia do “dente por dente” ou revide tem se espalhado entre as pessoas.

Cristo deixou claro que a violência foi uma das causas da destruição do mundo nos dias do dilúvio e que ela será comum antes de Sua volta a este mundo. Diz os textos: “A terra estava corrompida à vista de Deus e cheia de violência” (Gênesis 6.11); e ainda: “Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mal todo desígnio do seu coração” (Gênesis 6.4) e Jesus completa: Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do homem (Mateus 24:37).

O princípio de talião foi encontrado no Código de Hamurabi provavelmente 1780 a.C., no reino da Babilônia. Provavelmente a sua existêcia foi fundamentada na Bíblia. A explicação que se tem para essa espécie de “castigo-espelho” seria evitar excessiva punição às mãos de qualquer um vingador. Ele estabelecia um limite ou parâmetro para o revide. Um poeta assim se expressou:

            “Ódio por ódio e compaixão por compaixão

             Olho por olho e dente por dente
             Desprezo por desprezo e ferimento por ferimento
             Amor por amor e astúcia por astúcia.”

            Interrogado a respeito de alguém abandonar uma mulher sem motivo aparente, Jesus ponderou: “É por causa da dureza de vosso coração que Moisés havia tolerado o repúdio das mulheres; mas no começo não foi assim” (Mateus 19:8). Veja a observação que Ele faz: “No princípio não era assim.” Provavelmente a lei de “dente por dente” seguiu o mesmo princípio.

 

Conclusão

            Entre muitas coisas ditas no Sermão da Montanha Jesus bateu firme na necessidade de amor a Deus e ao próximo. Essa era uma necessidade urgente para os fariseus daquela época e, quem sabe, para nós dos dias de hoje.      

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segunda-feira, 14 de abril de 2014

Cristo e a tradição religiosa


Comentário da Lição da Escola Sabatina de doze a dezenove de abril de dois mil e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro de Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

            Tradição significa "entregar" ou "passar adiante". A tradição é a transmissão de costumes, comportamentos, memórias, rumores, crenças, lendas, para pessoas de uma comunidade, sendo que os elementos transmitidos passam a fazer parte da cultura. Muitas vezes certos indivíduos seguem uma determinada tradição sem sequer pensarem no verdadeiro significado da tradição em questão.

            Alguém escreveu: “Para muitas religiões, a tradição é o fundamento, conservado de forma oral ou escrita, dos seus conhecimentos acerca de Deus e do Mundo, dos seus preceitos culturais ou éticos.” E mais: “A tradição religiosa é uma das formas que escolhemos para nos ligar com Deus. Instituições que nos ajudam a realizar a ligação de uma forma melhor.”

            Nós, adventistas, discordamos desses conceitos porque, semelhantes a Cristo, temos como orientação de fé apenas as Escrituras Sagradas, partido do princípio de que toda ela é inspirada por Deus. Não firmamos em tradições, mas “no assim diz o Senhor”.

            Quando Jesus nasceu existiam muitas tradições criadas pelos judeus; a maioria delas tinha por objetivo ampliar determinadas orientações divinas como se fosse uma regulamentação a algum desses princípios, principalmente no que tange a Lei moral dos Dez Mandamentos. Os fariseus eram os guardiões da tradição. Havia dois tipos de tradições. As de cunho Bíblico quando um mandamento sofria um acréscimo que, para os fariseus, o tornava mais completo, por exemplo, o mandamento do sábado. Outro tipo de tradição tinha por base usos e costumes independentes do princípio bíblico. Esse era o pior deles pois, sendo de feitura humana às vezes era colocado acima dos mandamentos de Deus.

Jesus deixou claro que ao regulamentar a Lei de Deus, o homem descaracteriza a própria Lei e desqualifica Deus fazendo Dele alguém incapaz de realizar algo perfeito. Seria uma tentativa audaciosa de melhorar ou aperfeiçoar aquilo que Deus fez e instituiu.

            É curioso que, enquanto os judeus se esmeraram em complementar alguma coisa à Lei de Deus, instituições religiosas que apregoam ter a Bíblia como a Palavra de Deus se arroga ao direito de anular essa Palavra instituindo em seu lugar tradições humanas como princípios de fé.

            Veremos nessa lição algumas tradições judaicas que foram objeto de conflito entre Jesus e a elite religiosa de Seu tempo.

 

Domingo

Jesus usou esse termo partindo do princípio de que a Lei veio por intermédio de Moisés. E como os escribas e fariseus eram exímios defensores da Lei seria como se eles estivessem usando a cadeira de Moisés. Essa seria uma atitude louvável não fossem as distorções cometidas por eles. Eles eram presunçosos, egocêntricos, autoritários e não praticavam o que ensinavam.

Jesus foi claro: “Todas as coisas, pois, que vos disserem que observeis, observai-as e fazei-as; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não fazem” (Mateus 23:3).

 Eles faziam todo o possível para serem vistos e procuravam impressionar as pessoas com a sua aparência. Vestiam roupas suntuosas e usavam adereços chamativos como filactérios. Eles gostavam de serem relacionados com algum personagem importante da história bíblica como Moisés. Não é por acaso que eles se vangloriavam de serem conhecidos como filhos de Abraão.

A humildade passava longe desses líderes. Disse Jesus: “pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com seu dedo querem movê-los; e fazem todas as obras a fim de serem vistos pelos homens; pois trazem largos filactérios, e alargam as franjas das suas vestes,
E amam os primeiros lugares nas ceias e as primeiras cadeiras nas sinagogas,
E as saudações nas praças, e o serem chamados pelos homens; Rabi, Rabi.

Filactérios era uma caixinha contendo quatro advertências bíblicas que deveriam ser transmitidas diuturnamente aos filhos. Usando cintos especiais elas permaneciam atadas ao corpo do fariseu. As passagens bíblicas estão em Êxodo 13:1-10, Êxodo 13:11-16, Deuteronômio 6:4-9 e Deuteronômio 11:13-19. Certa vez Jesus pronunciou um triste ai sobre eles. Disse o Mestre: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia” (Mateus 23:27).  


Segunda

O Senhor Jesus admitiu que os discípulos haviam transgredido as tradições. Para Ele isso não era importante. O uso de lavar as mãos não era praticado por princípio de saúde. Era usado para que nenhum deles que tivesse tocado em alguma coisa “imunda” como a mão de um samaritano, contaminasse o seu próprio alimento.

 Muito mais sério era o fato de os fariseus terem substituído a lei de Deus pela tradição dos homens. Quando elas se opunham, o que acontecia com frequência, os fariseus transgrediam o mandamento de Deus "por causa da sua tradição".

            Para ilustrar esse grande pecado que eles cometiam, o Senhor Jesus cita um exemplo: a lei mandava que os filhos honrassem seus pais. Isso incluía sustento financeiro. Mas a tradição permitia que essa lei fosse desobedecida, se o filho dissesse que o sustento financeiro que lhes devia segundo a lei era "corban" (oferta ao Senhor) (Marcos 7:11). Com essa palavra mágica ele se achava desobrigado de obedecer ao quinto mandamento e o pai poderia morrer a míngua sem que fosse atribuído ao filho qualquer culpa.

             Esta acusação feita pelo Senhor Jesus tornava insignificante qualquer discussão sobre lavar ou não as mãos antes de comer. A força moral da lei de Deus estava sendo anulada pelos caprichos e pela conduta imoral deles.

 

Terça

O que enraivecia a liderança judaica não era que Ele transgredisse o que estabeleciam as Escrituras do Antigo Testamento (o que Ele obviamente não fez), mas que Ele desafiasse e se colocasse contra o que eles chamavam de tradição dos anciãos.

Para alguns desses líderes, quando Moisés esteve no monte Sinai Ele recebeu duas tábuas da Lei. A tábua dos Dez Mandamentos entregue de maneira clara e uma tábua entregue secretamente contendo a maioria das tradições existentes nos dias de Cristo. Esse pensamento aos poucos foi sobrepujando a própria Lei. As tradições eram uma lei transmitida verbalmente pelos anciãos do povo, que depois veio a fazer parte do setor de "purificações" do código de leis israelitas chamado Mishna. Elas não se acham na lei de Moisés mas foram acrescentadas como um suplemento pós-bíblico.

Lavar as mãos antes de comer não era exigido pela lei de Moisés, mas os fariseus e os escribas consideravam que isto fazia parte da santidade de vida. Tornou-se um ritual obrigatório, com vários regulamentos, envolvendo lavagem não só antes, como depois, e mesmo durante as refeições assim, as mãos eram lavadas repetidas vezes durante uma refeição. Elas tinham que ser imersas. A água tinha que ser "pura", e os utensílios também tinham que estar cerimonialmente "limpos". Havia talhas próprias para a água usada nas purificações (João 2:6-8). Assim, a questão levantada nesta ocasião pelos inimigos do Senhor nada tinha a ver com etiqueta ou higiene, mas era um pecado sério no seu entender. Parece que a maioria dos líderes religiosos tinha uma espécie de Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC).

O Senhor Jesus admitiu que os discípulos houvessem transgredido as tradições. Para Ele isso não era importante. Muito mais sério era o fato que os fariseus haviam substituído a lei de Deus pela tradição dos homens. Quando elas se opunham, o que acontecia com freqüência, os fariseus transgrediam o mandamento de Deus "por causa da sua tradição".

Alguém afirmou: “A tradição, em si, não é boa nem má.” É a simples passagem de um costume através das gerações. Mas o costume acabava se tornando tão forte quanto à lei, eventualmente firmando-se no Talmud através do Mishna. Quanto à declaração de que a “tradição, em si, não é boa e nem má” ela é falha porque algumas não tem nenhum fundamento lógico quanto ao seu verdadeiro objetivo.

A hipocrisia caracterizava a conduta dos fariseus, honrando a Deus com os seus lábios, mas tendo seu coração longe dele, adorando a Deus inutilmente, pois ensinavam doutrinas que não passavam de preceitos dos homens. Isaías, que viveu sete séculos antes deste episódio, já havia profetizado sobre isto (Isaías 29:13).           

“As severas denúncias que Cristo proferiu contra os fariseus por ensinarem como doutrina mandamentos de homens, revela a necessidade de precaver-nos contra as teorias que não estão em harmonia com a verdade da Palavra de Deus” (Manuscrito 78, 1904). 

 

Quarta

            Nessa Lição, o estudo de três dias versa sobre Mateus 15:1-6 divididos em sub temas assim identificados: segunda – “Mandamentos humanos”, terça – “Tradição dos anciãos” e quarta – “Preceitos dos homens.” Como o autor não estabelece uma diferenciação entre os três temas e, no meu caso, não encontrei nenhuma referência que os identifique, então deixo a minha versão passível de contestação dos leitores.

Do meu ponto de vista, “mandamentos humanos” eram “normas” criadas pelos rabinos e que tinham força de lei e que muitos confundiam a sua equivalência com a própria lei de Moisés e outros princípios bíblicos.

“Tradição dos anciãos” seria a palavra dos rabinos criada para auxiliar na observância da lei e que, com o passar do tempo, ganhou a força da Lei.  E “preceitos dos homens” são ensinamentos criados em substituição de algum mandamento ou a sua observância tornava nulo algum dos mandamentos como é o caso do texto em estudo.

Recorrendo aos dicionários lemos que A palavra tradição deriva do latim "traditio" que significa transmissão, algo que é transmitido (ou transferido) do passado para o presente. Podemos, assim, retratar a tradição como um conjunto de crenças de um povo que são seguidas e partilhadas sucessivamente durante várias gerações

 

Deixo aqui algumas notas do Espírito de Profecia:

“A lei de Deus, não misturada com tradições humanas, foi apresentada por Cristo como o grande padrão de obediência. Isto provocou a inimizade dos rabinos. Tinham colocado ensinos humanos acima da Palavra de Deus, e de Seus preceitos desviaram o povo. Não quiseram ceder seus próprios mandamentos para obedecer às reivindicações da Palavra de Deus” (Orientação da Criança, p. 304).

“As joias da verdade jazem esparsas no campo da revelação; foram, porém, soterradas pelas tradições humanas, pelos dizeres e mandamentos dos homens; e a sabedoria do Céu tem sido, por assim dizer, ignorada. Satanás tem tido êxito em fazer crer que as palavras e as realizações dos homens são de grande importância.” (Conselhos Professores, Pais e Estudantes, p. 437).

“Mediante falsas doutrinas, Satanás consegue terreno onde firmar-se, e cativa a mente dos homens, fazendo com que se apeguem a teorias que não têm fundamento na verdade. Eles ensinam ousadamente, como doutrinas, mandamentos de homens; e à medida que a tradição caminha de século para século, vai adquirindo poder sobre o espírito humano” (Evangelismo, p. 589).

“Ele (Jesus) não manifestava consideração pelas tradições e os mandamentos de homens, mas abria os olhos do seu entendimento para contemplarem as maravilhas da lei de Deus, que é o fundamento de Seu trono desde o princípio do mundo”, (Fundamentos da Educação Cristã, p. 238). 

“Há incomensurável amplitude, dignidade e glória na lei de Deus; e, no entanto, o mundo religioso pôs de lado esta lei, como os judeus, a fim de exaltar as tradições e os mandamentos de homens” (Fundamentos da Educação Cristã, p. 238). 

            Sabemos que a Lei moral dos Dez Mandamentos sofreu sérias alterações e hoje temos a Lei dos Dez Mandamentos exarados na Bíblia alterada por preceitos de homens. Sabemos que o último haude do grande conflito será a imposição dos preceitos dos homens. “Exigir-se-á de todos que rendam obediência a decretos humanos, para violação da lei divina. Aqueles que se conservarem fiéis a Deus e ao dever, serão traídos "pelos pais, e irmãos, e parentes, e amigos” (Testimonies, vol. 9, pág. 231).

 

Quinta

            Jesus esclareceu que a nossa justiça deve exceder em amor e compaixão a dos fariseus. “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus” (Mateus 5:20).

“Jesus revelou o engano. Declarou que a justiça a que os fariseus davam tão grande valor, nada valia. A nação judaica pretendia ser o povo peculiar, leal, favorecido por Deus; mas Cristo apresentava sua religião como vazia de salvadora fé. Todas as suas pretensões de piedade, suas invenções e cerimônias humanas, e mesmo o cumprimento das exigências exteriores da lei, não os podiam tornar santos. Não eram puros de coração ou nobres e semelhantes a Cristo no caráter. Uma religião legal é insuficiente para pôr a alma em harmonia com Deus. A dura, rígida ortodoxia dos fariseus, destituída de contrição, ternura ou amor, era apenas uma pedra de tropeço aos pecadores” (O Maior Discurso de Cristo, p. 52).

 Quando Cristo veio ao mundo, os líderes dos judeus estavam tão impregnados de farisaísmo, que não podiam aceitar Seus ensinos. Jesus os comparou aos odres enrugados que não estavam em condições de receber o vinho novo da vindima. Ele teria de encontrar odres novos para colocar o vinho novo de Seu reino. Foi por isso que Se afastou dos fariseus, e escolheu os humildes pescadores da Galiléia” (E Recebereis Poder – Meditação, p. 23).

Ellen G. White se deparou com “fariseus” em seus dias: “...críamos que uma de nossas irmãs, que estava cuidando de uma família doente, observava tanto o sábado como aquele que dirigia uma divisão na Escola Sabatina; que Cristo não pôde agradar aos fariseus de Seu tempo, e que não esperávamos que nossos esforços para servir o Senhor satisfizessem aos fariseus de nosso tempo. Review and Herald, 18 de outubro de 1898” (Mensagens Escolhidas - volume 3, p. 259).

 E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo” (Lucas 10:27).

 

Conclusão

            As tradições humanas tem sido uma arma eficiente nas mãos de Satanás. Elas levam as pessoas a servirem a Deus, porém de uma maneira diferente. O fazem segundo a sua conveniência. Esse será o ponto nevrálgico do final do grande conflito. A imposição das tradições humanas substituindo um “assim diz o Senhor” é a grande prova que se avizinha de todos nós.