sábado, 27 de julho de 2013

Obediência: fruto do reavivamento


Comentário da Lição da Escola Sabatina de 27 de julho a 3 de agosto de 2013. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação matinal para qualquer ano. O autor é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

            No estudo dessa semana vamos ver que uma vida reavivada é dirigida pelo Espírito Santo e consequentemente passa a produzir os frutos do Espírito. Isso foi o que aconteceu com Pedro, Paulo, Estevão e tantos outros que permitiram  serem dirigidos pelo Espírito Santo.

            Uma coisa que a Lição mostra é que ser dirigidos pelo Espírito Santo não nos isenta de tribulações pois, continuaremos a mercê das forças do mal. A luta entre as coisas da carne e as do Espírito se acentua ainda mais.

            Veremos também que a presença do Espírito Santo em nossa vida nem sempre se apresenta com fenômenos espetaculares e que a principal manifestação se vê numa vida transformada e produtiva. Entre os frutos do Espírito, o mais evidente é a disposição de obedecer a vontade de Deus. Uma vida reavivada pelo Espírito Santo jamais permanecerá enclausurada na indiferença e mesmice. Os frutos do Espírito como obediência e testemunho fruirão de maneira natural e espontânea.

            O reavivamento é uma experiência que deve acontecer em nossa vida de maneira ininterrupta dia após dia. A oração e o estudo da Palavra diariamente são essenciais para a busca do Espírito e consequente obediência e testemunho. 

            Alguns afirmam que uma vez aceitando a Cristo a nossa obediência se faz automaticamente. Mas não é isso que Paulo afirma. O verso áureo é bem claro. Estamos envolvidos em um conflito e temos de lutar mesmo usando as armas oferecidas pelo Espírito Santo. Esse subjugar o corpo envolve uma luta diuturna. Confessa o apóstolo: “Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado” (1 Coríntios 9:27).

            O crente reavivado encontrará forças e motivos para obedecer, mas isso não o isenta da luta. Paulo adverte: “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” “Efésios 6:12).

           

Domingo

            A vida espiritual de Pedro passou por três fases. Antes da cruz ele se julgava ser um discípulo modelo, disposto a obedecer mesmo diante da morte. Mas logo depois concluiu que não estava tão maduro assim na fé.

Na segunda fase Jesus o interroga e Pedro fica constrangido e conclui que caso amasse a Jesus de todo o coração não O teria traído. Mesmo assim expressou o seu amor ao Mestre.  

Depois do Pentecostes Pedro desafia as autoridades de então confessando estrita obediência a Cristo mesmo diante das ameaças de morte.

É curioso observar que Pedro só experimentou essa maturidade espiritual depois de ter experimentado o reavivamento. É ele que nos proporciona forças para obedecer. Sem o reavivamento a vida espiritual é um fardo difícil de suportar. Ele não nos isenta da luta mas nos oferece a energia necessária.

A nota da Lição esclarece: “O derramamento do Espírito Santo no Pentecostes fez enorme diferença na vida de Pedro, que foi transformado de um cristão fraco e vacilante, em um discípulo cheio de fé e obediente” (Página 56 da Lição).

 

Segunda

            Comentei na introdução que a nossa obediência não acontece automaticamente. Enfrentamos lutas e aflições. Estevão foi obediente e pagou com a vida. Se a morte por apedrejamento foi o seu quinhão que resultados Estevão percebeu de sua obediência irrestrita? Falando de sua execução diz o texto sagrado: Mas ele, estando cheio do Espírito Santo, fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à direita de Deus; e disse: Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do homem, que está em pé à mão direita de Deus” (Atos 7:55-56).

            No momento fatidigo o próprio Jesus Se apresentou para Estevão e lhe proporcionou forças para ser obediente até o último suspiro. Estevão viu os céus abertos. Podemos imaginar o contraste de senário que ele contemplou. O Céu aberto com anjos entoando louvores a Deus e todas as maravilhas que o esperavam. Deus o Pai e Jesus Se apresentam e lhe proporcionam o alento nesse momento crítico.

            Aqui na Terra está Ele (Estevão) em meio a uma turba exacerbada, movida por Satanás, que em fúria lhe atiram pedras sem piedade.

            Essa vida de obediência, mesmo diante da morte, só foi possível porque Estevão estava cheio do Espírito Santo. “Mas ele, estando cheio do Espírito Santo, fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à direita de Deus” (Atos 7:55).

            Sabemos que dias difíceis estão diante de nós nos quais a nossa fé será provada ao máximo e a nossa vitória só será possivel se estivermos cheios do Espírito Santo. O que estamos fazendo agora para armazenar o precioso azeite? As trevas cobrem a Terra, mas em meio à escuridão o noivo está chegando.

 

Terça

Ananias tremeu nas bases quando recebeu a ordem divina para receber Paulo e orar por ele. Ele estava cego? Ótimo. Quem sabe seria uma intervenção divina para arrefecer o seu ímpeto de perseguidor!

É interessante que Ananias estava temeroso. Ele sabia que Paulo “tinha poder” para prender e matar os cristãos. E aqui tem poder dos principais dos sacerdotes para prender a todos os que invocam o teu nome” (Atos 9:14). Deus estava preparando Paulo para receber “um outro poder”.

Jesus derrubou Paulo do cavalo. Ele caiu do alto de sua prepotência e num instante se tornou um dependente de terceiros para se locomover. Para Paulo era muito estranho o que estava acontecendo e para Ananias a ordem divina era mais estranha ainda.

Será que tudo não era uma farsa e um embuste para abocanhar mais cristãos? Será que ao ter a visão restaurada ele não voltaria a perseguir, sendo Ananias a primeira vitima?

A atuação do Espírito Santo foi fundamental na conversão de Paulo. Ele não só atuou na sua conversão como preparou a igreja para recebê-lo. A frase “quantos males tem ele feito a Igreja” foi alterada por “quantas bênçãos ele trouxe para a Igreja”.

Imagino como foi difícil para Paulo aceitar a repreensão de Cristo e obedecer a Sua Palavra. Guiado pelo Espirito ele se humilhou e se entregou sem reservas. Pouco depois ele confessou: “Não fui desobediente à visão celestial.” Caso Ananias recusasse a obedecer à orientação divina, Deus teria de providenciar outro meio para que Paulo fosse aceito pela Igreja.

Felizmente o Espirito Santo continua atuando poderosamente e,  milhares ao redor do mundo, tem obedecido aquela voz por de traz de si dizendo “este é o caminho andai por ele``.

 

Quarta

            Agripa e Festo ouviram de Paulo um dos mais comoventes apelos apresentados na Bíblia. Eles estão diante de um homem prisioneiro, algemado e indefeso. Esse condenado se levanta e começa a falar. Ao ver a sua eloquência, o seu entusiasmo e a sua sinceridade Festo confuso exclama: “Estas loco, Paulo. As muitas letras te fazem delirar!”

            Paulo observou que Agripa o ouvia comovido e, então, lhe faz uma intrigante pergunta: “Acredita, ó rei Agripa, nos profetas?” E ele mesmo responde: “Bem sei que acreditas.” Enquanto Festo viu em Paulo um delirante louco, Agripa comovido exclama: “Por pouco me persuades a me tornar cristão.”

            Paulo faz um último apelo extensivo aos dois monarcas e a todo o auditório: “Não apenas tu, ó rei, porém todos os que hoje me ouvem se tornassem tais qual eu sou, exceto essas cadeias.”

            Paulo foi sensível ao apelo do Espírito Santo enquanto Agripa e os demais que ali estavam ficaram no quase. Talvez a posição politica e social sufocou a semente semeada no coração de Agripa. O Espirito Santo faz o Seu trabalho, mas a decisão final cabe a cada um de nós.

            Naquele dia Paulo experimentou um desapontamento comum a muitos de nós nos dias de hoje. Quantas vezes, ao terminar uma serie de estudos bíblicos, o nosso interessado usa uma frase muito comum hoje: “Quero que me dê um tempo.” Tal pessoa “ganha o tempo” mas perde a eternidade.

 

Quinta

            Jesus é o maior exemplo de obediência que o mundo já conheceu. Ele abriu mão de Sua divindade para, na carne humana, vencer o pecado. A Sua obediência foi fruto de continuo relacionamento com o Pai. Ela foi resultado de Suas noites de oração. Comunhão com Deus é o segredo de uma vida santificada.

            A vida cristã não é um mar de rosas. É claro que Deus estará conosco em todas as provações, mas deve haver em nós a disposição para lutar. Jesus foi submisso em tudo e foi mais do que vencedor. A vida cristã não nos enclausura em uma zona de conforto. Deve haver renúncia, humildade e submissão.

            Paulo fala da necessidade de um morrer diário para o mundo e de uma luta permanente entre os desejos da carne e a ação do Espírito Santo em nossa vida. A obediência aos princípios divinos não acontece por acaso.

 Contrariando o que normalmente se prega e se vê ao nosso redor o Espírito Santo não Se manifesta nos fieis com alvoroço e barulho, mas no silencio de uma vida transformada.  Um estudo bíblico ministrado por Jesus na calada da noite mostrou para Nicodemos como funciona a atuação do Espírito Santo na vida do crente.

Assim como a atuação do Espirito Santo acontece de maneira silenciosa a nossa luta diária pode ser imperceptível aos que estão ao nosso redor. Mas em ambos os momentos o Espírito Santo está em plena atuação nos mostrando o caminho e nos oferecendo forças para percorre-lo.

 

Conclusão

            O reavivamento deve operar um novo viver em cada um de nós. Caso ele não provoque uma transformação em nossa vida é porque estamos enganando e sendo enganados. Esse novo viver produz fruto. E esse fruto do Espírito se traduz em obediência.

            Parece paradoxo. Sem a atuação do Espirito Santo é impossível produzir o precioso fruto da obediência. Por outro lado é impossível que, sob a atuação do Espírito Santo, alguém deixe de produzir os frutos da obediência.

            O nosso exemplo é Jesus. Com a ajuda do Espirito Santo Ele foi obediente até a morte e morte de cruz.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Testemunho e serviço: fruto do reavivamento


Comentário da Lição da Escola sabatina de 20 a 27 de julho de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, Uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

  Introdução

              O reavivamento deve ser desenvolvido no berço da humildade. O eu deve ser mortificado e a simplicidade deve nortear o nosso relacionamento entre irmãos. Qualquer olhar altivo e de auto suficiência nos identificam como não reavivados.

O reavivamento deve prover do interior para o exterior. Os que experimentam o verdadeiro reavivamento será uma bênção para aqueles que os rodeiam. Jamais o eu sobressairá. O espirito de supremacia que muitas vezes permeiam os nossos relacionamentos jamais existirá. O quadro apresentado nos dias de Isaias não terá lugar entre nós: “Fica onde estás, e não te chegues a mim, porque sou mais santo do que tu” (Isaías 65:5). O reavivamento nos levará a viver um pelo outro em uma horizontal igualdade.

O autor da lição nos adverte: “Qualquer suposto “reavivamento” com base exclusivamente em sentimentos externos ou experiência, na melhor das hipóteses, é superficial... Quando o reavivamento está enraizado na Palavra de Deus, é uma experiência que perdura e faz a diferença em nossa vida e na de pessoas ao nosso redor” (Página 32 da Lição).

O reavivamento que não produz em nós um desejo ardente de testemunhar de Cristo é fictício e apenas alimenta o nosso eu. Testemunho e serviço são os frutos do verdadeiro reavivamento.

Leiamos com atenção a nota introdutória da Lição, nela o autor esclarece melhor os resultados do verdadeiro reavivamento.

 

Domingo

            Ao instituir a Sua Igreja na Terra o Senhor o fez com um único propósito: que o Evangelho de salvação seja anunciado em todo o mundo. Só que, ao atender a esse propósito, a própria igreja se mantem ativa e consagrada a Deus.   O IDE apresentado por Jesus tem um objetivo: “ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado.”  

            Existem milhares de igrejas no mundo. Cada uma ensina algumas coisas que Jesus ensinou. Porém, a ordem de Cristo e que a Sua Igreja ensine o mundo a “guarda todas as coisas.”

             Para que esse propósito seja alcançado a Igreja tem que ter uma base sólida. Essa base é a Sua Palavra, a Bíblia. Ela contém “todas as coisas” que devem ser ensinadas. “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça” (2 Timóteo 3:16).

            A promessa divina é a presença de Jesus, pelo Espírito Santo, em nossa vida continuamente. “E eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém” (Mateus 28:20). Deus não promete nos livrar de situações dificeis, Mas a Sua promessa é estar conosco em todas as situações.

            A Sua promessa esteve presente com Pedro acorrentado entre dois soldados. Ela alimentou Paulo no momento em que o fio gelado da espada separou a sua cabeça do corpo. A Sua promessa sustentou João Hus e tantos mártires que enfrentaram a fogueira ou o patíbulo. Estando Ele conosco “...não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares” (Salmos 46:2).

            Deus proporciona à Sua igreja todos os meios para que ela cumpra a sua missão. Dia a dia Ele está abrindo caminhos para que a mensagem “Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é vinda a hora do seu juízo” (Apocalipse 14:7) alcance toda nação, tribu, lingua e povo.

 

 
Segunda

            Falando sobre o crescimento vertiginoso da Igreja apostólica, o autor da lição usa a expressão: “A Igreja cristã explodiu em crescimento.” O que aconteceu com a Igreja nos dois primeiros séculos da era cristã foi algo imaginável por aquele pequeno grupo de pessoas presente no monte das Oliveiras por ocasião da ascensão de Cristo.

            Em meio a perseguições e ventos contrários as verdades apresentadas pela Igreja apostólica alcançou toda a população do mundo de então.  O Espírito Santo superou o medo, a falta de equipamentos e de transportes. Mas aqui entra algo curioso: A membresia aceitou o desafio e foram testemunhas fieis tanto em Jerusalém como nos confins da terra.

A preocupação central da Igreja era "Para que o mundo conheça que Tu Me enviaste a Mim" (João 17: 23). Para aqueles modestos pregadores tudo girava em torno dessa premissa. Eles confiaram na promessa do Espírito Santo e realmente foram revestidos de poder.

A mesma promessa é feita à Igreja de Laudiceia e a mesma responsabilidade é exigida. É solene imaginarmos que o destino do mundo oscila em nossas mãos. Mas qual tem sido a nossa postura?  Diz Ellen G. White: “Aqueles que deviam ter sido a luz do mundo têm projetado apenas raios pálidos e fracos” (Beneficência Social, p 36).

A Igreja está diante de um desafio sem precedentes. Sete bilhões de criaturas no mundo precisam ser advertidas com urgência. O apelo feito a Isaías nos alcança hoje como um desafio “Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim” (Isaías 6:8).

“O mundo necessita atualmente daquilo que tem sido necessário já há mil e novecentos anos - a revelação de Cristo. É preciso uma grande obra de reforma, e é unicamente mediante a graça de Cristo que a obra de restauração física, mental e espiritual se pode efetuar” (A Ciência do Bom Viver, págs. 142 e 143). 

É responsabilidade de a Igreja reescrever com urgência o livro de Atos em nossos dias. Qual tem sido a sua e a minha participação nesse empreendimento? Por forças humanas nada será possível, mas pelo Seu Espírito abalaremos o mundo.

 

 

Terça

            O nosso estudo de terça feira traz uma seria advertência na parte introdutória. Diz o autor da Lição: “Sozinha, doutrina não transforma corações.” Por mais tecnologia que tenhamos nada substitui o contato humano.

            No nosso testemunho pessoal existe um poder que nenhuma tecnologia no mundo pode suplantar. Enquanto a mensagem está voando pelo meio do Céu, Deus está preparando você e eu para a colheita dos frutos. Somos incapazes? Claro que sim! Mas está à nossa disposição um poder capaz de superar qualquer limitação de ordem física e intelectual.

            “Nós mesmos precisamos ter viva ligação com Deus, a fim de ensinar a Jesus. Então podemos dar o vivo testemunho pessoal do que Cristo é para nós por experiência e fé. Recebemos a Cristo e, com divino fervor, podemos contar aquilo que constitui permanente poder em nós. As pessoas precisam ser atraídas para Cristo. Deve-se dar ênfase a Sua eficácia para salvar” (Mensagens Escolhidas, p. 187). 

            Testemunhar de Cristo é uma via de duas mãos. Ao mesmo tempo em que partilhamos com as pessoas o que Jesus tem feito em nossa vida, nós somos fortalecidos na esperança da salvação. Testemunhar é a maneira mais segura de aguardar a volta de Jesus.

             Oremos para que Deus nos tire deste marasmo destrutivo. Ellen G White nos adverte: “Muitos que possuem um conhecimento inteligente da verdade, e são capazes de defendê-la mediante argumentos, nada fazem em prol do reerguimento do reino de Cristo. Atuam de quando em quando; mas não dão um testemunho vivo da experiência pessoal na vida cristã; não relatam novas vitórias alcançadas na santa milícia” (Testemunhos Seletos, Volume 2 p. 97).

 

Quarta

            Mencionei no comentário de terça-feira que testemunhar é uma via de duas mãos. Ao mesmo tempo em que levamos a mensagem para alguém nós somos fortalecidos em Cristo.

            Na multiplicação dos pães o jovem não hesitou em entregar todo o alimento que trouxera a Jesus. Ele correu o risco passar fome. Ele não hesitou e abriu mão de tudo o que tinha no momento. Podemos imaginar a sua alegria ao ver crianças saciadas e uma grande multidão refeita. Caso ele se negasse a partilhar, provavelmente a sua história não estaria sendo lembrada hoje.

            Deus poderia enviar anjos para anunciar ao mundo a mensagem de salvação, porém Ele não o fez. Os anjos seriam competentes na pregação do Evangelho, mas não teriam como testemunhar da alegria da salvação. Contar o que Jesus fez e está fazendo em nossa vida contagia as pessoas.

            Deus sabe o quanto a experiência do testemunho é importante para nós e para aqueles que estão ao nosso redor. Aquele que testemunha de Jesus para as pessoas não tem como continuar na mesmice. A sua fé é nutrida com alimento sólido. Sugerimos a leitura da página 212 de nossa meditação Reavivar a Esperança.

 

Quinta

            Sabemos que os anjos não atuam diretamente na pregação do Evangelho. Mas eles estão prontos e ativos para auxiliar a cada um de nós.  Essa é a promessa de Deus: “O Espírito Santo é provido como sua eficiência. Anjos ministradores estarão a seu lado para impressionar os corações” (Parábolas de Jesus, p 232).

            Na vida cristã de uma pessoa convertida e que se entrega à atuação do Espirito acontece pelo menos cinco coisas. Primeiro essa pessoa vive em oração. Segundo, está em continuo estudo da Palavra de Deus. Terceiro, ela experimenta o prazer de testemunhar de Cristo. Em quarto lugar tem o privilégio de contar com a intervenção divina para que o seu testemunho seja eficaz. E em quinto lugar essa pessoa está pronta para iniciar uma reforma em toda a sua vida espiritual.

            Esses estágios podem acontecer de maneira isolada ou simultânea na vida do crente, mas o importante é que estejamos dispostos a permitir que eles aconteçam.

            É maravilhoso ver como Deus intervém em nosso auxílio quando nos propomos a testemunhar Dele. A atuação de Deus Se manifesta através de pessoas, sonhos, coisas e até com a ajuda de animais irracionais. Há poucos dias foi apresentado um testemunho na TV Novo Tempo em que uma cadela que tocou no controle remoto da televisão e sintonizou a Novo Tempo em um momento em que a telespectadora ansiava por algo diferente.

            Paulo, prisioneiro, por causa do Evangelho orou para que Deus abrisse não as portas da prisão e sim, as portas para a pregação do Evangelho. Como a intervenção divina se fez presente em sua vida e na dos demais apóstolos! Com a atuação divina a vida desses homens foi uma cascata de bênçãos que inundou todo o mundo. As portas se escancararam e a Igreja cumpriu o seu papel.

 

Conclusão

            Reavivamento sem testemunho não existe. A segunda pergunta da Lição para reflexão chamou a minha atenção.  Ela encerra uma grande verdade que diz: “quanto mais testemunhamos da nossa fé, mais ela cresce.”

            A irmã White esclarece: “Deus poderia ter atingido o Seu objetivo de salvar pecadores, sem o auxílio do homem; mas sabia que o homem não poderia ser feliz sem desempenhar uma parte na grande obra” (Conselhos Sobre Mordomia, p. 13) e mais: testemunhar é a única maneira de continuarmos de pé.

           

 

“Que se aprenda a lição da Escola Sabatina, não olhando rapidamente ao texto da mesma no sábado de manhã, mas estudando cuidadosamente para a próxima semana, no sábado à tarde, com recapitulação ou ilustração diária durante a semana. Assim a lição se fixará na memória, como um tesouro que jamais se perderá completamente” (Educação, páginas 251 e 252).

 

 

Consulte o nosso

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segunda-feira, 15 de julho de 2013

A Palavra: a base do reavivamento


Comentário da Lição da Escola Sabatina de 13 de julho a 20 de julho de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

            Em 17 de abril de 2012, teve inicio o projeto da Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) “Reavivados pela Palavra” que visa ler toda a Bíblia com a leitura de penas um capítulo por dia. Em 2015, os participantes do projeto terão lido toda a Bíblia. A leitura deste livro especial tem forte influência na vida espiritual e na comunhão diária.

O plano de leitura iniciou-se com o presidente mundial da Igreja, Ted Wilson, juntando os presidentes das Divisões na leitura responsiva de Gênesis 1 em 17 de abril de 2012. Os presidentes vão concluir a iniciativa ao ler Apocalipse 22 durante a Sessão da Conferência Geral em 2015 San Antônio, Texas.

Na opinião da liderança mundial da igreja esse projeto é imprescindível para que aconteça o reavivamento em nosso meio. “O estudo da Palavra de Deus, levando a uma experiência de mudança de vida com Jesus, está no coração do reavivamento.” (Mark Finley, assistente do presidente mundial da Igreja para o evangelismo). “Nada pode substituir o ouvir Deus falar conosco através da Sua Palavra.” (Armando Miranda, vice-presidente para a Igreja mundial).

Ellen G. White completa: “Nada há mais apropriado para fortalecer o intelecto do que o estudo das Escrituras. Nenhum outro livro é tão poderoso para elevar os pensamentos, para dar vigor às faculdades, como as amplas e enobrecedoras verdades da Bíblia. Se a Palavra de Deus fosse estudada como deveria ser, os homens teriam uma largueza de espírito, uma nobreza de caráter e firmeza de propósito que raro se veem nesses tempos.” (Ellen White, Caminho a Cristo, p. 90).

Reavivamento e reforma espirituais passam necessariamente por oração e estudo profundo da Bíblia Sagrada. “Sem um estudo sistemático da Palavra de Deus, a ênfase atual em reavivamento e reforma logo se extinguirá, se rebaixará a um simples slogan sentimental e resultará em uma experiência espiritual falsa. O estudo da Palavra de Deus que leva a uma experiência transformadora com Jesus não é opcional no reavivamento: é fundamental” (Equipe ASN, Felipe Lemos).

Esse plano de leitura da Bíblia vem acompanhado de uma orientação especial para que a leitura promova em nós o reavivamento. Não se trata de mera leitura da Bíblia. Mas de um estudo profundo da Palavra de Deus colhendo dela tudo o que Deus deseja falar ao nosso coração.

Na semana passada aprendemos que é pela oração que nós falamos a Deus. Nessa semana vamos aprender que é pelo estudo da Bíblia que Deus fala a nós.

 

Domingo

            Nenhum personagem do Velho Testamento se identificou tanto com a Palavra de Deus como Davi. Ungido para ser rei por Samuel por volta de 1018 a.C., Davi dispunha  apenas dos livros do Pentateuco.

            Davi era um apaixonado pela Palavra de Deus. E essa Palavra fez em sua vida o que nenhum outro instrumento poderia fazer. No momento em que a angustia parecia dominar o Seu coração ele se apegou na Palavra do Senhor. Foi Nela que ele encontrou a força revitalizadora. Ele experimentou na prática que “a Palavra de Deus enobrecerá a mente e santificará o instrumento humano, habilitando-o para tornar-se um cooperador com os instrumentos divinos” (Medicina e Salvação, p 124).

Já em sua juventude a Palavra de Deus esculpiu a biografia de Davi. Que invejável curriculum:  Que sabe tocar, e é forte e valente, homem de guerra, sisudo em palavras, e de boa aparência; e o Senhor é com ele"  (1 Samuel 16.18). O maior anseio de Davi era que a Palavra de Deus operasse em sua vida aquilo que por forças humanas era impossível alcançar.

Davi experimentou a angustia de ser reprovado por Deus. Nesse momento crucial de sua vida ele confiou nas promessas da Palavra de Deus. Disse ele: “Olha para a minha aflição, e livra-me, pois não me esqueço da tua lei. Pleiteia a minha causa, e resgata-me; vivifica-me segundo a tua palavra” (Salmos 119: 153 -154).

 No salmo 119 Davi expressa um tributo de exaltação à Palavra de Deus. O autor da lição sugere que destaquemos a palavra chave em alguns versículos do salmo 119. Essa é uma análise que envolve raciocínio e o resultado pode diferir de pessoa para pessoa. No verso 50 Davi fala do poder vivificante da Palavra de Deus e no verso 74 a esperança é ressaltada. No verso 116 ele constitui a Palavra de Deus como a base de sua esperança e no verso 130 ele fala da luz que emana de Palavra. No verso 160 Davi fala da eternidade da Palavra de Deus e no verso 169 dele afirma que a Palavra de Deus fortalece o entendimento. E, por último, no verso 170 ele reafirma a capacidade libertadora encontrada na Palavra de Deus.

 

Segunda

            O autor de Hebreus fala do poder da Palavra de Deus. Ela é viva e de uma eficácia sem precedentes.  O seu poder de penetração supera em muito qualquer espada ou arma perfurante. Essa é uma espada que penetra o íntimo das pessoas não para tirar a vida ou feri-las.  Ela provoca transformações e proporciona vitória sobre o pecado.

Conheci Agenor. Ele era um usuário de drogas muito complicado. Por várias vezes foi recebido em estado desesperador no hospital onde eu trabalhava. Ele vivia em função das drogas. A sua mãe não sabia mais o que fazer.

Em dado momento ele conheceu uma jovem adventista que lhe mostrou a Palavra de Deus.  A Palavra que “não volta vazia” foi fazendo o seu trabalho. Hoje ele é membro da Igreja e dedica todo o seu tempo em ajudar viciados. Já conduziu vários ao batismo. O que era impossível para a sua mãe e para a medicina fazer o poder da Palavra realizou.

O escritor de Hebreus afirma que os mundos foram criados pela Palavra do Senhor. Imaginemos, esse poder que é capaz de criar galáxias pelo espaço sem fim não é maior do que o poder de provocar a transformação capaz de acontecer nos corações dos filhos de Adão.

“Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” (Hebreus 4:12). “Pela palavra do Senhor foram feitos os céus, e todo o exército deles pelo espírito da sua boca” (Salmos 33:6). Sim! O mesmo poder que criou os céus pode fazer de cada pecador uma nova criatura. Esse é o objetivo da Palavra de Deus. “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra” (2 Timóteo 3:16-17).

 

Terça

            O autor da lição nos adverte: “Qualquer suposto “reavivamento” com base exclusivamente em sentimentos externos ou experiência,  na melhor das hipóteses, é superficial... Quando o reavivamento está enraizado na Palavra de Deus, é uma experiência que perdura e faz a diferença em nossa vida e na de pessoas ao nosso redor” (Página 32 da Lição).

            A Palavra de Deus apresenta Jesus como o único salvador. Elas testificam que Ele é o Messias enviado de Deus para a nossa salvação. Conhecer a Palavra é extremamente necessário para quem deseja conhecer a Cristo. “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam” (João 5:39). 

A promessa do Espirito Santo foi apresentada aos apóstolos em um momento sombrio e inseguro. Mas a promessa foi que o Espirito Santo glorificaria a Jesus. Ele transmitiria os dons advindos do Pai. “Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar. Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso vos disse que há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar” (João 16:14-15).

Ninguém como Jesus soube fazer tão sábio uso da Palavra de Deus em momentos críticos. Desde o monte da tentação até na estrada descampada de Emaus Jesus abriu a Bíblia e com ela derrotou inimigos e confortou corações.

“Necessita-se um reavivamento no estudo da Bíblia em todo o mundo. Cumpre chamar-se a atenção, não para as afirmações dos homens, mas para a Palavra de Deus. À medida que se fizer isto, realizar-se-á poderosa obra. Quando Deus declarou que Sua Palavra não voltaria para Ele vazia, queria dizer tudo quanto disse. O evangelho deve ser pregado a todas as nações. A Bíblia deve ser aberta perante o povo. O conhecimento de Deus é a mais alta educação, e encherá a Terra com suas maravilhosas verdades, como as águas cobrem o mar. Manuscrito 139, 1898” (Evangelismo, p 456).

 

Quarta

            Para o centurião bastava apenas uma palavra de Jesus para que o seu ervo fosse restaurado.  Mas dize somente uma palavra” (Mateus 8:8). O paralitico tinha a sua fé nas ações dos homens. Foram trinta e outo anos de frustrações. “Não tenho homem algum que, quando a água é agitada, me ponha no tanque” (João 5:7). E Pedro abriu mão da fé no momento crucial. Deixou de exercitar fé em Jesus para observar a força do vento.

O escritor de Hebreus fala de dois grupos de ouvintes da Palavra de Deus. Um grupo aceitou pela fé a mensagem apresentada. Porém, para outro grupo a pregação não produziu os frutos esperados “mas a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não estava misturada com a fé naqueles que a ouviram” (Hebreus 4:2).

Certa vez Jesus acordou com os gritos de desespero de Seus discípulosem meio a uma tempestade. Jesus olhou para eles e fez o triste comentário: “E disse-lhes: Por que sois tão tímidos? Ainda não tendes fé?” (Marcos 4:40).

Vivemos em tempos solenes. Esse é o momento de exercitar fé nas promessas do Espírito. Caso estejamos apáticos esse é o mento de orarmos com os discípulos: “Disseram então os apóstolos ao Senhor: Acrescenta-nos a fé” (Lucas 17:5). Veja que estamos em uma situação delicada. Sem fé o reavivamento não virá.

 

Quinta

            Paulo estava em uma maratona extenuante. O seu propósito era chegar à Jerusalém até o Pentecostes. Para tanto, resolveu passar direto por Éfeso. Mas existia uma preocupação: A cidade de Éfeso era entregue a idolatria e nela havia muita promiscuidade sexual. A igreja enfrentava problemas ali e Paulo enfrentava um dilema: reunir-se com a igreja em Éfeso ou passar de largo. Diante disso o apostolo resolveu marcar uma reunião apenas com a liderança. O surgimento da Igreja de Éfeso foi um claro testemunho de que a Palavra de Deus tem poder.  Nessa reunião o foco foi apego a essa Palavra  que lhes proporcionou um novo estilo de vida.

            Pedro afirma que a Palavra de Deus faz de nós um novo ser “Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre” (1 Pedro 1:23). A Palavra exerce poder em nossa vida até alcançarmos a Eternidade.

            Tiago afirma que a Palavra de Deus nos oferece uma base sólida. Ela é o antidoto capaz de neutralizar  a influencia mundana em nossa vida. É ela que nos livra sermos enganados com falsos discursos.  Esse é um dos grandes problemas de nossos dias. Em todas as esquinas tem algum pregador pregando e fazendo maravilhas. E que maravilhas! A Bíblia afirma que Satanás fazendo uso desses pregadores até fogo fará descer dos céus.  

João dá um recado aos jovens e oportuno para todos nós. Ele afirma que os jovens são fortes e mostra a fonte dessa robustez espiritual:  “...Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno” (1 João 2:14). Sem a Palavra de Deus em nossa vida não tem como vencer o malígno.

 

Conclusão

            Caso queiramos alcançar os céus temos que tirar tempo para estudar a Bíblia. Ela é a fonte de poder que nos proporciona segurança.

            Em meio à correria da vida, é impressindível que nas primeiras horas do dia nos alimentemos da Palavra viva. Nunca foi tão oportuno como hoje o conselho de Jesus: “Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mateus 6:33).

domingo, 7 de julho de 2013

Oração: a força vital do reavivamento


 

Comentário da Lição da Escola Sabatina de 6 a 13 de julho de 2013. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, Ex-diretor do Jornal Esperança d autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano.  O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

            O autor da lição nos mostra as duas bases do reavivamento: A oração e o estudo da Palavra de Deus. O primeiro, estudaremos nesta semana e o segundo na próxima. Sem essas duas bases não há como o reavivamento florescer em nossa vida.

            Os apóstolos estavam diante de uma situação desafiadora. Jesus não estava mais entre eles e em seus ouvidos soavam as Suas últimas palavras. Primeiro a promessa de Jesus: “É Me dado todo o poder no Céu e na Terra” (Mateus 28:18-20). Jesus já havia Se apresentado no Céu. O Seu sacrifício foi aceito. Vamos lembrar que Jesus faz parte da Trindade e sempre teve todo o poder. Ou seja: poder criador conforme afirma João: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (João 1:1-3).

 Ele é dotado também do poder mantenedor. Jó foi interrogado a respeito: “Tens tu notícia do equilíbrio das grossas nuvens e das maravilhas Daquele que é perfeito nos conhecimentos?” (Jó 37:16).

E, felizmente Jesus é dotado do poder salvador. Diz a Bíblia: “Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por Ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hebreus 07h25min).

Depois de Sua apresentação ao Pai Ele foi revestido com a glória que Ele tinha desde a fundação do mundo. Diz o texto bíblico: “Pai, aqueles que Me deste quero que, onde Eu estiver também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que Me deste; porque Tu Me amaste antes da fundação do mundo” (Ver meditação Reavivar a Esperança, páginas 324 e 325).   Durante a Sua encarnação o Seu poder foi velado e as manifestações de poder que O acompanhavam provinham do Pai como acontece com qualquer ser humano.

Com essa certeza em mente vem o grande desafio: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mateus 28:18-20). Esse é o desafio repetido por Cristo no Apocalipse: E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo” (Apocalipse 14:6).  

Depois dessa ordem, que aos olhos humanos era impossível de ser executada veio a grande certeza: “e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém” (Mateus 28:20). E Lucas reafirma as palavras de Cristo: “E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder” (Lucas 24:49)

O desafio foi alcançado. “Primeiramente dou graças ao meu Deus por Jesus Cristo, acerca de vós todos, porque em todo o mundo é anunciada a vossa fé”  (Romanos 1:8). Mas nada disso seria possível se a ordem de Jesus fosse desprezada: “Ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder” (Lucas 24:49).

            O mesmo desafio é proposto para nós hoje. Por forças humanas é impossível ser executado. Mas com unidade, humildade e oração receberemos poder para fazê-lo. E, então, “a terra foi (será) iluminada com a Sua glória” (Apocalipse 18:1).

 

Domingo

            Na primeira nota da parte de domingo o autor apresenta o resultado do trabalho dos apóstolos no primeiro século com um milhão de conversos no mundo. Eles não dispunham de eletricidade, aparelhagem sofisticada, telefone, transporte rápido, rádio, televisão, internet, projetores de vídeos, o uso de som e outras parafernálias que temos hoje.

            Na nota da pergunta um temos o desabafo do pastor R.A. Torrey feito lá pelos anos de 1903 a 1907. Dizia ele: “Estamos ocupados demais para orar. Por isso, estamos muito ocupados para ter poder. Temos grande quantidade de atividades, mas realizamos pouco; muitos serviços, mas poucas conversões, muitos equipamentos, mas poucos resultados.”

            Esse desabafo do pastor Torrey mexeu com a minha infância. Cinquenta anos depois de proferidas essas palavras eu ilustrava os meus sermões com um projetor que passava um island de cada vez. Era o saudoso “leco leco”, como o apelidávamos. Isso quando a energia da cidade permitia. Às vezes eu usava uma “moderna eletrola” da qual os velhos bolachões dos Kings Heralds enchia a igreja com a atmosfera do Céu.

            Estávamos sempre presentes na igreja indo a pé ou, tempos depois, usando uma charrete. Lembro-me do primeiro congresso de jovens que participei isso em Canápolis. Com minha família fomos os únicos congressistas a chegar lá de táxi, um fordinho 29. E me vem à mente, a minha primeira viagem ao Riachão! Dois dias na carroceria de uma caminhonete comendo poeira de Monte Alegre até lá. Naquela época, 200 congressistas era gente para perder de vista. Participei do nosso acampamento em Brasília quando não existia um tijolo sequer na área, era uma viagem de mais de quinhentos quilômetros. 

            E o melhor de tudo. Tínhamos tempo para estudar com calma as lições da Escola Sabatina, fazer visitas missionárias, dar estudos bíblicos e realizar programações em outras igrejas. O por de Sol na sexta feira se realizava na hora certa e sem pressa. Não havia o roncar de motores e o surrupiar de pneus que hoje nos ensurdece. Sem televisão, internet, celular e tanta tecnologia que hoje nos escraviza a uma vida de desenfreada correria para substituir hoje o que compramos ontem.

            Caso o pastor Torrey ressuscitasse hoje provavelmente teria um colapso cardíaco e morreria de imediato. Costumo dizer que necessitamos tirar tempo não só para orar, mas para viver a plenitude da vida cristã. Sem que isso aconteça estaremos longe de experimentarmos as maravilhas do Pentecostes em nossas vidas.

Segunda

            “Quando oramos, falamos com Deus. Quando abrimos a Bíblia, Deus fala a nós.”

            Certa vez o meu pai vinha de bicicleta para casa quando sofreu uma queda de graves consequências. Com várias fraturas no crânio não tínhamos nenhuma esperança de sua recuperação

            Ele era muito querido em nossa pequena cidade. O pastor de uma igreja da Assembleia de Deus me falou que a sua igreja fez uma noite de vigília em seu favor. Um líder espirita disse haver realizado uma sessão pelo seu restabelecimento. E um médico ateu com os olhos lacrimejando sussurrou baixinho em meus ouvidos: “estou pedindo ao Deus em quem o seu pai acredita e confia que o ajude nesse momento tão difícil”. Não sei qual ou quais das orações foram ouvidas, o resultado é que, depois do acidente, papai ainda viveu trinta e quatro anos.

            Em 1965 colportei em Brasília. Certa vez, ao erguer a cabeça após a oração junto à mesa, uma senhora que me servia perguntou: “como você ora?” Essa pergunta até hoje me incomoda. As orações daqueles irmãos pelo meu pai foram muito além de uma simples rotina de pedir e agradecer. Do profundo de sua alma eles clamaram a Deus.

            Fico imaginado como sentia Jesus ao ver o destino meu e o de milhões de pessoas que um dia habitaria no mundo a periclitar em Suas mãos nas Suas madrugadas de oração e, principalmente, na noite que antecedeu o Calvário. Hoje, se faço parte do povo de Deus é porque no passado o Deus vindo do Céu clamou por mim em Suas madrugadas de oração. “E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim” (João 17:20). Diz Ellen G. White: O tremendo momento chegara - aquele momento que decidiria o destino do mundo. Na balança oscilava a sorte da humanidade. Cristo ainda podia, mesmo então, recusar beber o cálice reservado ao homem culpado. Ainda não era demasiado tarde. Poderia enxugar da fronte o suor de sangue, e deixar perecer o homem em sua iniquidade” (O Desejado de Todas as Nações, p 690).

            Ao ver a proximidade do fim e que o grande Dia se apressa em chegar, ao ver milhões sem esperança ao seu redor, ao ver a apatia que envolve cada um de nós vem a pergunta daquela garçonete, não em forma de cochichos, mas em altos brados: “Como você ora?”

 

Terça

            O estudo de terça feira nos mostra algumas lições. A primeira é que a oração em grupo evidencia que existe paz e união entre as pessoas reunidas. A oração solitária tem o seu lugar e o seu poder, mas não transmite essa certeza. E sabemos que sem unidade o Espírito não virá. 

Um segundo aspecto é que a igreja vivia um momento tenso e difícil. A prisão de Pedro nas condições em que aconteceu era um caso sem solução a olhos humanos. Mas foi ciente dessa impossibilidade humana que a igreja se refugiou em Deus. “Pedro, pois, era guardado na prisão; mas a igreja fazia contínua oração por ele a Deus” (Atos 12:5).

O terceiro aspecto é a postura de Pedro. Tiago acabara de ser decapitado por Herodes e ele, Pedro, tinha certeza de ser o próximo da fila. Confinado em uma prisão de segurança máxima ele passava as vinte e quatro horas do dia algemado a dois soldados. A única solução era aguardar o momento fatídico. Mesmo vendo o manto da morte a envolvê-lo, Pedro dormia tranquilamente. A comunhão com Deus transmite-nos calma e paz mesmo em meio a angústia.

Herodes estava ansioso que o dia amanhecesse. Seria o momento de ele apresentar o seu grande troféu para os executores. Mas em meio à noite escura, e a tranquilidade que envolvia o seu palácio, a prisão de Pedro era inundada por uma luz insuportável a olhos humanos e tudo estremeceu enquanto as grades e algemas se despedaçavam.

“E quando Herodes estava para fazê-lo comparecer”, um anjo apanha Pedro e o conduz para fora com segurança. No momento ele não acreditava no que estava acontecendo. Imaginava que fosse um sonho ou uma visão. “E, saindo, o seguia. E não sabia que era real o que estava sendo feito pelo anjo, mas cuidava que via alguma visão” (Atos 12:9).

A bênção foi tão grande e inesperada que nem Pedro e nem a igreja foram capazes de acreditar no que estava acontecendo. Diz o texto: “E, conhecendo a voz de Pedro, de gozo não abriu a porta, mas, correndo para dentro, anunciou que Pedro estava à porta. E disseram-lhe: Estás fora de ti. Mas ela afirmava que assim era. E diziam: É o seu anjo. Mas Pedro perseverava em bater e, quando abriram, viram-no, e se espantaram” (Atos 12:14-16).

 

Quarta

A liberdade de orar é umas das poucas que ninguém consegue tirar de nós. Foi Deus que a impingiu em nosso ser. Antes de tudo, Deus ordena que o crente ore. O mandamento para orarmos vem através dos escritores bíblicos (1Corintios 16.11; Salmos 105.4), dos profetas (Isaias 55.6; Amos 5.4,6), dos apóstolos (Efésios 6.17,18; Colossenses 4.2; 1Tessalonicenses 5.17) e do próprio Senhor Jesus nos exorta a orar sem cessar (Mateus 26.41; Lucas 18.1 e João 16.24). Tenho algumas conclusões a respeito.

- Primeiro, esse relacionamento interessa a Deus.

- Segundo, quando recusamos exercitar essa liberdade Deus Se incomoda.

- Terceiro, fomos criados para nos relacionarmos mutuamente com o Criador.

- Essa é uma liberdade universal e estendida a todos os filhos de Adão independente de status, cor e raça.

- Saber usa-la deve ser a nossa preocupação.

- Devemos orar pelo simples privilégio de, embora pecadores e falhos, estarmos na sala de audiência do Altíssimo.

- Aqueles que se usufruem da liberdade de orar podem até serem os mais provados, mas usufruem de uma paz que nenhum outro consegue experimentar.

  - Paulo afirma que a oração é a arma poderosa à nossa disposição para destruir as fortalezas do mal. “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas” (2 Coríntios 10:4).

Milhões no mundo ainda são escravos de vícios porque não aprenderam a usar a sua liberdade de oração, E Ellen G. White afirma que os membros da igreja correm o serio perigo de abrir mão da oração e do estudo da Palavra de Deus. Ao falar das astucias de Satanás ela afirma: “Ele criará inúmeros afazeres e preocupações, de nodo que não tenhamos tempo para ler a Bíblia e orar” (Signs of the Times, 5 de março de 1885). Isso ela escreveu há quase 100 anos quando a vida era realmente tranquila. O que diria ela hoje?

 

Quinta

Essa lição nos oferece uma verdadeira aula sobre a oração. Aqueles que em humildade de coração propuserem estuda-la com carinho com certeza colherão muitos frutos que farão a diferença em sua caminhada rumo ao Céu. Diz Ellen G. White: “As petições que ascendem de corações sinceros e humildes seguramente O alcançarão. Ele pode discernir a sinceridade de Seus filhos adotados” (Sings of the Times, 13 de novembro de 1903). 

Um fato curioso na Bíblia é que quando um servo de Deus se colocava de joelhos em súplica ao Deus do Céu, em favor do povo ou de alguma pessoa eles assumiam as culpas dessas pessoas mesmo que não houvesse cometido nenhuma delas. Vemos ai o caso de Moisés e Daniel. Eles se fizeram culpados diante de Deus em favor do povo. Esse é um aspecto interessante da oração intercessória que não deve passar despercebido.

Paulo enfatiza a necessidade de moldurarmos a nossa oração em uma aurela de     gratidão. “Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças” (Filipenses 4:6).

Outro aspecto importante é mantermos em atitude de vigilância. A mensagem bíblica parece dizer que após a oração os nossos pensamentos devem estar voltados para o centro de nossas petições. Esse comportamento seria o “vigiar com toda a perseverança e súplica.” Diz o texto bíblico: “Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos” (Efésios 6:18).

O segredo para a verdadeira paz que excede todo o entendimento é estarmos sempre em oração suplicante e com o coração agradecido: “Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças” (Filipenses 4:6).

As bênçãos de Deus aguardam apenas o roçar de nossos lábios para que caiam em abundancia sobre nós. Ellen G. White afirma: “Nuvens de graça pairam sobre nós, prontas para ser derramadas em nossa vida” (The Youth’s Instructor, 5 de janeiro de 1887).

Ellen G. White faz uma advertência para nós. Vejamos: “É porque oramos tão pouco que nossas orações não são mais urgentes nem inteligentes” (Signs of the Times, 5 de março de 1885). E o autor da lição faz uma sugestão em forma de pergunta que se encontra no rodapé da página 21: “Porque não faz um esforço mais concentrado para dedicar mais tempo à oração”?

 “Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças” (Filipenses 4:6).

 

Conclusão

A primeira pergunta para reflexão na parte de sexta feira faz parte das cogitações de muitos irmãos sinceros. “Por que precisamos orar se Deus conhece tudo?” E autor responde: “É porque a Bíblia nos diz que devemos orar.” Indo um pouco mais além dessa resposta tenho observado na Bíblia que Deus deseja manter-Se em permanente relacionamento conosco. E talvez esse seja mais um dos motivos porque Ele idealizou a oração. Sugestão: faça uma leitura meditativa das palavras de Ellen G. White extraídas do livro Caminho a Cristo, p 100 e que se encontra na parte de sexta feira.