sábado, 25 de outubro de 2014

O amor e a lei


Comentário da Lição da Escola Sabatina de vinte e cinco de outubro a primeiro de novembro de dois mil e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga.

 

Introdução

            Imagino que a Epistola de Tiago ocasionou um reboliço entre a membresia da igreja naquela época. Com a morte de Jesus os judeus tradicionais imaginaram estar livres para sempre de serem recriminados por suas atitudes discriminatórias em fazer acepção de pessoas. Cristo chegou a chamá-los de raça de víboras.

            Quando tudo parecia tranquilo aparece Tiago com uma mensagem pesada e direta ao reafirmar que a vida cristã tem mais a ver com a prática do que com a teoria. Ao escrever a sua epistola ele desdobra as ações do amor em um leque que tinha tudo a ver com vida espiritual de seus conterrâneos. Tiago não queria que a igreja que estava nascendo herdasse as mazelas cultivadas há anos pelo povo Judeu.

            O pior da situação era que os judaizantes se esforçavam por manter os princípios de apego à lei sem nenhum comprometimento com a sua verdadeira essência que é a prática do amor aos seus da mesma linhagem e ao próximo em geral. Para os judeus daquele tempo, próximo seriam apenas aqueles ligados por laços familiares e pertencentes à elite da época. Os demais não eram próximos e sim, distantes e quão distantes!  Para os judeus não havia problema em dizer que amavam a Deus, mas demonstrar esse amor ao seu próximo, dependendo de quem fosse ele, seria muito difícil ou, talvez, desnecessário.

            Tiago esclarece que de nada vale se apresentar como um observador da lei se o amor ao próximo é colocado em último plano, ou talvez esteja fora de planos. Uma atitude discriminatória não condiz com o amor, que é a verdadeira essência da lei.

            Quando vemos a nossa Igreja subdividida em pequenos grupos que mais parecem às famosas panelinhas, creio ser sobejamente oportuno o nosso estudo sobre a epístola de Tiago. Com certeza ela tem muito a nos ensinar a praticar o evangelho que pregamos.

 

Domingo

            Dos seis “ais” sobre os fariseus apresentados por Lucas o segundo “ai” tem a ver com a importância que eles reivindicavam para si ao exigirem os melhores lugares em todos os aspectos da vida. Essa postura está aliada à situação apresentada por Tiago. Ele condena qualquer diferenciação de tratamento para com pessoas que tenham qualquer proeminência intelectual, financeira, social ou política.

            Que lição de humildade nos dá o centurião romano. Ele recorreu a Jesus para que a sua filha fosse curada.  Ele era um dos homens mais proeminentes da época, mesmo assim não se achava digno de receber Jesus em sua casa. “Fale apenas uma palavra.” Quanta demonstração de fé e humildade ao mesmo tempo.

            Os judeus chegaram ao máximo de exclusão ao considerarem pecado grave um judeu se misturar com outras etnias. Eles se esqueceram que pecado era justamente o fato de recusarem o contato com tais pessoas. Jesus Se envolvia com as pessoas. Essa era a sua principal arma para atraí-las a Si.

 

Segunda

            O quadro apresentado por Tiago é sombrio. Acepção de pessoas no mundo sempre existiu, mas ver essa pratica dentro da igreja é algo inaceitável. Era o que estava acontecendo nos dias da Igreja primitiva. Parece que o comportamento do mundo judaico naquela época, onde samaritanos e outros tipos de pessoas eram excluídas do convívio da elite religiosa daquele tempo, ainda estava presente entre os judeus convertidos. Os mais pobres eram humilhados ao ponto de ser impedido de prestar qualquer queixa no âmbito jurídico.

            Tiago não podia entender como pessoas que aceitaram a Cristo como o seu Salvador pessoal vivesse tão distante do seu líder que veio para servir e não para ser servido. Não dava para entender como pessoas que defendiam tanto a lei vivessem alienadas de seu princípio máximo: o amor ao próximo.

            O pior de tudo nesse contexto era o exemplo negativo que davam para um mundo que começava a conhecer as maravilhas do evangelho. Dizem por ai que “as palavras convencem, mas os exemplos arrastam”. No caso desses cristãos o exemplo que davam estava em descompasso com aquilo que pregavam. Essa é uma mensagem para nós hoje. Tem um pensamento que diz: “Pregue o evangelho e, se for necessário, fale.”

            Nos dias de hoje temos um problema entre nós no que tange a empregados e empregadores. Já ouvi muitos empresários adventistas afirmarem que os empregados adventistas causam mais problemas à empresa do que os não conversos. Caso o empregado adventista julgue no direito de usar de algumas liberdades pelo fato de seu patrão ser adventista está equivocado. O mesmo cabe ao patrão. O espírito cristão não pode ser perdido de vista.

 

Terça

            Os judeus tinham grandes dificuldades para amar pessoas estranhas às suas comunidades. Para eles próximo tinha a ver com o grau de parentesco e a proximidade cultural, religiosa e social. Sai aceitar a orientação de Cristo de amar os próprios inimigos significava um abismo praticamente intransponível.

            No sentido de poupar os israelitas de se contaminar com mundanismo ao redor e estimular a união entre eles Deus orientou que o amor fraternal fosse exercido somente entre eles. As nações vizinhas eram inimigas acérrimas do povo de Deus e não se cansavam de buscar a sua destruição e para sobrevivência dos israelitas, Deus não exigiu, naquela época, o amor aos inimigos.

            Jesus orientou o Seu povo a amar os seus inimigos. Essa orientação, para eles quase absurda, tinha como objetivo fazê-los entender o plano da salvação. Jesus deu a vida por todos os seres humanos independente de raça, cor, status e grau de santidade. Todos são convidados a receber a salvação por Ele oferecida. Cabe a cada um de nós participarmos do plano redentivo, apresentando o convite da salvação a todas as pessoas, quer sejam amigas ou inimigas. Disse Jesus: “Eu vos dei o exemplo, para que sigais as minhas pisadas” (João 13:15).

 

Quarta

            Para os judeus era normal observar toda a lei de Deus, inclusive o sábado. Eles se julgavam exímios observadores da lei. Jesus viu que eles falhavam redondamente na principal prática da lei que é o amor ao próximo. Jesus foi claro: “Quem tropeça em um só mandamento é culpado de todos. Eles necessitavam de uma profunda transformação de vida. Seria realmente um “nascer de novo”.

            Ao ser interrogado sobre qual seria o maior mandamento da lei, Jesus colocou todos os mandamento no mesmo nível e sob o guarda chuva do amor a Deus e ao próximo.  Existe graduação de pecados, mas em se tratando dos mandamentos não existe um maior do que o outro. Em nossa avaliação humana levantar falso testemunho seja mais brando do que matar, mas perante Deus a transgressão de um representa a culpabilidade de todos.

            Muitos observadores do domingo afirmam que Jesus mencionou todos os mandamentos menos o sábado. Guardar o sábado fazia parte do viver de cada judeu. Não foi a guarda do sábado a maior falha que Jesus identificou entre eles e sim o amor ao próximo.

            É importante lembrar que observar a lei excluindo Cristo de nossa vida transforma a observância da lei em um peso insuportável.  Quando aceitamos a Cristo como o Senhor de nossa vida tomamos sobre nós o Seu jugo e o nosso jugo se torna suave e leve. Passamos a observar a lei não para sermos salvos e, sim porque fomos salvos.

            As perguntas do rodapé do estudo de quarta-feira nos chamam a atenção para uma obediência calcada no amor e não em mera obrigação.

 

Quinta

            O estudo de hoje causa muita dúvida, principalmente no meio evangélico. Como ser julgados pela lei se, somos salvos pela graça? Quando eu aceito a Jesus como o meu Salvador estou me apoderando de Sua graça e Ele perdoa todos os meus pecados. Nesse caso a lei não me condena porque aceitei que Jesus assumisse o meu lugar de transgressor da lei. Quando eu rejeito o favor imerecido da graça me exponho automaticamente à condenação da lei. Todo o ser humano é julgado pela lei com uma diferença: Quem aceita o sacrifício de Cristo está coberto pela graça. Todos serão julgados pela lei e o que nos livra da condenação que ela nos impõe é o sábio uso que fizermos da graça oferecida por Cristo.

            A nossa obediência não tem mérito nenhum caso não seja motivada pelo amor a Deus. Ele fez por nós o que o Universo jamais imaginou que Ele faria. O Seu amor não tem limites. Diz a Bíblia: “Ele é longânime para conosco não querendo que nenhum se perca” (2 Pedro 3:9).

 

Conclusão

            A lei é o resultado do amor de Deus. Para nos preservar Ele nos deu a Sua lei. Cada não da lei de Deus é uma salvaguarda à nossa vida. As leis dos homens são pautadas pela lei de Deus com uma enorme diferença: a misericórdia não interfere na lei dos homens. Com a lei de Deus isso não acontece. O maior pecador poderá ser salvo da condenação da lei divina. Isso é amor. E a Bíblia afirma: “Ele nos amou primeiro.” Jesus espera que amemos uns aos outros assim como Ele nos amou.

           

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Ser e fazer


Comentário da Lição da Escola Sabatina de dezoito a vinte e cinco de outubro de dois mil e quatorze. Elaborado por Carmo P. Pinto, membro da IASD – Central de Taguatinga e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano.

 

Introdução

            No estudo desta semana Tiago mais uma vez nos adverte da necessidade da prática do evangelho em nossa vida. No verso introdutório do nosso estudo ele afirma que uma vida cristã não embasada na prática do conhecimento é um engodo que envolve a nós mesmos.

            Os salvos pela graça não devem ser pessoas estáticas. Uma vez convertidos a nossa vida deve ser uma demonstração diária da mensagem que mudou a nossa vida. Experimentamos lutas, provações e momentos de angustia e desânimo. A vida cristã não é um mar de rosas e, são nesses momentos difíceis que nós apresentamos ao mundo o que realmente somos.

            A prática daquilo que cremos deve ser o maior testemunho que apresentamos ao mundo. Imagino como os primeiros cristãos encararam a epistola de Tiago. Em Seu ministério Jesus adiantou que aqueles que se identificam como Seus amigos devem fazer o que Ele ordena. Disse o Mestre: “Vocês serão meus amigos, se fizerem o que eu ordeno” (João 15:14). Os fariseus foram acusados por Jesus de não praticar o que conheciam e muito menos o que ensinavam. “Os mestres da lei e os fariseus se assentam na cadeira de Moisés. Obedeçam-lhes e faça tudo o que eles dizem a vocês. Mas não façam o que eles fazem, pois não praticam o que pregam. Eles atam fardos pesados e os colocam sobre os ombros dos homens, mas eles mesmos não estão dispostos a levantar um só dedo para movê-los” (Mateus 23:2-4).

            O ser de verdade já leva a pessoa a fazer. Um adventista convertido não se contentará em permanecer no silêncio. Ele vai fazer alguma coisa em prol dos seus amigos, conhecidos e desconhecidos. Aquele que se denomina filho de Deus e nada faz para testemunhar de Cristo está enganando e sendo enganado.

 

Domingo

            Tiago deixa claro que eu sou o meu maior inimigo. Esse inimigo está sempre forçando a situação para que eu seja um adventista de fachada. Tiago não quer dizer que não necessitamos olhar para nós mesmos. Claro que sim! Apenas um detalhe: primeiro temos de olhar para Cristo e, depois olhar para nós mesmos e ver o que necessita ser mudado. Caso não tenhamos Jesus como o nosso modelo, o olhar no espelho vai apenas alimentar o eu. Sairemos diante dele sem que nenhuma mudança aconteça em nossas vidas.

            Parece que o jovem rico se aproximou de Jesus com o intuito não de aprender de Jesus, mas de mostrar que santos como ele existissem poucos na face da Terra. Ele era um exímio observador da lei e, provavelmente, desejasse ensinar para Cristo algumas coisinhas como, por exemplo: a correta maneira de guardar o sábado.  Veja que logo ele entrou em contradição. Ao mesmo tempo em que afirmava obedecer toda a lei demonstrou que tinha o deus dinheiro acima do Deus criador e que o seu amor ao próximo passava longe de abrir mão de tudo o que possuía em prol deles.                       

Pedro tinha uma absoluta certeza de que jamais negaria a Cristo. Ele não conhecia a si próprio e não demorou muito para que o eu o traísse. Nós não somos sobrenaturais e nem pessoas superiores.  Pedro Bandeira desabafou:

“Porque eu não sou o que visto.
Eu sou do jeito que estou!
Não sou também o que eu tenho.
Eu sou mesmo quem eu sou!”

E Pedro Henrique Luthold fala do juízo equivocado que fazemos de nós mesmos: “Acontece que muitos de nós não fazemos a menor ideia de quem realmente somos, pois acabamos perdendo a nossa identidade para o padrão que o mundo nos impõe. Dessa forma, a originalidade de Deus em nós vai saindo e dando lugar a um pequeno monstrinho que - pasmem, não é o diabo -, mas o “EU MESMO”.

 

Segunda

            Mais uma vez Tiago nos mostra a necessidade de sermos praticante da Palavra e não meros papa sermões. Tiago afirma que o homem que não associa o conhecimento com a prática vê a sua imagem deturpada no espelho. Ele imagina que vai tudo bem com ele próprio quando, na verdade, vai tudo mal.

            Jesus associou a prática do evangelho ao amor ao próximo. Mas o curioso é que esse próximo mencionado por Cristo está longe de ser apenas aquele próximo com quem eu me relaciono bem. Aliás, o Céu não vê mérito nenhum em eu amar aqueles com quem eu me relaciono bem. Disse Jesus: "Que mérito vocês terão se amarem aos que os amam? Até os pecadores amam aos que os amam” (Lucas 6:32).

            Ser um praticante da palavra envolve um completo desprendimento de nossa parte a tal ponto de voltarmos com atos de amor para com aqueles que nos detestam e nos perseguem. Esse, provavelmente seja um dos comportamentos mais complicados para nós que temos um pouco de eu fruindo nas veias.

            Jesus vai mais longe e nos adverte: “Sede misericordiosos como também é misericordioso vosso Pai” (Lucas 6:36). O amor de Deus é incomparável. Ele excede a nossa imaginação tanto em qualidade como em abrangência. Paulo afirma: “O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha” (1 Coríntios 13:4). É esse tipo de amor que o Céu espera ver naqueles que sonham um dia morar lá.

 

Terça

            Muitos consideram a lei de Deus como objeto de escravidão. Não pode isso, não pode aquilo. Para estes o homem é cerceado de sua liberdade de ação. A lei de Deus é fundamentada no caráter de Deus e sabemos que Deus é amor. Porque Ele nos ama Ele preparou uma lei que nos oferece segurança. Por detrás de cada não da lei de Deus temos um escudo que nos protege e resguarda a nossa vida.

            Aquele que observa a lei de Deus está livre de vícios que minam a saúde e antecipam a morte. Por mais de cinquenta anos tenho ajudado pessoas a vencer o vicio do cigarro. Quão frenética é a luta dessas pessoas para se libertarem do vício. Tenho um tio que por duas dezenas de anos foi um escravo do álcool. A sua família padecia com abandono, desrespeito e privações. Caso essas pessoas aceitassem a lei da liberdade inserida nas Escrituras a vida de cada uma delas seria bem diferente.

            A lei não salva ninguém, mas ela mostra onde estamos falhando e em que necessitamos melhorar. A lei nos livra da prisão física e espiritual. Davi afirma que a observância da lei revigora a alma (Salmo19:7). Essa liberdade que desfrutamos, esse vigor que possuímos se resume em um ponto que muitos não se dão conta: “A lei é perfeita.”

 

 

Quarta

            Nesse mundo de correria onde a competitividade dita as normas e controla o nosso tempo, parece impossível sobrar tempo para ser útil a terceiros. Hoje milhões estão correndo atrás de seus interesses pessoais e não sobra tempo nem mesmo para uma rápida olhada ao nosso redor.

            Partindo do princípio que é o nosso interesse por algo que faz surgir o tempo, existe aí um grande impasse que só poderá ser resolvido mediante duas atitudes. Orar para que Deus desperte em nós um profundo amor pelo próximo. E, em segundo lugar exercitar esse amor, mesmo que de inicio seja a contra gosto.

            Para Tiago a pessoa que não dispõe de tempo para socorrer o próximo, visitar as viúvas, cuidar dos órfãos e se condoer com o sofrimento alheio é alguém inútil. Seria com aquela árvore frondosa que ao ser visitada por Jesus não possuía frutos para Lhe oferecer. Um cristão que não exercita o seu amor pelos necessitados está ocupando inutilmente um lugar na igreja.

            No rodapé da página do estudo de hoje tem uma pergunta que faríamos bem pensar na sua resposta: Quanto tempo e energia eu gasto ajudando os necessitados?

 

Quinta

            Para conseguirmos a meta proposta por Tiago no que tange a pratica da vida cristã é necessário algo que não está em nós. É necessário que a natureza divina seja implantada em nós. Isso envolve entrega e relacionamento diário com Deus. Apenas Ele pode moldar o nosso coração tão tendencioso para um cristianismo de aparências.

            Certa vez ouvi meu pai pregar sobre Tiago 1:27. Ele dizia que cuidar das viúvas não era tão difícil, pois, afirmou ele: tem viúvas novas e bonitas. Quando ele começou a falar da segunda parte do versículo o assunto ficou sério. Diz o texto: “...e apartar-se da corrupção do mundo”. De nada valerá cuidar dos órfãos e das viúvas se o nosso coração bate em compasso com o mundo.

            Não amar o mundo é viver distante da cobiça, esvaziar-se do eu e ter as coisas deste mundo como supérfluas e desprezíveis. Isso é viver de maneira diferente do que o mundo nos ensina e a sociedade nos cobra.

 

Conclusão

            Fazer o que a lei nos ordena pode parecer pesado, difícil e às vezes quase impossível. O ser e fazer significam dizer que somos crentes e, mais do que isso, fazemos o que se espera que façamos. Uma roupagem cristã não salva ninguém. É necessário que essa roupa seja ocupada por Cristo em nós.

 

domingo, 12 de outubro de 2014

Suportando a provação


Comentário da Lição da Escola Sabatina de onze a dezoito de outubro de dois mil e quatorze. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, membro da IASD central de Taguatinga.

 

Introdução

            Não há nenhum personagem bíblico que não tenha experimentado o cadinho da provação que os atingiu de maneiras diferentes. Abel pagou caro pela sua decisão em optar por uma adoração perfeita a Deus. E o que dizermos de Abraão, Jacó, Davi, Isaías, Jeremias, Daniel e o próprio Jesus? Depois temos os cristãos enfrentando as feras no Coliseu, nos calabouços e nas fogueiras. Nesses casos a perseguição foi a grande prova.

Nos momentos atuais a igreja vive um período de bonança em quase todas as regiões do mundo. Mas o que significa provação para nós hoje? Enfrentamos os diversos ventos de doutrinas dentro e fora da Igreja. A promiscuidade, a vida desregrada, o consumismo estão provando muitos de nossos irmãos. Vivemos dias difíceis com a certeza de que tudo “vai de mal a pior”. Todo servo de Deus tem diante de si um monte Moriá.

A Bíblia esclarece: “De fato, todos os que desejam viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2 Timóteo 3:12). Satanás é o grande perseguidor e ele faz uso de mil modos para nos perseguir colocando à nossa frente provações diversas.

Em nosso caminhar rumo ao Céu nos deparamos com pedras que sangram os nossos pés. Nesses momentos seria bom nos lembrar das palavras de Fred Beck: “O regato perderia sua canção se você lhes removesse as pedras.” São em meio às dificuldades que aprendemos as melhores lições. Escreveu Stephen Chanock: “Muitas vezes aprendemos mais debaixo da vara que nos fere do que debaixo do cajado que nos consola.”

Deus nos garante que não sobrevirão a nenhum de nós uma provação acima das forças que Ele nos proporciona para vencê-las. Ele sabe que somos pó. Nos momentos cruciais é difícil entendermos que: “As feridas de Deus curam; os beijos do pecado matam” (William Gurnall).

                  Tiago Enaltece a provação e, semelhante a Paulo, ele as tem como algo de estrema valia para a nossa vida espiritual. Ambos chegam ao ponto de considerar os perseguidos e provados como pessoas bem-aventuradas.

     

      Domingo

                  As tentações são uma constante na vida de todo o ser humano. Isso porque todos nós temos algo em comum que se chama tendência carnal. Mesmo uma pessoa que não acredita em Deus sofre tentações para as quais não gostaria de ceder.  Esses últimos, por não acreditar em um Deus poderoso que fortalece aqueles que recorrem a Ele passam pela vida lutando sozinhos.

                  Tiago não deixa dúvidas. É a nossa natureza carnal que nos acedia. Como Satanás foi o causador do pecado que nos legou essa natureza voltada para as coisas da Terra ele sabe trabalhar muito bem essa situação na vida de cada um de nós.

                  A raiz de toda a tentação está em nossa mente que recebe os estímulos das avenidas da alma que perscrutam os nossos arredores e, caso não sejam disciplinadas, tendem a sobrepujar o nosso esforço para não cairmos em tentação.

                  Ser tentado não é pecado. Pecado é ceder à tentação e esse é o objetivo máximo de Satanás. Uma das causas de cair em tentação é o dialogar com a tentação. Temos que buscar em Deus forças para pronunciarmos em tempo hábil um firme não. Dialogar com o pecado é um grande risco que não compensa.

                  A raiz da tentação é Satanás. Ele usou de suas artimanhas e conseguiu plantar essa raiz em nosso ser. Hoje somos dominados pelos desejos da carne. Esses desejos fazem aflorar em nós o desejo de pecar e quando o pecado acontece é porque permitimos que essa raiz encontrasse terreno fértil em nosso coração.

     

      Segunda

            Tiago usa toda a sua autoridade para afirmar que a tentação é uma ação satânica e que tal postura não faz parte do caráter de Deus. “Cada um, porém, é tentado pelo próprio mau desejo, sendo por este arrastado e seduzido. Então esse desejo, tendo concebido, dá à luz o pecado, e o pecado, após ser consumado, gera a morte” (Tiago 1:14-15). Esse desejo de pecar foi implantado em nós no jardim do Éden.

            Desde então estamos em luta contra os desejos da carne. Paulo desabafou: “Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo. Pois o que faço não é o bem que desejo, mas o mal que não quero fazer esse eu continuo fazendo” (Romanos 7:18-19).

            Eva aceitou conversar com Satanás. Dessa conversa surgiu o desejo de experimentar do fruto. A promessa de Satanás de que os seus olhos seriam abertos e, dali para frente, ela conheceria bem e o mal lhe aguçou o desejo de conhecer o mal, uma vez que o bem ela já conhecia. Esse desejo foi desastroso e hoje, o temos impregnado em nosso ser.

            Estamos em luta diuturna com a tentação. Um só vacilo poderá ser fatal.  Por meio de Cristo podemos alcançar a vitória sobre o pecado. “Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou” (Romanos 8:37).

 

Terça

            Depois de mostrar que a entrada do pecado no mundo desencadeou em nós uma permanente luta espiritual, Tiago esclarece que Deus está pronto a nos oferecer “Dádivas” para vencer o mal. Sabemos que a maior dádiva que o Céu nos concedeu é Jesus. O maior valor dessa dádiva é que, como nós, Ele sofreu tentações, mas não pecou.  “Pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado” (Hebreus 4:15).

            O novo nascimento não nos isenta de pecar. Sendo assim a nossa luta continua. Mas um detalhe é acrescentado. Caso caiamos em tentação há um escape: “Meus filhinhos, escrevo a vocês estas coisas para que vocês não pequem. Se, porém, alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1 João 2:1).

            Em nossa luta permanente contra Satanás temos um peso pesado ao nosso lado. A promessa de Jesus é que o Espírito Santo estará sempre conosco. “Não por causa de atos de justiça por nós praticados, mas devido à sua misericórdia, ele nos salvou pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós generosamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador” (3:5-6). O Espírito Santo está sempre à nossa disposição. Ele nos orienta e nos dá forças para vencer. “Quando te desviares para a direita e quando te desviares para a esquerda, os teus ouvidos ouvirão atrás de ti uma palavra, dizendo: este é o caminho, andai por ele" (Isaias 30:21).

 

 

 

Quarta

            Tiago nos alerta para uma das coisas mais difíceis de praticar. Saber ouvir é à base dos relacionamentos. Isso não é fácil, principalmente quando “percebemos” que em determinado ponto temos razão.

            Toda a Bíblia nos adverte do perigo das palavras impensadas. “Ser tardio para falar” significa deixar que as pessoas falem primeiro e, depois havendo oportunidade apresentamos o nosso ponto de vista. Uma atitude assim coloca as nossas palavras em último lugar e ninguém está pronto para ceder tanto.

            Essa luta entra no mesmo patamar apresentado por Paulo. “Não entendo o que faço. Pois não faço o que desejo, mas o que odeio” (Romanos 7:15). Seria mais ou menos assim: Não falo o que desejo, mas o que eu odeio. Não é fácil viver dentro do equilíbrio e aceitar a premissa de ouvir antes de falar ou mesmo ouvir e não falar.

            Sabemos que algumas pessoas têm um melhor domínio da língua enquanto outras não. Infelizmente me coloco no segundo grupo.

            Todos nós passamos pelo novo nascimento, mas é comum o velho homem surgir das cinzas e promover um grande estrago. Quando eu era criança decidi matar um gato a pauladas. Foi horrível vê-lo envolto em sangue e aparentemente morto se volver tentando se colocar de pé reunindo um último esforço de lutar pela vida. Eu imaginava que ele estivesse morto, mas ledo engano.

            Quando morei na zona rural era comum, em épocas de seca, nos encontrar às voltas com incêndios que surgiam nas pastagens. Geralmente eles eram provocados por pequenas fagulhas produzidas por um palito de fósforo atirado fora ou uma mutuca de cigarro. “Semelhantemente, a língua é um pequeno órgão do corpo, mas se vangloria de grandes coisas. Vejam como um grande bosque é incendiado por uma simples fagulha” (Tiago 3:5).

 

Quinta

            A palavra de Deus nos infunde forças para resistir o mal. Tiago afirma que ela “é poderosa para vencer o mal”. Foi usando a Palavra que Jesus venceu o inimigo no monte da tentação. A âncora do Salvador estava plantada no “está escrito”.

                  Sem um relacionamento íntimo com a Palavra de Deus não tem como obter vitória sobre o pecado. Ela é e será a nossa âncora nos momentos de provação. Davi descobriu esse grande segredo e afirmou: “Guardei no coração a tua palavra
para não pecar contra ti” (Salmo 119:11).

                  Implantar a Palavra de Deus no coração significa mais do que apego a ela. Significa viver em harmonia com ela. Será difícil ou impossível alguém se manter de pé caso não esteja bem firmado na Palavra. Ela é o nosso bordão.

     

Conclusão

                  A nota do estudo de sexta-feira traz uma mensagem que deveria ser praticada por todo aquele que aceita a Jesus como seu Salvador pessoal. Ellen G. White fala não só da alegria que invade o coração convertido, mas realça que uma pessoa ao nascer de novo sente o desejo de contar para todo o mundo o que Jesus operou em sua vida.

                  A única cobiça aceita no Céu é a cobiça de salvar pessoas do pecado e o único momento que temos de ser ligeiros no falar é quando estamos testemunhando.

                  Sabemos que em breve os ventos da provação se abaterão sobre os filhos de Deus. Naqueles dias será exigido de nós um conhecimento e um preparo que muitos hoje negligenciam.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O aperfeicoamento da fé


Comentário da Lição da Escola Sabatina de quatro a onze de outubro de dois mil e quatorze, reparado por Carmo Patrocínio Pinto membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

            Tiago chama a nossa atenção para um crescimento constante. A nossa fé necessita ser exercitada. Nunca devemos nos acomodar com as pequenas realizações no âmbito espiritual. Sempre teremos novos horizontes a alcançar.

            Tiago ressalta a importância da sabedoria e a tem como um dom divino que deve ser buscado com empenho. Parece que o seu foco é que peçamos a Deus sabedoria para usar adequadamente o conhecimento adquirido. Pouco ou nada valerá o conhecimento caso não tenhamos o esclarecimento necessário de como usá-lo.

            Quando Tiago fala do aperfeiçoamento da fé ele está se referindo a toda a nossa vida espiritual. Nunca devemos nos contentar com os resultados alcançados, mas sim, tendo a consciência de que conseguimos desvendar apenas a “orla dos Seus caminhos”, temos diante de nós um desafio constante.

            A nossa vida cristã é como andar de bicicleta. Uma parada significa queda. Como promover o aperfeiçoamento da fé? A única maneira é exercitando-a e esse exercício deve ser continuo e ininterrupto. Tiago deixa claro que o nosso alvo deve ser o crescimento contínuo. Até onde vamos chegar apenas Deus sabe.

            Tiago reitera em vários momentos a necessidade de uma vida espiritual experimental e não apenas teórica. Para ele a teoria sem a vivência diária de nada resolve. Um cristianismo de fachada tende a desmoronar quando soprarem os ventos das provações.

 

Domingo

            É interessante que um dos mecanismos para desenvolver a nossa fé são as provações. Temos inúmeros pregadores por ai insistindo na premissa de que com a aceitação de Cristo a vida se transforma em um mar de rosas repleta de realizações materiais. Sabemos que isso não é verdade. Ao aceitarmos a Cristo não estamos isento de provações pois “Sabemos que todas as coisas contribuem para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito” (Romanos 8:28).

            Não é fácil manter a nossa fé inabalável diante de determinadas provações. Temos a tendência avaliar as provações daqueles que estão ao nosso redor e sempre o nosso juízo é de que elas não são tão severas assim. É bom lembrar que o meu irmão carrega uma cruz cujo tamanho e peso não compete a nenhum de nós avaliarmos senão apenas Aquele que carregou a sua cruz até o Calvário. Não sabemos dos limites de ninguém nem os nossos. Algo de desagradável que aconteceu na vida de alguém pode representar quase nada para mim, enquanto que para a alma atribulada está sendo exigido o seu limite máximo.

            Pedro afirma que as provações não representam nada de novo ou diferente em nossa vida e deve ser encaradas como algo normal na vida cristã de cada crente e mais: as provações devem produzir em nós uma alegria inexplicável para o mundo ao nosso redor, pois é a prova de que somos amados por Deus.

            As provações fortalecem a nossa fé e a fé fortalecida nos prepara para vencermos as provações. Jesus nos adverte: “mas aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mateus 10:22). 

           

Segunda

            A vida espiritual é uma estrada em ascensão. Como pecadores sempre temos o que melhorar, polir e acertar. O nosso alvo é “até que todo alcance a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo” (Efésios 4:13). A nossa tendência pecaminosa sempre nos força a tomar a direção contrária a esse objetivo divino.

            A perfeição proposta pelo Céu é um alvo a atingir. Paulo sempre afirmava que, embora não a houvesse alcançado ele continuava avançando diariamente. Temos dois grupos bem diferentes entre si.  Um é aquele que, despreocupado com o seu crescimento espiritual, se acomoda e nada faz nesse sentido enquanto o outro cada dia se esmera em moldar a sua vida com a de Cristo. Pode ser que as pessoas do segundo grupo nunca venham a alcançar o Modelo mas há um renovar diário, um esforço intermitente nesse sentido tais pessoas são consideradas como Davi, “o homem segundo o coração de Deus” (Atos 13:22).

            Paulo nunca se identificou como alguém que tenha alcançado o objetivo máximo. “Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus” (Filipenses 3:13-14).

            O crescimento de nossa fé é mesclado com provações. Elas têm como objetivo aprimorar a nossa perseverança e formar em nós um caráter semelhante ao de Cristo. Para que a perseverança seja uma constante em nossa vida e a perfeição um objetivo alcançado é necessário um relacionamento diário com Cristo.

 

Terça

            Tiago faz um paralelo entre a sabedoria e a humildade. No verso treze do capitulo três ele esclarece que sábio é aquele que usa de misericórdia para com o próximo, mas dosada com humildade. Segundo as suas declarações viver assim não é fácil e para conseguir tal façanha temos que orar com fé para que Deus nos dê sabedoria e nos capacite a usá-la com prudência.

            Conheço pessoas dotadas de muito conhecimento, mas que se ufanam diante dos mais próximos como quem estivesse dizendo “eu entendo mais das coisas que nos cercam do que vocês”. Não é fácil ser sábio e humilde ao mesmo tempo. Para isso Tiago nos exorta a buscar a sabedoria que vem do alto. A sabedoria do céu vem embalada na discreta embalagem da humildade. 

            Pessoas movidas pela exaltação própria têm dificuldade para pedir sabedoria. Sabedoria para elas é um produto inerente ao seu próprio ser. Mas essa sabedoria se manifesta na roupagem do orgulho pessoal. Quão diferente é a sabedoria outorgada pelo céu!  “Mas a sabedoria que vem do alto é antes de tudo pura; depois, pacífica, amável, compreensiva, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial e sincera” (Tiago 3:17).

            Para adquirir a sabedoria que vem do alto duas coisas são necessárias. Primeiro é sentir a necessidade da verdadeira sabedoria e, em segundo lugar, pedir a Deus com fé. Esse humilde exercício da fé na busca pela sabedoria que vem do céu credencia o solicitante a recebê-la.

 

Quarta

            Demonstrar fé firme e inabalável não é fácil. Orar com fé significa demonstrar certeza de que Deus nos ouvirá. Essa certeza pode parecer convencimento de que somos os melhores por isso é que Deus nos atende. Deus nos atenderá não porque somos melhores ou piores do que alguém. Deus atenta para a súplica do suplicante e não pelas condições do suplicante. A única coisa que Ele espera é que exercitemos fé de que Ele nos ouvirá. Tiago afirma “...peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida” (Tiago 1:5).

            Jesus enaltece a fé acompanhada da certeza de que Deus nos ouvirá. Isso não é convencimento é humildade prática. Aquele que ora sem fé é semelhante a um homem que ao fazer uma delicada travessia sobre um abismo tinha que se equilibrar com muita dificuldade sobre a estreita ponte disponível. Quando deu os primeiros passos e sentir a estrutura tremer sobre os seus pés começou a dizer a cada passo: “Deus é bom, Deus é bom.” Quando estava pela metade da travessia lhe veio um pensamento: “Estou sempre repetindo que Deus é bom e, se por acaso, o Diabo não gostar e me der um empurrãozinho? Continuando a sua travessia passou a dizer: “Deus é bom, mas o Diabo não é tão ruim como dizem.”

            As ondas do mar são instáveis. Elas avançam ou recuam ao sabor dos ventos. Temos que exercitar uma fé solidificada na confiança de que Deus nos ama e que jamais Ele nos decepcionará.

 

Quinta

            Tiago continua dando ênfase ao cristianismo prático. Para ele a prática do cristianismo consiste em demonstrar o nosso amor pelos necessitados. Nada adianta falar e falar sobre amor ao próximo se a pratica não existe em nosso relacionamento com os mais necessitados. Amar os ricos é fácil e, talvez, conveniente, mas Tiago nos exorta a externar amor para com os necessitados. Trabalhadores, viúvas e órfãos figuram em sua lista. A atenção a esse grupo de pessoas identifica os praticantes da religião verdadeira.

Certa vez meu pai fez um sermão cujo tema era a santificação. Em sua fala ele leu Tiago 1:27. Ao comentar o verso ele disse para a igreja. “Praticar a religião verdadeira é fácil. Para Tiago a sua essência está em visitar as viúvas. Até ai parece que nada de mal”, frisou o meu pai, “pois existem viúvas novas e bonitas”. Mas na segunda parte do verso, frisou papai, “Tiago dá tapa nas segundas intenções ao dizer: e apartar-se da corrupção do mundo”.

As pessoas corruptas menosprezam os pobres. Por algum tempo trabalhei em uma prefeitura cujo secretário de saúde pagava o mínimo para os trabalhadores da saúde e exigia que eles assumissem do próprio bolso as despesas de transporte, alimentação, uniforme de trabalho e outros adendos. Ele era rude no trato e, muitas vezes vi pessoas chorar nas reuniões. Enquanto isso, sem nenhuma cerimônia, ele desviava verdadeiras fortunas para o seu próprio bolso. Ao constatar essa situação, enojado, pedi conta.

Às vezes perguntamos: se Deus ama a todas as pessoas, por que fez o pobre? Bem, do meu ponto de vista o Seu propósito é nos dar uma oportunidade de praticar a verdadeira religião.

 

Conclusão

            O aperfeiçoamento da fé implica em um leque de situações. Manter a esperança quando provados aprimora a nossa fé e deve ser a marca do cristão. Aperfeiçoamento da fé implica em buscar sabedoria de Deus para administrarmos com inteligência as provações. O nosso empenho em favorecer os necessitados mostra para o mundo que se não temos uma fé perfeita, estamos a caminho dela.