Comentário
da Lição da Escola Sabatina de vinte e cinco de outubro a primeiro de novembro
de dois mil e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, membro da Igreja
Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga.
Introdução
Imagino que a
Epistola de Tiago ocasionou um
reboliço entre a membresia da igreja naquela época. Com a morte de Jesus os
judeus tradicionais imaginaram estar livres para sempre de serem recriminados
por suas atitudes discriminatórias em fazer acepção de pessoas. Cristo chegou a
chamá-los de raça de víboras.
Quando tudo parecia tranquilo
aparece Tiago com uma mensagem pesada e direta ao reafirmar que a vida cristã
tem mais a ver com a prática do que com a teoria. Ao escrever a sua epistola
ele desdobra as ações do amor em um leque que tinha tudo a ver com vida
espiritual de seus conterrâneos. Tiago não queria que a igreja que estava
nascendo herdasse as mazelas cultivadas há anos pelo povo Judeu.
O pior da situação era que os
judaizantes se esforçavam por manter os princípios de apego à lei sem nenhum
comprometimento com a sua verdadeira essência que é a prática do amor aos seus
da mesma linhagem e ao próximo em geral. Para os judeus daquele tempo, próximo seriam
apenas aqueles ligados por laços familiares e pertencentes à elite da época. Os
demais não eram próximos e sim, distantes e quão distantes! Para os judeus não havia problema em dizer que
amavam a Deus, mas demonstrar esse amor ao seu próximo, dependendo de quem
fosse ele, seria muito difícil ou, talvez, desnecessário.
Tiago esclarece que de nada vale se
apresentar como um observador da lei se o amor ao próximo é colocado em último
plano, ou talvez esteja fora de planos. Uma atitude discriminatória não condiz
com o amor, que é a verdadeira essência da lei.
Quando vemos a nossa Igreja
subdividida em pequenos grupos que mais parecem às famosas panelinhas, creio
ser sobejamente oportuno o nosso estudo sobre a epístola de Tiago. Com certeza
ela tem muito a nos ensinar a praticar o evangelho que pregamos.
Domingo
Dos seis “ais”
sobre os fariseus apresentados por Lucas o segundo “ai” tem a ver com a
importância que eles reivindicavam para si ao exigirem os melhores lugares em
todos os aspectos da vida. Essa postura está aliada à situação apresentada por
Tiago. Ele condena qualquer diferenciação de tratamento para com pessoas que
tenham qualquer proeminência intelectual, financeira, social ou política.
Que lição de humildade nos dá o
centurião romano. Ele recorreu a Jesus para que a sua filha fosse curada. Ele era um dos homens mais proeminentes da
época, mesmo assim não se achava digno de receber Jesus em sua casa. “Fale
apenas uma palavra.” Quanta demonstração de fé e humildade ao mesmo tempo.
Os judeus chegaram ao máximo de
exclusão ao considerarem pecado grave um judeu se misturar com outras etnias.
Eles se esqueceram que pecado era justamente o fato de recusarem o contato com
tais pessoas. Jesus Se envolvia com as pessoas. Essa era a sua principal arma para
atraí-las a Si.
Segunda
O quadro
apresentado por Tiago é sombrio. Acepção de pessoas no mundo sempre existiu,
mas ver essa pratica dentro da igreja é algo inaceitável. Era o que estava
acontecendo nos dias da Igreja primitiva. Parece que o comportamento do mundo judaico
naquela época, onde samaritanos e outros tipos de pessoas eram excluídas do
convívio da elite religiosa daquele tempo, ainda estava presente entre os
judeus convertidos. Os mais pobres eram humilhados ao ponto de ser impedido de
prestar qualquer queixa no âmbito jurídico.
Tiago não podia entender como
pessoas que aceitaram a Cristo como o seu Salvador pessoal vivesse tão distante
do seu líder que veio para servir e não para ser servido. Não dava para
entender como pessoas que defendiam tanto a lei vivessem alienadas de seu
princípio máximo: o amor ao próximo.
O pior de tudo nesse contexto era o
exemplo negativo que davam para um mundo que começava a conhecer as maravilhas
do evangelho. Dizem por ai que “as palavras convencem, mas os exemplos
arrastam”. No caso desses cristãos o exemplo que davam estava em descompasso
com aquilo que pregavam. Essa é uma mensagem para nós hoje. Tem um pensamento
que diz: “Pregue o evangelho e, se for necessário, fale.”
Nos dias de hoje temos um problema
entre nós no que tange a empregados e empregadores. Já ouvi muitos empresários
adventistas afirmarem que os empregados adventistas causam mais problemas à
empresa do que os não conversos. Caso o empregado adventista julgue no direito
de usar de algumas liberdades pelo fato de seu patrão ser adventista está
equivocado. O mesmo cabe ao patrão. O espírito cristão não pode ser perdido de
vista.
Terça
Os judeus tinham
grandes dificuldades para amar pessoas estranhas às suas comunidades. Para eles
próximo tinha a ver com o grau de parentesco e a proximidade cultural,
religiosa e social. Sai aceitar a orientação de Cristo de amar os próprios
inimigos significava um abismo praticamente intransponível.
No sentido de poupar os israelitas
de se contaminar com mundanismo ao redor e estimular a união entre eles Deus
orientou que o amor fraternal fosse exercido somente entre eles. As nações
vizinhas eram inimigas acérrimas do povo de Deus e não se cansavam de buscar a
sua destruição e para sobrevivência dos israelitas, Deus não exigiu, naquela
época, o amor aos inimigos.
Jesus orientou o Seu povo a amar os
seus inimigos. Essa orientação, para eles quase absurda, tinha como objetivo
fazê-los entender o plano da salvação. Jesus deu a vida por todos os seres humanos
independente de raça, cor, status e grau de santidade. Todos são convidados a
receber a salvação por Ele oferecida. Cabe a cada um de nós participarmos do
plano redentivo, apresentando o convite da salvação a todas as pessoas, quer
sejam amigas ou inimigas. Disse Jesus: “Eu vos dei o exemplo, para que sigais as minhas pisadas” (João 13:15).
Quarta
Para
os judeus era normal observar toda a lei de Deus, inclusive o sábado. Eles se
julgavam exímios observadores da lei. Jesus viu que eles falhavam redondamente
na principal prática da lei que é o amor ao próximo. Jesus foi claro: “Quem
tropeça em um só mandamento é culpado de todos. Eles necessitavam de uma
profunda transformação de vida. Seria realmente um “nascer de novo”.
Ao
ser interrogado sobre qual seria o maior mandamento da lei, Jesus colocou todos
os mandamento no mesmo nível e sob o guarda chuva do amor a Deus e ao próximo. Existe graduação de pecados, mas em se
tratando dos mandamentos não existe um maior do que o outro. Em nossa avaliação
humana levantar falso testemunho seja mais brando do que matar, mas perante
Deus a transgressão de um representa a culpabilidade de todos.
Muitos
observadores do domingo afirmam que Jesus mencionou todos os mandamentos menos
o sábado. Guardar o sábado fazia parte do viver de cada judeu. Não foi a guarda
do sábado a maior falha que Jesus identificou entre eles e sim o amor ao
próximo.
É
importante lembrar que observar a lei excluindo Cristo de nossa vida transforma
a observância da lei em um peso insuportável.
Quando aceitamos a Cristo como o Senhor de nossa vida tomamos sobre nós
o Seu jugo e o nosso jugo se torna suave e leve. Passamos a observar a lei não
para sermos salvos e, sim porque fomos salvos.
As
perguntas do rodapé do estudo de quarta-feira nos chamam a atenção para uma
obediência calcada no amor e não em mera obrigação.
Quinta
O
estudo de hoje causa muita dúvida, principalmente no meio evangélico. Como ser
julgados pela lei se, somos salvos pela graça? Quando eu aceito a Jesus como o
meu Salvador estou me apoderando de Sua graça e Ele perdoa todos os meus
pecados. Nesse caso a lei não me condena porque aceitei que Jesus assumisse o
meu lugar de transgressor da lei. Quando eu rejeito o favor imerecido da graça
me exponho automaticamente à condenação da lei. Todo o ser humano é julgado
pela lei com uma diferença: Quem aceita o sacrifício de Cristo está coberto
pela graça. Todos serão julgados pela lei e o que nos livra da condenação que
ela nos impõe é o sábio uso que fizermos da graça oferecida por Cristo.
A
nossa obediência não tem mérito nenhum caso não seja motivada pelo amor a Deus.
Ele fez por nós o que o Universo jamais imaginou que Ele faria. O Seu amor não
tem limites. Diz a Bíblia: “Ele é longânime para conosco não querendo que
nenhum se perca” (2 Pedro 3:9).
Conclusão
A
lei é o resultado do amor de Deus. Para nos preservar Ele nos deu a Sua lei.
Cada não da lei de Deus é uma salvaguarda à nossa vida. As leis dos homens são
pautadas pela lei de Deus com uma enorme diferença: a misericórdia não
interfere na lei dos homens. Com a lei de Deus isso não acontece. O maior
pecador poderá ser salvo da condenação da lei divina. Isso é amor. E a Bíblia
afirma: “Ele nos amou primeiro.” Jesus espera que amemos uns aos outros assim
como Ele nos amou.