quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Evangelho eterno


Comentário da Lição da Escola Sabatina de vinte a vinte e sete de dezembro de 2014, preparado por Carmo Patrocínio Pinto membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

            Parece que o trimestre começou ontem, mas já chegamos ao final dele e por curso normal do tempo marca também o final de mais um ano. Estudamos o livro de Tiago nos últimos três meses e chegamos agora na última lição.

            Por três meses fomos instados por Tiago a sermos proativos em nossa vida cristã. Um cristão proativo é aquele que não se acomoda com um cristianismo de aparências. Ele antecipa situações e faz de sua vida cristã um convite ao mundo para que os homens se desvencilhem das coisas triviais da Terra e se volte para Deus que é compassivo e grande em perdoar.

            Se Tiago viu em seus dias a necessidade de um cristianismo que anunciasse o evangelho por palavras e ações, o que ele diria para nós hoje que vivemos em um mundo voltado para o superficial e fictício?

            O evangelho só é possível ser difundido por pessoas dispostas a sair da inércia e, de maneira prática, mostrar para o mundo as maravilhas de uma vida centralizada em Cristo. Tiago nos mostrou que uma vida cristã monótona e descompromissada nada tem para mostrar para o mundo e, por ironia, é o que Satanás espera ver em todos os que dizem amar a Cristo, mas se omitem de arvorar a bandeira ensanguentada do Príncipe Emanuel.

            Tiago nos mostrou que aqueles que são salvos pela graça, produzem as obras resultantes dessa graça que redime. Paulo afirma que “o amor de Cristo nos constrange”. Isso significa que o verdadeiro cristão      é constrangido a produzir as obras dessa graça que o redimiu. Essas obras implicam em uma vida de testemunho em favor do evangelho. Não são obras para salvar a si próprio, mas sim, para salvar aqueles que estão ao nosso redor. Uma vez salvos pela graça automaticamente nos envolvemos em produzir as obras dessa graça que nada mais são do que inteiro comprometimento em anunciar “as obras Daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.”

            Toda pessoa convertida passa a fazer parte de um povo especial e que tem uma missão especial. Seremos eternamente agradecidos a Aquele que nos redimiu. Diz Pedro: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2:1). Um cristão apático e inoperante não produz as obras de alguém que foi salvo. O cristão convertido é proativo em produzir as obras da graça.

            Não há outro meio de chegarmos à eternidade se não estivermos cem por cento comprometidos em anunciar o evangelho eterno.

 

Domingo

            A mensagem de salvação permeia por toda a Bíblia. A boa noticia da salvação foi apresentada e rejeitada pelos antediluvianos e depois, a voz de Jonas comoveu os ninivitas e a salvação raiou para eles.

            Gosto de comparar Gênesis 3:15 com Isaias 53:4-11. Em Gênesis vemos a promessa de que a semente da mulher (Cristo) seria ferida pela serpente (Satanás) que no final tem a sua cabeça esmagada pela semente da mulher. Isaias descreve o sacrifício de Cristo como um acontecimento já consumado. Os detalhes apresentados por Isaias se cumpriram de maneira fidedigna na vida e morte de Cristo apresentada pelos escritores do Novo Testamento. Gênesis 3:15 apresente a primeira profecia relativa ao evangelho de salvação e a morte do cordeiro lá no Éden foi a primeira boa nova apresentada ao homem mostrando que Deus realmente estava disposto a salvar os pecadores. A mensagem dada no Éden foi aceita e confirmada pelas dezenas de altares construídos pelos patriarcas e foi repetida milhares de vezes no Santuário terrestre durante o Velho Testamento. A mensagem apresentada pelo evangelho eterno é extensiva a toda a humanidade de todos os tempos.

 

Segunda

            “O evangelho encarnado causou estranheza entre os líderes judeus. Na parábola do Filho Pródigo os judeus não se assemelhavam com o pai amoroso e muito menos com o filho perdido. A maneira de ser de cada um parecia mais com o filho mais velho, austero e legalista. Eles se julgavam o modelo de pessoa pronta para entrar no Céu ostentando vestes brancas e barretes vermelhos.

            Os lideres judeus não entendiam como o pai recebeu o filho pródigo sem fazer nenhuma ressalva. Nada lhe foi jogado em rosto. Lendo superficialmente a parábola parece que estamos diante de um Deus permissivo e indiferente a tudo o que fazemos de errado. Acontece que tudo o que o pai poderia ter dito para o filho em recriminações e que deveria lhe jogando em rosto o jovem já havia experimentado lá no longínquo laboratório de um chiqueiro de porcos. O filho mais velho não conheceu as desgraças da terra distante. Ele nunca soube o quanto dói ser sevo do dono da terra. Ele ignorava o que significa ter fome de pai. Ele não sabia dos milagres que poderiam acontecer lá naquele longínquo e inóspito chiqueiro.  O filho mais velho nunca havia dormido com porcos. Não sabia o que era podridão e sujeira. Aliás, ele nem sabia como muitos hoje não sabem que na terra distante existe um chiqueiro esperando pelos pródigos. Enquanto os animais iam grunhindo e revirando a lama putrefata o jovem se sentiu pior do que aqueles animais e, sem se perceber os seus pensamentos se escorregaram naquele lamaçal e mais do que cair na lama ele caiu em si. O filho mais velho não viu nada disso e muito menos aquela queda. As lentes de amor usadas pelo pai viu todo aquele drama vivenciado pelo jovem e, viu e sentiu quanto doeu a queda do filho. Uma dor que doeu muito lá e cá.

O evangelho do amor encarnado em Cristo não perde tempo com perguntas e questionamentos. O Pai estende a mão e resgata todo aquele que, contrito volta da terra distante para os Seus braços de amor.” (Do livro em preparo “Filhos Pródigos”).

Quando estudamos sobre o Evangelho Eterno e a sua relação com o pecador vemos um Deus que não muda a Sua maneira de agir mesmo diante de nossa insubordinação. O evangelho não será pregado por toda a eternidade, mas os redimidos estarão para sempre com Cristo e por toda a eternidade mostrarão para o Universo os resultados eternos do evangelho que um dia os salvou.

            Tiago esperava que cada membro da Igreja primitiva fosse, pelo testemunho, um anunciador das boas novas do evangelho.

 

Terça

            Na estrada de Damasco vai Saulo com sua comitiva. O seu propósito é libertar os seus compatriotas dos ensinos que uma meia dúzia de homens herdou de Alguém que Se dizia O Salvador. O objetivo de Saulo era o mesmo de Cristo: salvar as pessoas.

Apenas um detalhe: Ele estava correto no seu propósito, mas completamente errado em sua maneira de agir.

            Ele não esperava que na estrada de Damasco fosse encontrar o outro Salvador, porém o seu rival. Cercado de capangas dispostos a tudo ele caminha com o olhar fixo em seu alvo, tirar os cristãos de circulação custe o que custar. De repente, um esplendor envolveu a todos. Os seus homens ficam surdos e Saulo cego. A valentia de todos caiu por terra e temerosos se apoiam uns nos outros para se levantarem. Os homens que o acompanham notam que ele conversa com Alguém, mas não entendem nada; apenas chegam à conclusão de que com o líder sego a “missão salvadora” estaria abortada.

            Paulo é convidado a continuar na luta só, que do outro lado. Ao caírem às escamas dos seus olhos ele vê quão equivocado estava em seu projeto de salvar pessoas. Os fariseus perderam o seu melhor justiceiro. Paulo entendeu que a lei apenas apontava os seus erros e que a salvação tão almejada apenas poderia ser encontrada em Cristo. Dai para frente ele defende a lei como norma de vida, mas não como meio de salvação. Foi o seu zelo pela lei que o levou ao conhecimento de Cristo. “Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu” (Filipenses 3:5). Paulo deveria continuar como um zeloso da lei não pera ser salvo mas sim porque foi salvo.

            Dai para frente ele muda por completo o foco do seu sermão. Diz ele ”Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos” (1 Coríntios 1:23).

 

Quarta

            A primeira aliança foi firmada com Israel como nação. A segunda aliança que é uma replica da primeira foi extensiva a toda nação, tribo, língua e povo. A salvação tanto no Velho como no Novo Testamento sempre foi centralizada em Cristo. Tanto no velho como no Novo testamento o perdão de pecados só é possível pelos méritos do sacrifício de Cristo na cruz. A lei nos leva a Cristo o Único que nos livra da sua condenação.

            Os sacrifícios ofertados no santuário propiciavam um perdão condicional. Paulo escreve: “Porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados” (Hebreus 10:4). Na velha aliança a salvação era oferecida de maneira condicional. A nova aliança, com a morte de Cristo, validou a primeira aliança.

 

Quinta

            A Palavra de Deus é maravilhosa. Veja como Apocalipse 12:17 e 14:12 une a pratica da lei enfatizada por Tiago à salvação pela fé oferecida por Cristo. “E o dragão irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra ao remanescente da sua semente, os que guardam os mandamentos de Deus, e têm o testemunho de Jesus Cristo” (Apocalipse 12:17 e “Aqui está a paciência dos santos; aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (Apocalipse 14:12).

            A guarda da lei não salva, mas no fim será a sua observância que distinguirá os que servem a Deus daqueles que não O servem.

 

Conclusão

            Às vezes sou tentado a imaginar que as horas da madrugada que diariamente dedico para escrever o comentário da Lição representam um tempo perdido quando vejo os poucos milhares que entram em contato com ele, comparado a outros comentaristas com milhões de seguidores. Mas quando vejo os resultados desse trabalho em minha vida, o conhecimento adquirido e que, muitas vezes não vai para as páginas escritas, eu agradeço a Deus pela ideia que Ele me deu. Quanta coisa linda aprendi com o irmão Tiago!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Preparando-se para a colheita




Introdução
            Disponho de um bom material de cunho escatológico que, a pedido, tenho apresentado em algumas igrejas. É maravilhoso ver as profecias se cumprindo a olhos vistos. O seu cumprimento nos mostra que realmente “Vem o fim, o fim vem sobre os quatro cantos da terra” (
Ezequiel 7:2).

            A Bíblia apresenta esse dia como terrível. “Aquele dia será um dia de indignação, dia de tribulação e de angústia, dia de alvoroço e de assolação, dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e de densas trevas” (Sofonias 1:15). Sofonias afirma ser esse um grande dia.  “O grande dia do Senhor está perto, sim, está perto, e se apressa muito; amarga é a voz do dia do Senhor; clamará ali o poderoso” (Sofonias 1:14). Nunca foi tão fácil crer na volta de Jesus como hoje. Não crer na volta de Cristo e não crer na Bíblia. O cumprimento das profecias a respeito da volta de Jesus se multiplica ao nosso redor com uma clareza tal que fico imaginando como Deus tem sido misericordioso para conosco. A cada dia vemos com mais clareza que “Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Amós 3:7). E a respeito à volta de Jesus como Ele nos tem revelado!

            A Bíblia apresenta duas características do dia da volta de Jesus. Primeiro ela o define como um grande dia revestido de angustia, escuridão e de juízo. Em segundo lugar a Bíblia nos apresenta esse dia como algo alegre, risonho e poético. O que faz a suas características desse dia não é o dia em si, mas sim a postura da humanidade nesse dia. Enquanto um grupo de pessoas clama: “Porque é vindo o grande dia da sua ira; e quem poderá subsistir?” (Apocalipse 6:17) outro grupo eufórico se rejubila exclamando: “...Eis que este é o nosso Deus, a quem aguardávamos, e ele nos salvará; este é o Senhor, a quem aguardávamos; na sua salvação gozaremos e nos alegraremos” (Isaías 25:9).

            Jesus voltará a essa Terra com uma missão claramente definida pela Bíblia: “E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas” (Mateus 25:32). É essa separação que causa tanto pavor em um dos grupos e tanta alegria no outro. Cada grupo será colhido e atado em feixes e terá um destino definido: “Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; mas, o trigo, ajuntai-o no meu celeiro” (Mateus 13:30). Cabe a cada um de nós a escolha de sermos joio ou trigo.

            É curioso que o título da lição diz: “Preparando-se para a colheita.” Parece que seria mais prudente mudar o título para: “Preparando-se para ser colhido.” Esse preparo deve ser a nossa máxima preocupação. Paulo nos exorta: “...operai a vossa salvação com temor e tremor” (Filipenses 2:12).

 

Domingo

            Como estudamos na introdução os sinais da volta de Jesus acontecem de maneira clara e inequívoca. Mesmo com tanta clareza e nitidez a dúvida pode assaltar o nosso coração. Um dos fatores que a motiva é a aparente demora para que tudo aconteça. A advertência de Tiago é clara: “Sede pacientes” e para ajudar a nossa compreensão ele usa como ilustração o trabalho do agricultor. Trabalhei muitos anos na lavoura e tenho uma noção do que Tiago está dizendo. Dependendo do que cultivamos a colheita pode se dar em meses ou em anos de espera. Ela representa o momento máximo para o agricultor. A colheita significa fartura de alimento e também de dinheiro. Foi muito tempo preparando o terreno, semeando, carpindo, regando e protegendo das pragas. Foi muito suor derramado visando apenas um momento no futuro: a colheita. Não tem como o agricultor adiantar o relógio. É uma questão de paciência.

            O interessante na ilustração de Tiago é que para que haja colheita é necessária a chuva no momento certo. A chuva é que vai fazer surgir o grão e fazê-lo amadurecer. Sabemos que nesse aspecto a chuva significa a descida do Espírito Santo sobre nós. Ele promoverá duas coisas em nossa vida: reavivamento e reforma. Diz Ellen G. White:

“Necessitam-se agora homens de esclarecida compreensão. Deus convida os que estão dispostos a ser regidos pelo Espirito Santo a liderarem uma obra de completa reforma” (A Igreja Remanescente, p. 71).

            Mais do que orar pelo Espirito Santo temos que estar dispostos a ser usados por Ele. Sem o Espirito Santo o reavivamento não acontecerá e uma completa reforma será uma utopia. Temos que esperar a chuva serôdia como alguém que realmente anseia por ela. Durante os anos em que trabalhei na lavoura passávamos o período sem chuva na nossa região preparando para a semeadura que deveria ocorrer quando chovesse. Ramas de mandioca eram estocadas em um local fresco, as sementes eram selecionadas, o terreno preparado e adubado. Quando caia a chuva a pequena cidade fervilhava. Todos, eufóricos com ferramenta nas mãos partiam para os campos. Havia música e muita determinação para semear. Esperar pela chuva serôdia significa estamos empenhados em se preparar para recebê-la.

 

Segunda

            Por mais que a volta de Jesus esteja demorando para alguns, a qualquer momento que ela acontecer será sempre cedo demais para muitos. O autor da Lição inicia o estudo de hoje com a pergunta: “Está realmente próxima?” Qual é o seu ponto de vista?

            Quando minha família aceitou a mensagem da breve volta de Jesus eu tinha cinco anos de idade. Essa mensagem causou um forte impacto em minha vida e tudo o que acontecia ao nosso redor era analisado à luz das Escrituras para ver se tinha alguma relação com a volta de Jesus. Lembro que na década de sessenta, pela primeira e única vez na história, se elegeu um católico para presidente dos Estados Unidos. Na mesma época surge o papa João XXIII que conclama o Segundo Concílio Vaticano II que, por insistência dos evangélicos passou a se chamar Concílio Ecumênico Vaticano II. Simultaneamente a esses dois acontecimentos surge no Brasil um eloquente pregador, Alziro Zarur, que funda uma instituição espirita voltada para o ecumenismo, a Legião da Boa vontade. Ele falou tanto sobre o ecumenismo que foi condecorado pelo Vaticano. Do meu ponto de vista estava formado o tripé para cumprir Apocalipse 16:13: “E da boca do dragão, e da boca da besta, e da boca do falso profeta vi sair três espíritos imundos, semelhantes a rãs.” Quando estava tudo encaminhado para a tríplice união acontecer o papa João XXIII morreu, o presidente americano foi morto em um atentado e Alziro Zarur também se foi. Os sucessores destes homens vieram com ideias mais moderadas a respeito da tríplice união e o que estava nitidamente a caminho não aconteceu.

            Naquela época foi difícil aceitar as palavras de Tiago 5:8: “Sede vós também pacientes, fortalecei os vossos corações; porque já a vinda do Senhor está próxima” (Tiago 5:8).

 

 Terça

            No estudo de terça-feira somos exortados a exercitar o espírito de união. De princípio achei que esse verso nada tem a ver com o título da lição. Mas de uma coisa não podemos esquecer: Jesus só voltará após três acontecimentos sequenciais que tem a ver com a vida espiritual de cada um de nós. Primeiro é a descida do Espirito Santo que, por sua vez, nos conduzirá ao reavivamento que provocará a reforma de que tanto necessitamos. É hora de perguntarmos: Como o Espirito Santo descerá sobre um povo que amargam críticas entre si ou mesmo contra a igreja?

            É chegado o tempo para se realizar uma reforma completa. Quando esta reforma começar, o espírito de oração atuará em cada crente e banirá da igreja o espírito de discórdia e luta. Os que não têm estado a viver em comunhão cristã, chegar-se-ão uns aos outros em contato íntimo. Um membro que trabalhe da maneira devida levará outros membros a unir-se-lhes em súplica pela revelação do Espírito Santo. Não haverá confusão, pois todos estarão em harmonia com o Espírito” (E Recebereis poder – Meditação, p. 287).

 

Quarta

            O tema central da lição desta semana é a paciência. O autor foi muito feliz ao escrever a nota da lição de quarta-feira. Ele abriu o leque de pessoas bíblicas que manifestaram paciência em situações desesperadoras. Vale a pena conferir.

            Por fim ele apresenta a galeria dos heróis da fé relatada em Hebreus onze. Ela é fantástica, mas sabemos que graças a Deus ela não está completa. Caso ela fosse escrita hoje com certeza teria nomes de pessoas como João Huss, João Calvino, os Valdences e tantos outros. “As pessoas podem morrer pelo que acreditam, mas não por uma mentira” (O Livro dos Mártires - Esse livro escrito por John Foxe, é um dos mais famosos livros da literatura protestante, e apenas entre 1563 e 1684 teve nove edições).[

            Sempre que falamos dos mártires lembramo-nos do principal método de execução, a fogueira. Mas veja o relato de um documentário sobre a Inquisição católica: “Usava-se, dentre outros, os seguintes processos de tortura: a manjedoura, para deslocar as juntas do corpo; arrancar unhas; ferro em brasa sob várias partes do corpo; rolar o corpo sobre lâminas afiadas; uso das “Botas Espanholas” para esmagar as pernas e os pés; a Virgem de Ferro: um pequeno compartimento em forma humana, aparelhado com facas, que, ao ser fechado, dilacerava o corpo da vítima; suspensão violenta do corpo, amarrado pelos pés, provocando deslocamento das juntas; chumbo derretido no ouvido e na boca; arrancar os olhos; açoites com crueldade; forçar os hereges a pular de abismos, para cima de paus pontiagudos; engolir pedaços do próprio corpo, excrementos e urina; a “roda do despedaçamento funcionou na Inglaterra, Holanda e Alemanha, e destinava-se a triturar os corpos dos hereges; o “balcão de estiramento” era usado para desmembrar o corpo das vítimas; o “esmaga cabeça” era a máquina usada para esmagar lentamente a cabeça do condenado, e outras formas de tortura.”

            Ao visitar o Coliseu romano fiquei imaginando quantos heróis anônimos deram a sua vida ali. Nos sinuosos e escuros corredores das catacumbas de Roma pude ver os ossos de milhares de heróis da fé que ali se esconderam, mas foram alcançados e executados. Todos exerceram paciência diante da provação máxima.

 

Quinta

            O juramento é uma prática oficial em vários campos da atividade humana. O juramento faz parte do cerimonial de posse de prefeitos, governadores e do presidente da republica. Antes de receber o meu certificado de reservista tive que fazer o juramento de lealdade à Pátria.   Para todos os formando o juramento é uma parte integrante da festa de formatura. O juramento mais conhecido é o de Hipócrates, o pai da medicina e que é obrigatório a todos os médicos. E o que dizer do juramento entre marido e mulher que na maioria dos casos se dilui no decorrer dos anos? Caso os juramentos feitos em todas as áreas fossem rigorosamente cumpridos com certeza o mundo seria bem diferente. Quantas falcatruas, quantas omissões e quantos abusos são praticados sob a sua sombra! Muitos que prestam juramento parecem dizer: “Juro que estou jurando falso.” E, pelo que parece desde que o mundo é mundo o juramento é considerado apenas uma rotina para muitos. E não era diferente nos dias de Tiago.

            Em casos banais o juramento é usado por pessoas de índole duvidosa. Como as suas palavras não merecem confiança procuram endossa-las com um juramento invocando, às vezes, o próprio nome de Deus. É esse comportamento vulgar que Tiago ataca com veemência. Para ele os cristãos deveriam ter uma linguagem que inspirasse confiança, “sim, sim e não, não”. Essa deveria ser a postura de todo aquele que espera com paciência a volta de Jesus.

 

Conclusão

            Relacionando a volta de Jesus e a paciência para aguardar esse acontecimento dentro do cronograma de Deus vem ao meu pensamento o exemplo de Jó ao dizer: “Ainda que Ele me mate, Nele esperarei.” E “...depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus” (Jó 19:26).