Comentário
da Lição da Escola Sabatina de vinte a vinte e sete de dezembro de 2014, preparado
por Carmo Patrocínio Pinto membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central
de Taguatinga, DF.
Introdução
Parece que o
trimestre começou ontem, mas já chegamos ao final dele e por curso normal do
tempo marca também o final de mais um ano. Estudamos o livro de Tiago nos
últimos três meses e chegamos agora na última lição.
Por três meses fomos instados por
Tiago a sermos proativos em nossa vida cristã. Um cristão proativo é aquele que
não se acomoda com um cristianismo de aparências. Ele antecipa situações e faz
de sua vida cristã um convite ao mundo para que os homens se desvencilhem das
coisas triviais da Terra e se volte para Deus que é compassivo e grande em
perdoar.
Se Tiago viu em seus dias a
necessidade de um cristianismo que anunciasse o evangelho por palavras e ações,
o que ele diria para nós hoje que vivemos em um mundo voltado para o
superficial e fictício?
O evangelho só é possível ser
difundido por pessoas dispostas a sair da inércia e, de maneira prática,
mostrar para o mundo as maravilhas de uma vida centralizada em Cristo. Tiago
nos mostrou que uma vida cristã monótona e descompromissada nada tem para
mostrar para o mundo e, por ironia, é o que Satanás espera ver em todos os que
dizem amar a Cristo, mas se omitem de arvorar a bandeira ensanguentada do
Príncipe Emanuel.
Tiago nos mostrou que aqueles que são
salvos pela graça, produzem as obras resultantes dessa graça que redime. Paulo
afirma que “o amor de Cristo nos
constrange”. Isso significa que o verdadeiro cristão é constrangido a produzir as obras dessa graça que o
redimiu. Essas obras implicam em uma vida de testemunho em favor do evangelho.
Não são obras para salvar a si próprio, mas sim, para salvar aqueles que estão
ao nosso redor. Uma vez salvos pela graça automaticamente nos envolvemos em
produzir as obras dessa graça que nada mais são do que inteiro comprometimento
em anunciar “as obras Daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa
luz.”
Toda pessoa convertida passa a fazer
parte de um povo especial e que tem uma missão especial. Seremos eternamente
agradecidos a Aquele que nos redimiu. Diz Pedro: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação
santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou
das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2:1). Um cristão apático e
inoperante não produz as obras de alguém que foi salvo. O cristão convertido é
proativo em produzir as obras da graça.
Não
há outro meio de chegarmos à eternidade se não estivermos cem por cento
comprometidos em anunciar o evangelho eterno.
Domingo
A
mensagem de salvação permeia por toda a Bíblia. A boa noticia da salvação foi
apresentada e rejeitada pelos antediluvianos e depois, a voz de Jonas comoveu
os ninivitas e a salvação raiou para eles.
Gosto
de comparar Gênesis 3:15 com Isaias 53:4-11. Em Gênesis vemos a promessa de que
a semente da mulher (Cristo) seria ferida pela serpente (Satanás) que no final
tem a sua cabeça esmagada pela semente da mulher. Isaias descreve o sacrifício
de Cristo como um acontecimento já consumado. Os detalhes apresentados por
Isaias se cumpriram de maneira fidedigna na vida e morte de Cristo apresentada
pelos escritores do Novo Testamento. Gênesis 3:15 apresente a primeira profecia
relativa ao evangelho de salvação e a morte do cordeiro lá no Éden foi a
primeira boa nova apresentada ao homem mostrando que Deus realmente estava
disposto a salvar os pecadores. A mensagem dada no Éden foi aceita e confirmada
pelas dezenas de altares construídos pelos patriarcas e foi repetida milhares
de vezes no Santuário terrestre durante o Velho Testamento. A mensagem
apresentada pelo evangelho eterno é extensiva a toda a humanidade de todos os
tempos.
Segunda
“O
evangelho encarnado causou estranheza entre os líderes judeus. Na parábola do
Filho Pródigo os judeus não se assemelhavam com o pai amoroso e muito menos com
o filho perdido. A maneira de ser de cada um parecia mais com o filho mais
velho, austero e legalista. Eles se julgavam o modelo de pessoa pronta para
entrar no Céu ostentando vestes brancas e barretes vermelhos.
Os
lideres judeus não entendiam como o pai recebeu o filho pródigo sem fazer
nenhuma ressalva. Nada lhe foi jogado em rosto. Lendo superficialmente a
parábola parece que estamos diante de um Deus permissivo e indiferente a tudo o
que fazemos de errado. Acontece que tudo o que o pai poderia ter dito para o
filho em recriminações e que deveria lhe jogando em rosto o jovem já havia
experimentado lá no longínquo laboratório de um chiqueiro de porcos. O filho
mais velho não conheceu as desgraças da terra distante. Ele nunca soube o
quanto dói ser sevo do dono da terra. Ele ignorava o que significa ter fome de
pai. Ele não sabia dos milagres que poderiam acontecer lá naquele longínquo e inóspito chiqueiro. O filho mais velho nunca havia dormido com
porcos. Não sabia o que era podridão e sujeira. Aliás, ele nem sabia como
muitos hoje não sabem que na terra distante existe um chiqueiro esperando pelos
pródigos. Enquanto os animais iam grunhindo e revirando a lama putrefata o jovem se sentiu pior do
que aqueles animais e, sem se perceber os seus pensamentos se escorregaram
naquele lamaçal e mais do que cair na lama ele caiu em si. O filho mais velho
não viu nada disso e muito menos aquela queda. As lentes de amor usadas pelo
pai viu todo aquele drama vivenciado pelo jovem e, viu e sentiu quanto doeu a
queda do filho. Uma dor que doeu muito lá e cá.
O evangelho do amor encarnado em Cristo não
perde tempo com perguntas e questionamentos. O Pai estende a mão e resgata todo
aquele que, contrito volta da terra distante para os Seus braços de amor.” (Do
livro em preparo “Filhos Pródigos”).
Quando estudamos sobre o Evangelho Eterno e a
sua relação com o pecador vemos um Deus que não muda a Sua maneira de agir
mesmo diante de nossa insubordinação. O evangelho não será pregado por toda a
eternidade, mas os redimidos estarão para sempre com Cristo e por toda a
eternidade mostrarão para o Universo os resultados eternos do evangelho que um
dia os salvou.
Tiago
esperava que cada membro da Igreja primitiva fosse, pelo testemunho, um
anunciador das boas novas do evangelho.
Terça
Na
estrada de Damasco vai Saulo com sua comitiva. O seu propósito é libertar os
seus compatriotas dos ensinos que uma meia dúzia de homens herdou de Alguém que
Se dizia O Salvador. O objetivo de Saulo era o mesmo de Cristo: salvar as
pessoas.
Apenas um detalhe: Ele estava correto no seu
propósito, mas completamente errado em sua maneira de agir.
Ele
não esperava que na estrada de Damasco fosse encontrar o outro Salvador, porém
o seu rival. Cercado de capangas dispostos a tudo ele caminha com o olhar fixo
em seu alvo, tirar os cristãos de circulação custe o que custar. De repente, um
esplendor envolveu a todos. Os seus homens ficam surdos e Saulo cego. A
valentia de todos caiu por terra e temerosos se apoiam uns nos outros para se
levantarem. Os homens que o acompanham notam que ele conversa com Alguém, mas
não entendem nada; apenas chegam à conclusão de que com o líder sego a “missão salvadora”
estaria abortada.
Paulo
é convidado a continuar na luta só, que do outro lado. Ao caírem às escamas dos
seus olhos ele vê quão equivocado estava em seu projeto de salvar pessoas. Os
fariseus perderam o seu melhor justiceiro. Paulo entendeu que a lei apenas
apontava os seus erros e que a salvação tão almejada apenas poderia ser
encontrada em Cristo. Dai para frente ele defende a lei como norma de vida, mas
não como meio de salvação. Foi o seu zelo pela lei que o levou ao conhecimento
de Cristo. “Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de
Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu” (Filipenses
3:5). Paulo deveria continuar como um zeloso da
lei não pera ser salvo mas sim porque foi salvo.
Dai
para frente ele muda por completo o foco do seu sermão. Diz ele ”Mas nós pregamos
a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos”
(1 Coríntios 1:23).
Quarta
A
primeira aliança foi firmada com Israel como nação. A segunda aliança que é uma
replica da primeira foi extensiva a toda nação, tribo, língua e povo. A
salvação tanto no Velho como no Novo Testamento sempre foi centralizada em
Cristo. Tanto no velho como no Novo testamento o perdão de pecados só é
possível pelos méritos do sacrifício de Cristo na cruz. A lei nos leva a Cristo
o Único que nos livra da sua condenação.
Os
sacrifícios ofertados no santuário propiciavam um perdão condicional. Paulo
escreve: “Porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados”
(Hebreus 10:4). Na velha aliança a salvação era oferecida de maneira
condicional. A nova aliança, com a morte de Cristo, validou a primeira aliança.
Quinta
A
Palavra de Deus é maravilhosa. Veja como Apocalipse 12:17 e 14:12 une a pratica
da lei enfatizada por Tiago à salvação pela fé oferecida por Cristo. “E o
dragão irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra ao remanescente da sua
semente, os que guardam os mandamentos de Deus, e têm o testemunho de Jesus
Cristo” (Apocalipse 12:17 e “Aqui está a paciência dos santos; aqui estão os
que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (Apocalipse
14:12).
A
guarda da lei não salva, mas no fim será a sua observância que distinguirá os
que servem a Deus daqueles que não O servem.
Conclusão
Às
vezes sou tentado a imaginar que as horas da madrugada que diariamente dedico
para escrever o comentário da Lição representam um tempo perdido quando vejo os
poucos milhares que entram em contato com ele, comparado a outros comentaristas
com milhões de seguidores. Mas quando vejo os resultados desse trabalho em
minha vida, o conhecimento adquirido e que, muitas vezes não vai para as
páginas escritas, eu agradeço a Deus pela ideia que Ele me deu. Quanta coisa
linda aprendi com o irmão Tiago!