Comentário
da Lição da Escola Sabatina de primeiro a oito de fevereiro de 2014, preparado
por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação
para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo
Dia-Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Jesus
não só Se relacionou bem com as pessoas comuns mas Ele próprio
Se fez comum. Nasceu em uma família pobre e humilde. As pessoas mais comuns são
mais acessíveis aos apelos do evangelho. Diz a Bíblia. “O homem rico é sábio aos seus próprios
olhos, mas o pobre que é entendido, o examina”
(Provérbios 28:11).
Jesus convidou pessoas ricas e influentes na sociedade para
segui-Lo, mas nem sempre logrou sucesso. O Seu encontro com o jovem rico não foi
um dos melhores. Ele não só se retirou triste como deixou para traz um Mestre
magoado com a recusa em segui-Lo. Diz o texto. “ Mas,
ouvindo ele isto, ficou muito triste, porque era muito rico” ( Lucas 18:23).
Foram as pessoas comuns que mais contribuíram
para fazer discípulos em todas as nações. As pessoas comuns aceitam com mais
facilidade serem moldadas e capacitadas para a obra do discipulado. Ao despojarmos
do eu o Senhor tem condições de nos usar. Há poucos dias alguém me pediu para
pregar de improviso em uma igreja. Eu não tinha esboço de sermões em mãos e se
tivesse não teria tempo para revê-lo. Orei muito a Deus e lancei mão de um
texto bíblico bastante conhecido. No final do culto pessoas com olhos lacrimejantes
vieram me agradecer. Não sou aquele modelo de simplicidade e isso me deixou ainda
mais maravilhado de ver o que Deus pode fazer por nosso intermédio.
Conheci uma irmã analfabeta. Ela trouxe
dezenas de pessoas para a igreja, inclusive a minha esposa.
Jesus trabalhou muito com pessoas
comuns e sempre colheu ótimos resultados. Ele espera realizar grandes coisas
por intermédio de você e de mim, basta que estejamos dispostos a aceitar que
Ele opere em nossa vida.
Domingo
Simeão
era um homem consagrado a Deus. Estudioso das profecias bíblicas tinha plena
certeza de que o Messias viria ao mundo. Ele O aguardava com grande
expectativa.
Deus,
em Sua misericórdia, lhe apareceu em visão e fez a maravilhosa promessa de que
ele, Simeão, teria o privilegio de ter o menino Jesus em seus braços antes de
morrer. Simeão não tinha a mentalidade dos lideres religiosos de seu tempo.
Eles imaginavam que o Rei dos reis nasceria em palácios e receberia as horas
que o mundo oferece a um pequeno príncipe.
A
bíblia diz que no dia da apresentação de Jesus na igreja, o Espírito Santo
levou Simeão ao templo. Provavelmente muitas famílias estavam ali para dedicar
os seus filhos ao Senhor. Na dedicação de um primogênito a família oferecia um
sacrifício conforme as suas posses. Imagino que muitos pais se esforçavam para oferecer uma oferta além de suas posses. Afinal, era a dedicação do seu
primeiro filho, o primogênito da família. E mais, ninguém queria se identificar
como paupérrimo oferecendo o que de mais barato era permitido.
Simeão
não foi levado por essa maneira humana de ver as coisas. Assim, o fato de ver aqueles pais oferecer o
que de mais barato lhes era permitido oferecer não interferiu na sua
identificação de que aquela criança que eles traziam nos braços era o Messias prometido.
Necessitamos ver Jesus como Simeão viu.
Ao
ter a criança em seus braços ele proferiu um cântico profético que deixaram os
pais de Jesus encantados. “E
José, e sua mãe, se maravilharam das coisas que dele se diziam” (Lucas 2:33).
Ao iniciar o Seu
ministério duas coisa intrigavam os lideres religiosos de Seu tempo. Ao ver a
sabedoria de Cristo eles questionaram Como pode um filho de carpinteiro ter
tanto conhecimento e, depois de ter sido criado na humilde cidade de Nazaré,
surgiu a grande interrogação: “Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?”
Segunda
A
nota da Lição apresenta uma verdade a respeito de Jesus que define bem a Sua
atuação na vida do ser humano. Diz o texto. “Ele Se especializou em transformar
o ordinário em extraordinário.”
Com
o seu primeiro milagre, Jesus demonstrou ser uma pessoa social, comunicativa e
interessada em resolver os problemas das pessoas. Provavelmente o casal de
noivos fosse parente de Jesus ou amigos de perto.
Um
inesperado problema surgiu. Faltou vinho. Isso denota que as famílias
envolvidas não eram tão abastadas. Faltar vinho em uma cerimônia de casamento
era algo constrangedor que todos evitavam a todo o custo. Jesus, ciente da
situação, não ficou de braços cruzados.
Um
detalhe interessante é que Jesus poderia ter realizado o milagre sem o auxilio
de qualquer pessoa. Mas Ele solicitou que os servos enchessem as talhas de
água. E ai, o milagre aconteceu. Podemos imaginar como se sentiram aqueles
servos, pessoas tão comuns, ver os convidados elogiando o vinho que eles
ajudaram a fazer.
Não
e por acaso que Jesus nos convida a participar da pregação do evangelho a toda
criatura. Quão gratificante é quando participamos do batismo de uma pessoa com
a qual abrimos a Bíblia e lhe apresentamos as alegrias da salvação.
Na
multiplicação dos pães também aconteceu o mesmo. Jesus poderia ter feito tudo
sozinho mas Ele não é egoísta. Ele faz de tudo para que participemos de Seus
feitos gloriosos. Alguém doou os pães e os peixinhos e os discípulos
participaram ao colocar a multidão em ordem e fazer a distribuição do alimento.
Mais uma vez temos um grupo de pessoas felizes e realizadas por ter participado
de um milagre tão significativo.
A nossa tendência e fazer as coisas sozinho e
depois receber os louros no pedestal da fama. Jesus mostrou que a pregação do
evangelho e resultado de um discipulado participativo.
Terça
Pedro era uma
pessoa desqualificada e impulsiva. Ao tomar conhecimento do seu currículo
qualquer empresário não perderia tempo em conhecê-lo pessoalmente. Mas Jesus
achou por bem investir nesse homem analfabeto, ignorante, impulsivo e
violento. Os resultados fora surpreendentes.
Creio que qualquer um de nos que
vivêssemos nos dias de Pedro concluiríamos com facilidade que ele não seria uma
boa aquisição para a causa de Deus na Terra. A vida de Pedro nos enche de
esperança. Se Cristo teve a paciência de esperar a tão demorada mudança na vida
desse homem, com certeza não vai desistir de nenhum de nos.
Quando Jesus o ressuscitou teve a preocupação
de que Pedro fosse avisado do ocorrido. O apostolo O havia negado de maneira vexatória.
Demonstrando amor e ternura o Mestre disse. “Mas ide, dizei a seus discípulos, e
a Pedro, que ele vai adiante de vós para a Galiléia; ali o vereis, como ele vos
disse” (Marcos 16:7). Demonstrando amor e
ternura o Mestre deu o primeiro passo.
Quarta
Com a minha maneira humana de ver as
coisas tenho a tendência de achar muito difícil que determinadas categorias de
pessoas se convertam ao evangelho. Para mim, é desestimulante pregar para o
dono da padaria. Como ele vai fechar o seu estabelecimento nas vinte e quatro
horas do sábado? E a prostituta vai viver do que se aceitar o evangelho?
Quando vem pensamentos assim
precisamos lembrar-nos de duas coisas. Primeiro a ação do poder de Deus em
transformar pessoas e segundo, nos enxergamos apenas o exterior mas Deus olha o
profundo do coração.
Conheci um senhor alcoólatra. No
tempo de sua juventude quantas vezes ele passou noites bebendo com o meu pai. O
casamento separou os dois e papai logo se converteu e deixou a bebida. Por
vezes papai pensava no amigo mas não sabia por onde ele andava e nem noticias
tinha dele. No nosso imaginário o senhor Joaquim era um caso perdido.
Numa certa manha de sábado Joaquim
apareceu na igreja. Papai surpreso o convidou para fazer um curso bíblico. Ele
respondeu, você não sabe mas eu já sou batizado. Os dois se abraçaram e choram.
O irmão Joaquim nunca fez um único sermão na igreja. Mas não tinha ninguém
igual a ele para explanar uma lição da Escola Sabatina.
Toda pessoa é valiosa aos olhos de
Deus. Cada um de nós é único. Somos mais valiosos do que os pardais, mais belos
do que os lírios do campo e Aquele que nos criou sabe quantos fios de cabelo
temos na cabeça.
Por mais simples que uma pessoa
pareça ser, por mais pecador que alguém se apresente e por mais complicada que
pareça a vida de um ser humano ela faz parte dos planos de Deus e cabe a nos
compartilhar com essas pessoas o plano da salvação.
Quinta
Jesus nasceu em um mundo cheio de
divisões. E o pior, as principais divisões etnas e de classes sociais surgiram
entre o povo de Deus. Um judeu não desperdiçava um bom dia para um samaritano exceto
Jesus. E o que dizer de gregos e bárbaros denominados gentios? Os judeus não só desprezavam essas pessoas
mas imaginavam que nenhuma delas tinha o direito a salvação. Jesus quebrou esse
paradigma.
Nos dias de Jesus seria difícil
imaginar que os irmãos da igreja primitiva teriam tudo em comum. Congregavam
juntos e participavam das refeições na mesma mesa. Pedro teve uma grande
dificuldade para entender essas questões. Como Ele sendo judeu se contaminaria
visitando o gentio Cornélio.
Não foi fácil para Deus fazê-lo
entender que, para o Céu, não há acepção de pessoas. Para ele foi difícil compreender
a visão do lençol com animais limpos e imundos. Alias, mesmo hoje, muitos
cristãos não a entendem e torcem o seu verdadeiro sentido.
Quando Paulo decidiu anunciar o
evangelho para os gentios foi realmente um escândalo para os judeus. Por outro
lado esse Jesus que aceitava todas as classes de pessoas foi uma loucura para
os gregos. Como pode esse Jesus nos aceitar e ainda prover salvação para todos
nós. Imaginavam eles.
Conclusão
Deus
conta com pessoas comuns como eu e você para concluir a pregação do evangelho.
Temos um hino que diz mais ou menos assim. “ Mas pra mim há de ser meu quinhão
meu prazer ver no Céu almas salvas por mim”. Há alegria no Céu por um pecador
que se arrepende. Jesus não é egoísta. Ele quer que eu e você, pessoas comuns,
participemos desse jubilo celeste.
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