sábado, 29 de novembro de 2014

Chorem e gritem


Comentário da Lição da Escola Sabatina de vinte e nove de novembro a seis de dezembro de dois mil e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga.

 

Introdução

          Tiago traz à lembrança de seus irmãos de igreja a advertência de Cristo relatada em Mateus 6:19: “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam.” Tiago vai mais fundo no assunto. Ele esclarece que em dado momento os ricos chegam a conclusão que as suas riquezas de nada valerão e, embora estejam e suas mãos, se tornam inúteis.

            Há poucos dias participamos de um curso de Como Deixar de Fumar. Um médico palestrante fez menção de um paciente seu. Homem rico e portador de enfisema pulmonar provocado pelo fumo.  Na sua luta para respirar aquele paciente murmurava: “Daria todo o dinheiro que tenho por um pouco de ar.” Sim chega o momento em que as riquezas de nada valerão.

            Muitos no afã de conseguir riquezas vivem como miseráveis e subtraem de seus parentes momentos de alegria e os forçam a uma vida de restrições e penúrias. Conheci o Sr. João Nande. Ele era um próspero fazendeiro. Certa vez um de seus filhos adoeceu gravemente e por mais que os vizinhos insistissem com ele para levar a criança no médico, ele se recusou fazê-lo. Depois do sepultamento do garoto ele se justificou: “As más línguas dizem que o meu filho morreu à mingua. Ninguém entende que eu estava simplesmente poupando para o seu futuro.”

            Meu pai trabalhou alguns anos com um senhor que nunca cumpriu um compromisso financeiro nem com ele e nem com qualquer outra pessoa. Certo dia, depois de uma bronca sem limites o meu pai completou: “O senhor estando com a sua barrida cheia não quer saber se a do vizinho está vazia.” De que vale as riquezas advindas da exploração humana?  O pior de tudo é quando atitudes assim são vistas entre o suposto povo de Deus.

            Parece que Tiago escreveu para um grupo de pessoas que se vangloriavam de serem exímios observadores da lei e que, ao mesmo tempo, depositavam a sua confiança nas riquezas e não cumpriam um dos principais princípios da lei: amor a Deus e ao próximo.

 

Domingo

            O estudo de hoje é uma seria advertência para os ricos do mundo inteiro. Quanta fortuna amontoada por poucos em detrimento da saúde e bem estar de milhões. É fácil condenarmos o mundo pelos desatinos que presenciamos. Enquanto escrevo uma meia dúzia de ações policiais prendem dezenas de pessoas que roubaram os cofres públicos e se afanaram do dinheiro destinado à merenda escolar de crianças que não tem outro meio de saciar a fome. Quantas pessoas gemem nas portarias de hospitais quando o dinheiro para minimizar a dor foi desviado por inescrupulosos.

            Muitos dos que cometeram tais atrocidades estão vendo, das grades das prisões, as suas riquezas se esvaírem em ações judiciais. Mas o que vemos provavelmente é o mínimo de um macro que acontece ao nosso redor. Alguns desses que assim praticaram estão chorando as riquezas que amontoaram para a sua própria ruina.

            Enquanto nos encolerizamos com os desatinos que os ímpios cometem no mundo vem à tona um questionamento. Qual tem sido a conduta de muitos irmãos que detêm grades somas de bens que, embora adquiridos de maneira honesta, estão mofando por ai sem provocar qualquer benefício para o seu semelhante ou para a obra? Qual será a reação destes irmãos quando concluírem que o seu dinheiro de nada valerá mais? Aí será tarde demais e muitos da igreja, que hoje detêm recursos dos quais não fazem uso chegarão a triste conclusão: “As vossas riquezas estão apodrecidas, e as vossas vestes estão comidas de traça” (Tiago 5:2).

            Ao folhear a Bíblia para encontrar o salmo setenta e três, onde Davi externa a sua preocupação com o aparente sucesso dos ímpios, por um equivoco, me fixei no salmo sete. Mas que tal meditarmos um pouco nesse salmo? Os versos três e quatro Senhor meu Deus, se eu fiz isto, se há perversidade em minhas mãos, se paguei com o mal àquele que tinha paz comigo antes, livrei ao que me oprimia sem causa... O Senhor julgará os povos; julga-me, Senhor, conforme a minha justiça, e conforme a integridade que há em mim” (Salmos 7:3-4 e 8).

 

Segunda

            Quando lemos os versos dois e três de Tiago cinco vem a nossa mente a orientação de Jesus: “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam” (Mateus 6:19 e 20). Que sermão para nós que vivemos nos últimos dias!

            Nabal se recusou a mitigar a fome de Davi e de seus servos. Ezequias ao receber a visita dos emissários do rei de Babilônia ao invés de falar das bênçãos do milagre de sua recuperação se deteve em lhes mostrar a sua grande fortuna. E Pedro, ao ser abordado pelo paralítico que esmolava na porta do templo demonstrou ser pobre de bens materiais, mas rico do poder do Espirito Santo.

            Quando me deparo com esse tema me vem à mente o meu pai. Ele foi um próspero produtor de abacaxi no Triangulo Mineiro. Morreu pobre vivendo com um único salário mínimo, mas deixou para trás dezenas de crianças saciadas e abrigadas. Pais que puderam viver mais tempo junto de seus familiares graças às cirurgias que ele pagou. Quantas vezes eu o vi repartir o pão com o faminto! Ele não deixou bens materiais para os seus filhos, mas semelhante a Davi exclamo em gratidão: “...sim, coube-me uma formosa herança” (Salmos 16:6).

 

Terça

            Papai sempre levou a sério esse versículo bíblico: “Não oprimirás o teu próximo, nem o roubarás; a paga do diarista não ficará contigo até pela manhã” (Levítico 19:13). Papai trabalhava para um senhor que nunca efetuou um pagamento na data prevista e sempre ele tinha de lançar mão de dinheiro emprestado para cumprir esse principio bíblico. Certa vez ele foi à cidade para tentar conseguir dinheiro emprestado para pagar os piões. De mãos vazias voltou a pé para casa matutando na situação de, pela primeira vez, os piões não receber na sexta-feira.

            De súbito viu dez cruzeiros em meio à poeira. Mas o que significaria esse dinheiro para quem necessitava de trezentos? No percurso restante de dois quilômetros ele encontrou mais de quatrocentos cruzeiros. Todos os trabalhadores receberam o salário e ainda foi possível fazer uma boa feira. Por mais que ele propagasse a história o dono do dinheiro nunca foi encontrado.

            Ellen G. White faz uma advertência especial para a igreja de hoje. Diz ela: “Pelo que me tem sido mostrado, os observadores do sábado estão-se tornando mais egoístas, ao aumentarem em riquezas. Seu amor por Cristo e Seu povo está decrescendo. Não veem as privações dos necessitados, nem lhes sentem as dores e tristezas. Não compreendem que, ao descurar os pobres e sofredores, negligenciam a Cristo e, ao aliviar-lhes tanto quanto possível as necessidades e padecimentos, servem a Jesus...” (Beneficência Social, p. 39). 

 

 

 

Quarta

            Tiago chama a nossa atenção para um comportamento comum nos dias de hoje. Pessoas que se banqueteiam em detrimento da fome de terceiros. São pessoas egocêntricas que não se preocupam com nada além do seu próprio umbigo.

Essa postura pode ser no campo material e no campo espiritual. No campo material julgamos merecedores de desfrutarmos dos bens materiais adquiridos, às vezes, subjugando o próximo. No campo espiritual estamos realizados porque “não somos como os demais.” Damos a entender que a igreja existe apenas para nós. Ambos os comportamentos demonstram o nosso egoísmo.

Esse acomodamento situacional pode ir ao extremo de semelhante ao Jesurum da Bíblia, vivermos fartos e com um comportamento de rebeldia para com Quem tudo nos concedeu. Esse é o pior sintoma que pode acometer a alguém com “síndrome de barriga cheia”. “E, engordando-se Jesurum, deu coices (engordaste-te, engrossaste-te, e de gordura te cobriste) e deixou a Deus, que o fez, e desprezou a Rocha da sua salvação” (Deuteronômio 32:15).

Essa felicidade aparente é passageira. Todos que agem assim um dia vão se depararem com uma doída realidade apresentada por Jesus. Disse o Mestre: “Mas ai de vós, ricos! porque já tendes a vossa consolação. Ai de vós, os que estais fartos, porque tereis fome. Ai de vós, os que agora rides, porque vos lamentareis e chorareis” (Lucas 6:24-25). Tiago dá a receita para não nos envergonharmos no futuro. Temos que reconhecer as nossas misérias hoje e nos apoderarmos da graça de Cristo enquanto é tempo.  “Senti as vossas misérias, e lamentai e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo em tristeza” (Tiago 4:9).

 

Quinta

            Tiago mostra o extremo onde podemos chegar caso não nos entreguemos a Cristo. Fazer parte do rol de pessoas que clamarão pela morte dos justos. Para pessoas egocêntricas a presença do justo incomoda e a sua extinção parece ser o melhor remédio. “Condenastes e matastes o justo; ele não vos resistiu” (Tiago 5:6).

Mais uma vez é bom lembrar que tanto em Tiago como toda a Bíblia não condena os ricos simplesmente por serem ricos. A condenação se prende a três fatos que normalmente estão associados aos ricos. Primeiro é a origem das riquezas. Muitos as têm usando métodos fraudulentos como pisotear os pobres. Em segundo lugar são ricos que nada fazem para minorar o sofrimento alheio ou mesmo contribuir para a propagação da mensagem de misericórdia e em terceiro é aquele rico que, semelhante ao homem da parábola se ufana dizendo “rico sou e de nada tenho falta”.

Vivemos em um mundo materialista no qual a globalização e o consumismo insistem em dar a última palavra sobre as nossas ações. Como peregrinos que caminhamos rumo ao lar celestial temos a exortação paulina: “Ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente” (Tito 2:12).

 

Conclusão

            Cuidemos do nosso futuro hoje. Os que vivem explorando os mais fracos e depositam a sua confiança nas riquezas irão chorar e gritar, porém será tarde demais.  “E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes” (Mateus 13:42).

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Legislador e Juiz


Comentário da Lição da Escola Sabatina de te e dois a vinte e nove de novembro de dois mil e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

            No momento em que escrevo esse comentário faz parte da mídia nacional a conduta de um juiz que ao ser flagrado dirigindo sem portar a carteira de motorista foi autuado por uma agente de transito que, conforme determina a lei, ordenou que o seu carro fosse recolhido ao depósito do DETRAN. O magistrado reagiu afirmando que o seu carro não poderia ser recolhido por ser ele uma autoridade da lei. O incidente resultou em uma ação na justiça dando ganho de causa ao juiz que deve ser indenizado pela agente em cinco mil reais. Que tal associar essa ocorrência com a pergunta do autor da lição encontrada no primeiro parágrafo do estudo dessa semana? Diz o autor: “Você já reparou que, às vezes, os ricos e famosos agem como se estivessem acima as lei?”

            O fato causou uma grande interrogação e revolta popular. Como pode uma autoridade cuja função se prende a execução da lei, transgredir essa mesma lei e ainda se fazer de vítima? Sem dúvida estamos vivendo nos tempos profetizados por Isaias: “Por isso o direito se tornou atrás, e a justiça se pôs de longe; porque a verdade anda tropeçando pelas ruas, e a equidade não pode entrar” (Isaías 59:14).

            Tiago afirma que não cabe a nós a função de julgar. Por mais que queiramos fazê-lo não temos condições para tal. Certa vez, eu conversava com um colega na rua. Ele dentro do seu carro e eu de fora. Ao me aproximar dele fui surpreendido por um mau cheiro horrível. De inicio imaginei, como pode um enfermeiro usar um carro nessas condições! Voltei o rosto para o lado numa tentativa de amenizar o odor nauseante e, ao fazê-lo, vi um caminhão lotado de carcaças de bois recolhidas dos açougues da região.

            Temos leis falhas porque foram criadas por legisladores humanos e muitas das vezes a aplicabilidade da lei é falha por uma única razão: o juiz também é um ser humano. Davi reconhecia a autoridade de Deus para julgar porque Ele próprio criou as leis que servem de parâmetro para um julgamento escorreito. Afirma o salmista: “Justo és, ó Senhor, e retos são os teus juízos” (Salmos 119:137). Nesse caso a expressão “juízos” se entende por leis.

 

Domingo

            No sentido genérico discernimento é a faculdade de escolher o certo, ter critério ou juízo; ou efeito de se distinguir com raciocínio sobre as coisas. Seria o senso que permite as pessoas a confrontar o certo e o errado, a verdade e a mentira, o melhor e o pior, a experiência pessoal e a crendice, e assim por diante.

            Biblicamente, o discernimento é essencial no processo de tomar decisões sábias. Salomão associa o discernimento à prudência e a falta dele a insanidade mental. “Todo o homem prudente age com discernimento, mas o insensato põe em evidência sua loucura” (Provérbios 13:16).

            O discernimento implica em ter mais malicia do que conhecimento. Porque em dados momentos nem tudo o que sabemos ou conhecemos deve ser propagado. Ainda surge o perigo de eu estar seguro de determinada informação e no final ela ser inverídica. Algumas palavras são primas ou irmãs do discernimento. Entre elas temos cautela, precaução discrição e outras.

            O nosso julgar ou mesmo o falar de terceiros será endossado pela prudência quando agimos com discernimento. Essa é uma atitude sábia que nos poupa incômodo e prejuízos a terceiros. As nossas palavras e ações devem estar pautadas na lei de Deus. Ela nos orienta como deve ser o nosso relacionamento com o próximo. Quando emitimos juízos sobre alguém estamos descartando a orientação que a lei nos esclarece e, automaticamente, nos colocamos à margem das glórias do Céu. A Lei e ao Testemunho! se eles não falarem segundo esta palavra, nunca lhes raiará a alva” (Isaías 8:20).

 

Segunda

            Existe um dizer popular que cada brasileiro é um juiz de futebol. Porém, uma observação mais acurada nos mostra que não é só no futebol que existe essa gama de juízes. Apenas um detalhe: Ao nos colocarmos como um juiz de futebol estamos, automaticamente, julgando o juiz que apitou o jogo.

            Quando julgamos alguém estamos usurpando o lugar de Deus, o único que tem condições plenas de julgar sem cometer equívocos. Deus tem três coisas que faz Dele o único juiz capaz de julgar corretamente. Primeiro, foi Ele que criou a lei ou o padrão de julgamento. Ele é o Legislador por excelência. Ele tomou a forma humana e, como nós, em tudo foi tentado. Em terceiro lugar, “... Ele conhece a nossa estrutura; e sabe que somos pó” (Salmos 103:14).

            João, de uma maneira apoteótica apresenta o nosso Juiz. “E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça” (Apocalipse 19:11). Ele apresenta qualidades difíceis de ser encontradas nos juízes humanos e muito menos em nós leigos. Ele é fiel, verdadeiro e julga e peleja com justiça.

            Ao longo de minha vida já me deparei com situações complicadas que me levam a cogitar como será o julgamento divino. Nesses momentos me vem um pensamento de alívio, ainda bem que eu não sou Deus.

 

Terça

            Toda empresa tem um planejamento pré-estabelecido para garantir o seu sucesso. Faz parte do planejamento a avaliação do planejamento. A avaliação vai trazer luz sobre os resultados alcançados e confrontá-los com as metas delineadas. O planejamento é uma arma importantíssima para uma empresa ou mesmo uma pessoa alcançar os seus objetivos. O planejamento leva um administrador a estabelecer estratégias. As estratégias são as ferramentas escolhidas para alcançar os objetivos propostos.

            O planejamento tem o seu lugar no campo espiritual. Para o cristão convertido o objetivo do seu planejamento é alcançar a estatura de Cristo. Quando o objetivo é esse as ferramentas para alcança-lo diferem do usual no mundo moderno. Em nosso planejamento entra um fator prioritário que é a submissão de nossas expectativas à vontade máxima de Deus. Saímos de nossa autoconfiança e nos submetemos a direção divina.

            Hoje é comum ver pregadores que fazem de Deus um menino de recado. “Eu determino”, dizem eles, que esse ou aquele problema seja resolvido. Essa é uma atitude arbitrária que entra em choque com a maneira de ser que Jesus demostrou quando esteve entre nós.

            Em nosso planejamento a preposição condicional si é de suma importância. Tiago deixa claro que essa conduta se contrapõe com a orientação divina. “Eia agora vós, que dizeis: Hoje, ou amanhã, iremos a tal cidade, e lá passaremos um ano, e contrataremos, e ganharemos” (Tiago 4:13). E ele mesmo completa: “Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece” (Tiago 4:14). Planejar sem submeter o nosso planejamento à direção divina é presunção e um indício forte de sobrepor a nossa vontade a vontade divina. Para os que agem assim pode vir a sentença: “Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Lucas 12:20).

 

Quarta

            A fugacidade da vida é o quinhão de todos nós. Hoje somos alguém, mas amanhã pouca ou nenhuma lembrança existirá de nós. Nesse mundo a neblina é algo instável e volátil. Ao mesmo tempo em que ela ornamenta os vales e os picos das montanhas sem que menos se espere, ela é diluída pelo Sol e não mais a vemos.

            Tiago nos compara a neblina que por um momento se apresenta com a sua beleza, mas logo se dilui e se esvai como a água no ralo de uma pia. O interessante é que a neblina não deixa vestígios nem ao menos pegadas.

            Certa vez eu me encontrava em um posto de gasolina na beira de uma estrada. Enquanto eu tomava um lanche chegou um caminhão com três pessoas na cabine. Dois mais jovens e um senhor idoso. O ambiente entre eles era de completa alegria. Em poucos minutos eles entraram no caminhão e foram embora. Não andaram vinte metros e manobraram o caminhão de volta. Ao estacionar novamente no posto aquele senhor já estava morto e semelhante à neblina se foi. Para que tanto orgulho, para que tanta pose, para que tanta exaltação própria se vai todos para o mesmo lugar?

            Essa transitoriedade da vida deve ser um alerta para nós. Não sabemos o dia de amanhã. Quando eu era adolescente existia uma música que era tocada com frequência nas eletrolas da minha cidade. O refrão dizia: “Tudo passa tudo passa, nada fica nada fica.” Comparando com a perpetuidade das montanhas, dos rios e dos mares realmente nós somos como a neblina que passa.

 

Quinta

            Em Mateus 5:16 Jesus nos adverte: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mateus 5:16). “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado” (Tiago 4:17). Jesus espera que o mundo veja as nossas boas obras. Essas boas obras apresentadas no cálice do amor levarão as pessoas a conhecer o nosso Deus e, em resultado vão glorifica-Lo.

            Tiago faz uma seria advertência: “Aquele que sabe fazer o bem e não o faz comete pecado.” Fazer o bem é externar o amor em ações em favor do próximo. Quando isso deixa de acontecer na vida de um cristão temos ai o grave pecado da omissão. É um pecado grave por dois motivos. Primeiro porque deixo de exteriorizar aquilo que Deus fez por mim: amor. E em segundo lugar essa atitude representa um comportamento egoísta.

            Quem aceita a mensagem de salvação não tem como não saber amar, pois a mensagem de salvação nada mais é do que a expressão máxima do amor de Deus por nós. Deus fez o bem para nós nos salvando da morte e, se com tal testemunho, recusamos a fazer o bem não há mais o que de bom esperar de nós. Paulo afirma: “Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas certa expectação horrível de juízo, e ardor de fogo, que há de devorar os adversários” (Hebreus 10:26-27).

 

Conclusão

            O nosso verso áureo esclarece: Existe apenas um Legislador e Juiz. Não cabe a nós pecadores ocupar esse lugar. Existe apenas UM e não dois ou mais.

sábado, 15 de novembro de 2014

A humildade da sabedoria celestial

Comentário da Lição da Escola Sabatina de quinze a vinte e dois de novembro de dois mil e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            Tiago apresenta oito qualidades presentes na vida daqueles que aceitam a sabedoria que vem do alto. Ele afirma que a sabedoria que emana de Deus mexe em sete aspectos de nossa vida. Sabemos que o número sete indica perfeição e podemos imaginar que um homem perfeito é a soma desses sete atributos escassos no mundo de hoje, mesmo entre os membros da igreja.
Tiago enumera as características daqueles que se propõem em aceitar a sabedoria oferecida por Deus. Trata-se de uma pessoa pura de coração. Apenas Jesus pode mudar os trapos de imundice do nosso caráter e nos revestir de pureza. Em segundo lugar uma pessoa que aceita a sabedoria do Céu promove a paz e esse promover a paz não é promover a guerra pela paz e sim desenvolver a paz com a paz e pela paz. Hoje temos dois tipos de pessoa pacífica. A primeira é aquela pessoa que está preocupada em promover a paz e, nesse afã, se acomoda diante de coisas erradas simplesmente para não contrariar alguém essa é uma atitude antagônica aos princípios de Deus. O outro tipo de pessoa pacífica é aquele que diante de coisas erradas é capaz de desenvolver tato para mostra o caminho correto a seguir. Essa é uma atitude impossível de ser desenvolvida sem que Deus esteja dirigindo a nossa vida.
O terceiro aspecto desenvolvido por um adepto da sabedoria Divina é a prática do amor em sua vida. Uma pessoa amorável é aquela que demonstra amor em ações. Tiago afirma que uma pessoa sábia é compreensiva. Ser compreensivo significa tolerar, entender, aceitar ou compreender as razões de alguém mediante uma situação que deveria ter outro desfecho.    Jesus afirmou: “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia” (Mateus 5:7). Mas o que é ser misericordioso? Alguém afirmou: “É alguém que sente piedade ou compaixão por aqueles que sofrem e tentam ajudá-los.” É o que Jesus fez e faz por nós. Tiago mostra como penúltima característica dos que aceitam a sabedoria de Deus é a sua imparcialidade no trato para com as pessoas. Isso significa dispensar tratamento igualitário para todos independente de cor, classe social, raça ou poder financeiro. Por último ele apresenta a sinceridade como um dos resultados da sabedoria que vem de Deus. Ser sincero é viver sem máscara. É ser a mesma coisa quando estamos de frente ou quando estamos longe das pessoas.
Mas a principal característica de quem pratica a sabedoria celestial é a humildade. É ter a humildade de despir se todo o conhecimento humano e se abeberar da verdadeira fonte.

Domingo
            Parece que Tiago está advertindo os que se diziam sábios e inteligentes para demonstrar essa sabedoria em ações de humildade. Quando uma pessoa demonstra a sua sabedoria no invólucro da humildade e da mansidão ela nunca se sobrepõe às demais.
            Alguém escreveu: “Eu resumo a mansidão em a total ou mínima falta de orgulho e graciosa humildade. Um estagio ainda desconhecido de qualquer humano na terra ...” Podemos afirmar que mansidão, conforme o princípio, bíblico vai além disso.  Quem tem a sabedoria do Céu não vai se orgulhar nem mesmo um mínimo que seja e podemos ter a certeza de que, graças a Deus, existem pessoas com essa sabedoria e que jamais se demonstraram jactanciosas por isso.
            Não é fácil associar mansidão com sabedoria. Geralmente o sábio deseja arvorar o seu conhecimento em detrimento dos demais. Na minha juventude conheci um jovem que, naquela época, havia cursado várias faculdades, inclusive a de teologia. Ele era bastante preparado e pregava sermões envolventes e sofisticados. Em sua conversação entre amigos deixava claro o seu ar de superioridade. Aquele jovem fracassou no ministério e na vida espiritual. Enveredou pelo caminho da bebida e todo o seu saber foi parar na lata de lixo. Não sei, se nos últimos momentos de sua vida, houve reconciliação com Deus. Na experiência daquele jovem deu pra ver claramente o princípio bíblico: “Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado” (Lucas 18:14).
            A orientação de Tiago foi dirigida não apenas aos lideres da igreja, mas sim, a toda a igreja. Todos nós corremos o mesmo perigo. Unicamente escudados por Cristo seremos vitoriosos no uso da sabedoria com a qual Deus nos agraciou.

Segunda
            A sabedoria humana cheira mal. Somos propensos à exaltação própria e a nos endeusar. A sabedoria que vem de baixo não enaltece as pessoas. As pessoas que a consegue são semelhantes a balões inflados. São cheias, belas e atraentes, mas qualquer alfinetada que a vida lhe der perdem o brilho se murcham e, a sua beleza se esvai para a lata de lixo. Essas pessoas vivem momentos esplendorosos, porém voláteis. Tiago é enfático: “Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica” (Tiago 3:15)
            A sabedoria que vem de Deus é diferente. Ela enaltece Quem a concedeu e não quem a recebeu. Tiago esclarece: “Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia” (Tiago 3:17-18).
            Jesus afirma que o novo nascimento para obtermos a sabedoria que vem do alto. Paulo declara que o cristão pensa nas coisas que vem do alto.
            Hoje existe uma tendência para valorizar o vulgar e efêmero e, como filhos de Deus, devemos mostrar para o mundo a nossa real paternidade.

Terça
            Quando somos levados a pedir sabedoria, como fez o rei Salomão estamos reconhecendo a nossa real necessidade. Esse humilhar é colocar de lado a nossa sabedoria humana para alcançar a sabedoria divina.
Para que os nossos pedidos a Deus sejam aceitáveis temos de fazê-los depois de solicitarmos de Deus o mais importante: A Sua sabedoria. De posse dela saberemos pedir com prudência. Nada será solicitado para alimentar o nosso ego. Nessas condições Deus ouve o clamor do solicitante. As igrejas estão cheias de pessoas que estão pedindo mal. Tiago esclarece: “Cobiçais, e nada tendes; matais, e sois invejosos, e nada podeis alcançar; combateis e guerreais, e nada tendes, porque não pedis. Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites” (Tiago 4:2-3).
Saber pedir é uma característica de todo aquele que nasceu de novo. Ele faz do pedir a Deus uma arte. Certo jovem trabalhava em um palácio. O rei simpatizou pela sua maneira de ser e, em dado momento, ofereceu para o rapaz o que ele pedisse e acrescentou: “Até metade do reino.” O jovem pediu a filha do rei em casamento. Como genro um dia ele seria o dono de tudo.

Quarta
            A história do povo de Deus sempre foi marcada por uma forte tendência de amor ás coisas do mundo. Na interpretação do autor, a Bíblia fala com razão das fraquezas da igreja e mostra a insatisfação de Deus com essa atitude.  Isaias fala que mesmo com essa tendência para o mal somos considerados a esposa de Deus, e que, mesmo com recalcitrantes traições Ele não Se esquece de nós.
            A verdadeira sabedoria nos orienta a quem devemos amar e ter como primordial em nossa vida. As coisas do mundo passam e se amarmos o mundo passaremos com ele. Temos que pensar nas coisas lá de cima para que um dia possamos estar lá em cima também. A amizade com o mundo significa inimizade com Deus. Paulo esclarece: “Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser” (Romanos 8:7)
            Temos necessidade de manter um relacionamento diário e íntimo com Deus. Sem essa aproximação diária com Ele estamos fadados ao fracasso. Satanás está se empenhando ao máximo para nos envolver com o mundo. Ele não espera uma amizade declarada de uma vez. A sua estratégia é nos envolver aos poucos. Temos que estar vigilantes.

Quinta
            Tiago faz uma dura repreensão aos filhos de Deus que persiste com seus flertes dom o mundo. Ele qualifica as pessoas que se comportam assim como alguém de duplo animo. Diz ele: “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Alimpai as mãos, pecadores; e, vós de duplo ânimo (itálico nosso), purificai os corações” (Tiago 4:8).
            Não podemos servir a Deus e a Mamom ao mesmo tempo. Deus é ciumento e exige dedicação exclusiva e, graças porque Ele é assim. É esse amor ou esse “ciúme” que O leva a nos buscar com insistente perseverança. Sábio é aquele que reconhece a sua necessidade de se submeter a esse amor infinito. Aquele que é sábio vai optar por estar sempre em união com Cristo.
A verdadeira sabedoria nos exalta. Pedro nos aconselha: “Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte” (1 Pedro 5:6). Salomão descobriu cedo a importância da verdadeira sabedoria. “A sabedoria é a coisa principal; adquire pois a sabedoria, emprega tudo o que possuis na aquisição de entendimento. Exalta-a, e ela te exaltará; e, abraçando-a tu, ela te honrará” (Provérbios 4:7-8).

Conclusão

Tiago nos adverte para uma mudança de vida e a um rompimento brusco com o mundo. Diz ele: “Senti as vossas misérias, e lamentai e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo em tristeza” (Tiago 4:9. Agindo assim expressamos o nosso desejo de romper com a sabedoria do mundo e, com humildade, se apropriar da sabedoria celestial. Isso é reavivamento e reforma. Essa é a nossa maior necessidade nos dias de hoje.


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Pensamento

A língua é semelhante a uma cobra venenosa. Vive escondida mas quando desfere o bote pode ser fatal - Carmo

Domando a língua


Comentário da Lição da Escola Sabatina de oito a quinze de novembro de dois mil e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga.

 

Introdução

            Na maioria das vezes em que tropeçamos no falar terminamos por atropelar alguém. Quando tropeçamos e caímos sozinhos ainda vala. O pior é quando tropeçamos no falar e, ao invés de cairmos terminamos por derrubar pessoas ao nosso redor. Tiago não poupa a sua língua em nos descascar. Ele é enfático, radical e preciso. Ele considera perfeito aquele que consegue domar a língua e ai, eu concluo: pensando em seu conceito estou longe de ser perfeito. Às vezes quero proferir um punhado de palavras e quando vejo produzi uma grande trovoada. Victor Hugo já dizia: “As palavras têm a leveza do vento e a força da tempestade.” Que tal sermos senhores de nossa língua, para não sermos escravos de nossas palavras. Essa não é uma tarefa fácil.

Dizem por ai que o peixe morre pela boca, mas o homem às vezes morre por causa do que ele tem dentro da boca. A língua mata amizades e expulsa a felicidade.

Os problemas com a língua não são restritos apenas na nossa maneira de falar, se aplicam também ao que omitimos de falar quando é necessário falar. Ezequiel apresenta uma mensagem forte. Diz ele: “Quan­do eu disser a um ímpio que ele vai morrer e você não o advertir nem lhe falar para dissuadi-lo dos seus maus caminhos e salvar a vida dele, aque­le ímpio mor­rerá por sua iniquidade; para mim, porém, você será responsável pela morte dele” (Ezequiel 3:18). Esse é o grave pecado da omissão.

Outro pecado susceptível, principalmente, às pessoas dotadas de boa oratória é o da vanglória. É usar o púlpito para a projeção do eu. Conheci o padre Antônio. Ele era um exímio professor de português. De vez em quando ele desaparecia da sala de aulas por até trinta dias. Certa vez o encontrei alcoolizado em uma das praças de nossa cidade. Com voz pastosa ele me disse: “O meu fracasso foi que me vangloriei de muitas glórias.” E continuou: “Eu sempre foi um bom orador e era o escolhido para falar em festas de aniversários ou casamentos. Eu me julgava o cara. Nas festas eu aprendi a beber e, hoje me retiro para o mato onde permaneço ao relento bebendo por semanas. Tenho vergonha de beber diante de meus alunos.” Cambaleante ele desapareceu na escuridão da noite.

Geralmente o verbo domar é aplicado quando propomos domesticar um animal arredio. E quando se trata de um animal selvagem, poucas pessoas se atrevem a adestrá-lo. Em alguns casos é mais difícil domar um animal selvagem do que domar a língua. Jesus nos deixou uma seria advertência: "Porque pelas tuas palavras serás justificado, e pelas tuas palavras serás condenado." (Mateus 12:37).

 

Domingo

            Tiago chama a nossa atenção para a responsabilidade que temos no ensinar. Na tradução católica desse texto a mensagem é apresentada de maneira mais enfática. Diz o texto: “Meus irmãos, não haja muitos entre vós a se arvorar em mestres; sabeis que seremos julgados mais severamente” (Tiago 3:1- Versão Católica). Com frequência vemos alguns irmãos sedentos para usar o púlpito. A expressão “arvorar” dá a ideia de alguém despreparado e que se oferece para transmitir a mensagem e, sempre que o fazem, deixam a desejar. Muitos deles não imaginam a responsabilidade que isso implica.

            Têm outros que se arvoram como pregadores tendo objetivos escusos. Deturpam o texto bíblico no afã de conseguir o máximo de dinheiro e ajunta de maneira inescrupulosa grandes fortunas.

            O ensinar não está afeto apenas a quem usa o púlpito. No nosso testemunho diário estamos sempre transmitindo algum conhecimento que pode ser positivo ou negativo. A responsabilidade atinge a cada crente em sua esfera de ação.

            Um ponto importante que não pode ser esquecido é o fato de algum pregador que conhece a mensagem, apresentá-la de maneira superficial no intuito de simplesmente ser agradável aos seus ouvintes.

            Em qualquer lugar que estejamos e em qualquer situação as nossas palavras devem sempre ser temperadas com sal. Paulo nos adverte: “O seu falar seja sempre agradável e temperado com sal, para que saibam como responder a cada um” (Colossenses 4:6).  

 

Segunda

             E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos” (Deuteronômio 6:6-7). Sempre gosto de associar este texto com Provérbios 22:6 onde lemos: “Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele.” Esses versos mostram de maneira clara o poder que as palavras dos pais exercem sobre os filhos. E podemos acrescentar um adendo: O poder destas palavras terá uma maior magnitude quando pronunciadas com amor e acompanhadas pelo testemunho.

            Jesus é o nosso exemplo máximo em tudo e não é diferente quando atentamos para a Sua maneira de falar. Mas um detalhe me chama a atenção. As pessoas se maravilhavam com as palavras de Jesus não só pela força que elas exerciam em Seus ouvintes, mas, principalmente, pela origem humilde do Mestre: Ele era filho de um carpinteiro de pouca cultura. Esse texto nos ensina duas coisas: Primeiro independente de qual seja a nossa origem as nossas palavras podem ser poderosas. E em segundo lugar, por mais humildes que tenham sido os pais de alguém eles podem passar para os seus filhos princípios que vão deixar extasiadas às pessoas com quem eles se relacionarem no futuro. “Todos falavam bem dele e estavam admirados com as palavras de graça que saíam de seus lábios. Mas perguntavam: "Não é este o filho de José?" (Lucas 4:22).

“Se você confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo” (Romanos 10:9).

 

Terça

            Costumo dizer que são os pormenores que tornam as coisas maiores. Esse pensamento é mais verdade quando se trata de palavras. Um pequeno comentário pode causar um grande desastre. Enquanto a língua está escondida dentro da boca é uma beleza, mas quando ela se mostra é que está o perigo. Trabalhei muitos anos cultivando abacaxis. Quantas vezes, ao capinar a plantação, me deparei com cascavéis escondidos em meio às moitas de mato prontos para dar o bote.

            Na minha juventude por várias vezes tive que participar de mutirões para apagar incêndios em nossa propriedade e nas dos vizinhos. As causas eram quase sempre as mesmas. Alguém decidiu queimar uma pequena porção de lixo no quintal e inesperadamente o fogo ficou fora de controle. Mas o pior de tudo é que depois de um exaustivo esforço e quando todos se preparavam para voltar para as suas casas um foco surgia do nada e recomeçava a agonia de novo. Pequenas fagulhas eram levadas pelo vento ou mesmo brisa e as chamas se alastravam de novo. Com o que falamos acontece a mesma coisa. Quando imaginamos que o desastre foi corrigido, tudo pode recomeçar e os danos são incalculáveis. Tiago dá o alerta: “Vejam como um grande bosque é incendiado por uma simples fagulha” (Tiago 3:5).

Temos de estar vigilantes e prontos para manter a calma em situações adversas. Os discípulos não esperavam que alguém fosse capaz de recusar hospedar Jesus por apenas uma noite e a primeira reação foi de ira. “Que desça fogo do Céu e destrua a todos” bradaram eles. Jesus mostrou que as coisas não funcionam assim.

 

Quarta

            Tiago esclarece que o homem consegue dominar todos os animais da Terra. Aliás, essa foi a ordem de Deus no final da criação: “Então disse Deus: "Façamos o homem à nossa imagem, con­for­me a nossa semelhança. Domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os grandes animais de toda a terra e sobre todos os pequenos animais ­que se movem rente ao chão” (Gênesis 1:26).

            Com autoridade para sujeitar os grandes animais da Terra o homem tem dificuldade para dominar um pequeno órgão de seu corpo, a sua própria língua. Tiago afirma que a língua não domada contamina todo o corpo. Esse contaminar todo o corpo tem muito a ver com o nosso testemunho. Podemos usar de caridade para com as pessoas, podemos ser âncoras na igreja, podemos ser exímios dizimistas e exemplares guardadores do sábado, mas se não conseguimos domar a língua todas as nossas boas ações são contaminadas e a nossa vida espiritual se dilui.

            Tiago parece que vai ao extremo ao dizer que ninguém consegue domar a língua. Diz ele: “A língua, porém, ninguém consegue domar. É um mal incontrolável, cheio de veneno mortífero” (Tiago 3:8). O que Tiago apresenta é de desanimar qualquer cristão. Sabemos que por forças humanas esse domínio é realmente impossível. Temos que nos apegar a Jesus. Aquele que fez a nossa língua é o único capaz de nos proporcionar esse domínio. Paulo encontrou a solução para todas as suas limitações. Disse ele: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4:13). 

 

Quinta

            Tiago apresenta o descompasso de alguém que não consegue dominar a língua. Caso da mesma boca saia bênçãos e maldições alguma coisa errada está acontecendo. Essa é uma demonstração clara de que essa pessoa não está ligada à Videira.  Quem está ligado à Videira verdadeira só pode produzir uvas e uvas de primeira qualidade.

            O autor da lição chama a nossa atenção para comportamentos que nos levam a nos separar de Cristo e consequentemente nos induz a produzir uvas azedas. Muitos alimentam a alma durante a semana com o baixo palavreado dos meios de comunicação ou se deixam levar pelo que se ouve nas ruas e no trabalho. Temos que, com a ajuda de Cristo, nos afastar da poluição linguística dos dias de hoje.

            Voltamos ao pensamento de Tiago: “Se alguém não tropeça no falar, tal homem é perfeito, sendo também capaz de dominar todo o seu corpo” (Tiago 3:2).

 

Conclusão

            Devemos contemplar a Jesus como modelo perfeito; devemos solicitar o auxílio do Espírito Santo, e em Seu poder procurar adestrar todos os órgãos para um trabalho perfeito” (Parábolas de Jesus, pág. 336).            

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Fé atuante


Comentário da Lição da Escola Sabatina de primeiro a oito de novembro de 2014, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga DF.

 

Introdução

            A nota introdutória do estudo da Lição apresenta uma história triste e chocante. Ela fala de um médico que era tido como exemplo de cristianismo prático e que foi encontrado morto em seu apartamento, vítima se overdose. Tratava-se de um membro de igreja atuante, porém se assemelhava aos sepulcros caiados mencionados por Cristo em São Mateus 23:27.

            Tiago não queria ver essa pratica ser repetida entre os judeus que se converteram a Jesus e aceitaram o cristianismo como um novo caminho. O rompimento com essas práticas antigas tinha muito a ver com a nova vida cristã que desabrochava. Tiago esperava da Igreja que nascia, frutos dignos de arrependimento e, uma vida fantasiosa estava longe da imagem que ele esperava ver nos novos conversos.

            Creio que a mensagem da Lição dessa semana tem muito a ver com a nossa vida espiritual. Nesse mundo corrupto e regido pelas aparências existe o perigo de a nossa vida espiritual exterior não ser um puro reflexo da vida interior. O cristianismo interior deve falar mais alto e deve ser realmente cristocêntrico.  Isso significa uma fé atuante em todas as facetas de nossa vida, em todas as situações e circunstancias.

            O nosso cristianismo dentro as igreja não deve ser diferente do praticado em nosso relacionamento no lar, no trabalho e nem mesmo quando estamos a sós dentro de quatro paredes. Qualquer descompasso nesse paralelo nos identifica como hipócritas. Tiago não queria ver a prática das fantasias tão comuns entre os judeus de seu tempo.

 

Domingo

            O estudo de domingo discute o contraste de uma fé atuante e aborda uma fé morta desprovida de qualquer ação que qualifique o seu possuidor. Mas se a fé está morta é porque aquele que deveria detê-la morreu primeiro.

            Uma lida rápida de Tiago 2:14 dá a entender que a salvação é pelas obras, quando ele afirma: “De que adianta, meus irmãos, alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Acaso a fé pode salvá-lo?” Tiago não está dizendo que as obras salvam o que ele deixa claro é que se alguém exerce fé isso vai se refletir em obras. Veja os versos seguintes nos quais ele esclarece que se afirmamos termos fé, mas ignoramos as necessidades do próximo isso não é fé. A fé se desdobra em ações em favor dos necessitados.

            No verso dezessete ele esclarece qualquer dúvida. Diz ele: “Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta.” Não tem como uma pessoa realmente convertida não produzir frutos dignos de arrependimento. Caso uma pessoa que se diz convertida permaneça em apatia espiritual, realmente ela está enganando a si própria.

            Realmente as obras não salvam, mas mostram que fomos salvos. “Pois sustentamos que o homem é justificado pela fé, independente da obediência à Lei” (Romanos 3:27,28). Em Efésios 2:8 e 9 Paulo esclarece porque não somos salvos pelas obras. Diz ele: “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie.

 

 

Segunda

            “Mas alguém dirá: "Você tem fé; eu tenho obras". Mostre-me a sua fé sem obras, e eu mostrarei a minha fé pelas obras” (Tiago 2:18). Aqui Tiago chama a atenção não para as obras da carne e, sim, para as obras da fé. Para ele não tem como alguém provar a sua fé sem as obras oriundas dessa fé.

            Paulo afirma que antes de praticarmos as obras da fé Deus nos preparou para isso: “Deus preparou antes” afirma Ele. Sem esse preparo que a graça nos concede somos impedidos de produzir bons frutos porque o nosso corpo ainda está mergulhado na natureza carnal. Após a conversão as coisas mudam: “...vocês têm demonstrado: o trabalho que resulta da fé, o esforço motivado pelo amor e a perseverança proveniente da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Tessalonicenses 1:3).

            Tito nos mostra o segredo para praticarmos boas obras. Diz ele: “Ele se entregou por nós a fim de nos remir de toda a maldade e purificar para si mesmo um povo particularmente seu, dedicado à prática de boas obras” (Tito 2:14). Jesus em nós é o segredo. Como Cristo em nós? Paulo afirma que é um mistério. “A ele quis Deus dar a conhecer entre os gentios a gloriosa riqueza deste mistério, que é Cristo em vocês, a esperança da glória” (Colossenses 1:27).

 

Terça

Paulo afirma: “Não usamos de engano e nem torcemos a Palavra se Deus.” É o que mais vemos hoje. A Bíblia é torcida para se adaptar aos gostos e interesses escusos de muitos pregadores. Não há nenhum interesse em aprender e apresentar a verdade que emana da Palavra. E o pior de tudo é que muitos pregadores aliam esse desconhecimento da Palavra a uma avalanche de milagres como frutos de uma fé operante.

Satanás não apenas sabe que Deus existe como sabe também ser Ele justo e que um dia eliminará do mundo o pecado e a sua raiz. Diante dessa verdade tão clara na Bíblia o inimigo treme porque reconhece que os seus caminhos são de impiedade. Satanás sabe o que é correto, mas não associa esse conhecimento da prática e, em sua insana tarefa, induz a humanidade a uma vida de rebeldia contra Deus.

Estamos vivendo tempos difíceis. Na semana em que escrevo esse comentário o papa Francisco vem a publico externar o seu apoio a diabólica teoria do Big Bem. Pessoas que em seus cultos enaltecem a Bíblia, ignoram a página da criação dando lugar a uma teoria blasfêmica e ante Deus. Como pode ter a Bíblia nas mãos e aceitar uma heresia deste tamanho. Para aceitar essa teoria é necessária uma fé maior do que a que se exige para aceitar o relato Bíblico. Essa é realmente uma fé demoníaca.

Os escritores da Bíblia apresentam a necessidade de conhecermos a verdade que a Bíblia apresenta. “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (São João 8:32). A Bíblia não só nos apresenta a verdade como nos adverte da necessidade de viver essa verdade no nosso dia a dia. Esse viver diário, pautando a nossa vida com a verdade bíblica é que vai diferenciar a fé que praticamos daquela fé aterrorizante exercida pelos demônios.

 

Quarta

            Ao falar de uma fé operante Paulo toma como exemplo a experiência de Abraão no monte Moriá. E, diga-se de passagem, esse é um relato que esclarece bem o que são as obras da fé. Caso Abraão não tivesse fé que Deus poderia ressuscitar Isaque, caso ele fosse ofertado sobre o altar e, com certeza, Abraão teria recuado. A sua fé o levou a produziu as obras.

            Duas coisas levaram Abraão a se expor ao sacrifício máximo. Primeiro foi seu amor a Deus. Ele era amigo de Deus e o que um amigo não é capaz de fazer por outro amigo? Esse amor a Deus desenvolveu a sua fé. Tanto o amor como a fé foram desenvolvidos graças ao relacionamento. Sem um relacionamento íntimo com Deus o nosso amor a Ele não desenvolve e a nossa fé não evolui.

             A justificação esta centrada na fé. Uma fé que opera obras dignas de arrependimento. Essa é a fé apresentada por Abraão. Ele foi justificado pela fé que produziu as obras. A sua fé lhe proporcionou a força necessária para ir às últimas consequências. “Se de fato Abraão foi justificado pelas obras, ele tem do que se gloriar, mas não diante de Deus” (Romanos 4:2).

 

Quinta

            Raabe era uma mulher que vivia longe dos padrões éticos daquele tempo e de hoje. Aparentemente ela estaria excluída do convívio da igreja. Provavelmente ela foi uma das melhores pessoas encontradas por Deus em Jericó.

            Raabe conhecia a história do povo de Israel e mais do que conhecer a história do povo de Israel ela conhecia o Deus de Israel. Imagino que ela desejava ser uma israelita para desfrutar das bênçãos outorgadas a esse povo.

            Raabe era uma mulher excluída de sua sociedade e sabia muito bem o que é ser alguém à margem do caminho. Ela sabia que ser uma israelita era estar sob o guarda chuva de um Deus poderoso que não faz acepção de pessoas. O seu encontro com os mensageiros de Josué lhe abriu a esperança de pertencer a esse povo mesmo que fosse por adoção.

            Ela aceitou a sugestão de colocar um fio vermelho em sua casa na certeza de que no afã da guerra ela não seria esquecida. Isso é a fé que opera. A orientação partiu de um suposto inimigo de morte, mas ela exerceu fé. Ela creu que em meio ao sonido das trombetas, o desmoronarem das muralhas e a cortina de poeira provocada pela destruição, o seu nome seria lembrado por um pequeno pedaço de cordão vermelho que tremulava em meio ao caos total.

            Ela era uma adultera? Sim! Era uma mentirosa? Sim! Mas apesar de tudo isso foi alguém que desenvolveu uma fé que a transportou do mar de lama da promiscuidade para a galeria dos heróis da fé e mais do que isso, foi uma das cinco mulheres mencionadas na genealogia de Cristo. “Salmom gerou Boaz, cuja mãe foi Raabe; Boaz gerou Obede, cuja mãe foi Rute; Obede gerou Jessé” (Mateus 1:5) e “Pela fé a prostituta Raabe, por ter acolhido os espiões, não foi morta com os que haviam sido desobedientes” (Hebreus 11:31).

 

Conclusão

            A fé que opera é aquela que mesmo mediante fracassos e quedas se apega aos méritos de Cristo para se levantar e continuar a caminhada em retidão. Qual teria sido o final da história de Abraão, Raabe, Davi e tantos heróis da fé caso eles não tivessem exercido inteireza de fé nos méritos de Cristo? A fé atuante é a fé exercitada, provada e que, revestida de humildade, se apoia diariamente nos braços de Jesus.