domingo, 22 de junho de 2014

O reino de Cristo e a lei


Comentário da Lição da Escola Sabatina de vinte e um a vinte e oito de junho de dois mil e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma Meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

            Rapidamente chegamos ao final do segundo trimestre de 2014. Creio que todo o membro da igreja que levou a sério o estudo sobre Cristo e Sua lei teve o privilégio de aprender um pouco mais durante esse trimestre. 

            Nessa última Lição veremos que o reino de Cristo tem uma constituição que representa o caráter amorável de Deus. Ela protege o homem e ao mesmo tempo estabelece os parâmetros para uma vida em harmonia com a eternidade. O reino de Cristo constitui o sonho de todo aquele que O aceitou como Salvador nessa vida.

            O nosso viver aqui na Terra é marcado pelo conflito entre o bem e o mal. Sabemos o que é correto, mas é difícil satisfazer a vontade de Deus em detrimento dos desejos da carne. Porém, quando, pela graça, experimentarmos a realidade de um novo céu e de uma nova terra; após a transformação de que fala Paulo 1 Coríntios 15:52 (Num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados) então a nossa vida será um eterno tributo de glória a Aquele que nos salvou. Os desejos da carne não terão mais lugar em nossa vida e fazer a vontade de Deus fará parte da essência de nosso ser. Aí, então, experimentaremos em toda a sua plenitude a experiência de Davi: “Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração” (Salmos 40:8).

            Imagino quando Paulo estiver no lar eterno e não experimentar mais as agruras da luta que ele vivenciou quando em desespero desabafou: “Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7:23-24). Esse será o melhor resultado da transformação prometida a cada um de nós.

            Posso imaginar como será ser protagonista do fim do conflito cósmico e presenciar o final da luta entre o mal e o bem! Será um momento ímpar “Quando eu chegar ao lar de glória quanta emoção e prazer sentirei” lá vou ouvir Jesus dizer que “o mal já passou e salvo estou”.  

 

Domingo

            O sonho de Deus ao criar o homem era que ele exercesse o domínio sobre o planeta Terra. Diz o texto bíblico: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra” (Gênesis 1:26).

Ao ser vencido por Satanás o homem, como qualquer perdedor, cedeu esse domínio a Satanás. Mas o sonho de Deus não acabou. Faz parte do plano da redenção restaurar ao homem o primeiro domínio. “O Filho de Deus redimiu a falta e a queda do homem; e agora, pela obra da expiação, Adão é reintegrado em seu primeiro domínio”... “Tudo que foi perdido pelo primeiro Adão será restaurado pelo segundo. Diz o profeta: “A ti, ó Torre do rebanho, monte da filha de Sião, a ti virá; sim, a ti virá o primeiro domínio” Miquéias 4:8 – (O Lar Adventista, p. 540).

No monte da Tentação Satanás provocou um dos maiores insultos a Jesus. Disse o inimigo: “E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória; porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero. Portanto, se tu me adorares, tudo será teu” (Lucas 4:5-7).

Creio que essas palavras de Satanás reforçaram a decisão de Cristo de morrer pelo pecador e restaurar o domínio perdido em resultado do confronto com a lei divina. Satanás tem um duplo domínio. Ele é o deus desse século e também e também o deus desse mundo. Um dia a sua autoridade será extinta e Deus resgatará para nós o primeiro domínio.

Todo poder humano é transitório como transitório é o poder de Satanás. Se for transitório um dia será extinto. “Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado; mas aquele que me entregou a ti maior pecado tem” (João 19:11). Deus é a fonte do poder que perdura. Tudo o que não está firmado Nele é transitório.

 

Segunda

            Estamos vivendo o frenesi da copa do mundo de futebol. O curioso desse momento é que tem alguns jogadores que embora tenham nascido no Brasil se naturalizaram como filhos de outro país. Eles deixam de lado o amor a sua pátria de origem e passam a lutar freneticamente em favor de outro país. É estranho ver alguém que nasceu em nosso país chutando contra o nosso patrimônio. O interessante disso é que alguns dos familiares desses jogadores foram entrevistados e ao serem interrogados por qual país torceriam se manifestaram indecisos.

            Os cidadãos do reino de Deus têm que ter cidadania exclusiva. Não dá para amar a um e odiar o outro. Disse Jesus: “Nenhum servo pode servir dois senhores; porque, ou há de odiar um e amar o outro, ou se há de chegar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom” (Lucas 16:13).

            Todos os seres humanos nascem como cidadãos desse mundo e escravos de Satanás. Jesus garantiu na cruz a possibilidade de recusarmos essa cidadania e de nos tornarem cidadãos do reino eterno. Essa é realmente uma troca de cidadania que compensa. Cabe a cada um de nós escolhermos. Ficar em cima do muro é permanecer como cidadãos desse mundo tenebroso condenado à destruição. Cuidado o muro, ele pertence ao inimigo. “Não podeis servir a Deus e a Mamom.”

 

Terça

            Tenho um irmão, exadventista, que acredita piamente que cada pessoa promove pessoalmente a sua própria salvação. Segundo ele tudo que acontece em nossa vida foi uma escolha que fizemos ao terminar a nossa existência anterior. Segundo o que ele acredita somos resultado de várias reencarnações. Para ele todo o ser humano ao morrer recebe sugestões de como deve ser a sua nova vida para pagar os pecados acometidos anteriormente. E para se livrar mais rápido dos pecados e experimentar um nível de vida superior, algumas pessoas ao morrerem escolhem pagar uma quantidade grande de pecados e se sobrecarregam a tal ponto que muitos não suportam e cometem suicídio, acrescentando assim mais dívidas para pagar depois.

            Esse é um extremo pregado pelos adeptos do espiritismo. Outro extremo, largamente difundido hoje, é o da graça barata. Somos salvos pela fé independente da lei. Até ai tudo certo, mas o que dizer de uma pessoa salva pela graça e que não apresenta frutos dignos de arrependimento? E o que são esses frutos senão o abandono de práticas incorretas definidas como pecado e, ao mesmo tempo, sabendo que pecado é a transgressão da lei?

            A fé e a lei andam juntas. Certa vez ouvi o comentário do pastor Ranieri Sales que me trouxe muita luz sobre esse assunto. Disse ele: “Existem as obras da carne e as obras da lei.” As obras da carne é tudo o que fazemos pelo esforço próprio para alcançarmos a salvação e obras da fé é tudo o que fazemos depois de sermos salvos por Jesus. Veja o conselho de Paulo aos romanos: “Antes anunciei primeiramente aos que estão em Damasco e em Jerusalém, e por toda a terra da Judéia, e aos gentios, que se emendassem e se convertessem a Deus, fazendo obras dignas de arrependimento” (Atos 26:20).

 

Quarta

            Gênesis 2:17  traz um alerta a todos os descendentes de Adão. O pecado entrou no mundo porque os nossos primeiros pais acharam que não era necessário levar tão a sério uma ordem divina. O mesmo acontece hoje. Alguns conhecedores da lei de Deus imaginam que a sua observância pode seguir a critérios humanos e não os estabelecidos pelo Criador. Outros chegam até a pregar ser a lei de Deus retrógado chegando mesmo a anunciar a sua extinção com a morte de Jesus na cruz.

O reino eterno de Deus tem uma constituição como qualquer reino terrestre tem a sua. Mas há Três pontos que estabelecem um diferencial que não pode ser esquecido. Primeiro, as constituições dos reinos terrestres são elaboradas por homens pecadores sujeitos a falhas. A constituição do reino celestial foi elaborada por um Deus que não erra. Em segundo lugar, todas as constituições existentes no mundo contém princípios plagiados da constituição universal e, em terceiro lugar, a lei de Deus tem como base o amor de Deus por nós e nem sempre os princípios de conduta elaborados pelos homens seguem esse princípio.

Daniel afirma que em breve todos os reinos do mundo mudarão de liderança. “E o reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será um reino eterno, e todos os domínios o servirão, e lhe obedecerão” (Daniel 7:27).

            Essa mudança de domínio será efetuada por um único motivo. Os santos do Altíssimo será aqueles que mesmo ouvindo chacotas se comprometeram em proclamar a lei de Deus ao mundo através dos milênios. Para esses viverem no Céu não será novidade pois já estão acostumados a observar a lei de Deus.

 

Quinta

            A Bíblia é clara em mostrar que no Céu a morte não mais existirá. Ela não mais existirá porque não haverá mais transgressores da lei de Deus. A morte veio à existência por causa do pecado. Ela será o último inimigo a ser vencido. Apocalipse afirma: “E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte” (Apocalipse 20:14).

            Como a lei é eterna como eterno é o próprio Deus, ela continuará a existir por toda a eternidade. Porém, um dado especial será observado: não haverá transgressores. Os que hoje desdenham da lei de Deus e pregam que ela foi cravada na cruz jamais experimentarão as alegrias de morar em Seu reino. Será um privilégio reservado somente para aqueles que puseram os princípios de Deus como prioridade em suas vidas.

 Prevendo esse maravilhoso dia Isaías afirma: “Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar” (Isaías 11:9).

 

Conclusão

Durante esse trimestre estudamos que a lei de Deus sempre foi e sempre será à base do reino de Cristo e a verdade que todos nós somos transgressores foi bastante enfatizada. Mas de capa a capa a promessa bíblica é que se aceitarmos o sacrifício de Jesus “...ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça” (1 João 1:9).

 

Lembrete

            No próximo trimestre vamos estudar as principais doutrinas bíblicas que Jesus nos ensinou enquanto esteve entre nós. Será uma oportunidade rara de aprendermos mais sobre alguns assuntos que muitos têm dificuldades para entender e dificuldades ainda maiores para explicar.

            Com oração e coração aberto para entender, pesquisemos cada dia a Palavra de Deus e busquemos fervorosamente que Ele reparta conosco um pouquinho da sabedoria propiciada a Salomão.

domingo, 15 de junho de 2014

A igreja de Cristo e a lei


Comentário da Lição da Escola Sabatina de quatorze a vinte e um de junho de dois mil e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia - Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

              Desde a entrada do pecado no Éden Deus sempre teve na Terra algum representante que mostrasse ao mundo o plano da redenção. Em algum momento alguns desses representantes, por convencimento ou relaxo não responderam bem à convocação para a qual foram escolhidos. Mesmo, em alguns momentos, transformando pedras em mensageiros, a mensagem ao longo dos milênios percorreu o mundo anunciando o amor que redime e salva. Felizmente ela nos alcançou.

            A tônica da pregação desses representantes sempre foi de que a lei de Deus é tão eterna quanto o é o Seu autor e que, para o transgressor dessa lei uma vez arrependido, os céus providenciou o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

            Essa salvação oferecida de graça muitas vezes é confundida com o extermínio da validade da lei de Deus. Mas é a limitação do homem para atender a todos os reclamos da lei que o leva a recorrer a esse dom gratuito de Deus, a salvação em Cristo Jesus. Desde Adão até os nossos dias o estandarte da verdade tem passado de mão em mão anunciando ao mundo que Deus tem normas inabaláveis que orientam o nosso relacionamento com Ele e com os homens. “Deste um estandarte aos que te temem, para o arvorarem no alto, por causa da verdade” (Selá)” (Salmos 60:4).

            Um ponto interessante é que independente de épocas, séculos, gerações e circunstancias a mensagem é a mesma: “De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem” (Eclesiastes 12:13). Para muitos essa mensagem era pertinente apenas para aqueles que viveram antes da cruz. Porém, a Bíblia afirma com segurança: “Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos” (Malaquias 3:6). É a perpetuidade do caráter de Deus que nos garante vida e salvação. Imagine se Deus fosse como nós que muda de humor de acordo com a variação do vento! Com certeza não mais existiríamos.

            Para a nossa segurança Deus tem padrões rígidos e inabaláveis que não só norteiam a nossa conduta como estabelece também um plano de salvação para todo aquele que infringindo esses padrões se volta arrependido e confiante na graça de Cristo.

            No estudo dessa semana veremos como essas mensagens foram proclamadas ao longo dos milênios iniciando com Adão, Noé, Abraão e Moisés chegando até Jesus e também a todos nós depois da cruz. Em todas as eras as verdades de salvação sempre foram as mesmas que norteiam a Igreja nesses últimos dias. “As verdades do evangelho não são desconexas; unindo-se, elas formam uma fieira de joias celestiais, como na obra pessoal de Cristo, e, como fios de ouro, elas atravessam toda a obra e experiência cristã” (Mensagens Escolhidas, vol. 3, pág. 198). 

 

Domingo 

            O livre arbítrio é uma condição “Sine qua non estendida a todas as criaturas racionais criadas por Deus. Os anjos tiveram a liberdade de escolha assim como Adão e Eva e toda a raça humana.  Adão e Eva foram criados perfeitos e tiveram a liberdade de escolher servir a Deus ou não. Conhecemos na carne os resultados de sua escolha.

Parece que a tendência do homem é escolher mal. Temos o caso de Caim, Ló e os antediluvianos, pessoas que, ao dar ouvidos à voz de Satanás, usaram mal o livre arbítrio. Jacó, mesmo escolhendo mal, foi salvo da destruição única e exclusivamente pela misericórdia divina. 

Adão foi criado livre e por insinuação de Satanás chegou a imaginar que Deus estava exigindo muito ao lhe apresentar o teste de Sua lei. Resolveu transgredi-la e surgiu o pecado. De Adão até Noé o homem foi acentuando mais e mais o seu afastamento de Deus até que não teve mais remédio.

            É impressionante como Satanás conseguiu introduzir a dúvida quando a perfeição da lei de Deus. Satanás conseguiu fraudar a verdade e apresentar ao mundo que assim como Deus era imperfeito a Sua lei, que é uma réplica do Seu caráter, também o era. Como pecado é a transgressão da lei, o pecado surgiu no mundo. Desde então a degradação foi se acentuando mais e mais.

 As escolhas erradas se estenderam por toda a humanidade nos dias de Noé. “E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente” (Gênesis 6:5). Podemos imaginar como foi difícil para Deus ver criaturas humanas, criadas a Sua imagem e semelhança, tão deterioradas e tão distantes dos padrões de santidade experimentados no Éden!

A lei de Deus foi aviltada e os homens se entregaram a uma banalidade tal que o melhor ato de misericórdia seria a sua destruição, caso um arrependimento profundo não mudasse a sua direção. Foi então que Deus chamou dentre eles o que melhor existia para anunciar ao mundo de então o preço da transgressão da lei de Deus. Um desafio foi proposto: refugiarem na arca de salvação ou se submergir nas águas do dilúvio. E mais uma vez o homem escolheu mal “Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei” (Gênesis 12:1).

Sobre esse período de tempo diz Ellen G White: “As vantagens dos homens daquela época [antes do dilúvio] para adquirirem conhecimento de Deus mediante Suas obras, nunca foram desde então igualadas. E, assim, longe de ser uma era de trevas religiosas, foi ela de grande luz. Todo o mundo teve oportunidade de receber instrução de Adão, e os que temiam ao Senhor tinham também a Cristo e os anjos como seus instrutores” (Patriarcas e Profetas, pág. 83). Porém pouca influência exerceu nos descendentes de Caim.

 

Segunda

            Ao ver a violência, a sensualidade e o egoísmo reinante no mundo hoje chego a imaginar que estamos vivendo o pior momento da humanidade. Porém, à luz de Genesis seis, compreendemos que os tempos nos dias de Noé se destacam como o pior período vivido pela raça humana. Parece difícil acreditar, mas é a Bíblia que está dizendo. Com tudo de mal que existe hoje, Deus ainda está se segurando para fazer justiça.

Nos dias de Noé a iniquidade humana chegou a tal ponto que o retorno aos princípios divinos se tornou impossível. O relato bíblico descreve a que ponto de degradação chegou a raça humana: “E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente” (Gênesis 6:5).

Posso imaginar como foi difícil para Noé viver rodeado de tanta alienação da lei de Deus e com tanta promiscuidade ao seu redor. A Bíblia afirma que “Noé era homem justo e perfeito em suas gerações; Noé andava com Deus” (Gênesis 6:9). Em meio a uma humanidade corrupta, Deus não Se esqueceu do Seu servo fiel. Do Céu o Senhor estava acompanhando os passos desse homem e achou por bem não só salvá-lo como convidá-lo para uma grande empreitada. O Senhor, como sempre faz, decidiu não destruir o homem sem lhe oferecer uma oportunidade de escape. Noé recebeu duas incumbências; ele deveria não só advertir o mundo mostrando o aviltamento da lei de Deus, mas ao mesmo tempo, construir uma arca para que todos que se arrependessem pudessem se abrigar quando a tempestade irrompesse. Por meio desse homem de Deus a mensagem de salvação começou a percorrer o mundo habitado daquela época: “Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam” (Atos 17:30).

Sabemos o resultado. Noé foi o evangelista de pior desempenho que pisou a face da Terra. Após cento e vinte anos de pregação apenas a sua família ouviu o apelo de misericórdia.

Nos dias de Abraão o repúdio a lei de Deus chegou a tal ponto que, para preservar a vida desse patriarca, Deus pediu que ele deixasse a sua terra natal e partisse para uma região distante. Era um desafio e tanto. Diz a Bíblia: “Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia” (Hebreus 11:8).

 

Terça

            Gênesis doze apresenta um texto, que aparentemente, mostra um ponto obscuro à nossa compreensão. Por causa da fome Abraão desceu ao Egito. Temendo por sua vida o patriarca havia combinado com a esposa que, no Egito, eles se identificariam como irmãos. Sabemos que eram meio irmãos, mas eram marido e mulher. Antes de recolher Sara ao palácio, Faraó procurou saber se ela era ou não esposa de Abraão. Sabendo que era a sua irmã Sara foi conduzida ao palácio.  

            Por esse ato, Faraó que usou de sinceridade, foi atingido por terríveis pragas e Abraão que usou de falsidade foi inocentado. Por outro lado, parece que Abraão não amava Sara conforme a orientação divina e agiu de maneira mentirosa e covarde.

            Deixando de lado as nossas conjecturas e, permitindo que Deus julgue o que para nós é difícil de entender, notamos nesse episódio que Faraó tinha plena compreensão da lei de Deus sabendo o que era certo e o que era errado e agiu conforme esse conhecimento.

            Logo depois Deus promete um filho ao casal sendo Sara estéril e Abraão ter idade avançada. Além de ter um filho a promessa incluía a garantia de que dele procederia uma grande nação. Pelas condições do casal não tinha como crer nessa promessa divina. E esse ato de fé por parte de Abrão foi-lhe imputado como justiça.  “E creu ele no Senhor, e imputou-lhe isto por justiça” (Gênesis 15:6).

            “Tal pai tal filho” diz o adágio popular. Izaque também usou da mesma mentira de Abraão e pelo mesmo motivo. “E perguntando-lhe os homens daquele lugar acerca de sua mulher, disse: É minha irmã; porque temia dizer: É minha mulher; para que porventura (dizia ele) não me matem os homens daquele lugar por amor de Rebeca; porque era formosa à vista” (Gênesis 26:7). Uma das grandes virtudes de Deus é que Ele está sempre disposto a perdoar e esquecer. “...porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei dos seus pecados” (Jeremias 31:34).

Jamais Deus deixou de abençoá-lo. Em meio à perseguição promovida pelos homens de Abimeleque, Isaque prosperava a olhos vistos.  Os servos de Abimeleque reconheceram que Deus o abençoava e decidiram selar a paz entre eles. Diz o texto: “E eles disseram: Havemos visto, na verdade, que o Senhor é contigo, por isso dissemos: Haja agora juramento entre nós, entre nós e ti; e façamos aliança contigo” (Gênesis 26:28). Provavelmente, por influencia de Izaque, muitos filisteus tiveram conhecimento da lei de Deus.

Conforme a promessa divina os descendentes de Abraão se tornaram em um grande povo e posteriormente em uma grande nação. Eles deveriam mostrar para o mundo as maravilhas da lei de Deus. Os setenta descendentes de Abraão desceram ao Egito e lá permaneceram por quatrocentos anos. Durante esse período duas coisas aconteceram. Mesmo sob dura escravidão povo cresceu e se tornou numeroso “Mas quanto mais os afligiam, tanto mais se multiplicavam, e tanto mais cresciam; de maneira que se enfadavam por causa dos filhos de Israel” (Êxodo 1:12). Um grande problema surgiu. A convivência com os egípcios fez com que os israelitas se esquecessem da lei de Deus. Com tal situação foi necessário que Deus fizesse claro os Seus mandamentos e Ele o fez de maneira gloriosa e depois de escrevê-los em tábuas de pedra os entregou a Moisés para que o povo os fizesse conhecidos no mundo.

 

Quarta

            Moisés recebeu as tábuas dos dez mandamentos. A lei que até então era conhecida mais pelo convívio domestico nas orientações verbais que os pais passavam aos filhos tinha agora um referencial escrito, claro e inconfundível. O propósito de Deus era que Israel tornasse a Sua lei conhecida no mundo e que, ao conhecê-la, cada pessoa fosse direcionada para o plano de salvação elaborado desde a fundação do mundo.

            Sabemos os resultados. Israel se afastou de Deus e seguiu os caminhos das nações ao seu redor. Como resultado houve divisões; surgiu o reino do Sul e o reino do Norte, esse último foi logo dominado pela Assíria, enquanto o reino de Judá permaneceu mesmo enfrentando dificuldades como exílio e perseguições. Essa foi a estratégia de Deus para trazê-los de volta aos Seus caminhos.

            A trancos e barrancos o reino de Judá permaneceu até que, de suas entranhas, surgisse o Salvador do mundo, cumprindo assim a promessa de Deus a Abraão. “Saberás, pois, que o Senhor teu Deus, ele é Deus, o Deus fiel, que guarda a aliança e a misericórdia até mil gerações aos que o amam e guardam os seus mandamentos” (Deuteronômio 7:9). Israel e o povo de Judá falharam na incumbência de ser uma testemunha viva ao mundo de seu tempo. A corrupção tomou um volume tal que Jesus, ao nascer, não foi conhecido e nem aceito pelo Seu povo. Diz a Bíblia: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (João 1:11).

            A promessa divina foi cumprida. “Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti” (Gálatas 3:8).  

            Jesus foi um fiel cumpridor da lei. Por Ele curar nos sábados os judeus imaginava que Ele fosse contrário a lei chegando mesmo a imaginar que, com a Sua morte, a lei tenha sido anulada. Para prevenir essas distorções Jesus foi enfático: “Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim abrogar, mas cumprir” (Mateus 5:17) e “E é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da lei” (Lucas 16:17).

 

Quinta

            A vitória de Jesus sobre o pecado desmascarou Satanás. O Salvador provou que a observância da lei não era uma injunção absurda, muito pelo contrário, seria uma bênção para a humanidade.

            Não foi fácil para os apóstolos manter a chama da verdade tremulando. Vendavais de perseguição irromperam contra a igreja e os filhos de Deus foram perseguidos, açoitados, presos e martirizados. João previu um tempo difícil para aqueles que decidissem observar os mandamentos de Deus. “E o dragão irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra ao remanescente da sua semente, os que guardam os mandamentos de Deus, e têm o testemunho de Jesus Cristo” (Apocalipse 12:17).

            A promessa de Deus era, e é, de que teríamos tribulações. Mas a promessa divina é que a Igreja sobreviverá até que seja recebida em glória nos céus. “Confirmando os ânimos dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé, pois que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus” (Atos 14:22).

            Deus tem um povo que, semelhante a um anjo voando pelo meio do Céu, esta proclamando a vinda do juízo. O juízo vindouro terá por parâmetro a lei de Deus. Temer a Deus é exaltar a Sua lei e proclamar o plano da redenção é a nossa missão.

 

Conclusão

Desde que o pecado entrou no mundo, Deus tem filhos especiais que exaltam a lei de Deus diante de um mundo dominado por Satanás. Pela graça de Deus fazemos parte desse exército que anuncia o evangelho eterno ao mundo.

Caso sejamos acossados pelo desânimo lembremo-nos da mensagem do Senhor: “Testifico aos meus irmãos e irmãs que a Igreja de Cristo, por débil e defeituosa que seja, é o único objeto sobre a Terra a que Ele confere Sua suprema atenção. Enquanto a todos dirige o convite para irem a Ele e serem salvos, comissiona Seus anjos, para prestar divino auxílio a toda alma que a Ele se achega com arrependimento e contrição; e, pessoalmente, por meio de Seu Espírito Santo, está no meio de Sua Igreja.” (A Igreja Remanescente, p. 11).

“Deus está conduzindo um povo e preparando-o para a trasladação. Estamos nós, que desempenhamos uma parte nesta obra, portando-nos como sentinelas de Deus? Estamos tentando atuar unidos? Estamos dispostos a tornar-nos servos de todos? Estamos seguindo nosso grande Exemplo?”  (Conselhos Professores, Pais e Estudantes, p. 92).

 

Meditação

“O que ensina a Palavra precisa, ele próprio, viver em consciente e contínua comunhão com Deus pela oração e estudo de Sua Palavra; pois nela está a fonte da fortaleza” (Atos dos Apóstolos p. 362.

sábado, 7 de junho de 2014

Os apóstolos e a lei


 

Comentário da Lição da Escola Sabatina de sete a quatorze de junho de dois mil e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

            Os discípulos estão vivendo um momento significativo para o futuro do mundo. Jesus havia morrido, a graça estava disponível para todos os habitantes do planeta, inclusive os gentios. A promessa feita lá no Éden da vinda do Cordeiro de Deus para tirar o pecado do mundo se tornou realidade.

            Quando João, o precursor do Messias, viu Jesus pela primeira vez ele foi enfático ao dizer: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1:29). João não disse que a função de Jesus na Cruz seria anular a lei de Deus e sim tirar o pecado das pessoas que a transgredisse. Caso Jesus tivesse anulado a lei não haveria necessidade de tirar pecados de ninguém, pois sem a lei não existiria pecado.

            Satanás é muito astuto. Quando Deus disse a Adão: “se comeres do fruto certamente morrerás” o inimigo não destruiu o texto, apenas acrescentou um “não”. Enquanto Moisés recebia a lei no Sinai e essa ditava os princípios de como o homem deveria honrar a Deus os israelitas construíram um bezerro de ouro e a algazarra irrompeu no arraial a tal ponto de Moisés perder a paciência e quebrar as tábuas da lei. Parece que ele queria dizer que para viver adornado um ídolo a presença da lei não teria significado.

            Deus escolheu a nação de Israel para testemunhar para o mundo a vigência de Seus princípios. Eles deveriam ser o modelo a ser seguido por todos os habitantes da Terra. Satanás se adiantou e ao invés deles enaltecer a lei de Deus diante do mundo passaram a adotar o comportamento das nações ao seu redor.

            Deus fez de tudo. Enviou a fome nada resolveu; permitiu que eles fossem dominados pelas mesmas nações a quem eles deveriam testemunhar da vontade de Deus, porém sem melhores resultados.

Não contente só com isso o inimigo usou um pequeno grupo de pessoas em Israel, os fariseus que modificaram a lei de Deus. Os quatro primeiros mandamentos receberam tantas inserções que os tornaram uma carga pesada demais para serem observados. Enquanto isso os outros seis foram minimizados ao ponto de se tornarem quase inúteis.  Jesus Se empenhou ao máximo para corrigir essas distorções. Isaías previu que esse zelo de Jesus pela lei O fez glorioso. “O Senhor se agradava dele por amor da sua justiça; engrandeceu-o pela lei, e o fez glorioso” (Isaías 42:21).

Não contente com tudo que fizera contra a lei de Deus ao longo dos séculos Satanás disseminou entre os homens que a lei foi pregada na cruz e que a sua observância era obsoleta. Mas as suas ações nefastas não ficaram por ai. Ao longo dos séculos a lei passou a ser objeto de caprichos de algumas lideranças religiosas que alteram todo o seu conteúdo. Seria como dizer: A lei ainda é válida desde que a adequamos ao nosso modo.

No estudo dessa semana vamos ver como os apóstolos se comportaram diante da lei. Será que foi como se ela tivesse sido anulada? Será que eles saíram por ai adulterando, roubando, assassinado e transgredindo o sábado como se a lei não mais existisse? Veremos!

 

Domingo

            Paulo é claro: a lei não pode salvar conforme lemos em Romanos 3:28: “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei.” Ele deixa claro que a lei não salva e, sim nos mostra a necessidade de um Salvador. “De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados” (Gálatas 3:24). O homem ao defrontar com a lei de Deus se acha totalmente perdido. Pois à luz da lei não há salvação para nenhum ser humano. Sabemos que Jesus assumiu a culpa do pecado e, nós que estávamos condenados pela lei, recebemos o perdão e consequentemente a garantia de vida eterna.

            Paulo deixa claro que a graça não anula a lei como muitos imaginam e ensinam. Ele defende a perpetuidade da lei. “Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei” (Romanos 3:31). Caso a lei tivesse sido anulada haveria a necessidade de graça, evangelho, igrejas, salvação? Não haveria pecado e nem consequências do pecado. Não haveria também a necessidade de um dia de juízo para os que nasceram depois da cruz. Antes da cruz todos estão condenados e depois da cruz todos estão salvos. Caso fosse assim “Não faria justiça o Juiz de toda a terra?” (Gênesis 18:25). Deus seria parcial e injusto.

Uns vão ao extremo. Ao invés do evangelho mudar o seu estilo de vida se tornam ainda mais libertinos afirmando que Jesus já pagou tudo na cruz. Ai Paulo faz uma pergunta desconcertante para os que assim pensam e agem: “Pois que? Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum” (Romanos 6:15). Então ele conclui: “E assim a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom” (Romanos 7:12).

Essa declaração paulina está firmada em dois princípios: A lei nos poupa de muitas decepções. Imagina se todo o mundo a observasse que diferença não veria em nosso planeta. O segundo princípio é que a lei nos direciona para uma vida casta e caso venhamos a transgredi-la João afirma: “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo” (1 João 2:1). 

 

Segunda

O único mandamento mencionado claramente por Pedro é o adultério. Assim disse ele: “Tendo os olhos cheios de adultério e insaciáveis no pecado, engodando almas inconstantes, tendo o coração exercitado na avareza, filhos malditos” (2 Pedro 2:14). No verso dois do capítulo três de sua segunda epístola ele faz menção das “palavras que anteriormente foram ditas pelos santos profetas, bem como do mandamento do Senhor, ensinado pelos vossos apóstolos.”

No Pentecostes Pedro fez um veemente sermão. Os seus ouvintes sentiram que eram pecadores e perguntaram confusos: “Que faremos, homens irmãos?” O apostolo mostrou que eles estavam em conflito com os mandamentos de Deus e a mensagem foi claramente entendida. Diz o texto: “E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: Que faremos, homens irmãos? A mensagem foi clara: “E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo” (Atos 2:37-38). Todos deveriam se arrepender de seus pecados. E se pecado é a transgressão da lei os seus ouvintes estavam transgredindo a lei de Deus.

Não teria sentido Pedro pregar a necessidade de arrependimento caso eles não estivessem em conflito com a lei de Deus. Com a mudança de vida eles seriam a geração eleita, o povo santo de Deus, ou seja: alcançaria o propósito de Deus para com o Israel antigo segundo Êxodo 19:6 onde lemos: “Vós Me sereis reino de sacerdotes e nação santa.”

 

Terça

            João, que passou por uma transformação profunda, se tornou no apóstolo do amor e ele associa esse amor à observância de todos os mandamentos. Mais do que ninguém, João vê na lei de Deus uma expressão nítida do Seu amor para com a humanidade.

            Ele associa o conhecer a Deus pela observância dos Seus mandamentos.  Quem conhece a Deus sabe que realmente Ele é amor. Esse amor invade o ser de Seus filhos de tal modo que o prazer de cada um deles está na observância da lei de Deus. João vai mais longe. Ele é categórico em afirmar: quem diz que ama a Deus e não observa os Seus mandamentos é um mentiroso. Que declaração contundente e pesada!

            Milhões que não guardam todos os mandamentos usam as palavras de João 8:32 como propagadores da verdade centrada nas Escrituras. Diz o texto: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará.” Como ser propagadores da verdade contestando um ou mais de Seus mandamentos? Infelizmente os propagadores que afirmam ter Jesus abolido a lei na cruz estão em permanente conflito com João e com o próprio Deus. Pregam enaltecendo a verdade, mas ao mesmo tempo a contestam. Tal proceder se encaixa numa queixa exteriorizada pelo próprio Jesus: “Em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.”

            Na parábola da videira Jesus associa a produção de frutos a um íntimo relacionamento com Ele semelhante ao que Ele mantinha com o Seu Pai. E vai mais longe ao afirmar: “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor.” Não tem como estar em comunhão com Cristo sem observar a Sua lei.

 

Quarta

            As palavras de Tiago ao afirmar que “a fé sem as obras é morta” não apresentam nenhum conflito com as afirmações de Paulo de que o pecador é salvo exclusivamente pela graça. Pelo contrário Tiago está afirmando que se uma pessoa declara ter aceitado a salvação em Cristo pela fé e não apresentam mudanças em seu comportamento essa fé professada é morta porque não produz frutos.

            Podemos afirmar que enquanto Paulo pregava a salvação pela fé, Tiago defendia o mesmo princípio esclarecendo que essa palavra abstrata tinha de ser concretizadas em obras de fé. A graça quando alcança uma pessoa provoca uma transformação. Tiago está apenas reforçando as palavras de Paulo quando este afirma: “Assim andemos nós em novidade de vida.” O que é essa novidade de vida se não uma mudança nas obras que praticamos? Essa mudança se caracteriza não para sermos salvos, mas sim porque fomos salvos.

 Tiago foi mais fundo. Ele afirma que não havia sentido quando os líderes judeus pregavam o amor ao próximo enquanto faziam acepção de pessoas. Como pregar o amor ao próximo enquanto se julgavam superiores aos samaritanos e a qualquer estrangeiro? Os que assim procediam estavam em conflito com a lei. A exteriorização do amor ao próximo seria a mais contundente prova de que foram transformados pela graça. Os resultados da graça em nossa vida nos leva a produzir frutos (obras) dignos de arrependimento conforme afirmou Jesus em Lucas 3:8.

 

Quinta

            Já mencionei, em comentários anteriores, a história de um senhor que afirmava beber, fumar e se divertir ao máximo porque os seus pecados já foram pregados na cruz. Esse é um exemplo clássico de transformar a graça de Deus em libertinagem.

            Certa vez eu estava ouvindo um pregador de grande influencia no Brasil e no mundo. Uma expectadora perguntou se era pecado comer carne de porco. Ele respondeu: “Jesus nos libertou da lei.” E acrescentou: “caso você tenha ouvido alguém pregar isso tenha certeza de que é doutrina do diabo”.

            Ao defender a perpetuidade da lei Judas menciona o exemplo de Sodoma e Gomorra que foram destruídas por causa da transgressão da lei de Deus (verso sete). Aliás, o juízo vindouro será a única maneira de Deus exterminar com o pecado que, segundo Paulo, é a transgressão da lei. Naquele dia, diz Malaquias que serão destruídos os ramos e a raiz do pecado (Malaquias 4:1).

            O autor da Lição faz uma observação interessante. Diz ele:” A simples menção da graça exige a existência da lei, porque a graça não seria necessária se não houvesse pecado.

            Ao lermos a história de Israel, que foram os detentores da lei de Deus e ao mesmo tempo a transgrediram sem parcimônia temos que assimilar as lições que esse nefasto exemplo deixa para nós. Corremos o sério risco de conhecermos tudo e, por negligência sermos reprovados.

 

Conclusão

            A validade e a importância da lei de Deus fazem parte dos meus temas preferidos. Achei prudente a pergunta que o autor coloca no final da primeira reflexão do estudo dessa semana. Pergunta ele: “Quando as pessoas dizem que a lei foi abolida, do que realmente estão tentando se livrar? A resposta é o que eu tenho insistido em comentários anteriores. Sem lei não há pecado; não havendo pecado não há necessidade de salvação; Não havendo necessidade de salvação por que frequentar uma igreja? Sejamos discípulos conscientes!

domingo, 1 de junho de 2014

Ceisto, a lei e as alianças


Comentário da Lição da Escola Sabatina de trinta e um de maio a sete de junho de dois mil e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia - Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

A proposta de Deus de uma aliança ou conserto entre Ele e Seu povo surgiu no Jardim do Éden. Ao criar o homem Deu propôs o primeiro concerto. Ele assegurou ao casal que, caso eles fossem fieis às Suas ordenanças, desfrutariam da eternidade por toda a eternidade (redundância para facilitar o entendimento). Sabemos que o homem falhou no cumprimento da aliança proposta pelo Criador. Com a entrada do pecado o homem e afastou do Senhor. Sabemos que Deus deseja estar por toda a eternidade com as Suas criaturas e para que isso aconteça o homem necessita se adequar à Sua vontade.  

Por várias vezes na história da humanidade Deus convidou o homem a renovar a aliança dom Ele. Somos pecadores, mas desde a nossa queda Deus tem Se empenhado em manter um íntimo relacionamento com cada filho Seu.

A morte do cordeiro no Jardim do Éden foi a aliança que Deus propôs ao homem após o pecado. Cada pecador que aceitasse o futuro sacrifício de Cristo receberia o dom da vida eterna que foi perdido com a transgressão. Essa aliança como as demais implicaria em exercer a fé.

“Se nosso coração é renovado à semelhança de Deus, se o amor divino é implantado na alma, não será então praticado na vida a lei de Deus? Implantado no coração o princípio do amor, renovado o homem segundo a imagem Daquele que o criou, cumpre-se a promessa do novo concerto: "Porei as Minhas leis em seu coração e as escreverei em seus entendimentos." Hebreus. 10:16. E se a lei está escrita no coração, não moldará ela a vida? A obediência - nosso serviço e aliança de amor - é o verdadeiro sinal de discipulado. Assim diz a Escritura: "Porque esta é a caridade [ou amor] de Deus: que guardemos os Seus mandamentos." I João 5:3. "Aquele que diz: Eu conheço-O e não guarda os Seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade.” I João 2:4”” (Caminho a Cristo, p. 60).

 “O Senhor fez um concerto especial com o Israel antigo: "Agora pois, se diligentemente ouvirdes a Minha voz, e guardardes o Meu concerto, então sereis a Minha propriedade peculiar dentre todos os povos, porque toda a Terra é Minha; e vós Me sereis um reino sacerdotal e o povo santo." Êxodo. 19:5 e 6. Ele Se dirige a Seu povo que guarda os mandamentos nestes últimos dias: "Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para Sua maravilhosa luz" I Pedro 2:9. "Amados, peço-vos como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências carnais que combatem contra a alma." I Ped. 2:11.” (Conselhos Sobre Saúde, p. 567).

A renovação da aliança é uma prova de que Deus Se empenha em manter um relacionamento saudável com os Seus filhos. Sempre que o homem cria arestas nesse relacionamento Deus renova a Sua mensagem de amor e salvação. Diz a Bíblia: “Há muito que o Senhor me apareceu, dizendo: Porquanto com amor eterno te amei, por isso com benignidade te atraí” (Jeremias 31:3). 

Quando Caim matou Abel seu irmão ele se sentiu como um vagabundo e murmurou: “Eis que hoje me lanças da face da terra, e da tua face me esconderei; e serei fugitivo e vagabundo na terra, e será que todo aquele que me achar, me matará” (Gênesis 4:14). Na hora de maior desespero Deus intervém confortando aquela alma ferida. Caim recebe um sinal para que ninguém o atinja. “O Senhor, porém, disse-lhe: Portanto qualquer que matar a Caim, sete vezes será castigado. E pôs o Senhor um sinal em Caim para que o não ferisse qualquer que o achasse” (Gênesis 4:15).

A graça divina livrou Caim da morte que ele mesmo julgou ser merecedor. Deus firmou uma aliança com esse filho rebelde. Sim, a essência da renovação da aliança mostra um Deus que não quer perder o contado conosco, e sempre que entramos em conflito com Ele infringindo a Sua lei Ele se apresenta benevolente e pronto a nos livrar da perdição. Ele insiste em estar ao nosso lado para que aprendamos a viver com Ele na eternidade.

 
Domingo

            É curioso ver que a aliança pós diluviana se estendia não só à raça humana, mas também a todos os animais. Disse o Senhor: “E eu, eis que estabeleço a minha aliança convosco e com a vossa descendência depois de vós. E com toda a alma vivente, que convosco está, de aves, de gado, e de todo o animal da terra convosco; com todos que saíram da arca, até todo o animal da terra” (Gênesis 9:9-10).

            O cenário da Terra pós dilúvio era aterrador. Carcaças de animais e seres humanos se espalhavam por todos os lados. Não se ouvia o cântico dos pássaros e nem o ruído de animais exceto os que saíram da arca e permaneceram nos arredores. Talvez esse cenário tenha contribuído para que Moisés se exagerasse no uso do vinho.

Ele não tinha vizinhos, amigos e nem mesmo pessoas estranhas por perto. O seu círculo de relacionamento era a sua família e Deus. Por outro lado Deus também não gostou do que viu e tomou uma atitude marcante. Chamou Moisés para uma conversa e o assunto, pelo que parece foi unilateral. Deus Se comprometeu em não mais destruir os seres viventes com um dilúvio. A promessa se estendia não só a Moisés e a seus familiares, mas também aos seus descendentes e a todos os animais.

Como marco testemunhal das palavras do Altíssimo Ele criou algo especial: o arco Íris. É curioso que por várias vezes Deus enfatiza que Ele próprio ao ver o arco nas nuvens Se lembraria da promessa feita ao homem, ao cavalo, ao gafanhoto a formiga enfim, a todo o ser vivente. O mundo não seria mais destruído com um dilúvio.

Deus não queria Se esquecer da promessa feita e colocou nos céus um sinal multicolorido e porque não dizer luminoso. No arco Íris o pensamento humano se encontra com o divino. Disse o Senhor: “E disse Deus a Noé: Este é o sinal da aliança que tenho estabelecido entre mim e entre toda a carne, que está sobre a terra” (Gênesis 9:17). O arco Iris é em forma de arco. Dá a entender que ele circunda toda a Terra envolvendo e protegendo todo o animal e todo o ser humano de uma possível destruição com água.

Com a vida corrida de hoje temos tirado tempo para mostrar o arco Íris para os nossos filhos e temos mostrado para eles o que ele representa? Um detalhe: assim como Deus fez essa aliança firmada em uma promessa unilateral que tal nos pecadores falhos renovarmos a nossa aliança com Deus com promessas bilaterais de melhor servi-Lo e amá-Lo?

A aliança entre Deus e Abrão estava condicionada a deveres e promessas de ambas as partes. A circuncisão dos primogênitos era uma prova de aceitação, por parte do homem que este aceitava os termos da aliança.

 

Segunda       

Quando Israel se deparou com o livro da lei que representava a aliança entre Deus e Israel a reação dos israelitas foi imediata: “E tomou o livro da aliança e o leu aos ouvidos do povo, e eles disseram: Tudo o que o Senhor tem falado faremos, e obedeceremos” (Êxodo 24:7). O povo estava disposto a cumprir toda a lei e a obedecer aos seus reclamos. Porém, poucos dias depois o povo estava adorando um bezerro de ouro e esse não foi o primeiro deslize dos escolhidos por Deus para anunciá-Lo ao mundo.

A aliança do Sinai foi danificada mesmo antes de Moisés descer do monte. O povo achou que podia obedecer a lei sem a ajuda divina e esse foi um dos maiores equívocos que permaneceu durante todo o tempo em que Israel existiu como nação.

Essa foi a razão de Deus, por várias vezes, renovar a Sua aliança com o homem. Veio Jesus e Ele mostrou para o homem ser possível obedecer às orientações divinas expressas em Sua Palavra. O Seu segredo foi uma íntima comunhão com o Pai. Jesus deixou claro que a nossa natureza carnal é propensa para o pecado e ao transgredir às ordenanças de Deus o homem está condenado à morte. Porém se exercermos fé na promessa feita a Abraão Jesus nos socorre e nos liberta da morte.

Diz Gálatas 3:22: “Mas a Escritura encerrou tudo sob o pecado, para que mediante a fé em Jesus Cristo fosse a promessa concedida aos que creem.” O batismo é o nosso testemunho público de que aceitamos os termos da aliança proposta por Cristo e que não necessitamos viver sob a condenação da lei. 

Terça

As tábuas da aliança, como são chamadas as dez tábuas dos Dez Mandamentos estão em plena validade nos dias de hoje. Existe um pensamento reinante no mundo religioso de hoje que os Dez Mandamentos não vigoram mais porque representam, segundo eles, a velha aliança.

É bom lembrar que se Jesus não tivesse levado uma vida isenta de transgreções e não tivesse morrido numa cruz Jamais alguém, desde Adão até o último ser humano a palmilhar pela Terra, poderia se salvar mesmo que fosse obediente a toda a lei de Deus.

Jesus foi o centro da primeira e da segunda aliança. A primeira sacramentada via promessas e a segunda concretizada via Calvário. As duas alianças foram uma resposta de Deus ao pecado. A primeira em sombras e a segunda em realidade. Foi a permanente validade da lei que tornou necessária a presença das duas alianças.

 

Quarta

A primeira aliança como já estudamos acima foi firmada sob promessa. Quem prometeu a salvação teria que morrer sem pecado para validar a Sua promessa de salvação. Isso foi o que Jesus prometeu lá no Jardim do Éden e depois retificou no Calvário. A segunda aliança é melhor porque ela não é firmada em promessa. Pelo contrário ela é o cumprimento de todas as promessas de salvação encontradas na Bíblia.

Um ponto a considerar é que uma aliança não invalida a outra. Ambas fazem parte do plano da salvação que segue um cronograma divino. Sem a primeira os habitantes do mundo antes da cruz estariam irremediavelmente perdidos e caso funcionasse assim Deus seria injusto.

O plano da salvação não esta firmado em improvisos e nem em experiências. Ele foi arquitetado antes da criação do homem. “O plano da salvação foi elaborado para remir a raça caída, para dar-lhe outra oportunidade. Cristo foi designado para o cargo de Mediador da criação de Deus, destinado desde a eternidade a ser nosso substituto e penhor” (Mensagens Escolhidas, vol. 1, pág. 250). 

            O plano da salvação apresentado em promessas e confirmado no Calvário é a prova máxima de que Deus ama a todo o pecador e que a Sua lei está firmada em Seu amor. O evangelho é a apresentação da aliança em seus vários estágios. Ele representa o convite de salvação apresentado ao homem desde que surgiu o pecado.

 

Quinta

            Os Dez Mandamentos representam o caráter de Deus. Deus é amor e os mandamentos sintetizam esse amor revelado ao homem. Eles encerram promessa e proteção. Podemos imaginar como seria o nosso mundo se toda a humanidade observasse a santa lei de Deus! Não haveria ódio, polícia, tribunais e a paz reinaria em todos os corações. Isso foi o que Deus planejou para os Seus filhos, mesmo depois da entrada do pecado. De uma coisa temos certeza: o sonho de Deus não acabou.

            Há esperança para o pecador por mais contumaz que ele seja. Deus provou isso ao longo dos milênios propondo e firmando alianças com a raça humana. O Calvário é a prova suprema desse amor sem medidas. E o melhor de tudo: para aqueles que estão em íntima comunhão com Cristo desfruta de uma confiança sem limites de que mesmo em meio de provações Ele está dirigindo a nossa vida. “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente” (2 Coríntios 4:17).

            Quando estreitamos o nosso relacionamento com Jesus Ele não só provê o melhor para nós nesta vida como nos proporciona a garantia de uma vida eterna. Jesus nos garante vida com abundância. “O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância” (João 10:10).

 

Conclusão

            A s alianças desde o Éden até Jesus foram firmadas na fé. Para Adão ficou claro o exercício da fé no sangue do Cordeiro. Abraão foi justificado pela fé ao acreditar que de sua descendência viria o Redentor do mundo.  Os Dez Mandamentos implicam em fé para observá-los e são eles que nos faz entender a necessidade que temos de um salvador. Por fim nasce Jesus o autor e consumador de nossa fé. Ele é o cumprimento de todas as promessas de salvação feitas ao homem desde que surgiu o pecado.