Comentário da Lição
da Escola Sabatina de vinte e um a vinte e oito de junho de dois mil e
quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança
e autor de Reavivar a Esperança, uma Meditação para qualquer ano. O
comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de
Taguatinga, DF.
Introdução
Rapidamente chegamos ao final do
segundo trimestre de 2014. Creio que todo o membro da igreja que levou a sério
o estudo sobre Cristo e Sua lei teve o privilégio de aprender um pouco mais
durante esse trimestre.
Nessa última Lição veremos que o
reino de Cristo tem uma constituição que representa o caráter amorável de Deus.
Ela protege o homem e ao mesmo tempo estabelece os parâmetros para uma vida em
harmonia com a eternidade. O reino de Cristo constitui o sonho de todo aquele
que O aceitou como Salvador nessa vida.
O nosso viver aqui na Terra é marcado pelo conflito entre o bem e o mal.
Sabemos o que é correto, mas é difícil satisfazer a vontade de Deus em
detrimento dos desejos da carne. Porém, quando, pela graça, experimentarmos a
realidade de um novo céu e de uma nova terra; após a transformação de que fala
Paulo 1 Coríntios 15:52 (Num
momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta
soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados)
então a nossa vida será um eterno tributo de glória a Aquele que nos salvou. Os
desejos da carne não terão mais lugar em nossa vida e fazer a vontade de Deus
fará parte da essência de nosso ser. Aí, então, experimentaremos em toda a sua
plenitude a experiência de Davi: “Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus
meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração” (Salmos
40:8).
Imagino
quando Paulo estiver no lar eterno e não experimentar mais as agruras da luta
que ele vivenciou quando em desespero desabafou: “Mas vejo nos meus membros
outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da
lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! quem me
livrará do corpo desta morte?” (Romanos
7:23-24). Esse será o melhor resultado da
transformação prometida a cada um de nós.
Posso imaginar como será ser
protagonista do fim do conflito cósmico e presenciar o final da luta entre o
mal e o bem! Será um momento ímpar “Quando eu chegar ao lar de glória quanta
emoção e prazer sentirei” lá vou ouvir Jesus dizer que “o mal já passou e salvo
estou”.
Domingo
O sonho de Deus ao
criar o homem era que ele exercesse
o domínio sobre o planeta Terra. Diz o texto bíblico: “E disse Deus: Façamos o
homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do
mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre
todo o réptil que se move sobre a terra” (Gênesis 1:26).
Ao ser vencido por Satanás o homem, como
qualquer perdedor, cedeu esse domínio a Satanás. Mas o sonho de Deus não
acabou. Faz parte do plano da redenção restaurar ao homem o primeiro domínio. “O
Filho de Deus redimiu a falta e a queda do homem; e agora, pela obra da
expiação, Adão é reintegrado em seu primeiro domínio”...
“Tudo
que foi perdido pelo primeiro Adão será restaurado pelo segundo. Diz o profeta:
“A ti, ó Torre do rebanho, monte da filha de Sião, a ti virá; sim, a ti virá o
primeiro domínio” Miquéias 4:8 – (O Lar Adventista, p. 540).
No monte da Tentação Satanás provocou um dos
maiores insultos a Jesus. Disse o inimigo: “E o diabo,
levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do
mundo. E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória;
porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero. Portanto, se tu me
adorares, tudo será teu” (Lucas 4:5-7).
Creio que essas palavras de Satanás
reforçaram a decisão de Cristo de morrer pelo pecador e restaurar o domínio
perdido em resultado do confronto com a lei divina. Satanás tem um duplo
domínio. Ele é o deus desse século e também e também o deus desse mundo. Um dia
a sua autoridade será extinta e Deus resgatará para nós o primeiro domínio.
Todo poder humano é transitório como
transitório é o poder de Satanás. Se for transitório um dia será extinto.
“Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado;
mas aquele que me entregou a ti maior pecado tem” (João 19:11). Deus é a fonte do poder que
perdura. Tudo o que não está firmado Nele é transitório.
Segunda
Estamos
vivendo o frenesi da copa do mundo de futebol. O curioso desse momento é que
tem alguns jogadores que embora tenham nascido no Brasil se naturalizaram como
filhos de outro país. Eles deixam de lado o amor a sua pátria de origem e
passam a lutar freneticamente em favor de outro país. É estranho ver alguém que
nasceu em nosso país chutando contra o nosso patrimônio. O interessante disso é
que alguns dos familiares desses jogadores foram entrevistados e ao serem
interrogados por qual país torceriam se manifestaram indecisos.
Os
cidadãos do reino de Deus têm que ter cidadania exclusiva. Não dá para amar a
um e odiar o outro. Disse Jesus: “Nenhum servo pode servir dois senhores;
porque, ou há de odiar um e amar o outro, ou se há de chegar a um e desprezar o
outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom” (Lucas 16:13).
Todos os
seres humanos nascem como cidadãos desse mundo e escravos de Satanás. Jesus
garantiu na cruz a possibilidade de recusarmos essa cidadania e de nos tornarem
cidadãos do reino eterno. Essa é realmente uma troca de cidadania que compensa.
Cabe a cada um de nós escolhermos. Ficar em cima do muro é permanecer como
cidadãos desse mundo tenebroso condenado à destruição. Cuidado o muro, ele
pertence ao inimigo. “Não podeis servir a Deus e a Mamom.”
Terça
Tenho
um irmão, ex–adventista, que
acredita piamente que cada pessoa promove pessoalmente a sua própria salvação. Segundo
ele tudo que acontece em nossa vida foi uma escolha que fizemos ao terminar a
nossa existência anterior. Segundo o que ele acredita somos resultado de várias
reencarnações. Para ele todo o ser
humano ao morrer recebe sugestões de como deve ser a sua nova vida para pagar
os pecados acometidos anteriormente. E para se livrar mais rápido dos pecados e
experimentar um nível de vida superior, algumas pessoas ao morrerem escolhem
pagar uma quantidade grande de pecados e se sobrecarregam a tal ponto que
muitos não suportam e cometem suicídio, acrescentando assim mais dívidas para
pagar depois.
Esse é
um extremo pregado pelos adeptos do espiritismo. Outro extremo, largamente
difundido hoje, é o da graça barata. Somos salvos pela fé independente da lei.
Até ai tudo certo, mas o que dizer de uma pessoa salva pela graça e que não
apresenta frutos dignos de arrependimento? E o que são esses frutos senão o
abandono de práticas incorretas definidas como pecado e, ao mesmo tempo,
sabendo que pecado é a transgressão da lei?
A fé e a
lei andam juntas. Certa vez ouvi o comentário do pastor Ranieri Sales que me
trouxe muita luz sobre esse assunto. Disse ele: “Existem as obras da carne e as
obras da lei.” As obras da carne é tudo o que fazemos pelo esforço próprio para
alcançarmos a salvação e obras da fé é tudo o que fazemos depois de sermos
salvos por Jesus. Veja o conselho de Paulo aos romanos: “Antes anunciei primeiramente
aos que estão em Damasco e em Jerusalém, e por toda a terra da Judéia, e aos
gentios, que se emendassem e se convertessem a Deus, fazendo obras dignas de
arrependimento” (Atos 26:20).
Quarta
Gênesis
2:17 traz um alerta a todos os
descendentes de Adão. O pecado entrou no mundo porque os nossos primeiros pais
acharam que não era necessário levar tão a sério uma ordem divina. O mesmo
acontece hoje. Alguns conhecedores da lei de Deus imaginam que a sua
observância pode seguir a critérios humanos e não os estabelecidos pelo
Criador. Outros chegam até a pregar ser a lei de Deus retrógado chegando mesmo
a anunciar a sua extinção com a morte de Jesus na cruz.
O reino eterno de Deus tem uma constituição
como qualquer reino terrestre tem a sua. Mas há Três pontos que estabelecem um
diferencial que não pode ser esquecido. Primeiro, as constituições dos reinos
terrestres são elaboradas por homens pecadores sujeitos a falhas. A constituição
do reino celestial foi elaborada por um Deus que não erra. Em segundo lugar,
todas as constituições existentes no mundo contém princípios plagiados da
constituição universal e, em terceiro lugar, a lei de Deus tem como base o amor
de Deus por nós e nem sempre os princípios de conduta elaborados pelos homens
seguem esse princípio.
Daniel afirma que em breve todos os reinos do
mundo mudarão de liderança. “E o reino, e o domínio, e a majestade dos reinos
debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino
será um reino eterno, e todos os domínios o servirão, e lhe obedecerão” (Daniel 7:27).
Essa
mudança de domínio será efetuada por um único motivo. Os santos do Altíssimo
será aqueles que mesmo ouvindo chacotas se comprometeram em proclamar a lei de
Deus ao mundo através dos milênios. Para esses viverem no Céu não será novidade
pois já estão acostumados a observar a lei de Deus.
Quinta
A Bíblia
é clara em mostrar que no Céu a morte não mais existirá. Ela não mais existirá
porque não haverá mais transgressores da lei de Deus. A morte veio à existência
por causa do pecado. Ela será o último inimigo a ser vencido. Apocalipse
afirma: “E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda
morte” (Apocalipse 20:14).
Como a
lei é eterna como eterno é o próprio Deus, ela continuará a existir por toda a
eternidade. Porém, um dado especial será observado: não haverá transgressores.
Os que hoje desdenham da lei de Deus e pregam que ela foi cravada na cruz
jamais experimentarão as alegrias de morar em Seu reino. Será um privilégio
reservado somente para aqueles que puseram os princípios de Deus como
prioridade em suas vidas.
Prevendo esse maravilhoso dia Isaías afirma:
“Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, porque a terra se
encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar” (Isaías 11:9).
Conclusão
Durante esse trimestre estudamos que a lei de
Deus sempre foi e sempre será à base do reino de Cristo e a verdade que todos
nós somos transgressores foi bastante enfatizada. Mas de capa a capa a promessa
bíblica é que se aceitarmos o sacrifício de Jesus “...ele é fiel e justo
para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça”
(1 João 1:9).
Lembrete
No
próximo trimestre vamos estudar as principais doutrinas bíblicas que Jesus nos
ensinou enquanto esteve entre nós. Será uma oportunidade rara de aprendermos
mais sobre alguns assuntos que muitos têm dificuldades para entender e
dificuldades ainda maiores para explicar.
Com
oração e coração aberto para entender, pesquisemos cada dia a Palavra de Deus e
busquemos fervorosamente que Ele reparta conosco um pouquinho da sabedoria
propiciada a Salomão.