quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Raízes profundas

E, assim habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor. Ef  3:17 (RAB).

     Durante alguns anos da minha adolescência, trabalhei limpando quintais em minha cidade. O serviço era combinado por empreitada e geralmente saía-me muito bem e nunca ficava sem dinheiro.
     Certa vez, um vizinho me procurou. Ele queria que eu arrancasse uma moita de bambu em seu quintal. Fui até lá e fiz o orçamento. A meu ver, um dia de serviço seria suficiente para fazer o trabalho. Negócio fechado, peguei as ferramentas que julguei necessárias, enxada e enxadão e comecei animado, certo de que em poucas horas de trabalho tudo estaria terminado.
     Logo que iniciei, percebi que eram indispensáveis outras ferramentas como machado, picareta e alavanca. Após várias horas de trabalho exaustivo, o suor borbulhava, os braços já se recusavam a atender às ordens para manusear o machado e, olhando ao redor, uma constatação: quase nada fora feito. Convidei um de meus irmãos para me ajudar. Depois de cinco dias trabalhando arduamente, foi possível concluirmos a tarefa. O prejuízo foi enorme, mas não superou a nossa alegria de conseguir a proeza. As raízes, além de profundas, entrelaçam-se entre si, formando um só bloco rígido e maciço.
     Depois de muitos anos, tomei conhecimento que a semente desse arbusto, uma vez no chão, permanece cinco anos crescendo para baixo e para os lados. Depois de demorado desenvolvimento subterrâneo é que aparecem as primeiras folhas. Formada a base sólida, o bambu cresce até alcançar vinte e cinco metros de altura. Mas isso não é tudo sobre esta exuberante planta. O bambueiro cresce unido entre si, formam touceiras e julgam sem importância se a chuva cai, ou se o Sol se espraia forte, pois estão sempre verdes, exibindo vitalidade e beleza. Quando açoitados pela tempestade, se inclinam e emitem um som maravilhoso. Eles se adaptam a qualquer tipo de terreno, seja um chapadão inóspito, ou às margens de um lago de águas cristalinas.
     Paulo mostra os segredos de uma vida cristã vitoriosa: “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a principal pedra da esquina” (Ef 2:20), e depois ele completa: “E, assim habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor.” A definição para arraigado é estar preso  a raízes profundas.  O amor é o amálgama que nos une a estas raízes sólidas e resistentes
     Firmados em Cristo, a Rocha, e entrelaçados no amor de uns com os outros, teremos uma vida exuberante e seremos como um jardim regado. Vamos nos ajoelhar quando a tempestade surgir e transformaremos os vendavais em suaves canções. Se porventura Satanás tentar nos arrancar da Rocha, terá uma enorme decepção. Que Deus nos proporcione esta feliz experiência!

                                                                                                      Meditação Reavivar a Esperança, p 302.

Pensamento

Acionei o interruptor da fé e minha vida foi iluminada. Carmo
Talvez eu não dependa tanto de mim para viver, mas para ser feliz, sim. Carmo

Liberdade em Cristo

Comentário da lição da Escola Sabatina de 3 a 10 de dezembro de 2011.
Preparado por Carmo Patrocínio Pinto autor de a meditação Reavivar a Esperança.
É membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia Central de Taguatinga, DF.

Introdução
Certa vez eu conversava com um senhor que se identificou como evangélico. Ele dizia muito feliz com a liberdade alcançada em Cristo e fazia tudo o que lhe “dava na teia”.  Para este senhor um evangelho de “restrições” não é o verdadeiro evangelho.
Desde então, fico pensando em que sentido o evangelho mudou a sua vida se, pelo que ele me falou, depois de sua “conversão” passou a ter uma vida completamente desregrada. Ele se dizia feliz porque, não sentia mais o peso do pecado. Agora ele tinha a liberdade de praticar o que bem quisesse. Não sei o que de positivo a conversão resultou em sua vida. Uma pergunta fica no ar: será que Jesus se reuniria com ele numa noitada de bebedeiras? Ter a Jesus como o nosso exemplo talvez, seja a maior das dádivas que a conversão nos proporciona.
Entre os conversos de Paulo passou a existir dois grupos distintos. Os que no esmero de apresentar uma vida em conformidade com a lei perderam o foco de Jesus e aqueles que centrados em Cristo julgavam ter a liberdade de proceder como bem parecesse aos seus próprios olhos. Vem aquele dito popular: “em ambos os extremos não existe sabedoria”.
Ellen G White nos adverte: “Vivemos em uma atmosfera de satânico encantamento. O inimigo tecerá uma fascinação de licenciosidade em torno de toda alma que não se ache entrincheirada na graça de Cristo” (Conselhos Professores, Pais e Estudantes p 257). Para muitos, este texto é um contra censo. Mas é Jesus que nos proporciona a felicidade de uma vida vitoriosa sobre o pecado. A Bíblia afirma:Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por Aquele que nos amou” (Romanos 8:37).
Durante 26 anos fui vizinho de Hendrique Rodrigues. Eu o conheci aos cinco anos de idade e dai para frente acompanhei toda a sua infancia, adolecenscia e juventude. O jovem advogado calmo, compenetrado e estudioso tinha um futuro promissor. Foi com espanto que, ao ligar a televisão,  o vi entrar algemado no camburão da policia. Hendrique se achava livre para fazer o que bem entendesse e foi essa falsa liberdade que o encerrou por detrás das grades.
Paulo observou que os falsos irmãos estavam pregando uma falsa liberdade que os reduzia a escravidão. Em Cristo somos livres para andarmos ao Seu lado porque Ele nos proporciona forças para isso. O alvo do céu para todos nós é  uma vida sem pecado mas, “se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo” (1 João 2:1). Jesus está pronto, a qualquer momento, para nos libertar da escravidão do pecado.
Os gálatas, num equívoco de interpretação, estavam usando a liberdade em Cristo para se distanciarem Dele.
Domingo
Nos próximos 44 versículos de Gálatas 5 e 6, Paulo faz os últimos apelos a um grupo de conversos que está determinado a voltar a praticar os reclamos da lei incluindo a circuncisão com propósito salvífico. Fazê-los entender que a lei não salva, mas nos mostra a necessidade de um Salvador não se apresentava como tarefa fácil
A nota da pergunta de número 1 traz uma ilustração curiosa. Um escravo ao conseguir a liberdade ele atribuía esse mérito a um deus a quem passava a servir. De qualquer maneira continuava sendo miseravelmente escravo. Em Cristo somos livres da escravidão de continuarmos sob o jugo de uma lei que apenas nos mantém algemados ao pecado. Jesus nos proporciona perdão condena.  A liberdade que Ele oferece nos proporciona vida e vida eterna.
A lei não é maldita. A Bíblia afirma que ela “é santa, e o mandamento santo, justo e bom” (Romanos 7:12). A maldição acontece ao transgressor da lei. O trangressor da lei está preso à condenação. Jesus oferece a liberdade que todo pecador necessita.
O mundo oferece uma liberdade controvertida. Uma pessoa que se sente livre para fazer o que quizer, logo se vê presa a vicios e costumes que gostaria de abandonar mas tem dificuldade para faze-lo. Confundir a liberdade que Jesus oferece é trágico!
Segunda
            Está claro que a liberdade oferecida por Cristo nos poupa de pecar. O conflito acabou não porque eu posso fazer o que quero mas porque Jesus mudou a minha maneira de proceder.
A lei não desperta em mim o desejo de ser melhor. Mas o relacionamento com Cristo sim. O servo da Justiça desfruta do poder que Cristo oferece para andar em novidade de vida. Uma vez aceitando o sacrificio de Cristo em meu favor Ele me comunica a Sua justiça. Assim nenhuma condenação da Lei pesa sobre mim.
Andar segundo o Espírito e produzir os frutos do Espirito. Jesus nos oferece este privilégio. Dai para a frente a Justiça que me foi imputada passa a ser comunicada.Pois se porventura pecarmos e recorrermos a Jesus Ele está disposto a sos perdoar. João é bastante claro ao dizsr: “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo” (1 João 2:1). Ninguém está, para sempre, condenado pela lei a não ser que se exima de recorrer a Jesus.
Os qua aceitam a liberdade que Cristo oferece não estão mais sob o império da morte. Em Cristo passamos a desfrutar de uma vida em abundancia. O peso da condenação que pesava sobre nós foi substituído por “um peso eterno de glória mui excelente” (2 Coríntios 4:17).
Terça
            Paulo insiste em dizer que os gálatas estavam se enveredando por um caminho perigoso. Durante algum tempo de minha infância, duas vezes na semana eu e o meu irmão mais velho íamos à cidade vender as verduras produzidas em nosso sítio. O veículo era uma charrete puxada por um cavalo bastante afoito.
            Qualquer anormalidade na arreata ele deixava de atender o comando das rédeas e saía em disparada deixando a estrada e se embrenhando no cerrado. O resultado era sempre trágico. Carroça quebrada, braços esfolados e vasilhames danificados.
             Quando nos submetemos ao comando de Cristo estamos livres de situações assim. Desfrutamos daquela paz que só Jesus pode dar. A Bíblia afirma: “Ah! se tivesses dado ouvidos aos meus mandamentos, então seria a tua paz como o rio, e a tua justiça como as ondas do mar! (Isaías 48:18).
            Nada de diferente se os gálatas praticassem a circuncisão como medida de saúde preventiva. Mas eles voltaram a pratica-la como meio salvifico. E paulo desabafa: “Cristo de nada vos aproveitará” (Gálatas 5:2). E ele ainda vai mais longe: “E de novo protesto a todo o homem, que se deixa circuncidar, que está obrigado a guardar toda a lei” (Gálatas 5:3).
            Paulo apresenta algo impossivel de ser alcançado sem a atuação de Cristo na vida do indiciduo. Os gálatas estavam tentando o impossivel. “Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada” (Gálatas 2:16)
Quarta
            Ao mesmo tempo em que alguns galatas se apegavam a observancia da como tábua de salvação, um outro grupo caia no outro extremo ao afirmarem que em Cristo estavam livres para dar vasão aos desejos da carne.
             Já abordamos este assunto na introdução. Este contracemso existe nos dias de hoje. É um verdadeiro disparate quando vemos pessoas afirmarem que podem fazer o que bem entender porque Cristo já pagou na cruz todos os pecados que porventura eles venham a cometer e que não há necessidade de nenhuma reserva neste sentido. É realmente um equivoco sem tamanho.
Quinta
            Paulo enfatiza a necessidade de cultivat o amor ao próximo. Ele esta dizendo que de nada valerá ser professos observadores da lei se o amor ao próximo não permear as nossas ações. Ele mesmo afirma: “Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine” (1 Coríntios 13:1).
            Paulo tinha consciencia de que a pessoa convertida passaria a observar a lei não como uma necessidade, mas uma consequencia natural de sua conversão. A observamcia da lei são os frutos do Espírito que surgem naturalmente de uma vida transformada. O amor é a base da observancia da lei. Disse Jesus: “Se me amais, guardai os meus mandamentos” (João 14:15).
            Pauo está afirmando que se alguém espera ser salvo pela observancia da lei essa pessoa tem que observar toda a lei e isso é impossível ao ser humano. É Cristo que nos oferece o privilégio de andar em novidade de vida.
Conclusão
A liberdade em Cristo nos livra do peso e consequencias dos vicios. Já mensionamos que uma pessoa que fuma, bebe ou joga e, o faz porque se acha livre para faze-lo, se torna prisioneiro destes vicios. Salomão afirma: “Quanto ao ímpio, as suas iniqüidades o prenderão, e com as cordas do seu pecado será detido” (Proverbios 5:22).
Por mais de cinquenta anos eu faço palestras para fumantes e a queixa da maioria deles é: “comeci a fumar para mostrar ao mundo que sou livre e hoje quero me libertar deste vício e não consigo”. Realmente o pecado nos escravisa e nos mata. A liberdade oferecida por Cristo nos comunica vida.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O apelo pastoral de Paulo

Comentário da lição da Escola Sabatina de 19 a 26 de novembro de 2011.
Preparado por Carmo Patrocínio Pinto autor de o devocional Reavivar a Esperança.
É membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia Central de Taguatinga, DF.

Introdução
Paulo foi um fariseu legalista e intransigente. Mas depois do seu encontro com Cristo na estrada de Damasco ele mudou por completo a sua maneira de agir. Agora se portava como um gentio qualquer. Podemos imaginar que numa época em que o sectarismo religioso impunha as suas ordens não foi fácil para Paulo descer do seu pedestal e se igualar à “gentalha” de seu tempo.
Essa mudança tinha duas razões de acontecer. Primeiro, porque ele concluiu que em Cristo todos são iguais e, em segundo lugar a sua atitude seria uma arma poderosa para se relacionar com os gentios e trazê-los para a salvação. Porém, depois de pregar esse evangelho para os gálatas ele vê estes irmãos retrocederem na fé e voltarem aos antigos rudimentos.
Parece que até este momento os gálatas ainda estavam propensos a continuar praticando o “outro evangelho” apregoado pelos falsos irmãos. Paulo vê os seus esforços irem por água abaixo e ele recomeça o seu apelo de uma maneira bem incisiva. Diz ele: “Eu lhes suplico”. O dicionário define súplica com o ato de “pedir humildemente ou com insistência: suplicar uma ajuda. Requerer em juízo. (Sin.: rogar, implorar, pleitear).
Após a sua conversão Paulo se aproximou dos gentios e passou a se relacionar com eles. Talvez, ele imaginasse estar caminhado a segunda milha para alcançá-los para Cristo. Mas agora o momento exigia que ele implorasse humildemente aos gálatas para que eles retornassem ao evangelho. Parece ser a sua última cartada para reverter a situação.
Paulo foi um zeloso praticante do judaísmo que deixou as praticas rígidas que ele tanto prezava para alcançar os gentios, incluindo os gálatas. Podemos imaginar a sua decepção ao ver os seus conversos virando as costas para ele e para tudo o que ele ensinou e voltar às praticas que os distanciavam da cruz. Para ele, o procedimento dos gentios era semelhante ao “cão que voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada que volta ao espojadouro de lama” (2 Pedro 2:22).  
Paulo não vê razões doutrinárias para a atitude dos gálatas e passa a imaginar que os tivesse ofendido de alguma maneira. Era uma situação constrangedora. Paulo era ouvido com desdém e a sua pregação causava comentários maliciosos.  Na minha juventude vivenciei uma situação parecida. Assim que iniciei o meu sermão de domingo na minha igreja natal, percebi que os irmãos começaram a rir descontroladamente. Fiquei preocupado. Falei alguma coisa errada? Por fim, perguntei para a igreja a causa de tanto riso. Alguém sugeriu que eu retornasse a sala pastoral e examinasse as minhas roupas. Foi um grande susto perceber que as calças estavam desabotoadas e que uma das pontas da gravata saía pela barguilha.
Os fortes apelos de Paulo não foram suficientes para eliminar todos os resticios de regeição ao enfoque de suas pregações. E até hoje as suas palavras geram confusão para os menos cuidadosos no exame da Palavra de Deus.
Domingo
A Bíblia não esclarece se o apelo de Paulo causou o efeito desejado por ele. Podemos imaginar que, como ganhador de almas, ele não conseguiu grandes resultados. E é com tristeza que ele vê aqueles que aceitaram a mensagem lhe darem as costas. Ele imaginava que o respeito e consideração demonstrados por eles na época da conversão jamais seria minado. Ledo engano!
Talvez Paulo tenha cometido um pequeno engano.  Ele achava que os gálatas seriam capazes de arrancarem os próprios olhos em seu favor, mas agora, o estavam como que, apunhalando pelas costas. O pregador deve conduzir os seus ouvistes a estarem dispostos a fazerem qualquer coisa por Cristo e não em favor de quem lhes transmitiu a mensagem.
Paulo estava com o coração machucado. Creio que todos nós já experimentamos o dissabor de ver alguém que aceitou o convite da salvação por nosso intermédio se afastar da igreja. Qualquer apostasia nos causa tristeza, mas e situação pesa mais quando as pessoas envolvidas tiveram algum relacionamento mais próximo de nós. Essa era a situação de Paulo.
Segunda
            Em um dos últimos sermões de meu pai ele disse para a igreja que o seu grande sonho era um dia pregar usando as palavras de Paulo encontradas em 1 Coríntios 11:1: “Sede meus imitadores, como também eu de Cristo.” Esse é um desafio que envolve muita responsabilidade e que eu não teria coragem de fazer. Por mais que sejamos exemplos de conduta para alguém, não podemos esquecer de que somos passiveis de falhas. Mas esse foi o desafio proposto por Paulo.
            Creio que o desafio de igualdade que Paulo reclamava fosse mais do ponto de vista doutrinário do que comportamental. O seu desejo era que os gálatas reativassem o mesmo enfoque doutrinário que uma vez os trouxeram aos pés de Cristo. Eles necessitam de, novamente, serem transformados.
            Certo de que “as palavras convencem, mas são os exemplos que arrastam”, Paulo se coloca como espelho para os gálatas e lança o desafio: “Sede meus imitadores, como também eu de Cristo.” Diz Ellen G. White: “A influência espontânea e inconsciente de uma vida santa é o mais convincente sermão que se pode fazer em prol do cristianismo” (Atos dos Apóstolos, p 511).
Terça
Em seu apelo aos gálatas, Paulo faz uma retrospectiva de tudo o que ele abriu mão para levar o evangelho até eles. Veja alguns pontos:
- Se fez de fraco para ganhar os fracos (1Coríntios 9:22).
- Se fez de servo (1 Coríntios 9:19).
- Se fez sem lei (1 Coríntios 9:21).
- Se indispôs com os demais apóstolos (Gálatas 2:11).
- Se indispôs com os de sua própria nação (Atos 28:19).
Paulo estava praticamente sozinho. Os gálatas, de quem ele esperava uma resposta positiva, lhe deram as costas. Enquanto um Pedro, analfabeto, ganhava em um só dia milhares de pessoas para Cristo, o intelectual Paulo conseguiu em toda a sua vida mais confusões do que resultados positivos de conversões. Lembra que o rei Agripa ficou no “quase” (Atos 26:28). A sua vida, depois da conversão se transformou em um tormento. Tudo isso pela sua paixão de pregar para os gentios. O vaso escolhido por Deus foi provado até as últimas consequências.
Quarta
            Depois de enumerar as coisas de que ele abriu mão para pregar aos gálatas, Paulo relembra o fervor com que eles receberam a mensagem. Não há como precisar qual doença ou deficiência que atingiu o apostolo, mas o certo é que ele estava bastante debilitado quando anunciou o evangelho para os gálatas.
Como os gálatas estavam dispostos a arrancarem os próprios olhos e os doarem para Paulo, imagina-se que seja algum problema na visão. E talvez fosse sequelas do seu encontro com Cristo na estrada de Damasco, momento que o deixou cego por alguns dias.
Na época de sua conversão os gálatas demonstraram um carinho e estima por Paulo que marcou a sua vida. Mas as coisas mudaram muito e para pior. Ele faz um triste paralelo entre aqueles bons tempos e os de agora quando os irmãos o evitavam e se alguma aproximação acontecia ficava restrita a debates e desconfiança. Mas Paulo não se deixou abater. Continuou anunciando a mensagem com todo o fervor. Ele desabafa: “Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos” (2 Coríntios 4:8-9).
O que aconteceu com Paulo serve de alerta para nós hoje. Talvez você já tenha amargado a triste experiência de, depois de evangelizar alguém e depois de experimentar a sua estima e carinho ver essa pessoa fugindo de sua presença; recusando atender ao telefone e, com palavras vagas e frias manifestar indiferença e distanciamento. É algo que dói, mas pode acontecer.
Quinta
            Quando estudava no antigo CAB (Colégio Adventista Brasileiro) fiz amizade com um jovem que sempre me dizia do amor que ele tinha para com uma das moças do colégio. Era uma paixão incontrolável. Porém, percebíamos que existia por parte dela uma certa frieza e, do nosso ponto de vista, aquele relacionamento jamais daria certo.
            Certa vez ele me procurou. Queria uma sugestão de como fazê-la gostar dele e serem felizes para sempre. Respondi que, no nosso entendimento, ela não o amava e que seria um grande risco para ele e para ela forçar uma relação. Ele não gostou das minhas palavras e ficou diferente comigo por alguns dias. Algum tempo depois ele casou com outra jovem e são felizes ate hoje.
            Dizer a verdade nem sempre é fácil e ouvi-la é mais difícil ainda. Principalmente quando temos a nossa verdade relativa e queremos que todos a aceitem como se fosse uma verdade absoluta.
A verdade relativa é verdade em uma única vez e em um único lugar. É verdade para algumas pessoas e não para outras. É verdade hoje mas pode não ter sido verdade no passado e pode não ser novamente no futuro, sempre está sujeito a mudança. Também está sujeito à perspectiva das pessoas.
            Já a verdade absoluta é verdade uma vez e em um lugar, é verdade todo o tempo e em todos os lugares. O que é verdade para uma pessoa é verdade para todas as pessoas. É a verdade verdadeira se nós acreditamos nela ou não.
Para o cristão só existe a verdade absoluta exarada na Palavra de Deus. É a verdade que não vai além e nem fica aquem do “assim diz o Senhor”.
Paulo, depois de matutar muito sobre os motivos do comportamento indiferente dos gálatas ele acertou na mosca: “Fiz vosso inimigo dizendo a verdade?” Claro que sim! E Paulo não foi o primeiro e nem será o último a grangear inimigos por falar a verdade. A verdade e o erro é o tema do grande conflito. A medida que caminhamos para o fim mais e mais ele se acentuará.
Vivemos uma crise de autenticidade. Muitos se envolvem na túnica da hipocrisia para apresentar uma verdade nunca vivida e nem experimentada. Via de regra o ser humano jura amor à verdade mas tem filhos com a mentira. Jesus nos adverte:“Não será assim entre vós” (Mateus 20:26).
Conclusão
            No comentario de domingo eu mensionei que a Bíblia não esclarece se o apelo de Paulo causou o efeito desejado por ele. Mas a irmã Ellen G. White não deixa dúvidas. Diz ela: “As fervorosas palavras de súplica do apóstolo não ficaram sem fruto. O Espírito Santo operou com forte poder, e muitos cujos pés se haviam desviado para caminhos estranhos, retornaram a sua primeira fé no evangelho. Daí em diante ficaram firmes na liberdade com que Cristo os havia libertado. Na vida deles foram revelados os frutos do Espírito - "amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio". Gál. 5:22 e 23. O nome de Deus fora glorificado e muitos foram acrescentados ao número dos crentes em toda aquela região” (Atos dos Apóstolos p 388).
            Quando nos posicionamos em favor da verdade a promessa divina é: “Assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei” (Isaías 55:11). 

            

domingo, 2 de outubro de 2011

Pensamentos

São nas madrugadas que eu vivo com mais intensidade o meu presente. Carmo
Um dia, não sei como, a morte vai chegar. O que eu não quero é nos estranhar. Carmo
Vejo o mundo caminhando rapidamente para o fim. Na velocidade em que vai o inpácto causará uma grande destruição. Carmo
Deus fez o mundo redondo para mostrar que os seus habitantes não devem ser quadrados. Carmo


De escravos a herdeiros

Comentário da Lição da Escola Sabatina de 12 a 19 de novembro de 2011.
Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, autor de a meditação Reavivar a Esperança.
É membro da Igreja Adventista do Sétimo dia, Central de Taguatinga.

Introdução
O nome do meu irmão mais velho é Alberto. Quando éramos crianças, tínhamos um vizinho adventista que nos ensinou muito sobre a Bíblia. O curioso é que  ele nunca chamava o meu irmão de Alberto mas sim, de Liberto. De vez em quando, com todo o respeito que eu tinha para com ele, procurava lembrá-lo de que  o nome de meu irmão não era liberto mas sim, Alberto. Com um grande sorriso ele me respondia: “Vocês aceitaram a Jesus como o Salvador e todos foram libertados do pecado. Assim, você também é um liberto.”
Um fato interessante é que os escravos não tinham nome e viviam circunscritos à propriedade de seus senhores. Uma vez livres necessitavam de um nome para se identificarem para o mundo. E, alguns, passaram a usar o sobrenome de seus senhores. Talvez, o meu sobrenome seja o de algum senhor de engenho famoso de outrora.
Mas um fato curioso é que alguns escravos eram libertados pela metade. Na carta de alforria o seu senhor explicitava que, daquele dia em diante, aquele escravo não estava mais sujeito a desempenhar determinados serviços e passava a desfrutar de relativa liberdade.
Todos nós fomos libertados das garras do mal e recebemos um novo nome. Mas Jesus nunca nos liberta pela metade. Essa liberdade que Ele nos oferece é total. “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8:36).  E melhor, uma vez libertos somos adotados como filhos do Rei e somos os Seus herdeiros “Assim que já não és mais servo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo” (Gálatas 4:7).
Domingo
A ideia de Aio nesse texto indica estar submisso a alguém. Sem Cristo estamos sbmissos a lei. Ela nos acusa e nos condena. Mas ao aceitarmos a Cristo Ele assume as nossas transgreções e nos oferece a liberdade. Não estamos mais sob o jugo da lei pois, em caso de transgressão, o sacrificio de Jesus nos livra da condenação. Após o pecado de nossos pais no Éden, eles estavam irremediavelmente condenados a morte. Mas quando o cordeiro foi morto eles se tornaram livres.  Ali estava a figura do Salvador que um dia daria a Sua vida para trazer a liberdade a todos que O aceitarem. 
A fé  é a força motriz  que nos proporciona a energia necessária para rompermos as cadeias da morte. Muitos judeus encotravam dificuldades para acreditar que Jesus perdoa um passado de transgressões e faz do transgressor uma nova criatura. Mas, isso é o que Ele promete.
Um outro aspécto difícil de ser aceito pelos judeus é que em Cristo toda a humanidade se nivela. Não ha alguém mais importante do que outro, não interessa a asua origem. Todos são considerados filhos de Abraão e estão aptos a desfrutar da mesma liberdade oferecida por Jesus.
Aparentemente o verso 27 está dizendo que todos os que foram batizados já se revestiram de Cristo. Um batismo sem arrependimento e sem o propósito de andar em novidade de vida não tem significado nenhum. Paulo não deixa nenhuma dúvida sesse aspécto. Ele é claro: “Porque todos quantos fostes batizados em Cristo.” Apenas Cristo pode nos transformar em nova criatura.
Segunda
            Hoje estamos iniciando o estudo da primeira parte do capítolo quatro de Gálatas. Paulo insiste no tema da condição de uma criança que necessita do  cuidado de alguém. Em sua explanação, ele afirma que a criança pode ser filha de um rei ou de um próspero emprezario, mas até alcançar a maioridade determinada pela lei ou pelo pai, ela se iguá-la a qualquer servo. Durante a sua infancia ela necessita dos cuidados de alguém. Essa infancia no campo espiritual representa a nossa vida antes de conhecermos a Jesus. Ele nos liberta não de observarmos a lei mas das consequencias impostas pela lei a qualquer transgressor.
            Paulo ao abordar a sujeição do homem à lei, ele não está se referindo apenas aos dez mandamentos, mas a uma infinidade de práticas e rudimentos criados e impostos pelos líderes religiosos de seu tempo. Os judeus fizeram uma “regulamentação” da lei de Deus que a tornava um fardo imsuportável. Jesus sempre defendeu a perpetuidade da lei, mas condenava a observancia à maneira como era ensinado nas sinagogas, pricipalmente no que tange ao dia de sábado. “E Ele lhe disse: Ai de vós também, doutores da lei, que carregais os homens com cargas difíceis de transportar, e vós mesmos nem ainda com um dos vossos dedos tocais essas cargas” (Lucas 11:46). É esse tipo de sugeição que Paulo condena  em sua carta aos gálatas.
            Parece que Paulo quer dizer também que todos os ensinamentos do Velho Testamento são imprensindíveis na formação de nossa personalidade cristã. O Velho Testamento mostra o que é pecado e o resultado do pecado. O Novo Testamento mostra que existe uma saída e que não há necessidade de morrermos eternamente. Ao aceitar o sacrifício de Jesus somos livres para vever.
Terça
Certa vez ouvi de um pastor adventista que Jesus nasceu numa época de completo descontrole do ser humano. O império romano dominava com garras de ferro e os religiosos chegaram a um ponto insustentável de fanatismo e instituticionilização das tradições. Do ponto de vista deste pastor, caso Jesus não tivesse nascido, Deus teria que usar um segundo dilúvio. Realmente Jesus nasceu na plenitude do tempo. Nem antes e nem depois do previsto pelo projeto redentivo.
Tudo aconteceu e acontece dentro do cronograma divino. Quando Jesus disse: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mateus 11:28), Ele sabia muito bem o peso da condenação que repousava sobre cada um de Seus ouvistes. A Sua presença entre eles significava um novo tempo. Não mais “uma certa expectação horrível de juízo, e ardor de fogo, que há de devorar os adversários” (Hebreus 10:2).
É interessante o comentario do autor sobre o texto “nascido sob a lei”. Ele afirma que Jesus nasceu sob as leis judaicas e ao mesmo tempo assumiu a condenação exigida pela lei.
Jesus era o único que podia nos prover salvação e, mesmo assim, se conseguisse condenar o pecado na carne ou seja, viver como homem e não pecar. A divindade Se dispos realmente a salvar o homem  e entrou de cabeça nesse projeto.
João afirma que o Verbo habitou entre nós e vimos a Sua glória cheio de graça e verdade. Dá a entender que a salvação é pela graça e que ela está intimamente ligada à verdade. Uma das verdades que Jesus sempre pregou foi: “Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir” (Mateus 5:17).
Quarta
Em Efesios 2:3, Paulo diz que antes da morte de Jesus todos estavam condenados pela lei. Ele afirma: “inclusive nós também”, se referindo aos judeus. A Bíblia esclarece: “Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também.” É curioso que ao mensionar graça, culpa, perdão, condenação, privilégios e deveres, Paulo inclui todos em pé de igualdade. Essa maneira de Paulo apresentar a verdade deixava os judeus revoltados com as suas palavras. Para eles, jamais os seres humanos eram iguais em direitos e obrigações.
Jesus ao morrer na cruz abriu uma porta para toda a humanidade. Por ela podemos passar confiantes de que do outro lado encontraremos coisas “inefáveis”. Antes de nossa conversão eramos escravos do pecado, filhos da ira e estavamos condenados à morte.  Jesus nos trouxe a liberdade definitiva. Deixamos o reino das trevas e  passamos a fazer parte do “Reino do Seu amor”. Antes eramos filhos do pecado e estava reservado para nós a  herança a que tinhamos direito: morte. Uma vez adotados no Reino celestial somos também herdeiros das promessas feitas a Adão e Eva no Éden, após o pecado e, confirmadas aos patriarcas e profetas, entre eles Abraão.
Uma vez adotados  por Cristo somos filhos de Deus. João afirma:Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele; porque assim como é o veremos” (1 João 3:2). A idéia de sermos adotados no reino de Deus era algo que esgotava toda a imaginação do apóstolo João e ele suspira: “ainda não é manifestado o que havemos de ser”. João transmite a idéia de que só depois da volta de Jesus vamos entender, em toda a plenitude, o real significado de nossa adoção.
Quinta
Diante das maravilhas oferecidas aos que aceitam Jesus como Salvador, Paulo não consegue entender porque os gálatas, influenciados por “falsos irmãos”, estavam voltando aos “velhos rudimentos” os quais ele classifica de pobres e fracos. Pobres porque inibe as pessoas de receberem as “riquezas de Sua graça” e fracos porque não provê a salvação. Paulo estava temeroso de  que todo o seu trabalho anterior de mostrar aos gálatas “um caminho mais exelente” estivesse perdido. O seu temor talvez, não fosse tanto pelo trabalho perdido, mas sim, pelas pessoas que se apartavam das promessas. Ele sabia que em: “E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos” (Atos 4:12).
O autor nos oferece duas idéias para a expressão “dias, meses e anos”, mensionada por Paulo. E podemos acrescentar mais uma: Paulo refere ao sábado não como um dia anulado por Deus mas sim, pelas tradições com as quais os judeus permearam a observãncia deste dia.
Retrocessos na caminhada rumo ao lar celestial é um perigo que espreita a todos nós. É o próprio Paulo que nos adverte: “Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia” (1 Coríntios 10:12).
Conclusão
A situação do homem após o pecado não tinha solução. Com a trangressão nos tornamos “filhos da ira” e estavamos condenados à morte. O amor de Deus por cada um de nós levou o Céu a arriscar o próprio Céu para nos salvar. Temos um hino em que se faz a pergunta:”Que amor é esse?” Jesus foi as últimas consequencias para nos reabilitar como Seus filhos especiais. É pena que o orgulho humano tem levado tantas pessoas a despezar e ignorar este amor. Que Deus nos ajude a nunca apartarmos desta monumental tábua de salvação.