segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Expiação: oferta da purificação


Comentário da Lição  da Escola Sabatina de 26 de outubro a 2 de novembro de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma Meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia - Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            A oferta de purificação era também chamada de oferta pelo pecado. A oferta de purificação envolvia mais os casos de contaminação por um morto, doenças como a lepra ou uma mulher que desse a luz uma criança. Já a oferta pelo pecado era aquela que envolvia falhas de comportamento para com Deus ou para com os homens.
            Ao cometer um pecado a pessoa se declarava em conflito com Deus e esse conflito causava a separação entre criatura e Criador. Em tal situação o homem estava condenado à morte. Pois a Bíblia afirma: “Porque o salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23). A promessa feita no Éden era que a reconciliação só seria possível mediante o sacrifício de Cristo. Mas até que Ele viesse morrer pelo pecador foi instituído o sacrifício de animais. Os animais oferecidos eram sem defeito, pois apontavam para Jesus.
            Os pecados, uma vez confessados e feito o sacrifício adequado a cada um permaneciam, por assim dizer, estocados no santuário até o dia da Expiação que prefigurava o dia do juízo.
            Caso hoje fosse necessário sacrificar um cordeiro para remissão de um pecado, provavelmente não existiriam cordeiros suficientes para o sacrifício. Vivemos em um mundo corrompido onde os que mais falam do evangelho são os que mais pecam.

Domingo
            O pecado de rebelião é o mais grave apresentado na Bíblia. É aquele pecado que a pessoa, em sã consciência comete deliberadamente e repetidas vezes. Para esse tipo de pecado não havia perdão, salvo em casos raros. O rei Acaz foi um exemplo de alguém que cometeu esse tipo de pecado e Deus o eliminou. O mesmo aconteceu com o rei Manasses que em sã consciência afrontou a Deus, mas no final de sua vida, implorou perdão e foi atendido.
            No caso da mulher de Tecoa Joabe a usou para criar um precedente jurídico. O “seu filho” cometeu um crime proposital e grave, pelas leis vigentes na época teria de ser executado. Diante de Davi ela pede para perdoá-lo. Era uma situação complicada para o rei, pois se ele o perdoasse o rei assumiria o crime do rapaz. Numa tentativa de favorecer as coisas para o rei a suposta mãe se propôs a assumir as consequências da culpa.
            A estória relatada ao rei pela mulher tecoita tinha como objetivo sensibilizar Davi para que perdoasse a Absalão seu filho. Fazia três anos que Absalão, depois de assassinar Amnom, havia fugido para Jesur. Absalão o matou porque ele forçou Tamar, que era irmã dos dois. A vida de Absalão estava nas mãos do seu pai, e pelas leis vigentes ele deveria ser morto.
            Absalão foi perdoado pelo rei e, logo que retornou, se revoltou contra o rei no intuito de assumir o trono. No campo de batalha os seus cabelos enrolaram em um galho de árvore e, suspenso no ar, foi assassinado pelo exército de Davi, embora ele tivesse dado ordem para poupá-lo. Parece que Deus tomou providencias para que Absalão não ficasse impune.

Segunda
            Para os israelitas o ato de impor às mãos sobre a cabeça do animal a ser sacrificado era a parte mais solene do sacrifício. Esse doloroso procedimento era praticado com frequência.
            O pecador tinha plena consciência de que era merecedor da morte e que, ao impor as mãos sobre a cabeça do cordeiro, ele estava transmitindo a sua pena de morte para o animal.
            O doloroso ritual diário de sacrifícios dava aos israelitas uma noção bem clara de quão terrível é o pecado. Embora saibamos do que significou a morte de Jesus esse é um quadro que nem sempre está tão real em nossa mente o que nos leva a pecar sem uma nítida clareza de quão terrível é.
            Diz Ellen G. White: “Far-nos-ia bem passar diariamente  uma hora a refletir sobre a vida de Jesus. Deveremos tomá-la ponto por ponto, e deixar que a imaginação se apodere de cada cena, especialmente as finais” (O Desejado de Todas as Nações, pág. 83). 
A nota do rodapé da página 57 (Lição do professor) é uma solene advertência para nós. Diz o texto: “Da próxima vez que você for tentado a pecar, imagine Jesus morrendo na cruz e veja você mesmo colocando as mãos sobre Sua cabeça e confessando seus pecados sobre Ele. Pensar nisso ajuda a entender o preço do perdão? Como essa ideia pode ajudá-lo a não cair em tentação?”

Terça
            É curioso ver que o altar do pátio era construído com madeira de Acácia e revestido de bronze. Já mencionamos que o bronze está ligado a sofrimento, punição, sacrifício, justiça e juízo.
Após o animal ser degolado no pátio o sacerdote molhava o dedo no sangue e o colocava nas pontas do altar no lugar santo.  Isso indicava que os pecados do penitente estavam sendo transferidos para o santuário e que Deus os havia assumido. Razão da existência do dia da expiação para a purificação do santuário que acontecia uma vez no ano.
 Quando Adonias viu que fracassou na sua tentativa de usurpar o trono de Davi que, por direito estava reservado para Salomão, temeu por sua vida e foi se refugiar no santuário. Ali, em angustia, ele se agarrou nas pontas do altar. Esse ato era um reconhecimento de seu pecado e ao mesmo tempo era um pedido mudo de clemência. O ouro indicava perdão, pureza e santificação. Morte era o que Adonias merecia. Mas as pontas voltadas para o Céu indicavam que a salvação provinha apenas de Deus. O seu ato o livrou da morte.
E foi dito a Salomão: Eis que Adonias teme ao rei Salomão; pois que se apegou às pontas do altar, dizendo: Jure-me hoje o rei Salomão que não matará o seu servo à espada. Ao que disse Salomão: Se ele se houver como homem de bem, nem um só de seus cabelos cairá em terra; se, porém, se houver dolosamente, morrerá. Então o rei Salomão deu ordem, e tiraram Adonias do altar. E vindo ele, inclinou-se perante o rei Salomão, o qual lhe disse: Vai para tua casa” (1 Reis 1:50-53).
Todos nós somos condenados à morte. Cristo nos oferece a salvação pelo seu sangue vertido no Gólgota (altar). Segurar nas pontas do altar é o nosso clamor de perdão.

Quarta
            A santa ceia lembra-nos o sacrifício no santuário. Usamos o suco de uva representando o sangue de Cristo e comemos o pão. Ele declarou: “Eu sou o pão da vida” (João 6:35).
            Sabemos que no ritual do santuário todos os sacrifícios tinham a ver com Cristo e tudo deveria acontecer conforme o que foi mostrado a Moisés e, quando isso fugia da rotina era um risco de morte iminente.
            Assim como o pecador tinha de estar consciente no seu ato de apresentar o sacrifício, o sacerdote também tinha o dever de seguir o ritual pré-estabelecido para o sacrifício.
            O ato de o sacerdote levar o sangue do sacrifício para dentro do santuário representa Jesus levando os nossos pecados para dentro do santuário. “Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido” (Isaías 53:4).
            Temos o relato triste dos filhos de Eli que, ao agirem de maneira desrespeitosa para com o sacrifício foram eliminados pelos filisteus. (Ler 1 Samuel 2:12-17 e 1 Samuel 4:11. Eles cometeram vários desatinos. Comiam a carne do sacrifício crua e com gula; eles comiam a gordura dos animais o que não era permitido. Eli foi reprovado por Deus ao agir de maneira complacente com os seus filhos. O fato de Eli ser obeso (1 Samuel 4:18) dá a entender que ele não tinha hábitos saudáveis de alimentação e, talvez, seja uma das causas da gula de seus filhos.

Quinta
            Todos os rituais do santuário tinha um só objetivo: perdoar o pecador. Vale a pena acompanhar o pecador em seu processo de expiação. Primeiro ele reconhece ser culpado. Arrependido, ele escolhe o melhor animal do seu rebanho e se dirige ao santuário. Ao chegar lá o cordeiro é colocado sobre o altar.
            Vem então o momento mais solene: o pecador coloca as suas mãos sobre a cabeça da vitima e o animal é sacrificado. A gordura do animal é queimada, a carne é assada e ingerida pelo pecador e pelo sacerdote.   Parte do sangue é transportado para dentro do santuário pelo sacerdote e colocado nas pontas do altar. Com esse ato o pecado do transgressor é levado para dentro do santuário.
            Um fato curioso é que a disposição dos móveis dentro do santuário segue o formato de uma cruz. No pé da cruz está o altar do holocausto localizado no pátio do santuário. Ele simboliza de maneira direta o Calvário. Depois do altar do holocausto está a pia. No lugar santo temos os braços da cruz tendo de um lado a mesa e do outro o candelabro. Logo depois temos o altar do incenso. No topo da cruz está o santíssimo com a arca da aliança, o propiciatório e os querubins.
            Tudo isso foi planejado por Deus com o propósito de nos salvar. Para erradicar o pecado foi necessário um engenhoso projeto recheado de minúcias e detalhes. E o mais importante: muito e muito amor de Deus por você e por mim.

Conclusão

            Realmente não foi mediante coisas corruptíveis que fomos resgatados. A nossa salvação custou à vida do filho de Deus. A morte de Cristo propiciou a nós, trapos de imundícia, uma transformação a tal ponto de fazer de nós homens mais preciosos que o ouro de Ofir.

domingo, 20 de outubro de 2013

Lições do santuário

Comentário da Lição da Escola Sabatina de 19 a 26 de outubro de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O autor é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga.

Introdução
O santuário era dividido em três partes: pátio ou átrio; o lugar santo e o lugar santíssimo, embora muitos comentaristas considerem o lugar santo e o lugar santíssimo como uma só parte.
Existe uma ideia de que os três compartimentos do santuário resumem o convite da salvação e a essência do evangelho. Ou seja: O átrio é o “vinde a Mim” e representa Cristo como o único caminho.
O lugar santo é um convite para seguirmos a Cristo. É o “vinde após Mim”. E o santíssimo é “permanecei em Mim”. Ele representa a vida, porque é no santíssimo que a nossa vida é garantida. Resumindo o santuário, semelhante a Cristo é o caminho, a verdade e a vida.
As taboas de acácia do santuário são consideradas por alguns comentaristas como Cristo revestido da humanidade. A madeira de acácia é pesada e dura, quase indestrutível pelo tempo ou pelos insetos. Por isso ela foi excelente para o uso do tabernáculo. A indestrutibilidade dessa madeira representa também que a humanidade de Cristo era incorruptível, nem o pecado e nem Satanás puderam atingi-Lo.
 Outros considerem as tábuas os seres humanos pecadores e a prata que os revestia, a graça de Cristo que nos envolve. Assim quando alguém olha para nós não vê um ser envolto em pecados, mas sim, a santidade de Cristo a nos envolver.
Todos os móveis do pátio eram de bronze ou cobre. O bronze e o cobre representam uma vida de sofrimento e pecado. Mas quando entramos no lugar santo nos deparamos com um altar revestido de ouro. É ali que Jesus transforma esse homem de cobre ou bronze fosco pelo pecado em ouro precioso de Ofir. 
O ouro representa a glória de Cristo e a Sua justiça como aquela vista sobre o propiciatório. Se o ouro significa a divindade e a madeira de acácia representa a humanidade, temos uma figura perfeita de um Cristo glorioso e justo, revestido da humanidade, pois Cristo é “Deus conosco” (Mateus 1:23).
A cor dos ornamentos do santuário tem muito a ver com a divindade de Cristo. O azul representa a natureza celestial de Cristo. Purpura tem a ver com a Sua realeza e soberania.
O carmesim fala do Seu sacrifício, enquanto a cor branca de linho tem a ver com a perfeição e aos que são lavados no sangue de Cristo.  O Linho Fino representa a justiça de Cristo e a daqueles que o aceitaram. (II Coríntios 5:21; Apocalipse 19:8; I Coríntios 1:30). Enquanto as peles de carneiro tingidas de vermelho era o emblema da Expiação de Cristo, ou a devoção do Sacerdote no seu oficio. Pele de texugos era sem revelo, manifestando o fato que o homem natural não vê em Cristo nenhuma formosura (Isaías 53:2).
 O azeite fala do Espírito Santo, ou Sua unção, I João 2:27. O Espírito Santo foi dado a Cristo sem medida, João 3:34. Cristo fez as Suas obras pela virtude do Espírito Santo, Hebreus 9:14; Sal 45:7; Isaías 11:2-4; Efésios 1:19. Cristo a Luz do mundo, João 8:12; a Sua sabedoria divina, I Cor 1:30 e as pedras de ônix e as pedras de engaste representam a união dos Cristãos a Deus por Cristo.

Domingo
            Já mencionamos em lição anterior que Deus não necessita de um lugar específico para a Sua habitação. Ele é onipresente e está em todo o lugar ao mesmo tempo.
            A ordem para fazer um santuário deixa bem claro o propósito divino: “para que Eu possa habitar no meio deles”. Já comentamos também que o propósito divino para a construção do santuário ‘terrestre não é porque Deus necessite de um lugar para morar, mas seria para que nós tivéssemos uma referencia de onde encontrá-Lo.
            Tanto o santuário celestial como o santuário terrestre é a referencia de onde encontrarmos Deus na Terra como no Céu. O santuário terrestre supriu a ausência do jardim do Éden onde Deus Se encontrava diariamente com Adão e Eva. Com a entrada do pecado Adão e Eva tiveram que deixar o Éden. A ordem para construção do Santuário era como se Deus estivesse dizendo: “Eu sio do Jardim junto com vocês, mas continuarei no meio de vocês em meio a poeira e o calor do deserto”.
            Com quatro rios serpenteando as suas terras o jardim do Éden era muito bem regado. Com certeza era o lugar mais aprazível da Terra. O homem não aprendeu a lição e, por causa de suas transgreções, ele é expulso de sua terra e desce para ser escravo no Egito. Em Sua misericórdia Deus o tirou de lá. Ao atravessar o deserto rumo à terra que mana leite e mel o homem mais uma vez exteriorizou a sua natureza carnal e, em consequência, permaneceu por quarenta anos vagueando pelo deserto. Mesmo assim Deus não o abandonou e pediu para que Moisés fizesse o santuário para que Ele pudesse morar entre eles.
            Que mudança drástica, deixar um jardim para morar em um deserto árido e inóspito onde as tempestades de areia faziam parte do dia a dia e onde o calor do dia era substituído pelo frio congelante da noite. Tudo isso para morar entre os Seus filhos que, embora rebeldes, continuava sendo os Seus filhos.

Segunda
            Levíticos 19:2 tem sido um permanente desafio para os filhos de Deus e é um texto que muitas pessoas têm dificuldade em compreender. Como ser santo como Deus é santo? Mas como Deus nos impõe uma meta impossível de ser atingida? Temos dois pensamentos a respeito. Primeiro a ordem divina constitui um alvo a ser alcançado e, em segundo lugar, seremos santos na esfera humana como Deus é santo na esfera divina.
            A busca por essa santidade termina com a nossa morte. Esse processo é conhecido por santificação e, falando de Santificação, a irmã Ellen G. White esclarece: “A santificação não é obra de um momento, de uma hora, de um dia, mas dá vida toda. Não se alcança com um feliz voo dos sentimentos, mas é o resultado de morrer constantemente para o pecado, e viver constantemente para Cristo” (Atos dos Apóstolos, p. 560).
            A santificação exige atenção diária. A rotina do santuário exigia cuidados específicos que não poderiam ser esquecidos. No processo de santificação acontece o mesmo.

Terça
            É fascinante o estudo do santuário. Na introdução descrevi alguns materiais usados na sua construção e alguns mobiliários.  Todos tem um significado e uma razão de ser dessa maneira. Na construção do templo a madeira foi importada do Líbano. Mas na construção do santuário todo o material foi proveniente das doações dos israelitas e a madeira de Acácia, usada não veio do Líbano, era própria do deserto. Como pode uma estrutura tão bem elaborada ser construída em uma região tão inóspita como o deserto!? Os construtores não puderam contar com material importado e nem com o auxílio de profissionais e ferramentas vindos de fora. Tudo foi resolvido entre eles.
         Deus ofereceu a chave para resolver o problema. “Eis que eu tenho chamado por nome a Bezaleel, filho de Iri, filho de Hur, da tribo de Judá, e o enchi do espírito de Deus, no tocante à sabedoria, ao entendimento, à ciência e a todo ofício, para inventar obras artísticas, e trabalhar em ouro, em prata e em bronze, e em lavramento de pedras para engastar, e em entalhadura de madeira, enfim para trabalhar em todo ofício. E eis que eu tenho designado com ele a Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã, e tenho dado sabedoria ao coração de todos os homens hábeis, para fazerem tudo o que te hei ordenado” (Êxodo31:2-6).  E completa: “Estes encheu de sabedoria do coração para exercerem todo ofício, seja de gravador, de desenhista, de bordador em azul, púrpura, carmesim e linho fino, de tecelão, enfim, dos que exercem qualquer ofício e dos que inventam obras artísticas” (Êxodo 35:35). Esse “inventar obras artísticas” não quer dizer que Bezaleel e Aoliabe inventaram as coisas como bem lhes vieram na cabeça. Deus lhes deu o dom de inventar como fazer as coisas.
É curioso observar que Barzilai e Aoliabe não receberam uma ordem de Deus. Eles receberam um convite. Eles não eram profissionais em todas as áreas, mas Deus os capacitou. Imagino que o Santuário não fazia parte das sete maravilhas do mundo daquela época. Ele era a maravilha das maravilhas do mundo.
Nos capitólios 37 e 38 temos o relato da ordem seguida na edificação do santuário. A construção foi realizada de dentro para fora iniciando pelos móveis do lugar santíssimo. Esse detalhe nos leva a duas considerações. Primeira, é que ao começar com a construção da arca com o seu conteúdo, do propiciatório e dos querubins, depois de pronto, não haveria necessidade dos construtores entrarem no Santíssimo onde só o Sumo Sacerdote poderia entrar. A segunda consideração é que somos o santuário de Deus e que a construção do nosso caráter também deve ser de dentro para fora.
E mais um adendo: a construção do santuário só foi possível porque os construtores se deixaram ser usados pelo Espírito Santo. O mesmo acontece conosco. Sem a direção do Espírito Santo nada será possível.
Bezaleel e Aoliabe fundaram a primeira escola de Belas Artes do mundo. E que bela arte eles fizeram! “Também lhe dispôs o coração para ensinar a outros; a ele e a Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã” (Êxodo 35:34).

Quarta
            Todas as atividades espirituais, sociais, jurídicas e também o proceder das pessoas tinham a ver com o santuário. Esse é um lembrete especial para todos nós. Toda a nossa vida deve estar voltada para o que acontece no santuário.
            Em qualquer situação em que encontrassem os israelitas deveriam ter a sua atenção e visão voltadas para o santuário ou o templo. Seria como se fosse um casamento dos israelitas com o templo. Tanto na prosperidade como na adversidade esse vínculo nunca deveria ser quebrado.
            Quando a colheita era farta eles se dirigiam ao santuário para agradecer a Deus. Ao caírem em pecado ou se sofriam a repreensão do Senhor a sua atenção deveria estar sempre voltada para o santuário.
            Mesmo exilados ou cativos em terras distantes eles deveriam volver o seu olhar na direção do santuário. Foi essa a postura de Daniel quando esteve exilado nas cortes de Babilônia. Três vezes ao dia ele abria a janela do palácio que dava para a direção do templo em Jerusalém e orava ao seu Deus. É interessante que Deus ouvia a oração de Seus filhos errantes em resposta à oração de Salomão.
            Todas as falhas que os israelitas cometiam contra Deus e contra o próximo tinha o seu desfecho no santuário. Aconselhamentos ou repreensões provinham do templo.

Quinta
            A depender da falha cometida o pecador deveria oferecer determinado tipo de sacrifício. Esse sacrifício apontava para Jesus que um dia daria a Sua vida em favor dos transgressores.
Caso o sacrifício fosse diferente do preestabelecido por Deus o pecador era punido. Oferecer o sacrifício específico era uma prova de aceitação da misericórdia divina. A depender do sacrifício oferecido o pecador seria perdoado ou justiçado. Deus é amor, mas a justiça é à base do Seu trono.
Davi se preocupou com o progresso do ímpio quando pessoas fiéis padeciam necessidades e enfrentavam provações. As suas dúvidas persistiram até que ele entrou no santuário e viu o fim dos perversos.
Semelhantes a Davi, muitas de nossas dúvidas serão dirimidas depois que conhecemos mais e melhor o santuário.
Em certo momento de sua vida Davi foi surpreendido por Saul que o ameaçava de morte. Ele conseguiu escapar, mas não foi possível levar coisas essenciais para a sua sobrevivência como alimentos e a sua espada. Em sua fuga ele se dirigiu ao santuário e procurou o sacerdote.
Ele estava desarmado e faminto. O sacerdote lhe ofereceu pão santo que a pessoa em pecado não poderia comer. E Davi teve uma surpresa especial. A espada de Golias que lhe foi tão útil um dia estava ali esquecida no santuário. “E disse Davi a Amoleque: Não tens aqui à mão uma lança ou uma espada? porque eu não trouxe comigo nem a minha espada nem as minhas armas, pois o negócio do rei era urgente.
Respondeu o sacerdote: A espada de Golias, o filisteu, a quem tu feriste no vale de Elá, está aqui envolta num pano, detrás do éfode; se a queres tomar, toma-a, porque não há outra aqui senão ela. E disse Davi: Não há outra igual a essa; dá-me” (1 Samuel 21:9). Foi no santuário que Davi encontrou solução para os seus problemas.
Davi ao vencer Golias achou que jamais iria necessitar daquela espada e a desprezou esquecendo-a no santuário. Muitos usam a Bíblia, a Espada do Espirito para vencer os Golias da vida. Mas às vezes a autoconfiança os leva a deixá-la na igreja embrulhada na poeira do esquecimento. É ela que nos ajuda a vencer o Golias e os demais inimigos que procuram nos destruir. Temos que ir ao santuário não para obtê-la, mas com ela nas mãos. (Sugestão de leitura: página 289 da Meditação Reavivar a Esperança).

Conclusão
            “Nenhuma linguagem pode descrever a glória do cenário apresentado dentro do santuário [...] tudo não era senão um pálido reflexo dos esplendores do templo de Deus no Céu” (Patriarcas e Profetas, p. 347).

           



sábado, 12 de outubro de 2013

Sacrifício

Comentário da Lição da Escola Sabatina de 12 a 19 de outubro de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma Meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia-Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            Com a entrada do pecado no mundo e como único meio de erradica-lo foi necessário a morte de Jesus como sacrifício expiatório, Deus direcionou a vida do homem a uma oferta de sacrifícios para que em qualquer momento de sua vida ele se lembrasse do sacrifício de Cristo como único meio de salvação.
            Desde o Éden altares têm sido erguidos e sacrifícios têm sido oferecidos a Deus como uma projeção do que Cristo um dia faria por nós. Caso os altares construídos pelos filhos de Deus permanecessem até hoje teríamos o mundo marchetado pela presença deles.
            Do meu ponto de vista servir a Deus no antigo testamento era mais difícil e penoso do que agora. Sacrificar um animal, para pessoas como eu, seria um ato difícil e doloroso demais.
            Podemos imaginar Deus pedindo a Adão e Eva que escolhesse o cordeiro mais lindo que existia no Éden e colocassem as mãos sobre a cabeça dele enquanto o Senhor o degolava. E mais, Deus deixou bem claro que aquele ato seria repetitivo diariamente até que Jesus, o Cordeiro de Deus, fosse sacrificado no Calvário.
            Com a morte de Jesus, hoje não oferecemos sacrifícios de cordeiros. Porém, o homem que até então, sabia de cor e salteado a rotina ao redor do altar, e que por tantas vezes viu o sangue de um cordeirinho correr sobre a pedra maciça, é convidado a participar do que acontecia em cima do altar. Até então ele sacrificou como ofertante, mas agora é desafiado a ser a oferta.
         Veja o recado divino: “Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” (Romanos 12:1).
         Esse sacrifício a que somos convocados a oferecer envolve renuncia diária das coisas que alimentam a nossa natureza carnal e, se necessário for, sermos ovelha sobre o altar. Tudo isso para que nunca percamos de vista o que Jesus fez por nós.

Domingo
         Que mudança trágica na vida do casal edênico! Participar da execução do cordeirinho deve ter sido uma experiência marcante na vida deles. E mais, ajudar a retirar a pele do cordeiro e ver o alfaiate do Universo fazer dela túnicas para eles próprios usarem.
         Caso o cordeiro não fosse morto naquele momento eles seriam eliminados imediatamente e a raça humana deixaria de existir. A pele do cordeiro cobriu a nudez mostrada pelo pecado. Aquela túnica, diferente da túnica de folhas de figueira, era a prova da misericórdia divina que os cobria naquele momento. Dali para frente o casal e seus descendentes teriam uma oportunidade de se reconciliarem com Deus.
         Cada vez que os nossos pais olhassem para as suas vestes viam não só o que o pecado causou, mas viam também a misericórdia divina a lhes envolver.
A nota do rodapé da página 30 esclarece um ponto curioso. Antes de Deus delinear para eles as consequências do pecado, o Senhor deu uma mensagem de esperança: a morte do cordeiro.  Naquele momento foi firmado o mais solene compromisso de todos os tempos. Com o pecado nós não teríamos mais condições de permanecer na presença de Deus. Mas o Senhor não queria perder o contato conosco então, Ele se fez humano e viveu entre nós. Que lição de amor!

Segunda
As ofertas ou sacrifícios eram divididos em cinco grupos: Holocausto, Manjares, Pecado, Pacíficas e Oferta pela Culpa.
a) Holocaustos (Levíticos 1) - Tinha o propósito de expiar os pecados em geral. Era sacrificado um bezerro, carneiro ou ave.
b) Oferta de manjares (Levíticos 2) - Demonstrava honra e respeito a Deus em adoração. Eram oferecidos grãos, flor de farinha, incenso e pão sem fermento. Esclarecendo que flor de farinha era a farinha do trigo que depois de pilada no pilão era peneirada. Era como se estivesse oferecendo o melhor do trigo ao Senhor. O propósito da oferta de manjares era um oferecimento de presentes, e fala de uma vida que é dedicada a dar, e à generosidade. 
c) Sacrifício Pacífico (Levíticos 3) - Expressava gratidão a Deus, pela paz e comunhão com Ele. Consistiam no oferecimento de um novilho ou de um carneiro ou de uma cabra.
d) Ofertas Pelo Pecado (Levítico 6-24 a 30) – Expiavam as fraquezas e fracassos não intencionais dos adoradores diante do Senhor.
e) Oferta pela Culpa (Levíticos 6:5-7) - Era parecida com a oferta pelo pecado, mas a diferença principal era que a oferta pela culpa era uma oferta em dinheiro para pecados de ignorância relacionados à fraude. Por exemplo, se alguém enganasse sem querer a outro por dinheiro ou propriedade, o sacrifício dele devia era ser igual à quantia levada, mais um quinto para o sacerdote e para o ofendido. Então ele reembolsou a quantia levada mais 40%.
Em todas as ofertas e sacrifícios era oferecido o melhor para o Senhor.
É importante notar que os israelitas tinham que viver sintonizados no rito sacrifical. Para cada tipo de pecado era uma oferta diferente e Deus não permitia equívocos. Assim como hoje a salvação dependia de uma entrega diária e continua.

Terça
Sempre que leio o capitulo vinte e dois de Gênesis me detenho nos versos um, sete e onze.  Os três versos apresentam três momentos distintos na vida de Abraão que o identifica como o pai da fé,
No primeiro verso vemos um Abraão riquíssimo bem acomodado em sua fazenda. Deus o chama e ele responde: “Eis-me aqui.” Nesse momento é fácil dizer “eis-me aqui”. Ele está cercado de riquezas; fazendas a perder de vista e lotadas de rebanhos diversos; dezenas de servos prontos a atender as suas ordens e o melhor de tudo: Isaque, o filho da promessa, a cada dia cresce em estatura diante de Deus e dos homens.
No verso sete o senário da vida muda por completo. Ele está a caminho da terra de Moriá para lá oferecer o seu filho em holocausto conforme a orientação divina. Nesse momento ele ouve uma voz familiar. É Isaque que o chama e mais uma vez Abraão responde: “Eis-me aqui.” “Eis-me aqui meu filho, longe de casa, angustiado, coração partido e sem palavras pera responder às suas dúvidas e indagações. Mas eis-me aqui disposto a atender a ordem do Senhor.”
No verso onze vemos Isaque submisso, amarrado e pronto para o sacrifício. Ele sabia de cor e salteado a rotina ao redor do altar, mas nunca havia experimentado o que é ser o cordeiro sobre o altar. De pé, junto do altar, está Abraão que, por dezenas de vezes, degolou um cordeiro e viu o seu sangue banhar as pedras rústicas dos altares por onde passou. Mas agora o cordeiro é o seu próprio filho.
É nesse momento que a voz do Céu brada fortemente: “Abraão, Abraão” e com voz embargada ele responde mais uma vez: “Eis-me aqui.” “Eis-me aqui Senhor com o cutelo suspenso na mão; eis-me aqui banhado em lágrimas; eis-me aqui pronto a degolar o meu filho da promessa. Enfim, eis-me aqui pronto a fazer o Teu querer.”
Deus interveio no momento crucial. Um cordeiro foi miraculosamente provido e Isaque escapa ileso. Não foi necessário Deus explicar nada. Abraão entendeu tudo. Sugerimos que você leia as páginas 77,78 e 79 de nossa meditação Reavivar a Esperança.

Quarta
            A proibição, feita por Deus, para que os seres humanos não comessem sangue teve como explicação de que a vida está no sangue. Mas essa simples proibição envolve um raciocínio mais acurado.
            O sangue derramado de alguns animais prefigurava o sangue de Cristo que um dia seria vertido no Calvário para nos poupar da morte eterna. Sem o sangue correndo nas veias o corpo não tem vida. Assim, a vida do corpo está no sangue porque sem sangue o corpo não sobrevive.
            Ao orientar que o Seu povo evitasse comer sangue, Deus tinha dois propósitos. O primeiro seria que o sangue vertido de algum animal nos fizesse lembrar do sangue de Cristo vertido para salvação de todo aquele que Nele crê. O segundo seria que o não alimentar de sangue é saudável ao ser humano.
            O nosso sangue contaminado pelo pecado gera a morte eterna. Quando aceitamos o sacrifício de Cristo na cruz o Seu sangue, isento de pecado cobre as nossas transgreções. Assim a Sua vida foi dada pela nossa vida.
            O plano da salvação é resultado do grande amor de Deus por nós. Jesus Se revestiu da humanidade e arriscou a Sua divindade para nos redimir.
            Os judeus fizeram da rotina sagrada do santuário algo comum e profanaram o lugar santo. Jesus reprovou a postura deles esclarecendo: “Ide, pois, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifícios” (Mateus 9:13).

Quinta
            Hoje não oferecemos mais o sacrifício de um animal porque Jesus veio a esse mundo e cumpriu tudo o que estava escrito a Seu respeito pelos profetas. Ele é o Cordeiro morto desde a fundação do mundo.
         O fato de não oferecermos mais sacrifícios de animais pode arrefecer em nós o preço real de nossa redenção. Para que tal não aconteça o Senhor nos orienta a oferecermos diariamente o nosso corpo em sacrifício não morto, mas vivo. É interessante que em nossa luta para perseguir esse ideal Paulo afirma: “Eu vos declaro, irmãos, pela glória que de vós tenho em Cristo Jesus nosso Senhor, que morro todos os dias” (1 Coríntios 15:31).
         Esse morrer diário para o mundo é o nosso grande desafio. Só o amor a Cristo pode nos proporcionar a força necessária para morrermos diariamente para o mundo. Esse amor ardendo em nosso coração é que mantém a nossa chama acesa sobre o altar.
         O nosso relacionamento diário com Cristo torna o nosso sacrificar diário mais leve. Disse Jesus: “Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo e leve” (Mateus 11:30).

Conclusão

         Jesus nos convida a oferecermos o nosso corpo diariamente em sacrifício não morto, mas vivo. Que a nossa resposta ao Seu convite seja semelhante à de Abraão: “Eis-me aqui” (Gênesis 22:1).

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

"Céu" na Terra

Comentário da Lição da Escola Sabatina de cinco a doze de outubro de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            Alguns odontólogos ainda usam o molde de cera para moldar a arcada dentaria de alguém que perdeu todos os dentes. A cera é colocada em uma chapa e depois de aquecida é aplicada nas gengivas do paciente. Após o esfriamento é retirada e com esse molde em mãos o protético molda os novos dentes do cliente.
            O verdadeiro santuário está no Céu onde Cristo, o “Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo”, ministra e intercede por cada um de nós. Antes de Cristo assumir as Suas funções no santuário celestial, o que aconteceu só depois da Sua ressurreição, Deus mostrou para Moisés um modelo ou molde do santuário para que um semelhante ao celestial fosse erguido e usado na Terra.
            Com a morte de Cristo ele perdeu a sua funcionalidade na Terra e passou a funcionar literalmente no Céu, onde Cristo ministra no verdadeiro santuário que Deus erigiu e não o homem.

Domingo
         Alguns aspectos curiosos relembram o santuário e a sua importância em nossa vida. Temos por exemplo o próprio Cristo que considerou o Seu corpo um templo ou santuário. Referindo-Se a Sua morte e ressureição Ele disse: “Respondeu-lhes Jesus: Derribai este santuário, e em três dias o levantarei” (João 2:19).
A igreja é o santuário onde nos encontramos com Deus. É bom esclarecer que igreja não quer dizer um prédio de quatro paredes dedicado especificamente para igreja.
Na última semana foi realizado aqui em Brasília o Impacto Esperança. Fiz eram parte do projeto dois programas a céu aberto na Esplanada dos Ministérios. Naquele momento aquele local, com cerca vinte mil pessoas reunidas, se transformou na igreja de Deus. Qualquer lugar onde um grupo de pessoas se reúne com o objetivo de encontrar com Deus é a igreja de Deus reunida. E a promessa divina é: “Eu estarei no meio deles.”
O jardim do Éden era considerado o santuário antes do pecado. Ali Deus tinha um encontro diário com o homem. Com a entrada do pecado surgiu o Santuário celestial. Como o pecado não permite que estejamos no santuário no Céu, e como Deus deseja estar em continuo relacionamento conosco, Ele orientou Moisés a construir o santuário terrestre. Ali Deus Se manifestava em gloria. Hoje não temos o santuário que existiu até à morte de Cristo e a igreja faz o papel do santuário ao mesmo tempo em que nos direciona pela fé para o santuário celestial.
Assim como o corpo de Cristo, na forma humana, era considerado um santuário a Bíblia afirma que o nosso corpo também é um santuário: “Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1 Coríntios 6:19).
No santuário celestial é onde Deus habita e é onde processa a nossa salvação.  Assim o nosso corpo é o Santuário onde Deus deseja habitar. Por outro lado, assim como a nossa salvação se possessa no santuário celestial temos que processa-la também em nossa vida diária.

Segunda
            Em determinada fase do “curso primário” era comum a professora pedir aos alunos, como tarefa de casa, que fizessem uma cópia de determinada página de um livro. No outro dia ela passava caderno por caderno revisando a cópia que havíamos feito. Com frequência tinha uma letra trocada aqui ou faltava outra ali. E por mais que a classe se esforçasse para tirar nota dez, dificilmente alguém conseguia.
            Hoje, com a frequência de concursos e provas de vestibular é comum a palavra “gabarito.” Para alguém se sair bem em um exame, as respostas que ele colocou na prova devem coincidir com as respostas especificadas no “gabarito”. O “gabarito” é o modelo de uma prova bem feita.
            Na minha juventude me lembro do meu avô fabricar alguns violinos. Para cada parte do violino ele fazia um “gabarito.” As peças tinham que ser idênticas ao gabarito e qualquer diferença entre os dois impedia que o violino viesse a se tornar uma obra de arte. O “gabarito” e a peça resultante dele deveriam ser idênticos.
            Foi isso que Deus exigiu de Moisés. Primeiro Deus mostrou o modelo e depois solicitou que tudo fosse feito conforme o modelo mostrado no monte.
            Nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Com a entrada do pecado essa semelhança foi descaracterizada. Jesus ao tomar a forma humana e viver sem pecado, Ele Se tornou o nosso Modelo. Mas é impossível, por nós mesmos, vivermos exatamente como esse Modelo proposto.  Ai entra o santuário. É nele que encontramos a graça necessária que nos torna semelhante ao Modelo.
Esse contínuo modelar o nosso corpo de acordo com o Modelo a nos apresentado chama-se santificação, e a santificação é uma obra para a vida toda.

Terça
A nossa salvação passa pelo santuário. Não pelo fato de ser o santuário, mas este é o lugar onde Cristo intercede por nós. Não que o santuário não tenha a sua importância. Ele é o porto seguro onde encontramos Cristo fazendo propiciação pelos nossos pecados.
Na forma humana Jesus sentia necessidade de um relacionamento íntimo com Deus. Esse relacionamento foi responsável por sua vida sem pecado. E foi tão real que mesmo na forma humana Ele pode dizer: “Eu e o Pai somos Um.”
Quando Jesus igualou o Seu corpo a um templo ou santuário e, quando observamos as divisões do santuário, vemos que a Sua vida em Si exemplificava bem o que é o Santuário em sua forma física.
Podemos imaginar que a infância e juventude de Jesus seria o pátio do santuário. Os três anos e meio de ministério seria o lugar santo e a sua morte e ressurreição, o santíssimo. (Opinião pessoal do comentarista).
Quando Jesus declarou ser o Seu corpo um templo, além da lição que Ele nos ensina de fazermos do nosso corpo a morada Dele em nossa vida é importante lembrar que um de Seus objetivos era chamar a atenção do povo para o sentido da verdadeira adoração. Veja que segundo a dúvida apresentada pela samaritana existiam na época dois lugares específicos de adoração, diz o texto: “Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que em Jerusalém é o lugar onde se deve adorar” (João 4:20). Os samaritanos adoravam no monte, enquanto os judeus adoravam em Jerusalém. Eles davam mais importância ao local de adoração do que ao Objeto da adoração: Cristo.
Daí a ênfase de Jesus: “Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade” (João 4:24). E logo depois Jesus Se identifica para a samaritana: “Replicou-lhe a mulher: Eu sei que vem o Messias (que se chama o Cristo); quando ele vier há de nos anunciar todas as coisas. Disse-lhe Jesus: Eu o sou, eu que falo contigo” (João 4:25 e 26).

Quarta
O autor da lição menciona a Igreja como santuário, mas nas passagens bíblicas apresentadas o nosso corpo é o templo de Deus. Em principio as colocações do autor se centralizam no corpo humano como santuário. É lógico que um grupo de pessoas forma a Igreja e partindo desse raciocínio as suas colocações são válidas.
Quando voltamos o nosso pensamento para o Céu lá está o santuário de Deus de onde procede a nossa salvação enquanto aqui na Terra é a Igreja que nos leva ao santuário celestial. A nossa frequência à Igreja nos aproxima mais e mais do santuário celestial.
A Igreja funciona como uma escola onde tenho a minha atenção dirigida para o santuário celestial. É na igreja que eu vou aprender a importância do santuário para a minha salvação.
A Igreja me ensina e me estimula a ter uma vida santa e a me apartar de toda a aparência do mal. Caso o pecado reine em mim não há como Jesus ocupar o meu coração. O propósito de Deus é que façamos do nosso corpo o Seu santuário aqui na terra. Aceitar ou não a proposta divina é uma questão nossa.

Quinta
Todo o esforço de Deus para retratar o santuário aqui na Terra quer seja por meio da Igreja ou do nosso corpo visa nos moldar para habitar no santuário celestial.
Na caminhada pelo deserto Israel contava com a presença diuturna de Deus na nuvem e também no santuário. No Céu desfrutaremos de Sua companhia por toda a eternidade. Como na caminhada pelo deserto, o Senhor estenderá o Seu tabernáculo sobre nós. Isso quer dizer que estaremos dentro do tabernáculo celestial e mais: ocuparemos tronos. E com Jesus, seremos reis e sacerdotes.
 O Céu será um lugar onde o mal jamais voltará a existir. Não haverá mais lágrimas nem dor. E a Bíblia afirma: “As primeiras coisas são passadas.” Só desfrutaremos dessas delicias se, enquanto aqui na Terra, atendermos a dois quesitos. O primeiro é fazermos do nosso corpo o santuário para habitação do Senhor e, o segundo, é aceitarmos o que Jesus faz por nós hoje no santuário celestial.
No rodapé da página a irmã White faz uma pergunta que merece a nossa reflexão. Diz ela: “Por que é tão importante andar, agora em íntima comunhão com Deus?”

Conclusão 
         Caminhar sobre ruas de ouro puro, possuir uma mansão já preparada para cada um de nós, vivermos isentos dos percalços que o pecado nos impõe será assim a nossa vida na nova Terra. Porém, mais importante do que tudo isso é estamos para sempre na companhia Daquele que nos redimiu.
            Façamos de nossa vida aqui um estagio bem vivido para desfrutarmos das delícias que nos esperam na cidade de Deus.