Comentário
da Lição da Escola Sabatina de 26 de
outubro a 2 de novembro de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto
ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma Meditação
para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia -
Central de Taguatinga, DF.
Introdução
A
oferta de purificação era também chamada de oferta pelo pecado. A oferta de
purificação envolvia mais os casos de contaminação por um morto, doenças como a
lepra ou uma mulher que desse a luz uma criança. Já a oferta pelo pecado era
aquela que envolvia falhas de comportamento para com Deus ou para com os
homens.
Ao cometer um pecado a pessoa se
declarava em conflito com Deus e esse conflito causava a separação entre
criatura e Criador. Em tal situação o homem estava condenado à morte. Pois a
Bíblia afirma: “Porque o salário
do pecado é a morte” (Romanos 6:23). A promessa feita no Éden era que a
reconciliação só seria possível mediante o sacrifício de Cristo. Mas até que
Ele viesse morrer pelo pecador foi instituído o sacrifício de animais. Os animais
oferecidos eram sem defeito, pois apontavam para Jesus.
Os pecados, uma vez confessados e
feito o sacrifício adequado a cada um permaneciam, por assim dizer, estocados
no santuário até o dia da Expiação que prefigurava o dia do juízo.
Caso hoje fosse necessário
sacrificar um cordeiro para remissão de um pecado, provavelmente não existiriam
cordeiros suficientes para o sacrifício. Vivemos em um mundo corrompido onde os
que mais falam do evangelho são os que mais pecam.
Domingo
O
pecado de rebelião é o mais grave apresentado na Bíblia. É aquele pecado que a
pessoa, em sã consciência comete deliberadamente e repetidas vezes. Para esse
tipo de pecado não havia perdão, salvo em casos raros. O rei Acaz foi um
exemplo de alguém que cometeu esse tipo de pecado e Deus o eliminou. O mesmo
aconteceu com o rei Manasses que em sã consciência afrontou a Deus, mas no
final de sua vida, implorou perdão e foi atendido.
No caso da mulher de Tecoa Joabe a
usou para criar um precedente jurídico. O “seu filho” cometeu um crime
proposital e grave, pelas leis vigentes na época teria de ser executado. Diante
de Davi ela pede para perdoá-lo. Era uma situação complicada para o rei, pois
se ele o perdoasse o rei assumiria o crime do rapaz. Numa tentativa de
favorecer as coisas para o rei a suposta mãe se propôs a assumir as
consequências da culpa.
A estória relatada ao rei pela
mulher tecoita tinha como objetivo sensibilizar Davi para que perdoasse a
Absalão seu filho. Fazia três anos que Absalão, depois de assassinar Amnom,
havia fugido para Jesur. Absalão o matou porque ele forçou Tamar, que era irmã
dos dois. A vida de Absalão estava nas mãos do seu pai, e pelas leis vigentes
ele deveria ser morto.
Absalão foi perdoado pelo rei e,
logo que retornou, se revoltou contra o rei no intuito de assumir o trono. No
campo de batalha os seus cabelos enrolaram em um galho de árvore e, suspenso no
ar, foi assassinado pelo exército de Davi, embora ele tivesse dado ordem para
poupá-lo. Parece que Deus tomou providencias para que Absalão não ficasse
impune.
Segunda
Para os israelitas o ato de impor às
mãos sobre a cabeça do animal a ser sacrificado era a parte mais solene do
sacrifício. Esse doloroso procedimento era praticado com frequência.
O pecador tinha plena consciência de
que era merecedor da morte e que, ao impor as mãos sobre a cabeça do cordeiro,
ele estava transmitindo a sua pena de morte para o animal.
O doloroso ritual diário de
sacrifícios dava aos israelitas uma noção bem clara de quão terrível é o
pecado. Embora saibamos do que significou a morte de Jesus esse é um quadro que
nem sempre está tão real em nossa mente o que nos leva a pecar sem uma nítida
clareza de quão terrível é.
Diz Ellen G. White: “Far-nos-ia bem passar diariamente
uma hora a refletir sobre a vida de Jesus. Deveremos tomá-la ponto por ponto, e
deixar que a imaginação se apodere de cada cena, especialmente as finais” (O
Desejado de Todas as Nações, pág. 83).
A nota do
rodapé da página 57 (Lição do professor) é uma solene advertência para nós. Diz
o texto: “Da próxima vez que você for tentado a pecar, imagine Jesus morrendo
na cruz e veja você mesmo colocando as mãos sobre Sua cabeça e confessando seus
pecados sobre Ele. Pensar nisso ajuda a entender o preço do perdão? Como essa ideia pode ajudá-lo a não cair em
tentação?”
Terça
É
curioso ver que o altar do pátio era construído com madeira de Acácia e
revestido de bronze. Já mencionamos que o bronze está ligado a sofrimento,
punição, sacrifício, justiça e juízo.
Após o animal ser degolado no pátio o
sacerdote molhava o dedo no sangue e o colocava nas pontas do altar no lugar
santo. Isso indicava que os pecados do
penitente estavam sendo transferidos para o santuário e que Deus os havia
assumido. Razão da existência do dia da expiação para a purificação do
santuário que acontecia uma vez no ano.
Quando
Adonias viu que fracassou na sua tentativa de
usurpar o trono de Davi que, por direito estava reservado para Salomão, temeu por
sua vida e foi se refugiar no santuário. Ali, em angustia, ele se agarrou nas
pontas do altar. Esse ato era um reconhecimento de seu pecado e ao mesmo tempo
era um pedido mudo de clemência. O ouro indicava perdão, pureza e santificação.
Morte era o que Adonias merecia. Mas as pontas voltadas para o Céu indicavam
que a salvação provinha apenas de Deus. O seu ato o livrou da morte.
“E foi
dito a Salomão: Eis que Adonias teme ao rei Salomão; pois que se apegou às
pontas do altar, dizendo: Jure-me hoje o rei Salomão que não matará o seu servo
à espada. Ao que disse Salomão: Se ele se houver como homem de bem, nem um só
de seus cabelos cairá em terra; se, porém, se houver dolosamente, morrerá.
Então o rei Salomão deu ordem, e tiraram Adonias do altar. E vindo ele,
inclinou-se perante o rei Salomão, o qual lhe disse: Vai para tua casa” (1 Reis
1:50-53).
Todos nós somos condenados à
morte. Cristo nos oferece a salvação pelo seu sangue vertido no Gólgota (altar).
Segurar nas pontas do altar é o nosso clamor de perdão.
Quarta
A santa ceia lembra-nos o
sacrifício no santuário. Usamos o suco de uva representando o sangue de Cristo
e comemos o pão. Ele declarou: “Eu sou o pão da vida” (João 6:35).
Sabemos que no ritual do santuário todos os sacrifícios
tinham a ver com Cristo e tudo deveria acontecer conforme o que foi mostrado a
Moisés e, quando isso fugia da rotina era um risco de morte iminente.
Assim como o pecador tinha de estar consciente no seu ato
de apresentar o sacrifício, o sacerdote também tinha o dever de seguir o ritual
pré-estabelecido para o sacrifício.
O ato de o sacerdote levar o sangue do sacrifício para
dentro do santuário representa Jesus levando os nossos pecados para dentro do
santuário. “Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as
nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e
oprimido” (Isaías
53:4).
Temos o relato triste dos filhos de Eli que, ao agirem de
maneira desrespeitosa para com o sacrifício foram eliminados pelos filisteus.
(Ler 1 Samuel 2:12-17 e 1 Samuel 4:11. Eles cometeram vários desatinos. Comiam
a carne do sacrifício crua e com gula; eles comiam a gordura dos animais o que
não era permitido. Eli foi reprovado por Deus ao agir de maneira complacente
com os seus filhos. O fato de Eli ser obeso (1 Samuel 4:18) dá a entender que
ele não tinha hábitos saudáveis de alimentação e, talvez, seja uma das causas
da gula de seus filhos.
Quinta
Todos os rituais do santuário tinha um só objetivo:
perdoar o pecador. Vale a pena acompanhar o pecador em seu processo de
expiação. Primeiro ele reconhece ser culpado. Arrependido, ele escolhe o melhor
animal do seu rebanho e se dirige ao santuário. Ao chegar lá o cordeiro é
colocado sobre o altar.
Vem então o momento mais solene: o pecador coloca as suas
mãos sobre a cabeça da vitima e o animal é sacrificado. A gordura do animal é
queimada, a carne é assada e ingerida pelo pecador e pelo sacerdote. Parte do sangue é transportado para dentro
do santuário pelo sacerdote e colocado nas pontas do altar. Com esse ato o
pecado do transgressor é levado para dentro do santuário.
Um fato curioso é que a disposição dos móveis dentro do
santuário segue o formato de uma cruz. No pé da cruz está o altar do holocausto
localizado no pátio do santuário. Ele simboliza de maneira direta o Calvário.
Depois do altar do holocausto está a pia. No lugar santo temos os braços da
cruz tendo de um lado a mesa e do outro o candelabro. Logo depois temos o altar
do incenso. No topo da cruz está o santíssimo com a arca da aliança, o
propiciatório e os querubins.
Tudo isso foi planejado por Deus com o propósito de nos
salvar. Para erradicar o pecado foi necessário um engenhoso projeto recheado de
minúcias e detalhes. E o mais importante: muito e muito amor de Deus por você e
por mim.
Conclusão
Realmente
não foi mediante coisas corruptíveis que fomos resgatados. A nossa salvação
custou à vida do filho de Deus. A morte de Cristo propiciou a nós, trapos de
imundícia, uma transformação a tal ponto de fazer de nós homens mais preciosos
que o ouro de Ofir.