segunda-feira, 27 de maio de 2013

O Dia do Senhor


Comentário da Lição da Escola Sabatina de 25 de maio a 1º de junho de 2013. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central Taguatinga, DF.

 

Introdução

            Sofonias é o 36º livro da Bíblia. O seu nome significa “o Senhor escondeu”

como referencia a Pascoa quando as famílias que colocaram o sangue do cordeiro no umbral da porta “foram escondidas do anjo destruidor”. Essa proteção se dará no grande “Dia do Senhor” quando o Juiz de toda a terra poupará todos que hoje o recebem como Salvador.

Sendo tataraneto do rei Ezequias, Sofonias tinha linhagem real. Assim, os seus pronunciamentos revelam intimidade muito maior com os círculos da corte e com as questões políticas do que os outros profetas menores.

No livro o profeta menciona o “Dia do Senhor” ou dia do Juízo quando o Senhor castigaria não só Jerusalém mas também outros povos. Com a diferença que Jerusalém depois de castigada receberia de novo a graça de Deus.

 Sofonias pregava nas sinagogas, enquanto Jeremias, o seu contemporâneo, foi um pregador de rua. Aproximadamente 100 anos antes dessa profecia, o Reino do Norte (Israel) havia sido derrotado pela Assíria. O povo havia sido levado cativo, e a terra havia sido recolonizada por estrangeiros. Sob o reinado de Manassés e do rei Amom, pai do rei Josias, o povo de Judá pagou pesados tributos ao dei da Assíria na esperança de ser poupado.

Sofonias está preocupado porque, mesmo com a catástrofe das tribos do Norte, o povo de Judá ainda mantinha a absurda noção de que Deus fosse incapaz de fazer bem ou mal a qualquer um deles. (Sofonias 1:12).

            A verdade da Páscoa no Egito, onde aqueles que colocaram a marca de sangue nas portas foram protegidos do anjo da morte, é repetida na promessa de Sofonias 2:3, onde aqueles mansos da Terra que preservaram a justiça de Deus serão encoberto no Dia da ira do Senhor.

            Sofonias é o último profeta antes do cativeiro de Judá e semelhante aos que o antecederam aponta a Assíria como a destruidora do reino de Judá. Esta profecia foi cumprida por volta de 586 a.C.. O castigo é nomeado por Sofonias como o Dia do Senhor.

            Por último Sofonias apresenta uma mensagem de esperança para a filha de Jerusalém, o remanescente: “O Senhor teu Deus, o poderoso, está no meio de ti, ele salvará; ele se deleitará em ti com alegria; calar-se-á por seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo” (Sofonias 3:17).  

            Note que o nosso estudo trimestral não segue a sequencia dos doze profetas menores conforme estão inseridos na Bíblia. Tal opção visa facilitar a nossa compreensão da mensagem divina.

 Naum é chamado de “o elcosita” (Naum 1.1), isto porque era natural de Elcós, uma desconhecida cidade que ficava na parte sul de Judá. Naum inicia o seu livro com uma descrição não muito simpática de Deus. Falando a respeito do Criador ele usa palavras fortes como: vingador, ira, cólera e acrescenta: “Os montes tremem perante Ele, e os outeiros se derretem” (Naum 1:5).

Já no verso sete ele muda o discurso. Diz o texto: “O Senhor é bom, ele serve de fortaleza no dia da angústia, e conhece os que confiam nele” (Naum 1:7). Claro que na introdução do livro ele está dizendo que Deus age com justiça e que os ímpios não ficarão impunes e no verso sete ele refere aos que se entregam ao Senhor. 

Ele dedica mais tempo falando sobre a destruição da capital da Assíria. Ele viveu 100 anos depois de Jonas e profetizou a sena que esse profeta desejou ter visto: a destruição de Nínive. A queda desta cidade aconteceu em 612 a.C.

 

Domingo 

            Joel apresenta o “Dia do Senhor” como “Dia de trevas e de escuridão” (Joel 2:2) Essa é a mesma descrição apresentada por Amós: “Será de trevas e não de luz” (Amós 5:18) Para Sofonias será um grande dia: “O grande dia do Senhor” (Sofonias 1:14).

Ao falar que o dia do Senhor será grande, provavelmente Sofonias tenha pensado em dois aspectos. Primeiro, porque para quem está vivendo um momento de angústia o tempo parece não passar e o segundo aspecto é a grandiosidade dos acontecimentos que terão lugar nesse dia.  Sobre o dia do Senhor, Sofonias esclarece duas coisas: Ele será terrível e virá sem demora.

Ele é enfático ao falar das aflições daqueles que conspiraram contra o povo de Deus neste mundo. Porém, sabemos que a maior angustia será para aqueles membros da igreja que não levaram a sério as palavras de advertência.

Diz Ellen G. White: “Passam para a eternidade os últimos anos de graça. O grande dia do Senhor está-nos iminente. Toda energia que possuímos deve ser agora usada para despertar os que estão mortos em ofensas e pecados ...” (Conselhos Sobre Mordomia, p 35). 

 

Segunda

            A queda de Israel diante da Assíria não foi o suficiente para levar Judá a se humilhar diante de Deus. Eles ainda mantinham o pensamento de que era o povo especial de Deus e que jamais seriam envergonhados diante de seus inimigos. A mensagem de Sofonias é uma advertência para que, deixando de lado a sua prepotência, se humilhassem diante de Deus.

            Mas em meio à opulência e a soberba reinante em Judá, existia ali um pequeno grupo de pessoas humildes. Em uma primeira vista parece que Deus lança o Seu convite a apenas para os humildes, o que não é bem assim. Três aspectos devem ser considerados. Primeiro, a salvação é oferecida a todo o ser humano. Pedro afirma: “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânime para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se” (2 Pedro 3:9). Em segundo lugar, já estudamos em outras oportunidades que naquela época, as pessoas simples e humildes eram subjugadas pelos mais fortes e consideradas como não merecedoras da salvação e, por intermédio de Sofonias, Deus estava demonstrando o Seu amor por elas. “Mas deixarei no meio de ti um povo humilde e pobre; e eles confiarão no nome do Senhor” (Sofonias 3:12). E, em terceiro lugar, Judá já havia recusado tantas advertências que Deus resolveu deixa-los em paz. “O Homem que muitas vezes repreendido endurece a cerviz, de repente será destruído sem que haja remédio” (Provérbios 29:1).

            Mas o convite de salvação é oferecido a todos independente de raça, cor ou posição social. Diz Isaias: “Vinde então, e argui-me, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã” (Isaias 1:18).

 

Terça

            Há um proverbio popular que Diz: “Ao vêr a barba do vizinho arder, ponha a sua de molho.” Deus esperava que ao caírem os Seus juízos sobre as nações vizinhas de Judá e, em especial a Israel que já havia caído nas mãos da Assíria, o povo de Judá reconhecesse os seus pecados e voltasse para o Senhor. Ao se referir a destruição daqueles povos diz o mensageiro do Altíssimo: “Exterminei as nações, as suas torres estão assoladas; fiz desertas as suas praças, a ponto de não ficar quem passe por elas; as suas cidades foram destruídas, até não ficar ninguém, até não haver quem as habite.” E lembrando de Jerusalém completa: “Eu dizia: Certamente me temerás, e aceitarás a correção, e assim a sua morada não seria destruída, conforme tudo aquilo porque a castiguei; mas eles se levantaram de madrugada, corromperam todas as suas obras” (Sofonias 3:6-7).

            Sabemos que isso não aconteceu. E os juízos vieram também sobre o povo escolhido de Deus.

            A Bíblia afirma que em Jerusalém havia uma pequena parcela de Judeus que se humilharam diante de Deus e estes seria poupados. E mais: “Mas deixarei no meio de ti um povo humilde e pobre; e eles confiarão no nome do Senhor. O remanescente de Israel não cometerá iniquidade, nem proferirá mentira, e na sua boca não se achará língua enganosa; mas serão apascentados, e deitar-se-ão, e não haverá quem os espante” (Sofonias 3:12-13). E o próprio Sofonias completa: “Canta alegremente, ó filha de Sião; rejubila, ó Israel; regozija-te, e exulta de todo o coração, ó filha de Jerusalém” (Sofonias 3:14).

 

Quarta

A “filha de Jerusalém” seria o remanescente que permaneceu fiel. “O Senhor teu Deus, o poderoso, está no meio de ti, ele salvará; ele se deleitará em ti com alegria; calar-se-á por seu amor, regozijar-se-á em ti com júbilo” (Sofonias 3:17). Esse remanescente fiel será motivo de alegria e regosíjo no Céu. Jesus afirmou: “Digo-vos que assim haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento” (Lucas 15:7). Não obstante haver Israel falhado como nação, havia entre eles um considerável remanescente em condições de serem salvos” (Atos dos Apóstolos, p 376).

            Certa vez escrevi que Cristo exerce o poder criador, mantenedor e salvador. O poder salvador Lhe foi confirmado depois da cruz. Sofonias afirma que Jesus é poderoso para salvar. O Seu poder salvador não só o pecador como também lhe oferece forças para manter-se salvo.

Embora Jesus seja poderoso para salvar Ele não tem como salvar pessoas que não se entregam a esse poder salvador. Quando o pecador O aceita e se humilha aos Seus pés é motivo de júbilo nos céus. Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniquidades deles levará sobre si” (Isaías 53:11).

            O povo de Deus será provado e repreendido mas não destruído para sempre. A promessa de Deus é: “Porque o que escapou da casa de Judá, e restou, tornará a lançar raízes para baixo, e dará fruto para cima” (Isaías 37:31).

 

Quinta

            Naum apresenta um comportamento diferente de Jonas. Enquanto ele tinha uma profunda compreensão de que Deus estava no comando das nações tanto para julgar como para salvar, Jonas estava envolto em egoísmo e ressentimentos e se mostrou incapaz de compreender a grande amor de Deus.

            Naum sabia que Deus jamais destruiria o ímpio sem antes oferecer alguma oportunidade de arrependimento, e Nínive era o maior exemplo disso. Pena que Nínive não permaneceu nos caminhos do Senhor. A sua conversão e arrependimento foi temporária e logo depois iniciou a sua prática de violência e opressão sobre o povo de Deus.

Nínive seria destruída de tal modo que nem vestígios da cidade sobrariam. Seria uma destruição total. Tomando Ninive como exemplo Naum quis mostrar que os pecados das nações estão dinte de Seus olhos e que no grande “dia do Senhor” Ele agirá com justiça.

Naum afirma que um dia esse mundo de dor e angústia terá um fim. Quando Cristo exercer o Seu domínio a paz será eterna e a angustia não mais retornará. (Naum 1:9).

Israel era perseguido, maltratado e disperso pelas nações, principalmente pela Assíria. A promessa divina é que um dia eles retornariam a Sua pátria para nunca mais serem dispersos. “Farei menção de Raabe e de babilônia àqueles que me conhecem: eis que da Filístia, e de Tiro, e da Etiópia, se dirá: Este homem nasceu ali” (Salmos 87:4).  No momento certo Deus agiria com justiça sobre as nações que se opunham ao Seu nome.

Em breve Deus ajuntará os Seus escolhidos de todos os cantos da terra. “E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus” (Mateus 24:31).

Naum é claro ao dizer que os habitantes de Nínive e das demais nações que se opuseram contra Deus serão exterminados e nunca mais serão ajuntados. “Os teus pastores dormirão, ó rei da Assíria, os teus ilustres repousarão, o teu povo se espalhará pelos montes, sem que haja quem o ajunte” (Naum 3:18).

 

Conclusão

            Creio que as palavras de Ellen G. White na parte de terça feira é o que de melhor existe para conclusão do estudo desta semana. Diz o texto: “Com infalível exatidão, o Infinito ainda ajusta conta com as nações. Enquanto Sua misericórdia é oferecida, com chamados para o arrependimento, esta conta permanece aberta; mas quando as cifras alcançam um certo montante que Deus tem prefixado, o ministério de Sua ira começa. A conta é encerrada. Cessa a divina paciência. A misericórdia não mais pleiteia em seu benefício” (Profetas e Reis, p 364).

E mais: “Perante os mundos não caídos, e o universo celeste, terá o mundo de dar contas ao Juiz de toda a Terra, ao mesmo que eles condenaram e crucificaram. Que dia de juízo será ele! É o grande dia da vingança de Deus. Cristo não está então no tribunal de Pilatos. Pilatos e Herodes, e todos os que Dele zombaram, que O açoitaram, rejeitaram e crucificaram, então compreenderão o que significa sentir a ira do Cordeiro. Seus atos aparecerão diante deles em seu verdadeiro caráter” (Testemunhos para Ministros, p 132). 

O sermos membros da Igreja não nos oferece nenhuma garantia de que, naquele grande dia, faremos parte dos “benditos de meu Pai”.  Tem que haver entrega total, conversão real e permanente exame de coração.

sábado, 18 de maio de 2013

Confiando na bondade de Deus (Habacuque)


Comentário da Lição da Escola Sabatina de 18 a 25 de maio de 2013. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central Taguatinga. DF.

 
Introdução

            O livro de Habacuque é composto por cinco profecias sobre a Caldéia e uma canção de louvor a Deus. O seu cântico foi oficializado no templo de Salomão. Supõe-se que ele fosse um contemporâneo de Jeremias e Sofonias. O seu nome significa “abraçado por Deus”. O capítulo 1 não é uma palavra dirigida ao povo, mas uma resposta às suas próprias dúvidas e angústias.

            Três dias antes de eu escrever esse comentário os meios de comunicação noticiavam o caso de uma dentista em São Paulo que foi queimada viva porque os bandidos se certificaram de que ela tinha apenas trinta reais em sua conta bancária. Eu fazia as mesmas conjecturas de Habacuque quando me deparei com o seu lamento: “Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! e não salvarás? Por que razão me mostras a iniquidade, e me fazes ver a opressão? Pois que a destruição e a violência estão diante de mim, havendo também quem suscite a contenda e o litígio. Por esta causa a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta; porque o ímpio cerca o justo, e a justiça se manifesta distorcida” (Habacuque 1:2-4).

            Habacuque estava cansado de ver a injustiça se propagar. A violência imperava e o povo estava inclinado apenas para o mal.

            Deus não ficou em silêncio diante da angustia do profeta. A Sua palavra o confortou e o fez recobrar o ânimo. A mensagem de esperança apresentada a Habacuque é também direcionada a nós que vivemos neste mundo violento e insano. Diz o texto bíblico: “O Senhor me respondeu e disse: Escreve a visão, grava-a sobre tábuas, para que a possa ler até quem passa correndo. Porque a visão ainda está para cumprir-se no tempo determinado, mas se apressa para o fim e não falhará; se tardar espera-o, porque, certamente, virá, não tardará. Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé” (Habacuque 2:2-4). Que confortadora orientação: “se tardar, espera-O”. Sim, em breve Jesus retornará para por fim a todo o sofrimento que nos atormenta.

Mesmo com essa resposta divina Habacuque continuou com muitas dúvidas. Como é que o Deus justo usaria um povo ímpio (Babilônia) para castigar um povo relativamente mais justo (Judá)? E angustiado continua: "Por que, pois, toleras os que procedem perfidamente e te calas quando o perverso devora aquele que é mais justo do que ele? Como é que o Deus piedoso permitiria que o inimigo cruel alimentasse seu desejo de matar? “A todos levanta o inimigo como o anzol, pesca-os de arrastão e os ajunta na sua rede varredoura; por isso, ele se alegra e se regozija... Acaso, continuará, por isso, esvaziando a sua rede e matando sem piedade os povos?"

 Por ser descendente de Abraão, por terem as promessas, as escrituras, etc., o profeta Habacuque considerava que a nação de Israel era mais justa que as nações em redor (Salmo 53:3). Ser um adventista não nos dá crédito nenhum diante de Deus. Apenas aumenta a nossa responsabilidade.  

Habacuque começou o livro tentando entender o que Deus faz, e o terminou sem compreender, totalmente, a justiça e a sabedoria de Deus. Mas, ele aprendeu o mais importante, a mensagem que nos sustenta no meio de angústias: “mas o justo pela sua fé viverá” (Habacuque 2:4).  Não precisamos compreender tudo que Deus faz, mas precisamos saber que é Deus que faz!

 
Domingo

            O livro de Habacuque relata um desabafo do profeta diante de Deus. Habacuque pergunta e Deus responde. Mas a resposta de Deus aos seus questionamentos lhe trouxe mais dúvidas e levantou outras discuções. Sem entender Habacuque faz uma segunda pergunta. Deus responde de novo, e mesmo não entendendo de novo Habacuque aceita, humildemente, a réplica do Senhor. Habacuque faz a pergunta que nós gostaríamos de fazer, e recebe a resposta com a atitude que devemos mostrar.

            Habacuque compreendeu que mesmo sendo difícil entender a atitude divina de permitir a violência dos fortes contra os mais fracos e depois, numa segunda instancia, permitir que povos pagãos fossem usados para punir Israel, mesmo assim seria melhor aceitar que esse Deus incompreendido por ele estava no comando de todas as coisas.

            Habacuque fugiu do comportamento normal de um profeta. Ao enfrentar dúvidas ele argumentou com Deus em busca de resposta para as suas inquietações. Ele tinha um relacionamento aberto com Deus e lhe expos todas as suas dúvidas.  Ele não entendeu todas as explicações de Deus, mas foi humilde o suficiente para aceita-las.

            Um fato interessante é que ao Habacuque apresentar a sua grande dúvida de como o povo de Judá não era punido pelas atrocidades entre eles próprios, lhe era difícil aceitar que uma nação ímpia como Babilônia fosse usada para punir o povo de Deus. Na sua compreensão Judá deveria ser punido diretamente por Deus e não por um povo mais pecador do que eles.

 
Segunda

            Pelos questionamentos de Habacuque podemos entender que ele tinha um pouco do pensamento dos fariseus do tempo de Jesus. Para ele, por mais pecador que Judá fosse ainda era melhor que os babilônicos e não merecia e nem deveria ser punido por este povo completamente avesso aos reclamos do Senhor.

            O autor da lição faz um paralelo das condições do mundo nos dias de Habacuque e as condições vividas por nós hoje. Ele acentua que as mesmas dúvidas apresentadas por Habacuque são as nossas hoje.

            Do nosso ponto de vista, Deus tinha dois propósitos em usar nações pagãs para atacar o Seu povo. Primeiro, era uma manifestação clara que para Ele todos são pecadores e dependentes da orientação divina. Segundo, a correção com humilhação vinda de nações vizinhas provocaria uma reação mais impactante sobre o povo de Deus. Habacuque foi orientado de que em um segundo momento as nações usadas para justiçar Judá seriam punidas.

            Conheci dois apresentadores de rádio que diziam no ar: “Não somos melhores nem piores que ninguém, nós somos apenas diferentes.” Como adventistas não somos melhores nem piores que ninguém temos por obrigação sermos diferentes. Essa diferença deve abranger todo relativo ao nosso ser, mas ela deve ser notada de maneira objetiva em nosso viver fundamentado na fé uma vez dada aos santos.

           
Terça

Habacuque pede a Deus que implemente (aviva) a sua obra. A obra maravilhosa e admirável é o suscitar dentre as nações os caldeus, e que, ao longo dos anos os homens haveriam de conhecê-la. Embora fosse anunciado pelos profetas que Deus haveria de levantar os caldeus para castigar, quando os profetas falavam da maravilhosa obra, o povo de Israel não cria. Eles não se arrependeram e veio o cativeiro conforme a visão dos profetas  "...vós não crereis, quando vos for contada" (Habacuque 1:5). Assim a oração de Habacuque  “aviva a tua obra no meio dos anos” não se referia a um reavivamento espiritual do povo. Mas sim a obra de justiça de Deus seria avivada, vista e sentida pelo povo que sempre duvidou da mensagem profética.

Os ais mencionados por Habacuque fazem parte desse avivar.

1 - Ai daquele que acumula o que não é seu.

2 - Ai daquele que ajunta em sua casa bens mal adquiridos. Hb.2:9/Jr 17;11.
3 - Ai daquele que edifica a cidade com sangue e a fundamenta com iniquidade Hebreus 2:12
4 - Ai daquele que dá de beber ao seu companheiro

5 - Ai daquele que diz a madeira; acorda! E a pedra muda;

desperta! Pode o ídolo ensinar? Hebreus 2:9.

“Porque a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar” (Habacuque 2:14). Esses “ais” seriam realidade tanto para os pagãos como para os filhos de Deus.

            Habacuque vê que, um dia todos os povos compreenderiam que Deus é justo. A glória de Deus é a Sua justiça. “Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de escultura” (Isaías 42:8).

            Essa mesma promessa se estende a nós que vivemos nos últimos dias. Em breve compreenderemos melhor os dezignos de Deus.

 
Quarta

            Alguns comentaristas afirmam que Habacuque foi um grande poeta e músico em Judá. Prova é que o seu cântico exarado no capitulo três do seu livro se tornou uma das principais músicas cantada na liturgia do templo de Salomão.

            O capítulo 3 de Habacuque é uma oração cantada. É expressa em endechas ou cânticos de pesar ou de lamentação muito usado pelos poetas entre eles Luiz de Camões que chorou o amor impossível com uma escrava por nome Bárbara.

 A oração do profeta é feita como se fosse a favor dele mesmo. Na realidade, porém, Habacuque está falando a favor da nação escolhida de Deus. Quando lemos o capítulo 3 de Habacuque com isso em mente, suas palavras nos deixam apreensivos, mas ao mesmo tempo alegres. O cântico de Habacuque nos dá fortes motivos para nos alegrar com o Deus de nossa salvação.

Habacuque afirma que o nosso Deus é poderoso e domina sobre as nações e Ele está atento a tudo o que acontece sobre a terra. Afirma que se a miséria se instala, por mais que a fome martirize e por mais que adversidades nos assalte temos um Deus no comando.

Habacuque fala de um Deus que Se manifestou durante a jornada dos filhos de Israel do Egito e que um dia faria justiça contra os opressores dos mais fracos. Ele faz uma alusão ao sacrifício de Cristo afirmando que os sinais dos cravos em Suas mãos era a prova do Seu poder salvífico.  “O seu resplendor é como a luz, raios brilham da sua mão; e ali está velado o seu poder” (Habacuque 3:4). Esse poder pode libertar a todos quantos desejarem se livrar da escravidão do maligno.

Afirma ele: “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação.” (Habacuque 3: 17 e 18).

Qualquer um de nós tem motivos para confiar no poder mantenedor de Deus. Em algum ou em vários momentos de nossa vida Ele Se manifestou poderoso no Seu cuidar e no Seu preservar.  Não há motivos para acalentar dúvidas.

Quinta

O autor da lição lembra-nos que no final do seu livro Habacuque ao lançar um olhar sobre os atos salvadores de Deus encontrou forças para aguardar o ataque do inimigo certo de que Deus estava no comando.

Afirma o autor que “com base em suas experiências passadas, Habacuque conhecia a fidelidade absoluta de Deus.” (Página 99 da lição).

Diz Ellen G. White: Nosso Pai nos manda recordar os dias passados, após os quais travamos um grande combate de aflições, ao sermos iluminados. Tenho recebido as mais preciosas confirmações de que nossas primeiras experiências provieram de Deus. Desejo que cada pessoa do nosso povo saiba como eu sei da maneira segura e certa em que o Senhor nos guiou nos tempos passados. ...” (Medicina e Salvação, p 103).

O profeta finaliza afirmando que “Independente de como a vida pudesse se tornar difícil, seria possível encontrar alegria e força em Deus.” (Página 99 da lição). Vivemos em um mundo em convulsão e a impressão que se tem é a de que Deus nos deixou a mercê da violência e dos desatinos humanos. Habacuque pede para termos calma pois, no momento certo o Senhor Se manifestará a favor de Seus filhos. Esse é também o conselho de Daniel: “E naquele tempo se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta a favor dos filhos do teu povo...” (Daniel 12:1).

 
Conclusão

Durante os momentos escuros da vida do profeta Habacuque e, mesmo não compreendendo os designíos de Deus, ele se propôs a estar em íntima comunhão com o Altíssimo e a escrever de maneira bem legível tudo o que lhe era apresentado. “Sobre a minha guarda estarei, e sobre a fortaleza me apresentarei e vigiarei, para ver o que falará a mim, e o que eu responderei quando eu for arguido. Então o Senhor me respondeu, e disse: Escreve a visão e torna bem legível sobre tábuas, para que a possa ler quem passa correndo” (Habacuque 2:1e 2).

A fé que fortaleceu Habacuque e todos os santos e justos naqueles dias de grande provação, é a mesma que sustém o povo de Deus hoje. Nas horas mais escuras, sob as mais proibitivas circunstâncias, o crente cristão pode suster sua alma sobre a fonte de toda luz e poder. Dia a dia, pela fé em Deus, sua esperança e ânimo podem ser renovados, "o justo pela sua fé viverá”” (Profetas e Reis, páginas 386 e 387).

Habacuque não entendia a maneira de Deus agir. Mas essa dúvida não arrefeceu o seu entusiasmo em apresentar ao povo a mensagem do Senhor. O seu último conselho foi: “Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação” (Habacuque 3:17-18).  

 
Durante dois anos o nosso blog permanece à disposição dos estudantes da Lição da Escola Sabatina como mais uma opção de comentário.

domingo, 12 de maio de 2013

O povo especial de Deus (Miqueias)


 

 

Comentário da Lição da Escola Sabatina de onze a dezoito de maio de 2013. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 
Introdução

O nome Miquéias vem, provavelmente, de uma palavra que tem o significado de: “Quem é semelhante a Jeová?” (parecido com Miguel, que quer dizer “Quem é semelhante a Deus?”). Miquéias viveu na cidade de Moreset-Gat, localizada a 32 km de Jerusalém. Semelhante a Amós ele era natural do campo.

 Miqueias exerceu sua atividade entre os reinados de Jotão, Acaz, Ezequias e Manassés, de 750 e 680 AC. Ele viveu antes e depois da tomada de Samaria pelos assírios em 721 AC., tendo sido contemporâneo de Oséias e de Isaías. Entre as suas profecias se destaca o anúncio do surgimento do Messias na pequena cidade de Belém (Miqueias 5:1-3), a mesma profecia de Isaias 2:1-4. No Novo Testamento é mensionada em Mateus 2:6.

Miquéias viveu em tempos difíceis e significativos. Deus o suscitou para avisar Seu povo sobre o que estava para trazer sobre eles. Eventos em rápida sucessão prenunciavam a ruína dos reinos de Israel e de Judá. A corrupção moral e a idolatria se haviam arraigado em Israel, e isso levou à destruição da nação pela Assíria. Judá oscilava entre fazer o que é correto durante o reinado de Jotão e copiar a iniquidade de Israel durante o reinado rebelde de Acaz e experimentou uma tentativa de recuperação no reinado de Ezequias.

Havia um enorme contraste, tanto em Israel quanto em Judá, entre os excessivamente ricos e os pobres oprimidos (Miqueias2:1-5). Os ricos opressores eram apoiados por líderes corruptos políticos e religiosos de Israel. Em razão dessa má liderança, toda a nação tornou-se corrupta e digna de julgamento.

Havia muitos profetas corruptos que profetizavam em conformidade com o dinheiro que recebiam. “Se houver alguém que, andando com espírito de falsidade, mentir, dizendo: Eu te profetizarei sobre o vinho e a bebida forte; será esse tal o profeta deste povo” (Miquéias 2:11). Os sacerdotes também pregavam por dinheiro. Caso recebesse um bom dinheiro a mensagem era de paz. 

Na profecia de Miquéias, é evidente que o povo ainda sofreria um castigo pesado, mas que Deus mostraria a justiça e a misericórdia para como Judá. Depois de avisar e prometer castigo, Deus muda de assunto e insere palavras de consolo e esperança (Miqueias 2:11-12). O castigo não seria total nem final. Algumas pessoas sobreviveriam e seriam protegidas e abençoadas por Deus.

No fim, Judá seria vindicado o os inimigos que duvidaram do poder e da justiça do Senhor seriam humilhados (Miqueias 2:10-11). O povo de Deus, espalhado pelo cativeiro, voltaria para a sua própria terra (Miqueias 2:12).

Deus lança os pecados nas profundezas do mar (Miqueias 7:19). A ideia de perdão é difícil para o homem compreender. Deus totalmente afasta os pecados do pecador e nunca mais Se lembra dos pecados perdoados. Ele os esmaga e os lança no fundo do mar!

No fim, Judá seria vindicado o os inimigos que duvidaram do poder e da justiça do Senhor seriam humilhados (10-11). O povo de Deus, espalhado pelo cativeiro, voltaria para a sua própria terra (Miqueias 7:12).

 
Domingo

            Durante a distribuição dos DVDs me deparei com um senhor que recusou veementemente receber o DVD. Tal atitude me levou a imaginar quão importante seria  para ele conhecer a mensagem que estávamos oferecendo. Tais atitudes, geralmente nos causam desanimo e sofrimento. Mas jamais poderão assemelhar aos dramas vividos pelos mensageiros de Deus que no passado expuseram a própria vida para advertir os seus irmãos e, muitas vezes sem sucesso.

            Podemos imaginar a angustia experimentada por Miqueias diante da indiferença de Judá ao ver os juízos de Deus caindo sobre Israel que, em seus dias, passa a ser dominado pela Assíria.

            Quantas mensagens de arrependimento foram apresentadas e tudo em vão. Ali está um povo que começa a experimentar o amargo cálice da escravidão. Ao seu lado está Judá, cometendo os mesmos pecados e recebendo as mesmas advertências, mas indiferente a tudo ao seu redor.

            Mesmo diante das advertências dos juízos iminentes de Deus, Judá persistiu em seu caminho de rebeldia. Quanta dor, quanto sofrimento, quando vexame poderia ter sido poupado se eles tivessem ouvido pelo menos a palavra de um dos profetas. Mas todo o trabalho deles pareceu em vão.

            Quantos profetas que se sacrificaram a uma vida de restrições e sofreram ameaças e prisões sem perceber qualquer resultado positivo. Mas imagino que para Miquéias o golpe foi mais forte porque ele presenciou o povo de Israel sendo coagido a arrumar as suas trouxas de roupas e, cabisbaixos, marcharem diante de seus inimigos para o exílio.

            Se a rejeição à mensagem de arrependimento causou tanta dor nos mensageiros, podemos imaginar como ficou o coração de Deus. Com certeza a dor é muito maior quando é o seu povo que recusa a mensagem de advertência.  Diz Ellen G. White: “O mundo tem rejeitado a Cristo na pessoa de Seus santos, tem desprezado as mensagens ao recusar receber as mensagens dos profetas, apóstolos e mensageiros. Tem rejeitado aos que são colaboradores de Cristo, e disso terá de dar contas” (A Igreja Remanescente, p 36). 

 
Segunda

            Acaz recebeu um grande legado. O rei Uzias tinha promovido uma reforma espiritual em Judá. E Jotão seu filho legou a Acaz um reino com relativo progresso financeiro e um povo voltado para Deus.

            Assim que o rei Acaz assumiu o trono depois da morte de Jotão, os habitantes de Judá não tinham a menor ideia do que aconteceria. Sob o reinado de Acaz, Judá caiu em tamanha apostasia que os sacrifícios do templo cessaram e sob cada árvore frondosa foram erigidos santuários a deuses estrangeiros. O povo foi encorajado pelo rei a adorar quem bem entendesse, no dia que achasse melhor. No Vale de Hinom, Acaz sacrificou até mesmo seu próprio filho em adoração a Moloque.

            Os lideres se aproveitavam dos mais fracos e a corrupção se generalizou.

            Acaz cometeu três erros graves. Primeiro, se afastou de Deus. Depois ao ser ameaçado pela Síria e pelo seu irmão Israel, solicitou a ajuda da Assíria. Em troca ele tomou os bens preciosos da Casa de Deus, e da casa do rei e os enviou ao rei assírio. E por último imaginava que em qualquer circunstância Deus não permitiria que o seu povo fosse atingido, pois era o povo especial de Deus. Profetas como Isaías o advertiu para que se não abandonasse a Deus não haveria motivos para temer enquanto o Senhor estivesse com ele, mas Acaz não lhe deu ouvidos.

            Os assírios não se contentaram com as riquezas do Templo que Acaz lhes deu e agora desejavam obter o reino inteiro de Judá. Além disso, Acaz cria que os deuses dos assírios havia protegido Judá e assim promulgou uma lei para que aqueles deuses fossem adorados em todo o reino. Ao agir assim, apressou o julgamento de Deus.

            Foi nesse senário conturbado que surge Miqueias que além de apontar os erros do povo de Judá afirmava que eles se vangloriavam de ser o “povo do Senhor”. Por influencia de seus lideres o povo praticava horrores.

Miqueias foi claro: “Portanto, por causa de vós, Sião será lavrada como um campo e Jerusalém se tornará em montões de pedras, e o monte desta casa como os altos de um bosque” (Miquéias 3:12).

 
Terça

            Em meio ao caos a que se abateu sobre o povo de Deus, o profeta Miqueias vê um futuro promissor. Ele prevê o nascimento de Jesus que aconteceria setecentos anos depois. “E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Miquéias 5:2).

Miqueias viu em visão que, com o advento do Messias e com a Sua rejeição pelo povo Judeu, Israel deixaria de ser o povo especial de Deus, todos poderiam ser salvos mas como indivíduos e não mais como nação. Dai para frente todos os gentios fariam parte do Israel espiritual. “E o restante de Jacó estará entre os gentios, no meio de muitos povos, como um leão entre os animais do bosque, como um leãozinho entre os rebanhos de ovelhas, o qual, quando passar, pisará e despedaçará, sem que haja quem as livre” (Miquéias 5:8).

Paulo, que foi pregador por excelência dos gentios escreveu: “Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gálatas 3:28).

Quando estivermos no Céu Miqueias vai entender melhor a dimensão de sua profecia. Além da grande multidão de salvos ao seu redor, ele saberá o quanto a sua profecia troxe alento aos magos do oriente. E mais, ele entenderá que estes magos foram os primeiros gentios a fazer parte do novo Israel de Deus.

 
Quarta

Certa vez conversando com um evangélico de outra denominação ele falou, em tom de brincadeira, que alguns adventistas desejam ter uma vara comprida com um gancho na ponta para, nas tardes de sábado, puxar o Sol para que ele se ponha mais cedo. E completou: “Principalmente os espertalhões em negócios.”

Essa colocação aparentemente absurda tinha a sua razão de existir nos dias de Miqueias. Disse o profeta:Seria eu limpo com balanças falsas, e com uma bolsa de pesos enganosos? Porque os seus ricos estão cheios de violência, e os seus habitantes falam mentiras e a sua língua é enganosa na sua boca” (Miquéias 6:11-12) e Amós completa: “Quando passará a lua nova, para vendermos o grão, e o sábado, para abrirmos os celeiros de trigo, diminuindo o êfa, e aumentando o ciclo, e procedendo dolosamente com balanças enganosas (Amós 8:5).

Miqueias dá a entender que, os judeus se sentiam bem ao fazerem os seus sacrifícios, muitas vezes valiosos. Eles conheciam como ninguém a rotina ao redor do altar. Muitas das ofertas e sacrifícios caros eram frutos do que eles haviam surrupiado dos mais fracos. A mensagem foi dura: “Porque eu quero a misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos” (Oséias 6:6).

Deus estava enfadado de uma adoração farizaica. O povo de Deus naquela época sabia de cor e salteado a rotina ao redor do altar, mas Deus esperava que eles se dispusessem a ser o cordeiro sobre o altar.

Pode ser que alguns de nós sejamos fieis dizimistas e exímeos guardadores do sábado. Pode ser que façamos comoventes sermões e que levemos alguém às lágrimas com os nossos cânticos; mas diante de Deus façamos parte do grupo reprovado por Cristo: “Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Mateus 15:8).

Entendamos o recado de Deus para nós hoje: “Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a e andes humildemente com o teu Deus?” (Miquéias 6:8).

 
Quinta

            Na época de Miqueias o povo de Deus estava podre em pé. Tudo de pior era praticado entre eles, principalmente a falta de amor para com os mais fracos. Mesmo mergulhados numa situação tão deplorável a mensagem de Deus é de esperança.

O Senhor prometeu que se houvesse arrependimento genuíno da parte de seu povo Ele estava disposto a sepultar os seus pecados nas profundezas do mar e esquecer-Se por completo deles. “Quem é Deus semelhante a ti, que perdoa a iniquidade, e que passa por cima da rebelião do restante da sua herança? Ele não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na sua benignidade. Tornará a apiedar-se de nós; sujeitará as nossas iniquidades, e tu lançarás todos os seus pecados nas profundezas do mar” (Miquéias 7:18-19). (Uma observação: Lembre que “passar por cima da rebelião” não é ignorá-la e nem deixa-la impune. Significa perdão divino).

 Desde que o pecado surgiu no Éden essa é a mensagem de Deus para todos os filhos de Adão. Deus quer perdoar e esquecer. Ele nada poderá fazer por uma alma que não reconhece as suas faltas e que se recusa voltar para Ele em busca de perdão.

 
Conclusão

            Miqueias conclui o seu livro com uma dupla promessa. Caso o povo voltasse a ser fiel e praticasse o amor para com Deus e para com o próximo o Senhor os consideraria fieis e os trataria com amor e benignidade. “Darás a Jacó a fidelidade, e a Abraão a benignidade, que juraste a nossos pais desde os dias antigos” (Miquéias 7:20).

O conselho divino, enquanto a porta da graça esta aberta sempre foi: “Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, e se converta ao Senhor que se compadecerá Dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar” (Isaías 55:7).

 
“A Escola Sabatina deve ser um dos maiores instrumentos, e o mais eficaz, em levar almas a Cristo” (Testimonies on Sabbath School Work, pág. 20). 

“O Senhor quer na Escola Sabatina professores que trabalhem de todo o coração, que pelo exercício aumentem seus talentos e progridam naquilo que já conseguiram” (Conselhos Sobre a Escola Sabatina, págs. 13 e 122). 

 
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