Comentário
da Lição da Escola Sabatina de 15 a 22 de junho de 2013. Preparado por Carmo
Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a
Esperança (Uma meditação matinal para qualquer ano). O comentarista é membro da
Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
As oito
profecias encontradas na primeira parte do livro de Zacarias foram escritas em
forma de “quiasmo” ou estrutura de espelho, o que significa que a primeira
visão corresponde a oitava, a segunda a sétima e assim por diante.” Já na
segunda parte do livro encontramos sete profecias messiânicas. A maioria delas
fala do primeiro advento de Cristo, e outras, além de falar da primeira vinda
de Cristo fazem um linque com a Sua segunda vinda e a restauração de todas as
coisas.
O povo de Deus voltou do cativeiro.
Jerusalém foi reconstruída e o templo foi reerguido. A função profética agora
era preparar esse povo para o primeiro advento de Cristo.
O autor olha para o futuro do povo
de Deus. Anuncia também o aparecimento do Messias com três
características: rei (9:9-10), bom pastor (13:7-9) e transpassado (12:9-14). Ao
ler esta segunda parte, é impossível não lembrar Jesus entrando em Jerusalém
montado num jumentinho (rei-messias), ou quando afirma: “Eu sou o bom pastor”;
ou ainda sofrendo a paixão e morte na cruz.
Existem opiniões de que a segunda parte do
livro de Zacarias tenha sido escrita sessenta anos depois da primeira quando o
povo já estava bem estabelecido em sua terra.
Comentaristas afirmam que o estilo usado ao
escrever a segunda parte difere da primeira e provavelmente teve a participação
de outros autores. O
horizonte histórico não é mais o do retorno do Exílio na Babilônia, pois Assíria e Egito são apresentados como nomes simbólicos de todos os opressores.
Zacarias
apresenta detalhes da vida de Cristo que o torna um dos profetas mais citados
no Novo Testamento. Pena que com tantas profecias apontando para a vinda do
Messias não foram suficientes para mudar a maneira dos líderes religiosos verem
o Messias e aceitá-Lo como Salvador. “Veio para o que era Seu, e os seus não o receberam” (João 1:11).
O povo de
Deus falhou mais uma vez na sua missão. Era o seu dever preparar o mundo para o
advento do Messias. O Messias Se tornou conhecido, mas não por intermédio
deles.
Esse Jesus
que os judeus não receberam tornaria a Judeia conhecida no mundo de então. O
Seu nome despertou a curiosidade dos gregos e de outros povos. O povo Judeu,
embora sendo dominado pelo Império Romano, passou a desfrutar de um respeito
que antes não existia. O motivo de sua importância no mundo foi desconhecido
por eles próprios.
Domingo
Alguns
versos de Zacarias oito, em especial, me chamam a atenção. Diz o verso três: “Assim
diz o Senhor: Voltarei para Sião, e habitarei no meio de Jerusalém; e Jerusalém
chamar-se-á a cidade da verdade, e o monte do Senhor dos Exércitos, o monte
santo.” (Zacarias 8:3).
Veja que curioso: O templo foi reconstruído e dali para frente Ele seria a
morada de Deus. Quase que o povo deixou escapar essa grande bênção.
Diz o verso 22: “Assim virão muitos povos e poderosas nações, a buscar em
Jerusalém ao Senhor dos Exércitos, e a suplicar o favor do Senhor.”
E depois o último verso completa: “Assim diz o Senhor dos Exércitos:
Naquele dia sucederá que pegarão dez homens, de todas as línguas das nações,
pegarão, sim, na orla das vestes de um judeu, dizendo: Iremos convosco, porque
temos ouvido que Deus está convosco” (verso 23).
Somos o povo do tempo de Zacarias não para anunciar a primeira vinda do
Messias, mas a Sua segunda volta. Pelo Espírito Santo o Senhor habita em nosso
coração e o mundo necessita ver essa realidade em nossa vida.
A nossa mensagem para o mundo deve ser a mesma de Moisés para Hobabe:
“Disse então Moisés a Hobabe, filho de Reuel, o midianita, sogro de Moisés: Nós
caminhamos para aquele lugar, de que o Senhor disse: Vo-lo darei; vai conosco e
te faremos bem; porque o Senhor falou bem sobre Israel” (Números 10:29).
Segunda
As profecias de Zacarias
tem muito a ver com as profecias de Daniel, Isaías e Ezequiel. “Setenta semanas
estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a
transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniquidade, e trazer
a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo” (Daniel
9:24). Com o inicio do ministério de Cristo dava início a última semana das
setenta apresentada por Daniel.
Um dado importante da entrada de Jesus em Jerusalém foi o
fato de que a cidade não estava preparada para recebê-Lo. Tal situação levou
Jesus a chorar sobre ela e é uma das poucas vezes que a Bíblia apresenta Jesus
chorando. “E, quando ia chegando, vendo a cidade, chorou sobre ela” (Lucas 19:41). Aquele povo que tantas vezes foi convidado a se abrigar
sob as asas da graça e recusou, estava condenado à destruição.
É curioso o paradóxico. Enquanto a multidão cantava “Hosana
ao Filho de Davi; bendito o que vem em nome do Senhor” (Mateus 21:9), Jesus chorava.
Quanto amor por um povo que O rejeitou!
A entrada de Jesus em Jerusalém é narrada pelos quatro
evangelistas. Mateus afirma que ao entrar Jesus em Jerusalém toda a cidade se
alvoroçou. “E, entrando ele em Jerusalém, toda a cidade se alvoroçou, dizendo:
Quem é este?” (Mateus 21:10). Pela última vez a cidade ouviu então a repetida
mensagem: “Este é Jesus, o profeta de Nazaré da Galileia” (Mateus 21:11). A
cidade se alvoroçou, mas não se converteu.
O Rei da paz estava entre eles e não O aceitaram. A
cidade que recusou a verdadeira Paz, logo depois experimentou terríveis
momentos de angustia. Tito veio sem misericórdia e destruíu tudo. “...Ah! se tu
conhecesses também, ao menos neste teu dia, o que à tua paz pertence! Mas agora
isto está encoberto aos teus olhos” (Lucas 19:42).
Terça
“Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de
Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a
quem traspassaram; e pranteá-lo-ão sobre ele, como quem pranteia pelo filho
unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo
primogênito” (Zacarias 12:10). Nesse verso Zacarias mostra o Rei da paz sendo
transpassado. Jesus foi transpassado seis vezes. Nas duas mãos, nos dois pés, em
um de Seus lados e também o Seu coração que foi transpassado pela angústia da
rejeição.
O choro apresentado por Zacarias provavelmente se refere
aos que seguiam a Jesus e presenciaram Ele sendo transpassado pela espada
enquanto estava suspenso na cruz. Mas há também o choro daqueles que O traspassaram
ao vê-Lo retornar em glória e majestade. Eles terão plena conciênscia do que
fizeram e sabem que terão de enfrentar o acerto de contas.
Existe uma teoria de que essa profecia é simbólica e não
literal porque os que transpassam Jesus estão mortos. No entanto temos plena
convicção de que eles ressuscitarão naquele momento. E Ellen G. White vai mais
longe: “Aqueles que O traspassaram.” Essas palavras não se referem apenas os
homens que perfuraram Cristo quando Ele estava suspenso na cruz do Calvário,
mas àqueles que, pela maledicência e por seus feitos, O estão perfurando ainda
hoje” (Signs of the Times, 28 de Janeiro de 1903). Fala o escritor de Hebreus: “E
recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a
eles, de novo crucificam o Filho de Deus, e o expõem ao vitupério” (Hebreus 6:6).
Quarta
As ovelhas correm perigo de morte. Foram ferozmente
atacadas pelo inimigo. Quando tudo perecia perdido aparece o Bom pastor. Ele as
defende com veemência. É ferido e morto. Nesse momento as ovelhas que estavam
ao seu redor se dispersam.
Pedro foi se aquentar e dois deles foram para Emaús. Outros
O observavam de longe: “E estavam ali, olhando de longe, muitas mulheres que
tinham seguido Jesus desde a Galiléia, para O servir” (Mateus 27:55). Diz o texto: “Então Jesus lhes disse: Todos vós esta noite vos
escandalizareis em mim; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do
rebanho se dispersarão” (Mateus 26:31).
Isaías retrata bem o Pastor ferido e os motivos de Seus
ferimentos: “Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por
causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e
pelas suas pisaduras fomos sarados” (Isaías 53:5).
Com a escassez de água em diversos locais da
palestina, vários pastores formavam uma espécie de sociedade, construindo um
redil comum. Os redis eram frequentemente cercados por uma muralha de pedra, e,
por sobre o muro, colocavam feixes de espinhos apoiados em pedras maiores.
Ficava um guardião velando toda a noite para defender o aprisco das feras e dos
ladrões. Se em um redil estivessem as ovelhas de três pastores diferentes e a
um deles pertencesse cinquenta ovelhas, somente as cinquenta atenderiam a sua
voz.
A parábola do Bom Pastor mostra que existe um
estreito relacionamento entre o pastor e suas ovelhas. Elas conhecem a sua voz
e o seguem por onde ele vai. Por outro lado o pastor conhece cada ovelha pelo
nome. Jesus afirma que o pastor mercenário ao ver as ovelhas serem atacadas
eles fogem. Mas o Bom Pastor dá a Sua vida pelas ovelhas. E foi isso que Jesus
fez.
No momento em que o Bom Pastor foi atacado as
ovelhas se dispersaram. As ovelhas dispersas não conheciam a voz dos outros
pastores. E não seguiram a nenhum deles. Elas permaneceram sem liderança. Mas
com a ressurreição do Bom Pastor elas reconheceram a Sua voz e voltaram a
segui-Lo. Ele aglutinou-as de novo.
Já
comentamos em outras oportunidades que as profecias referentes a primeira vinda
de Cristo as vezes tem sentido duplo e são aplicadas também a segunda vinda.
Esse é o caso de Zacarias que nem mesmo distingue uma da outra.
Por
exemplo: Sabemos que o conteúdo do verso quatro está intimamente ligado à
segunda vinda de Cristo, quando o monte das Oliveiras se tornará em uma planície
onde será firmada a Nova Jerusalém. Diz o texto: “E naquele dia estarão os seus
pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente;
e o monte das Oliveiras será fendido pelo meio, para o oriente e para o
ocidente, e haverá um vale muito grande; e metade do monte se apartará para o
norte, e a outra metade dele para o sul” (Zacarias 14:4). E completa o verso
dez: “Toda a terra em redor se tornará em planície, desde Geba até Rimom, ao
sul de Jerusalém, e ela será exaltada, e habitada no seu lugar, desde a porta
de Benjamim até ao lugar da primeira porta, até à porta da esquina, e desde a
torre de Hananeel até aos lagares do rei” (Zacarias 14:10).
Zacarias
termina o Seu livro apresentando a derrota daqueles que se insurgiu contra Jerusalém
ao longo de sua história. Sabemos que essa profecia se refere também à
destruição de Satanás e de seus seguidores que se juntarão para atacar a cidade
Santa no final do Milênio.
Quando essas coisas acontecerem será o final
do Grande Conflito que por mais de seis milênios permeou o nosso mundo. Esse
conflito que nasceu no céu, floresceu em nosso coração e fez parte do nosso dia
a dia. Zacarias nos oferece a certeza de que um dia Jesus exercerá o Seu
domínio eterno e o mal nunca mais existirá. Naun afirma: “Não se levantará por duas vezes a
angústia” (Naun 1:9).
Conclusão
Zacarias
apresentou a mensagem que deve acalentar o nosso coração e que é o nosso dever
apresenta-la ao mundo. Assim como Jesus nasceu, morreu e ressuscitou, Ele
voltará. Não como ferido e ensanguentado e não como servo sofredor. Ele virá em
glória e majestade e o juízo estará em Suas mãos.
Aqueles
que O rejeitaram e perseguiram os Seus filhos serão eliminados com o “sopro de
Sua boca”. Para os fieis servos de Deus
a promessa é: “E os resgatados do
Senhor voltarão; e virão a Sião com júbilo, e alegria eterna haverá sobre as
suas cabeças; gozo e alegria alcançarão, e deles fugirá a tristeza e o gemido” (Isaías 35:10).
“Os
professores da Escola Sabatina têm no ensino da lição da Escola Sabatina um
campo missionário que lhes foi dado...” (Conselhos Sobre a Escola Sabatina, p.
18).
“Persiste em ler, exortar e ensinar, até que Eu vá” (1
Timóteo 4:3).