quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Pensamento
Os túmulos permanecem em absoluto silêncio. Eles não querem perder o toque da primeira trombeta. Carmo
Meditação Reavivar a Esperança
15 de setembro
A velha mesa
Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Mt 22:39.
Certo dia o meu neto Thales, de cinco anos, perguntou para o meu genro: “por que o vovô sempre que prega fala do seu pai, da sua cidade e da igreja”? Conhecer a mensagem adventista aos cinco anos de idade foi para mim, a maior bênção que aconteceu em minha vida e foi a cidade de Monte Alegre de Minas que me abriu as cortinas para o mundo e me propiciou uma infância rica de detalhes que marcaram de maneira positiva a minha vida. Mas, por que, às vezes, menciono o nome de Juvenal Francisco Pinto em meus sermões?
Durante uns vinte anos papai pregou mais de mil e quinhentos sermões em nossa igrejinha local. Com raríssimas exceções ele era o pregador em todos os cultos, sepultamentos, aniversários e outras datas especiais. Trabalhava o dia todo na roça, de domingo a sexta feira, mas nos dias de culto parava uma hora mais cedo e pedalava a sua bicicleta para casa. Esse era o tempo que normalmente ele usava para preparar os seus sermões cheios de vida; o que me leva a crer piamente que o Espírito Santo ungia este homem que tinha apenas o quarto ano primário.
Mas o motivo principal que sempre está presente em minha memória é que meu pai, durante toda a sua existência viveu às avessas o versículo da nossa meditação desta manhã. Ele amava o próximo mais do que a si mesmo. Até hoje me questiono o porquê deste equívoco.
Por alguns anos papai fez as melhores lavouras de abacaxi do Triângulo Mineiro e, como resultado, os seus negócios de venda da produção serviam de parâmetro para os demais produtores da região. A nossa casa simples com piso de cimento grosso transmitia para muitos a idéia de que ele dispunha de uma boa fortuna guardada a sete chaves. Mas a realidade era outra, pois várias vezes o vi recorrer a agiotas e pegar dinheiro emprestado para auxiliar a alguém necessitado.
Papai tinha três problemas sérios. Ele fazia negócios sem nunca exigir qualquer documento. Imaginava que todas as pessoas eram corretas como ele. Eu nunca o vi sair de casa para cobrar de alguém. E, por último, parece que ele se sentia responsável por todas as misérias do mundo. Vivia construindo casas para necessitados, custeando cirurgias para terceiros e, às vezes, vestia e alimentava famílias inteiras. Ele chegou a aposentar do seu próprio bolso um senhor que trabalhava conosco.
Duas lembranças me fazem doer o coração. A primeira vê-lo, no final de sua vida, durante cinco anos, em cima de uma cama vivendo com um salário mínino que alguém teve a bondade de providenciar para ele. A segunda é rever a velha mesa que no passado, por tantas vezes, reuniu dezenas de pessoas, em suculentas refeições e depois, desfalcada de seus principais ocupantes de outrora, passou a oferecer magros jantares com sobremesas de saudade. Hoje, seria o seu aniversário.
A velha mesa
Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Mt 22:39.
Certo dia o meu neto Thales, de cinco anos, perguntou para o meu genro: “por que o vovô sempre que prega fala do seu pai, da sua cidade e da igreja”? Conhecer a mensagem adventista aos cinco anos de idade foi para mim, a maior bênção que aconteceu em minha vida e foi a cidade de Monte Alegre de Minas que me abriu as cortinas para o mundo e me propiciou uma infância rica de detalhes que marcaram de maneira positiva a minha vida. Mas, por que, às vezes, menciono o nome de Juvenal Francisco Pinto em meus sermões?
Durante uns vinte anos papai pregou mais de mil e quinhentos sermões em nossa igrejinha local. Com raríssimas exceções ele era o pregador em todos os cultos, sepultamentos, aniversários e outras datas especiais. Trabalhava o dia todo na roça, de domingo a sexta feira, mas nos dias de culto parava uma hora mais cedo e pedalava a sua bicicleta para casa. Esse era o tempo que normalmente ele usava para preparar os seus sermões cheios de vida; o que me leva a crer piamente que o Espírito Santo ungia este homem que tinha apenas o quarto ano primário.
Mas o motivo principal que sempre está presente em minha memória é que meu pai, durante toda a sua existência viveu às avessas o versículo da nossa meditação desta manhã. Ele amava o próximo mais do que a si mesmo. Até hoje me questiono o porquê deste equívoco.
Por alguns anos papai fez as melhores lavouras de abacaxi do Triângulo Mineiro e, como resultado, os seus negócios de venda da produção serviam de parâmetro para os demais produtores da região. A nossa casa simples com piso de cimento grosso transmitia para muitos a idéia de que ele dispunha de uma boa fortuna guardada a sete chaves. Mas a realidade era outra, pois várias vezes o vi recorrer a agiotas e pegar dinheiro emprestado para auxiliar a alguém necessitado.
Papai tinha três problemas sérios. Ele fazia negócios sem nunca exigir qualquer documento. Imaginava que todas as pessoas eram corretas como ele. Eu nunca o vi sair de casa para cobrar de alguém. E, por último, parece que ele se sentia responsável por todas as misérias do mundo. Vivia construindo casas para necessitados, custeando cirurgias para terceiros e, às vezes, vestia e alimentava famílias inteiras. Ele chegou a aposentar do seu próprio bolso um senhor que trabalhava conosco.
Duas lembranças me fazem doer o coração. A primeira vê-lo, no final de sua vida, durante cinco anos, em cima de uma cama vivendo com um salário mínino que alguém teve a bondade de providenciar para ele. A segunda é rever a velha mesa que no passado, por tantas vezes, reuniu dezenas de pessoas, em suculentas refeições e depois, desfalcada de seus principais ocupantes de outrora, passou a oferecer magros jantares com sobremesas de saudade. Hoje, seria o seu aniversário.
Pensamento
A madrugada é fria para quem dormiu sozinho. Carmo
Caminho para a fé
Comentário da Lição da Escola Sabatina de 5 a 12 de novembro de 2011.
Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, autor de a meditação Avivar a Esperança.
É membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Na época de frutas do campo como caju, mangaba, maminha de cadela e outras, mamãe, sempre saía conosco para procurá-las nos campos e cerrados de nossa região. Lembro-me de uma vez que, no final do passeio, não conseguíamos encontrar o caminho de volta. Para complicar as coisas trovões, relâmpagos e ventania anunciavam a chegada de uma forte tempestade.
Não é fácil manter a calma em situações assim. Em determinado momento, enxergamos um ipê florido que parecia estar a quilômetros de distancia. Marcamos um rumo em sua direção e, antes de chegarmos até ele descobrimos uma pista confiável que nos trouxe de volta para casa sob os pesados pingos da chuva que já caía.
O autor da lição fala que situações semelhantes podem acontecer em relação a algum ponto doutrinário da Bíblia como no caso em que, a maioria dos cristãos, acha difícil harmonizar lei e evangelho. Não é fácil encontrarmos um ipê florido que nos indique a direção certa. A falta de oração e estudo da Bíblia leva muitos a tomarem caminhos que os distanciam mais e mais do Autor de nossa salvação.
Nesta semana estudaremos um pouco sobre a lei de Deus. Com a ajuda do Espírito Santo, vamos conhecer melhor a sua relação com a promessa e conosco, ou seja: a lei e o homem. Para um estudo assim, temos que considerar dois pontos importantes: Nem sempre a maioria está com a verdade e que, às vezes, essa verdade não seja tão popular.
Para muitos estudar sobre a lei é perda de tempo, pois a cruz há dois mil anos, colocou uma pá de cal sobre esse assunto.
O verso áureo fala que a “Escritura encerrou tudo sob o pecado.” Creio não ser difícil entendermos o que Paulo está dizendo. A Escritura (ele está se referindo ao Velho Testamento e especificamente à lei), “encerrou tudo sob o pecado”. Ou seja, diante da lei todos somos condenados à morte porque somos pecadores. O apostolo enfatiza que isso aconteceu para que mediante a fé a promessa de um salvador nos alcançasse.
A promessa de um salvador foi manifestada no Éden e confirmada aos patriarcas e profetas, em especial a Abraão. A Bíblia afirma que o Cordeiro de Deus foi morto desde a fundação do mundo (Apocalipse 13:8). O plano da salvação não foi modificado com a morte de Jesus, ele foi apenas confirmado. A mesma graça estendida a nós hoje, foi outorgada a Adão e Eva no Éden. Caso contrário eles teriam morrido eternemente, pois é isso que a lei exige. Aquele primeiro cordeirinho sacrificado no Eden representou Jesus que um dia viria a este mundo morrer em nosso lugar. A fé que, naquele momento, foi exigida de Adão e Eva é a mesma exigida de nós hoje. A lei mostra que desde o surgimento do pecado, Cristo é a única solução para o transgressor.
Domingo
A lei não é contra as promessas de Deus. A promessa existe porque a lei existe. Caso não existisse a lei não seria necessário as promessas de Deus. As promessas são feitas a pecadores e aceitas pela fé por estes. Caso não existisse a Lei não existiria pecadores e as promessas não teriam razão de existir.
Paulo mostra que diante da ineficácia da lei para nos salvar foi necessário que a promessa se manifestasse. Levitemos 18:5 enfatiza que a observância da lei é um caso de vida ou morte e, diante da afirmação da Bíblia de que não há um justo sequer então, toda a raça humana está condenada a morrer. Diante desta realidade surge a promessa de Deus de um Redentor.
A promessa tem duas funções. A primeira oferece salvação para os pecadores e a segunda proporciona a todo pecador que se apodera dela, forças para “viver em novidade de vida”.
Segunda
Paulo está falando para um grupo de pessoas que defendia a observância da Lei como questão “sine qua non” para a salvação. Provavelmente o apóstolo usou a a expressão “antes que chegasse o tempo da fé” para enfatizar o por que do sacrificio de Jesus, que oferecia a salvação tanto para judeus como para gentios.
Diante de um público extremamente legalista a proclamação da mensagem de Paulo era realmente um novo tempo. Desde o Éden não mudou a lei e não mudou a graça, mas sim, a meneira de como os judeus se relacionavam com ambas. O apostolo afirma em Romanos 6:14 e 15 que mais importante do que as praticas legalistas com enfaze para a salvação, é a pessoa se tornar uma nova criatura. Os judeus tinham mais de duas mil e quinhentas “leis” que eram observadas com todo o rigor. A expressão “até que chegasse o tempo da fé” não era nenhuma nenhuma novidade bíblica, mas para os judeus era realmente um novo tempo que eles tinham muita dificuldade para aceitar.
Quando o apostolo Paulo fala que Jesus veio para remir os que estavam debaixo da lei essa mensagem era dierecionada especificamente aos judeus. Eles eram os únicos que defendiam a observancia explicita da lei como quisito impresindivel para a salvação. Todos os seres humanos estão sob a condenação da lei até que recebam a justiça imputada de Cristo. Era dificil para os jusus acreditarem que o sacrificio de Jesus é capaz de apagar todas as transgressões da lei e fazer de cada pessoa que O aceita uma nova criatura. Era objetivo de Paulo libertá-los desta prisão.
Terça e quarta
O pai de minha nora é pastor no Japão. Quando ele foi para lá, ela e sua irmã permaneceram aqui no Brasil e eram menores de idade. Naquela ocasião ele indicou um pastor que morava em São Paulo para ser o tutor das meninas. A primeira idéia que se tem é que o tutor é um vigia implacável. Mas ele se tornou a pessoa de confiança para aquelas meninas. Em varias situações de dúvida ele estava presente para orientá-las com segurança.
Um ponto importante é que o tutor representava o próprio pai daquelas jovens. Como não é possível Deus estar visivelmente ao nosso lado a Sua lei nos mostra o caminho. Ela representa o Seu querer.
Quando Davi exclama “Oh! quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia” (Salmos 119:97). Ele está exteorizando o seu amor ao Deus criador e autor da lei. É por ela que ele norteava o seu caminho para andar com o Senhor. É a lei que fala aos nossos ouvidos: “este é o caminho, andai por ele” (Isaías 30:21). Ignorar a lei é desconhecer Deus que a instituiu.
É interessante que em Romanos 3:1 e 2, Paulo pergunta: “qual a vantagem do Judeu”? E ele mesmo responde: “muita, porque a Palavra de Deus lhe foram confiadas”.
Pela lógica, os judeus deveriam ser os verdadeiros tutores que deveriam guiar o povo aos pés de Jesus. Mas infelizmente a sua ação foi contrária a esse pensamento.
A lei tem, pelo menos duas funções: mostra o pecadoe nos conduz a Cristo. É impossível alguém melhorar o seu proceder caso não exista um padrão de conduta.
Quinta
Paulo está escrevendo para um público que, depois da conversão, ficou fascinado por um outro evangelho e abandonou o seu primeiro amor. Provavelmente era a sua intensão, levar esse grupo novamente, a sentir a paz que um dia inundou o seu coração. Em seu evangelho Paulo já lhes havia falado que a Lei não salva mas nos mostra a necessidade de um Salvador. Uma vez convertido, a lei cumpriu o seu objetivo de guiar o pecador até Jesus. Ela continuará a faze-lo mas sem o impácto que a coversão exerce em qualquer pessoa.
Em comentários anteriores já mensionamos inumeras passagens biblicas onde o próprio Paulo enaltece a importancia da lei. Já falamos também que nos dias de Paulo a circuncisão dominava as discuções sobre a lei. Hoje o foco das discuções sobre a validade da lei está circunscrita a um único mandamento: o sábado.
A lei tem a sua real importancia na nossa vida cristã. Achei interessante uma adirmação encontrada na página 59 da lição dos jovens: “A lei de Deus nos mostra como Ele acha que um cristão deveria ser.”
Conclusão
Em nossa caminhada cristã, a fé nos proporciona a certeza de que, em Cristo seremos novas criaturas. A nova vida que passamos a desfrutar gera em nós o desejo de pautar o nosso viver com a Sua vontade.
A salvação em Cristo visa projetar em nós uma nova criatura que será moldada em conformidade com o Seu querer expresso em Sua lei.
A superioridade da promessa
Comentário da lição da Escola Sabatina de 29 de outubro a 5 de novembro de 2011.
Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, autor de a meditação Avivar a Esperança.
É membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga.
Introdução
O homem necessita da salvação, mas não fez nada para consegui-la. Nem mesmo solicitou que Deus prometesse alguma coisa. Tudo foi iniciativa do Céu. Deus nos criou e ao fazê-lo, nos amou; e foi esse amor que levou o Criador a providenciar tudo para que pudéssemos ser salvos. Deus gostou da nossa companhia e nesse particular, em relação a Ele, não vale o provérbio: “Mostra-me com quem tu andas e direi quem tu és.” Deus vê em cada filho Seu a possibilidade de se tornar uma nova criatura.
Imagine Deus mostrando os Seus filhos para o Universo como seus amigos especiais. Um rouba, o outro é assassino, estuprador, caloteiro e assim por diante. Há! Ainda tem os que prometem e não cumprem. Jurou amor a verdade, mas tem filhos com a mentira. Que amigos de terceira classe! São para pessoas assim que Ele promete não só salvação de graça, mas uma vida eterna longe da dor, da morte e do pecado.
Por esses amigos Deus foi às últimas consequências. O Seu desejo não é estar junto conosco somente vinte, quarenta ou oitenta anos, Ele deseja passar a eternidade conosco. E vem o conselho bíblico: Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; porque fiel é o que prometeu” (Hebreus 10:23). E “Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa; porventura diria ele, e não o faria? Ou falaria, e não o confirmaria?” (Números 23:19).
Domingo
Deus fêz várias promessas a Abraão. Mas a principal foi: “E a tua descendência será como o pó da terra, e estender-se-á ao ocidente, e ao oriente, e ao norte, e ao sul, e em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra” (Gênesis 28:14). Esta promessa mostra dois pontos importantes. Primreiro, está claro que o nascimento do Salvador se daria em sua familia, na sua descendência. E segundo, Essa é uma promessa extensiva a todo ser humano de todas as raças e de todos os tempos. Essa salvação oferecida de graça para todas as raças se tormou o nó difícil que os judeus sempre tiveram dificuldade em desatar.
Para os opositores de Paulo a Lei que veio quatrocentos anos depois de Abraão se tornou a base da salvação e, com um detalhe: apenas para um grupo especial. Refutaram a promessa de Deus em relação ao restante da humanidade: “em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra”.
A Lei não foi outorgada para anular as promessas divinas e nem essas para anular a Lei. Elas caminham juntas e desempenham papeis distintos e insubstituíveis em nossa salvação. Sem Lei não existe pecadores e sem pecadores Jesus teria morrido em vão. Quem fêz a promessa é o mesmo que deu a Lei e em Deus não existe incoerencias.
A Lei mostra a necessidade que o homem tem de um Salvador e o plano da salvação pela fé em Cristo veio para suprir essa necessidade. A salvação defendida pelos judeus tinha por base o fiel cumprimento da Lei, algo impossivel para o ser humano sem que o manto da graça o capacite para isso. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Coríntios 5:1). Mesmo assim, João faz uma ressalva: “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo” (1 João 2:1). A promessa de que todas as familhas da terra seriam abençoadas teria o seu cumprimento com o nascimento de Jesus. Nele, realmente todos seriam abençoados. ” Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize” (João 14:27).
Segunda
Na parte de segunda parece que o assunto se repete, mas veremos que ele é abordado sob um aspécto diferente. O apostolo Paulo finaliza o capítolo três com uma pergunta. “Anulamos a Lei pela fé?” E ele mesmo se apressa em responder “de maneira nenhuma”. Embora a sua resposta seja tão enfática, ela não foi aceita pelos judaizantes e continua sendo objeto de repúdio para muitas pessoas até os dias de hoje. Aceitar a perpetuidade de toda Lei de Deus é uma missão difícil de ser assimilada pela maioria da cristandade. Paulo usa toda a enfase para afirmar: “porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada” (Gálatas 2:16). A salvação pelas obras da Lei não exige o exercício da fé, pois é uma questão de pratica-la ou não. Mas sem o exercício da fé não tem como nos aproximarmos de Deus.“Ora, sem fé é impossível agradar-Lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam” (Hebreus 11:6).
O verso sete de Romanos sete esclarece que a Lei é o instrumento que nos mostra o pecado. É ela que nos mostra a necessidade de um Salvador. Paulo usa uma expressão carinhosa para esclacer a função da Lei. “De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo” (Gálatas 3:24). Nos tempos de Paulo, Aio era a pessoa que cuidava de crianças de uma família abastada. Uma criança nescessita de alguém para conduzi-la até à escola, igreja ou a um outro lugar. Assim, a Lei mostra o nosso pecado e nos leva a Cristo, o único que pode prover a nossa justificação.
Para os que advogam a nulidade da Lei após a morte de Cristo, o aio subjugava a criança (o pecador) e com a morte de Jesus o homem se livrou do aio. Mas não é isso que Paulo esta dizendo em Gálatas 3:24.
Ao Jesus assumir a carne humana, viver e morrer sem pecado, Ele Se tornou o único que tem condições de salvar o pecador. O pecador nescessita exercitar a sua fé e acreditar que Nele. O profeta Isaías assim define Cristo: “Quem é este, que vem de Edom, de Bozra, com vestes tintas; este que é glorioso em Sua vestidura, que marcha com a Sua grande força? Eu, que falo em justiça, poderoso para salvar” (Isaías 63:1). E Paulo mais uma vez insiste no exercício da fé: “Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno. (Hebreus 4:16).
Terça
Uma leitura rápida e pouco comparativa com outros textos pode levar o leitor a deduzr que em Gálatas 3:19, Paulo esteja anulando a lei de Deus com o cumprimento da promessa do nascimento e morte de Jesus. Mas observe que o apostolo está afirmando que a Lei foi instituida para que o homem tivesse um parâmetro de conduta. Esse parâmetro mostra se ele esta vivendo de maneira condizente com a vontade divina ou não. E como todo homem transgride a Lei, ele necessita de um Mediador junto ao Pai. Existe uma tendencia generalizada no cristianismo de colocar a Lei moral dos Dez Mandamentos no mesmo patamar da lei ceremonial. Para estas pessoas quando se fala em lei todas foram anuladas com a morte de Jesus. Caso isso fosse verdade, qual a necessidade de igrejas, pregações sobre perdão, conversão etc? Paulo afirma: “Que diremos pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás” Romanos 7:7). Para Paulo e para toda a humanidade, a Lei moral dos Dez mandamentos mostra o pecado e a nossa necessidade de um salvador.
Em Romanos 5:13 o apostolo afirma que antes da morte de Jesus o pecado permanecia intacto. A Lei cerimonial provia um perdão que necessitava ser referendado na cruz. Porque até a lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado, não havendo lei. Romanos 5:13. No verso 20 esclarece que, sem a Lei o pecador não tem noção do que é o pecado.
A Lei de Deus rege o Universo. Nos mundos não caídos talvez, ela nem seja explicitada porque o relacionamennto entre Criaturas e Criador é algo tão intimo que se faz desnecessário a sua referencia clara como acontece conosco que demos margem ao pecado. A Lei nos ajuda a manter um relacionamento com Deus que nos aproxime do ambiente celestial. Não pela obediencia em si, mas porque tal relacionamento nos leva a apoderarmos da graça que a cada dia nos faz novas criaturas.
Quarta
Alguns apresentam o ato de Cain matar seu irmão e, a repulsa de Deus a esse ato, como prova de que a Lei de Deus já existia nos primordios da criação, o que não deixa de ser uma grande verdade. Mas podemos somar a essa verdade o fato de Cain e Abel oferecer o sacrificio já era um indicio de que a Lei era vigente naquela época. Caso Os filhos de Adão não se sentissem pecadores não haveria necessidade de sacrifício. E se pecaram é porque trangrediram alguma lei vigente. E os atediluvianos foram destrídos porque recusaram pautarem a vida em conformidade com a Palavra de Deus.
Um outro aspécto que não pode ser esquecido é que, no término da criação, Deus instituiu o sábado como dia de repouso para o ser humano.E enquanto existir o homem a observancia do sábado será uma necessidade. Pois “"O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado" (Marcos 2.27). E é justamente esse mandamento o mais repudiado da Lei de Deus. Os cristãos aceitam que matar e roubar seja pecado mas insistem que o sábado, em especial, foi abolido na cruz.
“A mensagem lhes ordena temer a Deus e dar-Lhe glória, "e adorar Aquele que fez o céu e a Terra, e o mar, e as fontes das águas". O resultado da aceitação destas mensagens é dado nestas palavras: "Aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus, e a fé de Jesus." A fim de se prepararem para o juízo, é necessário que os homens guardem a lei de Deus. Esta lei será a norma de caráter no juízo” (O Grande Conflito, págs. 433-436). Esse foi o recado que João, no livro do Apocalipse, passa para a humanidade de todos os tempos. A Lei de Deus será a norma do juízo. Aliás se a Lei foi abolida seria um grande equivoco pensar em um dia de juízo.
No estudo de terça fiz o seguinte comentário: Em Romanos 5:13 o apostolo afirma que antes da morte de Jesus o pecado permanecia intacto. A Lei cerimonial provia um perdão que necessitava ser referendado na cruz. “Porque até a lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado, não havendo lei” (Romanos 5:13). No verso 20 esclarece que, sem a Lei o pecador não tem noção do que é o pecado.
Um detalhe que deve ser lembrado: Só foi possível Jesus Se tornar o nosso salvador porque Ele viveu sem transgredir a Lei. “Cristo viveu uma vida de perfeita obediência à Lei de Deus, deixando nisto um exemplo perfeito a toda criatura humana. A vida que Ele viveu neste mundo, devemos nós viver, mediante Seu poder, e sob as Suas instruções” (A Ciência do Bom Viver p 180). O autor da lição faz a seguinte colocação: “O papel da lei não acabou com a vinda de Cristo. Ela continuará a apontar o pecado...”).
Quinta
A promessa é superior a Lei por alguns motivos. Vejamos: caso não houvesse a promessa de salvação em Jesus a nossa vida seria um eterno desepero. Pois a lei mostrava o pecado e nós não tinhamos a quem recorrer. A promessa nos dá a certeza de que; “ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã” (Isaías 1:18). Mais uma vez insisto no raciocínio de que a promessa da vinda da posteridade era uma referencia a Cristo, descendente de Abraão. Até a cruz, a justificação imputada ao pecador estava condicionada ao sacrificio que um dia teria lugar no Calvário.
O autor da lição finaliza: “No fim, por mais importante que seja a lei, ela não é substituto para a promessa da salvação pela graça através da fé. Ao contrário, a lei nos ajuda a entender melhor o quanto essa promessa é realmente maravilhosa” ( Lição professor p 43).
Conclusão
A lei mostra o pecado e, só existe uma possibilidade de satisfazer os seus reclamos, a morte do transgressor. Jesus morreu por nós e oferece perdão a quem aceitar o Seu sacrifício na cruz. A promessa de um salvador foi feita no Éden e foi referendada a Abraão. Antes do Sinai a lei foi observada pelos israelitas durante a sua peregrinação no deserto e desde o Éden era passada de pai para filho. Com o aumento da população, Deus achou melhor escrevê-la e, o fez com o Seu próprio dedo em tábuas de pedra. A promessa da salvação é a melhor noticia que um pecador pode ouvir e, graças a Deus por isso.
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Pensamento
A maioria dos homens jura amor à verdade mas tem filhos com a mentira. Carmo
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Fé e Antigo Testamento
Comentário da Lição da Escola Sabatina de 22 a 29 de outubro de 2011.
Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, autor de a meditação Avivar a Esperança.
É membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Os adventistas não só harmonizam a salvação pela graça e a Lei, mas estabelecem também, uma harmonia entre o Velho e o Novo Testamento. A Bíblia é um todo e, sem o Velho Testamento não tem como entender o novo Testamento. Há o perigo de eu ler a Bíblia descartando mensagens inconvenientes para mim e, abraçar outras, às vezes, velho testamentárias, mas que sejam de meu interesse. É o caso do dízimo e das ofertas que, embora tenham a sua base no Velho Testamento são aceitas pela maioria das igrejas.
Na semana passada comentei que a fé não nos salva, mas é a ferramenta que está à nossa disposição para apoderarmos dos méritos de Cristo. Na lição desta semana estudamos de maneira mais profunda os resultados da fé na vida daqueles que antecederam o sacrifício de Jesus.
O apostolo Pedro confessa: "Foi a respeito desta salvação que os profetas indagaram o inquiriram, os quais profetizaram acerca da graça a vós outros destinada, investigando atentamente qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicados pelo Espírito de Cristo, que neles estava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos referentes a Cristo, e sobre as glórias que os seguiriam. ... Coisas essas que anjos anelam perscrutar" (I S. Ped. 1:10-12).
O verso áureo afirma que Jesus nos resgatou da maldição da Lei. Ela não apenas nos mostra o nosso pecado, mas nos condena também. Uma vez transgredida, o transgressor está condenado à morte. Mas se esse pecador aceitar o sacrifício de Jesus, Ele o livra desta condenação pelos pecados cometidos. Após a conversão, ele passa a andar em novidade de vida. Mas, se porventura ainda pecar, Jesus Se coloca como advogado junto ao Pai e pleiteia a sua absorção. “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo” (1 João 2:1).
Domingo
Em sua mensagem de repreensão aos gálatas, Paulo usa dois termos bem pesados. No primeiro ele os identifica como “insensatos” que quer dizer: perdeu a razão, louco, insano ou o que é contrário ao bom senso e, “fascinados” ou atraidos, cativados, encantados e enfeitiçados.
Paulo ficou estupefato diante da conduta dos gálatas. Eles foram bem orientados a respeito da salvação pela graça e da ineficacia das obras para a nossa salvação. Parece que realmente perderam a razão.
Quem vos fascinou? Na minha infãncia era comum grandes boiadas passaren em frente a nossa casa. Antes, aqueles bois desfrutavam de relva verde, água fresca e muita sombra na fazenda onde moravam. Mas, um dia, apareceu por aquelas cercanias um homem montando um elegante cavalo e tocando um berrante. O som era maravilhoso e, os bois, “fascinados”, decidiram segui-lo. Mas depois de semanas de caminhada iam eles com fome, cansados e sedentos rumo aos grandes abatedouros de São Paulo (Ver meditação Avivar a Esperança, p 341).
Desde o Éden, o “homem do berrante” tem fascinado as pessoas a tomarem uma direção contrária a vontade de Deus. E nos dias de Paulo não foi diferente. Muitos que se converteram ao cristianismo ouvindo as mensagens do apostolo dos gentios, logo depois, estavam fascinados pelo evangelho apresentado por um grupo de inquietadores. “Mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo” (Gálatas 2:7).
Segunda
A mensagem que Paulo pregava jamais entrou em conflito com os ensinos do Velho Testamento. Ele apresentou as Escrituras como fonte de ensino e esperança. “Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança” (Romanos 15:4). Em seus dias só existia o Velho Testamento. Paulo elogia a conduta dos bereanos que ao ouvir a mensagem conferiam as suas palavras com o que diziam as Escrituras. “Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (Atos 17:1).
"Foi a respeito desta salvação que os profetas indagaram o inquiriram, os quais profetizaram acerca da graça a vós outros destinada, investigando atentamente qual a ocasião ou quais as circunstâncias oportunas, indicados pelo Espírito de Cristo, que neles estava, ao dar de antemão testemunho sobre os sofrimentos referentes a Cristo, e sobre as glórias que os seguiriam. ... Coisas essas que anjos anelam perscrutar" (I S. Ped. 1-10-12).
O Velho Testamento é a base do Novo Testamento. Em sua exposição em Gálatas 3:6-14, pelo menos quatro vezes, Paulo remonta ao Velho Testamento. Diz Ellen G. White: “Os que duvidam da fidedignidade dos relatos do Velho e Novo Testamentos, muito amiúde vão um passo além, pondo em dúvida a existência de Deus e atribuindo à Natureza o poder infinito. ... Assim muitos se desviam da fé, e são seduzidos pelo diabo” (Maranata! - Meditação Matinal, p 133).
A rotina dos sacrifícios exigia uma fé incondicional de que a promessa da vinda do Cordeiro de Deus que tiraria o pecado do mundo aconteceria um dia em um futuro distante. Até então, tudo não passava de promessas. A Bíblia afirma: “E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Apocalipse 13:8).
Terça
Uma pessoa que se destacou no exercício da fé no Velho Testamento foi Abraão. Do meu ponto de vista, dois momentos máximos identificam Abraão no exercício da fé.
O primeiro aconteceu quando ele morava em Ur dos caldeus. A história define Ur como a cidade mais rica e desenvolvida nos tempos de Abraão. As casas eram luxuosas e normalmente tinham dois pisos. A cidade tinha rede de esgotos e o dinheiro circulava fácil. Por outro lado, Abraão era rico e, com certeza, desfrutava de um conforto raro em seus dias.
Quando tudo parecia bem Deus aparece para o patriarca e o convida para deixar para traz os amigos, os familiares e a vida regalada para viver uma vida nômade e morar em barracas. E o pior: deveria partir para uma terra que ele não sabia onde ficava e nem mesmo se realmente existia. Uma dúvida poderia surgir: essa terra seria melhor ou, pelo menos semelhante a sua terra natal? A Bíblia afirma que “Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia” (Hebreus 11:8).
Esse texto une de maneira linda fé e obras. A Bíblia afirma que tudo aconteceu Pela fé. E essa fé incondicional o levou a obedecer. Diz o texto: “obedeceu”. As obras não salvam mas é um testemunho universal de que aceitamos o plano divino.
O segundo epsódio na vida de Abraão que exigiu uma fé além da nossa imaginação foi a ordem divina para sacrificar Isaque. Ábraão obedeceu. Depois de preparar a lenha , o cutelo e o fogo, o patriarca pos-se a caminho. Tinha que caminhar alguns dias e galgar o cume do monte Moriá com oitocentos metros de altura. E, para piorar as coisas Abraão não era mais um jovem. Ele creu que Deus estava no comando e isso foi o suficiente para obedecer. Diz Ellen G. White: “Seres celestiais foram testemunhas daquela cena em que a fé de Abraão e a submissão de Isaque foram provadas. ... O Céu inteiro contemplava com espanto e admiração a estrita obediência de Abraão. O Céu todo aplaudiu sua fidelidade. As acusações de Satanás demonstraram-se falsas” (A Verdade sobre os Anjos p 80).
Não é porque Abraão viveu no Velho Testamento que ele obedeceu. Hoje, quando aceitamos o convite de Cristo passamos por uma mudança radical. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Coríntios 5:17). Não existiria pecado se a Lei não existisse. “Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados” (Hebreus 10:26). O verso afirma que ao aceitarmos a salvação oferecida por Cristo não somos imunizados contra o pecado. A Lei moral não é e nunca foi algo transitório. Ela é eterna como eterno é o Seu autor.
Hoje, ao ler a Inspiração Juvenil, soube de uma motorista que ao passar por um pedágio, paou a taxa para seis carros que vinham atrás dela sem nunca ter conhecido nenhum dos motoristas. Aqueles motoristas não fizeran nada para merecer este favor. Ao chegarem na guarita a conta já havia sido paga e passaram livres. Eles apenas tiveram que acreditar que tudo já havia sido pago.
Quarta
Na bênção anunciada por Deus a Abraão está incluído o evangelho aos gentios. Deus foi claro: “Todas as nações serão benditas em ti” (Gálatas 3:8). O autor da lição afirma que Deus fez quatro promessas a Abrão e que Abraão não teve que prometer nada. A graça é dom gratuito de Deus.
Jacó ao saber que Benjamim deveria acompanhar os seus filhos na volta ao Egito tentou aplacar o governante daquela nação com um presente que incluia sete frutos da terra. “Então disse-lhes Israel, seu pai: Pois que assim é, fazei isso; tomai do mais precioso desta terra em vossos vasos, e levai ao homem um presente: um pouco do bálsamo e um pouco de mel, especiarias e mirra, terebinto e amêndoas” (Gênesis 43:11). (e dinheiro, muito dinheiro). Ele ofereceu ao governante do Egito o mesmo que Caim ofereceu, frutos da terra. Não sabemos se José recebeu o presente, mas de uma coisa temos certeza: ele não exerceu nenhuma influência na decisão do “monarca egípcio”. Os irmãos de José conheciam toda a rotina ao redor do altar, mas ainda não sabiam o que era estar sobre o altar. (Sugestão: ler página 116 da meditação Avivar a Esperança).
Ao pecar, Davi temeu pela justiça divina. Ele afirma: “Quando eu guardei silêncio, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido em todo o dia” (Salmos 3:8). E suspira aliviado: “Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa maldade, e em cujo espírito não há engano” (Salmo 32:2). Davi teve o seu pecado perdoado. A sua dívida foi paga não por ele próprio, mas Deus quitou tudo. Sim, bem aventurado o homem a que o Senhor imputa a justiça.
Josué foi o mais importante líder de Israel depois de Moisés. Mas além de líder, ele foi sumo sacerdote, ou seja, era ele quem intercedia pelo povo e pelos outros sacerdotes. Mas mesmo ocupando o mais alto comando militar e espiritual de Israel, ele foi visto com roupas sujas diante de Deus. E Satanás não perdeu essa oportunidade para acusá-lo diante do Altíssimo. “Então respondeu, aos que estavam diante dele, dizendo: “Tirai-lhe estas vestes sujas. E a Josué disse: Eis que tenho feito com que passe de ti a tua iniquidade, e te vestirei de vestes finas.” Os filhos de Jacó receberam roupas novas de José. E foi Moisés quem vestiu a Arão com vestes sacerdotais. É Deus que nos veste com vestiduras de salvação. Apenas Ele pode perdoar o nosso pecado e nos imputar a sua justiça. “Regozijar-me-ei muito no Senhor a minha alma se alegrará no meu Deus; porque me vestiu de roupas de salvação, cobriu-me com o manto de justiça, como um noivo se adorna com turbante sacerdotal, e como a noiva que se enfeita com as suas jóias” (Isaías 61:10).
Quinta
Existe muita confusão em torno de Efésios 3:13. Realmente Jesus nos resgatou da maldição da Lei. Pois a Lei uma vez transgredida exige a morte do transgressor. Mas Jesus morreu em lugar do pecador. Depois de nossa conversão, voluntariamente vamos andar em novidade de vida. “De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida” (Romanos 6:4).
Jesus não conheceu pecado mas assumiu a culpa do pecador não para que este homem perdoado continue pecando mas, para andar em novidade de vida.
Conclusão
Gostei do resumo da lição apresentado pelo autor na página 61. Diz ele: “Do inicio ao fim da vida cristã, a base de nossa salvação é a fé unicamente em Cristo. Foi por causa da fé que Abraão teve nas promessas de Deus que ele foi considerado justo, e esse mesmo dom de justiça está disponível hoje para todo aquele que partilhar da fé que Abraão teve. A única razão pela qual não somos condenados por nossos erros é que Jesus pagou o preço pelos nossos pecados, ao morrer em nosso lugar.”
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Justificação pela fé
Comentário da Lição da Escola Sabatina de 15 a 21 de outubro de 2011.
Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, autor de a Meditação Avivar a Esperança.
É membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Na revista Adventista de setembro de 2011, o pastor Denílson Storch, em seu artigo “Pilar da mensagem adventista,” afirma que “o povo do advento tem práticas e crenças muito peculiares”. Entre estas crenças ele menciona “cremos em toda a Bíblia e harmonizamos a Lei com a Graça”.
Essa harmonia que estabelecemos entre a Lei e a graça têm sido contestada por centenas de religiosos que não pensam assim. E a afirmação encontrada no título da nossa lição desta semana deve causar espanto naqueles que nos intitulam de legalistas. “A idéia de justificação pela fé, é um conceito estranho para muitos. Embora seja simples em sua natureza, tem confundido até mesmo os mais inteligentes” (Lição de Jovens, p 29). Assim como defendemos a perpetuidade da Lei de Deus, acreditamos também, que somos justificados apenas pela graça. E não haveria necessidade de um Salvador se a Lei não me mostrasse que sou pecador.
Alguns judeus imaginavam que ser considerados filhos de Abraão era a credencial para a salvação, enquanto para outros judeus, o Céu já estava reservado para aqueles que praticavam a circuncisão. Eles ainda tinham muito o que aprender. Justificação não é uma bênção coletiva e nem hereditária. Ela exige entrega individual e zelo por toda a vida. “De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor” (Filipenses 2:12).
Domingo
Pedro, que ainda defendia a separação entre Judeus e gentios se misturou com estes quando visitou Antioquia, mas, com a chegada de Tiago mudou de postura. A atitude de Pedro foi um prato cheio para Paulo que assim se expressou: “Nós somos judeus por natureza, e não pecadores dentre os gentios” (Gálatas 2:15).
As palavras de Paulo nesse texto não visavam aprofundar as diferenças entre judeus e gentios apregoadas pela maioria dos apóstolos. Existem pelo menos duas razões para a sua afirmação. Primeiro ele esta chamando a atenção de Pedro por sua incoerência que, até a pouco, estava misturado com os gentios, mas mudou de postura com a chegada de Tiago. Segundo, com essa afirmação ele se aproximava mais dos judeus que estavam sempre com um pé atrás a respeito de suas pregações.
No verso seguinte Paulo afirma que as obras da lei não têm nenhum mérito para a nossa salvação e mostra a nossa necessidade de um salvador. Com a firmação do verso 15, Paulo ganhou um pouco mais de confiança da parte dos Judeus e aproveitou esse momento para apresentar o cerne da justificação pela fé.
Segunda
O autor da lição apresenta varias alternativas para a definição de lei no contexto paulino (ler o primeiro parágrafo da nota as pergunta 3). Podemos acrescentar mais um adendo: os judeus fizeram uma “regulamentação da lei de Deus” e ai foram incorporadas muitas tradições consideradas, por eles, como parte da Lei. (Ex.: quantos metros uma pessoa poderia caminhar em um dia de sábado).
A lição afirma que por 121 vezes Paulo menciona a palavra lei. E em vários momentos usa a expressão: “obras da lei”. Isso tem pelo menos duas razões. Primeiro, a justificação pela fé era o âmago das discussões nos dias da igreja primitiva e, segundo, Essa era uma linguagem bem conhecida dos judeus.
A lei deve ser observada como uma resposta de amor a Aquele que deu a vida por nós. O viver uma nova vida em Cristo implica em deixar de praticar as coisas erradas de antes e viver em novidade de vida. Passamos a praticar não as obras da carne, mas a produzir os frutos do Espírito. Quando Jesus salvou a pecadora de ser apedrejada, a Sua orientação foi: “vai-te, e não peques mais” (João 8:11). Os que se firmam nos escritos de Paulo para pregarem a não observancia da Lei deverian meditar em textos paulinos como: “Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade” (Efésios 4:28).
Terça
Alguém afirmou: “A nossa fé nada acrescenta à justificação, como se fosse meritória” e esclarece: “mas é o meio pelo qual nos apegamos a Cristo”. Pela fé aceitamos o sacrifício de Cristo em nosso favor. O batismo e a Santa Ceia são os únicos meios concretos de manifestação de nossa aceitação do sacrifício de Cristo na cruz. Mas esses atos oferecem apenas uma visão externa do que passa em nosso interior que pode ser real ou não. O que vai em nosso íntimo é uma questão pessoal entre nós e Deus.
Uma pessoa não recebe nenhum sinal concreto, vindo do Céu, de que o seu passado foi perdoado e que ela está justificada. A fé é que nos oferece essa certeza. Caso não exercitemos a nossa fé em Cristo, estamos fadados ao fracasso. “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem” (Hebreus 11:1). A base da nossa salvação é o sacrificio de Cristo e, a fé, o instrumento que nos leva a Ele.
Cristo tomou a forma humana e viveu entre nós. Caso houvesse pecado jamais o plano redentivo seria consumado. O que o Ceu poderia fazer em nosso favor foi feito.
Quarta
Na primeira parte do verso de Genesis 15:6 temos o segredo para a nossa justificação. Afirma o texto que Abraão “creu”. Crer na promessa divina é o elemento básico para a nossa justificação. Quando cremos estamos abrindo mão de qualquer possibilidade humana para resolver o nosso problema. Humanamente era impossível Abraão e Sara desfrutarem da paternidade. O crer de todo o coração nos traz aquela paz que o mundo não pode oferecer. Semelhante a experiência de Abraão foi a dos israelitas atacados pelas serpentes venenosas do deserto. Não havia nenhum soro antiofídico ou algum medicamento capaz de poupar a vida de alguém picado por elas. Por outro lado, a serpente de metal era inerte e sem vida. Mas quem olhasse para ela seria salvo. O israelita uma vez ferido e que obedeceu o conselho divino, desviava o olhar da serpente que o feriu e se voltava para a serpente de metal e a sua vida era poupada.
Não há motivos para estarmos remoendo os nossos pecados. Uma vez confessados a Jesus podemos e devemos esquecê-los para sempre. Devemos mudar o foco e, não olhar mais para a serpente que nos feriu, mas sim “para Jesus autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-Se à destra do trono de Deus” (Hebreus 12:2).
No caso de Abraão, ele obedeceu a orientação divina e aguardou o cumprimento da promessa. Os israeleitas feridos pelas serpentes tinham que aceitar a orientação divina. Deus não eliminou as serpentes e elas continuaram a ferir os Seus filhos, mas ofereceu o antidoto correto. Para usá-lo estava implicito o ato de obedecer. Tinham que olhar para a serpente de metal.
A conversão gera em nós novidade de vida. Sabemos o que o pecado causou a Jesus e, com os olhos fitos Nele, decidimos mudar o nosso proceder. Essa obediencia aos principios divinos não é motivada por medo do juízo e nem porque alguém está exigindo que eu viva assim. Ela resulta de nossa compreensão de quão terrivel é o pecado e de quão imenso é o amor de Deus por nós.
Quinta
Alguns acham estranho que Jesus, quando esteve entre nós, tenha falado tão pouco sobre a observancia do sábado e que, em alguns casos, Ele criticou a maneira de como ele era observado. Ele nasceu entre um povo observador do sábado e pregar sobre este assunto seria chover no molhado. Ele tocava neste assunto, com o intuito apenas de corrigir os extremismos.
Paulo foi acusado de pregar um evangelho fácil demais para ser verdade e que tudo o que ele falava não passava de incentivo para as pessoas continuarem transgredindo a Lei. Para ele a observancia da lei era algo tão claro e evidente que ele achou um absurdo que os seus opositores imaginassem que a sua pregação induzisse alguém, depois de convertido, a continuar pecando.
Diante desta acusação ele foi enfático no verso 17: “De maneira nenhuma.” E não é a única vez que ele responde com essa expressão aos seus provocadores. Em Romanos 3:31 ele usa as mesmas palavras com a mesma ênfaze: “Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei” e “Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum” (Romanos 6:15).
Era difícil para os oponentes de Paulo entenderem o raciocínio conciliador entre a lei e a justificação pela fé. Mas neste particular ele estava repetindo o raciocínio de João: “Qualquer que permanece Nele não peca; qualquer que peca não O viu nem O conheceu” (1 João 3:6). E o apostolo conclui: “E assim a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom”(Romanos 7:12).
Conclusão
A conciliação de salvação pela graça e a perpetuidade da Lei de Deus é um assunto pregado exclusivamente pelos adventistas, como afirma o pastor Denílson Storch. E a confusão que esse assunto gerou, não aconteceu apenas com os opositores de Paulo. Ela é abundante hoje no mundo evangélico e é objeto de críticas contundentes aos adventistas.
Sabedores do que nos espera por defendermos a perptuidade da Lei de Deus, é mais do que necessário estudar este assunto com afinco para que, num futuro próximo, tenhamos essa base doutrinária que ajudará a nos manter de pé.
domingo, 11 de setembro de 2011
A autoridade de Paulo e o evangelho
Comentário da Lição da Escola Sabatina de 1 a 8 de outubro de 2011.
Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, autor de a meditação Avivar a Esperança.
É membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Paulo foi acusado de pregar um evangelho fácil de ser aceito, apenas para multiplicar o número de conversos. Mas no verso áureo desta semana ele refuta essa possibilidade. Ele afirma que estava comprometido com Cristo e ignorava se a sua conduta era bem aceita ou não pelos seus ouvintes. Para os seus opositores ele era um oportunista que pregava um evangelho conveniente a si próprio.
É bom lembrar que a oposição ao evangelho que Paulo pregava se tornou mais evidente entre os seus próprios colegas de ministério. Pedro se destaca como o principal deles.
Enquanto nos últimos anos do seu ministério Paulo foi perseguido ferozmente pelos não conversos, nos primeiros anos foram os da igreja que lhe causaram os maiores dissabores. Após a sua conversão o apostolo Paulo passa a viver uma situação complicada. O seu encontro com Cristo na estrada de Damasco ocasionou uma mudança radical em sua vida e essa mudança causou uma polêmica que se estendeu a alguns grupos de cristãos de seu tempo.
Vejamos alguns fatos curiosos:
- Enquanto os demais apóstolos insistiam em pregar só para os judeus, por orientação divina, Paulo se propõe a pregar para judeus e gentios.
- Enquanto a maioria defendia que os gentios conversos deveriam ser circuncidados, Paulo não pregava essa prática.
- Paulo tinha consciência clara de que Deus o chamara para ser apóstolo, mas para alguns grupos, isso não passava de uma auto-afirmação sem autorização divina.
( Ainda hoje existe um grupo de pessoas, os ebionitas, que surgiu antes do cristianismo, que considera Paulo um herege e o chama de Saulo, ignorando a sua conversão).
- Essa dúvida, fazia com que muitos não aceitassem o ponto de vista doutrinário de Paulo.
Os opositores de Paulo estavam pulverizados em vários segmentos. Entre eles os Judaizantes que eram judeus que, embora convertidos, estavam voltados para algumas praticas cerimoniais.
Um outro grupo oriundo de entre os gentios convertidos defendia a prática da circuncisão entre eles. (alguns comentaristas consideram esse grupo como judaizante porque defendiam práticas judaizantes. Aliás, para esses estudiosos, nós adventistas, somos judaizantes porque pregamos a observância do sábado).
Em um terceiro segmento estavam os enciumados, que tinha dificuldades para aceitar um Paulo que nunca convivera com Jesus, e que agora se intitulava de apostolo.
E um quarto grupo era formado por aqueles que aceitavam o apostolado de Paulo, mas eram resistentes a uma salvação de graça pela graça.
A Galácia se tornou o palco, onde essas controvérsias vieram à tona causando grandes prejuízos para a igreja. Paulo que já havia pregado o Evangelho entre eles ficou estarrecido com a rápida atuação destes grupos na Galácia e teve que agir rápido. Como não poderia estar pessoalmente entre eles, escreveu uma carta, que difere bastante das demais que escreveu.
Em Gálatas ele abordou três assuntos básicos.
- A sua autoridade apostólica. Uma autoridade delegada por “Jesus Cristo e Deus o Pai” (1:1). Ele tinha certeza de que fora escolhido como apostolo antes de seu nascimento (1:15 e 16).
- A autenticidade do seu Evangelho. Ele tinha tanta certeza do que deveria ser pregado que, começou a fazê-lo sem consultar os apóstolos (1:17). Talvez, essa pratica, aparentemente arbitraria, tenha sido a causa central de tanta polemica. Essa discussão durou pelo menos quatorze anos e, só depois, de uma orientação divina é que Paulo aceitou discutir o assunto com os demais apóstolos e líderes da igreja (2:1 e 2). Mesmo assim, as coisas não fluíram pacificamente. Pedro e Paulo, os mais fluentes pregadores da igreja primitiva, tiveram muita dificuldade para burilar as divergências doutrinárias (2: 11 a 14). Satanás não tinha como arrefecer o ânimo e a disposição daqueles pregadores e usou de uma estratégia que quase deu certo. Tentou implantar a discórdia doutrinária entre eles.
- A salvação pela graça para todas as pessoas. Paulo conclui a epistola aos gálatas enaltecendo a salvação pela graça. Diz ele: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (6:14). É curioso que Paulo inicia as suas epistolas falando de graça e paz. Galatas 1:3, Efésios 1:2, Colocensses 1:2 e assim por diante. A salvação pela graça estendida a todo o ser humano, era um assunto de dificil compreensão e, por isso, estava tirando a paz dentre eles. Ele encerra a epistola com um recado incisivo: “Desde agora ninguém me inquiete (moleste); porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus” (6:17).
Não foi fácil para Pedro entender e aceitar o Evangelho da salvação pela graça apresentado por Paulo e, confessa: “Falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição” (2 Pedro 3:16).
Creio que escrever aos Gálatas não foi uma tarefa fácil para Paulo. Vejamos porque:
- Os opositores minaram a sua autoridade apostólica. Para eles, Paulo era apenas um usurpador que jamais recebera qualquer autoridade apostólica de Deus.
- Eles apresentaram um outro evangelho que foi amplamente aceito pelos gálatas. Um evangelho mais complicado, preso a tradições das quais os próprios gentios já conheciam.
- Paulo viu que a sua mensagem, antes aceita com tanto fervor pelos gálatas, fora substituída por outra como numa brincadeira de faz de conta.
- Os gálatas continuavam fervorosos mas, por um outro evangelho.
Podemos imaginar qual seria a nossa reação, caso um grupo de pessoas seguisse os nossos passos difamando e ridicularizando a nosa conduta. Para resolver estas questões Paulo tinha que usar um ingridiente dificil de ser acrescentado em tais situaçõe: amor, muito amor.
Na pergunta de número cinco, o autor chama a nossa atenção para um detalhe curioso. Nas outras epistolas escrita pelo apostolo Paulo ele enfatiza o Evangelho da salvação pela graça. Mas ao escrever aos gálatas ele fala de um “outro evangelho” apresentado pelos seus opositores e que foi amplamente aceito entre os gálatas. Paulo insiste que existe apenas um Evangelho e aquilo que estava sendo pregado para eles era doutrina de homens.
Os seus opositores agiram rápido e os estragos foram imediatos. Paulo ficou adimirado da velocidade com que as heresias se espalharam entre eles. O apostolo usa dois termos fortes para identificar os seus opositores: Inquietadores e Anátema. O dicionario define inquietador como alguém ansioso, apoquentador, nervoso e agitador. E define apoquentar como atormentar, enfadar, importunar, irritar e, o pior de todos: alguém que tortura moralmente. Anátema na Grécia Antiga era uma oferenda posta no templo de uma deidade, constituída inicialmente por frutas ou animais e, posteriormente, por armas, estátuas, etc. Seu objetivo era agradecer por uma vitória ou outro evento favorável. No cristianismo o termo anátema define o mais severo caso de excomunhão, ocorrendo somente nos piores casos possíveis de heresia contra a fé.
Paulo reafirma aos gálatas que se existisse alguém com autoridade para defender as tradições judaicas essa pessoa seria ele proprio. Ele diz: “E na minha nação excedia em judaísmo a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais” (Gálatas 1:14). Após o encontro com Cristo, ele abriu mão de seus conceitos e tinha em mente apenas exaltar o Seu nome. Provavelmente não foi fácil para Paulo abrir mão de tudo o que até a pouco tempo ele defendia usando mesmo de violêcia e extremos.
Os opositores de Paulo não compreendiam a profundidade do que o evangelho de Cristo era capaz de operar na vida de uma pessoa.
sábado, 10 de setembro de 2011
Paulo: apóstolo dos gentios
Comentário da Lição da Escola Sabatina de 24 de setembro a 1° de outubro de 2011. Preparado por Carmo Patrocinio Pinto autor da meditação Avivar a Esperança. É membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga – Brasilia, DF.
Quem foram os Gálatas? No tempo do NT, a Galácia era uma província romana da Ásia Menor, que abrangia a Galácia propriamente dita, a Frígia, a Pisídia e a Licaónia. As igrejas da Galácia devem ter sido fundadas por ocasião da 1.ª viagem missionária de Paulo (Act 13,1-14,26). O Apóstolo dos gentios escreve a Carta aos Gálatas entre 55 e 57, a partir de Éfeso ou de Corinto.
Enquanto as outras epístolas eram destinadas a uma igreja específica, a epístola aos gálatas destina-se a várias igrejas, acerca das quais, não temos muitas informações específicas. Parece que a carta foi enviada para todas as cidades da Galácia incluindo também as cidades de Antioquia, Icônia, Listra e Derbe.
Gálatas é a epístola paulina que mais se aproxima de Romanos. Pesquisadores afirmam que existem cerca de 25 passagens paralelas entre essas epístolas, defendendo os mesmos ensinos (compare Romanos 4.3 com Gálatas 3.6; Romanos 4.10,11 com Gálatas 3.7). A justificação pela fé é o principal tema abordado nas duas.
Os crentes da Galácia, em princípio, mostraram uma grande satisfação por causa do evangelho; e durante um tempo viveram a sua fé cristã com a mesma alegria e confiança com que também receberam a presença do apóstolo (Gálatas 4: 13 a 15). Não faltaram fomentadores de doutrinas contrárias as que Paulo pregava e, não muito tempo depois, o apego à mensagem deste apóstolo pareciam ter se esfriado (Gálatas 5: 7). Por isso, Paulo se sentiu movido a escrever esta carta, na qual, por um lado reprova a frágil fé dos gálatas e, por outro, denuncia as atividades de certos “falsos irmãos que se entremeteram com o fim de minar a nossa liberdade que temos em Cristo Jesus ” (Gálatas 2: 4).
O grupo que mais causou problemas aos gálatas foi os judaizantes. Eles insistiam que os conversos gentios deviam se submeter a praticas judaicas como a circuncisão. Temos duas definições para judaizantes. Na primeira o judaizante é aquele judeu convertido ao cristianismo que pregava algumas praticas mosaicas, como a circuncisão para os gentios convertidos. Outra corrente afirma que judaizante é qualquer pessoa convertida, mesmo em nossos dias, que adotam algumas praticas judaicas como, por exemplo, a guarda do sábado. Neste contexto, nós adventistas do sétimo dia, somos considerados judaizantes. Se guardar o sábado é ser judaizante, quem não rouba, não mata ou não adultera, também o é. Porém, sabemos que pregar a observância do sábado não é pregar outro evangelho, mas é o mesmo Evangelho anunciado por Deus na criação do mundo.
Os judaizantes perturbavam os gálatas, pregando “outro evangelho” (Gálatas 1:6). De fato, não existe outro evangelho, mas estes estavam pervertendo “o evangelho de Cristo” (Gálatas 1:7). Perverter o evangelho quer dizer acrescentar ou diminuir sem a autoridade de Cristo. Paulo disse que qualquer pessoa que “vos pregue evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema.
Os judaizantes pareciam estar sempre acompanhando os passos de Paulo a fim de influenciar as igrejas por ele estabelecidas. A rapidez com que eles trabalhavam chamou a atenção do apostolo que, ao saber do estrago feito por eles entre os gálatas, assim se expressou: “Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho” (Gálatas 1:6). A epístola aos gálatas tem como assunto base a salvação pela fé.
Aparentemente a palavra diácono nos leva a imaginar um irmão simples de conhecimento e capacidade de argumentação a quem de um pastor ou ancião. Foi com esse raciocínio em mente que “levantaram-se alguns que eram da sinagoga chamada dos libertinos, e dos cireneus e dos alexandrinos, e dos que eram da Cilícia e da Ásia, e disputavam com Estêvão” (Atos 6:9). Os libertinos pregavam uma religião que permitia um viver sem exigencias e restrições. Porém, eles se esqueceram que Estêvão era cheio do Espírito santo “E não podiam resistir à sabedoria, e ao Espírito com que falava”(Atos 6:10).
Era necessário silenciar Estêvão. E para fazê-lo só havia uma solução: eliminá-lo. Para condená-lo eles usaram de um recurso fácil e, que a pouco fora praticado com sucesso para condenar Jesus: pagar caluniadores. O Sinédrio foi convocado, mas antes que a centença de morte fosse proclamada, algo de extraordinário aconteceu. No momento em que Estêvão usou da palavra todos viram o seu rosto como o de um anjo.
“Enquanto Estevão fixava os olhos no Céu, foi-lhe dada uma visão da glória de Deus e anjos o cercaram. Ele exclamou: "Eis que vejo os Céus abertos e o Filho do Homem, que está em pé à mão direita de Deus" Atos 7:56. (Atos dos Apóstolos p 234).
“Judeus eruditos de países circunvizinhos foram convocados para refutar os argumentos do prisioneiro. Saulo de Tarso estava presente e tomou parte importante contra Estevão” (Atos dos Apóstolos p 98).
“Esses estudiosos dos grandes rabis estavam confiantes que numa discussão pública poderiam obter uma completa vitória sobre Estevão, por causa de sua suposta ignorância. Ele, porém, não somente falava com o poder do Espírito Santo, mas ficava claro a toda a vasta assembléia que era também um estudioso das profecias e versado em todos os assuntos da lei. Defendia habilmente as verdades que advogava, e confundia inteiramente seus oponentes” (história da Redenção p. 262).
Paulo recebeu uma valiosa recompensa para condenar este consagrado diácono. Diz Ellen G. White: “Depois da morte de Estevão, Saulo foi eleito membro do conselho do Sinédrio, em consideração à parte que desempenhara naquela ocasião” (Atos dos Apóstolos p 102).
A população de Tarso jactava-se de sua riqueza agrícola e comercial, bem como de sua universidade, julgada superior às grandes academias de Alexandria e Atenas. O historiador, geógrafo e filósofo grego Estrabão (
Parece que Paulo gostou do que aconteceu com Estevão e, desde então, se empenhou na mais atroz perseguição aos seguidores de Cristo. Do ponto de vista humano, Paulo era um caso 100% perdido. Mas a graça de Deus Se manifestou de maneira tão surpreendente em sua vida que os próprios apóstolos tiveram dificuldade em acreditar. Enquanto , para os cristãos perseguidos, Paulo era um implacável carrasco, para Deus ele era um “vaso precioso”.
Depois do encontro com Jesus, Paulo ficou cego. O homem prepotente e cheio de orgulho próprio não tinha como se locomover sozinho. Humilhado até o pó se levanta tateante e tenta caminhar sem direção. Ananias recebe uma ordem divina que o deixa estarrecido. Ele será procurado por Saulo. O homem de Deus tremeu nas bases e gemeu profundo: “Quantos males este homem tem feito!” E Deus responde: “Quanta graça foi dispensada a Ele!” Depois de sua conversão, Paulo ficou maravilhado de como a graça de Deus é abrangente. Desde então a sua vida foi dedicada a proclamar esta graça principalmente para os gentios uma demonstração clara de que Deus não faz acepção de pessoas.
Podemos imaginar como se sentia Paulo ao se lembrar das atrocidades que cometera. Quanto arrependimento, quanta lágrima! O amor de Deus parece que foi além do impossível e o transformou em nova criatura. Que experiência maravilhosa!
Santo Agostinho escreveu:
“Paulo foi derrubado para ser cegado;
foi cegado para ser mudado;
foi mudado para ser enviado;
foi enviado para que a verdade aparecesse.”
Enquanto em Atos dos Apóstolos Pedro é proeminente nos primeiros doze capítulos, o missionário da incircuncisão (Paulo) ocupa a segunda e maior metade do livro, do capítulo13 a 28.
foi cegado para ser mudado;
foi mudado para ser enviado;
foi enviado para que a verdade aparecesse.”
Enquanto em Atos dos Apóstolos Pedro é proeminente nos primeiros doze capítulos, o missionário da incircuncisão (Paulo) ocupa a segunda e maior metade do livro, do capítulo
Após a sua conversão, Paulo encontrou resistência entre os irmãos que desconfiavam da autenticidade de sua conversão e decorreram alguns anos para que ele ganhasse a confiança da igreja como um todo.
O crescimento tão rápido da igreja primitiva teve oposição por parte dos judeus. As autoridades eclesiásticas logo perceberam que o cristianismo representava uma ameaça a suas prerrogativas como intérpretes e sacerdotes da lei. Dessa maneira começa a perseguição à primeira igreja, que veio em primeiro lugar por parte do Sinédrio, que com a permissão romana, supervisionava a vida civil e religiosa do estado. Pedro e João tiveram que comparecer perante o Sinédrio. Mais tarde a perseguição tomou cunho mais político, por exemplo, Herodes mata Tiago e manda prender Pedro (At.12).
E os que foram dispersos pela perseguição que sucedeu por causa de Estêvão caminharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus. Percebemos então que o primeiro centro cristão, depois de Jerusalém, foi Antioquia que ocupa um importante lugar na história do cristianismo. Foi onde Paulo de Tarso pregou o seu primeiro sermão (numa sinagoga), e foi também onde os seguidores de Jesus foram chamados pela primeira vez de Cristãos (Actos 11:26). Mas o fato de Antioquia ter sido posta em tanta evidência explica-se por pertencer ela ao mundo helenístico e não ao aramaico. Em Damasco os cristãos são chamados “os homens deste caminho”, o que equivale a uma designação propriamente judaica para uma seita.
Os helenistas são as pessoas de origem judaica que viviam fora da Palestina e falavam normalmente a língua grega. Eles têm posições diferentes, pouco apegados à Lei e ao Sistema de pureza: para eles não há dificuldade de relacionamento com pessoas de outras culturas e de outras raças, pois viviam no meio desta gente. Os hebreus são judeus que falam o aramaico. Os hebreus eram mais apegados ao Templo e à Lei, por isso tinham muita dificuldade de se relacionar com pessoas que não tinham sangue judeu puro, encontravam dificuldade de sentar na mesma mesa e partilhar dos mesmos alimentos. O grupo dos hebreus é formado por judeus cristãos de língua aramaica e de cultura tradicional hebraica. A ele pertencem sacerdotes (6,7) e fariseus convertidos (15,5). Os doze apóstolos são responsáveis por este grupo, mais tarde liderado por Tiago, o irmão do Senhor.
A história da igreja primitiva está repleta de nomes de pessoas que, segundo a Bíblia, eram “cheias do Espírito santo”. Estevão, Barnabé, Pedro, Ananias, Tiago, Paulo e tantos outros. E foi, graças à ação do Espírito Santo, que o Evangelho foi pregado em todo o mundo conhecido de então. Antioquia estava vivendo um momento de intensa ebulição cristocêntrica “e chegou a fama destas coisas aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé a Antioquia” (Atos 11:22). Barnabé buscou Paulo e, logo depois, um grupo de profetas vindos de Jerusalém reforçou a equipe evangelistica. Que momento apoteótico para um povo que até a poco tempo atrás, não era digno da salvação e agora, recebia um nome especial, que dai para frente identificaria a todas as pessoas de todas as épocas e de todas as partes do mundo que aceitassem a Cristo: Cristãos.
O motivo de não vermos algo semelhante nos dias de hoje ralvez, seja porque ao invés de estarmos cheios do Espírito Santo estamos nos enchendo de dinheiro, fama e de pecados talvez, mais graves. Diz Ellen G. White: “Um reavivamento da verdadeira piedade entre nós, eis a maior e a mais urgente de todas as nossas necessidades. Buscá-lo, deve ser a nossa primeira ocupação. Importa haver diligente esforço para obter a bênção do Senhor, não porque Deus não esteja disposto a outorgá-la, mas porque nos encontramos carecidos de preparo para recebê-la. Nosso Pai celeste está mais disposto a dar Seu Espírito Santo àqueles que Lho peçam, do que pais terrenos o estão a dar boas dádivas a seus filhos. Compete-nos, porém, mediante confissão, humilhação, arrependimento e fervorosa oração, cumprir as condições estipuladas por Deus em Sua promessa para conceder-nos Sua bênção” (Caminho a Cristo, p 285).
Com o rápido avanço e aceitação da mensagem de salvação pela graça, Satanás entrou em polvorosa. A sua grande investida foi no sentido de dividir a igreja. Despertou o descontentamento de alguns judeus cristãos que não aceitavam de bom grado a conversão dos gentios. Logo surgiu um grupo que defendia a obrigatoriedade de os gentios convertidos se submeterem a circuncisão. Mas o mesmo Espírito que moveu Paulo a pregar-lhes o Evangelho mostrou o melhor caminho.
Satanás não desistiu e a resistência ao Evangelho da graça continuou ainda por muitos anos tendo nos fariseus convertidos o seu principal foco. Hoje, Satanás continua com os seus métodos escusos. Descaracteriza a Lei de Deus e oferece uma salvação barata que não produz frutos de genuína conversão. Ainda bem que este será o tema que estudaremos durante este trimestre.
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