segunda-feira, 14 de maio de 2012

Uma folha de oliveira


Carmo Patrocínio Pinto

     Noé e sua família estavam vivendo um momento especial de suas vidas. Por quase um ano eles estavam enclausurado dentro da arca. Lá fora um rastro de destruição mostrava para o Universo que a misericórdia divina tem limites.
     Por mais que Deus tenha feito funcionar o sistema de ventilação da arca, o perfume ali não era dos melhores. Por mais que a esposa de Noé caprichasse na limpeza, a higiene do ambiente deixava a desejar. Por mais que Noé procurasse miminizar a inquietação dos animais o barulho era crescente dentro da arca.  Algumas dúvidas, talvez, estivessem surgindo na cabeça de Noé: será que, um dia, num futuro próximo, ele teria uma casa só para a sua família? Voltaria, um dia a pisar em terra firme? A terra continuaria a produzir flores, sementes e alimento como antes?
      Como, ele e sua família, anelavam pelo momento de saírem da arca e contemplar, novamente, o Céu azul. Que emoção seria ver os raios do Sol formando minúsculos arcos íris nas gotinhas de orvalho que placidamente descansavam nas coloridas pétalas de rosas que exalavam o seu perfume para uma minúscula platéia de privilegiados. Mas, isso, só quando elas surgissem novamente! Como seria sair correndo em terra firme de encontro ao vento que ao bater-lhes no peito parecia parabeniza-los pelo grande milagre.
     Para estes ocupantes da arca era grande a expectativa. Sairiam todos vivos dali? A terra voltaria a favorecer a vida como antes? As árvores voltariam a cobrir a Terra com o manto verde da esperança e a oferecer guarida para as aves e para os irrequietos macaquinhos? Os animais se multiplicariam e voltariam a povoar a Terra enchendo-a de vida?  A não ser a confiança nas promessas divinas, não existia nenhuma garantia aparente de que tudo seria como antes. De dentro da arca não era possível ter uma idéia da vazão das águas e de quando poderia se dar o possível desembarque.  Para Noé e para os demais ao seu redor o momento era de incertezas. Como desejavam eles, neste momento de dúvida, receber uma mensagem de esperança! Afinal, já há quase um ano estavam presos dentro de um barco e vivendo em condições precárias.
     Noé procura uma maneira de ver como estão as águas lá fora. Primeiro soltou um corvo, mas sem ter onde pousar, depois de idas e vindas foi recolhido para dentro da arca. Depois soltou uma pomba. A população da arca ficou aguardando com expectativa o que aconteceria com a emissária da paz. Mas após um rápido sobrevôo ei-la de volta a procura de socorro. Passara-se mais uma semana de incertezas e Noé envia a pomba para mais uma missão de reconhecimento de área. Podemos imaginar a cerimônia de lançamento. Provavelmente oraram com fervor para que Deus a usasse para trazer uma mensagem de esperança.
     Desta vez ela demorou um pouco mais aumentando assim as expectativas. O nervosismo passou a dominar os corações. Afinal, não tinham nenhum sinal de que a vida recomeçava lá fora. Mas quando todos questionavam sobre o futuro incerto que se desenhava Noé observa um pontinho se movimentando lá ao longe. Após alguns minutos a mensageira pousa na janela trazendo uma folha de oliveira no bico. A euforia foi geral. Tinham certeza de que a Terra estava se refazendo e a vegetação aos poucos ia ocupando o seu lugar. Agora podiam acreditar que em breve deixariam a arca para desfrutarem a vida em liberdade.
   Mas por que a pomba trouxe uma folha de oliveira e não uma outra folha qualquer? Uma lenda diz que houve uma grande disputa entre os deuses Posídon e Atena para decidirem qual deles daria o seu nome e a sua proteção para a capital da Grécia. O Tribunal dos Deuses decidiu que venceria a disputa quem conseguisse apresentar perante o tribunal a obra mais bela. Posídon bateu com o seu tridente numa rocha e fez nascer um cavalo maravilhoso. Atena apareceu, afugentou o cavalo e fez surgir da terra uma oliveira, símbolo da paz, coberta de azeitonas, com as quais seria possível fazer azeite, o mais precioso de todos os líquidos... Os deuses não tiveram dúvidas e escolheram Atena para deusa protetora da cidade de Atenas. Embora seja uma lenda ela nos dá uma idéia da importância da oliveira na crendice popular naqueles tempos.
     A oliveira era uma planta bastante familiar para os homens e os animais naquele tempo e era considerada o símbolo da longevidade. Ela produz o precioso óleo que possui múltiplas utilidades. No passado servia de combustível para alimentar as lamparinas; é usado pela culinária para dar sabor aos alimentos. A farmacologia o emprega na elaboração de muitos medicamentos, cosméticos, relaxantes, etc. As folhas também são usadas em chás medicinais e a lenha é boa para alimentação de lareiras. Acima de tudo o óleo da oliveira é considerado o símbolo do Espírito Santo. A oliveira é uma planta super resistente e suas raízes, mesmo que maltratadas brotam rápido. Ela tem uma longevidade invejável e pode viver por mais de mil anos. Alguns pesquisadores afirmam que muitas delas hoje, já existiam nos tempos de Jesus.
     Agora podemos ter uma idéia porque Deus escolheu uma simples folha de oliveira para ser transportada para dentro da arca naquele momento de tanta dúvida para Noé e sua família. A Sua mensagem era de que o Espírito Santo esteve com eles até aquele momento e que jamais os abandonaria. Eles podiam ter a certeza de que por mais escura que aquela situação se apresentasse haveria sempre uma luz a direcionar o caminho. Naquela folha de oliveira estava a promessa de muita saúde física e espiritual. A longevidade da oliveira se assemelha as infalíveis promessas de Deus de uma vida eterna para aqueles que aceitarem o plano da salvação. Semelhante às raízes da oliveira qualquer ser humano maltratado pelo pecado poderá, pela graça de Cristo, ressurgir para uma vida nova.
     É interessante que Deus não usou um anjo, um leão ou outro animal de grade porte para transportar esta grande mensagem de esperança para os apreensivos ocupantes da arca. Ele usou o que havia de mais simples, uma folha de oliveira e uma inocente pombinha.
     Hoje muitos estão vagando por aí sem esperança. Talvez você não seja um eloqüente pregador. Talvez você imagina que a sua presença nem seja notada no meio em que você vive. Pode passar por sua cabeça não ter nada de valioso para oferecer ao seu próximo. Mas Deus pode transformar a sua simples atuação e a sua modesta folha de oliveira em uma mensagem oportuna e significativa para alguém que esteja vivendo uma situação crucial.
     Você pode ser o portador de uma grande mensagem de esperança. Pode ser uma palavra amiga ou uma simples página deste Jornal. Estamos iniciando uma nova etapa do Jornal Esperança.  Que você esteja disposto a usá-lo durante o ano de 2007, fazendo desta modesta folha de oliveira o lenitivo para aqueles enclausurados na arca da dúvida e do desânimo. Revigorados, possamos juntos, contemplar um novo mundo risonho que caprichosamente Deus está preparando para todos nós.
                                                                                                            carmojornalesperanca@yahoo.com.br

"Leia o texto abaixo e depois leia de baixo para cima"


Não te amo mais.
Estarei mentindo dizendo que
Ainda te quero como sempre quis.
Tenho certeza que
Nada foi em vão.
Sinto dentro de mim que
Você não significa nada.
Não poderia dizer jamais que
Alimento um grande amor.
Sinto cada vez mais que
Já te esqueci!
E jamais usarei a frase
EU TE AMO!
Sinto, mas tenho que dizer a verdade
É tarde demais...
(Autor desconhecido)

Carta ao Apóstolo Paulo


Conta-se que o Apóstolo Paulo enviou seu currículo para a Junta de Missões Mundiais de uma certa denominação, oferecendo-se para trabalhar como missionário. Depois de algumas semanas, o Secretário da Junta escreveu-lhe esta carta, justificando por que não poderia aceitá-lo.

Ao Reverendo Saulo Paulo
Missionário Independente
Roma, Itália

Caro Sr. Paulo:

Recebemos recentemente seu currículo, exemplares de seus livros e o pedido para ser sustentado pela nossa Junta como missionário na Espanha.
Adotamos a política da franqueza com todos os candidatos. Fizemos uma pesquisa exaustiva no seu caso. Para ser bem claro, estamos surpresos que o senhor tenha conseguido até aqui "passar" como missionário independente.
Soubemos que sofre de uma deficiência visual que, algumas vezes, o incapacita até para escrever. Essa certamente é uma deficiência grande para qualquer pessoa. Nossa Junta requer que o candidato tenha boa visão, ou que possa usar lentes corretoras.
Em Antioquia, o senhor provocou um entrevero com Simão Pedro, um pastor muito estimado na cidade, chegando a repreendê-lo em público. O senhor provocou tantos problemas que foi necessário convocar uma reunião especial da Junta de Apóstolos e Presbíteros em Jerusalém. Não podemos apoiar esse tipo de atitude.
Acha que é adequado para um missionário trabalhar meio-período em uma atividade secular? Soubemos que fabrica tendas para complementar seu sustento. Em sua carta à igreja de Filipos, o senhor admite que aquela é a única igreja que lhe dá algum suporte financeiro. Não entendemos o porquê, já que serviu a tantas igrejas.
É verdade que já esteve preso diversas vezes? Alguns irmãos nos disseram que passou dois anos na cadeia em Cesaréia e que também esteve preso em Roma, e em outros lugares. Não achamos adequado que um missionário da nossa Junta tenha folha corrida na Polícia.
O senhor causou tantos problemas para os artesãos em Éfeso que eles o chamavam de "o homem que virou o mundo de cabeça para baixo". Sensacionalismo é totalmente desnecessário em Missões. Deploramos, também, o vergonhoso episódio de fugir de Damasco escondido em um grande cesto.
Estamos admirados em ver sua falta de atitude conciliatória. Os homens elegantes e que sabem contemporizar não são apedrejados ou arrastados para fora dos portões da cidade, tampouco são atacados por multidões enfurecidas. Alguma vez parou para pensar que palavras mais amenas poderiam ganhar mais ouvintes? Remeto-lhe um exemplar do excelente livro "Como Ganhar os Judeus e Influenciar os Gentios", de Dálio Carnego.
Em uma de suas cartas, o senhor referencia a si mesmo como "Paulo, o velho". As normas de nossa Missão não permitem a contratação de missionários além de uma certa idade.
Percebemos que é dado a fantasias e visões. Em Trôade, viu "um homem da Macedônia" e em outra ocasião diz que "foi levado até o Terceiro Céu e que ouviu palavras inefáveis". Afirma ainda que viu o Senhor e que ele o confortou. Achamos que a obra de evangelização mundial requer pessoas mais realistas e de mente mais prática.
Em toda a parte por onde andou, o senhor provocou muitos problemas. Em Jerusalém, entrou em conflito com os líderes do seu próprio povo. Se alguém não consegue se relacionar bem com seu próprio povo, como pode querer servir no exterior? Dizem que tem o poder de manipular serpentes. Na ilha de Malta, ao apanhar lenha, uma víbora se enroscou no seu braço, picou-o, mas nada lhe ocorreu. Isso soa muito estranho para nós.
O senhor admite que enquanto esteve preso em Roma, "todos o esqueceram". Os homens bons nunca são esquecidos pelos seus amigos. Três excelentes irmãos, Diótrefes, Demas e Alexandre, o latoeiro, disseram-nos que acharam impossível trabalhar com o senhor e com seus planos mirabolantes.
Soubemos que teve uma discussão amarga com um colega missionário chamado Barnabé e que acabaram encerrando uma longa parceria. Palavras duras não ajudam em nada a expansão da obra de Deus.
O senhor escreveu muitas cartas às igrejas onde trabalhou como pastor. Em uma delas, acusou um dos membros de viver com a mulher de seu falecido pai, o que fez a igreja ficar muito constrangida e a excluir o pobre rapaz.
O senhor perde muito tempo falando sobre a segunda vinda de Cristo. Suas duas cartas à igreja de Tessalônica são quase totalmente devotadas a esse tema. Em nossas igrejas, raramente falamos sobre esse assunto, que consideramos de menor importância.
Analisando friamente seu ministério, vemos que é errático e de pouca duração em cada lugar. Primeiro, a Síria, depois, Chipre, vastas regiões da Turquia, Macedônia, Grécia, Itália, e agora o senhor fala em ir à Espanha. Achamos que a concentração é mais importante do que a dissipação dos esforços. Não se pode querer abraçar o mundo inteiro sozinho.
Em um sermão recente, o senhor disse "Longe de mim gloriar-me, a não ser na cruz de Cristo". Achamos justo que possamos nos gloriar na história da nossa denominação, no nosso orçamento unificado, no nosso Plano Cooperativo e nos esforços para criarmos a Federação Mundial das Igrejas.
Seus sermões são muito longos. Em certa ocasião, um rapaz que estava sentado em um lugar alto, adormeceu após ouvi-lo por várias horas, caiu e quase quebrou o pescoço. Já está provado que as pessoas perdem a capacidade de concentração após trinta ou quarenta minutos, no máximo. Nossa recomendação aos nossos missionários é: Levante-se, fale por trinta minutos, e feche a boca em seguida.
O Dr. Lucas nos informou que o senhor é um homem de estatura baixa, calvo, de aparência desprezível, de saúde frágil e que está sempre agitado, preocupado com as igrejas e que nem consegue dormir direito à noite. Ele nos disse que o senhor costuma levantar durante a madrugada para orar. Achamos que o ideal para um missionário é ter uma mente saudável em um corpo robusto. Uma boa noite de sono também é indispensável para garantir a disposição no trabalho no dia seguinte.
A Junta prefere enviar somente homens casados aos campos missionários. Não compreendemos nem aceitamos sua decisão de ser um celibatário permanente. Soubemos que Elimas, o Mágico, abriu uma agência matrimonial para pessoas cristãs aí em Roma e que tem nomes de excelentes mulheres solteiras e viúvas no cadastro. Talvez o senhor devesse procurá-lo.
Recentemente, o senhor escreveu a Timóteo dizendo que "lutou o bom combate". Dificilmente pode-se dizer que a luta seja algo recomendável a um missionário. Nenhuma luta é boa. Jesus veio, não para trazer a espada, mas a paz. O senhor diz "lutei contra as bestas feras em Éfeso". Que raios quer dizer com essa expressão?
Pesa-me muito dizer isto, irmão Paulo, mas em meus vinte e cinco anos de experiência, nunca encontrei um homem tão oposto às qualificações desejadas pela nossa Junta de Missões Mundiais. Se o aceitássemos, estaríamos quebrando todas as regras da prática missionária moderna.

Sinceramente,
A. Q. Cabeçadura
Secretário da Junta de Missões Mundiais
Autor: Anônimo
Tradução e adaptação: Jeremias R D P dos Santos
Encontrado no site Bible Believers' Home Page (veja nossa lista de links)
A Espada do Espírito: http://www.espada.eti.br/cartaplo.asp

sábado, 12 de maio de 2012

Um ministério perpétuo


Comentário da lição da Escola Sabatina de 23 a 30 de maio de 2012, preparado por
Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor da meditação Reavivar a Esperança (Quem já leu recomenda). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            A introdução apresenta alguns motivos que algumas pessoas apresentam como razões plausíveis para deixarem de ministrar. Mas ao longo de meus sessenta e cinco anos de adventista tenho detectado alguns motivos a mais para que isso aconteça.
            Ás vezes a pessoa que responde ou ajuda em um departamento recebe muita cobrança e pouco incentivo ou, ainda, se sente discriminada pela igreja. Normalmente quando isso acontece a pessoa guarda ressentimentos que normalmente compartilha com outros membros. Mas sejam quais forem os motivos precisamos lembrar que vamos prestar contas a Deus e não a homens.
            Satanás está atento e tudo fará para nos desanimar em nosso labor em prol da salvação de pessoas. Podemos mudar de departamento ou de atividade na igreja, mas nunca esquecer que o nosso trabalho missionário nos mantem mais arraigados a Cristo.
            Ás vezes alguns se esquiva de atuar dizendo que estão desfrutando de umas férias. Já imaginou se Deus tirar férias de um dia? Com certeza seria a instauração do caos no Universo. Uma coisa é certa: “Navegar é preciso.” E neste caso como é bom navegar!
Domingo
            Jesus sabia que a mulher samaritana jamais Lhe dirigiria a palavra, então Ele provocou um diálogo e os resultados foram maravilhosos. A princípio a mulher viu em Jesus um judeu (inimigo) que se portava de maneira diferente dos demais. Mas logo depois ao invés de inimigo ela passa ver em Jesus um amigo.
            Com um pouco mais de conversa a mulher vê em Jesus alguém que poderia ser maior do que Jacó. Na sequencia ela o vê como uma pessoa com algum poder especial.
            Jesus conseguiu segurar a atenção da mulher e sugeriu que ela convidasse uma pessoa para ouvi-Lo. Neste momento ela já vê em Jesus um profeta.
            A conversa continua e ela percebe que tem diante de si Jesus, o Salvador do mundo. Para ela conhecer Jesus foi algo tão maravilhoso que esqueceu tudo o que estava fazendo e saiu correndo para a cidade, e trouxe não só o “seu marido”, mas todos os habitantes de Sicar para conhecerem a Jesus.
            É curioso que Jesus estava ali de passagem. Parou junto ao posso apenas para descansar.  Mas a oportunidade de falar do evangelho apareceu e Ele não desperdiçou. Ele não foi a Sicar. Mas o povo daquela cidade foi convencido, por uma mulher a conhecê-Lo.   
             Jesus não vai entrar nas casas das pessoas e nem nas grandes cidades para pregar o evangelho.  Ele não vai pedir aos anjos que o façam. Para essa tarefa Ele conta comigo e com você. Agora, importante e, que semelhantes a Paulo sejamos “obedientes à visão celestial”.
Segunda
            Não dá para comparar o mundo de dois mil anos atrás com o de hoje. O ambiente em que estamos inseridos é de correria e desatinos. A revolução industrial despertou em cada individuo a competitividade e o consumismo. E é bom lembrar que o consumismo esta nos consumindo, física e espiritualmente.
            O problema se agrava mais em igrejas grandes nas quais mal conhecemos os membros da nossa unidade de ação. A cada dia o relacionamento entre irmãos fica mais comprometido. A internet ao mesmo tempo em que nos aproxima nos distancia, pois o relacionamento que ela oferece é frio e solitário.
            Infelizmente todos esses inconvenientes que conspiram contra o bom relacionamento entre irmãos servem de muletas para acalmar a nossa consciência, quando nos inteiramos de que determinado irmão ou irmã se afastou do convívio da congregação. E pior, muitos deixam a igreja e nós nem sentimos a sua falta. Parece que as coisas estão caminhando do jeito que o Diabo gosta.
            Temos que visitar mais e se inteirar mais uns dos outros. Quando eu era jovem tive uma experiência amarga neste sentido. Estávamos estudando com um grupo de cinquenta pessoas. Em determinado sábado apareceu uma adolescente de quinze anos que demonstrou muito interesse em estudar a Bíblia. Ela morava distante dali e resolvemos lhe entregar uma Bíblia com as lições. Por várias vezes ele repetiu a promessa que fizemos de visita-la. Apertando a sua Bíblia ao peito ela foi embora feliz.
            Os sábados se passaram e nunca sobrou tempo para fazer a visita prometida. Certo dia, no escurecer, alguém chegou correndo em minha casa exigindo que eu fosse rapidamente fazer o sepultamento daquela jovem. Naquela oportunidade tive uma noção do que foi a angustia de Jacó junto ao Jaboque. Depois encontrei tempo para visitar a sua família. Felizmente Eulina deixou todas as lições respondidas e todas as passagens sublinhadas em sua Bíblia. (Ver páginas 38 e 39 da meditação Reavivar a Esperança).
            A nossa esperança é que algum pastor ou algum membro da igreja idealize um projeto que venha estabelecer um vínculo de proximidade permanente entre os irmãos. A Bíblia afirma que o povo de Deus perece por falta de conhecimento. Hoje perece também por falta de relacionamento.
Terça
            Para que uma igreja seja atuante é necessário que o pastorado seja persistente na motivação e no treinamento. Há vários motivos que fazem com que a motivação e o treinamento sejam uma necessidade permanente.  
            Além da transferência de membros que o autor menciona, existem outros motivos como doença e morte que interferem na alternância das lideranças de uma igreja. Esse é um processo dinâmico. É como se fosse uma corrida de revezamento, chegará o momento em que cada um de nós passará o bastão para alguém. E este alguém deve estar motivado e treinado para que os projetos não sofram solução de continuidade.
            Pelo menos no caso de Timóteo, Paulo se preocupou mais em motivá-lo do que treiná-lo. O pastor que conhece as suas ovelhas vai definir qual área deve ser priorizada.
Quarta
            A meu ver o que leva tantas pessoas a se afastarem do convívio da igreja é justamente a falta de convívio, isso enquanto elas ainda estão conosco. Normalmente as pessoas recebem estudos, são batizadas e depois são deixadas para remarem sozinhas.
É necessário bastante cuidado neste aspecto e o que falamos ou deixamos de falar pesa muito. Ás vezes, fazemos comentários que abalam a fé das pessoas e as desencorajam na caminhada cristã.
Trabalhei muitos anos na agricultura. Uma muda de laranjeira, mangueira ou jabuticabeira, uma vez transplantada, não exige muitos cuidados como irrigação e limpeza. Mas se cultivamos alface temos que irrigar todos os dias. Temos de considerar cada converso um pé de alface. Ás vezes um novo membro recebeu uma boa base doutrinária, mas faltou o cuidar e o resultado é morte espiritual.
A Operação Resgate é importante e necessária, mas se fossemos mais afetuosos com os novos conversos, talvez, ela não fosse tão necessária nos dias de hoje.
Quinta
             A meu ver o autor foi muito feliz ao escrever a nota da pergunta seis. Na igreja onde um membro encontra carinho, afetividade e se sente valorizado é uma igreja saudável e que não se definha. Segurar é mais importante do que correr atrás.
            Caso fossemos mais afetuosos, os recursos de tempo e dinheiro gastos em trazer um membro afastado de volta seriam empregados em ganhar almas. Provavelmente Deus pedirá conta de nossa indiferença.
Conclusão     
A igreja carece de uma ação direcionada a manter os novos membros comprometidos com a verdade. O mesmo entusiasmo que nos motivou a levar a mensagem para alguém deve perdurar no sentido de manter esta pessoa comprometida com Cristo.
Já morei em uma região que a única luz disponível era a que provinha de uma candeia. A candeia dispõe de um pavio e é alimentada com azeite de mamonas. Depois de acender a candeia era necessário cuidar de três pontos principais:
- Manter a candeia abastecida com azeite.
- Atiçar o pavio com frequência.
- Protegê-la dos vendavais.
Esses cuidados exigiam permanente atenção de nossa parte. Caso a candeia apagava e nos deixava sem luz nunca culpávamos o vento, mas sim, o nosso descuido.       

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Avaliando o testemunho e o evangelismo


Comentário da lição da Escola Sabatina de 16 a 23 de junho de 2012, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            Na semana passada estudamos a importância de mostrar o nosso relatório na igreja. Enfatizamos que o relatório verbal difundido entre os irmãos gera calor espiritual na igreja e que o nosso relatório estatístico serve para administração da igreja detectar possíveis necessidades de incentivo e treinamento. Este relatório é uma das ferramentas para avaliação da igreja. Na igreja ela envolve todas as esferas administrativas, todos os departamentos, pastorado, ancionato e diaconato.
            Qualquer empresa bem sucedida faz uma avaliação sistemática do seu desempenho. Avaliar a execução de projetos vale para empresas, comunidades e pessoas. Uma avaliação que não pode ser esquecida é a nossa avaliação pessoal. Como está a minha vida espiritual? Como está o meu relacionamento com o próximo e com Deus?
             Ás vezes nos contentamos com resultados medíocres quando havia possibilidade de alcançarmos horizontes mais amplos. A avaliação expõe o nosso desempenho e talvez indique a necessidade de redirecionamento.  
             Para fazermos uma avaliação correta temos de aceitar a possibilidade de detectarmos erros, ter a humildade em reconhecê-los e a coragem para corrigi-los. Temos que ter em mente que um projeto para salvação de pessoas esta acima de nossas individualidades e caprichos pessoais.
Domingo
            Cada membro da igreja passa por uma avaliação antes de assumir uma função na igreja. Essa é uma avaliação que envolve a espiritualidade e a capacidade do indicado em corresponder às expectativas do grupo. Às vezes a expectativa do grupo não bate com as expectativas do avaliado e este tem dificuldades para aceitar o resultado. A humildade é algo fundamental para quem se propõe servir a Deus.
            Paulo chama a nossa atenção para a necessidade de nos avaliarmos com frequência. Quando vamos fazer determinada peça em série é necessário termos um gabarito e com a ajuda deste instrumento todas as peças fabricadas terão o mesmo padrão de qualidade. O gabarito do cristão é Cristo. Diariamente devemos fazer a nossa auto avaliação tendo Cristo como modelo.
             Não é fácil, mas é necessário pedirmos a Deus diariamente para que sonde o nosso coração e que veja se há em nós algum caminho mau.
            Deus está sumamente interessado no progresso de Sua igreja e por intermédio do Espirito Santo Ele está escolhendo pessoas e capacitando-as para o melhor desempenho de Sua obra em levar o evangelho a toda nação, tribo, língua e povo.


Segunda 
            Duas coisas são necessárias em uma avaliação. Uma é que o avaliador, em caso de atividades na igreja, seja sincero e cordial. Tem avaliador para o qual o máximo ainda é pouco. Uma atitude assim desencoraja as pessoas. Outra coisa importante é o avaliado assimilar as observações pontuadas e, se necessário, procurar e aceitar a ajuda de alguém.  Vejamos o conselho bíblico: “E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e ás boas obras” (Hebreus 10:24).
A avaliação tem que seguir critérios semelhantes para todos e, em comentários anteriores, já mostrei o quanto sofri na carne em meus estágios de enfermagem. A situação chegou a um ponto em que os colegas tomaram uma posição unânime em meu favor. Não havia só evidências de acepção, a coisa era gritante e explicita. Foi desconcertante ver o constrangimento da supervisora e da direção da escola.
Pode ser que um tapinha no ombro e um pequeno cochicho de incentivo produzam melhores resultados do que uma enxurrada de recriminações. O avaliador também tem que estar disposto a avaliar os seus critérios de avaliação e ser propenso a aceitar sugestões.
Terça
            A mensagem de Deuteronômio 10:12 e 13 se resume em uma só coisa: amor a Deus e ao próximo. Essa foi a ênfase apresentada por Jesus.
            Caso o amor não permeie as nossas ações e as nossas relações com Deus e o próximo é impossível que o sirvamos de coração. As nossas obras não nos salvam, mas é o resultado de nossa salvação. Um resultado que só floresce onde já desabrochou o amor a Cristo.
Não nos cabe julgar. A nossa observação humana pode ser distorcida pelas aparências ou pelas influencias.  O método indicado por Cristo é o mais seguro: “Portanto, pelos seus frutos os conhecereis” (Mateus 7:2). Temos que observar se o viver da pessoa condiz com a fé que ela professa.
O livro do Apocalipse de João é claro em afirmar que a tríplice mensagem angélica será apresentada por um grupo de pessoas que se identificam por três características distintas: É paciente, guardam os mandamentos de Deus e tem a fé em Jesus. Sem fé é impossível agradar a Deus. É a fé que nos leva a exercitar a paciência e a mantermos obediente aos mandamentos de Deus. É claro que João está falando de um grupo que ama a Cristo sobre todas as coisas.
Quarta
            Tem três maneiras ou quatro de como uma igreja cresce. A igreja pode crescer em quantidade de membros, mas não crescer em qualidade. Pode crescer em qualidade e não em quantidade. Ás vezes não cresce em quantidade e nem em qualidade.  E o melhor seria crescer em qualidade e em quantidade.
            Tem campo que adota a estratégia do crescimento e esquece-se de incluir dois ingredientes básicos: Embasamento doutrinário e conservação. A segunda depende muito da primeira. Um conhecimento doutrinário superficial é semear na beira do caminho e expor a semente a mercê das pragas e aves de rapina.
            Temos pessoas na igreja que se recusam a dar um estudo bíblico não por falta de condições culturais ou sociais para fazê-lo, mas porque o seu embasamento bíblico é limitado e se sentem inseguras em apresentar as doutrinas.
 Para que se cumpram as palavras da irmã Ellen G. White de que “Todo verdadeiro discípulo nasce no reino de Deus como missionário” (O Desejado de Todas as Nações, p. 195), é necessário que esse discípulo receba uma base doutrinária que o capacite a testemunhar.  Treinamento é importante, mas conhecimento doutrinário é fundamental. Não adianta alguém fazer mestrado se não domina bem as quatro operações. 
Quinta
            Vou modificar um pouco a pergunta encontrada no final da nota da pergunta 10 que diz: “As atividades em que estamos envolvidos estão nos ajudando a alcançar o objetivo da igreja”? Ficaria melhor assim: “As atividades em que estamos envolvidos e a maneira como estamos trabalhando, estão nos ajudando a alcançar o objetivo da igreja”? Tem que haver envolvimento total.
            Os recursos tecnológicos devem ser explorados ao máximo. É impressionante vermos uma mensagem ser apresentada aqui e no mesmo instante ser vista e ouvida do outro lado do mundo.  Literalmente o evangelho “está voando pelo meio do céu”. Embora seja bom lembrar que nada disso dará resultado se não houver a nossa participação pessoal.
Conclusão
            Os nossos relatórios verbais e escritos fortalecem a fé dos nossos irmãos e auxiliam a liderança da igreja na elaboração de seu planejamento. Uma igreja que relata é uma igreja que cresce em espiritualidade e quantidade. Se navegar é necessário, crescer também é necessário.
            

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Levando informação à igreja


Comentário da lição da Escola Sabatina de 9 a 16 de junho de 2012, preparado por Carmo patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano).  O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            Jesus pregava o evangelho, mas notou que havia certo desprezo a Sua pessoa e a tudo o que ensinava. “E estava admirado da incredulidade deles” (Marcos 6:6). Diante do seu aparente fracasso o Salvador decidiu organizar um grupo de seis duplas missionárias e enviá-las para pregarem a mensagem de salvação. Pelos relatos bíblicos os resultados foram surpreendentes. A mensagem foi pregada com autoridade e os resultados foram maravilhosos.   Enquanto as seis duplas missionárias participavam da campanha missionária elaborada por Cristo e experimentavam as alegrias de pregarem o evangelho, João Batista estava sendo decapitado por Herodes.
O Salvador estava sozinho. Repudiado pelo Seu povo vivia um momento de reflexão. Mas uma noticia triste estava a caminho. Ela chegou e se revelou sem pedir licença. João foi decapitado na prisão. Foi degolado aquele que Lhe preparou o caminho. Provavelmente o Mestre ficou imaginando que Ele também teria o seu fim num futuro bem próximo.
Será que Deus trouxe uma palavra de conforto para Aquele coração sofredor? Foi envolto em tristezas que Jesus recebeu os missionários que retornavam transbordando de alegria. O testemunho dos eufóricos discípulos esvoaçou a tristeza e dissipou as dúvidas. O Salvador foi reconfortado com a certeza de que o Seu ministério em favor do homem estava dando certo, portanto compensava qualquer sacrifício.
            Deus tem mil maneiras de como confortar o nosso coração ferido. Mas entre tantas essa praticada naqueles tempos ainda se mostra eficiente em nossos dias.  “E os apóstolos ajuntaram-se a Jesus, e contaram-Lhe tudo”  (Marcos 6:30). O testemunho pessoal na igreja fortalece a fé de nossos irmãos e também a nossa. Nesta semana e na próxima vamos estudar um pouco sobre a importância do nosso relatório.
            Esse relatório está dividido em duas partes. O verbal quando partilhamos com a classe as alegrias vividas durante a semana. E o numérico quando tudo que fizemos é traduzido em números. O primeiro nos fortalece como pessoas e o segundo oferece informações para os administradores da igreja indicando as nossas necessidades como treinamento e incentivo. Relatar é um principio bíblico que muitos membros ainda não entenderam a razão de existir.
Domingo
            Pedro e João estavam cumprindo mais um dia de rotina no ministério. Mas não seria um dia qualquer. Eles restabeleceram a integridade física de um paralítico que por mais de trinta anos permanecia na porta da igreja, mas nunca teve a oportunidade de entrar dentro dela.
            A voz estrondosa daquele homem dando glorias a Deus quebrou a monótona rotina do templo e isso incomodou as autoridades eclesiásticas constituídas da época. Ali estava alguém testemunhando a plenos pulmões do que a graça de Deus foi capaz de operar em sua vida. O homem se tornou livre e, em consequência, os apóstolos perderam a liberdade. Depois de pernoitarem na prisão foram soltos. Retornaram para junto dos irmãos e relataram tudo o que aconteceu. A igreja sentiu a necessidade de orar e o fizeram com fervor. O resultado foi a conversão de cinco mil pessoas.
            Partilhar com a igreja as maravilhas do evangelho fortalece a fé dos irmãos e fazem eles conscientes das necessidades urgentes da pregação. Esse é o resultado de um relatório apresentado com o único objetivo de enaltecer o nome de Deus.
Segunda
            Paulo sentiu a necessidade de ir a Jerusalém e apresentar para a igreja um relatório minucioso do seu evangelismo. Por orientação divina os irmãos tentaram dissuadi-lo da ideia.  Eles tinham razão. Paulo foi atacado violentamente e por pouco não perdeu a vida.
            É interessante que enquanto Tiago e a igreja, com alegria ouviam das maravilhas que Deus fizera por intermédio do apóstolo, existia um grupo que não estava gostando de nada disso e, em fúria, tentou tirar-lhe a vida. As hostes de Satanás detestam ver e ouvir os testemunhos dos filhos de Deus. Soa em seus ouvidos como uma mensagem de derrota e realmente o é.
            O ato de Paulo contar em miúdos as bênçãos de Deus nos dá a entender duas coisas. Primeiro, para ele, todos os detalhes por mais simples que fossem era uma demonstração real do poder de Deus. Segundo, ele sabia o quanto a igreja seria fortalecida ao ver como Deus cuidou dele mesmo nos mínimos detalhes.
            Nunca saberemos o poder que o nosso testemunho pode causar nas pessoas que nos ouvem. Por mais simples que sejam as nossas experiências elas causarão um impacto positivo nos demais e que foge à nossa capacidade de mensurar. Contar o que Deus tem feito por nós faz tremer as hostes do mal, pois a igreja é levada a testemunhar com mais ousadia do nome de Cristo.
Terça
            Imagino se trouxéssemos a pergunta três da lição para os nossos dias. O que seria de nossa igreja se não soubéssemos das experiências maravilhosas que ouvimos na igreja, na rede Novo Tempo, na internet e em nossas revistas? Ou perguntando melhor, o que seria de nós?
             Quanta injeção de ânimo recebemos quando tomamos conhecimento de como Deus tem operado por intermédio de Seu povo ao redor do mundo e que alegria nos envolve ao imaginar que fazemos parte deste povo! E mais: que maravilha é imaginar que o mesmo Deus que atuou de maneira tão poderosa na igreja primitiva está ansioso para operar as mesmas maravilha no meio de nós e por nós.
Bom seria se a igreja atual escrevesse um novo Livro de Atos recheado com relatórios e testemunhos semelhantes aos de outrora. Deus e o mundo esperam por isso. Ellen G. White adverte: “Haja um reavivamento da fé e poder da primitiva igreja.” (Historia da Redenção, p 325).
Quarta
            Fazer relatórios sempre fez pare do povo de Deus. Os irmãos de José sempre que retornavam do Egito traziam um minucioso relatório da viagem e o apresentava ao seu pai. Foram os relatórios que Hanani trouxe de Jerusalém por ocasião do cativeiro babilônico que comoveu Neemias. Ele se colocou de joelhos e implorou o favor de Deus; e ai, começou o grande movimento de libertação do povo de Deus e a reconstrução de Jerusalém. Foi o relatório que Noemi apresentou ao seu povo contando o resultado de sua triste peregrinação nas terras de Moabe, que comoveu todo o Israel e fez com que o seu nome fosse incluído na genealogia de Cristo.
            Ao fazer o nosso relatório devemos ter três coisas em mente. A primeira é usar de veracidade. A segunda é enfatizar a atuação do poder de Deus na vida das pessoas com quem entramos em contato. E a terceira é manifestar a certeza de que Deus esta dirigindo a nossa vida em prol das pessoas. No caso dos espias dez falharam redondamente. Talvez tenham usado de veracidade, mas não confiaram na direção divina.
            O nosso relatório deve ter um conteúdo conciso e pessoal e jamais a elevação do eu deve sobressair. Quando Absalão foi morto pelas tropas de Davi, Aimaás se apressou em levar o fatídico relatório ao rei Davi, mas Joabe não lhe permitiu. E Cuse foi o escolhido para apresentar a triste noticia. Porém, Aimaás decidiu que correria também e ele chegou primeiro. Ao ser-lhe franqueada a oportunidade de relatar apenas disse que viu um grande alvoroço mas não sabia de nada. Logo chegou Cusi e a sua mensagem tinha conteúdo (2 Samuel 18:19-21). Temos que nos ater a fatos reais e não ficar por ai propagando alvoroço. O nosso relatório deve ser o resultado de nossa experiência pessoal.
Quinta
            Pedro estava diante de uma encruzilhada. Entrar na casa do gentio Cornélio e lhe mostrar o amor de Deus ou permanecer amarrado aos princípios judaicos de distanciamento dos gentios. Tudo foi aclarado com a visão do lençol contendo animais limpos e imundos.
            A principio, o seu relatório foi repudiado pela igreja. Mas Pedro relatou a visão que tivera e, então, fez a pergunta que acalmou a todos: “quem era então eu, para que pudesse resistir a Deus”? (Atos 11:17).
            Foi um relatório bem feito e apresentado com humildade que levou os irmãos de Jerusalém a aceitarem os gentios como irmãos em Cristo. Sabemos que essa aceitação não foi total e irrestrita. Alguns setores da igreja continuaram questionando com Paulo a esse respeito. Mas a verdade foi esclarecida com um relatório. Era apenas uma questão de aceitação.
Conclusão
            No caso da noticia da morte de Absalão a noticia era uma das piores para Davi e Aimaás não teve a humildade de aceitar a ordem do comandante. Mas a sua atitude serviu apenas para alardear um alvoroço despertando o interesse pelo relatório final.
            Em nossa atuação na igreja temos de cuidar muito do que relatar, como relatar e a quem relatar. Tem muitas pessoas na igreja que são ávidas em propagar alvoroço. Se alguma coisa não vai bem peçamos a direção divina e aguardemos com calma a providencia de Deus. Muito cuidado para que o nosso relatório não seja apenas fofoca.  
  

            

Uma resposta de amor


Comentário da lição da Escola Sabatina de dois a nove de junho de 2012, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor da meditação Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
            Certa vez uma enfermeira atendia a um paciente coberto de chagas purulentas e fétidas. Alguém que passava por perto disse: “Eu não faria isso por dinheiro nenhum.” Ao que a enfermeira respondeu: “Eu também não.”
            O autor da lição nos admoesta que o único motivo que nos deve impulsionar no trabalho missionário é o reconhecimento do amor de Deus por nós. Um estudo bíblico apresentado por obrigação perde a sua verdadeira essência. Sem amor o nosso testemunho é destituído de vitalidade e se torna vazio. Gosto do lema dos desbravadores: “O amor de Cristo nos constrange” (2 Coríntios 5:14). É esse lema que leva o desbravador a fazer longas caminhadas, a escalar montanhas, a se embrenhar na mata e se expor a chuva, ao sereno e ao Sol escaldante.
O nosso testemunho deve ser algo espontâneo que brote naturalmente de nossos lábios e da nossa maneira de ser. É a consciência de que se eu fosse o único pecador no mundo, mesmo assim Jesus teria suportado as agonias do Calvário por mim. Diz Ellen G. White: “Quando alguns, unidos os seus esforços humanos com os divinos, procuram alcançar as profundezas dos ais e misérias humanos, sobre eles repousará ricamente a bênção de Deus. Mesmo que apenas poucos aceitem a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, sua obra não será vã; pois uma vida é preciosa, muito preciosa, aos olhos de Deus. Cristo teria morrido por uma só pessoa, a fim de que ela pudesse viver pelos séculos eternos. ...” (Beneficência Social, p 249). 
Domingo
            A Bíblia apresenta 365 vezes a mensagem “não temas”. Para quem compreende a profundidade do amor de Deus por nós realmente não há razões para temer. O Seu amor é infinito.
 Um carro atropelou uma criança que ficou presa debaixo dele. Um grupo de pessoas logo se formou ao redor e discutiam como retirar a criança. Enquanto trocavam ideias uma senhora chegou e sozinha ergueu o carro. Ela era a mãe do pequeno. O amor de mãe fez a diferença.
            O nosso amor por Cristo por mais expressivo que seja não é um amor raiz. João afirma que Jesus nos amou primeiro. Hoje existe vários tipos de amor que geralmente giram em torno de interesses pessoais, econômicos e outros. Muitas vezes são amores temporários que duram enquanto perduram os interesses. O amor de Jesus é diferente. Ele nos amou independente de nossa rebeldia e indiferença. A Bíblia ao falar do amor de Jesus pelos Seus discípulos afirma que o Seu amor não tem solução de continuidade: “Ora, antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim” (João 13:1). Amar até o fim é o amor que independente do que acontecer ele permanece imutável.
            O verbo constranger tem duas aplicações opostas. Pode significar vergonha, acanhamento a que uma pessoa cause a outra. Ou pode ser uma força que nos impele a fazer algo por alguém. Em nosso relacionamento com Cristo as duas excreções podem estar em jogo. O Seu amor me constrange a fazer tudo por Ele ou a minha resposta ao Seu amor pode Lhe causar constrangimentos.
            O autor da lição nos lembra de uma premissa básica. O amor é a força propulsora que nos impulsiona a fazermos a vontade de Cristo. Sem amor a obediência é impraticável.
Segunda
            A nossa ação em testemunhar deve ser espontânea. Ela deve ser tão natural como comer e beber. O testemunho quando surge de frequentes apelos ou ameaças como: “Ai de mim se não pregar o evangelho” não traduz à gratidão que realmente deve nos impulsionar.
             A nossa resistência em falar do evangelho com as pessoas é algo natural do ser humano e não deixa de revelar o nosso egoísmo. Por que deter algo de tão bom só para mim? Temos que suplantar essas barreiras. O evangelho só produz a verdadeira paz e alegria em nossa vida se o partilharmos com as outras pessoas.
Terça
            Uma das perguntas para meditação no rodapé da página de terça feira nos interroga: “Como podemos ter a certeza de que fazemos as coisas para Deus com a motivação certa?” Uma coisa é clara. A motivação oriunda de frequentes apelos humanos pode até funcionar, mas por períodos curtos e sazonais.
            O verdadeiro missionário não é resultado de frequentes apelos pastorais  mas de um estilo de vida que não o permita viver sem anunciar o evangelho. O que Cristo fez por cada um de nós deve ser o suficiente fazer de todos nós verdadeiros portadores de luz.
            A nossa ação missionária deve ser tão voluntária e tão natural em nossa vida como foi o sacrifício de Cristo por nós.
Quarta  
             A parte de quarta feira aborda um outro aspecto que, equivocadamente, pode levar alguém a pregar o evangelho. Ser obediente. Falo do evangelho para as pessoas e assim Deus me considera uma pessoa boazinha. Nesse aspecto vivo em paz com a minha consciência.
            O fato de eu testemunhar não me torna mais santo se este testemunho não for impulsionado por um único motivo: amor. O nosso amor a Cristo deve ser o motivador a nos impulsionar permanentemente para junto daqueles que não conhecem o amor que redime.
Quinta  
            Muitos encontram dificuldade para entender a verdadeira liberdade que Cristo oferece. “O verdadeiro cristão jamais se queixará de que o jugo de Cristo é torturante. Ele considera o serviço de Cristo como a mais autêntica liberdade. A lei de Deus é todo o seu prazer. Em vez de procurar baixar as ordens divinas, para estarem de acordo com as suas deficiências, ele se esforça constantemente por, elevar-se ao nível de sua perfeição” (Maranata-Meditação Matinal p. 22). Uma vez convertido não somos mais escravos de Satanás.
Afirma Ellen G. White: “Não há constrangimento na obra da redenção. Não se exerce nenhuma força externa. Sob a influência do Espírito de Deus, o homem é deixado livre para escolher a quem há de servir. Na mudança que se opera quando a alma se entrega a Cristo, há o mais alto senso de liberdade. A expulsão do pecado é ato da própria alma” (O Desejado de Todas as Nações p 446).
Quando mais entendemos o amor de Deus mais compreendemos a verdadeira liberdade que Ele oferece.  “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8:36). Antes de nossa conversão éramos escravos do pecado para morte mas depois nos tornamos escravos de Cristo para a vida.
Conclusão
            Costumo dizer que somos bons de iniciativa, mas pecamos em finiciativa. Sempre começamos bem mas pecamos na continuidade e muitas vezes os nossos projetos morrem ao longo do caminho. Nem sempre a chama do amor permanece viva em nosso coração. A recomendação bíblica é: "Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nEle." Col. 2:6. Uma coisa é estar no caminho outra coisa muito diferente é permanecer caminhando.
             A Bíblia afirma que Jesus nos amou até o fim. É esse o amor que Ele espera de cada um de nós. Fogo de palha é bonito mas não faz churrasco. Isso é válido para todas as dimensões de nossa vida. Até mesmo na vida profissional. Se em vós permanecer o que desde o princípio ouvistes, também permanecereis no Filho e no Pai” (1 João 2:24).
            

Liberdade para ministrar


Comentário da lição da Escola Sabatina de 26 de maio a 2 de junho de 2012, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
            Ninguém deve permanecer inativo na igreja. Para que isso não aconteça duas coisas são necessárias. Primeiro que cada membro da igreja descubra o seu dom e procure desenvolve-lo da melhor forma possível. Em segundo lugar a liderança da igreja deve proporcionar a cada membro incentivo, treinamento e trabalho planejado. Nem o membro nem a liderança deve esperar por supostos milagres para que isso aconteça. Esta é a obra em que nós também nos devemos empenhar. Em vez de viver na expectativa de algum tempo especial de agitação, cumpre-nos aproveitar sabiamente as oportunidades presentes, fazendo o que deve ser feito para que almas sejam salvas” (Mensagens Escolhidas, p 186).
            Sou bastante tímido para estabelecer um contato missionário com alguém. Já aconteceu de eu encontrar pessoas que, sem que eu soubesse, estavam desejosas de conhecer a Bíblia e quando “acordei” elas já estavam frequentando outra igreja. A timidez é um de nossos maiores inimigos. Às vezes nos falta aquela certeza oferecida a Paulo: “A minha graça te basta.”
Domingo
Compartilhar responsabilidades é um aspecto bastante delicado no trabalho missionário. Às vezes o líder delega e, por motivos vários, não é correspondido. Por outro lado ele tenta fazer tudo sozinho e se arrebenta.
Certa vez acompanhei um jovem pastor em seu novo distrito. Já estava marcado um treinamento para todas as lideranças que aconteceria no mês seguinte em uma cidade vizinha. Toda a administração do campo estaria presente. Aquele pastor assumiu sozinho a responsabilidade de contratar os ônibus e de acertar com cada irmão.
Perguntei por que estava fazendo tudo sozinho e ele respondeu que existiam vários motivos como:
- Ele não conhecia os irmãos e não sabia quem poderia assumir uma responsabilidade assim.
- Essa era uma oportunidade de conhecer melhor os lideres de cada uma de suas igrejas.
- Agindo direto ele poderia levar mais pessoas e o treinamento seria muito importante para o bom andamento das igrejas.
- A associação estava com um novo presidente e ele desejava que todos os líderes de departamentos de seu distrito o conhecesse.
O treinamento foi um sucesso. O seu distrito conseguiu reunir o maior número de participantes naquela ocasião. Quando o líder conhece bem a sua equipe é mais fácil delegar. Jetro aconselhou Moises a escolher líderes capazes.  Isso implica em conhecer as pessoas e o potencial de cada uma. Moisés escolheu líderes de dez e de cem. Ele teve o cuidado de não delegar responsabilidade acima da capacidade de cada um. Mas são necessários também treinamento e motivação.
Segunda
Compartilhar responsabilidades é necessário mas, o líder deve estar preparado para possíveis fracassos. Correr riscos faz parte de qualquer administração. Há um dito popular que diz; “Quem não arrisca não petisca.” Só que não podemos confundir esse dito com desorganização. As ações devem ser bem planejadas.
Quando Jesus afirma que somos conhecidos pelos frutos que apresentamos isso envolve os frutos advindos de nossa vida espiritual e de nosso desempenho. Em que área produzimos os melhores resultados?
Jesus afirmou que existem árvores boas e árvores más. Esse é um ponto delicado, pois não conhecemos o íntimo das pessoas. A nossa única salvaguarda é pedir a direção do Espírito Santo.
Um ponto importante também é que muitos líderes esperam que cada liderado faça as coisas tal qual ele faz. Mas cada pessoa tem a sua maneira e o seu jeito de trabalhar. Alguns detalhes, às vezes, tem que serem relevados.
Terça
O rápido crescimento da igreja primitiva mostrou aos discípulos a necessidade de um grupo especial. Alguém que servisse as mesas. A escolha dos sete diáconos possibilitou a igreja a oferecer junto com o pão espiritual, o pão material.
Certa vez escrevi um folheto e foi votado pela comissão da igreja que ele seria entregue em todas as quadras do bairro onde a igreja estava localizada. O propósito era distribuir o folheto em um fim de semana e alguns dias depois fazer uma repescagem à procura de algum interessado.
Para distribuir o folheto a adesão da igreja foi total, mas na hora de fazer a segunda visita alguns se intimidaram. Um jovem me procurou e, tremendo disse que uma família mórmon queria conversar com mais tempo na segunda visita. Ele foi claro a afirmar que não iria lá de jeito nenhum. Naquela oportunidade entendi que nem todos que distribuíram os folhetos tinham a mesma facilidade para fazer a repescagem. Montamos uma nova equipe para que esse trabalho fosse feito.
Tem um dizer popular de que cada macaco deve ficar no seu galho de árvore.  Só que nem sempre as coisas funcionam assim.  Conheço inúmeros irmãos que sentiram a necessidade de se prepararem para trabalhar com determinado tipo de pessoas. Alguns tiveram que aprender outras línguas e conhecer melhor os costumes e modos de vida de outros países. Um professor que trabalha com indígenas deve ter um preparo e disposição diferentes daquele que lecionam para o homem branco como eles nos identificam.
Mas o importante é que a colheita acontece em todos os lugares. Deus está conduzindo a pregação do evangelho. Ele tem as pessoas certas para ir a toda nação, tribo, língua e povo.


Quarta
            O autor da lição faz um alerta de que não devemos pregar o evangelho apenas com o objetivo de manter viva a nossa fé. O desejo premente de quem anuncia o evangelho é de contribuir para a salvação de pessoas.
            Mas é natural que uma pessoa motivada a pregar o evangelho e que o faz com zelo e oração permanece mais intimamente ligada com Deus. O seu fervor a levou a testemunhar e esse testemunhar fortalece ainda mais a sua fé.
            Gostei da colocação do autor quando ele salienta que “os que vivem de acordo com a verdade bíblica que conhecem receberão maior luz”.  Isso não quer dizer que Deus esteja fazendo acepção de pessoas. Um professor não vai oferecer um conteúdo para um aluno cujo conhecimento esteja muito aquém do pretendido pelo professor. Para anunciar o evangelho com eficácia temos de crescer em conhecimento e espiritualidade. Esse é o segredo para recebermos galardão.
Quinta
            Uma senhora foi condenada à morte. O rei promoveu uma última reunião para determinar o ritual da execução. Nesse momento o esposo pede a palavra, se ajoelha e em seu pedido de clemencia se oferece para morrer em lugar da esposa. O rei comovido decide que um casal que se ama tanto não pode sofrer uma separação tão abruta e perdoou a condenada.
            Já em casa o esposo perguntou para a esposa o que ela achou do esplendor do trono do rei. E ela respondeu: “Eu não vi o trono. Eu estava com os olhos fitos em um homem que naquele momento de joelhos se ofereceu para morrer em meu lugar.” 
            A nossa atenção está sempre voltada para aquilo que mais nos cativa. Focados na pregação do evangelho as diferenças que poderiam surgir entre irmãos não serão percebidas. O segredo da unidade dos apóstolos foi permitir que o Espírito Santo participasse de suas decisões. Até aquele momento não havia partidarismos.
            A aplicação que o autor da ao texto de Atos 15:36-40 deixa a entender que Paulo e Barnabé souberam administrar as divergências que surgiram entre eles. Mas as diferenças foram a extremos a tal ponto que a separação dos dois foi iminente. O mérito está em Deus que, com o incidente, formou duas equipes de grande potencial evangelístico. Não podemos usar este incidente para avalizar as nossas picuinhas entre irmãos. 
Conclusão
            Romanos 10:15 não está dizendo que a formosura de alguém esteja no vestir elegantemente ou no cantar bonito e nem na fala eloquente.  São os pés incansáveis, que não medem distancias e que estão dispostos a suplantar obstáculos na caminhada em direção ao pecador e que, com carinho, o traz aos pés de Cristo. Estes pés, calejados, empoeirados, feridos e maltratados, sim, são estes os pés formosos por excelência.