domingo, 27 de julho de 2014

Como ser salvo


Comentário da Lição da Escola Sabatina de vinte e seis de julho a dois de agosto de dois mil e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia, Central de Taguatinga.

 

Introdução

            Estudamos na Lição anterior que a salvação do pecador é uma iniciativa de Deus oriunda do Seu grande amor para conosco. No estudo desta semana veremos como Deus concretizou o Seu sonho de salva a todos nós.

            O verso áureo mostra um quadro exótico. A  mesma serpente que mata e fere sendo objeto de salvação. Sempre temos na serpente uma representação de Satanás. Foi usando uma serpente que ele adentrou o Éden e introduziu a rebeldia no coração do homem. As serpentes nos causam repulsa e repúdio. Durante o tempo em que trabalhei na agricultura por várias vezes me assustei ao me encontrar inesperadamente com uma delas. 

            Por lógica, a serpente representa Satanás. Mas aparentemente, no deserto, Deus usou a serpente de metal não como causadora de morte, mas de salvação justamente para quem foi picado por uma serpente real. Não parece contraditório? O próprio Jesus explica esse aparente contraste. A serpente de metal nada tinha a ver com a salvação de quem era picado por uma serpente de verdade. E mais: dela não emanava nenhuma medicação que pudesse aliviar o sofrimento ou salvar o paciente da morte. A serpente de metal foi um recado para o próprio Satanás de que a ferida que ele nos causa é curada pela fé em Cristo.

            Assim como Satanás se levantou contra o ser humano Jesus seria levantado para salvar. Assim como foi real a cura de cada israelita que olhou para a serpente, qualquer pecador que olhar para Cristo crucificado será salvo.

            Jesus quis mostrar que, se depender de Satanás todo o ser humano morre, mas o propósito de Deus é “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece” (João 3:36). A salvação é o resultado de nossa fé no sacrifício de Jesus. Apenas Ele pode salvar. “Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hebreus 7:25).

 

Domingo

            Os judeus consideravam os publicanos como traidores da pátria. Os impostos eram cobrados de maneira abusiva e toda a população estava à mercê destes cobradores de impostos. Quando vemos o interesse de Jesus pelos publicanos representados por Levi e Zaqueu parece, à primeira vista, que Jesus participava de suas ações. Essa atitude de Jesus causou repulsa entre os fariseus por dois motivos. Primeiro, os publicanos eram pecadores excluídos do templo, da comunidade e da possibilidade de salvação. Em segundo lugar deixava transparecer que Jesus era contra os judeus e a favor dos dominadores romanos. O que os judeus não se tocavam era que cada publicano convertido seria um explorador do povo a menos na sociedade.

            Um detalhe não pode ser olvidado. Os publicanos sentiram a necessidade de salvação. Reconhecer essa necessidade é o primeiro passo para que o pecador se torne um participante da natureza divina. “Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo” (2 Pedro 1:4).

 Jesus Se sentou como hóspede honrado à mesa dos publicanos, mostrando, por Sua simpatia e amabilidade social, reconhecer a dignidade humana; e os homens anelavam tornarem-se dignos de Sua confiança. As palavras de Seus lábios caíam no sedento coração deles com um bendito e vivificante poder. Despertavam-se novos impulsos, e a esses párias da sociedade abriu-se a possibilidade de uma nova vida” (O Desejado de Tocas as Nações, p. 274). 

 

Segunda

            Um escritor depois de explicar o que é arrependimento e mostrar a diferença que existe entre arrependimento e remorso ele resume em poucas palavras o que é arrependimento. Diz ele: “Pode ser considerado como a dor sentida por causa da dor causada.”

            Quem se arrepende de alguma coisa causou dor e sofrimento a Deus ou a algum ser humano ou a si próprio. O reparo dessa dor causada a outrem redunda no sofrimento que se equipara ao sofrimento causado a Deus ou ao nosso semelhante.

            Diante disso temos três situações. Conscientes da falta cometida e sentido a dor que causou em alguém o Espírito Santo desenvolve em nosso ser três desejos. Primeiro desejamos  que a pessoa atingida exerça para conosco algo difícil de ser praticado por nós mortais: perdão. Vencida essa etapa vem o desejo de não mais praticar a ofensa e em terceiro lugar vem o desejo sincero de mudar de vida.

            Sem o reconhecimento do pecado e consequente arrependimento não existe salvação. Esse foi o tema pregado por João no deserto, enfatizado por Jesus e repetido pelos apóstolos. Veja: “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento” (Mateus 3:8) pregava João. Depois veio Jesus insistindo: “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (Mateus 4:17). A mesma advertência é repetida pelos apóstolos no Pentecostes : “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor” (Atos 3:19).

 

Terça

            Para que o arrependimento cause o resultado pretendido que é a paz de espírito é necessário o exercício da fé em Jesus. Paulo afirma que sem fé é impossível agradar a Deus e podemos acrescentar que sem fé é impossível agradar a nos mesmos. “Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam” (Hebreus 11:6). Como eu vou ter paz se não tenho fé que Jesus perdoou os meus pecados?

            Sempre que Jesus efetuava uma cura Ele associava a fé que a pessoa exercia para ser curada com a fé que deveria ser exercitada de que Ele perdoa os nossos pecados. Sem a paz de espírito que a fé em Cristo nos proporciona pouco ou nada vale a restauração física.

            O autor da lição esclarece que “o poder da fé não vem da pessoa que crê, mas do Deus em quem a pessoa crê. Deus é a fonte da fé. Quanto mais nos relacionamos com Ele mais crescemos em fé. “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Romanos 10:17). Os judeus não conheceram e nem reconheceram Jesus como o Salvador. Sem esse conhecimento não tiveram como exercitar fé no perdão Por Ele oferecido: “E os que estavam à mesa começaram a dizer entre si: Quem é este, que até perdoa pecados?” (Lucas 7:49).

            Não é porque Jesus morreu por toda a humanidade que automaticamente todos os seres humanos serão salvos. A salvação é restrita apena a aqueles que exercitaram fé no sacrifício oferecido no Calvário.

 

Quarta

            Na parábola da grande festa o Senhor da festa é Deus. Por intermédio dos profetas Ele convidou o povo judeu para a vida eterna, a grande festa. Eles recusaram o convite e, indo mais longe, maltrataram os mensageiros.  Em um segundo momento ele convida a escória da sociedade, os gentios. Aos mais miseráveis é oferecida a oportunidade de participar de uma festa de alto nível.

A entrada para o banquete é de graça, mas há uma exigência da parte do Senhor da festa. Cada convidado deve aceitar a vestimenta oferecida por Ele. E, pelo que parece, ela é igual para todos. Durante a festa ninguém se apresentará em um nível mais elevado que o outro. Todos são iguais.

O local da grande festa é o Céu.  E ali, o impuro não entrará. Os convidados terão de usar as vestes de justiça oferecidas por Cristo. Aceitar essas vestes é se despir de toda a justiça própria. A nossa justiça é sujeira e sujeira não entra no Céu “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia” (Isaias 64:6). Na grande festa não há lugar para pessoas que recusam as vestes de justiça oferecidas por Deus. São vestes que custaram muito para o Céu.

            No caso dos convidados eles vieram para a festa do jeito em que estavam. Sujos, suados, maltrapilhos e imundos. Provavelmente os participantes foram lavados, purificados e penteados. Feito isso, o participante da festa usa as vestes de uma brancura que força humana não é possível produzir. “E as suas vestes tornaram- se resplandecentes, extremamente brancas como a neve, tais como nenhum lavadeiro sobre a terra as poderia branquear” (Marcos 9:3).

 

Quinta

Seguir a Jesus é bem diferente de aceitá-Lo. Seguir a Jesus é estar disposto a tomar cada dia a sua cruz e segui-Lo. “E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me” (Lucas 9:23).  Esse “cada dia” pode ser lido como cada ano, cada mês, cada semana e cada minuto. Seguir a Jesus é renunciar a cada dia o mundo e seus encantos. É viver como Ele viveu.

Bartimeu ao ser curado ouviu de Jesus: “Vai”, mas ele havia experimentado o que é estar junto com Cristo e “seguiu a Jesus pelo caminho”. “E Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E logo viu, e seguiu a Jesus pelo caminho” (Marcos 10:52).

João apresenta o desafio: “Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou” (1 João 2:6), mas antes João apresenta como conseguir isso: “Estar Nele.” Apenas são considerados discípulos aqueles que dia a dia andam como Ele andou. “Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos” (João 8:31).

“Mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo” (Mateus 24:13). “Perseverar até o fim” é segui-Lo até o fim. Esse é o desafio de Jesus para cada um de nós. Ele espera que a nossa atitude em relação a Ele seja a mesma Dele em relação a nós. “Ora, antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim” (João 13:1).

 

Conclusão

            A Lição nos ensinou que a salvação é o propósito de Deus para todo o ser humano. Ela é oferecida de graça para todo o pecador. Uma vez salvo cabe a cada um de nós “andar como Ele andou”, ou melhor: cabe a cada um de nós permanecer salvo.

 

Meditação

“Coisa alguma é aparentemente mais desamparada, e na realidade mais invencível, do que a alma que sente o seu nada, e confia inteiramente nos méritos do Salvador. Pela oração, pelo estudo de Sua Palavra, pela fé em Sua constante presença, a mais fraca das criaturas humanas pode viver em contato com o Cristo vivo, e Ele a segurará com mão que nunca a soltará” (A Ciência do Bom Viver, p. 182).

 

O estudo da Lição da Escola Sabatina passa por aqui

sábado, 19 de julho de 2014

Salvação


Comentário da Lição da Escola Sabatina de dezenove a vinte e seis de julho de dois mil e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

            Talvez, a aula de hoje seja a mais importante que Jesus desejou transmitir aos Seus filhos. Uma vez caído em pecado todos os filhos de Adão estão condenados à morte eterna. Essa é uma dura realidade que encontramos na Bíblia de capa a capa.

            Jesus ensinou que a morte do pecador não está nos planos de Deus, a não ser que o pecador rejeite a solução oferecida. No Céu não haverá ninguém mais importante que o outro. Todos foram condenados à morte e foram redimidos da mesma maneira: o sangue de Cristo. Ele mostrou que a salvação é uma iniciativa de Deus e o Seu sonho é que ninguém se perca. “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se” (2 Pedro 3:9).

Não tem como compreender o preço de nossa salvação a não ser que passemos pelo Calvário e nos demoremos diante da cruz retratando na mente tudo o que aconteceu ali. A nossa salvação não é uma coisa que acontece por passe de mágica. Para que ela se efetivasse foi necessário o empenho da Trindade.

O que Jesus fez deixou claro para o Universo que o amor é à base do trono divino. Satanás por certo não imaginava que o amor de Deus pudesse ir tão longe ao ponto de nos salvar. A salvação dos pecadores acontece “porque o Filho do homem veio salvar o que se tinha perdido” (Mateus 18:11).

Observação: Depois de escrever essa introdução foi ler a parte destinada ao professor que se encontra no Ciclo do aprendizado. Achei curioso que o meu pensamento se encaixou perfeitamente com o do autor da Lição. Veja a primeira frase que escrevi e compare dom o autor. Ele se expressou assim: “Se bem que todas as lições do trimestre sejam importantes, talvez as lições mais importantes sejam a desta semana e da próxima.”

 

Domingo

            Parece que João ficou sem palavras para descrever o amor de Deus pela humanidade perdida. A expressão “de tal maneira” da à ideia de algo indescritível, incompreensível e realmente o é. E o mais importante desse amor é que Deus ama a todos de igual maneira.

            Na adoração do fariseu e do publicano Jesus viu um descompasso incompatível com o Seu grande amor. O fariseu se achava justo diante de Deus e pior menosprezava os gentios. Lembrando que para eles os não judeus estavam destituídos da graça salvadora. A oração do fariseu despertou repúdio diante do trono da graça.   Na parábola do fariseu e do publicano, a presunçosa oração: "Ó Deus, graças Te dou, porque eu não sou como os demais homens", ficou em frisante contraste com a contrita súplica: "Tem misericórdia de mim, pecador." Luc. 18:11 e 13. Assim repreendia Cristo a hipocrisia dos judeus. E sob a figura da figueira estéril e da grande ceia, predisse a condenação prestes a cair sobre o impenitente povo” (O Desejado de Todas as Nações, p. 495).

            A Bíblia exalta a humildade. Foi vestido na roupagem da humildade que Jesus veio a esse mundo salvar os pecadores. Salomão escreveu: “O coração do homem se exalta antes de ser abatido e diante da honra vai à humildade” (Provérbios 18:12).  E Davi completou: “Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus” (Salmos 51:17).

            Foi pela sua postura de humilde penitente que o publicano saiu do templo justificado. As nossas “boas obras” não acrescenta nada à nossa salvação. Ela dom gratuito de Deus. “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor” (Romanos 6:23).

 

Segunda

            O capítulo quinze de Lucas é conhecido por relatar três parábolas relacionadas a objetos e pessoas perdidas. Primeiro Jesus conta a história de uma ovelha que se desviou do rebanho e o pastor ao sair à sua procura arriscou a própria vida para trazê-la de volta. “E achando-a, a põe sobre os seus ombros, jubiloso; E, chegando a casa, convoca os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida” (Lucas 15:5-6). A ovelha estava acompanhando o pastor a caminho do redil, mas desviou o olhar do pastor e se perdeu.

            A segunda parábola fala da mulher que tinha dez dracmas e perdeu uma dentro de casa. Ela varre cuidadosamente a casa; vasculha cada canto e ao encontrar a dracma perdida promove uma festa com as vizinhas. A dracma representava o povo judeu que estava perdido dentro da igreja e não sabia que estava perdido.

            Por último temos a parábola do filho pródigo. Ele exige a sua herança antecipada. Abandona a casa do pai e vai para uma terra distante. Depois de perder todo o seu dinheiro ele resolve retornar para casa. Por todo o tempo em que esteve longe o pai aguardava ansioso por sua volta.  O pródigo tinha consciência dos seus atos. O pai não saiu à sua procura, mas ao ele se aproximar de sua casa o “avistou de longe e correu ao seu encontro.

            O fim das três parábolas se resume em uma grande festa representando a alegria que toma conta do Céu por um pecador que se arrepende. “Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” (Lucas 15:10).

            O pai do pródigo não saiu à sua procura, mas quando o filho retornou ele saiu correndo ao seu encontro e tudo estava preparado para a grande festa.

 

Terça

            Ao criar o homem advertência divina foi: “E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gênesis 2:16-17).

            Essa é a razão para a Bíblia afirmar que “...o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor” (Romanos 6:23).  Apenas um ser não criado e sem pecado poderia substituir o homem pecador. A nossa salvação embora seja de graça ela custou muito para os céus. Jesus assumiu a morte que nos cabia.

            Antes do Calvário os israelitas tinham uma noção bem clara do significado da morte de Cristo. Os altares construídos pelos patriarcas, a rotina no santuário e depois, no templo, era uma das maneiras de Deus deixar bem claro de quão terrível é o pecado. Tudo na vida de um israelita estava ligado ao santuário. A própria tenda onde cada um morava estava localizada de maneira organizada ao redor do santuário. De longe os israelitas podiam ver a fumaça dos sacrifícios oferecidos a cada manhã e a cada tarde.

            Costumo dizer que no Antigo Testamento não era fácil ser salvo.  Além do tempo exigido para adoração ao redor do altar existia, a meu ver, o maior complicador. Era que ao transgredir a Lei de Deus você deveria por as mãos na cabeça de um cordeiro e presenciar o derramamento do seu sangue. Isso era feito todas as vezes que se cometia um pecado.

            Com a morte do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo está descartado para sempre a morte de animais. Mas o que vemos hoje? Uma banalização desse sacrifício. Vamos à igreja. Mas parece que fica longe o pensamento de que ali estamos diante de Alguém que deu a Sua vida em nosso lugar. Procure meditar nas duas perguntas encontradas no rodapé da página destinada ao estudo de terça - feira.

 

Quarta

            Os judeus no tempo de Cristo se vangloriavam ao dizer que eram filhos de Abraão. Para muitos deles essa premissa já lhes garantia a salvação, assim como os samaritanos tinham por pai Jacó. Lembra que a samaritana foi buscar água no poço cavado pelo “nosso pai Jacó”. Quem somos na Igreja jamais vai interferir na nossa salvação. O que nos garante a salvação é o reconhecimento de que somos pecadores e o nos entregarmos por completo ao nosso Salvador.

            Hoje se fala muito em liberdade. Só que a liberdade defendida hoje é aquela que permite a pessoa fazer “tudo o que vem na teia”. Ai vem a escravidão dos vícios, a escravidão das enfermidades e a escravidão nas garras de Satanás. Viver sem limites é a pregação que se ouve hoje e esse viver sem limites que nos algemam e nos prende em grilhões. A liberdade que o mundo oferece termina em morte enquanto que a liberdade oferecida por Cristo nos garante vida com abundância.

            Jesus nos oferece o privilégio de viver livre das garras do pecado. Foi para que isso acontecesse na sua e na minha vida que Ele Se despiu de Sua glória e veio a este mundo morrer em nosso lugar. Jesus é o único que nos fornece a receita para vivermos livres de pecado.

 

Quinta

            Quando Jesus Se identificou como o Pão que desceu do Céu os judeus não entenderam o que Ele estava dizendo e perguntavam entre si: “Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu. E diziam: Não é este Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz ele: Desci do céu?” (João 6:41-42)

            A Bíblia deixa claro que a experiência da salvação oferecida por Cristo é algo para desfrutarmos já nesse mundo. A Sua promessa é: “Quem crê no Filho tem a vida eterna” (João 5:24). Essa promessa de vida eterna, afirma o autor da Lição “não é apenas uma existência imortal, mas, acima de tudo, uma vida abençoada, satisfatória e feliz, em amorosa comunhão com Deus na Nova Terra” (Página 47).

            Não existe vida eterna longe de Cristo. “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17:3). A vida de quem aceita a Jesus como o seu Salvador se resume em um crescimento diário.

            Milhares de pessoas têm encontrado em Cristo o Pão de que tanto procuram. Ele é o único que pode saciar a nossa fome de Deus. Os judeus recusaram se alimentar do Pão vivo que desceu do Céu. Aliás, quando Jesus Se identificava como a Água da Vida ou o Pão Vivo que desceu do Céu era considerado como blasfemo pelos Seus compatriotas. Ele é o Único que nos oferece vida eterna de graça.

 

Conclusão

            A salvação é oferecida de graça a todo o pecador. O maior problema é o homem reconhecer que é pecador e que necessita de auxílio. Necessitamos de uma compreensão mais profunda de quão maligno é o pecado e o custo real para salvar qualquer um de nós. Tendo esse conhecimento brotará dos nossos lábios a grande interrogação: como não ama-Lo?

domingo, 13 de julho de 2014

O Espírito Santo


Comentário da Lição da Escola Sabatina de doze  a dezenove de julho de dois mil e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista-Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

            Iniciamos o estudo desse trimestre conhecendo melhor as três pessoas da Trindade. As duas primeiras que estudamos o Pai e o Filho, embora nos apresente muitas facetas de difícil compreensão, ainda assim, parece mais fácil ao nosso entendimento.

            Talvez, muitos de nós estejamos na situação de Nicodemos. Sabemos que Jesus é o “Mestre vindo da parte de Deus”, mas semelhantes a Nicodemos, não sabemos quase nada sobre o Espírito Santo. A criação do homem foi obra do Deus criador e, embora saibamos da atuação do Espírito Santo nesse ato criativo, essa idéia é pouco difundida entre nós. Jesus está completamente envolvido na ação redentiva do homem. Ai entra o Espírito Santo com uma dupla finalidade: Impressionar-nos a aceitar a necessidade de um novo nascimento e criar em nós uma nova natureza. Em suma, Deus nos criou e o Espírito Santo nos recria.

            Outro aspecto interessante do Espírito Santo é o Seu método abstrato de agir. Existe um adágio popular no Brasil de que “os mineiros trabalham em silêncio”. Mas em silêncio de verdade trabalha o Espírito Santo. Em Seus ensinos a Nicodemos Jesus assemelhou a ação do Espírito Santo a ação do vento. As duas atuações são invisíveis, mas, quantas alterações se vêem na passagem dos dois.

            Quando os discípulos souberam que Jesus, na linguagem popular de hoje, estava com as malas prontas para subir para o Céu, um manto de tristeza os envolveu. Estavam diante de duas dificuldades. Sabiam que a ausência de Jesus geraria muitas saudades, mas o pior era como levar avante a propagação do evangelho sem a presença Daquele que lhes ensinara todas as coisas?

            Jesus os conforta com a promessa do envio de um Consolador. O Espírito Santo seria o Seu substituto. Disse Jesus: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre” (João 14:16). A promessa foi de que a substituição seria a altura e realmente o foi. Enquanto escrevo esse comentário o Brasil se agita com a saída de Neimar da seleção brasileira de futebol.  Mas apesar de o técnico da seleção tentar acalmar os torcedores de que ele tem substituto à altura, a dúvida parece ser um consenso geral. A substituição de Jesus pelo Espírito Santo propiciou à igreja condições de fazer obras realmente maiores do que as realizadas por Jesus. “Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai” (João 14:12).

             Graças a essa substituição equivalente em todos os sentidos, o evangelho chegou até nós e é o propósito de Deus que ele continue a ser anunciado, pala força do Seu Espírito, até que a obra seja cabalmente consumada.

 

Domingo

            O autor da Lição lembra um fato curioso. A humanidade de Cristo impede que Ele use os Seus atributos divinos, como a onipresença em Seu relacionamento conosco. Diz o autor: “A condição humana de Cristo O impedia de estar pessoalmente em todos os lugares ao mesmo tempo. Por meio do Espírito Santo, todos teriam acesso ao nosso Salvador, independentemente de onde estivessem ou da distância física que os separasse de Cristo” (Nota da lição, p. 31).

            Um fato curioso é que o Espírito Santo sendo Deus Ele sabia das necessidades dos discípulos e, a primeira vista, parece estranho que para atuar em favor dos discípulos Ele tenha que receber ordens.  Mas o fato de Jesus rogar ao Pai para que Ele mande o Espírito Santo em favor dos discípulos se prende mais a uma força de expressão para mostrar que toda a Trindade esta empenhada em nosso bem estar. Outro ponto interessante é que caso não houvesse essa interferência os discípulos poderiam estar recebendo essa preciosa ajuda sem saber corretamente a Sua origem.

            Desde que o sofrimento deu entrada no mundo em consequência do pecado todos nós gememos. Diz o apostolo Paulo: “Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora (Romanos 8:22). Para amenizar esse sofrimento e nos infundir esperança está atuando em favor da humanidade. Quantas pessoas encontraram, por meio Dele, alívio em Cristo.

            Os discípulos estavam pesarosos porque Jesus passou tão pouco tempo com eles. Para alguns, menos de três anos. Mas a promessa foi de que o Espírito Santo estaria com eles para sempre. Ou seja, Ele estaria confortando as gerações que lhes sucederiam. A promessa de Cristo alcança a cada um de nós, e mais, se estende até aqueles que virão depois de nós. Ele estará conosco “para sempre”.

 

Segunda

            No comentário feito pelo autor, encontrado na Lição dos professores páginas 36 a 39, encontramos uma gama de instruções que nenhum estudioso da lição deve ignorar. Com base Bíblica e do Espírito de profecia Ele esclarece muitos aspectos da terceira pessoa da Trindade. É bom você conferir.

Uma das características do Espírito Santo que eu mais admiro é apresentada por Isaías. Ele diz: “E os teus ouvidos ouvirão a palavra do que está por detrás de ti, dizendo: Este é o caminho, andai nele, sem vos desviardes nem para a direita nem para a esquerda” (Isaías 30:21). Diuturnamente essa voz esta soando ao nosso ouvido. Diante de dúvidas e tentações Ele está junto conosco nos orientando qual caminho tomar. Um detalhe: as pessoas que dão ouvidos à Sua voz são as mais felizes do mundo. A Bíblia não deixa dúvidas de que o Espírito Santo é uma pessoa. Ele tem sentimentos e exerce funções que só um Ser pessoal pode fazer. 

              João no verso vinte e seis do capítulo quatorze menciona três atuações do Espírito Santo em nosso favor. Ele nos consola, nos ensina e nos faz lembrar de tudo o que antes aprendemos. Ele só pode consolar quem realmente está com saudades de Jesus. Ele só pode ensinar quem realmente deseja e busca a sabedoria e Ele só nos faz lembrar daquilo que um dia aprendemos. O verso deixa claro que pouco ou nada Ele pode fazer por pessoas indiferentes às coisas espirituais. Quem sabe em favor dessas pessoas Ele sofra tristeza e ao mesmo tempo interceda com gemidos inexprimíveis conforme afirma a Bíblia.

            Do meu ponto de vista o trabalho mais delicado e complicado do Espírito Santo é convencer o pecador. O ser humano tem muita dificuldade para reconhecer os seus erros e voltar atrás. Realmente exige para isso a força e ajuda de Alguém especial e superior a nós.

 

Terça

            Já abordamos que o Espírito Santo, como qualquer um de nós, só pode consolar quem realmente está triste. Como o Espírito Santo é identificado como “o outro Consolador” isso deixa claro que antes de Sua atuação específica sempre tivemos um Consolador. Jesus durante a Sua vida terrena Se igualou a nós. Conviveu com as nossas misérias e sabe das dores que nos aflige. Aquele que chorou junto ao sepulcro de Lázaro compreende as agruras que nos assolam.

            Jesus deixou claro que o outro Consolador dispõe dos mesmos poderes que são características da Trindade. Ele prevê o futuro, ensina e nos faz lembrar de coisas que aprendemos no passado e eu ficou esquecido. Além de todas essas características o Espírito Santo é onipresente.

            A Bíblia afirma que, sendo um dos membros da Trindade não será tolerado qualquer ato de blasfêmia contra o espírito Santo. Ele é divino assim como é divino o Pai. Jesus foi o Consolador em forma corpórea humana. O Espírito Santo é o consolador invisível, mas onipresente. Jesus na forma humana estava destituído de Sua faculdade de onipresença.

 

Quarta

O Espírito Santo é o maior missionário voluntario de que se tem conhecimento. É Ele que nos capacita para apresentar a mensagem de salvação. Ele nos auxilia a aprender e compreender as verdades bíblicas e ao mesmo tempo nos faz lembrar de detalhes que ajudarão as pessoas a tomarem a decisão.

            É o Espírito Santo que clareia as mensagens para o estudante da Bíblia. Sabemos que a decisão de aceitar ou não faz parte do livre arbítrio de cada pessoa. Mas ao receber a mensagem a pessoa se conscientiza da sua necessidade de um Salvador. Ela é convencida de que realmente é um pecador e carece do favor divino. Ela recebe o conhecimento de que Deus trará a juízo todas as nossas obras.

            Podemos dizer que no evangelismo tem duas pessoas trabalhando para que alguém aceite a Jesus como o Salvador. Tem a pessoa humana, visível e palpável e o Espírito Santo que à semelhança do vento faz o seu trabalho invisível mostrando, ao mesmo tempo, o resultado concreto de Sua ação.

            O Espírito Santo usa de artifícios ilimitados para que a mensagem chegue à determinada pessoa. Faz pouco tempo uma senhora, não adventista, via o seu canal preferido de televisão quando a sua cadelinha ao se aproximar feliz bateu a cauda no controle remoto e a TV Novo tempo apareceu na tela. Dali para frente tudo mudou na televisão e na casa daquela senhora.

            Temos casos de pessoas que em sonho vê um livro ou pessoa e logo depois se depara com o livro ou a pessoa visualizada no sonho. Creio que essas atuações do Espírito Santo apenas serão mais bem compreendidas quando estivermos na Nova Terra. Ali veremos até onde foi o Seu trabalho em nossa conversão e dos milhares que estarão conosco lá.

 

Quinta

            A Bíblia apresenta algo curioso. Apenas as pessoas que O buscam com coração sincero O receberão. Muitos esperam usar o Espírito Santo ao invés de se permitir ser usados por Ele. E de um detalhe não podemos esquecer: existe muito milagre por aí sendo atribuídos ao trabalho do Espírito Santo, quando na verdade não é Ele o autor.

            O propósito de Deus em nos encher do Espírito Santo tem um objetivo muito claro: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra” (Atos 1:8). Caso alguém aja de maneira adversa a esse propósito, por mais santo que pareça ser, está sendo dirigido por outro espírito. “Mas nós não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que provém de Deus, para que pudéssemos conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus” (1 Coríntios 2:12).

            A Bíblia apresenta inúmeros exemplos de pessoas que foram cheias do Espírito Santo. Temos Isabel, mãe de João Batista; Maria e o próprio Jesus. É prazeroso saber que o Espírito Santo assiste os filhos de Deus até na hora da morte como aconteceu co Estevão: “Mas ele, estando cheio do Espírito Santo, fixando os olhos no céu, viu a glória de Deus, e Jesus, que estava à direita de Deus” (Atos 7:55).

           

Conclusão

Dependendo do nosso comportamento podemos entristecer o Espírito Santo. E fazer com que Ele Se afaste de nós. “E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção” (Efésios 4:30). Davi sentiu esse drama na pele.

E foi em um momento de fraqueza, que o rei de Israel se sentiu abandonado por Deus. Certo de que em tais condições o Espírito Santo Se ausentaria dele então, com coração contrito orou: “Não me lances fora da tua presença, e não retires de mim o teu Espírito Santo” (Salmos 51:11).

Será que em algum ou em alguns momentos de nossa vida não estamos entristecendo o Espírito Santo? Talvez, seja o momento de orarmos como Davi.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

O Filho


Comentário da Lição da Escola Sabatina de cinco a doze de julho de dois mil e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

            Caso saiamos por aí perguntando o que as pessoas acham ser Jesus vamos ouvir respostas diferentes que vão de Sua inexistência até ser Ele uma das pessoas do Deus trino.

Ao escrever o comentário da Lição anterior eu mencionei o caso de uma médica que dizia acreditar que Jesus nasceu, viveu e morreu martirizado; mas daí, afirmava ela, “dizer que Ele morreu para salvar a humanidade é história da carochinha”. O meu avô, que era um assíduo leitor da Bíblia, afirmava que Jesus é apenas um ser que já se encontra e um plano elevado da existência e que Ele é apenas um exemplo de vida para nós e não o nosso Salvador.

            No caso do meu avô o problema dele não foi falta de ler a Bíblia, mas sim, de aceitá-la e entendê-la. Mas como ele poderia entender a Bíblia se o seu costume era lê-la com um lápis de cor na mão e, ao contrário de nós que marcamos as passagens mais interessantes, ele sublinhava o que achava não ser verdade. No seu entendimento, hoje existe espíritos muito mais evoluídos do que aqueles que escreveram a Bíblia.

C.S. Lewis, intelectual, teólogo e romancista escocês, escreveu em seu livro, Mero Cristianismo: “Tento aqui impedir que alguém diga a grande tolice que sempre dizem sobre Ele [Jesus Cristo]: Estou pronto a aceitar Jesus como um grande mestre em moral, mas não aceito sua afirmação em ser Deus.” Que pena, estudar tanto teologia para se chegar a uma conclusão tão absurda!

Sempre que damos um estudo bíblico temos por costume iniciar mostrando o que é a Bíblia. Entendemos que se uma pessoa não é atraída para a veracidade da Bíblia não tem como tal estudante aceitar as verdades nela contidas.  E uma dessas verdades é o que ela fala da pessoa de Jesus Cristo.

No estudo dessa semana vamos ver como a Bíblia define Jesus. E melhor, vamos ver como Jesus Se auto definiu.

 

Domingo

            A expressão “Filho do Homem” é usada com frequência no Velho Testamento e sempre que é mencionada se refere a um profeta ou a um líder de Deus. Parece que ela é encontrada mais vezes no livro de Ezequiel onde Deus chamou o profeta de "filho do homem" 93 vezes. Deus estava simplesmente chamando Ezequiel de um ser humano.  A expressão “filho do homem traduz a idéia de alguém que se submete à vontade de Deus como um filho ao seu pai. O Novo Testamento se refere a Jesus como o “Filho do Homem” 88 vezes, e na maioria das vezes é o próprio Jesus ao Se referir a Si mesmo.

            O termo "Filho do Homem" era um título Messiânico. Jesus é o único a quem foi dado domínio, glória e o reino. Quando Jesus usou esse termo apresentado por Daniel Ele o fez como uma referencia a Si mesmo. Ele estava atribuindo a profecia do “Filho do Homem” mencionado em Daniel. Os judeus daquela época com certeza estavam bem familiarizados com o termo e sabiam a quem Se referia. Ele estava proclamando ser o Messias.

            Um filho do homem é um homem. Jesus era 100% Deus (João 1:1), mas Ele também era um ser humano (João 1:14). Esse Jesus que um dia Se tornou Filho do Homem, humano como qualquer um de nós e que foi humilhado, rejeitado e morto numa cruz sim, Ele mesmo exercerá o domínio de todas as nações.

            Mas, afinal, Jesus Se identifica como Filho do Homem para chamar a nossa atenção para a Sua humanidade ou para confirmar a Sua divindade como filho de Deus? Para complicar um pouquinho mais vemos o próprio Jesus usar a expressão “Filho do homem escrito com iniciais minúsculas e, em outros casos com iniciais maiúsculas, embora a maioria das vezes ele use a expressão com letras maiúsculas. O consenso sugere que ao utilizar-se das duas grafias Ele estava de maneira pedagógica conduzindo seus discípulos a entenderem quem Ele realmente era: Homem e Deus.

 

Segunda

            Certa vez Jesus estava na igreja rodeado de um grupo de líderes judeus. Entre os questionamentos em pauta estava a grande dúvida sobre a Sua divindade. Quando Ele afirmou que já existia antes de Abraão o tempo fechou de vez. A blasfêmia era punida com apedrejamento e, para os expectantes, chegou à hora de agirem.

            Os judeus já estavam cansados de ouvir tantas “blasfêmias” como as apresentadas dos textos indicados na lição. Para eles as coisas estavam extrapolando os limites da paciência.

João, no verso cinquenta e nove do capítulo oito, afirma que, mesmo dentro da Igreja, eles pegaram em pedras para O matarem, mas Ele conseguiu sair do meio deles. Parece que os fariseus, já cansados de vê-Lo blasfemar foram para a igreja munidos de pedras, dispostos a aplicar a pena capital. De uma maneira disfarçada Jesus mostrou que realmente era divino ao passar ocultamente por entre eles. (Ver Meditação Reavivar a Esperança, p. 41).

O termo “Filho de Deus” era comumente usado pelos próprios ouvintes de Jesus. Aliás, o próprio Satanás O tratou assim quando encontrou com Ele em Gadara: “E, clamando com grande voz, disse: Que tenho eu contigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? conjuro-te por Deus que não me atormentes” (Marcos 5:7).

 

Terça

Respondendo a pergunta da Lição, creio que o episódio acima mencionado de Jesus Se tornar invisível ao sair do templo foi uma clara evidência de que Ele é Divino.

Na cura do paralítico Jesus deixou bem claro duas coisas: Ele é divino. E por Ele ser divino pode perdoar pecados.

            Como aceitar que um Jesus sem pretensões políticas, que Se recusava a fazer parte do poderio político de então e que não tinha onde reclinar a cabeça seria o enviado de Deus entre os homens? “Até quando nos deixará em suspense?” Perguntavam eles.

            Inúmeras vezes Jesus explicou que não era desse mundo, mas como entender se essa não era a resposta que eles gostariam de ouvir? Para os líderes judeus Jesus era um impostor que, além de blasfemar dom frequência, chegou ao disparate de afirmar ter competência para perdoar pecados. Jesus sabia das necessidades daquele homem. Diz Ellen G. White: Entre esses estava o paralítico de Cafarnaum. Como o leproso, esse paralítico perdera toda esperança de restabelecimento. Sua doença era o resultado de uma vida pecaminosa, e seus sofrimentos eram amargurados pelo remorso. Em vão apelara para os fariseus e os doutores em busca de alívio; pronunciaram incurável o seu mal, declararam que havia de morrer sob a ira de Deus” (Ciência do Bom Viver, p. 73).

Jesus sabia as causas da paralisia que acometeu aquele homem e sabia também que, caso essa causa não fosse reparada de nada adiantaria revitalizar os seus músculos já atrofiados.

 

Quarta 
            Os judeus tinham um elevado respeito para com Abraão. Aliás, o verdadeiro judeu se gabava de ser filho de Abrão. Jesus esclareceu que a Sua existência remonta  antes que Abraão fosse gente. Jesus queria dizer que a Sua existência estava ligada ao próprio Deus, “sem principio e sem fim”. Quanto mais Jesus explicava a Sua divindade mais confusos ficavam os líderes judeus.

            Uma das coisas que despertavam mais dúvidas quanto à preexistência de Cristo era a Sua maneira humilde de auto afirmar essa verdade. Crer em alguém enviado de Deus e que, ao nascer, Se fez humilde a tal ponto de nascer entre os animais por falta de abrigo, contrastava muito com a arrogância dos líderes religiosos daquele tempo. Um fato é verdade. Ainda hoje milhões de pessoas não acreditam que Jesus é eterno. Nós cremos em um Jesus preexistente porque a Bíblia confirma a Sua divindade.

            Lembra que ao afirmar a Sua Divindade, os líderes judeus viam motivos de sobra para apedrejá-Lo por blasfêmia e já abordamos que foi justamente nesse momento que Ele demonstrou a Sua divindade saindo de entre Eles sem que fosse notado, ver João 8:59.

            Estejamos entre o grupo de bem-aventurados que creram que Aquele que tem a vida em Si mesmo, tem poder para deixar a Sua vida é o mesmo que tem poder para tornar a tomá-la. “Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé creste; bem-aventurados os que não viram e creram” (João 20:29).

 

Quinta

            Até a morte de Cristo a situação do homem era um caso encerrado. Afastado de Deus e entregue ao pecado, nada mais lhe restava senão a morte eterna. Mas Deus é amor e Ele “...prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5:8).

            Antes da morte de Jesus todo o perdão prometido estava condicionado à morte de Jesus. Podemos imaginar o caos que envolveria a terra caso Jesus houvesse fracassado em Sua missão. Mas o Seu sacrifício foi completo e foi aceito pelo Pai. Quando na cruz, Jesus pronunciou as palavras “Está consumado” Ele não só estava dizendo que havia consumado o sacrifício salvador, mas ao mesmo tempo dizia que estava consumado o fim de Satanás.

             Com a Sua morte e ressurreição, Jesus dá ao homem a possibilidade de salvação. A Sua morte foi um testemunho para todo o Universo de que Deus ama o pecador e que Satanás se tornou em um inimigo vencido. Estava realmente comprovado que “...O Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lucas 19:10).

 

Conclusão

            Cabe a cada um de nós mostrarmos para o mundo que o Filho de Deus Se tornou filho do homem e, ao viver entre nós, demonstrou por atos e palavras que Deus é amor e estava fazendo tudo para salvar o pecador. Toda a humanidade deve saber que “o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lucas 19:10).