Comentário da lição da
Escola Sabatina de trinta de junho a sete de julho de 2012, preparado por Carmo
Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor da meditação Reavivar a Esperança. O comentarista é
membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Tessalônica ou Salônica é a
2ª maior cidade da Grécia e a principal da região da Macedônia. Está situada à borda do Mar Egeu. Foi construída
em 316 A.C.) por ordem de Cassandro e foi
batizada em homenagem a Tessalônica, esposa do rei Cassandro e irmã de
Alexandre, o Grande.
Tem cerca de 700 mil
habitantes. Tornou-se uma referência quanto à divinização de imperadores,
possuindo inclusive um templo para o culto a César. Em suas moedas a cidade de
Roma e os seus imperadores eram retratados como divindades. As autoridades e
classes ricas da cidade tinham muito interesse em incentivar e participar deste
culto cívico, pois advinham vantagens econômicas e políticas. Era uma cidade
portuária com muita atividade comercial. Até hoje não perdeu a sua importância
de cidade estratégica.
Tessalônica foi a segunda
cidade europeia a ouvir a pregação de Paulo (Atos 17.1-14) e provavelmente a
primeira igreja a receber duas de suas epístolas (disputa com a epístola aos
Gálatas esta primazia).
Comentaristas alinhavam três
razões que motivaram a Paulo escrever as duas epístolas e podemos acrescentar
mais uma. Primeiro, era uma comunidade evangélica nova. Segundo, corriam perigo
pela quantidade de deuses pagãos que eram cultuados lá. Pelo menos vinte divindades eram veneradas, conforme atestam
inscrições encontradas sobre os restos de monumentos. E terceiro, os judeus não convertidos
exerciam grande pressão sobre a nova igreja.
O apostolo Paulo chegou a
Tessalônica em sua segunda viagem missionária e por três sábados pregou para os
judeus e despertou a ira de muitos deles. Alvoroçaram o povo contra Paulo e
seus colaboradores com a acusação de que: “Estes que tem transtornado o mundo
chegaram até aqui” (Atos 17:6).
Os crentes de Tessalônica
aguardavam a vinda de Cristo para os seus dias. A demora ia esmorecendo a fé de
alguns deles e, aqui temos um quarto motivo para Paulo escrever-lhes: Reavivar
nestes irmãos a esperança da volta de Jesus. Olhando por este ponto de vista
podemos imaginar quão útil será este estudo para nós hoje.
Domingo
É impressionante vermos como
Deus dirigiu a sua obra nos dias da Igreja Primitiva. O Espirito Santo cuidava
de cada detalhe. Onde pregar, quem pregar e como pregar. Em sua imaginação
Paulo viu que Timóteo por ter uma cidadania mista, a sua mãe era judia e o seu
pai grego, seria o companheiro ideal para levar o evangelho à Macedônia. Mas
Deus tinha outros planos para Paulo e para Timóteo.
Paulo
e Silas chegaram a Filipos e ali anunciaram o evangelho com um poder tal que afetou
o comercio da cidade. A jovem que dava grandes lucros com adivinhações, frutos
de um espirito maligno foi curada por Paulo e a fonte de dinheiro fácil secou.
Paulo e Silas foram presos com a
acusação de que “Estes homens, sendo judeus, estão perturbando muito a nossa cidade” (Atos
16:20). Será que Deus contrariou os planos de Paulo, que desejava ir para a
Bitinia (v 7), apenas para permitir que ele fosse preso e espancado? Se estavam
pregando o evangelho porque Deus permitiu que sofressem tanto? Do meu ponto de
vista Deus não tinha naquele momento outras pessoas mais preparadas para
suportarem provações do que Paulo e Silas. Certa vez Paulo afirmou: “Senão o que o
Espírito Santo de cidade em cidade me revela, dizendo que me esperam prisões e
tribulações” (Atos 20:2). Quem sabe se fosse outros teriam fracassado.
Para
os que caminham segundo o Espirito as provações são aditivos que fortalecem a
fé e dinamizam a pregação. Quanta coisa bonita Paulo experimentou durante o seu
curto ministério!
Deus
não promete um caminho afofado de rosas para aqueles que se empenham em pregar
o evangelho, mas com certeza Ele nos proporcionará o melhor para a nossa
edificação espiritual.
Segunda
O foco da mensagem
de Paulo não só em Tessalônica, mas durante toda a sua vida foi Jesus. Embora a
sua preferencia fosse pregar para os gentios, Paulo nunca se omitiu em pregar
para os judeus. Esse era um trabalho complicado, mas sempre que surgia uma
oportunidade lá estava ele mostrando as profecias que falam do ministério de
Cristo.
Em
Tessalônica ele permaneceu fiel ao costume de aos sábados estarem na igreja,
pregar e dedicar á oração. Para muitos judeus os seus sermões eram indigestos e
por várias vezes ele pagou caro pela sua teimosia em falar abertamente de
Jesus.
Paulo
tinha a suas estratégias para pregar para judeus, gentios e para as autoridades
romanas. Mas nunca fugia de apresentar as verdades bíblicas em sua clareza
total, mesmo antevendo os resultados de açoites e prisões.
Terça
Os versos cinco
e seis de Jeremias vinte e três apontam para um Jesus que estenderia o Seu
governo para toda a Terra e Isaias enfatizou que este Jesus faria com que as
tribos de Zebulom e Naftali, que no passado sofreram tanto com perseguições e
destruição, seriam enaltecidas quando o “Maravilhoso,
Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Isaías 9:6), chegasse à suas
terras. E poderiam ter outro raciocínio: Se Zebulom e Naftali, as tribos mais
desprezíveis na época, seriam enaltecidas com a presença de Jesus, como não
seria então Jerusalém e as regiões próximas? Esperavam que a chegada do
“Renovo” fosse realmente uma total renovação politica de todo o Israel.
Mas
ver em Jesus um sofredor desacreditado pelo seu próprio povo e ao mesmo tempo
como Redentor não só de Israel, mas de toda a raça humana era um paradoxo difícil de entender.
Essa ideia de um rei poderoso e ao mesmo tempo
pobre era difícil de ser assimilada pelos judeus. Lembre: eles ainda mantinham
o pensamento de serem os melhores e os mais importantes homens da terra. Em sua
visão Jesus seria realmente glorioso e quando chegasse subjugaria para sempre
os seus opressores principalmente o império romano.
É
interessante que essa trágica interpretação do povo judeu foi fruto de sua tão
apregoada primazia sobre os demais habitantes da terra. Caso estivessem
dispostos a estudar as profecias com espirito de humildade, com certeza, o
resultado seria outro.
Jesus
cumpriu a missão para a qual veio; libertar o povo do jugo do pecado. Em breve
o seu reino de glória será estabelecido como os judeus esperavam, pena que eles
estarão de fora!
Quarta
O verso onze de Isaias cinquenta e três
encerra uma grande lição para todos nós. Desde criança, por várias vezes já
cantei: “Depois da cruz vem a coroa, a recompensa é sempre boa.” Para prover o
nosso resgate Jesus deveria experimentar a cruz e o profeta Isaias depois de
enfatizar a humilhação e a dor do Messias afirma que: “Ele verá o fruto do
trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo,
o justo, justificará a muitos; porque as iniquidades deles levará sobre si”
(Isaías 53:11).
Ellen G. White afirma; “A morte de Cristo prova o grande amor de Deus pelo homem. É o penhor de nossa salvação.
Remover do cristianismo a cruz, seria como apagar do céu o Sol. A cruz nos
aproxima de Deus, reconciliando-nos com Ele. Com a enternecedora compaixão do
amor de um pai, Jeová considera o sofrimento que Seu Filho teve de suportar para salvar a raça da morte eterna, e nos
recebe no Amado” Atos dos Apóstolos, p. 209).
“Com
indizível amor Jesus dá as boas-vindas a Seus fiéis, para "o gozo do teu
Senhor". O gozo do Salvador consiste em ver, no reino de glória, as almas
que foram salvas por Sua agonia e humilhação” (O Grande Conflito, pág. 647).
“Nos resultados
de Sua obra, Cristo contemplará Sua recompensa. Naquela grande multidão que
ninguém pode contar, apresentada como "irrepreensíveis, com alegria,
perante a Sua glória", Aquele cujo sangue nos redimiu e cuja vida nos
ensinou, verá o "trabalho da Sua alma" e "ficará satisfeito"”
(Educação, pág. 309).
Os judeus imaginavam um Rei à altura do seu orgulho pessoal. Alguém que
jamais seria humilhado. Mas o resultado foi que “veio para os Seus e os Seus
não O receberam”.
Em nosso ministério pessoal temos de estar dispostos a experimenta
provações antes de desfrutarmos das glórias do Céu. Paulo afirma: “Confirmando os ânimos
dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé, pois que por muitas
tribulações nos importa entrar no reino de Deus” (Atos 14).
Provavelmente o anjo que assistiu o Mestre no Getsemani tenha Lhe
mostrado eu e você como futuros resultados do Seu sacrifício. Essa visão
encorajou Jesus para suportar todo o sofrimento.
Quinta
Os conversos de Tessalônica eram um
retrato do que o evangelho faria no mundo inteiro. Tribos, línguas e nações
congregadas em um só povo. Hoje nem tanto, mas podemos imaginas as dificuldades
de Paulo em manter esse grupo unido junto à cruz. Realmente as cartas que
escreveu tinham a sua razão de existirem.
Conclusão
Não foi fácil para Paulo provar para judeus e gentios que aquele Servo
Sofredor que palmilhou a Galileia era o Salvador enviado do Céu. Mas que
alegria será, quando no Céu, Paulo contemplar a grande multidão compostas de
redimidos vindos de todas as partes do mundo!