quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Evangelho eterno


Comentário da Lição da Escola Sabatina de vinte a vinte e sete de dezembro de 2014, preparado por Carmo Patrocínio Pinto membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

            Parece que o trimestre começou ontem, mas já chegamos ao final dele e por curso normal do tempo marca também o final de mais um ano. Estudamos o livro de Tiago nos últimos três meses e chegamos agora na última lição.

            Por três meses fomos instados por Tiago a sermos proativos em nossa vida cristã. Um cristão proativo é aquele que não se acomoda com um cristianismo de aparências. Ele antecipa situações e faz de sua vida cristã um convite ao mundo para que os homens se desvencilhem das coisas triviais da Terra e se volte para Deus que é compassivo e grande em perdoar.

            Se Tiago viu em seus dias a necessidade de um cristianismo que anunciasse o evangelho por palavras e ações, o que ele diria para nós hoje que vivemos em um mundo voltado para o superficial e fictício?

            O evangelho só é possível ser difundido por pessoas dispostas a sair da inércia e, de maneira prática, mostrar para o mundo as maravilhas de uma vida centralizada em Cristo. Tiago nos mostrou que uma vida cristã monótona e descompromissada nada tem para mostrar para o mundo e, por ironia, é o que Satanás espera ver em todos os que dizem amar a Cristo, mas se omitem de arvorar a bandeira ensanguentada do Príncipe Emanuel.

            Tiago nos mostrou que aqueles que são salvos pela graça, produzem as obras resultantes dessa graça que redime. Paulo afirma que “o amor de Cristo nos constrange”. Isso significa que o verdadeiro cristão      é constrangido a produzir as obras dessa graça que o redimiu. Essas obras implicam em uma vida de testemunho em favor do evangelho. Não são obras para salvar a si próprio, mas sim, para salvar aqueles que estão ao nosso redor. Uma vez salvos pela graça automaticamente nos envolvemos em produzir as obras dessa graça que nada mais são do que inteiro comprometimento em anunciar “as obras Daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.”

            Toda pessoa convertida passa a fazer parte de um povo especial e que tem uma missão especial. Seremos eternamente agradecidos a Aquele que nos redimiu. Diz Pedro: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2:1). Um cristão apático e inoperante não produz as obras de alguém que foi salvo. O cristão convertido é proativo em produzir as obras da graça.

            Não há outro meio de chegarmos à eternidade se não estivermos cem por cento comprometidos em anunciar o evangelho eterno.

 

Domingo

            A mensagem de salvação permeia por toda a Bíblia. A boa noticia da salvação foi apresentada e rejeitada pelos antediluvianos e depois, a voz de Jonas comoveu os ninivitas e a salvação raiou para eles.

            Gosto de comparar Gênesis 3:15 com Isaias 53:4-11. Em Gênesis vemos a promessa de que a semente da mulher (Cristo) seria ferida pela serpente (Satanás) que no final tem a sua cabeça esmagada pela semente da mulher. Isaias descreve o sacrifício de Cristo como um acontecimento já consumado. Os detalhes apresentados por Isaias se cumpriram de maneira fidedigna na vida e morte de Cristo apresentada pelos escritores do Novo Testamento. Gênesis 3:15 apresente a primeira profecia relativa ao evangelho de salvação e a morte do cordeiro lá no Éden foi a primeira boa nova apresentada ao homem mostrando que Deus realmente estava disposto a salvar os pecadores. A mensagem dada no Éden foi aceita e confirmada pelas dezenas de altares construídos pelos patriarcas e foi repetida milhares de vezes no Santuário terrestre durante o Velho Testamento. A mensagem apresentada pelo evangelho eterno é extensiva a toda a humanidade de todos os tempos.

 

Segunda

            “O evangelho encarnado causou estranheza entre os líderes judeus. Na parábola do Filho Pródigo os judeus não se assemelhavam com o pai amoroso e muito menos com o filho perdido. A maneira de ser de cada um parecia mais com o filho mais velho, austero e legalista. Eles se julgavam o modelo de pessoa pronta para entrar no Céu ostentando vestes brancas e barretes vermelhos.

            Os lideres judeus não entendiam como o pai recebeu o filho pródigo sem fazer nenhuma ressalva. Nada lhe foi jogado em rosto. Lendo superficialmente a parábola parece que estamos diante de um Deus permissivo e indiferente a tudo o que fazemos de errado. Acontece que tudo o que o pai poderia ter dito para o filho em recriminações e que deveria lhe jogando em rosto o jovem já havia experimentado lá no longínquo laboratório de um chiqueiro de porcos. O filho mais velho não conheceu as desgraças da terra distante. Ele nunca soube o quanto dói ser sevo do dono da terra. Ele ignorava o que significa ter fome de pai. Ele não sabia dos milagres que poderiam acontecer lá naquele longínquo e inóspito chiqueiro.  O filho mais velho nunca havia dormido com porcos. Não sabia o que era podridão e sujeira. Aliás, ele nem sabia como muitos hoje não sabem que na terra distante existe um chiqueiro esperando pelos pródigos. Enquanto os animais iam grunhindo e revirando a lama putrefata o jovem se sentiu pior do que aqueles animais e, sem se perceber os seus pensamentos se escorregaram naquele lamaçal e mais do que cair na lama ele caiu em si. O filho mais velho não viu nada disso e muito menos aquela queda. As lentes de amor usadas pelo pai viu todo aquele drama vivenciado pelo jovem e, viu e sentiu quanto doeu a queda do filho. Uma dor que doeu muito lá e cá.

O evangelho do amor encarnado em Cristo não perde tempo com perguntas e questionamentos. O Pai estende a mão e resgata todo aquele que, contrito volta da terra distante para os Seus braços de amor.” (Do livro em preparo “Filhos Pródigos”).

Quando estudamos sobre o Evangelho Eterno e a sua relação com o pecador vemos um Deus que não muda a Sua maneira de agir mesmo diante de nossa insubordinação. O evangelho não será pregado por toda a eternidade, mas os redimidos estarão para sempre com Cristo e por toda a eternidade mostrarão para o Universo os resultados eternos do evangelho que um dia os salvou.

            Tiago esperava que cada membro da Igreja primitiva fosse, pelo testemunho, um anunciador das boas novas do evangelho.

 

Terça

            Na estrada de Damasco vai Saulo com sua comitiva. O seu propósito é libertar os seus compatriotas dos ensinos que uma meia dúzia de homens herdou de Alguém que Se dizia O Salvador. O objetivo de Saulo era o mesmo de Cristo: salvar as pessoas.

Apenas um detalhe: Ele estava correto no seu propósito, mas completamente errado em sua maneira de agir.

            Ele não esperava que na estrada de Damasco fosse encontrar o outro Salvador, porém o seu rival. Cercado de capangas dispostos a tudo ele caminha com o olhar fixo em seu alvo, tirar os cristãos de circulação custe o que custar. De repente, um esplendor envolveu a todos. Os seus homens ficam surdos e Saulo cego. A valentia de todos caiu por terra e temerosos se apoiam uns nos outros para se levantarem. Os homens que o acompanham notam que ele conversa com Alguém, mas não entendem nada; apenas chegam à conclusão de que com o líder sego a “missão salvadora” estaria abortada.

            Paulo é convidado a continuar na luta só, que do outro lado. Ao caírem às escamas dos seus olhos ele vê quão equivocado estava em seu projeto de salvar pessoas. Os fariseus perderam o seu melhor justiceiro. Paulo entendeu que a lei apenas apontava os seus erros e que a salvação tão almejada apenas poderia ser encontrada em Cristo. Dai para frente ele defende a lei como norma de vida, mas não como meio de salvação. Foi o seu zelo pela lei que o levou ao conhecimento de Cristo. “Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu” (Filipenses 3:5). Paulo deveria continuar como um zeloso da lei não pera ser salvo mas sim porque foi salvo.

            Dai para frente ele muda por completo o foco do seu sermão. Diz ele ”Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos” (1 Coríntios 1:23).

 

Quarta

            A primeira aliança foi firmada com Israel como nação. A segunda aliança que é uma replica da primeira foi extensiva a toda nação, tribo, língua e povo. A salvação tanto no Velho como no Novo Testamento sempre foi centralizada em Cristo. Tanto no velho como no Novo testamento o perdão de pecados só é possível pelos méritos do sacrifício de Cristo na cruz. A lei nos leva a Cristo o Único que nos livra da sua condenação.

            Os sacrifícios ofertados no santuário propiciavam um perdão condicional. Paulo escreve: “Porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados” (Hebreus 10:4). Na velha aliança a salvação era oferecida de maneira condicional. A nova aliança, com a morte de Cristo, validou a primeira aliança.

 

Quinta

            A Palavra de Deus é maravilhosa. Veja como Apocalipse 12:17 e 14:12 une a pratica da lei enfatizada por Tiago à salvação pela fé oferecida por Cristo. “E o dragão irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra ao remanescente da sua semente, os que guardam os mandamentos de Deus, e têm o testemunho de Jesus Cristo” (Apocalipse 12:17 e “Aqui está a paciência dos santos; aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (Apocalipse 14:12).

            A guarda da lei não salva, mas no fim será a sua observância que distinguirá os que servem a Deus daqueles que não O servem.

 

Conclusão

            Às vezes sou tentado a imaginar que as horas da madrugada que diariamente dedico para escrever o comentário da Lição representam um tempo perdido quando vejo os poucos milhares que entram em contato com ele, comparado a outros comentaristas com milhões de seguidores. Mas quando vejo os resultados desse trabalho em minha vida, o conhecimento adquirido e que, muitas vezes não vai para as páginas escritas, eu agradeço a Deus pela ideia que Ele me deu. Quanta coisa linda aprendi com o irmão Tiago!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Preparando-se para a colheita




Introdução
            Disponho de um bom material de cunho escatológico que, a pedido, tenho apresentado em algumas igrejas. É maravilhoso ver as profecias se cumprindo a olhos vistos. O seu cumprimento nos mostra que realmente “Vem o fim, o fim vem sobre os quatro cantos da terra” (
Ezequiel 7:2).

            A Bíblia apresenta esse dia como terrível. “Aquele dia será um dia de indignação, dia de tribulação e de angústia, dia de alvoroço e de assolação, dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e de densas trevas” (Sofonias 1:15). Sofonias afirma ser esse um grande dia.  “O grande dia do Senhor está perto, sim, está perto, e se apressa muito; amarga é a voz do dia do Senhor; clamará ali o poderoso” (Sofonias 1:14). Nunca foi tão fácil crer na volta de Jesus como hoje. Não crer na volta de Cristo e não crer na Bíblia. O cumprimento das profecias a respeito da volta de Jesus se multiplica ao nosso redor com uma clareza tal que fico imaginando como Deus tem sido misericordioso para conosco. A cada dia vemos com mais clareza que “Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Amós 3:7). E a respeito à volta de Jesus como Ele nos tem revelado!

            A Bíblia apresenta duas características do dia da volta de Jesus. Primeiro ela o define como um grande dia revestido de angustia, escuridão e de juízo. Em segundo lugar a Bíblia nos apresenta esse dia como algo alegre, risonho e poético. O que faz a suas características desse dia não é o dia em si, mas sim a postura da humanidade nesse dia. Enquanto um grupo de pessoas clama: “Porque é vindo o grande dia da sua ira; e quem poderá subsistir?” (Apocalipse 6:17) outro grupo eufórico se rejubila exclamando: “...Eis que este é o nosso Deus, a quem aguardávamos, e ele nos salvará; este é o Senhor, a quem aguardávamos; na sua salvação gozaremos e nos alegraremos” (Isaías 25:9).

            Jesus voltará a essa Terra com uma missão claramente definida pela Bíblia: “E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas” (Mateus 25:32). É essa separação que causa tanto pavor em um dos grupos e tanta alegria no outro. Cada grupo será colhido e atado em feixes e terá um destino definido: “Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; mas, o trigo, ajuntai-o no meu celeiro” (Mateus 13:30). Cabe a cada um de nós a escolha de sermos joio ou trigo.

            É curioso que o título da lição diz: “Preparando-se para a colheita.” Parece que seria mais prudente mudar o título para: “Preparando-se para ser colhido.” Esse preparo deve ser a nossa máxima preocupação. Paulo nos exorta: “...operai a vossa salvação com temor e tremor” (Filipenses 2:12).

 

Domingo

            Como estudamos na introdução os sinais da volta de Jesus acontecem de maneira clara e inequívoca. Mesmo com tanta clareza e nitidez a dúvida pode assaltar o nosso coração. Um dos fatores que a motiva é a aparente demora para que tudo aconteça. A advertência de Tiago é clara: “Sede pacientes” e para ajudar a nossa compreensão ele usa como ilustração o trabalho do agricultor. Trabalhei muitos anos na lavoura e tenho uma noção do que Tiago está dizendo. Dependendo do que cultivamos a colheita pode se dar em meses ou em anos de espera. Ela representa o momento máximo para o agricultor. A colheita significa fartura de alimento e também de dinheiro. Foi muito tempo preparando o terreno, semeando, carpindo, regando e protegendo das pragas. Foi muito suor derramado visando apenas um momento no futuro: a colheita. Não tem como o agricultor adiantar o relógio. É uma questão de paciência.

            O interessante na ilustração de Tiago é que para que haja colheita é necessária a chuva no momento certo. A chuva é que vai fazer surgir o grão e fazê-lo amadurecer. Sabemos que nesse aspecto a chuva significa a descida do Espírito Santo sobre nós. Ele promoverá duas coisas em nossa vida: reavivamento e reforma. Diz Ellen G. White:

“Necessitam-se agora homens de esclarecida compreensão. Deus convida os que estão dispostos a ser regidos pelo Espirito Santo a liderarem uma obra de completa reforma” (A Igreja Remanescente, p. 71).

            Mais do que orar pelo Espirito Santo temos que estar dispostos a ser usados por Ele. Sem o Espirito Santo o reavivamento não acontecerá e uma completa reforma será uma utopia. Temos que esperar a chuva serôdia como alguém que realmente anseia por ela. Durante os anos em que trabalhei na lavoura passávamos o período sem chuva na nossa região preparando para a semeadura que deveria ocorrer quando chovesse. Ramas de mandioca eram estocadas em um local fresco, as sementes eram selecionadas, o terreno preparado e adubado. Quando caia a chuva a pequena cidade fervilhava. Todos, eufóricos com ferramenta nas mãos partiam para os campos. Havia música e muita determinação para semear. Esperar pela chuva serôdia significa estamos empenhados em se preparar para recebê-la.

 

Segunda

            Por mais que a volta de Jesus esteja demorando para alguns, a qualquer momento que ela acontecer será sempre cedo demais para muitos. O autor da Lição inicia o estudo de hoje com a pergunta: “Está realmente próxima?” Qual é o seu ponto de vista?

            Quando minha família aceitou a mensagem da breve volta de Jesus eu tinha cinco anos de idade. Essa mensagem causou um forte impacto em minha vida e tudo o que acontecia ao nosso redor era analisado à luz das Escrituras para ver se tinha alguma relação com a volta de Jesus. Lembro que na década de sessenta, pela primeira e única vez na história, se elegeu um católico para presidente dos Estados Unidos. Na mesma época surge o papa João XXIII que conclama o Segundo Concílio Vaticano II que, por insistência dos evangélicos passou a se chamar Concílio Ecumênico Vaticano II. Simultaneamente a esses dois acontecimentos surge no Brasil um eloquente pregador, Alziro Zarur, que funda uma instituição espirita voltada para o ecumenismo, a Legião da Boa vontade. Ele falou tanto sobre o ecumenismo que foi condecorado pelo Vaticano. Do meu ponto de vista estava formado o tripé para cumprir Apocalipse 16:13: “E da boca do dragão, e da boca da besta, e da boca do falso profeta vi sair três espíritos imundos, semelhantes a rãs.” Quando estava tudo encaminhado para a tríplice união acontecer o papa João XXIII morreu, o presidente americano foi morto em um atentado e Alziro Zarur também se foi. Os sucessores destes homens vieram com ideias mais moderadas a respeito da tríplice união e o que estava nitidamente a caminho não aconteceu.

            Naquela época foi difícil aceitar as palavras de Tiago 5:8: “Sede vós também pacientes, fortalecei os vossos corações; porque já a vinda do Senhor está próxima” (Tiago 5:8).

 

 Terça

            No estudo de terça-feira somos exortados a exercitar o espírito de união. De princípio achei que esse verso nada tem a ver com o título da lição. Mas de uma coisa não podemos esquecer: Jesus só voltará após três acontecimentos sequenciais que tem a ver com a vida espiritual de cada um de nós. Primeiro é a descida do Espirito Santo que, por sua vez, nos conduzirá ao reavivamento que provocará a reforma de que tanto necessitamos. É hora de perguntarmos: Como o Espirito Santo descerá sobre um povo que amargam críticas entre si ou mesmo contra a igreja?

            É chegado o tempo para se realizar uma reforma completa. Quando esta reforma começar, o espírito de oração atuará em cada crente e banirá da igreja o espírito de discórdia e luta. Os que não têm estado a viver em comunhão cristã, chegar-se-ão uns aos outros em contato íntimo. Um membro que trabalhe da maneira devida levará outros membros a unir-se-lhes em súplica pela revelação do Espírito Santo. Não haverá confusão, pois todos estarão em harmonia com o Espírito” (E Recebereis poder – Meditação, p. 287).

 

Quarta

            O tema central da lição desta semana é a paciência. O autor foi muito feliz ao escrever a nota da lição de quarta-feira. Ele abriu o leque de pessoas bíblicas que manifestaram paciência em situações desesperadoras. Vale a pena conferir.

            Por fim ele apresenta a galeria dos heróis da fé relatada em Hebreus onze. Ela é fantástica, mas sabemos que graças a Deus ela não está completa. Caso ela fosse escrita hoje com certeza teria nomes de pessoas como João Huss, João Calvino, os Valdences e tantos outros. “As pessoas podem morrer pelo que acreditam, mas não por uma mentira” (O Livro dos Mártires - Esse livro escrito por John Foxe, é um dos mais famosos livros da literatura protestante, e apenas entre 1563 e 1684 teve nove edições).[

            Sempre que falamos dos mártires lembramo-nos do principal método de execução, a fogueira. Mas veja o relato de um documentário sobre a Inquisição católica: “Usava-se, dentre outros, os seguintes processos de tortura: a manjedoura, para deslocar as juntas do corpo; arrancar unhas; ferro em brasa sob várias partes do corpo; rolar o corpo sobre lâminas afiadas; uso das “Botas Espanholas” para esmagar as pernas e os pés; a Virgem de Ferro: um pequeno compartimento em forma humana, aparelhado com facas, que, ao ser fechado, dilacerava o corpo da vítima; suspensão violenta do corpo, amarrado pelos pés, provocando deslocamento das juntas; chumbo derretido no ouvido e na boca; arrancar os olhos; açoites com crueldade; forçar os hereges a pular de abismos, para cima de paus pontiagudos; engolir pedaços do próprio corpo, excrementos e urina; a “roda do despedaçamento funcionou na Inglaterra, Holanda e Alemanha, e destinava-se a triturar os corpos dos hereges; o “balcão de estiramento” era usado para desmembrar o corpo das vítimas; o “esmaga cabeça” era a máquina usada para esmagar lentamente a cabeça do condenado, e outras formas de tortura.”

            Ao visitar o Coliseu romano fiquei imaginando quantos heróis anônimos deram a sua vida ali. Nos sinuosos e escuros corredores das catacumbas de Roma pude ver os ossos de milhares de heróis da fé que ali se esconderam, mas foram alcançados e executados. Todos exerceram paciência diante da provação máxima.

 

Quinta

            O juramento é uma prática oficial em vários campos da atividade humana. O juramento faz parte do cerimonial de posse de prefeitos, governadores e do presidente da republica. Antes de receber o meu certificado de reservista tive que fazer o juramento de lealdade à Pátria.   Para todos os formando o juramento é uma parte integrante da festa de formatura. O juramento mais conhecido é o de Hipócrates, o pai da medicina e que é obrigatório a todos os médicos. E o que dizer do juramento entre marido e mulher que na maioria dos casos se dilui no decorrer dos anos? Caso os juramentos feitos em todas as áreas fossem rigorosamente cumpridos com certeza o mundo seria bem diferente. Quantas falcatruas, quantas omissões e quantos abusos são praticados sob a sua sombra! Muitos que prestam juramento parecem dizer: “Juro que estou jurando falso.” E, pelo que parece desde que o mundo é mundo o juramento é considerado apenas uma rotina para muitos. E não era diferente nos dias de Tiago.

            Em casos banais o juramento é usado por pessoas de índole duvidosa. Como as suas palavras não merecem confiança procuram endossa-las com um juramento invocando, às vezes, o próprio nome de Deus. É esse comportamento vulgar que Tiago ataca com veemência. Para ele os cristãos deveriam ter uma linguagem que inspirasse confiança, “sim, sim e não, não”. Essa deveria ser a postura de todo aquele que espera com paciência a volta de Jesus.

 

Conclusão

            Relacionando a volta de Jesus e a paciência para aguardar esse acontecimento dentro do cronograma de Deus vem ao meu pensamento o exemplo de Jó ao dizer: “Ainda que Ele me mate, Nele esperarei.” E “...depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus” (Jó 19:26).

 

 

 

 

 

           

           

              

sábado, 29 de novembro de 2014

Chorem e gritem


Comentário da Lição da Escola Sabatina de vinte e nove de novembro a seis de dezembro de dois mil e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga.

 

Introdução

          Tiago traz à lembrança de seus irmãos de igreja a advertência de Cristo relatada em Mateus 6:19: “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam.” Tiago vai mais fundo no assunto. Ele esclarece que em dado momento os ricos chegam a conclusão que as suas riquezas de nada valerão e, embora estejam e suas mãos, se tornam inúteis.

            Há poucos dias participamos de um curso de Como Deixar de Fumar. Um médico palestrante fez menção de um paciente seu. Homem rico e portador de enfisema pulmonar provocado pelo fumo.  Na sua luta para respirar aquele paciente murmurava: “Daria todo o dinheiro que tenho por um pouco de ar.” Sim chega o momento em que as riquezas de nada valerão.

            Muitos no afã de conseguir riquezas vivem como miseráveis e subtraem de seus parentes momentos de alegria e os forçam a uma vida de restrições e penúrias. Conheci o Sr. João Nande. Ele era um próspero fazendeiro. Certa vez um de seus filhos adoeceu gravemente e por mais que os vizinhos insistissem com ele para levar a criança no médico, ele se recusou fazê-lo. Depois do sepultamento do garoto ele se justificou: “As más línguas dizem que o meu filho morreu à mingua. Ninguém entende que eu estava simplesmente poupando para o seu futuro.”

            Meu pai trabalhou alguns anos com um senhor que nunca cumpriu um compromisso financeiro nem com ele e nem com qualquer outra pessoa. Certo dia, depois de uma bronca sem limites o meu pai completou: “O senhor estando com a sua barrida cheia não quer saber se a do vizinho está vazia.” De que vale as riquezas advindas da exploração humana?  O pior de tudo é quando atitudes assim são vistas entre o suposto povo de Deus.

            Parece que Tiago escreveu para um grupo de pessoas que se vangloriavam de serem exímios observadores da lei e que, ao mesmo tempo, depositavam a sua confiança nas riquezas e não cumpriam um dos principais princípios da lei: amor a Deus e ao próximo.

 

Domingo

            O estudo de hoje é uma seria advertência para os ricos do mundo inteiro. Quanta fortuna amontoada por poucos em detrimento da saúde e bem estar de milhões. É fácil condenarmos o mundo pelos desatinos que presenciamos. Enquanto escrevo uma meia dúzia de ações policiais prendem dezenas de pessoas que roubaram os cofres públicos e se afanaram do dinheiro destinado à merenda escolar de crianças que não tem outro meio de saciar a fome. Quantas pessoas gemem nas portarias de hospitais quando o dinheiro para minimizar a dor foi desviado por inescrupulosos.

            Muitos dos que cometeram tais atrocidades estão vendo, das grades das prisões, as suas riquezas se esvaírem em ações judiciais. Mas o que vemos provavelmente é o mínimo de um macro que acontece ao nosso redor. Alguns desses que assim praticaram estão chorando as riquezas que amontoaram para a sua própria ruina.

            Enquanto nos encolerizamos com os desatinos que os ímpios cometem no mundo vem à tona um questionamento. Qual tem sido a conduta de muitos irmãos que detêm grades somas de bens que, embora adquiridos de maneira honesta, estão mofando por ai sem provocar qualquer benefício para o seu semelhante ou para a obra? Qual será a reação destes irmãos quando concluírem que o seu dinheiro de nada valerá mais? Aí será tarde demais e muitos da igreja, que hoje detêm recursos dos quais não fazem uso chegarão a triste conclusão: “As vossas riquezas estão apodrecidas, e as vossas vestes estão comidas de traça” (Tiago 5:2).

            Ao folhear a Bíblia para encontrar o salmo setenta e três, onde Davi externa a sua preocupação com o aparente sucesso dos ímpios, por um equivoco, me fixei no salmo sete. Mas que tal meditarmos um pouco nesse salmo? Os versos três e quatro Senhor meu Deus, se eu fiz isto, se há perversidade em minhas mãos, se paguei com o mal àquele que tinha paz comigo antes, livrei ao que me oprimia sem causa... O Senhor julgará os povos; julga-me, Senhor, conforme a minha justiça, e conforme a integridade que há em mim” (Salmos 7:3-4 e 8).

 

Segunda

            Quando lemos os versos dois e três de Tiago cinco vem a nossa mente a orientação de Jesus: “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam” (Mateus 6:19 e 20). Que sermão para nós que vivemos nos últimos dias!

            Nabal se recusou a mitigar a fome de Davi e de seus servos. Ezequias ao receber a visita dos emissários do rei de Babilônia ao invés de falar das bênçãos do milagre de sua recuperação se deteve em lhes mostrar a sua grande fortuna. E Pedro, ao ser abordado pelo paralítico que esmolava na porta do templo demonstrou ser pobre de bens materiais, mas rico do poder do Espirito Santo.

            Quando me deparo com esse tema me vem à mente o meu pai. Ele foi um próspero produtor de abacaxi no Triangulo Mineiro. Morreu pobre vivendo com um único salário mínimo, mas deixou para trás dezenas de crianças saciadas e abrigadas. Pais que puderam viver mais tempo junto de seus familiares graças às cirurgias que ele pagou. Quantas vezes eu o vi repartir o pão com o faminto! Ele não deixou bens materiais para os seus filhos, mas semelhante a Davi exclamo em gratidão: “...sim, coube-me uma formosa herança” (Salmos 16:6).

 

Terça

            Papai sempre levou a sério esse versículo bíblico: “Não oprimirás o teu próximo, nem o roubarás; a paga do diarista não ficará contigo até pela manhã” (Levítico 19:13). Papai trabalhava para um senhor que nunca efetuou um pagamento na data prevista e sempre ele tinha de lançar mão de dinheiro emprestado para cumprir esse principio bíblico. Certa vez ele foi à cidade para tentar conseguir dinheiro emprestado para pagar os piões. De mãos vazias voltou a pé para casa matutando na situação de, pela primeira vez, os piões não receber na sexta-feira.

            De súbito viu dez cruzeiros em meio à poeira. Mas o que significaria esse dinheiro para quem necessitava de trezentos? No percurso restante de dois quilômetros ele encontrou mais de quatrocentos cruzeiros. Todos os trabalhadores receberam o salário e ainda foi possível fazer uma boa feira. Por mais que ele propagasse a história o dono do dinheiro nunca foi encontrado.

            Ellen G. White faz uma advertência especial para a igreja de hoje. Diz ela: “Pelo que me tem sido mostrado, os observadores do sábado estão-se tornando mais egoístas, ao aumentarem em riquezas. Seu amor por Cristo e Seu povo está decrescendo. Não veem as privações dos necessitados, nem lhes sentem as dores e tristezas. Não compreendem que, ao descurar os pobres e sofredores, negligenciam a Cristo e, ao aliviar-lhes tanto quanto possível as necessidades e padecimentos, servem a Jesus...” (Beneficência Social, p. 39). 

 

 

 

Quarta

            Tiago chama a nossa atenção para um comportamento comum nos dias de hoje. Pessoas que se banqueteiam em detrimento da fome de terceiros. São pessoas egocêntricas que não se preocupam com nada além do seu próprio umbigo.

Essa postura pode ser no campo material e no campo espiritual. No campo material julgamos merecedores de desfrutarmos dos bens materiais adquiridos, às vezes, subjugando o próximo. No campo espiritual estamos realizados porque “não somos como os demais.” Damos a entender que a igreja existe apenas para nós. Ambos os comportamentos demonstram o nosso egoísmo.

Esse acomodamento situacional pode ir ao extremo de semelhante ao Jesurum da Bíblia, vivermos fartos e com um comportamento de rebeldia para com Quem tudo nos concedeu. Esse é o pior sintoma que pode acometer a alguém com “síndrome de barriga cheia”. “E, engordando-se Jesurum, deu coices (engordaste-te, engrossaste-te, e de gordura te cobriste) e deixou a Deus, que o fez, e desprezou a Rocha da sua salvação” (Deuteronômio 32:15).

Essa felicidade aparente é passageira. Todos que agem assim um dia vão se depararem com uma doída realidade apresentada por Jesus. Disse o Mestre: “Mas ai de vós, ricos! porque já tendes a vossa consolação. Ai de vós, os que estais fartos, porque tereis fome. Ai de vós, os que agora rides, porque vos lamentareis e chorareis” (Lucas 6:24-25). Tiago dá a receita para não nos envergonharmos no futuro. Temos que reconhecer as nossas misérias hoje e nos apoderarmos da graça de Cristo enquanto é tempo.  “Senti as vossas misérias, e lamentai e chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo em tristeza” (Tiago 4:9).

 

Quinta

            Tiago mostra o extremo onde podemos chegar caso não nos entreguemos a Cristo. Fazer parte do rol de pessoas que clamarão pela morte dos justos. Para pessoas egocêntricas a presença do justo incomoda e a sua extinção parece ser o melhor remédio. “Condenastes e matastes o justo; ele não vos resistiu” (Tiago 5:6).

Mais uma vez é bom lembrar que tanto em Tiago como toda a Bíblia não condena os ricos simplesmente por serem ricos. A condenação se prende a três fatos que normalmente estão associados aos ricos. Primeiro é a origem das riquezas. Muitos as têm usando métodos fraudulentos como pisotear os pobres. Em segundo lugar são ricos que nada fazem para minorar o sofrimento alheio ou mesmo contribuir para a propagação da mensagem de misericórdia e em terceiro é aquele rico que, semelhante ao homem da parábola se ufana dizendo “rico sou e de nada tenho falta”.

Vivemos em um mundo materialista no qual a globalização e o consumismo insistem em dar a última palavra sobre as nossas ações. Como peregrinos que caminhamos rumo ao lar celestial temos a exortação paulina: “Ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente” (Tito 2:12).

 

Conclusão

            Cuidemos do nosso futuro hoje. Os que vivem explorando os mais fracos e depositam a sua confiança nas riquezas irão chorar e gritar, porém será tarde demais.  “E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes” (Mateus 13:42).

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Legislador e Juiz


Comentário da Lição da Escola Sabatina de te e dois a vinte e nove de novembro de dois mil e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

            No momento em que escrevo esse comentário faz parte da mídia nacional a conduta de um juiz que ao ser flagrado dirigindo sem portar a carteira de motorista foi autuado por uma agente de transito que, conforme determina a lei, ordenou que o seu carro fosse recolhido ao depósito do DETRAN. O magistrado reagiu afirmando que o seu carro não poderia ser recolhido por ser ele uma autoridade da lei. O incidente resultou em uma ação na justiça dando ganho de causa ao juiz que deve ser indenizado pela agente em cinco mil reais. Que tal associar essa ocorrência com a pergunta do autor da lição encontrada no primeiro parágrafo do estudo dessa semana? Diz o autor: “Você já reparou que, às vezes, os ricos e famosos agem como se estivessem acima as lei?”

            O fato causou uma grande interrogação e revolta popular. Como pode uma autoridade cuja função se prende a execução da lei, transgredir essa mesma lei e ainda se fazer de vítima? Sem dúvida estamos vivendo nos tempos profetizados por Isaias: “Por isso o direito se tornou atrás, e a justiça se pôs de longe; porque a verdade anda tropeçando pelas ruas, e a equidade não pode entrar” (Isaías 59:14).

            Tiago afirma que não cabe a nós a função de julgar. Por mais que queiramos fazê-lo não temos condições para tal. Certa vez, eu conversava com um colega na rua. Ele dentro do seu carro e eu de fora. Ao me aproximar dele fui surpreendido por um mau cheiro horrível. De inicio imaginei, como pode um enfermeiro usar um carro nessas condições! Voltei o rosto para o lado numa tentativa de amenizar o odor nauseante e, ao fazê-lo, vi um caminhão lotado de carcaças de bois recolhidas dos açougues da região.

            Temos leis falhas porque foram criadas por legisladores humanos e muitas das vezes a aplicabilidade da lei é falha por uma única razão: o juiz também é um ser humano. Davi reconhecia a autoridade de Deus para julgar porque Ele próprio criou as leis que servem de parâmetro para um julgamento escorreito. Afirma o salmista: “Justo és, ó Senhor, e retos são os teus juízos” (Salmos 119:137). Nesse caso a expressão “juízos” se entende por leis.

 

Domingo

            No sentido genérico discernimento é a faculdade de escolher o certo, ter critério ou juízo; ou efeito de se distinguir com raciocínio sobre as coisas. Seria o senso que permite as pessoas a confrontar o certo e o errado, a verdade e a mentira, o melhor e o pior, a experiência pessoal e a crendice, e assim por diante.

            Biblicamente, o discernimento é essencial no processo de tomar decisões sábias. Salomão associa o discernimento à prudência e a falta dele a insanidade mental. “Todo o homem prudente age com discernimento, mas o insensato põe em evidência sua loucura” (Provérbios 13:16).

            O discernimento implica em ter mais malicia do que conhecimento. Porque em dados momentos nem tudo o que sabemos ou conhecemos deve ser propagado. Ainda surge o perigo de eu estar seguro de determinada informação e no final ela ser inverídica. Algumas palavras são primas ou irmãs do discernimento. Entre elas temos cautela, precaução discrição e outras.

            O nosso julgar ou mesmo o falar de terceiros será endossado pela prudência quando agimos com discernimento. Essa é uma atitude sábia que nos poupa incômodo e prejuízos a terceiros. As nossas palavras e ações devem estar pautadas na lei de Deus. Ela nos orienta como deve ser o nosso relacionamento com o próximo. Quando emitimos juízos sobre alguém estamos descartando a orientação que a lei nos esclarece e, automaticamente, nos colocamos à margem das glórias do Céu. A Lei e ao Testemunho! se eles não falarem segundo esta palavra, nunca lhes raiará a alva” (Isaías 8:20).

 

Segunda

            Existe um dizer popular que cada brasileiro é um juiz de futebol. Porém, uma observação mais acurada nos mostra que não é só no futebol que existe essa gama de juízes. Apenas um detalhe: Ao nos colocarmos como um juiz de futebol estamos, automaticamente, julgando o juiz que apitou o jogo.

            Quando julgamos alguém estamos usurpando o lugar de Deus, o único que tem condições plenas de julgar sem cometer equívocos. Deus tem três coisas que faz Dele o único juiz capaz de julgar corretamente. Primeiro, foi Ele que criou a lei ou o padrão de julgamento. Ele é o Legislador por excelência. Ele tomou a forma humana e, como nós, em tudo foi tentado. Em terceiro lugar, “... Ele conhece a nossa estrutura; e sabe que somos pó” (Salmos 103:14).

            João, de uma maneira apoteótica apresenta o nosso Juiz. “E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça” (Apocalipse 19:11). Ele apresenta qualidades difíceis de ser encontradas nos juízes humanos e muito menos em nós leigos. Ele é fiel, verdadeiro e julga e peleja com justiça.

            Ao longo de minha vida já me deparei com situações complicadas que me levam a cogitar como será o julgamento divino. Nesses momentos me vem um pensamento de alívio, ainda bem que eu não sou Deus.

 

Terça

            Toda empresa tem um planejamento pré-estabelecido para garantir o seu sucesso. Faz parte do planejamento a avaliação do planejamento. A avaliação vai trazer luz sobre os resultados alcançados e confrontá-los com as metas delineadas. O planejamento é uma arma importantíssima para uma empresa ou mesmo uma pessoa alcançar os seus objetivos. O planejamento leva um administrador a estabelecer estratégias. As estratégias são as ferramentas escolhidas para alcançar os objetivos propostos.

            O planejamento tem o seu lugar no campo espiritual. Para o cristão convertido o objetivo do seu planejamento é alcançar a estatura de Cristo. Quando o objetivo é esse as ferramentas para alcança-lo diferem do usual no mundo moderno. Em nosso planejamento entra um fator prioritário que é a submissão de nossas expectativas à vontade máxima de Deus. Saímos de nossa autoconfiança e nos submetemos a direção divina.

            Hoje é comum ver pregadores que fazem de Deus um menino de recado. “Eu determino”, dizem eles, que esse ou aquele problema seja resolvido. Essa é uma atitude arbitrária que entra em choque com a maneira de ser que Jesus demostrou quando esteve entre nós.

            Em nosso planejamento a preposição condicional si é de suma importância. Tiago deixa claro que essa conduta se contrapõe com a orientação divina. “Eia agora vós, que dizeis: Hoje, ou amanhã, iremos a tal cidade, e lá passaremos um ano, e contrataremos, e ganharemos” (Tiago 4:13). E ele mesmo completa: “Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece” (Tiago 4:14). Planejar sem submeter o nosso planejamento à direção divina é presunção e um indício forte de sobrepor a nossa vontade a vontade divina. Para os que agem assim pode vir a sentença: “Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Lucas 12:20).

 

Quarta

            A fugacidade da vida é o quinhão de todos nós. Hoje somos alguém, mas amanhã pouca ou nenhuma lembrança existirá de nós. Nesse mundo a neblina é algo instável e volátil. Ao mesmo tempo em que ela ornamenta os vales e os picos das montanhas sem que menos se espere, ela é diluída pelo Sol e não mais a vemos.

            Tiago nos compara a neblina que por um momento se apresenta com a sua beleza, mas logo se dilui e se esvai como a água no ralo de uma pia. O interessante é que a neblina não deixa vestígios nem ao menos pegadas.

            Certa vez eu me encontrava em um posto de gasolina na beira de uma estrada. Enquanto eu tomava um lanche chegou um caminhão com três pessoas na cabine. Dois mais jovens e um senhor idoso. O ambiente entre eles era de completa alegria. Em poucos minutos eles entraram no caminhão e foram embora. Não andaram vinte metros e manobraram o caminhão de volta. Ao estacionar novamente no posto aquele senhor já estava morto e semelhante à neblina se foi. Para que tanto orgulho, para que tanta pose, para que tanta exaltação própria se vai todos para o mesmo lugar?

            Essa transitoriedade da vida deve ser um alerta para nós. Não sabemos o dia de amanhã. Quando eu era adolescente existia uma música que era tocada com frequência nas eletrolas da minha cidade. O refrão dizia: “Tudo passa tudo passa, nada fica nada fica.” Comparando com a perpetuidade das montanhas, dos rios e dos mares realmente nós somos como a neblina que passa.

 

Quinta

            Em Mateus 5:16 Jesus nos adverte: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mateus 5:16). “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado” (Tiago 4:17). Jesus espera que o mundo veja as nossas boas obras. Essas boas obras apresentadas no cálice do amor levarão as pessoas a conhecer o nosso Deus e, em resultado vão glorifica-Lo.

            Tiago faz uma seria advertência: “Aquele que sabe fazer o bem e não o faz comete pecado.” Fazer o bem é externar o amor em ações em favor do próximo. Quando isso deixa de acontecer na vida de um cristão temos ai o grave pecado da omissão. É um pecado grave por dois motivos. Primeiro porque deixo de exteriorizar aquilo que Deus fez por mim: amor. E em segundo lugar essa atitude representa um comportamento egoísta.

            Quem aceita a mensagem de salvação não tem como não saber amar, pois a mensagem de salvação nada mais é do que a expressão máxima do amor de Deus por nós. Deus fez o bem para nós nos salvando da morte e, se com tal testemunho, recusamos a fazer o bem não há mais o que de bom esperar de nós. Paulo afirma: “Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas certa expectação horrível de juízo, e ardor de fogo, que há de devorar os adversários” (Hebreus 10:26-27).

 

Conclusão

            O nosso verso áureo esclarece: Existe apenas um Legislador e Juiz. Não cabe a nós pecadores ocupar esse lugar. Existe apenas UM e não dois ou mais.