Comentário da lição da Escola Sabatina de 12 a 19 de maio de 2012, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Na semana passada foi enfatizada a nossa participação individual no trabalho missionário. Agora estudaremos a nossa participação nas programações da igreja em todos os níveis. Por exemplo, nestes dias estamos envolvidos no projeto missionário A Grande Esperança, promovido pela DSA.
A nossa participação corporativa não é só participar dos projetos, mas também apoiar a liderança que está à frente deles. Hoje acontece com frequência de o calendário de atividades da associação ou união restringirem o espaço para projetos locais de uma igreja ou grupo. É comum ver irmãos descontentes com isso.
A receptividade era bastante desenvolvida na Igreja Primitiva. Tanto Lídia como o carcereiro recepcionaram os líderes da Igreja em suas casas. Nos dias atuais a receptividade de lideres da obra em nossa casa se faz de maneira muito limitada e se vê mais em regiões interioranas. Há pouco passei um mês acompanhando meu filho em seu ministério em Santana do Araguaia no Pará. O seu distrito cobre uma área com mais de duzentos quilômetros de uma extremidade a outra e as estradas são péssimas. Ali é comum os irmãos acolher em casa o seu pastor e demais lideres da obra.
A igreja que conheci aos cinco anos de idade era bem mais receptiva do que hoje. Papai sempre manteve as portas abertas para pastores, comportares e estudantes dos nossos colégios. Hoje lembro com saudades de estudantes como Otávio Costa e Rubens Lessa e de pastores atuantes na época como José Campos, Neil Gros e José Lessa. E o que dizer da lista de comporto como Leovegildo Reis, Herculano Rocha, Lázaro Bueno, Sebastião e Almerita Resende? Todos eles repousaram sob o nosso teto. Mas se hoje dedicarmos em apoiar os projetos desenvolvidos pela administração da Igreja já está de bom tamanho.
O nosso testemunhar deve estar envolvido com o planejamento da igreja como um todo. Somos parte de um corpo e o nosso viver e existir deve ser voltado para a edificação coletiva do Corpo de Cristo.
O verso áureo nos chama a atenção quanto à responsabilidade de passar para outros as verdades que nos trouxeram esperança e paz.
Domingo
A cada dia que passa se acentua mais e mais o trabalho em equipe. Hoje uma das principais preocupações de uma empresa, ao selecionar funcionários, é testar a capacidade de trabalhar em equipe de seus candidatos. A cada dia se torna mais claro o pensamento de que ninguém é uma ilha.
A nossa participação corporativa na igreja pode envolver o nosso trabalho isolado, mas afinado com os propósitos da igreja ou em duplas ou em alguma equipe voltada para algum projeto que promova o crescimento corporativo de nossa instituição.
O trabalho corporativo tem a ver também com o que podemos dizer continuidade. Na igreja não deve existir projetos individuais. Quem assume um cargo na igreja deve ter a humildade de dar prosseguimento ao trabalho já em andamento. A marca do eu tão comum entre políticos não deve existir entre nós. E isso apenas será possível se desenvolvermos o princípio de Cristo: “Viver para servir e não para ser servido.”
O carcereiro de Paulo e Silas estava em uma posição de superioridade em relação a eles, mas ao ser tocado pelo Espirito Santo sentiu a sua pequenez e a necessidade de ser ajudado pelos apóstolos.
Outro detalhe importante é que no desempenho de nossas atividades na igreja, necessitamos, com frequência, de algum conselho ou palavra de ânimo. A pessoa isolada fica atada a sua própria capacidade ou deficiência de absorver dúvidas e impactos e, portanto, é mais exposta ao desânimo.
Segunda
O estudo de hoje chama a nossa atenção para o perigo do individualismo. Nenhuma atividade da igreja deve ser desenvolvida de maneira isolada. Quando algum líder de departamento age de maneira particular ele não só cria uma área de conflito na igreja como também espoe o seu departamento ao fracasso.
Geralmente uma igreja trabalha com uma agenda geral que envolve todos os seus departamentos. Tudo é amplamente discutido e cada evento de cada departamento deve se encaixar nas atividades gerais da igreja. Nessas discussões devem ser eliminadas todas as dúvidas.
Duas coisas devem fazer parte de um planejamento. Objetivos e meios. Caso o objetivo de uma igreja é evangelizar uma determinada área ela deve oferecer aos seus membros as ferramentas de trabalho como materiais, treinamento e incentivo. A motivação inerente a cada um de nós deve ser reforçada e reavivada pela liderança. Uma igreja motivada avança a passos largos.
O salmo 37 é um precioso manual para todo aquele que deseja ser vitorioso no testemunhar. Ele nos oferece a certeza de que Deus está no comando e atento em nos oferecer segurança e firmeza no testemunhar.
Terça
Cada um de nós deve ter a humildade necessária para assumir qualquer lugar na execução do projeto geral da igreja. Muitos se melindram ao serem indicados para um cargo de pouca notoriedade.
Sempre que toco neste assunto me vem em mente a história de Moisés quando Israel lutou com os amalequitas. Em quanto as mãos de Moisés estavam estendidas, Israel prevalecia, como as suas mãos eram pesadas, Arão e Hur as seguraram até o fim da batalha. Diz o verso: “Porém as mãos de Moisés eram pesadas, por isso tomaram uma pedra, e a puseram debaixo dele, para assentar-se sobre ela; e Arão e Hur sustentaram as suas mãos, um de um lado e o outro do outro; assim ficaram as suas mãos firmes até que o sol se pós” (Êxodo 17:12).
Alguns se recusam a sustentar as mãos de alguém e não aceitam serem atores coadjuvantes. Caso não apareçam voluntários para carregar o piano o concerto não acontece.
A disposição dos filipenses em pregar o evangelho impressionou o apostolo Paulo. Disse ele: “Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós,
Fazendo sempre com alegria oração por vós em todas as minhas súplicas,
Pela vossa cooperação no evangelho desde o primeiro dia até agora” (Filipenses 1:3-5).
Fazendo sempre com alegria oração por vós em todas as minhas súplicas,
Pela vossa cooperação no evangelho desde o primeiro dia até agora” (Filipenses 1:3-5).
Fico imaginando a felicidade de um pastor que conta com uma igreja assim!
Quarta
Antes de Paulo exortar os irmãos de Éfeso a promoverem o crescimento da igreja ele faz uma séria advertência: “Para que não sejamos mais meninos inconstantes” (Verso 14). Você já observou como que as crianças mudam de ideia com facilidade. Elas ainda não possuem firmeza de propósitos. Ao mesmo tempo em que estão desenvolvendo um projeto em equipe se desentendem e partem para projetos individuais. Paulo condena esse comportamento infantil dentro da igreja.
Paulo usa duas palavras mágicas para que o crescimento da igreja aconteça. Unidade e Amor. Sem que haja espírito de unidade e amor as coisas não deslancham. Cada um deve desempenhar a sua parte sem rivalidade pensando no bem comum.
Cada pessoa deve fazer a sua parte com espontaneidade dando preferencia aos seus dons, mas isso não significa que ninguém tem o dom de fazer determinadas coisas. Certa vez participei de uma pamonhada promovida por determinada igreja. Observei que todos se recusavam a ralar milho. Não me lembro de nunca eu ter ralado tanto milho como naquele dia.
Paulo afirma que “todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor” (Efésios 4:16).
É curioso ver a organização funcional das formigas. Elas se revezam em equipes e assim trabalham diuturnamente. Além da rainha, num formigueiro existem as sentinelas (segurança), operárias (fazem os túneis do formigueiro e buscam alimentos) e as enfermeiras (cuidam das larvas). Elas não dependem de chefias e cada uma desenvolve o seu trabalho com esmero e dedicação. Organizadas assim elas impingem medo aos agricultores e podem destruir uma plantação em apenas uma noite. Imagine se tal organização existisse entre nós!
Quinta
O evangelho não é propriedade exclusiva de ninguém. Quem recebe o evangelho e permanece inativo sem passa-lo adiante comete suicídio espiritual. Tal atitude demonstra que a pessoa não está convertida. As boas novas devem fluir automaticamente de minha vida.
A nossa vida espiritual é como andar de bicicleta. Temos que estar em movimento, do contrario caímos. Trabalhei muito com enxadas, machado, foices e facas. Uma ferramenta por mais bem afiada que esteja, caso não seja usada, com o tempo ela perde o fio.
Uma das coisas que Paulo enfatiza é a necessidade transmitir ao converso toda a instrução possível. Ele deve receber toda a orientação necessária para testemunhar com sabedoria. Esse testemunhar com sabedoria não quer dizer apenas conhecimento, mas ter desenvoltura ao faze-lo. Um conhecimento transmitido de cabeça baixa e cara fechada dificilmente dará resultados positivos.
Conclusão
Qualquer projeto da igreja não deve ser lançado sem um exaustivo planejamento que envolve pontos básicos como:
- Possibilidades financeiras da igreja.
- Material humano necessário para a execução.
- Material de consumo adequado.
- Equipamentos disponíveis.
- Orientações básicas para a (as) equipe(s).
- Promover o envolvimento da igreja como um todo.
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