Comentário
da lição da Escola Sabatina de 8 a 15 de junho de 2013. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto,
ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar
a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da
Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Zacarias foi um dos três
profetas pós-cativeiro. Além de profeta ele era sacerdote. Isso pode explicar o seu empenho na reconstrução do templo. Presenciou
um momento difícil para o povo de Deus. Ele é considerado o mais messiânico dos
profetas.
Com vinte dias de
pregação Ageu convenceu o povo a recomeçar a reconstrução da cidade e do
templo. Mas as coisas caminhavam devagar e dois meses depois surge Zacarias com
o firme propósito de incentivar o povo a se voltar para o Senhor e priorizar a
reconstrução do templo. Ele foi bem sucedido em sua pregação.
Na tomada de
Jerusalém um grupo não foi levado para o cativeiro. Entre eles incluíam pobres,
velhos e pessoas improdutivas. Desse grupo fala Neemias: “As palavras de Neemias, filho de Hacalias. E sussedeu no mês de Quisleu, no
ano vigésimo, estando eu em Susã, a fortaleza, que veio Hanani, um de meus
irmãos, ele e alguns de Judá; e perguntei-lhes pelos judeus que escaparam, e
que restaram do cativeiro, e acerca de Jerusalém. E disseram-me: Os restantes,
que ficaram do cativeiro, lá na província estão em grande miséria e desprezo; e
o muro de Jerusalém fendido e as suas portas queimadas a fogo” (Neemias 1:1-3).
Os exilados que retornaram
à sua terra natal em 536 AC sob o decreto de Ciro eram os mais pobres dos
judeus cativos. Cerca de cinquenta mil pessoas retornaram para Jerusalém sob a
liderança de Zorobabel e Josué. Esse grupo se juntou ao primeiro. Isso se
explica porque um comentarista escreveu: “Os que retornaram para a Terra da
Promessa estavam desanimados e deprimidos.”
O autor da Lição
dividiu o livro da Zacarias em dois estudos. Na primeira parte vamos estudar
até o capitulo sete e na próxima semana estudaremos o restante do livro. A
primeira parte é constituída de oito profecias, considerada pelos teólogos, de
difícil interpretação, e o conteúdo dos últimos capítulos do seu livro são os
mais lembrados pelos escritores do Novo Testamento.
O povo sem recursos
estava desanimado e paralisou a construção do templo por doze anos. Zacarias
exortou o povo a confiar em Deus. Havia oposição? Sim! Mas a reconstrução não
se realizaria pela força humana e sim pela atuação do Espirito Santo.
Muitos consideram as
visões de Zacarias uma das partes da Bíblia mais difíceis de entender. Mas o
autor da lição esclarece como entendê-las. Ele afirma que as oito visões apresentadas
na primeira parte do livro foram escritas em forma de quiasmo. Quando lemos o seu raciocínio as coisas se aclaram. Dois
pontos fundamentais na explicação do autor nos ajudam a compreendê-las. 1º - Na
forma como foi escrito o significado da primeira visão corresponde à última e a
sétima a segunda e assim por diante. 2º - O estudo deve ser feito na sequência
inversa. Se a última fala de guerra à primeira fala de paz. E assim por diante.
E completa o autor: “Da primeira à última e da última à primeira, Deus estava
em ação. Seu amor, graça e justiça são revelados e vindicados.” Observação:
para melhor esclarecimento leia o comentário bíblico inserido nas páginas 141 e
142 da lição de professor.
O livro de Zacarias começa com a
veemente palavra do Senhor para o povo se arrepender e se voltar novamente para
seu Deus. O livro está repleto de referências de Zacarias à palavra do Senhor.
O profeta, fielmente, transmite a mensagem dada a ele por Deus. O povo é
chamado para se arrepender de sua apatia e completar a tarefa que não foi
terminada, mas continua apático e indiferente.
O cativeiro aconteceu porque o
povo se afastou de Deus. Mesmo experimentando o gosto amargo da escravidão por
setenta anos, isso não foi o suficiente para trazê-los de volta para o Pai. Ao
retornar do cativeiro continuavam correndo atrás de seus próprios interesses e
deixando Deus em segundo plano. O caso estava tão sério que o anjo do Senhor intercedeu por Judá.
Deus nos ama a tal ponto de confessar
um ciumezinho de nós. “Porque assim diz o Senhor dos Exércitos: Depois da
glória ele me enviou às nações que vos despojaram; porque aquele que tocar em
vós toca na menina do seu olho” (Zacarias 2:8).
Zacarias afirma que Deus é zeloso
por Jerusalém. A mensagem mostra que o zelo de Deus se manifesta de duas
maneiras. A primeira é o cuidado demonstrado por Sua herança e o segundo é o Seu
desejo de que o Seu povo testemunhe para o mundo quem é o seu Deus. Israel
sonhava com a primeira, porém ignorava a segunda.
Deus desejava tratar com justiça os
povos que maltrataram o Seu povo e esperava uma resposta de amor e
reconhecimento da parte deste.
Segunda
Zacarias fala que viria um tempo
que multidões de outros povos viriam à Jerusalém. Essas palavras não sovam bem
aos ouvidos do povo. Ter Jerusalém habitada por gentios era algo inconcebível
para eles.
Essa
“invasão” de Jerusalém tinha um motivo específico. Jesus o Rei do Universo
faria milagres e pregações nela por 33 anos. A Sua presença ali atrairia
pessoas de todas as nações. A Bíblia afirma: “E eu, quando for levantado da
terra, todos atrairei a mim” (João 12:32). E desde o Seu nascimento Jerusalém recebeu visitantes que vinham conhecer o
Rei dos Reis. Os magos do oriente vieram adorá-Lo e depois um grupo de gregos se
dirigiu à Jerusalém com o propósito de conhecer o Rei dos reis e Senhor dos
senhores.
Esse era o propósito de
Deus, mas a visão sectarista dos judeus não permitiu que eles entendessem o
plano divino. E foi justamente por adotar essa postura é que o povo rejeitou a
Jesus. Ao rejeitarem a Cristo como o Salvador do mundo a nação judaica deixou
de ser o povo escolhido de Deus.
Fará parte do verdadeiro
Israel todo aquele que em qualquer parte de mundo aceitar a Jesus como o
Salvador. Não só a Jerusalém terrestre seria povoada de gentios que viriam de
longe para conhecer o Salvador, mas a Jerusalém celestial será habitada por
pessoas vindas de toras as nações, tribos e línguas da terra.
Terça
Dois motivos levaram Satanás a acusar o Sacerdote Josué. Primeiro Josué era
pecador pelo simples fato de ser humano. E em segundo, como sacerdote ele assumia
os pecados de todo o Israel. No Santuário terrestre o sumo sacerdote intercedia
pelo povo e aparentemente assumia os pecados de todos eles. Realmente Josué,
como todos nós, estava sujo diante de Deus.
Zacarias teve uma
das visões mais confortantes de toda a Bíblia.
Josué nada podia fazer diante do acusador. Ao olhar para as suas
próprias vestes tinha a noção de que as acusações eram justas e que estava
realmente sujo diante de Deus. Aparentemente estava tudo perdido. Os argumentos
do inimigo eram fortes.
“Então o Anjo, que é o próprio Cristo, o Salvador dos
pecadores, reduz ao silêncio o acusador do Seu povo, declarando: "O Senhor
te repreende, ó Satanás, sim, o Senhor, que escolheu Jerusalém, te repreende;
não é este um tição tirado do fogo?"(Zacarias 3:2). Israel por muito tempo
permanecera na fornalha da aflição. Por causa de seus pecados foram quase
consumidos na chama acesa por Satanás e seus agentes, para sua destruição; mas
Deus agora Se lançara à obra de salvá-los. Penitentes e humilhados como se
acham, o compassivo Salvador não abandona Seu povo ao cruel poder dos pagãos.
...” (A Verdade Sobre os Anjos, p. 148).
Ao Jesus Se apresentar mostrando o
sinal dos cravos Satanás se emudece. “E o resplendor se fez como a luz, raios
brilhantes saíam da sua mão, e ali estava o esconderijo da sua força” (Habacuque 3:4).
Quarta
Cinco pontos importantes são apresentados no capitulo
quatro de Zacarias. Primeiro, seria impossivel a reconstrução do templo se
concretizar apenas com os esforços humanos. Segundo, seria pela obra do
Espirito Santo que a construção do Templo seria realizada.
Terceiro,
Zorobabel parecia muito pequeno para executar uma obra tão grande e importante.
Mas ninguém deveria desprezá-lo por ser pequeno. Quando uma pessoa se coloca
sob a direção do Espirito Santo tudo é possível.
Quarto,
os grandes montes (reinos) que se opunham a Zorobabel se tornariam em campina
ou sem nenhuma importância.
Quinto, os sete olhos de
Deus indicam a amplidão de alcance e pleno controle do Senhor sobre tudo que
está sobre a terra. Jesus é o Renovo, Ele é a Pedra. Josué era sacerdote e
Jesus seria o Sumo sacerdote que atuaria na terra e no Céu. Com a morte de
Cristo todo o Céu vê, com alegria, a possibilidade de salvação para todo o
pecador. Sobre Jesus estariam os olhares do Céu. “Porque eis aqui a pedra que
pus diante de Josué; sobre esta pedra única estão sete olhos; eis que eu
esculpirei a sua escultura, diz o Senhor dos Exércitos, e tirarei a iniquidade
desta terra num só dia” (Zacarias 3:9). Veja a interpretação de alguns pontos
do capítulo 4 apresentada pelo autor da lição na página 137.
Quinta
O
povo de Judá estava acostumado com um calendário e objetivos pré-determinados
para jejuar. Deus visava com essa medida levar o povo a uma reflexão mais
profunda das causas do cativeiro babilônico. Porém, com o tempo esse jejum se
tornou uma pratica comum e simplismente ritualista.
Após o cativeiro o povo
desejou saber se continuaria jejuando ou não. A resposta de Deus foi que o
jejum desprovido de exame do coração, e de retorno ao Salvador e consequente
prática do amor se torna inútil.
A resposta divina foi: “Assim falou o
Senhor dos Exércitos, dizendo: Executai juízo verdadeiro, mostrai piedade e
misericórdia cada um para com seu irmão. E não oprimais a viúva, nem o órfão,
nem o estrangeiro, nem o pobre, nem intente cada um, em seu coração, o mal
contra o seu irmão” (Zacarias 7:9-10). “O verdadeiro jejum não é um serviço
meramente formal. A Escritura descreve o jejum preferido por Deus: "que
soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo ... Que
deixes livres os quebrantados [ou oprimidos] e despedaces todo o jugo
...;" "abrires a tua alma ao faminto, e fartares a alma aflita"
Isa. 58:6 e 10”” (O Desejado de Todas as Nações, p. 278).
Conclusão
Na primeira parte do livro de
Zacarias aprendemos coisas preciosas. Em primeiro lugar a gente viu o interesse
de Deus em nos perdoar. Diante das acusações de Satanás, Jesus Se apresenta
como o nosso intercessor e desmascara o inimigo.
Em
segundo lugar, aprendemos que um dia Jesus julgará todas as nações e instituirá
o Seu reino eterno.
Em terceiro lugar Ele nos
garante que, com a ajuda do Espírito Santo faremos coisas impossíveis aos olhos
humanos.
E, por último, Ele nos
convida a uma renovação espiritual.
Blog: http://reavivaresperanca.blogspot.com/
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