domingo, 9 de junho de 2013

Visões de esperança (Zacarias)

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Comentário da lição da Escola Sabatina de 8 a 15 de junho de 2013.  Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

Zacarias foi um dos três profetas pós-cativeiro. Além de profeta ele era sacerdote. Isso pode explicar o seu empenho na reconstrução do templo. Presenciou um momento difícil para o povo de Deus. Ele é considerado o mais messiânico dos profetas.

Com vinte dias de pregação Ageu convenceu o povo a recomeçar a reconstrução da cidade e do templo. Mas as coisas caminhavam devagar e dois meses depois surge Zacarias com o firme propósito de incentivar o povo a se voltar para o Senhor e priorizar a reconstrução do templo. Ele foi bem sucedido em sua pregação.

Na tomada de Jerusalém um grupo não foi levado para o cativeiro. Entre eles incluíam pobres, velhos e pessoas improdutivas. Desse grupo fala Neemias: “As palavras de Neemias, filho de Hacalias. E sussedeu no mês de Quisleu, no ano vigésimo, estando eu em Susã, a fortaleza, que veio Hanani, um de meus irmãos, ele e alguns de Judá; e perguntei-lhes pelos judeus que escaparam, e que restaram do cativeiro, e acerca de Jerusalém. E disseram-me: Os restantes, que ficaram do cativeiro, lá na província estão em grande miséria e desprezo; e o muro de Jerusalém fendido e as suas portas queimadas a fogo” (Neemias 1:1-3).

Os exilados que retornaram à sua terra natal em 536 AC sob o decreto de Ciro eram os mais pobres dos judeus cativos. Cerca de cinquenta mil pessoas retornaram para Jerusalém sob a liderança de Zorobabel e Josué. Esse grupo se juntou ao primeiro. Isso se explica porque um comentarista escreveu: “Os que retornaram para a Terra da Promessa estavam desanimados e deprimidos.”

O autor da Lição dividiu o livro da Zacarias em dois estudos. Na primeira parte vamos estudar até o capitulo sete e na próxima semana estudaremos o restante do livro. A primeira parte é constituída de oito profecias, considerada pelos teólogos, de difícil interpretação, e o conteúdo dos últimos capítulos do seu livro são os mais lembrados pelos escritores do Novo Testamento.

O povo sem recursos estava desanimado e paralisou a construção do templo por doze anos. Zacarias exortou o povo a confiar em Deus. Havia oposição? Sim! Mas a reconstrução não se realizaria pela força humana e sim pela atuação do Espirito Santo.

Muitos consideram as visões de Zacarias uma das partes da Bíblia mais difíceis de entender. Mas o autor da lição esclarece como entendê-las. Ele afirma que as oito visões apresentadas na primeira parte do livro foram escritas em forma de quiasmo. Quando lemos o seu raciocínio as coisas se aclaram. Dois pontos fundamentais na explicação do autor nos ajudam a compreendê-las. 1º - Na forma como foi escrito o significado da primeira visão corresponde à última e a sétima a segunda e assim por diante. 2º - O estudo deve ser feito na sequência inversa. Se a última fala de guerra à primeira fala de paz. E assim por diante. E completa o autor: “Da primeira à última e da última à primeira, Deus estava em ação. Seu amor, graça e justiça são revelados e vindicados.” Observação: para melhor esclarecimento leia o comentário bíblico inserido nas páginas 141 e 142 da lição de professor.

 

 Domingo

          O livro de Zacarias começa com a veemente palavra do Senhor para o povo se arrepender e se voltar novamente para seu Deus. O livro está repleto de referências de Zacarias à palavra do Senhor. O profeta, fielmente, transmite a mensagem dada a ele por Deus. O povo é chamado para se arrepender de sua apatia e completar a tarefa que não foi terminada, mas continua apático e indiferente.

O cativeiro aconteceu porque o povo se afastou de Deus. Mesmo experimentando o gosto amargo da escravidão por setenta anos, isso não foi o suficiente para trazê-los de volta para o Pai. Ao retornar do cativeiro continuavam correndo atrás de seus próprios interesses e deixando Deus em segundo plano. O caso estava tão sério que o anjo do Senhor intercedeu por Judá.

            Deus nos ama a tal ponto de confessar um ciumezinho de nós. “Porque assim diz o Senhor dos Exércitos: Depois da glória ele me enviou às nações que vos despojaram; porque aquele que tocar em vós toca na menina do seu olho” (Zacarias 2:8).


            Deus desejava tratar com justiça os povos que maltrataram o Seu povo e esperava uma resposta de amor e reconhecimento da parte deste.

 

Segunda

            Zacarias fala que viria um tempo que multidões de outros povos viriam à Jerusalém. Essas palavras não sovam bem aos ouvidos do povo. Ter Jerusalém habitada por gentios era algo inconcebível para eles.

            Essa “invasão” de Jerusalém tinha um motivo específico. Jesus o Rei do Universo faria milagres e pregações nela por 33 anos. A Sua presença ali atrairia pessoas de todas as nações. A Bíblia afirma: “E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim” (João 12:32). E desde o Seu nascimento Jerusalém recebeu visitantes que vinham conhecer o Rei dos Reis. Os magos do oriente vieram adorá-Lo e depois um grupo de gregos se dirigiu à Jerusalém com o propósito de conhecer o Rei dos reis e Senhor dos senhores.

            Esse era o propósito de Deus, mas a visão sectarista dos judeus não permitiu que eles entendessem o plano divino. E foi justamente por adotar essa postura é que o povo rejeitou a Jesus. Ao rejeitarem a Cristo como o Salvador do mundo a nação judaica deixou de ser o povo escolhido de Deus.

            Fará parte do verdadeiro Israel todo aquele que em qualquer parte de mundo aceitar a Jesus como o Salvador. Não só a Jerusalém terrestre seria povoada de gentios que viriam de longe para conhecer o Salvador, mas a Jerusalém celestial será habitada por pessoas vindas de toras as nações, tribos e línguas da terra.

 

Terça

            Dois motivos levaram Satanás a acusar o Sacerdote Josué. Primeiro Josué era pecador pelo simples fato de ser humano. E em segundo, como sacerdote ele assumia os pecados de todo o Israel. No Santuário terrestre o sumo sacerdote intercedia pelo povo e aparentemente assumia os pecados de todos eles. Realmente Josué, como todos nós, estava sujo diante de Deus.

 Zacarias teve uma das visões mais confortantes de toda a Bíblia.  Josué nada podia fazer diante do acusador. Ao olhar para as suas próprias vestes tinha a noção de que as acusações eram justas e que estava realmente sujo diante de Deus. Aparentemente estava tudo perdido. Os argumentos do inimigo eram fortes.

 Então o Anjo, que é o próprio Cristo, o Salvador dos pecadores, reduz ao silêncio o acusador do Seu povo, declarando: "O Senhor te repreende, ó Satanás, sim, o Senhor, que escolheu Jerusalém, te repreende; não é este um tição tirado do fogo?"(Zacarias 3:2). Israel por muito tempo permanecera na fornalha da aflição. Por causa de seus pecados foram quase consumidos na chama acesa por Satanás e seus agentes, para sua destruição; mas Deus agora Se lançara à obra de salvá-los. Penitentes e humilhados como se acham, o compassivo Salvador não abandona Seu povo ao cruel poder dos pagãos. ...” (A Verdade Sobre os Anjos, p. 148).

            Ao Jesus Se apresentar mostrando o sinal dos cravos Satanás se emudece. “E o resplendor se fez como a luz, raios brilhantes saíam da sua mão, e ali estava o esconderijo da sua força” (Habacuque 3:4).

 

 

Quarta

            Cinco pontos  importantes são apresentados no capitulo quatro de Zacarias. Primeiro, seria impossivel a reconstrução do templo se concretizar apenas com os esforços humanos. Segundo, seria pela obra do Espirito Santo que a construção do Templo seria realizada.

            Terceiro, Zorobabel parecia muito pequeno para executar uma obra tão grande e importante. Mas ninguém deveria desprezá-lo por ser pequeno. Quando uma pessoa se coloca sob a direção do Espirito Santo tudo é possível.

            Quarto, os grandes montes (reinos) que se opunham a Zorobabel se tornariam em campina ou sem nenhuma importância.

Quinto, os sete olhos de Deus indicam a amplidão de alcance e pleno controle do Senhor sobre tudo que está sobre a terra. Jesus é o Renovo, Ele é a Pedra. Josué era sacerdote e Jesus seria o Sumo sacerdote que atuaria na terra e no Céu. Com a morte de Cristo todo o Céu vê, com alegria, a possibilidade de salvação para todo o pecador. Sobre Jesus estariam os olhares do Céu. “Porque eis aqui a pedra que pus diante de Josué; sobre esta pedra única estão sete olhos; eis que eu esculpirei a sua escultura, diz o Senhor dos Exércitos, e tirarei a iniquidade desta terra num só dia” (Zacarias 3:9). Veja a interpretação de alguns pontos do capítulo 4 apresentada pelo autor da lição na página 137.

 

Quinta

            O povo de Judá estava acostumado com um calendário e objetivos pré-determinados para jejuar. Deus visava com essa medida levar o povo a uma reflexão mais profunda das causas do cativeiro babilônico. Porém, com o tempo esse jejum se tornou uma pratica comum e simplismente ritualista.  

Após o cativeiro o povo desejou saber se continuaria jejuando ou não. A resposta de Deus foi que o jejum desprovido de exame do coração, e de retorno ao Salvador e consequente prática do amor se torna inútil.

            A resposta divina foi: “Assim falou o Senhor dos Exércitos, dizendo: Executai juízo verdadeiro, mostrai piedade e misericórdia cada um para com seu irmão. E não oprimais a viúva, nem o órfão, nem o estrangeiro, nem o pobre, nem intente cada um, em seu coração, o mal contra o seu irmão” (Zacarias 7:9-10). “O verdadeiro jejum não é um serviço meramente formal. A Escritura descreve o jejum preferido por Deus: "que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo ... Que deixes livres os quebrantados [ou oprimidos] e despedaces todo o jugo ...;" "abrires a tua alma ao faminto, e fartares a alma aflita" Isa. 58:6 e 10”” (O Desejado de Todas as Nações, p. 278).

 

Conclusão

            Na primeira parte do livro de Zacarias aprendemos coisas preciosas. Em primeiro lugar a gente viu o interesse de Deus em nos perdoar. Diante das acusações de Satanás, Jesus Se apresenta como o nosso intercessor e desmascara o inimigo.

            Em segundo lugar, aprendemos que um dia Jesus julgará todas as nações e instituirá o Seu reino eterno.  

Em terceiro lugar Ele nos garante que, com a ajuda do Espírito Santo faremos coisas impossíveis aos olhos humanos.

E, por último, Ele nos convida a uma renovação espiritual.

 

 


 

Blog: http://reavivaresperanca.blogspot.com/

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