Comentário
da Lição da Escola Sabatina de quinze a vinte e dois de fevereiro de 2014,
preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de
Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro
da Igreja Adventista do Sétimo Dia-Central de Taguatinga, DF.
Jesus procurou
envolver todas as pessoas na missão de anunciar o evangelho ao mundo. Esse
envolvimento consistia em uma entrega total a Ele. Com os ricos e famosos Jesus
não colheu os mesmos resultados alcançados entre os comuns e os excluídos
sociais.
O fazendeiro rico ensoberbeceu com a
abundância de suas colheitas. Ele não reconheceu que a fartura que tinha em
mãos era fruto das bênçãos de Deus. Ele não se dispôs, nem mesmo, a repartir um
pouco do que sobejava com os necessitados. Por sua vez, o jovem rico saiu
triste da presença de Jesus porque possuía muitas propriedades e não estava
disposto a abrir mão delas em favor dos pobres. Mesmo sabendo ser difícil “um
rico entrar nos céus”, Jesus não desistiu de incluí-los em Seu projeto
missionário. As riquezas geram um pensamento de independência e autoconfiança e
Deus passa a ser supérfulo na vida de alguns ricos.
É interessante que uma coisa seria
Jesus convidar ricos honestos para segui-Lo e outra coisa seria convidar Mateus
e Zaqueu. Eles eram homens sem escrúpulos odiados pela população e que se
enriqueceram furtando as pessoas. Esses dois homens tinham tudo para causar
mais transtornos do que benefícios no ministério de Cristo.
Jesus não condena as riquezas. O que
Ele condena são basicamente três coisas: Confiar mais no dinheiro do que em
Deus; usar as riquezas exclusivamente em benefício próprio e fazer das riquezas
o seu Deus. Quando as riquezas são direcionadas pelo Espírito Santo elas são
uma bênção para quem às possui e para os menos favorecidos.
O Novo Testamento menciona um grupo
de mulheres abastadas que financiou o ministério de Cristo. Diz a Bíblia: “E algumas mulheres que
haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada
Madalena, da qual saíram sete demônios; E Joana, mulher de Cuza, procurador de
Herodes, e Suzana, e muitas outras que o serviam com seus bens” (Lucas 8:2-3). Não temos dúvidas de que foi “Os
Ministérios da Mulher que sustentou o ministério de Cristo. As riquezas usadas
assim redundam em uma grande bênção.
Domingo
A Bíblia apresenta histórias de homens ricos que foram
dedicados a Deus. Eles possuíam riquezas mas jamais se permitiram ser possuídos
por elas. É bonito reler as histórias de Abraão, Salomão, Josafá, Nicodemos e
tantos outros. Porém, dois aspectos merecem a nossa atenção nesse momento. O
primeiro é se essas histórias não despertam em nós o desejo (dosado de inveja)
de sermos afortunados como eles foram. O segundo, é avaliar como nos
relacionamos com as pessoas ricas e famosas de nossos dias.
Não é fácil enquadrarmos na admoestação bíblica: “Tendo, porém, sustento,
e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes” (1 Timóteo 6:8).
A tendência da maioria das pessoas é de se aproximar mais
e mais de pessoas ricas e famosas. Conheci um caso curioso. Em uma de nossas
igrejas existia um senhor rico e de bastante influencia no meio político.
Existia também nessa mesma igreja um outro senhor pobre e de pouca projeção
social. Quando o rico chegava na igreja ou quando ele saia era rotina ver esse
irmão simples correr para abrir ou fechar a porta do carro.
As riquezas podem surgir na vida de uma pessoa
naturalmente sem que essa pessoa tenha desejado freneticamente que isso
acontecesse. Nesses casos é mais fácil que essas riquezas sejam administradas
para glória de Deus e o bem da humanidade. Mas quando as riquezas surgem
impulsionadas pela inveja e pela competição, facilmente elas se tornam em laço.
A Bíblia apresenta histórias de pessoas, tementes a Deus e
que, naturalmente, se tornaram ricas e que foram uma bênção para a igreja e
para a humanidade. Encontramos outras histórias de pessoas que, de maneira
desonesta, acumularam riquezas e nem por
isso foram felizes no fim da vida.
Uma pessoa ricamente abençoada pode ser aquela que
conseguiu riquezas materiais ou outra que, desprovida de bens materiais, está
feliz com o pouco que possui.
Quão bom seria se todos nós fossemos movidos pelo
Espírito de Cristo: “Agora já têm conhecido que tudo quanto me deste provém de ti” (João 17:7).
Segunda
Você já deve ter visto
pessoas no púlpito criticar Nicodemos. Alguns afirmam que ele teve vergonha de aproximar
de Cristo durante o dia. Com certeza se exporia ao ridículo. Outros acham que
ele agiu covardemente. Com certeza não é fácil uma pessoa rica e politicamente
influente como era Nicodemos se relacionar com um Jesus que não tinha onde
reclinar a cabeça. Mas não foram esses os motivos que levaram Nicodemos a
procurar Jesus nas horas escuras da noite.
Primeiro, Nicodemos foi influenciado pelo Espirito Santo
a se encontrar com Jesus. E o Espírito Santo o orientou a que horas deveria
procurar o Mestre. Nicodemos era um homem extremamente ocupado e Jesus passava
o dia atendendo as multidões. O Espírito Santo sabia o quanto ele tinha a
aprender de Jesus, e que, um encontro em meio a multidão não propiciaria tempo
para um aprendizado eficaz.
Um outro ponto interessante que vale para qualquer um de
nós. Normalmente são nos momentos escuros da vida que o Espírito Santo nos
proporciona uma melhor visão de quem é Jesus. Mais intensa que a luz da Lua e
das estrelas foi a luz do conhecimento que inundou o coração de Nicodemos
naquela noite.
Sem especular os motivos e a hora, o importante é que Nicodemos procurou
ter um encontro com Cristo. E quanta coisa aprendemos da longa conversa que
aconteceu entre os dois. Encontros casuais e rápidos com Cristo são quase
ineficazes. Tiremos tempo para estar com
o Mestre e, semelhante a Nicodemos, a
luz do conhecimento inundará o nosso ser.
Terça
Os fariseus se
consideravam íntegros e sem pecado. Para eles essa história de pecado só
acontecia fora da linhagem judaica.
Jesus veio para salvar pecadores assim, o convite de Jesus não era
direcionado a eles. Foram eles próprios que puseram na boca de Jesus a resposta
aos questionamentos que faziam.
Jesus veio para salvar a humanidade de seus pecados. Ele
veio para salvar pecadores. Quem não se julgava pecador estava automaticamente
fora do alcance do Mestre. Jesus nada podia fazer por alguém que afirmava não
ser pecador.
“E os fariseus, vendo isto, disseram
aos Seus discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores?
Jesus, porém, ouvindo, disse-lhes: Não necessitam de médico os sãos, mas, sim,
os doentes” (Mateus 9:11-12).
O relacionamento de Jesus com os coletores de impostos antes de ser odiado
pelos fariseus deveria ser incentivado.
Cada coletor de impostos que convertia ao Senhor era um a menos para surrupiar
o suado dinheiro da população. E mais, um publicano convertido devolvia todo o
dinheiro cobrado indevidamente.
É interessante que nesses encontros com os publicanos como Levi e Zaqueu
aconteciam requintados banquetes para os quais outros publicanos eram
convidados. Bem, dinheiro para isso não faltava. Ricos e infames os publicanos
eram odiados pela população judaica. Agora
ter um judeu que lhes devotasse atenção era algo inusitado.
Quarta
Em Lucas 6:24-26 Jesus enumera quatro ais que
rondam as pessoas. O primeiro deles pesa sobre os ricos. “Mas ai de vós, ricos! porque já
tendes a vossa consolação”
(Lucas 6:24). É claro que nesse verso Jesus não está Se referido a todos os ricos. Ele está falando daqueles que tem nas riquezas a sua realização pessoal.
(Lucas 6:24). É claro que nesse verso Jesus não está Se referido a todos os ricos. Ele está falando daqueles que tem nas riquezas a sua realização pessoal.
As riquezas sempre foram um grande obstáculo na vida de muitas pessoas.
Conheci um médico que perdia boas horas de sono quando ele descobria que
poderia ter ganho alguns centavos a mais em algum negócio realizado. Na minha
cidade natal existia um próspero fazendeiro. Muitos faziam comentários a
respeito da sua alimentação que consistia de restos de feira e do que de mais barato existia na época.
Dizem as más línguas que esse homem passava a semana inteira prometendo para os
seus filhos que, caso eles fossem obedientes, no sábado ele os levaria em uma
sorveteria para ver os filhos dos pais ricos tomarem sorvete.
Jesus sempre deu atenção especial para os menos favorecidos e mostrou o
perigo das riquezas. Papai tinha um amigo que se gabava das vantagens que
obtinha ao comprar alguma coisa. Dizia que chorava e chorava até conseguir
algum desconto. Papai, que vivia cansado de ouvir as suas histórias, certa vez,
respondeu com ironia: “quando vou comprar alguma coisa eu dou uma nota grande e
caso tenha troco o comerciante me avisa”.
Jesus sempre advertiu sobre as dificuldades em conciliar riquezas com uma
vida dedicada a Deus. Esse era um discurso que os fariseus não gostavam de
ouvir. “E os fariseus, que eram avarentos, ouviam todas estas coisas, e
zombavam dele” (Lucas 16:14). Com certeza os ricos
tem mais dificuldade em romper com os encantamentos que o dinheiro pode
oferecer, mas nem por isso Jesus deixou de convidá-los para segui-Lo.
Quinta
O jovem rico imaginava reunir as condições para se tornar um eficiente
discípulo de Jesus. Era um ardoroso observador da lei e estava bastante
interessado em conhecer mais e mais. Tudo indicava que ele seria uma grande
força financeira capaz de alavancar o ministério de Cristo.
Provavelmente se o jovem rico vivesse em nossos dias não faltariam
“pastores” de determinadas denominações para aconselhá-lo a vender tudo e
entregar o dinheiro, não para os pobres mas, para a igreja. Talvez, surgisse
até disputas entre elas para receber o seu patrimônio.
Ao Jesus orientar o jovem a vender tudo, o Mestre não reservou nenhum
trocado para Si e Ele tinha motivos para faze-lo. Afinal, exetuando algumas
mulheres que contribuíam com suas finanças, não
temos relato de Jesus receber outras doações financeiras. Parece que o
Salvador não pediu para que elas doassem. Tudo era fruto de corações
agradecidos.
É conhecida a história de um senhor que ao se converter tinha uma boa
situação financeira. Ele solicitou permissão para ser batizado com a carteira
no bolso. Era uma demonstração pública de que ele estava entregando a sua vida
e as suas posses ao Salvador.
Conclusão
O convite ao discipulado
é endereçado a todas as pessoas. Letrados e analfabetos, ricos e pobres,
famosos e ignotos, brancos e negros. Cada ser humano tem um lugar e uma
responsabilidade a desempenhar na tarefa de fazer discípulos. Disse o Mestre: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações,
batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a
guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco
todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém” (Mateus 28:19 e 20).
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