Introdução
Disponho de um bom
material de cunho escatológico que, a pedido, tenho apresentado em algumas
igrejas. É maravilhoso ver as profecias se cumprindo a olhos vistos.
O seu cumprimento nos mostra que realmente “Vem o fim, o fim vem sobre os quatro cantos da terra” (Ezequiel
7:2).
A
Bíblia apresenta esse dia como terrível. “Aquele dia será um dia de indignação,
dia de tribulação e de angústia, dia de alvoroço e de assolação, dia de trevas
e de escuridão, dia de nuvens e de densas trevas” (Sofonias
1:15). Sofonias afirma ser esse um grande dia. “O grande dia do Senhor está perto, sim, está
perto, e se apressa muito; amarga é a voz do dia do Senhor; clamará ali o
poderoso” (Sofonias 1:14).
Nunca foi tão fácil crer na volta de Jesus como hoje. Não crer na volta de
Cristo e não crer na Bíblia. O cumprimento das profecias a respeito da volta de
Jesus se multiplica ao nosso redor com uma clareza tal que fico imaginando como
Deus tem sido misericordioso para conosco. A cada dia vemos com mais clareza
que “Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu
segredo aos seus servos, os profetas” (Amós
3:7). E a respeito à volta de Jesus como Ele nos
tem revelado!
A
Bíblia apresenta duas características do dia da volta de Jesus. Primeiro ela o
define como um grande dia revestido de angustia, escuridão e de juízo. Em
segundo lugar a Bíblia nos apresenta esse dia como algo alegre, risonho e
poético. O que faz a suas características desse dia não é o dia em si, mas sim
a postura da humanidade nesse dia. Enquanto um grupo de pessoas clama: “Porque
é vindo o grande dia da sua ira; e quem poderá subsistir?” (Apocalipse
6:17) outro grupo
eufórico se rejubila exclamando: “...Eis que este
é o nosso Deus, a quem aguardávamos, e ele nos salvará; este é o Senhor, a quem
aguardávamos; na sua salvação gozaremos e nos alegraremos” (Isaías
25:9).
Jesus
voltará a essa Terra com uma missão claramente definida pela Bíblia: “E todas
as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor
aparta dos bodes as ovelhas” (Mateus 25:32). É
essa separação que causa tanto pavor em um dos grupos e tanta alegria no outro.
Cada grupo será colhido e atado em feixes e terá um destino definido: “Deixai
crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros:
Colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; mas, o trigo,
ajuntai-o no meu celeiro” (Mateus 13:30). Cabe
a cada um de nós a escolha de sermos joio ou trigo.
É
curioso que o título da lição diz: “Preparando-se para a colheita.” Parece que
seria mais prudente mudar o título para: “Preparando-se para ser colhido.” Esse
preparo deve ser a nossa máxima preocupação. Paulo nos exorta: “...operai
a vossa salvação com temor e tremor” (Filipenses
2:12).
Domingo
Como
estudamos na introdução os sinais da volta de Jesus acontecem de maneira clara
e inequívoca. Mesmo com tanta clareza e nitidez a dúvida pode assaltar o nosso
coração. Um dos fatores que a motiva é a aparente demora para que tudo
aconteça. A advertência de Tiago é clara: “Sede pacientes” e para ajudar a
nossa compreensão ele usa como ilustração o trabalho do agricultor. Trabalhei
muitos anos na lavoura e tenho uma noção do que Tiago está dizendo. Dependendo
do que cultivamos a colheita pode se dar em meses ou em anos de espera. Ela
representa o momento máximo para o agricultor. A colheita significa fartura de
alimento e também de dinheiro. Foi muito tempo preparando o terreno, semeando,
carpindo, regando e protegendo das pragas. Foi muito suor derramado visando
apenas um momento no futuro: a colheita. Não tem como o agricultor adiantar o
relógio. É uma questão de paciência.
O
interessante na ilustração de Tiago é que para que haja colheita é necessária a
chuva no momento certo. A chuva é que vai fazer surgir o grão e fazê-lo
amadurecer. Sabemos que nesse aspecto a chuva significa a descida do Espírito
Santo sobre nós. Ele promoverá duas coisas em nossa vida: reavivamento e
reforma. Diz Ellen G. White:
“Necessitam-se agora homens de esclarecida compreensão.
Deus convida os que estão dispostos a ser regidos pelo Espirito Santo a
liderarem uma obra de completa reforma” (A Igreja Remanescente, p. 71).
Mais do
que orar pelo Espirito Santo temos que estar dispostos a ser usados por Ele.
Sem o Espirito Santo o reavivamento não acontecerá e uma completa reforma será
uma utopia. Temos que esperar a chuva serôdia como alguém que realmente anseia
por ela. Durante os anos em que trabalhei na lavoura passávamos o período sem
chuva na nossa região preparando para a semeadura que deveria ocorrer quando
chovesse. Ramas de mandioca eram estocadas em um local fresco, as sementes eram
selecionadas, o terreno preparado e adubado. Quando caia a chuva a pequena
cidade fervilhava. Todos, eufóricos com ferramenta nas mãos partiam para os
campos. Havia música e muita determinação para semear. Esperar pela chuva
serôdia significa estamos empenhados em se preparar para recebê-la.
Segunda
Por mais que a volta de Jesus esteja
demorando para alguns, a qualquer momento que ela acontecer será sempre cedo
demais para muitos. O autor da Lição inicia o estudo de hoje com a pergunta:
“Está realmente próxima?” Qual é o seu ponto de vista?
Quando
minha família aceitou a mensagem da breve volta de Jesus eu tinha cinco anos de
idade. Essa mensagem causou um forte impacto em minha vida e tudo o que
acontecia ao nosso redor era analisado à luz das Escrituras para ver se tinha
alguma relação com a volta de Jesus. Lembro que na década de sessenta, pela
primeira e única vez na história, se elegeu um católico para presidente dos
Estados Unidos. Na mesma época surge o papa João XXIII que conclama o Segundo
Concílio Vaticano II que, por insistência dos evangélicos passou a se chamar
Concílio Ecumênico Vaticano II. Simultaneamente a esses dois acontecimentos
surge no Brasil um eloquente pregador, Alziro Zarur, que funda uma instituição
espirita voltada para o ecumenismo, a Legião da Boa vontade. Ele falou tanto
sobre o ecumenismo que foi condecorado pelo Vaticano. Do meu ponto de vista
estava formado o tripé para cumprir Apocalipse 16:13: “E da boca do dragão, e
da boca da besta, e da boca do falso profeta vi sair três espíritos imundos,
semelhantes a rãs.” Quando estava tudo encaminhado para a tríplice união acontecer
o papa João XXIII morreu, o presidente americano foi morto em um atentado e
Alziro Zarur também se foi. Os sucessores destes homens vieram com ideias mais
moderadas a respeito da tríplice união e o que estava nitidamente a caminho não
aconteceu.
Naquela
época foi difícil aceitar as palavras de Tiago 5:8: “Sede vós também pacientes,
fortalecei os vossos corações; porque já a vinda do Senhor está próxima” (Tiago
5:8).
No
estudo de terça-feira somos exortados a exercitar o espírito de união. De
princípio achei que esse verso nada tem a ver com o título da lição. Mas de uma
coisa não podemos esquecer: Jesus só voltará após três acontecimentos
sequenciais que tem a ver com a vida espiritual de cada um de nós. Primeiro é a
descida do Espirito Santo que, por sua vez, nos conduzirá ao reavivamento que
provocará a reforma de que tanto necessitamos. É hora de perguntarmos: Como o
Espirito Santo descerá sobre um povo que amargam críticas entre si ou mesmo
contra a igreja?
“É chegado
o tempo para se realizar uma reforma completa. Quando esta reforma começar, o
espírito de oração atuará em cada crente e banirá da igreja o espírito de
discórdia e luta. Os que não têm estado a viver em comunhão cristã,
chegar-se-ão uns aos outros em contato íntimo. Um membro que trabalhe da
maneira devida levará outros membros a unir-se-lhes em súplica pela revelação
do Espírito Santo. Não haverá confusão, pois todos estarão em harmonia com o
Espírito” (E Recebereis poder – Meditação, p. 287).
Quarta
O tema
central da lição desta semana é a paciência. O autor foi muito feliz ao
escrever a nota da lição de quarta-feira. Ele abriu o leque de pessoas bíblicas
que manifestaram paciência em situações desesperadoras. Vale a pena conferir.
Por fim ele apresenta a galeria dos
heróis da fé relatada em Hebreus onze. Ela é fantástica, mas sabemos que graças
a Deus ela não está completa. Caso ela fosse escrita hoje com certeza teria
nomes de pessoas como João Huss, João
Calvino, os Valdences e tantos outros. “As
pessoas podem morrer pelo que acreditam, mas não por uma mentira” (O Livro dos Mártires
- Esse livro
escrito por John Foxe, é um dos mais famosos livros da literatura protestante, e apenas entre 1563 e 1684 teve nove edições).
Sempre
que falamos dos mártires lembramo-nos do principal método de execução, a
fogueira. Mas veja o relato de um documentário sobre a Inquisição católica: “Usava-se, dentre
outros, os seguintes processos de tortura: a manjedoura, para deslocar as
juntas do corpo; arrancar unhas; ferro em brasa sob várias partes do corpo;
rolar o corpo sobre lâminas afiadas; uso das “Botas Espanholas” para esmagar as
pernas e os pés; a Virgem de Ferro: um pequeno compartimento em forma humana,
aparelhado com facas, que, ao ser fechado, dilacerava o corpo da vítima; suspensão
violenta do corpo, amarrado pelos pés, provocando deslocamento das juntas;
chumbo derretido no ouvido e na boca; arrancar os olhos; açoites com crueldade;
forçar os hereges a pular de abismos, para cima de paus pontiagudos; engolir
pedaços do próprio corpo, excrementos e urina; a “roda do despedaçamento
funcionou na Inglaterra, Holanda e Alemanha, e destinava-se a triturar os
corpos dos hereges; o “balcão de estiramento” era usado para desmembrar o corpo
das vítimas; o “esmaga cabeça” era a máquina usada para esmagar lentamente a
cabeça do condenado, e outras formas de tortura.”
Ao visitar o Coliseu romano fiquei
imaginando quantos heróis anônimos deram a sua vida ali. Nos sinuosos e escuros
corredores das catacumbas de Roma pude ver os ossos de milhares de heróis da fé
que ali se esconderam, mas foram alcançados e executados. Todos exerceram
paciência diante da provação máxima.
Quinta
O juramento é
uma prática oficial em vários campos da atividade humana. O juramento faz parte
do cerimonial de posse de prefeitos, governadores e do presidente da republica.
Antes de receber o meu certificado de reservista tive que fazer o juramento de
lealdade à Pátria. Para todos os formando o juramento é uma parte
integrante da festa de formatura. O juramento mais conhecido é o de Hipócrates,
o pai da medicina e que é obrigatório a todos os médicos. E o que dizer do
juramento entre marido e mulher que na maioria dos casos se dilui no decorrer
dos anos? Caso os juramentos feitos em todas as áreas fossem rigorosamente
cumpridos com certeza o mundo seria bem diferente. Quantas falcatruas, quantas
omissões e quantos abusos são praticados sob a sua sombra! Muitos que prestam
juramento parecem dizer: “Juro que estou jurando falso.” E, pelo que parece
desde que o mundo é mundo o juramento é considerado apenas uma rotina para
muitos. E não era diferente nos dias de Tiago.
Em casos banais o juramento é usado
por pessoas de índole duvidosa. Como as suas palavras não merecem confiança
procuram endossa-las com um juramento invocando, às vezes, o próprio nome de
Deus. É esse comportamento vulgar que Tiago ataca com veemência. Para ele os
cristãos deveriam ter uma linguagem que inspirasse confiança, “sim, sim e não,
não”. Essa deveria ser a postura de todo aquele que espera com paciência a
volta de Jesus.
Conclusão
Relacionando a
volta de Jesus e a paciência para aguardar esse acontecimento dentro do
cronograma de Deus vem ao meu pensamento o exemplo de Jó ao dizer: “Ainda que Ele me mate, Nele esperarei.” E “...depois de consumida a minha
pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus” (Jó 19:26).
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