segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Preparando-se para a colheita

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Introdução
            Disponho de um bom material de cunho escatológico que, a pedido, tenho apresentado em algumas igrejas. É maravilhoso ver as profecias se cumprindo a olhos vistos. O seu cumprimento nos mostra que realmente “Vem o fim, o fim vem sobre os quatro cantos da terra” (
Ezequiel 7:2).

            A Bíblia apresenta esse dia como terrível. “Aquele dia será um dia de indignação, dia de tribulação e de angústia, dia de alvoroço e de assolação, dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e de densas trevas” (Sofonias 1:15). Sofonias afirma ser esse um grande dia.  “O grande dia do Senhor está perto, sim, está perto, e se apressa muito; amarga é a voz do dia do Senhor; clamará ali o poderoso” (Sofonias 1:14). Nunca foi tão fácil crer na volta de Jesus como hoje. Não crer na volta de Cristo e não crer na Bíblia. O cumprimento das profecias a respeito da volta de Jesus se multiplica ao nosso redor com uma clareza tal que fico imaginando como Deus tem sido misericordioso para conosco. A cada dia vemos com mais clareza que “Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Amós 3:7). E a respeito à volta de Jesus como Ele nos tem revelado!

            A Bíblia apresenta duas características do dia da volta de Jesus. Primeiro ela o define como um grande dia revestido de angustia, escuridão e de juízo. Em segundo lugar a Bíblia nos apresenta esse dia como algo alegre, risonho e poético. O que faz a suas características desse dia não é o dia em si, mas sim a postura da humanidade nesse dia. Enquanto um grupo de pessoas clama: “Porque é vindo o grande dia da sua ira; e quem poderá subsistir?” (Apocalipse 6:17) outro grupo eufórico se rejubila exclamando: “...Eis que este é o nosso Deus, a quem aguardávamos, e ele nos salvará; este é o Senhor, a quem aguardávamos; na sua salvação gozaremos e nos alegraremos” (Isaías 25:9).

            Jesus voltará a essa Terra com uma missão claramente definida pela Bíblia: “E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas” (Mateus 25:32). É essa separação que causa tanto pavor em um dos grupos e tanta alegria no outro. Cada grupo será colhido e atado em feixes e terá um destino definido: “Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; mas, o trigo, ajuntai-o no meu celeiro” (Mateus 13:30). Cabe a cada um de nós a escolha de sermos joio ou trigo.

            É curioso que o título da lição diz: “Preparando-se para a colheita.” Parece que seria mais prudente mudar o título para: “Preparando-se para ser colhido.” Esse preparo deve ser a nossa máxima preocupação. Paulo nos exorta: “...operai a vossa salvação com temor e tremor” (Filipenses 2:12).

 

Domingo

            Como estudamos na introdução os sinais da volta de Jesus acontecem de maneira clara e inequívoca. Mesmo com tanta clareza e nitidez a dúvida pode assaltar o nosso coração. Um dos fatores que a motiva é a aparente demora para que tudo aconteça. A advertência de Tiago é clara: “Sede pacientes” e para ajudar a nossa compreensão ele usa como ilustração o trabalho do agricultor. Trabalhei muitos anos na lavoura e tenho uma noção do que Tiago está dizendo. Dependendo do que cultivamos a colheita pode se dar em meses ou em anos de espera. Ela representa o momento máximo para o agricultor. A colheita significa fartura de alimento e também de dinheiro. Foi muito tempo preparando o terreno, semeando, carpindo, regando e protegendo das pragas. Foi muito suor derramado visando apenas um momento no futuro: a colheita. Não tem como o agricultor adiantar o relógio. É uma questão de paciência.

            O interessante na ilustração de Tiago é que para que haja colheita é necessária a chuva no momento certo. A chuva é que vai fazer surgir o grão e fazê-lo amadurecer. Sabemos que nesse aspecto a chuva significa a descida do Espírito Santo sobre nós. Ele promoverá duas coisas em nossa vida: reavivamento e reforma. Diz Ellen G. White:

“Necessitam-se agora homens de esclarecida compreensão. Deus convida os que estão dispostos a ser regidos pelo Espirito Santo a liderarem uma obra de completa reforma” (A Igreja Remanescente, p. 71).

            Mais do que orar pelo Espirito Santo temos que estar dispostos a ser usados por Ele. Sem o Espirito Santo o reavivamento não acontecerá e uma completa reforma será uma utopia. Temos que esperar a chuva serôdia como alguém que realmente anseia por ela. Durante os anos em que trabalhei na lavoura passávamos o período sem chuva na nossa região preparando para a semeadura que deveria ocorrer quando chovesse. Ramas de mandioca eram estocadas em um local fresco, as sementes eram selecionadas, o terreno preparado e adubado. Quando caia a chuva a pequena cidade fervilhava. Todos, eufóricos com ferramenta nas mãos partiam para os campos. Havia música e muita determinação para semear. Esperar pela chuva serôdia significa estamos empenhados em se preparar para recebê-la.

 

Segunda

            Por mais que a volta de Jesus esteja demorando para alguns, a qualquer momento que ela acontecer será sempre cedo demais para muitos. O autor da Lição inicia o estudo de hoje com a pergunta: “Está realmente próxima?” Qual é o seu ponto de vista?

            Quando minha família aceitou a mensagem da breve volta de Jesus eu tinha cinco anos de idade. Essa mensagem causou um forte impacto em minha vida e tudo o que acontecia ao nosso redor era analisado à luz das Escrituras para ver se tinha alguma relação com a volta de Jesus. Lembro que na década de sessenta, pela primeira e única vez na história, se elegeu um católico para presidente dos Estados Unidos. Na mesma época surge o papa João XXIII que conclama o Segundo Concílio Vaticano II que, por insistência dos evangélicos passou a se chamar Concílio Ecumênico Vaticano II. Simultaneamente a esses dois acontecimentos surge no Brasil um eloquente pregador, Alziro Zarur, que funda uma instituição espirita voltada para o ecumenismo, a Legião da Boa vontade. Ele falou tanto sobre o ecumenismo que foi condecorado pelo Vaticano. Do meu ponto de vista estava formado o tripé para cumprir Apocalipse 16:13: “E da boca do dragão, e da boca da besta, e da boca do falso profeta vi sair três espíritos imundos, semelhantes a rãs.” Quando estava tudo encaminhado para a tríplice união acontecer o papa João XXIII morreu, o presidente americano foi morto em um atentado e Alziro Zarur também se foi. Os sucessores destes homens vieram com ideias mais moderadas a respeito da tríplice união e o que estava nitidamente a caminho não aconteceu.

            Naquela época foi difícil aceitar as palavras de Tiago 5:8: “Sede vós também pacientes, fortalecei os vossos corações; porque já a vinda do Senhor está próxima” (Tiago 5:8).

 

 Terça

            No estudo de terça-feira somos exortados a exercitar o espírito de união. De princípio achei que esse verso nada tem a ver com o título da lição. Mas de uma coisa não podemos esquecer: Jesus só voltará após três acontecimentos sequenciais que tem a ver com a vida espiritual de cada um de nós. Primeiro é a descida do Espirito Santo que, por sua vez, nos conduzirá ao reavivamento que provocará a reforma de que tanto necessitamos. É hora de perguntarmos: Como o Espirito Santo descerá sobre um povo que amargam críticas entre si ou mesmo contra a igreja?

            É chegado o tempo para se realizar uma reforma completa. Quando esta reforma começar, o espírito de oração atuará em cada crente e banirá da igreja o espírito de discórdia e luta. Os que não têm estado a viver em comunhão cristã, chegar-se-ão uns aos outros em contato íntimo. Um membro que trabalhe da maneira devida levará outros membros a unir-se-lhes em súplica pela revelação do Espírito Santo. Não haverá confusão, pois todos estarão em harmonia com o Espírito” (E Recebereis poder – Meditação, p. 287).

 

Quarta

            O tema central da lição desta semana é a paciência. O autor foi muito feliz ao escrever a nota da lição de quarta-feira. Ele abriu o leque de pessoas bíblicas que manifestaram paciência em situações desesperadoras. Vale a pena conferir.

            Por fim ele apresenta a galeria dos heróis da fé relatada em Hebreus onze. Ela é fantástica, mas sabemos que graças a Deus ela não está completa. Caso ela fosse escrita hoje com certeza teria nomes de pessoas como João Huss, João Calvino, os Valdences e tantos outros. “As pessoas podem morrer pelo que acreditam, mas não por uma mentira” (O Livro dos Mártires - Esse livro escrito por John Foxe, é um dos mais famosos livros da literatura protestante, e apenas entre 1563 e 1684 teve nove edições).[

            Sempre que falamos dos mártires lembramo-nos do principal método de execução, a fogueira. Mas veja o relato de um documentário sobre a Inquisição católica: “Usava-se, dentre outros, os seguintes processos de tortura: a manjedoura, para deslocar as juntas do corpo; arrancar unhas; ferro em brasa sob várias partes do corpo; rolar o corpo sobre lâminas afiadas; uso das “Botas Espanholas” para esmagar as pernas e os pés; a Virgem de Ferro: um pequeno compartimento em forma humana, aparelhado com facas, que, ao ser fechado, dilacerava o corpo da vítima; suspensão violenta do corpo, amarrado pelos pés, provocando deslocamento das juntas; chumbo derretido no ouvido e na boca; arrancar os olhos; açoites com crueldade; forçar os hereges a pular de abismos, para cima de paus pontiagudos; engolir pedaços do próprio corpo, excrementos e urina; a “roda do despedaçamento funcionou na Inglaterra, Holanda e Alemanha, e destinava-se a triturar os corpos dos hereges; o “balcão de estiramento” era usado para desmembrar o corpo das vítimas; o “esmaga cabeça” era a máquina usada para esmagar lentamente a cabeça do condenado, e outras formas de tortura.”

            Ao visitar o Coliseu romano fiquei imaginando quantos heróis anônimos deram a sua vida ali. Nos sinuosos e escuros corredores das catacumbas de Roma pude ver os ossos de milhares de heróis da fé que ali se esconderam, mas foram alcançados e executados. Todos exerceram paciência diante da provação máxima.

 

Quinta

            O juramento é uma prática oficial em vários campos da atividade humana. O juramento faz parte do cerimonial de posse de prefeitos, governadores e do presidente da republica. Antes de receber o meu certificado de reservista tive que fazer o juramento de lealdade à Pátria.   Para todos os formando o juramento é uma parte integrante da festa de formatura. O juramento mais conhecido é o de Hipócrates, o pai da medicina e que é obrigatório a todos os médicos. E o que dizer do juramento entre marido e mulher que na maioria dos casos se dilui no decorrer dos anos? Caso os juramentos feitos em todas as áreas fossem rigorosamente cumpridos com certeza o mundo seria bem diferente. Quantas falcatruas, quantas omissões e quantos abusos são praticados sob a sua sombra! Muitos que prestam juramento parecem dizer: “Juro que estou jurando falso.” E, pelo que parece desde que o mundo é mundo o juramento é considerado apenas uma rotina para muitos. E não era diferente nos dias de Tiago.

            Em casos banais o juramento é usado por pessoas de índole duvidosa. Como as suas palavras não merecem confiança procuram endossa-las com um juramento invocando, às vezes, o próprio nome de Deus. É esse comportamento vulgar que Tiago ataca com veemência. Para ele os cristãos deveriam ter uma linguagem que inspirasse confiança, “sim, sim e não, não”. Essa deveria ser a postura de todo aquele que espera com paciência a volta de Jesus.

 

Conclusão

            Relacionando a volta de Jesus e a paciência para aguardar esse acontecimento dentro do cronograma de Deus vem ao meu pensamento o exemplo de Jó ao dizer: “Ainda que Ele me mate, Nele esperarei.” E “...depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus” (Jó 19:26).

 

 

 

 

 

           

           

              

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