Comentário da Lição da Escola Sabatina de 24 1 31 de dezembro de 2011.
Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, autor da meditação Reavivar a Esperança.
É membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia Central de Taguatinga, DF.
Introdução
O autor finaliza a lição do trimestre mostrando o verdadeiro propósito que deve permear a vida de cada cristão: Anunciar a glória da cruz. É difícil admitir que uma pessoa que não seja movida por essa paixão seja realmente convertida.
Por outro lado cheira mal quando alguém prega ou fala do evangelho colocando o Eu em evidencia. Paulo afirma que isso pode acontecer. Mas para evitar qualquer pensamento errado a respeito de sua pregação ele afirmou: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gálatas 6:14).
É necessário vigilância para que Satanás não faça brotar em nosso coração a vanglória. Padre Antonio cuidava de sua igreja e era um exímio professor de Português. Mas de vez em quando desaparecia da sala de aulas durante um mês ou mais. Quando reaparecia, normalmente apresentava algumas escoriações. Ele era alcoólatra.
Certa vez, o encontrei cheirando a álcool próximo do colégio onde ele lecionava. Sem que eu o perguntasse foi desabafando: “Eu tenho vergonha de estar assim diante de uma pessoa cristã e que estuda a Bíblia”. E continuou: “Eu sempre fui o escolhido para realizar casamentos e festas de aniversário e sempre me ufanei de falar bem. Eu imaginava que sendo um padre jamais me tornaria em um alcoólatra. Um gole hoje e outro amanhã cheguei a esse ponto.” E por fim concluiu: “Eu me vangloriei de muitas glórias.” Ao dizer isso, desapareceu em meio à escuridão me deixando com um nó na garganta. Ele faleceu prematuramente. (Meditação Reavivar a Esperança p 174).
O que aconteceu com padre Antonio pode acontecer com qualquer um de nós. Ninguém esta vacinado contra o “Eu”. Satanás está atento e faz tudo para nos destruir. Que o nosso permanente propósito seja exaltar a cruz de Cristo e que Deus nos mantenha longe da vanglória!
Domingo
Paulo procurou apresentar a sua mensagem repreensiva com firmeza. O momento não era para afagos e tapinhas nas costas. Ele foi enfático em toda a sua carta e manteve essa postura do princípio ao fim.
Além das suposições apresentadas na lição sobre a expressão “Vede com que grandes letras vos escrevi por minha mão” (Gálatas 6:11), podemos imaginar outras como: Talvez fosse uma força de expressão no sentido de colocar ênfase no assunto exposto. Quem sabe quisesse dizer que os gálatas não estavam enxergando bem a clareza da mensagem da salvação pela graça.
Quando me deparo com pessoas que nos criticam por causa da observância do sábado fico imaginado: o sábado é mostrado com tanta clareza no Livro Sagrado e aos seus observadores é feita as promessas mais lindas da Bíblia que mesmo que não fosse mandamento seria gostoso observá-lo. A maneira clara como ele sempre aparece nas páginas da Bíblia é como se fosse escrito com grandes letras.
Paulo enfatiza que a carta aos gálatas foi escrita de seu próprio punho. Era uma mensagem bem pessoal e para transmiti-la Paulo dispensou a ajuda de terceiros.
Segunda
Paulo faz uma séria advertência. Para ele os gálatas praticavam a circuncisão por dois motivos especiais: Para não serem perseguidos e para darem uma aparência de serem observadores da lei. Mas a real observância da lei era mais uma questão de retórica.
O mesmo pode acontecer conosco hoje. Sempre queremos estar bem na fita diante da sociedade e, se somos criticados ou mesmo perseguidos por causa da doutrina, a nossa tendência é minimizar os nossos princípios. Sabemos que em breve doutrinas como o sábado serão um divisor de águas que determinarão o nosso destino eterno.
Um cristianismo de fachada é a melhor maneira de sermos excluídos do Céu. Por outro lado o fanatismo pode levar as pessoas a agirem como Paulo antes da conversão. Ele temia que isso viesse acontecer entre os gálatas. Essa era uma experiência que ele conhecia bem.
Terça
Enquanto viver uma religião com a intenção de satisfazer os propósitos da carne, o verdadeiro sentido da conversão significa escravizar a carne e sujeitá-la aos princípios divinos. Jesus se humilhou até a morte de cruz e o fez para que um dia pudéssemos ser exaltados. Essa não é uma exaltação própria. Cristo é que nos exaltará diante do Pai.
Gloriar na cruz de Cristo é desvencilhar de todo o eu e exaltar o nome de Cristo em qualquer situação. Nos dias de Paulo a cruz era símbolo do pior que poderia existir. Era a morte mais humilhante aplicada a um condenado. Defender a cruz significava estar ao lado dos piores criminosos ou até se compactuar com eles.
Paulo foi enfático na sua declaração de amor a Cristo e sabia muito bem o que isso significava. “Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos” (1 Coríntios 1:23). Exaltar a cruz além de escandaloso era uma loucura. Mas o apostolo não esperou que ninguém o identificasse como tal e se adiantou: “Nós somos loucos por amor de Cristo” (1 Corintios 4:10).
Paulo provou isso para o mundo. O governante Festo ao ver o entusiasmo do apostolo ao falar da cruz de Cristo bradou: “Estás louco, Paulo; as muitas letras te fazem delirar” (Atos 26:24). Que feliz delirio! Quem dera fossemos contagiados por ele!
Quarta
Paulo volta a insistir no ponto abordado não só na epistola aos gálatas mas em todos os seus escritos: A necessidade de cada pessoa se tornar uma nova criatura. Essa transformação envolve renuncia do próprio eu. Envolve cruxificar os desejos carnais e exaltar apenas a Jesus.
Ser uma nova criatura é estar disposto a ser considerado louco e escandaloso. Lembro que quando eu era criança, às vezes em nossas brincadeiras um chamava o outro de louco. Mamãe nos repreendia com veemencia. Dizia que nem por brincadeira deveriamos chamar qualquer pessoa de louco.
É curioso pensar que uma nova criatura seja uma pessoa renovada em tudo, inclusiva na saúde. Como pode ser uma nova criatura e ser louca? Não parece uma loucura? Para o mundo sim. “Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor; e nós mesmos somos vossos servos por amor de Jesus” (2 Coríntios 4:5).
Quinta
A minha esposa, quando criança, observava como os fazendeiros maracavam o gado. A “marca” era feita de ferro e tinha as iniciais do nome do fazendeiro. Depois de aquecida no fogo era aplicada no animal e a cicatriz o acompanhava pelo resto da vida.
Certa vez, apos os peões terminarem o serviço, furtivamente ela pegou o ferro incandescente e marcou um de seus irmãos. Aos cinquenta anos de idade ele ainda traz a marca em sua coxa esquerda. Marcas assim Paulo tinha aos montes. Eram sequelas de seu encontro com Cristo na estrada de Damasco, cicatrizes dos espancamentos sofridos e escoreações causadas por algemas apertadas. Paulo já estava saturado com o disparate dos gálatas. Além de mudarem de casaca eles não o poupavam. Ele era objeto de criticas contundentes. O limite de tolerancia do apostolo estava por um triz. A reserva de paciencia chegava no limite. O texto dá a entender que Paulo já não estava tão preocupado com a mensagem destorcida que eles pregavam, o apóstolo queria apenas um poco de sossego. O seu desabafo diz tudo: “Desde agora ninguém me inquiete; porque trago no meu corpo as marcas do Senhor Jesus” (Gálatas 6:17).
Mas a principal marca foi aquela que Jesus imprimiu em seu coração. Uma vida transformada. Uma mudança de vida jamais imaginada para alguém como o antigo Saulo. Essa poderosa marca o levou a confessar: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gálatas 2:20). Quem dera pudéssimos dizer a mesma coisa!
Conclusão
Certa vez em conversava com um irmão e dizia de minha satisfação em comentar as lições da escola sabatina. Com um tom meio ironico ele respondeu: “eu não leio nenhum comentarista. Eles falam a mesma coisa e não me acrescentam nada. Aliás” completou: “a lição deste trimestre sobre o livro de Gálatas eu estudaria ela em meia hora. É um desperdicio de tempo ficar com um mesmo assunto tres meses”.
Hoje estamos finalizando o estudo sobre Gálatas. Para mim foi uma bênção, pena que não aprendi tudo o que deveria. Jeremias afirma que as Palavras de Deus são novas a cada manhã e Ellem G White completa: Tanto na divina revelação como na Natureza, Ele deixou mistérios a fim de reclamar a nossa fé. Assim deve ser. Devemos estar sempre indagando, sempre pesquisando, sempre aprendendo, e resta todavia um infinito para o além” (A Ciência do Bom Viver p 431). E, como eu sonho estar naquele lugar onde “toda faculdade se desenvolverá, e toda capacidade aumentará. Os maiores empreendimentos serão levados avante, as mais altas aspirações realizadas, as maiores ambições satisfeitas. E, todavia, surgirão novas culminâncias a galgar, novas maravilhas a admirar, novas verdades a compreender, novos assuntos a apelarem para as forças do corpo, espírito e alma” (Educação, pág. 307).
Por mais que avancemos no conhecimento da sabedoria e do poder de Deus, há sempre um infinito para além. Review and Herald, 14 de setembro de 1886.
Nenhum comentário:
Postar um comentário