quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O evangelho e a igreja

Gostou deste artigo? Então clique no botão ao lado para curti-lo! Aproveite para nos adicionar no Facebook e assinar nosso Feed.
Comentário da Lição da escola Sabatina de 17 a 24 de dezembro de 2011.
Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, autor da meditação Reavivar a Esperança.
É membro da Igreja Adventista Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            Quando eu fiz o primário tive dois colegas que se desentenderam. Izamor era um adolescente calado e de físico bem desenvolvido. Ele ficou magoado com Felizbino, um garoto bastante peralta. Desde então, Izamor aguardava o momento certo para acertar as contas.
            Com o tempo, Felizbino voltou a viver mais tranquilo. Imaginava que Izamor houvesse esquecido o problema. Mas depois de alguns meses a vida dos dois se transformou em um jogo de esconde esconde. Izamor sempre a espreita e Felizbino sempre fugindo. Certo dia, Felizbino entrou por um corredor externo, de uns cem metros de comprimento, que existia em nossa escola. Izamor rapidamente deu a volta e entrou pelo outro lado. O encontro foi inevitável. Depois de uma boa escaramuça Izamor soltou Felizbino e exclamou: “Agora vou viver em paz.”
            Conheço membros de igreja de proceder semelhante. Ficam chateados com alguém da igreja e depois de aguardarem meses ou anos, no momento certo, “dão o troco”.
            Na mensagem da lição desta semana Paulo chama a atenção dos gálatas para que, deixando de lado as indiferenças, vivessem em perfeita harmonia uns com os outros. As divergências religiosas já haviam causado estragos no relacionamento entre os irmãos e Paulo sabia dos prejuízos que isso significava.
Domingo
            Provavelmente Paulo releu toda a carta que já chegava ao fim. Viu que usou expressões bem fortes e concluiu que alguns irmãos poderiam ficar chateados com a sua acentuada franqueza.
             Ele começa o capítulo seis com uma linguagem reconciliadora. Embora direcionada ao relacionamento entre irmãos, o seu objetivo era aparar alguma aresta que, com certeza, surgiu com as suas palavras de reprovação a conduta da maioria deles.
            Desejava  agora por em pratica a orientação de Cristo: falar ao coração das pessoas sem estardalhaço. Ele esperava que a sua carta fosse aceita como uma repreensão de amor e usa um tom reconciliatório. O seu alvo era a restauração dos irmãos a antiga fé.
            A sua missão resgate foi bastante agressiva porque não era destinada a pessoas que abandonara a igreja, mas a irmãos fervorosos que passaram a pregar "um outro evangelho". O caso era grave porque estes irmãos jactavam-se com a doutrina que passaram a pregar.
Segunda
            Paulo era um profundo conhecedor da tendência humana. Ele sofria, como qualquer um de nós, em sua luta contra os desejos carnais. Neste texto de Gálatas 6:1 ele demonstra duas preocupações. A primeira era de como as pessoas faltosas deveriam serem orientadas. Muito amor deve ser demonstrado. A sua segunda preocupação era de que ao comentar o pecado de alguém o conselheiro não viesse a cometer as mesmas falhas de quem está sendo repreendido.
Não é só na carta aos gálatas que Paulo apresenta esta preocupação. Diz ele aos corintianos: “Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado” (1 Coríntios 9:27). E a Timóteo ele recomenda: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” (1 Timóteo 4:16).
É fácil apontar o dedo. Mas antes de faze-lo deveriamos nos submeter a um profundo exame pessoal. A presunção é um dos grandes perigos que ronda a nossa espiritualidade.
Os gálatas já se vamgloriavam de ter uma mensagem superior a de Paulo, mas estavam redondamente enganados. O outro evangélho pregado por eles não tinha o poder de fazer de alguém uma nova criatura.
Terça
            Eu tenho um amigo que é advogado. Ele me disse que sofre muito ao vivenciar as dificuldades de um cliente cujo crime não oferece nenhuma possibilidade de defesa.Trabalhei mais de trinta anos em hospitais. Vi mamães desesperadas se debruçarem sobre criancinhas mimosas, mas inertes. Convivi com pessoas que na ante sala de uma UTI aguardavam noticias animadoras sobre um ente querido e o resultado foi um dilúvio de lágrimas. Fico imaginando a situação de um psicólogo que ao ouvir o seu cliente se depara com um problema quase que insolúvel. Como não se envolver?
            Agora um detalhe: eu posso sofrer com as dores de meu próximo, mas não oferecer nenhuma ajuda, e posso também não sofrer tanto e ser útil.
            Vivemos em um mundo onde a tecnologia tem distanciado as pessoas. Em uma casa cada membro da família tem o seu computador e a sua televisão. Pode acontecer de ter pessoas com as quais eu convivo debaixo do mesmo teto que estejam sofrendo sob pesada carga e eu absorto no meu dia a dia nem tome conhecimento.
             Certa vez ao passar em frente a igreja que frequento, mais uma vez, observei a sua imponente fachada. Logo depois o telefone tocou. Minha filha me dizia que o pastor convocou a comissão da igreja para discutir uma emergência. O teto da igreja havia desabado duas horas antes de eu ter passado por lá. Pelo lado de fora tudo bem, mas por dentro só escombros.
            Ao nosso redor existem muitas pessoas que aparentemente está tudo bem com elas mas no intimo estão sorvendo o cálice da amargura. Como irmãos de igreja não podemos ficar indiferentes as dores de nosso próximo. Tem de haver mais participação, mais comprometimento uns com os outros. Paulo afirma que “nenhum de nós vive para si, e nenhum morre para si” (Romanos 14:7).   
Quarta
Será que Deus Pai tem uma lei e o Deus Filho tem outra? Será que uma anula a outra? Por várias vezes Jesus fez referencia a lei de Deus e foi mais além ao afirmar: “Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido. Mateus 5:18 e Paulo acrescenta:Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos. Tiago 2:10.
Certa vez Jeus acusou os farizeus de que eles atavam pesados fardos sobre os seus fieis mas nem mesmo com o dedo os ajuvam a carregá-los.
Quinta
            Trabalhei muitos anos na agricultura e hoje tenho saudades daqueles bons tempos. Já plantei arroz, milho, feijão e verduras. Ao nascer as mudinhas de cenoura se confundem com mudas de cebola. As de alface com as de chicória. Mas depois de crescidas as mudinhas de cenoura vão produzir cenoura e as mudas de alface vão produzir alface. Não tem como ser diferente.
            Há poucos dias a noticia ocupou as primeiras páginas dos jornais. O ex presidente Lula está com câncer de laringe. Os médicos afirmaram que deve ser consequência do hábito de fumar cultivado pelo paciente até um ano atrás. Se alguém é viciado em bebida alcoólica   tem tudo para desenvolver uma cirrose hepática. O semear geralmente é uma atividade alegre e descontraída. Mas, dependendo do que semeia, a colheita poderá ser dolorosa e triste.
            Na vida espiritual e nos relacionamentos é a mesma coisa. Caso eu não desenvolva um relacionamento cordial com meus filhos será difícil eu desfrutar da companhia deles na velhice. E se eu não desenvolver um intimo relacionamento com Cristo não tem como eu subsistir no dia da provação.
Conclusão
A igreja precisa caminhar como um todo. Ela é comparada ao corpo humano. Não tem como um pé caminhar para um lado e a mão seguir em direção oposta. Paulo procurou enfatizar estes pontos visando não só um melhor relacionamento entre irmãos de uma igreja dividida, mas também estreitar o seu relacionamento com estes irmão que, com certeza, já alimentavam alguma indiferença com ele.
Como igreja necessitamos nos envolver mais uns com os outros. Alguém que se considere cristão e que não se envolve com o próximo está longe de preencher as características de um real filho de Deus.

Nenhum comentário:

Postar um comentário