sexta-feira, 29 de junho de 2012

O evangelho chega a Tessalônica

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Comentário da lição da Escola Sabatina de trinta de junho a sete de julho de 2012, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor da meditação Reavivar a Esperança. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
Tessalônica ou Salônica é a 2ª maior cidade da Grécia e a principal da região da Macedônia. Está situada à borda do Mar Egeu.  Foi construída em 316 A.C.) por ordem de Cassandro e foi batizada em homenagem a Tessalônica, esposa do rei Cassandro e irmã de Alexandre, o Grande.
Tem cerca de 700 mil habitantes. Tornou-se uma referência quanto à divinização de imperadores, possuindo inclusive um templo para o culto a César. Em suas moedas a cidade de Roma e os seus imperadores eram retratados como divindades. As autoridades e classes ricas da cidade tinham muito interesse em incentivar e participar deste culto cívico, pois advinham vantagens econômicas e políticas. Era uma cidade portuária com muita atividade comercial. Até hoje não perdeu a sua importância de cidade estratégica.
Tessalônica foi a segunda cidade europeia a ouvir a pregação de Paulo (Atos 17.1-14) e provavelmente a primeira igreja a receber duas de suas epístolas (disputa com a epístola aos Gálatas esta primazia).
Comentaristas alinhavam três razões que motivaram a Paulo escrever as duas epístolas e podemos acrescentar mais uma. Primeiro, era uma comunidade evangélica nova. Segundo, corriam perigo pela quantidade de deuses pagãos que eram cultuados lá. Pelo menos vinte divindades eram veneradas, conforme atestam inscrições encontradas sobre os restos de monumentos.  E terceiro, os judeus não convertidos exerciam grande pressão sobre a nova igreja.
O apostolo Paulo chegou a Tessalônica em sua segunda viagem missionária e por três sábados pregou para os judeus e despertou a ira de muitos deles. Alvoroçaram o povo contra Paulo e seus colaboradores com a acusação de que: “Estes que tem transtornado o mundo chegaram até aqui” (Atos 17:6).
Os crentes de Tessalônica aguardavam a vinda de Cristo para os seus dias. A demora ia esmorecendo a fé de alguns deles e, aqui temos um quarto motivo para Paulo escrever-lhes: Reavivar nestes irmãos a esperança da volta de Jesus. Olhando por este ponto de vista podemos imaginar quão útil será este estudo para nós hoje.

Domingo
            É impressionante vermos como Deus dirigiu a sua obra nos dias da Igreja Primitiva. O Espirito Santo cuidava de cada detalhe. Onde pregar, quem pregar e como pregar. Em sua imaginação Paulo viu que Timóteo por ter uma cidadania mista, a sua mãe era judia e o seu pai grego, seria o companheiro ideal para levar o evangelho à Macedônia. Mas Deus tinha outros planos para Paulo e para Timóteo.
            Paulo e Silas chegaram a Filipos e ali anunciaram o evangelho com um poder tal que afetou o comercio da cidade. A jovem que dava grandes lucros com adivinhações, frutos de um espirito maligno foi curada por Paulo e a fonte de dinheiro fácil secou.
            Paulo e Silas foram presos com a acusação de que “Estes homens, sendo judeus, estão perturbando muito a nossa cidade” (Atos 16:20). Será que Deus contrariou os planos de Paulo, que desejava ir para a Bitinia (v 7), apenas para permitir que ele fosse preso e espancado? Se estavam pregando o evangelho porque Deus permitiu que sofressem tanto? Do meu ponto de vista Deus não tinha naquele momento outras pessoas mais preparadas para suportarem provações do que Paulo e Silas. Certa vez Paulo afirmou: “Senão o que o Espírito Santo de cidade em cidade me revela, dizendo que me esperam prisões e tribulações” (Atos 20:2). Quem sabe se fosse outros teriam fracassado.
            Para os que caminham segundo o Espirito as provações são aditivos que fortalecem a fé e dinamizam a pregação. Quanta coisa bonita Paulo experimentou durante o seu curto ministério!
            Deus não promete um caminho afofado de rosas para aqueles que se empenham em pregar o evangelho, mas com certeza Ele nos proporcionará o melhor para a nossa edificação espiritual.

Segunda
            O foco da mensagem de Paulo não só em Tessalônica, mas durante toda a sua vida foi Jesus. Embora a sua preferencia fosse pregar para os gentios, Paulo nunca se omitiu em pregar para os judeus. Esse era um trabalho complicado, mas sempre que surgia uma oportunidade lá estava ele mostrando as profecias que falam do ministério de Cristo.
            Em Tessalônica ele permaneceu fiel ao costume de aos sábados estarem na igreja, pregar e dedicar á oração. Para muitos judeus os seus sermões eram indigestos e por várias vezes ele pagou caro pela sua teimosia em falar abertamente de Jesus.
            Paulo tinha a suas estratégias para pregar para judeus, gentios e para as autoridades romanas. Mas nunca fugia de apresentar as verdades bíblicas em sua clareza total, mesmo antevendo os resultados de açoites e prisões.

Terça
            Os versos cinco e seis de Jeremias vinte e três apontam para um Jesus que estenderia o Seu governo para toda a Terra e Isaias enfatizou que este Jesus faria com que as tribos de Zebulom e Naftali, que no passado sofreram tanto com perseguições e destruição, seriam enaltecidas quando o Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Isaías 9:6), chegasse à suas terras. E poderiam ter outro raciocínio: Se Zebulom e Naftali, as tribos mais desprezíveis na época, seriam enaltecidas com a presença de Jesus, como não seria então Jerusalém e as regiões próximas? Esperavam que a chegada do “Renovo” fosse realmente uma total renovação politica de todo o Israel.
            Mas ver em Jesus um sofredor desacreditado pelo seu próprio povo e ao mesmo tempo como Redentor não só de Israel, mas de toda a raça humana era um paradoxo difícil de entender.
             Essa ideia de um rei poderoso e ao mesmo tempo pobre era difícil de ser assimilada pelos judeus. Lembre: eles ainda mantinham o pensamento de serem os melhores e os mais importantes homens da terra. Em sua visão Jesus seria realmente glorioso e quando chegasse subjugaria para sempre os seus opressores principalmente o império romano.
            É interessante que essa trágica interpretação do povo judeu foi fruto de sua tão apregoada primazia sobre os demais habitantes da terra. Caso estivessem dispostos a estudar as profecias com espirito de humildade, com certeza, o resultado seria outro.
            Jesus cumpriu a missão para a qual veio; libertar o povo do jugo do pecado. Em breve o seu reino de glória será estabelecido como os judeus esperavam, pena que eles estarão de fora!

Quarta
            O verso onze de Isaias cinquenta e três encerra uma grande lição para todos nós. Desde criança, por várias vezes já cantei: “Depois da cruz vem a coroa, a recompensa é sempre boa.” Para prover o nosso resgate Jesus deveria experimentar a cruz e o profeta Isaias depois de enfatizar a humilhação e a dor do Messias afirma que: “Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniquidades deles levará sobre si” (Isaías 53:11).
            Ellen G. White afirma; A morte de Cristo prova o grande amor de Deus pelo homem. É o penhor de nossa salvação. Remover do cristianismo a cruz, seria como apagar do céu o Sol. A cruz nos aproxima de Deus, reconciliando-nos com Ele. Com a enternecedora compaixão do amor de um pai, Jeová considera o sofrimento que Seu Filho teve de suportar para salvar a raça da morte eterna, e nos recebe no Amado” Atos dos Apóstolos, p. 209). 
            “Com indizível amor Jesus dá as boas-vindas a Seus fiéis, para "o gozo do teu Senhor". O gozo do Salvador consiste em ver, no reino de glória, as almas que foram salvas por Sua agonia e humilhação” (O Grande Conflito, pág. 647). 
             “Nos resultados de Sua obra, Cristo contemplará Sua recompensa. Naquela grande multidão que ninguém pode contar, apresentada como "irrepreensíveis, com alegria, perante a Sua glória", Aquele cujo sangue nos redimiu e cuja vida nos ensinou, verá o "trabalho da Sua alma" e "ficará satisfeito"” (Educação, pág. 309). 
Os judeus imaginavam um Rei à altura do seu orgulho pessoal. Alguém que jamais seria humilhado. Mas o resultado foi que “veio para os Seus e os Seus não O receberam”.
Em nosso ministério pessoal temos de estar dispostos a experimenta provações antes de desfrutarmos das glórias do Céu. Paulo afirma: “Confirmando os ânimos dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé, pois que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus” (Atos 14).
Provavelmente o anjo que assistiu o Mestre no Getsemani tenha Lhe mostrado eu e você como futuros resultados do Seu sacrifício. Essa visão encorajou Jesus para suportar todo o sofrimento.

Quinta
            Os conversos de Tessalônica eram um retrato do que o evangelho faria no mundo inteiro. Tribos, línguas e nações congregadas em um só povo. Hoje nem tanto, mas podemos imaginas as dificuldades de Paulo em manter esse grupo unido junto à cruz. Realmente as cartas que escreveu tinham a sua razão de existirem.

Conclusão
            Não foi fácil para Paulo provar para judeus e gentios que aquele Servo Sofredor que palmilhou a Galileia era o Salvador enviado do Céu. Mas que alegria será, quando no Céu, Paulo contemplar a grande multidão compostas de redimidos vindos de todas as partes do mundo!
            

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