domingo, 3 de março de 2013

Mordomia cristã e meio ambiente

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Comentário da Lição da Escola Sabatina de 2 a 9 de março de 2013. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            Sempre que estudo o tema da lição de hoje me vem à mente a dupla função outorgada por Deus ao homem depois da criação. Diz a Bíblia: “E tomou o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar” (Gênesis 2:15).
Para mim esse texto retrata toda a mensagem de mordomia e meio ambiente apresentada na Bíblia.
            Há poucos dias visitei um agricultor adventista. Ele demonstrava chateado com as exigências governamentais sobre meio ambiente e ecologia. Segundo ele, com as limitações impostas para preservação do meio ambiente, em breve o mundo não conseguirá produzir alimentos para sustentar sete bilhões de pessoas.
            Até certo ponto esse irmão tem lá as suas razões. Porém, mais interessado que o governo sobre a ecologia deveria estar nós, adventistas do Sétimo Dia e conhecedores da orientação divina dada ao homem nos primórdios de nosso mundo.
            Caso o homem praticasse essa orientação divina o nosso planeta seria quase um Éden e não haveria escassez de alimentos, teríamos melhor qualidade de vida e consequentemente uma longevidade acentuada e saudável.
            Porém, o homem com o seu egoísmo desenfreado e a sua ganancia por dinheiro tem provocado o desequilíbrio na natureza e está arrebentando com o seu próprio corpo.
Doenças, pestes nos animais, catástrofes e um ambiente sofrível tem sido o nosso quinhão.
            A Igreja Adventista do Sétimo Dia insiste em apresentar uma maneira saudável de viver e, nesse contexto, a preservação do meio ambiente faz parte de nossas preocupações.
            Já ouvi algumas pessoas dizer que a nossa preocupação e cuidado com o meio ambiente pouca ou nenhuma diferença faz no planeta, ao vermos como se comporta a humanidade como um todo. Do meu ponto de vista não interessa se a nossa postura está sendo notada ou não. O que realmente me interessa saber é se como mordomos de Deus estamos cumprindo o nosso papel.

Domingo
            Gênesis 2:15 tem uma amplitude que poucos detectam. Essa orientação divina foi dada antes do pecado. Podemos imaginar como era o nosso planeta e, em especial o jardim do Éden. Guardar o jardim do Éden era preservar a própria existência. Infelizmente o homem falhou e a sua primeira desventura foi poluir o jardim do Éden com o pecado. Os nossos pais baixaram a guarda e a terra passou a produzir espinhos e cardos.
            Hoje existe uma preocupação para preservar os animais em extinção. Aos poucos eles vão desaparecendo da face da terra e sua falta já provoca distúrbios em nosso eco sistema. Como mordomos de Deus, estamos falhando redondamente.
            Na criação Adão foi incumbido de dar nomes aos animais. Podemos imaginar como era a fauna naquela época. Adão deu nome a todos eles, mas nós não estamos dando condições para que eles vivam e cumpram o seu papel ecológico sobre a terra. Continuando assim, em breve eles só existirão em fotos e vídeos.
            Criado à imagem e semelhança de Deus, ao homem foi outorgado a glória do raciocínio e do livre arbítrio. Além de um corpo escultural de formas invejáveis ele foi honrado em ter domínio sobre todos os animais. Davi ficou impressionado com os atributos a nós oferecidos. Como somos racionais, ou pelo menos deveríamos ser, temos a responsabilidade de cuidar e responder pelos irracionais.

Segunda
            O tema de hoje aborda Deus como o proprietário de todos os animais. Ele os criou e todos pertencem a Ele.
             O primeiro telefone que vi em minha vida foi na casa de um fazendeiro que morava em minha cidade natal. Ele era criador de gado e o telefone ligava a sua casa com a fazenda. Diariamente ele falava com o seu vaqueiro e passava orientações de como o gado deveria ser cuidado. O vaqueiro, por sua vez, amava o que fazia e mantinha os animais bem tratados, escovados e medicados. Quando algum comprador visitava a fazenda ficava encantado com a qualidade e beleza dos animais. Certa vez, aquela fazenda produziu uma vaca Zebu que, ao ser vendida, alcançou o maior valor visto na região.
            Deus é o fazendeiro, dono de tudo o que está ao nosso redor. Ele passou e continua passando orientações de como devemos cuidar do Seu patrimônio. O exemplo daquele vaqueiro é um desafio para nós hoje.
            O pastor Josué de Castro, falando de Deus, apresenta três motivos para sermos fieis mordomos. 1° - Deus tem a Soberania – “Eu Sou o Senhor e não há outro, além de Mim não há Deus”. Isaias 45:5 (Sal.24:1 e 2; Salmo 50:10-12; Ageu 2:8).
2° - Deus Tem a Supremacia – “Eu Sou o Senhor, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra as imagens de escultura”. Isa. 42:8 ( Dan. 2:20-22). 3º - Deus Tem a Primazia – “Eu Sou o primeiro e Eu sou o último; além de Mim não há Deus”. Isaias 44:6 (Êxodo 20:3; Colossenses 1:18).
Em se tratando de cuidado Deus espera que ampliemos o nosso leque. Como tudo que temos e somos veio Dele, a nossa responsabilidade abrange o cuidado com o nosso corpo, com os nossos talentos, com as nossas posses e a nossa inteligência.
Deus é digno de receber honra e glória porque tudo que há no Universo veio Dele. E a melhor maneira de honra-Lo e glorifica-Lo, é cuidar do Seu patrimônio que inclui tudo que somos e tudo que está ao nosso redor quer perto quer longe.

Terça
            O mandamento do sábado nos ensina três coisas. 1º - Deus é o criador de todas as coisas inclusive do sábado. 2º - O sábado não é nosso, é Dele. 3º - Aos olhos do homem esse descanso nem sempre é necessário, pois ele pode até se esquecer dele. Mas para Deus que nos criou e conhece as nossas limitações físicas o descanso semanal é necessário.
            Ao observarmos o sábado estamos testemunhando para o mundo que Deus é o criador de todas as coisas.
            O descanso semanal como orienta a Bíblia inclui o físico e o mental e quando praticado ele renova a nossa experiência cristã. O sábado é um período de 24 horas em que fechamos as cortinas para o interesse próprio e financeiro e abrimos as janelas da alma para receber as bênçãos que o Criador deseja nos proporcionar.
            Costumo dizer que, caso não existissem o mandamento do sábado e nenhuma outra referencia a este dia em toda a Bíblia, o que temos em Isaias 58:13-14 seria suficiente para observamos o Sábado sem apresentar qualquer questionamento. Diz o texto: “Se desviares o teu pé do sábado, de fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso, e o santo dia do Senhor, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falares as tuas próprias palavras, então te deleitarás no Senhor, e te farei cavalgar sobre as alturas da terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Jacó; porque a boca do Senhor o disse.”
            Podemos imaginar como seria o mundo se toda a humanidade observasse o sábado. A própria terra seria revigorada nesse dia e Deus seria exaltado por todo o planeta. Diz Ellen G. White: “Tivesse sido o sábado sempre guardado, os pensamentos e afeições dos homens teriam sido dirigidos para o seu Criador como objeto de reverência e culto, e jamais teria existido um idólatra, um ateu ou um infiel” (História da Redenção, p. 382-383). 

Quarta
            O nosso estado físico tem tudo a ver com a nossa mente. Caso o nosso corpo seja maltratado a nossa mente será atingida.  Com o nosso cérebro danificado a nossa relação com o Criador será comprometida.
            Caso eu abarrote o estômago o sangue que deveria irrigar o cérebro estará sendo usado para digerir o alimento ingerido e a mente não terá a fluidez que permita o Espírito Santo atuar.
            Deus criou essa máquina humana e ao fazê-lo Ele providenciou um manual de instruções para a sua manutenção. Quando o homem ignora esse manual o corpo e a mente pagam as consequências.
            É curioso que o mesmo mandamento que nos orienta a descansar no sábado é o mesmo que adverte trabalhar os seis dias da semana. Isso mostra o quanto o trabalho é salutar para o corpo humano. Deus sabe que necessitamos exercitar os seis dias da semana. Ele nos deixou os limites para o trabalho e para o descanso.
            Quando o centurião procurou Jesus para que Ele curasse o seu servo, a resposta de Jesus foi: “Eu irei, e lhe darei saúde” (Mateus 8:7). Jesus quer visitar a nossa casa para nos dar saúde.
            Hoje a gulodice, a embriaguez , o trabalho excessivo, a competitividade e a agitação da vida moderna, tem levado milhares prematuramente para a sepultura.  E pior: deixam para trás uma quantidade de lixo que seria bem menor caso tivessem vivido dentro dos padrões deixados por Deus. São pessoas que desprezam a advertência divina: “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (1 Coríntios 6:19-20).

Quinta
A mordomia cristã está calcada em alguns princípios que fazem a identificam como uma criação divina. Deus ao criar todas as coisas disse que tudo era “muito bom”, E nós os seus mordomos, da maneira como tratamos o planeta parece que estamos a dizer: Tudo é muito ruím.
            Vejamos alguns princípios da mordomia:
- Deus é o proprietário de tudo. E falando do ser humano Ele é o nosso proprietário duas vezes. Pela criação e pela redenção ou recriação.
- Somos devedores. Davi preocupado com essa situação Davi exclamou: “Que darei eu ao Senhor, por todos os benefícios que me tem feito?” (Salmos 116:12). Ele mesmo responde: “Tomarei o cálice da salvação, e invocarei o nome do Senhor. Pagarei os meus votos ao Senhor, agora, na presença de todo o seu povo” (Salmos 116:13-14).
- Antídoto contra o pecado. Pecados como a glutonaria, embriaguez, Avareza, etc.
- Entrega total. O fiel mordomo entrega tudo a Deus porque Ele é o proprietário de tudo
- Dar com gratidão e com alegria - Mordomia tem mais a ver com a atitude do que com as ações e, começa com gratidão, não com ofertas. Os macedônicos deram com alegria. (II Coríntios 8:2- 4).
- Parceria com Deus – Ser mordomo é viver e trabalhar em parceria com Deus. E que parceiro! Cristo não nos pede para trabalhar para Ele, mas com Ele.
- Canal das bênçãos de Deus. E todas as nações vos chamarão bem-aventurados; porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o Senhor dos Exércitos” (Malaquias 3:12).
A promessa de Deus para os Seus mordomos é: “Disse-lhe o seu Senhor: Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (Mateus 25:23).

Conclusão
            O mundo em que vivemos é um presente de amor do Deus Criador.  Aquele
que fez o céu, a Terra, o mar e as fontes das águas" (Apocalipse 14: 7). Dentro dessa criação Ele colocou os seres humanos, ligados intencionalmente em relacionamento com Ele, com outras pessoas e com o mundo ao redor. Portanto, como adventistas do sétimo dia, consideramos que a preservação e cuidado do meio ambiente estão intimamente relacionados com nosso serviço para Ele.
"Visto que a pobreza humana e a degradação ambiental estão inter-relacionadas,
comprometemo-nos a melhorar a qualidade de vida de todas as pessoas. Nosso
objetivo é o desenvolvimento sustentável dos recursos, enquanto atendemos às
necessidades humanas. [...]
"Nesse compromisso, confirmam nossa condição de mordomos da criação
de Deus e cremos que a total restauração será alcançada somente quando Deus
fizer novas todas as coisas" (Extraído de "Cuidando da Criação, uma Declaração
da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia sobre o Meio Ambiente", votada
em 12 de outubro de 1992).

             
              

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