Comentário da Lição da Escola Sabatina de 2 a
9 de março de 2013. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal
Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O
comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de
Taguatinga, DF.
Introdução
Sempre que estudo
o tema da lição de hoje me vem à mente a dupla função outorgada por Deus ao
homem depois da criação. Diz a Bíblia: “E tomou
o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar” (Gênesis 2:15).
Para mim esse texto retrata toda a mensagem
de mordomia e meio ambiente apresentada na Bíblia.
Há
poucos dias visitei um agricultor adventista. Ele demonstrava chateado com as
exigências governamentais sobre meio ambiente e ecologia. Segundo ele, com as
limitações impostas para preservação do meio ambiente, em breve o mundo não
conseguirá produzir alimentos para sustentar sete bilhões de pessoas.
Até
certo ponto esse irmão tem lá as suas razões. Porém, mais interessado que o
governo sobre a ecologia deveria estar nós, adventistas do Sétimo Dia e
conhecedores da orientação divina dada ao homem nos primórdios de nosso mundo.
Caso
o homem praticasse essa orientação divina o nosso planeta seria quase um Éden e
não haveria escassez de alimentos, teríamos melhor qualidade de vida e
consequentemente uma longevidade acentuada e saudável.
Porém,
o homem com o seu egoísmo desenfreado e a sua ganancia por dinheiro tem
provocado o desequilíbrio na natureza e está arrebentando com o seu próprio
corpo.
Doenças, pestes nos animais, catástrofes e um
ambiente sofrível tem sido o nosso quinhão.
A
Igreja Adventista do Sétimo Dia insiste em apresentar uma maneira saudável de
viver e, nesse contexto, a preservação do meio ambiente faz parte de nossas
preocupações.
Já
ouvi algumas pessoas dizer que a nossa preocupação e cuidado com o meio
ambiente pouca ou nenhuma diferença faz no planeta, ao vermos como se comporta
a humanidade como um todo. Do meu ponto de vista não interessa se a nossa
postura está sendo notada ou não. O que realmente me interessa saber é se como
mordomos de Deus estamos cumprindo o nosso papel.
Domingo
Gênesis 2:15 tem uma amplitude que poucos detectam. Essa
orientação divina foi dada antes do pecado. Podemos imaginar como era o nosso
planeta e, em especial o jardim do Éden. Guardar o jardim do Éden era preservar
a própria existência. Infelizmente o homem falhou e a sua primeira desventura
foi poluir o jardim do Éden com o pecado. Os nossos pais baixaram a guarda e a
terra passou a produzir espinhos e cardos.
Hoje
existe uma preocupação para preservar os animais em extinção. Aos poucos eles
vão desaparecendo da face da terra e sua falta já provoca distúrbios em nosso
eco sistema. Como mordomos de Deus, estamos falhando redondamente.
Na
criação Adão foi incumbido de dar nomes aos animais. Podemos imaginar como era
a fauna naquela época. Adão deu nome a todos eles, mas nós não estamos dando
condições para que eles vivam e cumpram o seu papel ecológico sobre a terra.
Continuando assim, em breve eles só existirão em fotos e vídeos.
Criado
à imagem e semelhança de Deus, ao homem foi outorgado a glória do raciocínio e
do livre arbítrio. Além de um corpo escultural de formas invejáveis ele foi
honrado em ter domínio sobre todos os animais. Davi ficou impressionado com os
atributos a nós oferecidos. Como somos racionais, ou pelo menos deveríamos ser,
temos a responsabilidade de cuidar e responder pelos irracionais.
Segunda
O
tema de hoje aborda Deus como o proprietário de todos os animais. Ele os criou
e todos pertencem a Ele.
O primeiro telefone que vi em minha vida foi
na casa de um fazendeiro que morava em minha cidade natal. Ele era criador de
gado e o telefone ligava a sua casa com a fazenda. Diariamente ele falava com o
seu vaqueiro e passava orientações de como o gado deveria ser cuidado. O
vaqueiro, por sua vez, amava o que fazia e mantinha os animais bem tratados, escovados
e medicados. Quando algum comprador visitava a fazenda ficava encantado com a
qualidade e beleza dos animais. Certa vez, aquela fazenda produziu uma vaca
Zebu que, ao ser vendida, alcançou o maior valor visto na região.
Deus
é o fazendeiro, dono de tudo o que está ao nosso redor. Ele passou e continua
passando orientações de como devemos cuidar do Seu patrimônio. O exemplo
daquele vaqueiro é um desafio para nós hoje.
O
pastor Josué de Castro, falando de Deus, apresenta três motivos para sermos
fieis mordomos. 1° - Deus tem a Soberania – “Eu Sou o Senhor e não há outro,
além de Mim não há Deus”. Isaias 45:5 (Sal.24:1 e 2; Salmo 50:10-12; Ageu 2:8).
2° - Deus Tem a Supremacia – “Eu Sou o Senhor, este é o meu nome;
a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra as imagens de
escultura”. Isa. 42:8 ( Dan. 2:20-22). 3º - Deus Tem
a Primazia –
“Eu Sou o primeiro e Eu sou o último; além de Mim não há Deus”. Isaias 44:6
(Êxodo 20:3; Colossenses 1:18).
Em se tratando de cuidado Deus espera que
ampliemos o nosso leque. Como tudo que temos e somos veio Dele, a nossa
responsabilidade abrange o cuidado com o nosso corpo, com os nossos talentos, com
as nossas posses e a nossa inteligência.
Deus é digno de receber honra e glória porque
tudo que há no Universo veio Dele. E a melhor maneira de honra-Lo e
glorifica-Lo, é cuidar do Seu patrimônio que inclui tudo que somos e tudo que
está ao nosso redor quer perto quer longe.
Terça
O mandamento do sábado nos ensina três coisas. 1º - Deus
é o criador de todas as coisas inclusive do sábado. 2º - O sábado não é nosso,
é Dele. 3º - Aos olhos do homem esse descanso nem sempre é necessário, pois ele
pode até se esquecer dele. Mas para Deus que nos criou e conhece as nossas
limitações físicas o descanso semanal é necessário.
Ao
observarmos o sábado estamos testemunhando para o mundo que Deus é o criador de
todas as coisas.
O
descanso semanal como orienta a Bíblia inclui o físico e o mental e quando
praticado ele renova a nossa experiência cristã. O sábado é um período de 24
horas em que fechamos as cortinas para o interesse próprio e financeiro e
abrimos as janelas da alma para receber as bênçãos que o Criador deseja nos
proporcionar.
Costumo
dizer que, caso não existissem o mandamento do sábado e nenhuma outra referencia
a este dia em toda a Bíblia, o que temos em Isaias 58:13-14 seria suficiente
para observamos o Sábado sem apresentar qualquer questionamento. Diz o texto: “Se desviares o teu pé do sábado, de fazeres a tua
vontade no meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso, e o santo dia do
Senhor, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo
fazer a tua própria vontade, nem falares as tuas próprias palavras, então te
deleitarás no Senhor, e te farei cavalgar sobre as alturas da terra, e te
sustentarei com a herança de teu pai Jacó; porque a boca do Senhor o disse.”
Podemos imaginar como seria o mundo se toda a humanidade
observasse o sábado. A própria terra seria revigorada nesse dia e Deus seria
exaltado por todo o planeta. Diz Ellen G. White: “Tivesse sido o sábado sempre
guardado, os pensamentos e afeições dos homens teriam sido dirigidos para o seu
Criador como objeto de reverência e culto, e jamais teria existido um
idólatra, um ateu ou um infiel” (História da Redenção, p. 382-383).
Quarta
O nosso estado físico tem tudo a ver com a nossa mente.
Caso o nosso corpo seja maltratado a nossa mente será atingida. Com
o nosso cérebro danificado a nossa relação com o Criador será comprometida.
Caso
eu abarrote o estômago o sangue que deveria irrigar o cérebro estará sendo
usado para digerir o alimento ingerido e a mente não terá a fluidez que permita
o Espírito Santo atuar.
Deus
criou essa máquina humana e ao fazê-lo Ele providenciou um manual de instruções
para a sua manutenção. Quando o homem ignora esse manual o corpo e a mente
pagam as consequências.
É
curioso que o mesmo mandamento que nos orienta a descansar no sábado é o mesmo
que adverte trabalhar os seis dias da semana. Isso mostra o quanto o trabalho é
salutar para o corpo humano. Deus sabe que necessitamos exercitar os seis dias
da semana. Ele nos deixou os limites para o trabalho e para o descanso.
Quando
o centurião procurou Jesus para que Ele curasse o seu servo, a resposta de
Jesus foi: “Eu irei, e lhe darei saúde” (Mateus
8:7). Jesus quer visitar a nossa casa para nos dar saúde.
Hoje a gulodice, a embriaguez , o trabalho excessivo, a
competitividade e a agitação da vida moderna, tem levado milhares
prematuramente para a sepultura. E pior:
deixam para trás uma quantidade de lixo que seria bem menor caso tivessem
vivido dentro dos padrões deixados por Deus. São pessoas que desprezam a
advertência divina: “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito
Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes
comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso
espírito, os quais pertencem a Deus” (1
Coríntios 6:19-20).
Quinta
A
mordomia cristã está calcada em alguns princípios que fazem a identificam como
uma criação divina. Deus ao criar todas as coisas disse que tudo era “muito
bom”, E nós os seus mordomos, da maneira como tratamos o planeta parece que
estamos a dizer: Tudo é muito ruím.
Vejamos
alguns princípios da mordomia:
- Deus é o proprietário de tudo.
E falando do ser humano Ele é o nosso proprietário duas vezes. Pela criação e
pela redenção ou recriação.
- Somos devedores. Davi
preocupado com essa situação Davi exclamou: “Que darei eu ao Senhor, por todos
os benefícios que me tem feito?” (Salmos
116:12). Ele mesmo responde: “Tomarei o cálice da salvação, e invocarei o nome
do Senhor. Pagarei os meus votos ao
Senhor, agora, na presença de todo o seu povo” (Salmos 116:13-14).
- Antídoto contra o pecado.
Pecados como a glutonaria, embriaguez, Avareza, etc.
- Entrega total. O fiel
mordomo entrega tudo a Deus porque Ele é o proprietário de tudo
- Dar com gratidão e com alegria - Mordomia tem mais a ver com a
atitude do que com as ações e, começa com gratidão, não com ofertas. Os
macedônicos deram com alegria. (II Coríntios 8:2- 4).
- Parceria com Deus – Ser mordomo é viver e trabalhar
em parceria com Deus. E que parceiro! Cristo não nos pede para trabalhar para
Ele, mas com Ele.
- Canal das bênçãos de Deus. “E todas as nações vos
chamarão bem-aventurados; porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o Senhor
dos Exércitos” (Malaquias 3:12).
A
promessa de Deus para os Seus mordomos é: “Disse-lhe o seu Senhor: Bem está, bom e fiel servo.
Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu
senhor” (Mateus 25:23).
Conclusão
O mundo em
que vivemos é um presente de amor do Deus Criador. Aquele
que fez o
céu, a Terra, o mar e as fontes das águas" (Apocalipse 14: 7). Dentro
dessa criação Ele colocou os seres humanos, ligados intencionalmente em
relacionamento com Ele, com outras pessoas e com o mundo ao redor. Portanto,
como adventistas do sétimo dia, consideramos que a preservação e cuidado do
meio ambiente estão intimamente relacionados com nosso serviço para Ele.
"Visto
que a pobreza humana e a degradação ambiental estão inter-relacionadas,
comprometemo-nos
a melhorar a qualidade de vida de todas as pessoas. Nosso
objetivo é o
desenvolvimento sustentável dos recursos, enquanto atendemos às
necessidades
humanas. [...]
"Nesse
compromisso, confirmam nossa condição de mordomos da criação
de Deus e
cremos que a total restauração será alcançada somente quando Deus
fizer novas
todas as coisas" (Extraído de "Cuidando da Criação, uma Declaração
da Associação
Geral dos Adventistas do Sétimo Dia sobre o Meio Ambiente", votada
em 12 de
outubro de 1992).
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