sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Discipulado das crianças

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Comentário da Lição da Escola Sabatina de 18 a 25 de janeiro de 2014, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga.

 

Introdução

            Embora o povo Hebreu desse um valor especial às crianças e às mulheres, foi Jesus quem colocou as crianças e as mulheres em situação de igualdade. Em Seus dias as mulheres e as crianças não eram contadas como integrantes de uma população.

            Mesmo no milagre da multiplicação dos pães narrado pelos quatro evangelistas as mulheres e crianças não fizeram parte da somatória final de pessoas beneficiadas. Marcus, Lucas e João são claros em afirmar apenas a quantidade de homens alimentados. Mateus é o único que claramente exclui crianças e mulheres da contagem oficial. Diz ele: “Ora, os que tinham comido eram quatro mil homens, além de mulheres e crianças” (Mateus 15:38).

            De todos os excluídos nos dias de Jesus, incluindo mulheres, crianças, publicanos, enfermos e os pobres, as crianças foram as que mais receberam a atenção e simpatia do Salvador. Ele não só as tratou com especial deferência, mas trazendo-as para junto de Si as colocou como um padrão a ser atingido por todo aquele que almeja um dia estar no Céu. Disse Ele: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus” (Mateus 18:3). Se em Seu ministério Jesus deu especial atenção às crianças é porque Ele sabe do potencial que elas significam.

            Duas coisas me marcaram em meus primeiros contatos com a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Aos cinco anos de idade quando comecei a frequentar a Igreja, eu e meus irmãos recebemos várias visitas da saudosa irmã Maria Miranda. Ela nunca chegou a nossa casa com alguma guloseima ou brinquedo. Chegava sempre de mãos vazias. Mas foram as suas mãos vazias que ela usava para nos acariciar e, com uma simpatia ainda bem visível em minha lembrança, nos colocava nos braços de Cristo onde, graças a Ele, me encontro até os dias de hoje.

            Em nossa igrejinha não existia sala para as crianças e apenas um banco nos separava dos adultos no momento do estudo da lição. Naquela época a então Missão Goiano Mineira enviou o obreiro Carlos Alberto Trezza para pastorear o distrito de Uberlândia que envolvia todo o Triangulo Mineiro. Ao chegar à nossa igreja ele foi enfático: “As crianças necessitam ter uma sala exclusiva para elas.” Quando, pela primeira vez, adentrei aquela sala ainda cheirando a tinta e construída especialmente para mim foi como se o Céu me envolvesse. (Logo depois Carlos Trezza foi transferido para a Casa Publicadora Brasileira onde foi redator chefe por muitos anos).

 

Domingo

            Dezenas de vezes Deus orientou os filhos de Israel a não oferecer os seus filhos em sacrifício a Moloque, uma prática comum entre os povos daquela época. Mesmo com todas essas orientações e advertências não impediram que o rei Manassés, de Judá usasse dessa prática abominável. Falando desse rei diz o Livro Sagrado: “E até fez passar a seu filho pelo fogo, adivinhava pelas nuvens, era agoureiro e ordenou adivinhos e feiticeiros; e prosseguiu em fazer o que era mau aos olhos do Senhor, para o provocar à ira” (2 Reis 21:6).

            Centenas de anos depois Deus usa o profeta Jeremias para fazer lembrar o triste acontecimento: “E edificaram os altos de Tofete, que está no Vale do Filho de Hinon, para queimarem no fogo a seus filhos e a suas filhas, o que nunca ordenei, nem me subiu ao coração” (Jeremias 7:31)

            Não é necessário observar muito para concluirmos que no Israel espiritual de hoje os altos de Tofete estão sendo cultuados por muitos pais que inadvertidamente colocam suas crianças nos braços incandescentes de Moloque. São jogos inocentes na internet, filmes e vídeos que incitam a promiscuidade e o crime, formação inadequada do estilo de vida enquanto as coisas que edificam o caráter são olvidadas.

            Deus sempre esteve preocupado com as crianças. Quando Agar e Ismael foram expulsos de sua casa e em desespero perambulavam pelo deserto onde a morte seria certa ela abandonou o filho debaixo de um arbusto e se afastou para não vê-lo morrer de sede. Enquanto ambos choravam foi a voz do menino ouvida por Deus e o socorro apareceu de imediato.

            Quando Jacó retornou da casa de Labão ele temia a reação de seu irmão e inimigo Isaú. Pela providencia divina tudo terminou em euforia. Depois do encontro providencial, ainda no deserto, Isaú convidou Jacó para adiantar os passos e acompanhar o marchar de seus cavalos. Jacó com uma lucidez pouco vista nos dias de hoje respondeu: “Meu senhor sabe que estes filhos são tenros, e que tenho comigo ovelhas e vacas de leite; se as afadigarem somente um dia, todo o rebanho morrerá.
Ora passe o meu senhor adiante de seu servo; e eu irei como guia pouco a pouco, conforme ao passo do gado que vai adiante de mim, e conforme ao passo dos meninos, até que chegue a meu senhor em Seir” (
Gênesis 33:13-14).

            Existe hoje uma tendência de fazer as crianças pensar, se vestir e agir como adultos. Está faltando Jacós na Igreja e está sobrando Isaús. Nesse momento deve os pais responsáveis dizer para o mundo: “Eu irei como guia pouco a pouco... e conforme ao passo dos meninos.”

 

Segunda

            Na primeira página que escrevi da Meditação Reavivar a Esperança mencionei o texto bíblico de Lucas 2:40 onde lemos: “E o menino crescia, e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele” (Lucas 2:40).

            Aos 12 anos Ele demonstrou um conhecimento superior aos sábios e doutores de Sua época. Com certeza o crescimento e desenvolvimento harmônico de Jesus não aconteceu por acaso. Diz Ellen G. White: “Jesus estudou as Escrituras na infância, na juventude e na fase adulta. Como criança, aos joelhos de Sua mãe, do rolo dos profetas recebia diariamente instruções” (Educação, p 185).

            Ellen G White afirma na página 70 de O Desejado de Todas as Nações que Jesus não frequentou as escolas de Seu temo e teve em Sua mãe a única professora de Sua infância.

            Foi esse estudo diário do rolo dos profetas que Lhe forneceu a sabedoria bíblica necessária para afastar Satanás de Si no monte da tentação.

            Uma escola cristã é importante na formação de nossas crianças mas pouco ela poderá fazer caso ela não seja a continuidade da escola do lar. Que os pais de hoje sejam exímios professores e direcionem os seus filhos para o Mestre dos mestres.

 

Terça

            Jesus sempre demonstrou o Seu carinho e apreço pelas crianças. Em Seu ministério Ele não apenas curou mas chegou mesmo a ressuscitar crianças. Um fato curioso que ao fazer esses milagres o Mestre demonstrou claramente a Sua compaixão não só pelas crianças mas também pelos pais aflitos que O procurava como a única fonte de esperança.

            Os meus pais eram primos e quando se casaram não havia os esclarecimentos que temos hoje. Dos treze filhos nove morreram antes de completar os dois anos de idade. As filhas mulheres em número de seis faleceram todas.

Dos quatro filhos que escaparam eu foi o que esteve mais próximo da morte. Até os dois anos de idade eu não andava, não falava e tinha um corpo tão esquelético que os meus pais me apelidaram de “cisco”. Não existia nenhuma benzedeira em nossa região que não me conhecesse.

Mesmo procurando auxílio em fontes que nada podiam oferecer Deus Se manifestou compassivo poupando a minha vida. Ele sabia da dor que afligia os meus pais e achou por bem poupá-los de mais um golpe.

Minha mãe tinha por costume levantar várias vezes durante a noite para ver como eu estava. Em uma dessas vezes resolveu passar os olhos pelas outras crianças. Ao chegar na rede de uma de minhas irmãs de dezoito meses ela estava sem vida envolta em seu próprio vômito.

No dia final minha mãe voltará à vida e, para a sua alegria, o mesmo Jesus que ressuscitou o filho da viúva de Naim e trouxe à vida a filha de Jairo devolverá a vida a todos os meus irmãos. Imagino a algazarra que tomará conta daquele pequeno cemitério no Triangulo Mineiro. E o melhor de tudo todas as mães receberão nos braços os filhos que dormiram no Senhor. (Ver páginas 137, 138 e 291 de Reavivar a Esperança).

 

Quarta

            Comparando o que tínhamos a setenta anos atrás com o que temos hoje, a nossa Igreja conseguiu alguns avanços no atendimento das crianças. Enquanto naquele tempo tínhamos apenas a lição das crianças hoje temos lições para todas as faixas etária dos pequenos.

            A revista Nosso Amiguinho com as suas duas apresentações tem sido uma ferramenta importante para os pais ao oferecer lazer e cultura para os pequenos. Essa revista tem ajudado as crianças adventistas e não adventistas. Somando a isso temos um grande leque de literatura infantil produzido por nossas editoras que colaboram para a formação dos pequenos.

Temos o Clube dos Desbravadores e por último foi criado o Clube dos Aventureiros. Eles não só tem contribuído para manter as crianças na igreja como também promove de maneira positiva o nome da Igreja diante da sociedade.

A Escola Adventista tem desempenhado um papel importante na formação das crianças quer sejam adventistas ou não. E a promoção das escolas Cristãs de Férias tem sido um atrativo a mais para despertar em crianças não adventistas o seu interesse pela Igreja.

Por sua vez a Igreja tem desenvolvido campanhas visando a proteção das crianças no que tange a violência física e ao abuso sexual dos menores. Tais campanhas tem merecido o aplauso de autoridades eclesiásticas e políticas.

É lamentável que alguns pais ao dispor de todos esses instrumentos se acomodam na esperança de que eles por si só alcancem os resultados esperados. Tudo isso é muito bom mas jamais são capazes de substituírem o relacionamento diário entre pais e filhos acompanhados de oração e permanente estudo da Bíblia.

 

Quinta

            Quando eu vendia livros de porta em porta havia uma recomendação básica. Demonstrar interesse pelos animais de estimação da casa era uma arma poderosa para alcançarmos a simpatia de seus donos. E qual pai não fica orgulhoso diante de um elogio sincero feito a um de seus filhos? Eram premissas que não poderiam ser olvidadas.

O texto de Marcus 10:13 a 16 fala de um grupo de discípulos que estavam dificultando o acesso das crianças ao Mestre. Esse grupo foi seriamente advertido por Cristo. Disse Ele: “Jesus, porém, vendo isto, indignou-se, e disse-lhes: Deixai vir os meninos a mim, e não os impeçais; porque dos tais é o reino de Deus” (Marcus 10:14).

A orientação de Jesus é válida para pais, educadores, membros da Igreja e para toda a sociedade.  Devemos Não só manter os caminhos abertos para que as crianças venham a Cristo mas ajudá-las e incentiva-las a que se aproximem de Jesus.

 

Conclusão
           
Costumo dizer que os dois primeiros anos de uma criança são de frustrações e de sonhos interrompidos. É o dedinho na tomada que aos gritos a mamãe não permite que aconteça. É o abortamento daquele empoleirar-se em uma cadeira para olhar pela janela de um apartamento do décimo andar de um prédio ou a tentativa frustrada de ingerir um produto corrosivo imaginado ser suco.

            É impressionante como elas aprendem tantas palavras sendo que a mais ouvida é não, não e não. Nem por isso elas se desanimam de se lançar em novos empreendimentos. Elas são criativas e fazem da curiosidade a sua arma para desvendar os “mistérios” que as envolvem.

            Elas não transformam os “não e não em frustrações. Elas fazem de cada “não” um degrau a mais a ser galgado na íngreme escada do conhecimento. Que lição para nós adultos que facilmente nos desanimamos diante de qualquer pena de galinha em nosso caminho!

            Toda criança conta com excelentes professores em seus primeiros anos de vida. Mas os melhores professores serão aqueles que aprendem com elas o segredo de nunca desistir.

 

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