Comentário
da Lição da Escola Sabatina de 25 de Janeiro a primeiro de fevereiro de 2014,
preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de
Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O Comentarista é membro
da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Algumas
curiosidades marcaram o ministério curativo de Jesus. Em uma época em que a
doença era uma prova clara de que a pessoa afetada havia cometido algum pecado
grave, aparece Jesus alterando os conceitos e livrando os sofredores não só da
dor física, mas também da dor emocional e espiritual.
Essa atitude deixava os sacerdotes e
intelectuais da época intrigados. Se a doença era um castigo como agora aparece
alguém removendo o castigo de uma pessoa merecedora do mesmo?
Nos
tempos de Jesus não havia a abundancia de medicamentos que temos hoje, mas não
temos relato de Jesus lançar mão dos poucos que existiam, exceto quando de uma
maneira ante higiênica fez lama da própria saliva e depois de aplicá-la nos
olhos de um cego o encaminhou ao tanque de Siloé para uma lavagem especial.
Mas
o que mais intrigava os líderes religiosos dos tempos de Jesus era como Ele
conseguia essa magia de curar pessoas e mesmo ressuscitar mortos com um simples
toque ou palavra.
Jesus
era muito sábio em Sua maneira de proceder. Ele não fazia do dom de curar um
púlpito e muito menos fez uso desse dom divino em benefício próprio. Ou seja,
ao efetuar uma cura Ele não fazia um comovente sermão para o beneficiado e
muito menos para os expectadores. Tudo se resumia em algumas palavras como:
“Vai e não peques mais”; “Perdoados são os teus pecados”; “Essa doença é para
glória de Deus”; “Fale ou não fale disso para as pessoas” e assim por diante. Ele
jamais tirou qualquer benefício próprio como resultado dos milagres. A Sua
postura era cem por cento diferentes do proselitismo e da exploração que hoje
envolve muitas igrejas com o suposto dom de curar.
Orar
pelos enfermos é uma orientação bíblia “E a oração da fé salvará o doente, e
o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados” (Tiago 5:15). Mas não esqueçamos que discipular enfermos
vai além de orar por eles. O milagre da cura existe e eu sou uma prova
incontestável dessa verdade. Para tanto leia a página 373 da meditação Reavivar
a Esperança de minha autoria.
Domingo
Entre
os profetas bíblicos, Isaías foi o que mais falou do futuro Messias. As suas
profecias aconteceram seiscentos anos antes do nascimento de Jesus. No capitulo
cinquenta e três ele traça o perfil Daquele que um dia viria ao mundo para
morrer por nós. Veja algumas observações que o profeta faz a respeito desse
Homem de Dores:
- Como raiz de uma terra seca.
- Não tinha uma boa aparência.
- Alguém desprezível.
- Rejeitado
- Homem sofrido.
- Tomou as nossas doenças.
- Oprimido.
- Ferido e moído.
- Um homem com pisaduras.
- Sofria em silencio.
- Morreu pelos transgressores.
- Tinha consciência de que o
Seu sacrifício não seria em vão.
- Um intercessor fiel.
Desse relicário de relatos dois me chamam a atenção: -
Tomou as nossas doenças e um Homem com pisaduras.
Jesus tomou as nossas doenças não só físicas e
psicológicas mas também as espirituais. A cura por Ele ofertada é completa. Podemos
imaginar como teria sido a vida do paralitico junto ao tanque de Betesda, caso
ele não tivesse os seus pecados perdoados e tivesse voltado à vida desregrada
de sua juventude!
Ao ser abordado por Jesus o paralítico não sabia que
estava diante Daquele enviado dos Céus
para curar as nossas doenças. Diz Ellen G. White: “O paralítico não sabia que Aquele que lhe falava tinha
poder para curar, não apenas ele, mas todos os que viessem à Sua presença.
Disse-lhe então Jesus: "Levanta-te, toma o teu leito e anda." João
5:8. (Vida de Jesus, p. 72). Podemos estar cometendo o mesmo engano.
Outra afirmação que me chama a
atenção nas palavras de Isaías é que Jesus sofreu pisaduras. Ao ler essa
expressão me vem a mente fatos de quando eu era criança e morava às margens de
uma estrada boiadeira. O cozinheiro dos piões ia com a sua comitiva na frente da
boiada. Assim, ele chegava aos pontos de almoço com tempo suficiente para
preparar a refeição.
Todos os mantimentos e equipamentos
da cozinha improvisada eram transportados sobre os burros. Esses, com frequência,
tinham os lombos feridos pelas pesadas cargas. Eram as pisaduras. Sem
medicamento apropriado eu via, com frequência, as cargas serem recolocadas em
cima das feridas e o animal sendo forçado a prosseguir viagem. Sob chibatadas
os gemidos dos animais seguiam o compasso vacilante dos seus passos.
Nós somos como esses animais
indefesos. Sob uma carga que nos causavam pisaduras éramos chicoteados pelo
inimigo. Mas Jesus tomou o nosso fardo sobre Si e “pelas Suas pisaduras fomos
sarados”. Sim o Seu ministério de cura não se encerrou ali no tanque de Betesda.
Hoje Ele continua ao lado de cada sofredor e, qual bom samaritano, Ele continua
curando as feridas da humanidade.
Segunda
A filosofia grega considerava o
corpo um entrave para que a alma desfrutasse da plenitude da vida. Nesse caso a
morte era um escape para a alma realizar as suas inspirações. Para a cultura
grega o corpo é perverso e irrecuperável e mortal. A alma é elevada, altruísta e eterna.
A Bíblia afirma que não existe essa dicotomia advogada pelos gregos.
Nós somos um todo mortal e quando o corpo sofre a mente sofre e quando essa
sofre o corpo sofre. Isso significa que uma cura física pouco significa se
espiritualmente as coisas não vão bem.
Esse todo que forma a vida humana foi bem identificado por Cristo em
Seus milagres. Sempre que efetuava uma cura Jesus procurava realizar uma
reabilitação completa, ou seja: corpo mente e espírito.
A filosofia grega proposta por Satanás é uma contrafação da verdade.
Ela culpa o corpo pelos nossos deslizes e que, com a extinção deste, tudo
estará resolvido. Satanás implantou essa ideia torcendo o princípio bíblico das
duas forças que regem a nossa vida. Paulo
afirma que existia dentro dele uma força que insistia em praticar o mal e outra
que desejava realizar o bem. Veja que até certo ponto os princípios são
parecidos. Mas não tem como extinguir um para alívio do outro. Somos um todo
inseparável.
A Bíblia afirma que só Jesus pode neutralizar essa propensão para o
mal. “Cristo em vós, esperança da glória” (Colossenses 1:27).
“Se devemos efetuar gastos com a
construção de hospitais, a fim de que possamos trabalhar pela salvação dos
enfermos e aflitos, importa que planejemos nosso trabalho de tal maneira que os
que desejam ajuda recebam o auxílio de que necessitam. Devemos fazer tudo o que
está ao nosso alcance pela cura do corpo; devemos, porém, tornar a cura da alma
de muito maior importância. Aos que acodem aos nossos hospitais como pacientes
deve-se mostrar o caminho da salvação, a fim de que eles possam arrepender-se e
ouvir as palavras: Os teus pecados te são perdoados; vai em paz, e não peques
mais” (Conselhos Sobre Saúde, p. 272).
Terça
Ao fazer
palestras sobre os malefícios do cigarro costumo dizer que o fumante ciente dos
perigos que se expõe ao fumar está sempre com um pé atrás. Qualquer
anormalidade de saúde que surja ele se sente culpado e imagina ser consequência
do vicio. E quando realmente o é ganha uma consciência que o acusa de dia e de
noite. Psicologicamente o fumante se depara com duas agravantes. Primeiro,
devido a sua preocupação uma doença poderá surgir com mais frequência e mais
cedo. Em segundo lugar, devido ao peso na consciência, a evolução da
enfermidade poderá evoluir de maneira mais rápida e agressiva.
Alguém afirmou: “Há duas causas
que produzem doenças e sofrimentos: uma delas é física – má alimentação e
respiração; a outra é física – maus pensamentos e sentimentos. Muitos dos males
são causados por desordem emocional; muitos males são causados por desordens
mentais. Quando as doenças são causadas por desordem mental elas danificam o
sistema muscular e o pulmão. Quando são de caráter emocional, elas danificam o
coração, o fígado, o sistema respiratório e os vasos sanguíneos.”
Existe uma corrente de pensamento
que afirma que todas as doenças e sintomas físicos tem a ver com alguma
desordem psicológica. Por exemplo: bronquite é consequência de um ambiente
familiar inflamado. Até onde isso é verdade não sabemos mas de uma coisa podemos estar certos: uma mente doentia
é sinal de corpo doente. A
Bíblia afirma: “O coração alegre é como o bom remédio, mas o espírito abatido
seca até os ossos” (Provérbios 17:22) e “A luz dos olhos
alegra o coração, a boa notícia fortalece os ossos” (Provérbios 15:30).
“Antes de poder ser curada a enfermidade física, Cristo
precisava dar alívio à mente, e purificar a alma do pecado” (A Ciência do Bom
Viver, p. 77). “É o dever de toda pessoa, por amor de si mesma, e por amor da
humanidade, instruir-se quanto às leis da vida, e a elas prestar conscienciosa
obediência... Cumpre-lhes estudar a influência da mente sobre o corpo, e deste
sobre aquela, e as leis pelas quais são eles regidos” (A Ciência do Bom Viver,
p. 128). “A relação existente entre a mente e o corpo é muito íntima. Quando um
é afetado, o outro também o é. O estado da mente afeta a saúde do sistema
físico” (Conselhos Sobre Saúde, p. 28).
Jesus sempre mostrava que a cura
física, para perdurar, depende de uma mente solidamente firmada Nele. Diz a
nota do rodapé da página 58 da lição: “...não há dúvida de que a paz de
espírito que resulta de conhecer o Senhor pode ter um impacto positivo sobre
nós, até mesmo fisicamente”.
Quarta
O homem
foi criado com imortalidade condicional. Ele escolheria viver eternamente ou
morrer. Ele escolheu a última opção não por vontade de morrer, mas porque cedeu
às insinuações de Satanás.
A
promessa do inimigo de que “certamente não morrereis” continua fazendo vítimas
ao longo da história. A doutrina da imortalidade, semeada no Éden tem produzido
fruto aos montões. Milhares de pregadores, com a Bíblia nas mãos, usam o
púlpito para disseminar essa doutrina diabólica.
Para a
maioria das religiões todos os seres humanos serão salvos. Alguns pregam que a
reencarnação é uma imposição obrigatória e imposta a todos os homens para que
todos sejam salvos. Outros insistem em afirmar que aquele que morreu em pecados
poderá ser salvo pelas orações de terceiros e que jamais ele morrerá de
verdade.
Um corpo
já reduzido a pó voltar à vida é algo humanamente impossível. Mas é isso o que
Jesus promete para todo aquele que Nele crê. Foi para isso que Ele veio a este
mundo. Disse Ele: “... Eu vim para que tenham vida, e a tenham com
abundância” (João 10:10). A pergunta feita por
Jesus a Marta junto ao túmulo de Lázaro é dirigida a cada ser humano ao longo
da história: “E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu
isto?” (João 11:26).
Não demorou muito para que
Marta se certificasse de que “quem crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá” (João 11:25). Hoje choramos a ausência daqueles
que partiram, mas a promessa divina é: “Porque o mesmo Senhor descerá do céu
com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram
em Cristo ressuscitarão primeiro” (1 Tessalonicenses 4:16). Pelo desenrolar das profecias sabemos que
esse momento está prestes a raiar.
Quinta
Sempre questionei o
dilúvio de milagres existente em muitas igrejas hoje. Que pessoas são curadas é
verdade, mas de onde vem o poder? Vemos igrejas que advogam credos diferentes
operando grandes milagres. Está o Espírito Santo dividido? E se estes que não observam os princípios de saúde e pisam a Lei
de Deus realizam tantos milagres por que esses milagres não é marca registrada
de um povo que observa a Palavra do Senhor?
Ellen G. White nos adverte: “Se aqueles por quem
são realizadas curas, acham-se dispostos, por causa dessas manifestações, a
desculpar sua negligência da lei de Deus, e continuam em desobediência, embora
tenham à disposição poder ilimitado, não se segue que possuam o grande poder de
Deus. Ao contrário, é o poder operador de milagres do grande enganador. Ele é
transgressor da lei moral, e emprega todo ardil que possa usar para cegar os
homens a seu verdadeiro caráter. Somos advertidos de que nos últimos dias ele
trabalhará com sinais e prodígios de mentira. E continuará esses prodígios até
ao fim da graça para que os indique como prova de que ele é um anjo de luz e
não de trevas” (Mensagens Escolhidas, vol. 2, páginas 50 e 51).
“Não precisamos ser enganados. Cenas
assombrosas, com as quais Satanás estará intimamente ligado, terão lugar
em breve. A Palavra de Deus declara que Satanás operará milagres. Fará com
que as pessoas fiquem doentes, e depois, de repente removerá delas seu poder
satânico. Serão consideradas então como curadas. Essas obras de cura aparente
levarão os adventistas do sétimo dia à prova. Muitos que tiveram grande luz
deixarão de andar na luz, porque não se tornaram um com Cristo” (Mensagens
Escolhidas, vol. 2, p. 53).
“Antes do fim do tempo ele [Satanás] operará maravilhas ainda maiores.
Até aonde chegar o seu poder, ele há de realizar verdadeiros milagres. Dizem as
Escrituras: "E engana os que habitam na Terra com sinais que lhe foi
permitido que fizesse" (Apocalipse 13:14) - não meramente os que ele
pretende fazer. Esse texto apresenta alguma coisa mais que simples ilusões” “Testemunhos
Seletos, vol. 1, p. 122).
Sabemos que Deus tem operado muitos
milagres entre o Seu povo. Mesmo, não fazendo dos milagres a nossa bandeira, é
necessário um esforço especial da parte da igreja para compartilhar essas
bênçãos com as pessoas ao nosso redor.
Conclusão
Jesus
demonstrou especial compaixão pelos enfermos e sofredores de um modo geral. Ele
curava as enfermidades do corpo e do espírito promovendo uma restauração
completa do moribundo. Embora Ele não fizesse nenhum proselitismo a respeito
dos milagres, esses levaram muitos a crerem Nele.
A Sua
maneira simples de agir é um desafio para nós hoje.
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e enriqueça mais a sua lição!
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