Comentário
da Lição da Escola Sabatina de dezenove a vinte e seis de abril de 2014,
preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de
Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro
da Igreja Adventista do Sétimo Dia-Central de Taguatinga, DF.
Introdução
O texto em
estudo na lição dessa semana esta
voltado para a atitude de Jesus para com a Lei. É curioso que na sua
abordagem sobre a importância de cada mandamento o sábado não é mencionado.
Esse fato tem atraído a atenção dos críticos que advogam a nulidade do sábado
uma vez que o mandamento não é mencionado por Jesus.
É interessante que todos os mandamentos
sofreram algum tipo de regulamentação por parte dos judeus. Essas regulamentações
enfraqueciam o mandamento e, em alguns casos, o tornava nulo como já foi
estudado na lição anterior em que a lei rabínica anulava o quinto mandamento.
Normalmente essas inserções rabínicas tendiam a favorecer os judeus, principalmente
na parte financeira.
No caso do sábado, por insinuação de
Satanás aconteceu o contrário. O sábado foi sobrecarregado de dezenas de
inserções que o tornava um fardo insuportável e não uma bênção. Tinha a distância
exata que uma pessoa poderia caminhar no sábado e o peso exato que ela poderia
carregar. Nesse dia não se cuspia no chão porque um fiapo de grama poderia “ser
irrigado”. Porém, se uma ovelha caía em um abismo no dia de sábado ela poderia
ser resgatada, não por compaixão, e sim, pelo seu valor financeiro.
Caso Jesus acentuasse a observância
do sábado seria chover no molhado. Mesmo assim Ele disse: “O Sábado foi feito por causa do
homem, e não o homem por causa do Sábado” (Marcos 2:27). E mais: Não cuideis
que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir. Porque em
verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til
jamais passará da lei, sem que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que violar
um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será
chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será
chamado grande no reino dos céus” (Mateus
5:17-19). Esse era um mandamento que todo o judeu
devotava o maior respeito ao ponto de se submeter a excessos. Caso ele fosse repetidamente
acentuado por Jesus seria um reforço a mais para os disparates já praticados em
sua observância.
Ao Cristo fazer a observação de que
Ele não veio para anular a lei e sim, cumpri-la, alguns argumentam que Ele já
cumpriu a lei por todos nós e, portanto, não necessitamos mais observar a lei.
Só que os que dizem assim não matam, não rouba, não adulteram etc. Por que
consideram tais práticas pecado? Sem nenhuma base bíblica insistem em afirmar
que o sábado foi anulado.
Domingo
Jesus jamais
concordou com algumas das regulamentações elaboradas pelos judeus em referencia
à lei. Isso deixava transparecer para os judeus que Jesus era contrário à lei e
apoiava a anulação da mesma. Sabemos que Jesus não apoiava os excessos, pois
descaracterizavam o próprio Deus que a criou.
O Mestre deixou bem claro que mantinha o maior
respeito para com a lei e ao mesmo tempo se esforçava para torná-la mais clara
para o povo. É lógico que os judeus, detentores não só da lei, mas também das
alterações acrescentadas, não gostaram da atitude de Cristo. E depois de dizer
que nem um I ou Til seria tirado ou acrescentado à lei Jesus da um sério recado:
“Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e
assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele,
porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus” (Mateus
5:19).
Essas palavras de Cristo são tomadas por
alguns para reafirmar que a observância da lei não é tão exigida assim, pois todos
os transgressores da mesma de um modo ou de outro estarão nos Céus. Jesus usou
apenas uma força de expressão para clarear a importância de todos os
mandamentos. Claro que todos os transgressores que o fazem voluntariamente e
que não se arrependeram de sua maneira de agir não participarão das mansões
eternas.
Levar para o Céu um transgressor contumaz
seria anular todo o plano da redenção e permitir que o pecado continue a sua malvada
trajetória iniciada no Éden, justamente porque a lei de Deus foi transgredida.
É bom lembrar-se das advertências encontradas
lá no final da Bíblia: “E, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta
profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das
coisas que estão escritas neste livro” (Apocalipse
22:19). E mais: “Porque eu testifico a todo aquele
que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar
alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro”
(Apocalipse 22:18).
Segunda
Segundo a
explicação de alguns teólogos, entende-se que a palavra "Ráca" tenha
o significado de tolo, insensato, cabeça oca. Ela abrange o significado de
outras palavras que indicam algo totalmente desprezível, sem valor ou lixo.
Essa palavra é uma descrição de como se sentiu Jonas ao ver que os ninivitas se
converteram em massa. Ele se sentiu tão humilhado que pediu a morte.
Jesus está falando
para um grupo que menosprezava as pessoas de outras etnias. Na oração do
fariseu ele se vangloriava: “não sou como os demais”. O Mestre deixou claro que
todos somos iguais e, qualquer pessoa, por mais pecadora que seja merece a
nossa atenção e respeito.
Dizem os
“comentaristas de plantão” que o homem judeu se orgulha de três coisas: Primeiro
de ser judeu. Segundo, por ser homem e não ter nascido mulher e terceiro por
ser a raça que mais contribuições tem dado para o mundo durante os seis milênios
de existência do planeta Terra. Para Deus todos somos iguais.
Certa vez um grupo
de pessoas levantou uma discussão. Por que Deus criou o homem no sexto dia? Um
deles respondeu: “Ao criar o homem no sexto dia Ele não queria cometer os
mesmos erros que cometeu ao criar os animais.” Outro acrescentou: “Ele sentiu a
necessidade de fazer testes.” Nesse momento apareceu um sábio. A sua opinião fez calar os demais. Ele foi
incisivo: “Muito simples, para que, quando fossemos tocados pelo
orgulho, pudéssemos refletir: até mesmo um simples mosquito teve prioridade no
trabalho Divino”.
Jesus observou que os judeus de Seu tempo
criaram mil maneiras de como observar melhor o dia de sábado, mas não praticavam
a essência da lei: o amor a Deus e ao
próximo. Quanto ao sábado era necessário desmistificar alguns complementos de
origem humana. Quanto aos demais mandamentos, eram tratados de maneira
superficial. Ele esclareceu que a respeito do adultério, do assassinato e de
outros mandamentos eles deixavam muito a desejar.
Jesus mostrou que o simples fato de odiar alguém já é um assassinato. “Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis
que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele” (1 João
3:15). Nessa perspectiva os que odiavam a Cristo
já O estava crucificando.
Terça
A Talmudic Encyclopédia nos dá uma ideia
porque foi necessário Jesus esclarecer melhor o sétimo mandamento e porque no
caso da samaritana apenas ela deveria ser apedrejada. Diz a enciclopédia: “Aquele
que tiver conhecimento carnal da mulher de um gentio não está sujeito à pena de
morte, porque está escrito: “a mulher do teu próximo” em vez de a mulher do
estrangeiro; e mesmo o preceito que um homem “manter-se-á fiel à sua mulher” que
é dirigido aos gentios não é aplicável a um judeu, tal como não existe
matrimônio para um pagão; e embora uma mulher gentia casada seja proibida aos gentios,
de qualquer forma o Judeu está isento.
Isto não implica que as relações sexuais
entre um homem judaico e uma mulher gentia sejam permitidas – pelo contrário.
Mas o castigo principal é infligido à mulher gentia; deve ser executada, mesmo
que tenha sido violada pelo judeu: Se um judeu praticar o coito com uma mulher
gentia, seja ela uma criança de três anos ou uma adulta, seja casada ou
solteira, ela deve ser morta.”
Veja: Um gentio não era considerado um
próximo e sim um estrangeiro. O mandamento proíbe relações com a mulher do
próximo. Relações com a mulher do estrangeiro eram permitidas. O casamento
entre os gentios não era considerado casamento. Assim qualquer mulher gentia
era considerada promiscua.
Jesus esclareceu o sétimo mandamento ampliando
a sua aplicabilidade assim como, ultimamente, foi ampliado o conceito de
estupro em nossa legislação.
As inserções de Jesus ao mandamento era um
verdadeiro tapa no bumbum dos líderes religiosos daquele tempo e, claro, em
muitos de nós hoje.
Quarta
Talvez um dos mandamentos mais esquecido hoje é o que nos resguarda de
tomar o nome de Deus em vão. Hoje, Jesus Se transformou em adesivos de carro e
estampas de camisetas. Outros fazem tatuagens
com o propósito ter Jesus marcado em seus corpos. O nome de Deus é
banalizado e parece mercadoria barata encontrada em qualquer esquina.
É curioso como Jesus ligou o terceiro mandamento com os últimos seis
mandamentos que versam sobre o nosso relacionamento com o próximo. Promessas
feitas a esmo tanto a Deus como ao próximo tem o mesmo peso diante do nosso
Criador e Ele nos adverte quanto ao perigo que isso representa.
Podemos imaginar a seriedade desses princípios que, eles foram dados em uma
época em que um simples aperto de mão ou um fio de cabelo da barba valiam mais
que um documento firmado em cartório nos dias de hoje.
Muitos dos que se submetem a juramentos juram que estão jurando falso.
Hoje, os compromissos com o próximo e mesmo com Deus são feitos de maneira
leviana sem uma profunda compreensão do que isso significa. Esta diante de nos
mais uma campanha eleitoral. É a época propícia de ouvirmos promessas e
promessas. Muitas delas, após a eleição, desaparecem como plumas levadas pelo
vento. Jesus mostrou o que essa atitude irresponsável significa.
O nome de Deus é tomado em vão
quando mencionado de maneira impensada sem um propósito definido. Qualquer
promessa ou compromisso a ser feito deve ser precedido de um profundo exame
das possibilidades de torná-los válidos sob quaisquer circunstancias.
Seus não nos obriga a fazer qualquer compromisso, mas uma vez feito ele
deve ser cumprido. Esse princípio vale para o nosso relacionamento com Deus e
com o nosso próximo e vale também para qualquer tipo de compromisso seja no
âmbito social, espiritual ou financeiro. Ananias e Safira pagaram com a própria
vida ao voltarem atrás ao reter parte do dinheiro prometido ao Senhor.
Quinta
Uma jovem que morava em Portugal desabafou: “Estou
contente em voltar para o meu país (Brasil). Mas duma coisa vou sentir falta: a
segurança.” Estamos vivendo em uma
época em que a violência tem tomado dimensões estratosféricas; ela está à
frente de nossa imaginação. Você deseja ficar rico dentro de pouco tempo? Então
abra um comércio de equipamentos de segurança. O medo faz parte do nosso cotidiano
e cansados de esperar por uma solução a ideia do “dente por dente” ou revide
tem se espalhado entre as pessoas.
Cristo deixou claro que a violência foi uma das causas da destruição do
mundo nos dias do dilúvio e que ela será comum antes de Sua volta a este mundo.
Diz os textos: “A terra estava corrompida à vista de Deus e
cheia de violência” (Gênesis 6.11); e ainda: “Viu o Senhor que a maldade do
homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mal todo desígnio
do seu coração” (Gênesis 6.4) e Jesus completa: “Pois
assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do homem (Mateus 24:37).
O princípio de talião foi encontrado no Código de Hamurabi provavelmente 1780 a.C., no reino da Babilônia. Provavelmente a sua
existêcia foi fundamentada na Bíblia. A explicação que se tem para essa espécie
de “castigo-espelho” seria evitar excessiva punição às mãos de qualquer um
vingador. Ele estabelecia um limite ou parâmetro para o revide. Um poeta assim
se expressou:
“Ódio por ódio e compaixão por compaixão
Olho por olho e dente por dente
Desprezo por desprezo e ferimento por ferimento
Amor por amor e astúcia por astúcia.”
Desprezo por desprezo e ferimento por ferimento
Amor por amor e astúcia por astúcia.”
Interrogado
a respeito de alguém abandonar uma mulher sem motivo aparente, Jesus ponderou:
“É por causa da dureza de vosso coração que Moisés havia tolerado o repúdio das
mulheres; mas no começo não foi assim” (Mateus
19:8). Veja a observação que Ele faz: “No
princípio não era assim.” Provavelmente a lei de “dente por dente” seguiu o
mesmo princípio.
Conclusão
Entre
muitas coisas ditas no Sermão da Montanha Jesus bateu firme na necessidade de
amor a Deus e ao próximo. Essa era uma necessidade urgente para os fariseus
daquela época e, quem sabe, para nós dos dias de hoje.
çl
Nenhum comentário:
Postar um comentário