segunda-feira, 21 de abril de 2014

Cristo e a lei no sermão da montanha

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Comentário da Lição da Escola Sabatina de dezenove a vinte e seis de abril de 2014, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia-Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

            O texto em estudo na lição dessa semana esta voltado para a atitude de Jesus para com a Lei. É curioso que na sua abordagem sobre a importância de cada mandamento o sábado não é mencionado. Esse fato tem atraído a atenção dos críticos que advogam a nulidade do sábado uma vez que o mandamento não é mencionado por Jesus.

             É interessante que todos os mandamentos sofreram algum tipo de regulamentação por parte dos judeus. Essas regulamentações enfraqueciam o mandamento e, em alguns casos, o tornava nulo como já foi estudado na lição anterior em que a lei rabínica anulava o quinto mandamento. Normalmente essas inserções rabínicas tendiam a favorecer os judeus, principalmente na parte financeira.

            No caso do sábado, por insinuação de Satanás aconteceu o contrário. O sábado foi sobrecarregado de dezenas de inserções que o tornava um fardo insuportável e não uma bênção. Tinha a distância exata que uma pessoa poderia caminhar no sábado e o peso exato que ela poderia carregar. Nesse dia não se cuspia no chão porque um fiapo de grama poderia “ser irrigado”. Porém, se uma ovelha caía em um abismo no dia de sábado ela poderia ser resgatada, não por compaixão, e sim, pelo seu valor financeiro.

            Caso Jesus acentuasse a observância do sábado seria chover no molhado. Mesmo assim Ele disse: “O Sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do Sábado” (Marcos 2:27). E mais: Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til jamais passará da lei, sem que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus” (Mateus 5:17-19). Esse era um mandamento que todo o judeu devotava o maior respeito ao ponto de se submeter a excessos. Caso ele fosse repetidamente acentuado por Jesus seria um reforço a mais para os disparates já praticados em sua observância.

            Ao Cristo fazer a observação de que Ele não veio para anular a lei e sim, cumpri-la, alguns argumentam que Ele já cumpriu a lei por todos nós e, portanto, não necessitamos mais observar a lei. Só que os que dizem assim não matam, não rouba, não adulteram etc. Por que consideram tais práticas pecado? Sem nenhuma base bíblica insistem em afirmar que o sábado foi anulado.  

 

Domingo

            Jesus jamais concordou com algumas das regulamentações elaboradas pelos judeus em referencia à lei. Isso deixava transparecer para os judeus que Jesus era contrário à lei e apoiava a anulação da mesma. Sabemos que Jesus não apoiava os excessos, pois descaracterizavam o próprio Deus que a criou.

 O Mestre deixou bem claro que mantinha o maior respeito para com a lei e ao mesmo tempo se esforçava para torná-la mais clara para o povo. É lógico que os judeus, detentores não só da lei, mas também das alterações acrescentadas, não gostaram da atitude de Cristo. E depois de dizer que nem um I ou Til seria tirado ou acrescentado à lei Jesus da um sério recado: “Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus” (Mateus 5:19).

Essas palavras de Cristo são tomadas por alguns para reafirmar que a observância da lei não é tão exigida assim, pois todos os transgressores da mesma de um modo ou de outro estarão nos Céus. Jesus usou apenas uma força de expressão para clarear a importância de todos os mandamentos. Claro que todos os transgressores que o fazem voluntariamente e que não se arrependeram de sua maneira de agir não participarão das mansões eternas.

Levar para o Céu um transgressor contumaz seria anular todo o plano da redenção e permitir que o pecado continue a sua malvada trajetória iniciada no Éden, justamente porque a lei de Deus foi transgredida.

É bom lembrar-se das advertências encontradas lá no final da Bíblia: “E, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro” (Apocalipse 22:19). E mais: “Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro” (Apocalipse 22:18).

 

Segunda

Segundo a explicação de alguns teólogos, entende-se que a palavra "Ráca" tenha o significado de tolo, insensato, cabeça oca. Ela abrange o significado de outras palavras que indicam algo totalmente desprezível, sem valor ou lixo. Essa palavra é uma descrição de como se sentiu Jonas ao ver que os ninivitas se converteram em massa. Ele se sentiu tão humilhado que pediu a morte.

Jesus está falando para um grupo que menosprezava as pessoas de outras etnias. Na oração do fariseu ele se vangloriava: “não sou como os demais”. O Mestre deixou claro que todos somos iguais e, qualquer pessoa, por mais pecadora que seja merece a nossa atenção e respeito.

Dizem os “comentaristas de plantão” que o homem judeu se orgulha de três coisas: Primeiro de ser judeu. Segundo, por ser homem e não ter nascido mulher e terceiro por ser a raça que mais contribuições tem dado para o mundo durante os seis milênios de existência do planeta Terra. Para Deus todos somos iguais.

Certa vez um grupo de pessoas levantou uma discussão. Por que Deus criou o homem no sexto dia? Um deles respondeu: “Ao criar o homem no sexto dia Ele não queria cometer os mesmos erros que cometeu ao criar os animais.” Outro acrescentou: “Ele sentiu a necessidade de fazer testes.” Nesse momento apareceu um sábio. A sua  opinião fez calar os demais. Ele foi incisivo:   “Muito simples, para que, quando fossemos tocados pelo orgulho, pudéssemos refletir: até mesmo um simples mosquito teve prioridade no trabalho Divino”.

Jesus observou que os judeus de Seu tempo criaram mil maneiras de como observar melhor o dia de sábado, mas não praticavam a essência da lei: o amor a Deus e ao próximo. Quanto ao sábado era necessário desmistificar alguns complementos de origem humana. Quanto aos demais mandamentos, eram tratados de maneira superficial. Ele esclareceu que a respeito do adultério, do assassinato e de outros mandamentos eles deixavam muito a desejar.

Jesus mostrou que o simples fato de odiar alguém já é um assassinato. “Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele” (1 João 3:15). Nessa perspectiva os que odiavam a Cristo já O estava crucificando.

 

Terça

A Talmudic Encyclopédia nos dá uma ideia porque foi necessário Jesus esclarecer melhor o sétimo mandamento e porque no caso da samaritana apenas ela deveria ser apedrejada. Diz a enciclopédia: “Aquele que tiver conhecimento carnal da mulher de um gentio não está sujeito à pena de morte, porque está escrito: “a mulher do teu próximo” em vez de a mulher do estrangeiro; e mesmo o preceito que um homem “manter-se-á fiel à sua mulher” que é dirigido aos gentios não é aplicável a um judeu, tal como não existe matrimônio para um pagão; e embora uma mulher gentia casada seja proibida aos gentios, de qualquer forma o Judeu está isento.

Isto não implica que as relações sexuais entre um homem judaico e uma mulher gentia sejam permitidas – pelo contrário. Mas o castigo principal é infligido à mulher gentia; deve ser executada, mesmo que tenha sido violada pelo judeu: Se um judeu praticar o coito com uma mulher gentia, seja ela uma criança de três anos ou uma adulta, seja casada ou solteira, ela deve ser morta.”

Veja: Um gentio não era considerado um próximo e sim um estrangeiro. O mandamento proíbe relações com a mulher do próximo. Relações com a mulher do estrangeiro eram permitidas. O casamento entre os gentios não era considerado casamento. Assim qualquer mulher gentia era considerada promiscua.

Jesus esclareceu o sétimo mandamento ampliando a sua aplicabilidade assim como, ultimamente, foi ampliado o conceito de estupro em nossa legislação.

As inserções de Jesus ao mandamento era um verdadeiro tapa no bumbum dos líderes religiosos daquele tempo e, claro, em muitos de nós hoje.

 

Quarta

Talvez um dos mandamentos mais esquecido hoje é o que nos resguarda de tomar o nome de Deus em vão. Hoje, Jesus Se transformou em adesivos de carro e estampas de camisetas. Outros fazem tatuagens  com o propósito ter Jesus marcado em seus corpos. O nome de Deus é banalizado e parece mercadoria barata encontrada em qualquer esquina.

É curioso como Jesus ligou o terceiro mandamento com os últimos seis mandamentos que versam sobre o nosso relacionamento com o próximo. Promessas feitas a esmo tanto a Deus como ao próximo tem o mesmo peso diante do nosso Criador e Ele nos adverte quanto ao perigo que isso representa.

Podemos imaginar a seriedade desses princípios que, eles foram dados em uma época em que um simples aperto de mão ou um fio de cabelo da barba valiam mais que um documento firmado em cartório nos dias de hoje.

Muitos dos que se submetem a juramentos juram que estão jurando falso. Hoje, os compromissos com o próximo e mesmo com Deus são feitos de maneira leviana sem uma profunda compreensão do que isso significa. Esta diante de nos mais uma campanha eleitoral. É a época propícia de ouvirmos promessas e promessas. Muitas delas, após a eleição, desaparecem como plumas levadas pelo vento. Jesus mostrou o que essa atitude irresponsável significa.

 O nome de Deus é tomado em vão quando mencionado de maneira impensada sem um propósito definido. Qualquer promessa ou compromisso a ser feito deve ser precedido de um profundo exame das possibilidades de torná-los válidos sob quaisquer circunstancias.

Seus não nos obriga a fazer qualquer compromisso, mas uma vez feito ele deve ser cumprido. Esse princípio vale para o nosso relacionamento com Deus e com o nosso próximo e vale também para qualquer tipo de compromisso seja no âmbito social, espiritual ou financeiro. Ananias e Safira pagaram com a própria vida ao voltarem atrás ao reter parte do dinheiro prometido ao Senhor.

 

Quinta

Uma jovem que morava em Portugal desabafou: “Estou contente em voltar para o meu país (Brasil). Mas duma coisa vou sentir falta: a segurança.” Estamos vivendo em uma época em que a violência tem tomado dimensões estratosféricas; ela está à frente de nossa imaginação. Você deseja ficar rico dentro de pouco tempo? Então abra um comércio de equipamentos de segurança. O medo faz parte do nosso cotidiano e cansados de esperar por uma solução a ideia do “dente por dente” ou revide tem se espalhado entre as pessoas.

Cristo deixou claro que a violência foi uma das causas da destruição do mundo nos dias do dilúvio e que ela será comum antes de Sua volta a este mundo. Diz os textos: “A terra estava corrompida à vista de Deus e cheia de violência” (Gênesis 6.11); e ainda: “Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra e que era continuamente mal todo desígnio do seu coração” (Gênesis 6.4) e Jesus completa: Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do homem (Mateus 24:37).

O princípio de talião foi encontrado no Código de Hamurabi provavelmente 1780 a.C., no reino da Babilônia. Provavelmente a sua existêcia foi fundamentada na Bíblia. A explicação que se tem para essa espécie de “castigo-espelho” seria evitar excessiva punição às mãos de qualquer um vingador. Ele estabelecia um limite ou parâmetro para o revide. Um poeta assim se expressou:

            “Ódio por ódio e compaixão por compaixão

             Olho por olho e dente por dente
             Desprezo por desprezo e ferimento por ferimento
             Amor por amor e astúcia por astúcia.”

            Interrogado a respeito de alguém abandonar uma mulher sem motivo aparente, Jesus ponderou: “É por causa da dureza de vosso coração que Moisés havia tolerado o repúdio das mulheres; mas no começo não foi assim” (Mateus 19:8). Veja a observação que Ele faz: “No princípio não era assim.” Provavelmente a lei de “dente por dente” seguiu o mesmo princípio.

 

Conclusão

            Entre muitas coisas ditas no Sermão da Montanha Jesus bateu firme na necessidade de amor a Deus e ao próximo. Essa era uma necessidade urgente para os fariseus daquela época e, quem sabe, para nós dos dias de hoje.      

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