Comentário
da Lição da Escola Sabatina de dez a dezessete de maio de dois mil e quatorze,
preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de
Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro
da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Faz pouco tempo li uma declaração de um teólogo que
tentava explicar Romanos 10:4. Disse ele: “O fim da lei é Cristo” E continuou a
sua fala: “Você tem em mãos um carnê. Por anos você pagou cada página do carnê
até que chegou o grande dia e você quitou a última. Isso significa que o carnê
acabou. Ele não existe mais. Isso é o que aconteceu com a lei. Jesus pagou tudo
e ela não mais existe.” Essa declaração simplista pode ser até interessante
caso não fosse absurda.
Ao
falar sobre a lei o teólogo Caio Fábio disse que, depois da morte de Cristo, a
lei existe para definir o comportamento dos seres humanos entre si e nada mais
do que isso.
Certa vez encontrei um senhor que foi as
raias do disparate. Disse ele: “Eu bebo, fumo e passo as noites na boemia
porque Jesus já pagou tudo na cruz por mim.” Nesse caso faltou, pelo menos, um
pouquinho de reconhecimento ao que Cristo fez por essa criatura, e não se
esquecer de uma premissa: “Aquele que diz que está nele, também deve andar como
ele andou” (1 João 2:6).
É a própria existência do evangelho que prova
a vigência da lei, pois qual seria o propósito na pregação das boas novas de
salvação caso a lei não estivesse mais em vigor? Seria chover no molhado. O ser
humano não pode transgredir o que não existe.
Mas, afinal, qual é a função da lei? O meu
pai ao conhecer a beleza do evangelho chegou à conclusão de que era um grande
pecador e de que necessitava com urgência de se safar dessa situação e fez de Jesus
o seu porto seguro. A lei foi o espelho que lhe revelou a necessidade de se
lavar. Não é por acaso que Paulo afirmou: “De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para
que pela fé fôssemos justificados” (Gálatas
3:24). Podemos compreender o significado da
palavra “fim” como objetivo, propósito ou finalidade.
“Sendo pois
justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; pelo
qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos
gloriamos na esperança da glória de Deus" (Rom. 5:1 e 2). Apenas
Cristo nos salva da condenação da lei.
Percebe que em vez de a lei e o evangelho
estarem em oposição, eles se acha em íntima comunhão. E a própria existência do
evangelho prova que a lei ainda está em vigor, pois qual seria o propósito na
pregação das boas novas de salvação da violação da lei se a lei não estivesse
mais em vigor? O ser humano não pode transgredir o que não existe.
Quão claro e simples é, portanto, que quando
aceitamos o Filho de Deus e a graça que Ele oferece, não viramos as costas à
lei. Pelo contrário, descobrimos que a “justiça da lei se cumpre em nós”, Em
vez de sermos pecadores, transgressores da lei de Deus, descobrimos que somos
obedientes a ela.
Aceitamos a Cristo não para obter justiça pela observância da lei. A Sua justiça nos é imputada. Diz Paulo: “Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas; justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos os que crêem” (Rom. 3:21 e 22). Considerando mais uma vez que “o fim da lei” ou objetivo, propósito e finalidade “é Cristo, para justiça de todo aquele que crê” (Rom. 10:4).
Aceitamos a Cristo não para obter justiça pela observância da lei. A Sua justiça nos é imputada. Diz Paulo: “Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas; justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos os que crêem” (Rom. 3:21 e 22). Considerando mais uma vez que “o fim da lei” ou objetivo, propósito e finalidade “é Cristo, para justiça de todo aquele que crê” (Rom. 10:4).
Domingo
O
objetivo da lei não é se estabelecer como uma fábrica de pecado. O pecado
abundou porque “a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação
dos pensamentos de seu coração era só má continuamente” (Gênesis
6:5).
Para que o homem fosse poupado da morte por
causa da transgressão da lei, Deus em Sua misericórdia proveu o escape. O homem
proliferou em pecado, mas o Senhor proveu o resgate. A Sua graça foi dispensada
em abundância. “Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o
pecado abundou, superabundou a graça” (Romanos
5:20).
A lei define o que é pecado e pela a sua
definição ficou claro que “pecado é a transgressão da lei” (1 João
3:4). Todo o ser humano é um pecador “pois todos
pecaram e estão destituídos da glória de Deus” (Romanos
3:23). Sendo pecador, automaticamente, ele está
condenado à morte. “Mas Deus demonstra seu amor por nós: Cristo morreu em nosso
favor quando ainda éramos pecadores” (Romanos
5:8).
O pecado entrou no mundo por um homem, Adão.
A salvação também entrou no mundo por um homem, Jesus. Essa é a maior demonstração
de amor vista no Universo. Alguém inocente assumindo a culpa de alguém
condenado à morte. Jesus fez isso por mim e por você.
Segunda
Uma
pessoa que estava condenada à morte por causa de seus pecados foi salva pela
graça manifestada em Cristo Jesus. Ela estava condenada à morte porque
transgrediu a lei. Sendo a transgressão da lei a causa de sua condenação e
sendo que Jesus assumiu essa condenação morrendo em nosso lugar uma vez salvos
voltaremos a transgredir a lei de Deus e continuaremos vivendo em pecado?
O quadro que Jesus faz dessa pessoa é o mais
triste que se possa imaginar. “Então vai e traz consigo outros sete espíritos
piores do que ele, e entrando passam a viver ali. E o estado final daquele
homem torna-se pior do que o primeiro. Assim acontecerá a esta geração
perversa" (Mateus
12:45). Pedro faz uma descrição pesada de pessoas
assim: Confirma-se neles que é verdadeiro o provérbio: "O cão voltou ao
seu vômito" e ainda: "A porca lavada voltou a revolver-se na
lama" (2 Pedro 2:22).
O fato de eu ser agraciado pela graça não me
isenta de observar a lei. Pelo contrário, a minha aceitação da salvação
oferecida por Cristo aumenta ainda mais a minha responsabilidade para com a
lei. Uma criança que transgrediu as orientações de seu pai e é poupada de uma
surra jamais vai praticar o mesmo delito porque tem certeza que esta ferindo a
seu pai que lhe demonstrou tão grande amor. A nossa observância da lei passa a
ser a nossa resposta de amor à graça de Deus manifestada em nós.
Terça
Paulo
descreve a sua triste situação. Parece estar em um beco sem saída. Quer fazer o
que é reto diante de Deus, mas não consegue. Por mais que se esforce sempre
comete um deslize aqui e outro ali. Sabedor que o fim do transgressor é a morte
ele não vê saída. Pior de tudo, Paulo não está sozinho em seu desespero. A
situação dele é a mesma de todos nós.
Paulo experimentou o grande milagre da
conversão. Caso ele não fosse convertido estaria em paz assim como vivia antes
de conhecer a Cristo. Será que o evangelho nos apanha como uma armadilha nos
roubando a paz e nos colocando em permanente conflito conosco mesmo? Parece que
essa foi a experiência de Paulo, uma permanente luta consigo mesmo para atender
os reclamos da lei. Até que ele desabafa: “Miserável homem que eu sou! quem me
livrará do corpo desta morte?” (Romanos
7:24).
Caso a carta de Paulo aos Romanos terminasse no
capítulo sete seria o fim para todos nós. No inicio do capitulo oito ele
apresenta a grande solução encontrada. É uma mensagem de esperança para toda a
humanidade. Diz ele: “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão
em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito. Porque
a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da
morte” (Romanos 8:1-2).
Cristo veio para que tenhamos via plena. “O
ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida,
e a tenham com abundância” (João
10:10). O nosso desespero termina aos pés da cruz.
Jesus olha para as nossas limitações e com amor sussurra aos nossos ouvidos:
“nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”.
Quando temos apenas o conhecimento da lei nos
sentimos miseráveis. Mas é esse conhecimento que nos leva a desejar de todo
coração um livramento. Esse livramento está em Cristo. Em Cristo não somos mais
miseráveis. Somos bem-aventurados. “Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a
remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça” (Efésios
1:7).
Quarta
Enquanto
os judeus, guardiões da lei, pregavam
a estrita observância dessa lei como tabua de salvação, os gentios não tinham
como apoiar nessa lei. Ela não lhes pertencia. Então, eles desenvolveram a fé
como única base de sua salvação. Eles eram excluídos do convívio no templo e
apenas pela fé esperavam a sua remissão.
É
interessante que os gentios optaram pelo caminho certo. Sabiam que eram
pecadores. Eles tinham conhecimento das exigências da lei, mas acreditavam que,
por não ser judeus, ela não poderia lhes prover salvação. Diante dessa situação
eles exercitaram a fé. Paulo chega a dizer que sem lei eles serão julgados. Ou
seja, o julgamento será proporcional ao conhecimento que tiveram não só da lei,
mas também da salvação em Cristo.
Os
judeus eram zelosos das coisas concernentes à salvação. Jamais eles trataram
esse assunto de maneira leviana. Mas na sua busca faltou o principal: o
entendimento e esse, apenas o Espírito Santo pode conceder aos que lhe pedirem.
Os judeus se achavam muito intelectuais para solicitar a orientação do Espírito
Santo. “E, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que
alcançamos as petições que lhe fizemos” (1
João 5:15).
Os
judeus se enveredaram pelo caminho do legalismo buscando a salvação onde ela
não existe.
Quinta
Sem
conhecimento da lei as pessoas pecavam sem noção da gravidade de seus atos e,
quando conscientes da gravidade do seu comportamento não sabiam a quem
recorrer.
Desde
o Jardim do Éden Deus deixou bem claro que sem derramamento de sangue não há
remissão de pecados. As ordenanças do santuário terrestre eram todas voltadas
para essa grande premissa.
Quando
Paulo se defrontou com a lei ele não viu saída, e, atônito exclamou: “Miserável
homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos
7:24). Logo depois ele visualizou uma porta de
escape e o seu pensamento mudou. Ao conhecer o sacrifício de Jesus ele
exclamou: “Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das
ofensas, segundo as riquezas da sua graça” (Efésios 1:7).
Paulo chegou à conclusão de que a lei nos mostra o pecado
e nos leva a procurar a Cristo, o Único que pode perdoar as nossas
transgressões. A lei nos mostra a nossa
real condição: pecadores. Sabemos que por ela estamos condenados à morte. E na
nossa busca por salvação encontramos o único caminho: “E em nenhum outro há
salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os
homens, pelo qual devamos ser salvos” (Atos dos Apóstolos 4:12).
Quando
o transgressor da lei encontra a Cristo ele tem consciência de que foi por
causa de suas transgressões que o Salvador foi morto. Essa conscientização leva
o pecador a mudar de vida. “Depois Jesus encontrou-o no templo, e disse-lhe:
Eis que já estás são; não peques mais, para que não te suceda alguma coisa
pior” (João 5:14).
Conclusão
“A lei nos revela o pecado,
levando-nos a sentir nossa necessidade de Cristo e a fugirmos para Ele em busca
de perdão e paz mediante o arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor
Jesus Cristo” (Mensagens Escolhidas – Vol. I, p. 234). E “A lei é uma expressão
do pensamento de Deus. Quando a recebemos em Cristo ela se torna nosso
pensamento. Ergue-nos acima do poder dos desejos e tendências naturais, acima
das tentações que levam ao pecado. "Muita paz têm os que amam a Tua lei, e
para eles não há tropeço" (Sal. 119:165) - coisa alguma os levará a
tropeçar” (Mensagens Escolhidas – Vol. I, p. 235).
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