Comentário da Lição da Escola
Sabatina de trinta e um de maio a sete de junho de dois mil e quatorze,
preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de
Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro
da Igreja Adventista do Sétimo Dia - Central de Taguatinga, DF.
Introdução
A proposta
de Deus de uma aliança ou conserto entre Ele e Seu povo surgiu no Jardim do
Éden. Ao criar o homem Deu propôs o primeiro concerto. Ele assegurou ao casal
que, caso eles fossem fieis às Suas ordenanças, desfrutariam da eternidade por
toda a eternidade (redundância para facilitar o entendimento). Sabemos que o
homem falhou no cumprimento da aliança proposta pelo Criador. Com a entrada do
pecado o homem e afastou do Senhor. Sabemos que Deus deseja estar por toda a
eternidade com as Suas criaturas e para que isso aconteça o homem necessita se
adequar à Sua vontade.
Por várias
vezes na história da humanidade Deus convidou o homem a renovar a aliança dom
Ele. Somos pecadores, mas desde a nossa queda Deus tem Se empenhado em manter
um íntimo relacionamento com cada filho Seu.
A morte do
cordeiro no Jardim do Éden foi a aliança que Deus propôs ao homem após o pecado.
Cada pecador que aceitasse o futuro sacrifício de Cristo receberia o dom da
vida eterna que foi perdido com a transgressão. Essa aliança como as demais
implicaria em exercer a fé.
“Se nosso
coração é renovado à semelhança de Deus, se o amor divino é implantado na alma,
não será então praticado na vida a lei de Deus? Implantado no coração o
princípio do amor, renovado o homem segundo a imagem Daquele que o criou,
cumpre-se a promessa do novo concerto: "Porei as Minhas leis em seu
coração e as escreverei em seus entendimentos." Hebreus. 10:16. E se a lei
está escrita no coração, não moldará ela a vida? A obediência - nosso serviço e
aliança de amor - é o verdadeiro sinal de discipulado. Assim diz a Escritura:
"Porque esta é a caridade [ou amor] de Deus: que guardemos os Seus mandamentos."
I João 5:3. "Aquele que diz: Eu conheço-O e não guarda os Seus mandamentos
é mentiroso, e nele não está a verdade.” I João 2:4”” (Caminho a Cristo, p.
60).
“O Senhor fez um concerto especial com o Israel antigo: "Agora pois,
se diligentemente ouvirdes a Minha voz, e guardardes o Meu concerto, então
sereis a Minha propriedade peculiar dentre todos os povos, porque toda a Terra
é Minha; e vós Me sereis um reino sacerdotal e o povo santo." Êxodo. 19:5
e 6. Ele Se dirige a Seu povo que guarda os mandamentos nestes últimos dias:
"Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo
adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas
para Sua maravilhosa luz" I Pedro 2:9. "Amados, peço-vos como a
peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências carnais que
combatem contra a alma." I Ped. 2:11.” (Conselhos Sobre Saúde, p. 567).
A renovação da aliança é uma prova de que Deus Se
empenha em manter um relacionamento saudável com os Seus filhos. Sempre que o
homem cria arestas nesse relacionamento Deus renova a Sua mensagem de amor e
salvação. Diz a Bíblia: “Há muito que o Senhor me apareceu, dizendo:
Porquanto com amor eterno te amei, por isso com benignidade te atraí” (Jeremias 31:3).
Quando Caim matou
Abel seu irmão ele se sentiu como um vagabundo e murmurou: “Eis que hoje me
lanças da face da terra, e da tua face me esconderei; e serei fugitivo e
vagabundo na terra, e será que todo aquele que me achar, me matará” (Gênesis 4:14). Na hora de maior
desespero Deus intervém confortando aquela alma ferida. Caim recebe um sinal
para que ninguém o atinja. “O Senhor, porém, disse-lhe: Portanto qualquer que
matar a Caim, sete vezes será castigado. E pôs o Senhor um sinal em Caim para
que o não ferisse qualquer que o achasse” (Gênesis 4:15).
A graça divina livrou
Caim da morte que ele mesmo julgou ser merecedor. Deus firmou uma aliança com
esse filho rebelde. Sim, a essência da renovação da aliança mostra um Deus que
não quer perder o contado conosco, e sempre que entramos em conflito com Ele
infringindo a Sua lei Ele se apresenta benevolente e pronto a nos livrar da
perdição. Ele insiste em estar ao nosso lado para que aprendamos a viver com
Ele na eternidade.
É
curioso ver que a aliança pós diluviana se estendia não só à raça humana, mas
também a todos os animais. Disse o Senhor: “E eu, eis que estabeleço a minha
aliança convosco e com a vossa descendência depois de vós. E com toda a alma
vivente, que convosco está, de aves, de gado, e de todo o animal da terra
convosco; com todos que saíram da arca, até todo o animal da terra” (Gênesis
9:9-10).
O
cenário da Terra pós dilúvio era aterrador. Carcaças de animais e seres humanos
se espalhavam por todos os lados. Não se ouvia o cântico dos pássaros e nem o
ruído de animais exceto os que saíram da arca e permaneceram nos arredores.
Talvez esse cenário tenha contribuído para que Moisés se exagerasse no uso do
vinho.
Ele não tinha vizinhos, amigos e nem mesmo
pessoas estranhas por perto. O seu círculo de relacionamento era a sua família
e Deus. Por outro lado Deus também não gostou do que viu e tomou uma atitude
marcante. Chamou Moisés para uma conversa e o assunto, pelo que parece foi
unilateral. Deus Se comprometeu em não mais destruir os seres viventes com um
dilúvio. A promessa se estendia não só a Moisés e a seus familiares, mas também
aos seus descendentes e a todos os animais.
Como marco testemunhal das palavras do
Altíssimo Ele criou algo especial: o arco Íris. É curioso que por várias vezes
Deus enfatiza que Ele próprio ao ver o arco nas nuvens Se lembraria da promessa
feita ao homem, ao cavalo, ao gafanhoto a formiga enfim, a todo o ser vivente.
O mundo não seria mais destruído com um dilúvio.
Deus não queria Se esquecer da promessa feita
e colocou nos céus um sinal multicolorido e porque não dizer luminoso. No arco
Íris o pensamento humano se encontra com o divino. Disse o Senhor: “E disse
Deus a Noé: Este é o sinal da aliança que tenho estabelecido entre mim e entre
toda a carne, que está sobre a terra” (Gênesis
9:17). O arco Iris é em forma de arco. Dá a
entender que ele circunda toda a Terra envolvendo e protegendo todo o animal e
todo o ser humano de uma possível destruição com água.
Com a vida corrida de hoje temos tirado tempo
para mostrar o arco Íris para os nossos filhos e temos mostrado para eles o que
ele representa? Um detalhe: assim como Deus fez essa aliança firmada em uma
promessa unilateral que tal nos pecadores falhos renovarmos a nossa aliança com
Deus com promessas bilaterais de melhor servi-Lo e amá-Lo?
A aliança entre Deus e Abrão estava
condicionada a deveres e promessas de ambas as partes. A circuncisão dos
primogênitos era uma prova de aceitação, por parte do homem que este aceitava
os termos da aliança.
Segunda
Quando Israel se deparou com o livro da lei
que representava a aliança entre Deus e Israel a reação dos israelitas foi
imediata: “E tomou o livro da aliança e o leu aos ouvidos do povo, e eles
disseram: Tudo o que o Senhor tem falado faremos, e obedeceremos” (Êxodo
24:7). O povo estava disposto a cumprir toda a
lei e a obedecer aos seus reclamos. Porém, poucos dias depois o povo estava
adorando um bezerro de ouro e esse não foi o primeiro deslize dos escolhidos
por Deus para anunciá-Lo ao mundo.
A aliança do Sinai foi danificada mesmo antes
de Moisés descer do monte. O povo achou que podia obedecer a lei sem a ajuda
divina e esse foi um dos maiores equívocos que permaneceu durante todo o tempo
em que Israel existiu como nação.
Essa foi a razão de Deus, por várias vezes,
renovar a Sua aliança com o homem. Veio Jesus e Ele mostrou para o homem ser
possível obedecer às orientações divinas expressas em Sua Palavra. O Seu
segredo foi uma íntima comunhão com o Pai. Jesus deixou claro que a nossa
natureza carnal é propensa para o pecado e ao transgredir às ordenanças de Deus
o homem está condenado à morte. Porém se exercermos fé na promessa feita a
Abraão Jesus nos socorre e nos liberta da morte.
Diz Gálatas 3:22: “Mas a Escritura encerrou
tudo sob o pecado, para que mediante a fé em Jesus Cristo fosse a promessa
concedida aos que creem.” O batismo é o nosso testemunho público de que
aceitamos os termos da aliança proposta por Cristo e que não necessitamos viver
sob a condenação da lei.
Terça
As tábuas da aliança, como são chamadas as
dez tábuas dos Dez Mandamentos estão em plena validade nos dias de hoje. Existe
um pensamento reinante no mundo religioso de hoje que os Dez Mandamentos não
vigoram mais porque representam, segundo eles, a velha aliança.
É bom lembrar que se Jesus não tivesse levado
uma vida isenta de transgreções e não tivesse morrido numa cruz Jamais alguém,
desde Adão até o último ser humano a palmilhar pela Terra, poderia se salvar
mesmo que fosse obediente a toda a lei de Deus.
Jesus foi o centro da primeira e da segunda
aliança. A primeira sacramentada via promessas e a segunda concretizada via
Calvário. As duas alianças foram uma resposta de Deus ao pecado. A primeira em
sombras e a segunda em realidade. Foi a permanente validade da lei que tornou
necessária a presença das duas alianças.
Quarta
A primeira aliança como já estudamos acima
foi firmada sob promessa. Quem prometeu a salvação teria que morrer sem pecado
para validar a Sua promessa de salvação. Isso foi o que Jesus prometeu lá no
Jardim do Éden e depois retificou no Calvário. A segunda aliança é melhor
porque ela não é firmada em promessa. Pelo contrário ela é o cumprimento de
todas as promessas de salvação encontradas na Bíblia.
Um ponto a considerar é que uma aliança não
invalida a outra. Ambas fazem parte do plano da salvação que segue um cronograma
divino. Sem a primeira os habitantes do mundo antes da cruz estariam
irremediavelmente perdidos e caso funcionasse assim Deus seria injusto.
O plano da salvação não esta firmado em
improvisos e nem em experiências. Ele foi arquitetado antes da criação do
homem. “O
plano da salvação foi elaborado para remir a raça caída, para dar-lhe outra
oportunidade. Cristo foi designado para o cargo de Mediador da criação de Deus,
destinado desde a eternidade a ser nosso substituto e penhor” (Mensagens
Escolhidas, vol. 1, pág. 250).
O
plano da salvação apresentado em promessas e confirmado no Calvário é a prova
máxima de que Deus ama a todo o pecador e que a Sua lei está firmada em Seu
amor. O evangelho é a apresentação da aliança em seus vários estágios. Ele
representa o convite de salvação apresentado ao homem desde que surgiu o
pecado.
Quinta
Os Dez Mandamentos representam o caráter de Deus.
Deus é amor e os mandamentos sintetizam esse amor revelado ao homem. Eles
encerram promessa e proteção. Podemos imaginar como seria o nosso mundo se toda
a humanidade observasse a santa lei de Deus! Não haveria ódio, polícia,
tribunais e a paz reinaria em todos os corações. Isso foi o que Deus planejou
para os Seus filhos, mesmo depois da entrada do pecado. De uma coisa temos
certeza: o sonho de Deus não acabou.
Há
esperança para o pecador por mais contumaz que ele seja. Deus provou isso ao
longo dos milênios propondo e firmando alianças com a raça humana. O Calvário é
a prova suprema desse amor sem medidas. E o melhor de tudo: para aqueles que
estão em íntima comunhão com Cristo desfruta de uma confiança sem limites de
que mesmo em meio de provações Ele está dirigindo a nossa vida. “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para
nós um peso eterno de glória mui excelente” (2
Coríntios 4:17).
Quando
estreitamos o nosso relacionamento com Jesus Ele não só provê o melhor para nós
nesta vida como nos proporciona a garantia de uma vida eterna. Jesus nos garante
vida com abundância. “O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir;
eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância” (João
10:10).
Conclusão
A
s alianças desde o Éden até Jesus foram firmadas na fé. Para Adão ficou claro o
exercício da fé no sangue do Cordeiro. Abraão foi justificado pela fé ao
acreditar que de sua descendência viria o Redentor do mundo. Os Dez Mandamentos implicam em fé para
observá-los e são eles que nos faz entender a necessidade que temos de um salvador.
Por fim nasce Jesus o autor e consumador de nossa fé. Ele é o cumprimento de
todas as promessas de salvação feitas ao homem desde que surgiu o pecado.
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