Comentário
da Lição da Escola Sabatina de vinte e nove de novembro a seis de dezembro de
dois mil e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, membro da Igreja
Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga.
Introdução
Tiago traz à lembrança de seus irmãos de igreja a advertência de Cristo
relatada em Mateus 6:19: “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a
ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam.” Tiago vai mais fundo
no assunto. Ele esclarece que em dado momento os ricos chegam a conclusão que
as suas riquezas de nada valerão e, embora estejam e suas mãos, se tornam
inúteis.
Há poucos dias participamos de um curso
de Como Deixar de Fumar. Um médico palestrante fez menção de um paciente seu.
Homem rico e portador de enfisema pulmonar provocado pelo fumo. Na sua luta para respirar aquele paciente
murmurava: “Daria todo o dinheiro que tenho por um pouco de ar.” Sim chega o
momento em que as riquezas de nada valerão.
Muitos no afã de conseguir riquezas
vivem como miseráveis e subtraem de seus parentes momentos de alegria e os
forçam a uma vida de restrições e penúrias. Conheci o Sr. João Nande. Ele era
um próspero fazendeiro. Certa vez um de seus filhos adoeceu gravemente e por
mais que os vizinhos insistissem com ele para levar a criança no médico, ele se
recusou fazê-lo. Depois do sepultamento do garoto ele se justificou: “As más
línguas dizem que o meu filho morreu à mingua. Ninguém entende que eu estava
simplesmente poupando para o seu futuro.”
Meu pai trabalhou alguns anos com um
senhor que nunca cumpriu um compromisso financeiro nem com ele e nem com qualquer
outra pessoa. Certo dia, depois de uma bronca sem limites o meu pai completou:
“O senhor estando com a sua barrida cheia não quer saber se a do vizinho está
vazia.” De que vale as riquezas advindas da exploração humana? O pior de tudo é quando atitudes assim são
vistas entre o suposto povo de Deus.
Parece que Tiago escreveu para um
grupo de pessoas que se vangloriavam de serem exímios observadores da lei e
que, ao mesmo tempo, depositavam a sua confiança nas riquezas e não cumpriam um
dos principais princípios da lei: amor a Deus e ao próximo.
Domingo
O estudo de hoje é uma seria advertência para os
ricos do mundo inteiro. Quanta fortuna amontoada por poucos em detrimento da
saúde e bem estar de milhões. É fácil condenarmos o mundo pelos desatinos que
presenciamos. Enquanto escrevo uma meia dúzia de ações policiais prendem
dezenas de pessoas que roubaram os cofres públicos e se afanaram do dinheiro destinado
à merenda escolar de crianças que não tem outro meio de saciar a fome. Quantas
pessoas gemem nas portarias de hospitais quando o dinheiro para minimizar a dor
foi desviado por inescrupulosos.
Muitos dos que cometeram tais
atrocidades estão vendo, das grades das prisões, as suas riquezas se esvaírem
em ações judiciais. Mas o que vemos provavelmente é o mínimo de um macro que
acontece ao nosso redor. Alguns desses que assim praticaram estão chorando as
riquezas que amontoaram para a sua própria ruina.
Enquanto nos encolerizamos com os
desatinos que os ímpios cometem no mundo vem à tona um questionamento. Qual tem
sido a conduta de muitos irmãos que detêm grades somas de bens que, embora
adquiridos de maneira honesta, estão mofando por ai sem provocar qualquer benefício
para o seu semelhante ou para a obra? Qual será a reação destes irmãos quando
concluírem que o seu dinheiro de nada valerá mais? Aí será tarde demais e
muitos da igreja, que hoje detêm recursos dos quais não fazem uso chegarão a
triste conclusão: “As vossas riquezas estão apodrecidas, e as
vossas vestes estão comidas de traça” (Tiago
5:2).
Ao
folhear a Bíblia para encontrar o salmo setenta e três, onde Davi externa a sua
preocupação com o aparente sucesso dos ímpios, por um equivoco, me fixei no
salmo sete. Mas que tal meditarmos um pouco nesse salmo? Os versos três e quatro
Senhor meu Deus, se eu fiz isto, se há perversidade em minhas mãos, se paguei
com o mal àquele que tinha paz comigo antes, livrei ao que me oprimia sem
causa... O Senhor julgará os povos; julga-me, Senhor, conforme a minha justiça,
e conforme a integridade que há em mim” (Salmos
7:3-4 e 8).
Segunda
Quando
lemos os versos dois e três de Tiago cinco vem a nossa mente a orientação de
Jesus: “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo
consomem, e onde os ladrões minam e roubam; Mas ajuntai tesouros no céu, onde
nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam” (Mateus
6:19 e 20). Que sermão para nós que vivemos nos
últimos dias!
Nabal se
recusou a mitigar a fome de Davi e de seus servos. Ezequias ao receber a visita
dos emissários do rei de Babilônia ao invés de falar das bênçãos do milagre de
sua recuperação se deteve em lhes mostrar a sua grande fortuna. E Pedro, ao ser
abordado pelo paralítico que esmolava na porta do templo demonstrou ser pobre
de bens materiais, mas rico do poder do Espirito Santo.
Quando me
deparo com esse tema me vem à mente o meu pai. Ele foi um próspero produtor de
abacaxi no Triangulo Mineiro. Morreu pobre vivendo com um único salário mínimo,
mas deixou para trás dezenas de crianças saciadas e abrigadas. Pais que puderam
viver mais tempo junto de seus familiares graças às cirurgias que ele pagou.
Quantas vezes eu o vi repartir o pão com o faminto! Ele não deixou bens
materiais para os seus filhos, mas semelhante a Davi exclamo em gratidão:
“...sim, coube-me uma formosa herança” (Salmos
16:6).
Terça
Papai
sempre levou a sério esse versículo bíblico: “Não oprimirás o teu
próximo, nem o roubarás; a paga do diarista não ficará contigo até pela manhã”
(Levítico 19:13).
Papai trabalhava para um senhor que nunca efetuou um pagamento na data prevista
e sempre ele tinha de lançar mão de dinheiro emprestado para cumprir esse
principio bíblico. Certa vez ele foi à cidade para tentar conseguir dinheiro
emprestado para pagar os piões. De mãos vazias voltou a pé para casa matutando
na situação de, pela primeira vez, os piões não receber na sexta-feira.
De
súbito viu dez cruzeiros em meio à poeira. Mas o que significaria esse dinheiro
para quem necessitava de trezentos? No percurso restante de dois quilômetros
ele encontrou mais de quatrocentos cruzeiros. Todos os trabalhadores receberam
o salário e ainda foi possível fazer uma boa feira. Por mais que ele propagasse
a história o dono do dinheiro nunca foi encontrado.
Ellen G.
White faz uma advertência especial para a igreja de hoje. Diz ela: “Pelo que me tem sido
mostrado, os observadores do sábado estão-se tornando mais egoístas, ao
aumentarem em riquezas. Seu amor por Cristo e Seu povo está decrescendo. Não veem
as privações dos necessitados, nem lhes sentem as dores e tristezas. Não
compreendem que, ao descurar os pobres e sofredores, negligenciam a Cristo e,
ao aliviar-lhes tanto quanto possível as necessidades e padecimentos, servem a
Jesus...” (Beneficência Social, p. 39).
Quarta
Tiago chama a nossa atenção para um comportamento comum nos dias de hoje. Pessoas que se
banqueteiam em detrimento da fome de terceiros. São pessoas egocêntricas que
não se preocupam com nada além do seu próprio umbigo.
Essa postura pode ser no campo material e no campo
espiritual. No campo material julgamos merecedores de desfrutarmos dos bens
materiais adquiridos, às vezes, subjugando o próximo. No campo espiritual
estamos realizados porque “não somos como os demais.” Damos a entender que a
igreja existe apenas para nós. Ambos os comportamentos demonstram o nosso
egoísmo.
Esse acomodamento situacional pode ir ao extremo de
semelhante ao Jesurum da Bíblia, vivermos fartos e com um comportamento de
rebeldia para com Quem tudo nos concedeu. Esse é o pior sintoma que pode
acometer a alguém com “síndrome de barriga cheia”. “E, engordando-se Jesurum,
deu coices (engordaste-te, engrossaste-te, e de gordura te cobriste) e deixou a
Deus, que o fez, e desprezou a Rocha da sua salvação” (Deuteronômio 32:15).
Essa felicidade aparente é passageira. Todos que agem
assim um dia vão se depararem com uma doída realidade apresentada por Jesus.
Disse o Mestre: “Mas ai de vós, ricos! porque já tendes a vossa consolação. Ai
de vós, os que estais fartos, porque tereis fome. Ai de vós, os que agora
rides, porque vos lamentareis e chorareis” (Lucas
6:24-25). Tiago dá a receita para não nos
envergonharmos no futuro. Temos que reconhecer as nossas misérias hoje e nos
apoderarmos da graça de Cristo enquanto é tempo. “Senti as vossas misérias, e lamentai e
chorai; converta-se o vosso riso em pranto, e o vosso gozo em tristeza” (Tiago
4:9).
Quinta
Tiago
mostra o extremo onde podemos chegar caso não nos entreguemos a Cristo. Fazer
parte do rol de pessoas que clamarão pela morte dos justos. Para pessoas
egocêntricas a presença do justo incomoda e a sua extinção parece ser o melhor
remédio. “Condenastes e matastes o justo; ele não vos resistiu” (Tiago
5:6).
Mais uma vez é bom lembrar que tanto em Tiago como toda a
Bíblia não condena os ricos simplesmente por serem ricos. A condenação se
prende a três fatos que normalmente estão associados aos ricos. Primeiro é a
origem das riquezas. Muitos as têm usando métodos fraudulentos como pisotear os
pobres. Em segundo lugar são ricos que nada fazem para minorar o sofrimento
alheio ou mesmo contribuir para a propagação da mensagem de misericórdia e em
terceiro é aquele rico que, semelhante ao homem da parábola se ufana dizendo
“rico sou e de nada tenho falta”.
Vivemos em um mundo materialista no qual a globalização e
o consumismo insistem em dar a última palavra sobre as nossas ações. Como
peregrinos que caminhamos rumo ao lar celestial temos a exortação paulina: “Ensinando-nos
que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste
presente século sóbria, e justa, e piamente” (Tito
2:12).
Conclusão
Cuidemos
do nosso futuro hoje. Os que vivem explorando os mais fracos e depositam a sua confiança nas riquezas irão
chorar e gritar, porém será tarde demais. “E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali
haverá pranto e ranger de dentes” (Mateus 13:42).
Estou alegre por encontrar blogs como o seu, ao ler algumas coisas,reparei que tem aqui um bom blog, feito com carinho.
ResponderExcluirPosso dizer que gostei do que li e desde já quero dar-lhe os parabéns,decerto que virei aqui mais vezes.
Sou António Batalha.
Muita paz.
PS.Se desejar visite O Peregrino E Servo.