Comentário da Lição
da Escola Sabatina de 17 a 24 de janeiro de 2015, preparado por Carmo
Patrocínio Pinto, membro da IASD – Central de Taguatinga, Distrito Federal.
Introdução
Aristóteles
escreveu: “Todos os homens, enquanto crianças têm, por natureza, desejo de
conhecer.” Hoje temos muitas publicações que orientam os pais como responder às
perguntas das crianças. Essa “curiosidade” infantil é o desejo intrínseco do
ser humano de, desde a infância, caminhar na busca da sabedoria. Ainda hoje me
lembro de uma pergunta que fiz ao meu pai: “O que é maternidade?” Papai me
explicou que era o hospital onde as mulheres eram levadas para ter os bebes. Essa
explicação clara e objetiva me causou uma grande confusão. Sendo assim, porque
minha mãe e as nossas vizinhas sempre tinham os bebes em casa? A explicação de
meu pai estava correta e facilmente seria compreendida por uma criança nos dias
de hoje, mas a mesma resposta naquela época deixou uma grande dúvida no ar.
Esse desejo de saber foi inculcado
por Deus em cada ser humano e, graças a ele, começamos desde cedo a dar os
primeiros passos na busca da sabedoria. Muitos consideram a gama de
conhecimento adquirida como sendo a sabedoria propriamente dita. Mas a
verdadeira sabedoria não é o conhecimento adquirido, mas sim o que o ser humano
faz com esse conhecimento. Conheci um jovem inteligente. Ele cursou várias
faculdades inclusive teologia. Ao pregar ele usava cascatas de sinônimos para
uma mesma palavra. Terminou fora da igreja e escravo do alcoolismo. Ele tinha
muito conhecimento, mas não teve a sabedoria de como usá-lo.
Essa sabedoria de
como usar o conhecimento adquirido provem de Deus: “E, se algum de vós tem
falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança
em rosto, e ser-lhe-á dada” (Tiago 1.5).
A sabedoria divina difere da sabedoria humana e para adquiri-la, a premissa é
que nos esvaziemos da sabedoria humana. A própria Bíblia nos mostra as
características da sabedoria divina. Deixemos que o próprio Tiago a defina:
“Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica,
moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e
sem hipocrisia” (Tiago 3.17).
Mesmo tendo a sabedoria que vem do alto nunca chegaremos ao clímax do
conhecimento das coisas concernentes ao céu. Ainda usando a Bíblia temos a
declaração de Paulo que extasiado com a sabedoria divina exclamou: “O
profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão
insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Romanos 11.33).
Domingo
O valor da sabedoria divina vai além
de nossa escala monetária. Salomão esclarece: “Porque melhor é a sabedoria do
que os rubis; e tudo o que mais se deseja não se pode comparar com ela”
(Provérbios 8:11) e “Riquezas e honra
está comigo; assim como os bens duráveis e a justiça. Melhor é o meu fruto do
que o ouro, do que o ouro refinado, e os meus ganhos mais do que a prata
escolhida” (Provérbios 8: 18-19).
É
curioso que Salomão personifica e dá vida à sabedoria. Em sua imaginação a
sabedoria clama para que cada um de nós dê o lugar que ela merece em nossas
vidas. Esse anseio da sabedoria tem um objetivo: “Para que faça herdar bens
permanentes aos que me amam, e eu encha os seus tesouros” (Provérbios 8:21).
No percurso que faço nas madrugadas
sempre me deparo com grupos de jovens que passaram a noite toda na boemia
usando bebida alcoólica e, às vezes, outras drogas. Certa vez notei que,
enquanto um grupo se esbaldava bebendo e cantando musicas de escandaloso teor
pornográfico, duas jovens estavam sentadas no meio fio da calçada com as
cabeças entre as mãos. A aparência era de que estivessem profundamente
angustiadas. Naquele momento me veio à mente as palavras de Salomão no livro de
Eclesiastes 23:29-30: “Para quem
são os ais? Para quem os pesares? Para quem as pelejas? Para quem as queixas?
Para quem as feridas sem causa? E para quem os olhos vermelhos? Para os que se
demoram perto do vinho, para os que andam buscando vinho misturado.” Quanta sabedoria
encontramos na Palavra de Deus! Vale a pena fazer de tudo para adquiri-la.
Segunda
Em seu anseio de dar vida à sabedoria Salomão usa uma linguagem poética para descrever a criação do mundo. Esses versos nos levam a uma reflexão profunda. Deus não necessitava da ajuda da sabedoria para criar o mundo, pois Ele é a fonte da verdadeira sabedoria ou, melhor dizendo, Ele é a sabedoria.
Em seu anseio de dar vida à sabedoria Salomão usa uma linguagem poética para descrever a criação do mundo. Esses versos nos levam a uma reflexão profunda. Deus não necessitava da ajuda da sabedoria para criar o mundo, pois Ele é a fonte da verdadeira sabedoria ou, melhor dizendo, Ele é a sabedoria.
Creio que Salomão
usou essa linguagem de expressão para que pudéssemos entender a importância da
sabedoria em nossa vida. Imaginemos a Terra sem forma, vazia semelhante a um
abismo coberto de trevas. E, Deus usando a Sua sabedoria, transforma esse
abismo em um Jardim do Éden. Com uma pequena pitada de “um santo orgulho” ela
se expressa: “Quando ele preparava os céus, aí estava eu, quando traçava o
horizonte sobre a face do abismo” (Provérbios 8:27). Depois de
transformar o abismo em um Jardim do Éden, Deus, em Sua sabedoria cria o homem,
segundo Ele: conforme a “nossa imagem e semelhança”.
O homem
caiu em pecado e cada um de nós sente na pele os resultados. A cada dia que
passa ele se deteriora mais e mais e a vida de muitos não passa de um abismo
coberto de trevas. Perdemos quase tudo o que a sabedoria de Deus nos outorgou.
Mas a mesma sabedoria que nos criou a “Sua imagem e semelhança” se compromete a
nos recriar para a beleza de Sua glória. A Bíblia nos mostra do que Deus, em
Sua sabedoria é capaz e quer fazer por nós: “Farei que o homem seja mais
precioso do que o ouro puro, e mais raro do que o ouro fino de Ofir” (Isaías 13:12).
Terça
Creio
que todos nós já fizemos alguma coisa que nos trouxe um momento de alegria por
sua realização. Certa vez decidi construir uma empacotadeira semiautomática. Eu
nunca tinha visto uma pela frente e para realizar o desafio eu não sabia por
onde começar. As ideias foram surgindo e, depois de meses de tentativas
frustradas, a máquina funcionou com perfeição. Creio que ela tenha sido a única
daquele modelo no mundo. Por horas eu ficava ao seu redor “namorando” aquela
geringonça que funcionava. Foi realmente muito bom. Um senhor se interessou por
ela me pagou um bom dinheiro e ela se foi sem deixar nem mesmo uma foto, exceto
as que trago em minha mente.
Em Sua
sabedoria Deus criou esse mundo e tudo o que nele há. No final de cada dia da
criação, maravilhado ele exclamava “é bom”! Mas ao criar eu e você Ele deu uma
ênfase especial ao expressar a Sua alegria, disse Ele: “é muito bom”.
Como a
nossa maneira de criar difere de Deus. As coisas que eu já fiz foram o
resultado de uma somatória de erros e acertos e muitas delas nem mesmo chegaram
a existir. Com Deus é tudo diferente. Diz a Bíblia: “Porque falou, e foi feito;
mandou, e logo apareceu” (Salmos 33:9). E o mais importante de tudo isso é a
perfeição encontrada na criação de Deus.
Pena que
os mesmos seres humanos que ao serem criados causaram tanta alegria para Deus,
Lhe causou também tanta tristeza. Ele espera que cada um de nós se volte para
os Seus braços. E, quando isso acontecer Deus sorrirá de novo e, mais uma vez
Ele dirá: “É muito bom.”
Quarta
Quando
Salomão personifica a sabedoria ela nos faz convites e advertências e suas
palavras representam a voz de Deus insistindo e advertindo o homem. O sábio
deixa claro que aquele que der ouvidos à sabedoria será bem-aventurado. Alias,
dar ouvidos à sabedoria é a melhor maneira de demonstrar que somos sábios.
Quem dá
ouvidos a voz de Deus se poupa de muitas dores. Diz o sábio: “A bênção do
Senhor é que enriquece; e não traz consigo dores” (Provérbios 10:22).
É curiosa a pergunta encontrada no rodapé da página vinte e oito onde lemos:
“Por que nossa prioridade máxima deve ser a fidelidade a Deus, e não a busca da
felicidade?”
A resposta parece fácil: Sem comunhão íntima com Deus não
tem como encontrar felicidade.
Salomão
nos adverte que devemos investir tudo o que temos para adquirir a verdadeira
sabedoria e o resultado será vida eterna: “Porque o que me achar, encontrará a
vida, e alcançará o favor do Senhor” (Provérbios 8:35).
Quinta
Salomão diz que a sabedoria edificou a sua
casa e ao concluí-la fez uma grande festa. O sábio esclarece que a casa da
sabedoria está firmada sobre sete colunas. Achei interessante a descrição das sete
colunas encontrada em uma meditação anônima que, embora aplicadas à Igreja pode
ser aplicada a vida de cada um de nós. Vejamos: “A primeira coluna da sua Casa, que nos ensina a
Palavra de Deus é o temor: "O
temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo a
prudência" Provérbios
9.10. Ela é o princípio, a primeira. Se não houvesse temor a Igreja (Provérbios
14.26-27).
A segunda coluna é a Palavra de Deus: "Porque o Senhor dá a sabedoria; da sua boca é
que vem o conhecimento e o entendimento" Provérbios 2.6. Se não houvesse a Palavra de Deus não
haveria salvação (Romanos 10.14-17), nem regeneração (I Pedro 2.23), e muito
menos santificação na Sua Casa (João 17.17).
A terceira coluna da Casa de Deus é a prudência: "Eu,
a sabedoria, habito com a prudência, e acho o conhecimento dos conselhos" Provérbios 8.12. Como vimos acima, a prudência é o
conhecimento do Santo. Se não houvesse prudência na Casa de Deus não haveria
disposição e paciência, ou longanimidade para tratar as coisas. Penso que se a
prudência não fosse uma dessas colunas, o Senhor já teria desistido de nós.
A quarta coluna é o Conselho: "Meu
é o conselho e a verdadeira sabedoria; eu sou o entendimento; minha é a
fortaleza" Provérbios
8.14. Se não houvesse conselho na Casa de Deus os erros e as heresias
permaneceriam para sempre. Aleluia! Temos um Maravilhoso Conselheiro (Isaías
9.6).
A quinta coluna é a humildade: "Em
vindo a soberba, virá também a afronta; mas com os humildes está a sabedoria" Provérbios 11.2 (15.33 e Salmos 19.13). A humildade é
uma característica clara do nosso Senhor (Mateus 11.29). Se não houvesse
humildade na Casa de Deus o Senhor não conseguiria conviver conosco. Homens com
tanta soberba não sendo nada.
A sexta coluna é a salvação: "O que confia no seu próprio
coração é insensato, mas o que anda em sabedoria, será salvo" Provérbios 28.26. Sem salvação não haveria a Casa de
Deus. Sendo ela uma das colunas, podemos ter esperança na salvação que ainda
esta em processo, preparada para se revelar no último tempo (I Pedro 1.4).
A sétima e última coluna da Casa de Deus é a disciplina: "A
vara e a repreensão dão sabedoria" Provérbios 29.15. Se na Casa de Deus não houvesse
disciplina para os seus filhos nunca chegaríamos a varão perfeito e
participante da Sua Santidade (Hebreus 12.5-11).
Curioso: Salomão afirma que o sábio aceita a correção enquanto os
loucos a ignora. Inclusive a sua sugestão é de que não devemos perder tempo com
esse tipo de pessoa. Não podemos ignorar este ou aquele por julga-los
insensatos. A nossa obrigação é apresentar a mensagem para todos.
Conclusão
A sabedoria de Deus é algo divino e sendo ela divina não temos como
consegui-la pelos nossos próprios esforços. O conselho divino é: “E, se
algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá
liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada” (Tiago 1:5)
“Porque, aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate,
abrir-se-lhe-á” (Mateus). 7:8
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