domingo, 18 de janeiro de 2015

Sabedoria divina

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Comentário da Lição da Escola Sabatina de 17 a 24 de janeiro de 2015, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, membro da IASD – Central de Taguatinga, Distrito Federal.

 

Introdução

            Aristóteles escreveu: “Todos os homens, enquanto crianças têm, por natureza, desejo de conhecer.” Hoje temos muitas publicações que orientam os pais como responder às perguntas das crianças. Essa “curiosidade” infantil é o desejo intrínseco do ser humano de, desde a infância, caminhar na busca da sabedoria. Ainda hoje me lembro de uma pergunta que fiz ao meu pai: “O que é maternidade?” Papai me explicou que era o hospital onde as mulheres eram levadas para ter os bebes. Essa explicação clara e objetiva me causou uma grande confusão. Sendo assim, porque minha mãe e as nossas vizinhas sempre tinham os bebes em casa? A explicação de meu pai estava correta e facilmente seria compreendida por uma criança nos dias de hoje, mas a mesma resposta naquela época deixou uma grande dúvida no ar.

            Esse desejo de saber foi inculcado por Deus em cada ser humano e, graças a ele, começamos desde cedo a dar os primeiros passos na busca da sabedoria. Muitos consideram a gama de conhecimento adquirida como sendo a sabedoria propriamente dita. Mas a verdadeira sabedoria não é o conhecimento adquirido, mas sim o que o ser humano faz com esse conhecimento. Conheci um jovem inteligente. Ele cursou várias faculdades inclusive teologia. Ao pregar ele usava cascatas de sinônimos para uma mesma palavra. Terminou fora da igreja e escravo do alcoolismo. Ele tinha muito conhecimento, mas não teve a sabedoria de como usá-lo.

            Essa sabedoria de como usar o conhecimento adquirido provem de Deus: “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada” (Tiago 1.5). A sabedoria divina difere da sabedoria humana e para adquiri-la, a premissa é que nos esvaziemos da sabedoria humana. A própria Bíblia nos mostra as características da sabedoria divina. Deixemos que o próprio Tiago a defina: “Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia” (Tiago 3.17). Mesmo tendo a sabedoria que vem do alto nunca chegaremos ao clímax do conhecimento das coisas concernentes ao céu. Ainda usando a Bíblia temos a declaração de Paulo que extasiado com a sabedoria divina exclamou: “O profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Romanos 11.33).

 

Domingo

            O valor da sabedoria divina vai além de nossa escala monetária. Salomão esclarece: “Porque melhor é a sabedoria do que os rubis; e tudo o que mais se deseja não se pode comparar com ela” (Provérbios 8:11) e “Riquezas e honra está comigo; assim como os bens duráveis e a justiça. Melhor é o meu fruto do que o ouro, do que o ouro refinado, e os meus ganhos mais do que a prata escolhida” (Provérbios 8: 18-19).

            É curioso que Salomão personifica e dá vida à sabedoria. Em sua imaginação a sabedoria clama para que cada um de nós dê o lugar que ela merece em nossas vidas. Esse anseio da sabedoria tem um objetivo: “Para que faça herdar bens permanentes aos que me amam, e eu encha os seus tesouros” (Provérbios 8:21).

            No percurso que faço nas madrugadas sempre me deparo com grupos de jovens que passaram a noite toda na boemia usando bebida alcoólica e, às vezes, outras drogas. Certa vez notei que, enquanto um grupo se esbaldava bebendo e cantando musicas de escandaloso teor pornográfico, duas jovens estavam sentadas no meio fio da calçada com as cabeças entre as mãos. A aparência era de que estivessem profundamente angustiadas. Naquele momento me veio à mente as palavras de Salomão no livro de Eclesiastes 23:29-30: “Para quem são os ais? Para quem os pesares? Para quem as pelejas? Para quem as queixas? Para quem as feridas sem causa? E para quem os olhos vermelhos? Para os que se demoram perto do vinho, para os que andam buscando vinho misturado.” Quanta sabedoria encontramos na Palavra de Deus! Vale a pena fazer de tudo para adquiri-la.

 

Segunda
            Em seu anseio de dar vida à sabedoria Salomão usa uma linguagem poética para descrever a criação do mundo. Esses versos nos levam a uma reflexão profunda. Deus não necessitava da ajuda da sabedoria para criar o mundo, pois Ele é a fonte da verdadeira sabedoria ou, melhor dizendo, Ele é a sabedoria.

            Creio que Salomão usou essa linguagem de expressão para que pudéssemos entender a importância da sabedoria em nossa vida. Imaginemos a Terra sem forma, vazia semelhante a um abismo coberto de trevas. E, Deus usando a Sua sabedoria, transforma esse abismo em um Jardim do Éden. Com uma pequena pitada de “um santo orgulho” ela se expressa: “Quando ele preparava os céus, aí estava eu, quando traçava o horizonte sobre a face do abismo” (Provérbios 8:27). Depois de transformar o abismo em um Jardim do Éden, Deus, em Sua sabedoria cria o homem, segundo Ele: conforme a “nossa imagem e semelhança”.

            O homem caiu em pecado e cada um de nós sente na pele os resultados. A cada dia que passa ele se deteriora mais e mais e a vida de muitos não passa de um abismo coberto de trevas. Perdemos quase tudo o que a sabedoria de Deus nos outorgou. Mas a mesma sabedoria que nos criou a “Sua imagem e semelhança” se compromete a nos recriar para a beleza de Sua glória. A Bíblia nos mostra do que Deus, em Sua sabedoria é capaz e quer fazer por nós: “Farei que o homem seja mais precioso do que o ouro puro, e mais raro do que o ouro fino de Ofir” (Isaías 13:12). 

 

Terça

            Creio que todos nós já fizemos alguma coisa que nos trouxe um momento de alegria por sua realização. Certa vez decidi construir uma empacotadeira semiautomática. Eu nunca tinha visto uma pela frente e para realizar o desafio eu não sabia por onde começar. As ideias foram surgindo e, depois de meses de tentativas frustradas, a máquina funcionou com perfeição. Creio que ela tenha sido a única daquele modelo no mundo. Por horas eu ficava ao seu redor “namorando” aquela geringonça que funcionava. Foi realmente muito bom. Um senhor se interessou por ela me pagou um bom dinheiro e ela se foi sem deixar nem mesmo uma foto, exceto as que trago em minha mente.

            Em Sua sabedoria Deus criou esse mundo e tudo o que nele há. No final de cada dia da criação, maravilhado ele exclamava “é bom”! Mas ao criar eu e você Ele deu uma ênfase especial ao expressar a Sua alegria, disse Ele: “é muito bom”.

            Como a nossa maneira de criar difere de Deus. As coisas que eu já fiz foram o resultado de uma somatória de erros e acertos e muitas delas nem mesmo chegaram a existir. Com Deus é tudo diferente. Diz a Bíblia: “Porque falou, e foi feito; mandou, e logo apareceu” (Salmos 33:9). E o mais importante de tudo isso é a perfeição encontrada na criação de Deus.

            Pena que os mesmos seres humanos que ao serem criados causaram tanta alegria para Deus, Lhe causou também tanta tristeza. Ele espera que cada um de nós se volte para os Seus braços. E, quando isso acontecer Deus sorrirá de novo e, mais uma vez Ele dirá: “É muito bom.”

 

Quarta

            Quando Salomão personifica a sabedoria ela nos faz convites e advertências e suas palavras representam a voz de Deus insistindo e advertindo o homem. O sábio deixa claro que aquele que der ouvidos à sabedoria será bem-aventurado. Alias, dar ouvidos à sabedoria é a melhor maneira de demonstrar que somos sábios.

            Quem dá ouvidos a voz de Deus se poupa de muitas dores. Diz o sábio: “A bênção do Senhor é que enriquece; e não traz consigo dores” (Provérbios 10:22). É curiosa a pergunta encontrada no rodapé da página vinte e oito onde lemos: “Por que nossa prioridade máxima deve ser a fidelidade a Deus, e não a busca da felicidade?”

A resposta parece fácil: Sem comunhão íntima com Deus não tem como encontrar felicidade.

            Salomão nos adverte que devemos investir tudo o que temos para adquirir a verdadeira sabedoria e o resultado será vida eterna: “Porque o que me achar, encontrará a vida, e alcançará o favor do Senhor” (Provérbios 8:35).

 

Quinta

Salomão diz que a sabedoria edificou a sua casa e ao concluí-la fez uma grande festa. O sábio esclarece que a casa da sabedoria está firmada sobre sete colunas. Achei interessante a descrição das sete colunas encontrada em uma meditação anônima que, embora aplicadas à Igreja pode ser aplicada a vida de cada um de nós. Vejamos: “A primeira coluna da sua Casa, que nos ensina a Palavra de Deus é o temor: "O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo a prudência" Provérbios 9.10. Ela é o princípio, a primeira. Se não houvesse temor a Igreja (Provérbios 14.26-27).

A segunda coluna é a Palavra de Deus: "Porque o Senhor dá a sabedoria; da sua boca é que vem o conhecimento e o entendimento" Provérbios 2.6. Se não houvesse a Palavra de Deus não haveria salvação (Romanos 10.14-17), nem regeneração (I Pedro 2.23), e muito menos santificação na Sua Casa (João 17.17).

A terceira coluna da Casa de Deus é a prudência: "Eu, a sabedoria, habito com a prudência, e acho o conhecimento dos conselhos" Provérbios 8.12. Como vimos acima, a prudência é o conhecimento do Santo. Se não houvesse prudência na Casa de Deus não haveria disposição e paciência, ou longanimidade para tratar as coisas. Penso que se a prudência não fosse uma dessas colunas, o Senhor já teria desistido de nós.

A quarta coluna é o Conselho: "Meu é o conselho e a verdadeira sabedoria; eu sou o entendimento; minha é a fortaleza" Provérbios 8.14. Se não houvesse conselho na Casa de Deus os erros e as heresias permaneceriam para sempre. Aleluia! Temos um Maravilhoso Conselheiro (Isaías 9.6).

A quinta coluna é a humildade: "Em vindo a soberba, virá também a afronta; mas com os humildes está a sabedoria" Provérbios 11.2 (15.33 e Salmos 19.13). A humildade é uma característica clara do nosso Senhor (Mateus 11.29). Se não houvesse humildade na Casa de Deus o Senhor não conseguiria conviver conosco. Homens com tanta soberba não sendo nada.

A sexta coluna é a salvação: "O que confia no seu próprio coração é insensato, mas o que anda em sabedoria, será salvo" Provérbios 28.26. Sem salvação não haveria a Casa de Deus. Sendo ela uma das colunas, podemos ter esperança na salvação que ainda esta em processo, preparada para se revelar no último tempo (I Pedro 1.4).

A sétima e última coluna da Casa de Deus é a disciplina: "A vara e a repreensão dão sabedoria" Provérbios 29.15. Se na Casa de Deus não houvesse disciplina para os seus filhos nunca chegaríamos a varão perfeito e participante da Sua Santidade (Hebreus 12.5-11).

Curioso: Salomão afirma que o sábio aceita a correção enquanto os loucos a ignora. Inclusive a sua sugestão é de que não devemos perder tempo com esse tipo de pessoa. Não podemos ignorar este ou aquele por julga-los insensatos. A nossa obrigação é apresentar a mensagem para todos.

 

Conclusão

            A sabedoria de Deus é algo divino e sendo ela divina não temos como consegui-la pelos nossos próprios esforços. O conselho divino é: “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada” (Tiago 1:5) “Porque, aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate, abrir-se-lhe-á” (Mateus). 7:8

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