sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Como lidar com as contendas

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Comentário da Lição da Escola Sabatina de sete a quatorze de fevereiro de 2015, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, membro da IASD – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            Salomão oferece orientações valiosas para aqueles que desejam manter um bom relacionamento com o próximo e com Deus. Esse relacionamento tem muito a ver com o que falamos e Jesus deixou isso bem claro ao dizer “Porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condenado” (Mateus 12:37).
            Salomão aborda desde o relacionamento cotidiano entre amigos até o relacionamento prejudicado com palavras nas quais o egocentrismo é a tônica. Pessoas que usam a sua condição financeira para impor respeito ou para se projetar acima dos demais são cansativas e olhadas com reservas.
            Nem sempre é fácil ser justo com as pessoas amigas. O temor de feri-las pode nos levar a omitir palavras que, talvez, elas estejam necessitando ouvir. Por outro lado o nosso silêncio pode ser motivado pelo receio de sermos identificados como intrometidos e inoportunos.
            Três coisas são importantes nos nossos relacionamentos. Sinceridade, amor e humildade. Quando conseguimos manter esses princípios com certeza os resultados serão os melhores.
            O verso áureo traz uma grande verdade “É melhor um bocado seco, e com ele a tranquilidade, do que a casa cheia de iguarias e com desavença” (Provérbios 17:1). Conheci um senhor que possuía dezenas de imóveis para alugar. Financeiramente era uma pessoa resolvida. Mas a vida em família era um inferno. Quantas vezes eu acordava durante a noite com o vozerio vindo daquela casa.Os atritos com filhos e a esposa eram constantes. Era uma família rica, porém, infeliz.
            O sábio oferece conselhos que, uma vez praticados, nos resguardam de momentos difíceis. Ele assegura` “Águas profundas são as palavras da boca do homem, e ribeiro transbordante é a fonte da sabedoria” (Provérbios 18:4). Quando eu tinha meus cinco ou seis anos de idade conheci o senhor Miranda. Ele era um homem pobre e simples. Quão bom era ouvi-lo! As suas palavras eram realmente um ribeiro transbordante de sabedoria.

Domingo
            Apenas um lembrete. Esses dois versículos não estão autorizando cobrirmos as nossas transgreções. Todo o pecado necessita ser confessado e abandonado.  O que os versos dizem para nós talvez, seja mais difícil praticarmos do que confessar os nossos pecados. Manter sigilo quanto às faltas dos nossos irmãos, principalmente se foi cometidas contra nos. A cocega na língua e algo difícil de controlarmos.
Conheci uma família que tinha por principio não comentar as falhas dos demais membros. Caso alguém cometia um deslize o parente que viu ou tomou conhecimento se encarregava de resolver o problema com a pessoa envolvida. Resolvido o caso ficava apenas entre os dois. Embora não fossem cristãos eles praticavam o que Jesus deixou claro em Mateus18:16: “Mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda a palavra seja confirmada.”
O verso 11 do capitulo 19 é um rígido recado aos fofoqueiros. Diz o texto: “A prudência do homem faz reter a sua ira, e é glória sua o passar por cima da transgressão.” Ou seja, o homem prudente não desperta a ira de alguém que caiu em pecado. Ele se mantem em silencio. O verdadeiro amigo não comenta as falhas do próximo. São nos momentos de provações que ele prova a sua amizade e lealdade.

Segunda
            A pessoa inteligente tira grande proveito da correção. Ela aceita ser corrigida e obtém lições construtivas do fato. Essa pessoa vai valorizar a correção por dois motivos especiais. Primeiro ela não foi exposta. E segundo, ela foi repreendida com amor.
            Ser justo e, ao mesmo tempo, demonstrar amor não e fácil. E esse comportamento que Deus espera de cada um de nos. João apresenta a história da mulher apanhada em adultério. Jesus não expôs a vitima. Não propagou os seus pecados e levou os seus algozes a pensar duas vezes antes de acusar. Quanta lição Jesus nos ensinou com esse fato!

Terça
            Salomão esclarece que as palavras são águas profundas. São profundas para o bem ou para o mal. Tiago afirma: “Assim também a língua é um pequeno membro, e gloria-se de grandes coisas. Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia” (Tiago 3:5). Segundo Tiago a língua pode provocar grandes destruições. Mas essa mesma língua canalizada para o bem pode promover salvação em massa. Veja o relato do que aconteceu com Pedro: “Muitos, porém, dos que ouviram a palavra creram, e chegou o número desses homens a quase cinco mil” (Atos 4:4). E Jonas com três dias de pregação levou cento e vinte mil pessoas ao arrependimento.
            Para mostrar o poder da língua, Salomão usa uma linguagem bem forte: “A morte e a vida estão no poder da língua; e aquele que a ama comerá do seu fruto” (Provérbios 18:21). As nossas palavras exercem nas pessoas poder para a vida ou para a morte. Cabe a cada um de nos escolher que uso vai fazer com ela.

Quarta
            Cada pessoa vê a mesma coisa, mas tira conclusões diferentes. Enquanto alguém vê grandes resultados em determinado projeto, outra pessoa não consegue visualizar as mesmas vantagens. Quando se trata de pessoas amigas não e difícil opinar. Mesmo assim a presença de uma opinião diferente pode causar estranheza e susto. Isso acontece porque a nossa visão e finita e a nossa tendência é preferir aquilo que gostamos sem uma avaliação mais profunda.
            Salomão adverte: “O que pleiteia por algo, a princípio parece justo, porém vem o seu próximo e o examina” (Provérbios 18:17).A avaliação de uma ou mais pessoas valoriza o projeto e ameniza a possibilidade de erros. O próprio Salomão esclarece: “na multidão de conselhos há segurança (sabedoria)” (Provérbios 11:14).
            Toda historia tem dois lados e todos eles têm o mesmo peso para avaliação. Tive um professor de historia que dizia “eu duvido de um homem de um jornal só”. Como falíveis que somos necessitamos da opinião de terceiros. O único momento em que não necessitamos de opiniões e para fazermos a vontade de Deus. Ele esta acima do erro e do equivoco e nele “não há sombra de variação”.

Quinta
            Mais uma vez Salomão condena a mentira e não é para menos. Como ele, o homem mais sábio do mundo, não vai alertar de maneira enérgica os seus leitores sobre esse mal que teve a sua origem no Céu. Veja que no inicio do seu reinado ele enfrentou um problema serio envolvendo a mentira. Duas mulheres se apresentam como mãe de uma criança e exige o direito de cria-la. Ê claro que uma estava mentindo.
            Já estudamos sobre a mentira em lições anteriores nesse trimestre quando escrevi bastante sobre o tema. Dizem por ai: “Quem diz nunca ter mentido está mentindo.” Infelizmente a mentira era bastante comum entre o povo de Deus. Temos Abraão, Isaque, Jacó, Esaú e tantos outros que usaram da mentira de maneira escandalosa.
            Temos também exemplos de pessoas que ganharam dinheiro para mentir em juízo no sentido de condenar alguém. Parece ser difícil avaliar se uma mentira é maior ou pior que outra, mas para Deus o testemunho falso é a pior das mentiras proferidas por alguém. Geralmente essas mentiras são proferidas sob juramento.
            Salomão da um tratamento drástico para o mentiroso. Diz um dos textos: “A falsa testemunha não ficará impune; e o que profere mentiras perecerá” (Provérbios 19:9). Dentro dessa verdade bíblica podemos imaginar que tem muita gente “boa” por ai carregando nas costas uma pesada condenação.
            Parece estranho, mas o melhor lugar para falar uma mentira e onde mais se fala mentiras é no púlpito das igrejas. Se existe apenas uma verdade bíblica como pode as milhares de igrejas estar pregando a verdade? Alguém esta mentido feio por ai, e pior, usando para isso os púlpitos das igrejas.

Conclusão
            A lição mostra que uma das maneiras de evitar contendas é falar a verdade e ser sincero para com as pessoas. Mas falar a verdade também pode gerar contendas. Você faz parte de um grupo na universidade, no trabalho ou de amigos nas redes sociais. Geralmente a pessoa que não mente é tratada com indiferença e pode ser até odiado pelos demais. Vivemos em um mundo onde cada dia se torna mais complicado amar a verdade.
Já em seu tempo Rui Barbosa sentiu essa dificuldade. Lamentou o sábio baiano: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.”

O conselho de Paulo para os filipenses é válido para nós hoje: “Fazei tudo sem murmurações nem contendas, para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo” (1 Filipenses 2:15).

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