Comentário
da Lição da Escola Sabatina de sete a quatorze de fevereiro de 2015, preparado
por Carmo Patrocínio Pinto, membro da IASD – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Salomão oferece orientações valiosas
para aqueles que desejam manter um bom relacionamento com o próximo e com Deus.
Esse relacionamento tem muito a ver com o que falamos e Jesus deixou isso bem claro ao dizer “Porque por tuas
palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condenado” (Mateus 12:37).
Salomão
aborda desde o relacionamento cotidiano entre amigos até o relacionamento
prejudicado com palavras nas quais o egocentrismo é a tônica. Pessoas que usam
a sua condição financeira para impor respeito ou para se projetar acima dos
demais são cansativas e olhadas com reservas.
Nem
sempre é fácil ser justo com as pessoas amigas. O temor de feri-las pode nos
levar a omitir palavras que, talvez, elas estejam necessitando ouvir. Por outro
lado o nosso silêncio pode ser motivado pelo receio de sermos identificados
como intrometidos e inoportunos.
Três
coisas são importantes nos nossos relacionamentos. Sinceridade, amor e
humildade. Quando conseguimos manter esses princípios com certeza os resultados
serão os melhores.
O
verso áureo traz uma grande verdade “É melhor um bocado seco, e com ele a
tranquilidade, do que a casa cheia de iguarias e com desavença” (Provérbios
17:1). Conheci um senhor que possuía dezenas de
imóveis para alugar. Financeiramente era uma pessoa resolvida. Mas a vida em
família era um inferno. Quantas vezes eu acordava durante a noite com o vozerio
vindo daquela casa.Os atritos com filhos e a esposa eram constantes. Era uma
família rica, porém, infeliz.
O
sábio oferece conselhos que, uma vez praticados, nos resguardam de momentos
difíceis. Ele assegura` “Águas profundas são as palavras da boca do homem, e
ribeiro transbordante é a fonte da sabedoria” (Provérbios
18:4). Quando eu tinha meus cinco ou seis anos de
idade conheci o senhor Miranda. Ele era um homem pobre e simples. Quão bom era
ouvi-lo! As suas palavras eram realmente um ribeiro transbordante de sabedoria.
Domingo
Apenas
um lembrete. Esses dois versículos não estão autorizando cobrirmos as
nossas transgreções. Todo o pecado necessita ser confessado e abandonado. O que os versos dizem para nós talvez, seja
mais difícil praticarmos do que confessar os nossos pecados. Manter sigilo
quanto às faltas dos nossos irmãos, principalmente se foi cometidas contra nos.
A cocega na língua e algo difícil de controlarmos.
Conheci uma família que tinha por principio
não comentar as falhas dos demais membros. Caso alguém cometia um deslize o
parente que viu ou tomou conhecimento se encarregava de resolver o problema com
a pessoa envolvida. Resolvido o caso ficava apenas entre os dois. Embora não
fossem cristãos eles praticavam o que Jesus deixou claro em Mateus18:16: “Mas,
se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou
três testemunhas toda a palavra seja confirmada.”
O verso 11 do capitulo 19 é um rígido recado
aos fofoqueiros. Diz o texto: “A prudência do homem faz reter a sua ira, e é
glória sua o passar por cima da transgressão.” Ou seja, o homem prudente não
desperta a ira de alguém que caiu em pecado. Ele se mantem em silencio. O
verdadeiro amigo não comenta as falhas do próximo. São nos momentos de
provações que ele prova a sua amizade e lealdade.
Segunda
A
pessoa inteligente tira grande proveito da correção. Ela aceita ser corrigida e obtém
lições construtivas do fato. Essa pessoa vai valorizar a correção por dois
motivos especiais. Primeiro ela não foi exposta. E segundo, ela foi repreendida
com amor.
Ser
justo e, ao mesmo tempo, demonstrar amor não e fácil. E esse comportamento que
Deus espera de cada um de nos. João apresenta a história da mulher apanhada em
adultério. Jesus não expôs a vitima. Não propagou os seus pecados e levou os
seus algozes a pensar duas vezes antes de acusar. Quanta lição Jesus nos
ensinou com esse fato!
Terça
Salomão
esclarece que as palavras são águas profundas. São profundas para o bem ou para
o mal. Tiago afirma: “Assim também a língua é um pequeno membro, e gloria-se de
grandes coisas. Vede quão grande bosque um pequeno fogo incendeia” (Tiago
3:5). Segundo Tiago a língua pode provocar
grandes destruições. Mas essa mesma língua canalizada para o bem pode promover
salvação em massa. Veja o relato do que aconteceu com Pedro: “Muitos, porém,
dos que ouviram a palavra creram, e chegou o número desses homens a quase cinco
mil” (Atos 4:4). E
Jonas com três dias de pregação levou cento e vinte mil pessoas ao
arrependimento.
Para
mostrar o poder da língua, Salomão usa uma linguagem bem forte: “A morte e a
vida estão no poder da língua; e aquele que a ama comerá do seu fruto” (Provérbios
18:21). As nossas palavras exercem nas pessoas
poder para a vida ou para a morte. Cabe a cada um de nos escolher que uso vai
fazer com ela.
Quarta
Cada
pessoa vê a mesma coisa,
mas tira conclusões diferentes. Enquanto alguém vê grandes resultados em
determinado projeto, outra pessoa não consegue visualizar as mesmas vantagens.
Quando se trata de pessoas amigas não e difícil opinar. Mesmo assim a presença
de uma opinião diferente pode causar estranheza e susto. Isso acontece porque a
nossa visão e finita e a nossa tendência é preferir aquilo que gostamos sem uma
avaliação mais profunda.
Salomão adverte: “O que pleiteia por algo, a princípio parece justo,
porém vem o seu próximo e o examina” (Provérbios
18:17).A avaliação de uma ou mais pessoas valoriza
o projeto e ameniza a possibilidade de erros. O próprio Salomão esclarece: “na
multidão de conselhos há segurança (sabedoria)” (Provérbios
11:14).
Toda
historia tem dois lados e todos eles têm o mesmo peso para avaliação. Tive um
professor de historia que dizia “eu duvido de um homem de um jornal só”. Como
falíveis que somos necessitamos da opinião de terceiros. O único momento em que
não necessitamos de opiniões e para fazermos a vontade de Deus. Ele esta acima
do erro e do equivoco e nele “não há sombra de variação”.
Quinta
Mais
uma vez Salomão condena a mentira e não é para menos. Como ele, o homem mais
sábio do mundo, não vai alertar de maneira enérgica os seus leitores sobre esse
mal que teve a sua origem no Céu. Veja que no inicio do seu reinado ele
enfrentou um problema serio envolvendo a mentira. Duas mulheres se apresentam
como mãe de uma criança e exige o direito de cria-la. Ê claro que uma estava
mentindo.
Já
estudamos sobre a mentira em lições anteriores nesse trimestre quando escrevi
bastante sobre o tema. Dizem por ai: “Quem diz nunca ter mentido está
mentindo.” Infelizmente a mentira era bastante comum entre o povo de Deus.
Temos Abraão, Isaque, Jacó, Esaú e tantos outros que usaram da mentira de
maneira escandalosa.
Temos
também exemplos de pessoas que ganharam dinheiro para mentir em juízo no
sentido de condenar alguém. Parece ser difícil avaliar se uma mentira é maior
ou pior que outra, mas para Deus o testemunho falso é a pior das mentiras
proferidas por alguém. Geralmente essas mentiras são proferidas sob juramento.
Salomão
da um tratamento drástico para o mentiroso. Diz um dos textos: “A falsa
testemunha não ficará impune; e o que profere mentiras perecerá” (Provérbios
19:9). Dentro dessa verdade bíblica podemos
imaginar que tem muita gente “boa” por ai carregando nas costas uma pesada
condenação.
Parece
estranho, mas o melhor lugar para falar uma mentira e onde mais se fala
mentiras é no púlpito das igrejas. Se existe apenas uma verdade bíblica como
pode as milhares de igrejas estar pregando a verdade? Alguém esta mentido feio
por ai, e pior, usando para isso os púlpitos das igrejas.
Conclusão
A
lição mostra que uma das maneiras de evitar contendas é falar a verdade e ser sincero
para com as pessoas. Mas falar a verdade também pode gerar contendas. Você faz
parte de um grupo na universidade, no trabalho ou de amigos nas redes sociais.
Geralmente a pessoa que não mente é tratada com indiferença e pode ser até
odiado pelos demais. Vivemos em um mundo onde cada dia se torna mais complicado
amar a verdade.
Já em seu tempo Rui Barbosa sentiu essa
dificuldade. Lamentou o sábio baiano: “De tanto
ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver
crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de
ser honesto.”
O conselho de Paulo para os filipenses é
válido para nós hoje: “Fazei tudo sem murmurações nem contendas, para que vos
torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma
geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo” (1
Filipenses 2:15).
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