domingo, 24 de março de 2013

Recriãção

Comentário da Lição da Escola Sabatina de 23 a 30 de março de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            É impressionante pensarmos que por um pequeno descuido no Éden toda a raça humana e o mundo onde ela habita foram condenados à destruição. Esse é o resultado do pecado. A Bíblia não deixa dúvidas a alma que pecar, essa morrerá” (Ezequiel 18:4). E Paulo afirma: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3:23).
Mas não era propósito de Deus exterminar com toda a raça humana. Ele nos ama sobremaneira.  Para que isso não acontecesse Ele idealizou o plano da Redenção. Esse projeto custou a morte de Cristo. Ele abriu as portas para que a formação de uma raça eleita fosse possível.
Porém o Senhor foi mais além. Com a recriação do homem Ele planejou recriar a Terra e transformá-la em um novo Jardim do Éden
Com essa medida Ele vai eliminar tudo de ruim que existe e substituir por um mundo novo. Pedro nos apresenta uma clara visão do antes e do depois destas coisas.
            Quem lê apenas os versículos sete a nove do capitulo três de Segunda Pedro não vê nenhuma perspectiva de escape. O relato se apresenta sombrio e apavorante para aqueles que não têm nenhuma esperança.
Mas o verso treze mostra um grupo de pessoas que se apresenta feliz e esperançoso. São aqueles que se incluem no “nós” apresentado pelo apostolo. Podemos dizer que esse “nós” são os amigos de Pedro.  Esse grupo não apresenta nenhum temor nem apreensão. Eles estão firmados na promessa de Jesus: Porque, eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá mais lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão” (Isaías 65:17).
Quando essa promessa se tornar realidade não haverá mais dor, tristezas, luto e nem lágrimas. A Bíblia nos assegura: “porque fiel é aquele que fez a promessa” (Hebreus 10:23). Então, o sonho de um novo mundo será realidade para todos aqueles que hoje decidiram a fazer parte desse “nós” apresentado pelo apostolo Pedro.

Domingo
            A Bíblia apresenta detalhes que despertam a nossa atenção. Os primeiros capítulos de Gênesis mostra a criação de um mundo sem pecado e de seres santos criados à imagem e semelhança de Deus e apresentam também a queda do homem com todas as suas implicações.
            Já os últimos capítulos da Bíblia apresentam Deus recriando o mundo e o homem. E para dar lugar a este novo mundo tudo o que existe passará.
            João está exilado na ilha de Patmos por causa do por causa da palavra de Deus, e pelo testemunho de Jesus Cristo” (Apocalipse 1:9). Longe de amigos e dos irmãos da igreja João está fadado a final de vida sozinho e abandonado.
            Mas foi ali, longe de tudo e de todos é que ele teve a visão de um mundo novo bem diferente da ilha onde se encontrava. Disse ele: “E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido” (Apocalipse 21:1-2).
            A cidade que ele viu será habitada só por seres santos. Ali ele não mais teria a companhia de marginais ou pessoas condenadas pela sociedade. Ele viu que a Nova Jerusalém seria habitada por seres santos que se permitiram ser recriados.
            A visão da Nova Jerusalém deve nos impulsionar a uma vida dedicada ao Senhor e a um desejo de mostrar essa Jerusalém para os miseráveis deste mundo. Essa visão e sesse testemunho tem que ser algo pessoal, fruto de um relacionamento intimo com a Palavra de Deus. (Leia meditação Reavivar a Esperança, p. 195).
            O livro do Apocalipse mostra como terminará o pecado. Como Deus nos recriará para a Sua glória. Felizes aqueles que permitirem que Deus opere esse milagre em suas vidas.

Segunda
            A promessa da ressurreição faz parte de um conjunto de promessas relativas à recriação do mundo. Ela esta associada à volta de Jesus, o juízo, a salvação dos justos e a recriação deste mundo quando surgirá um Novo Céu e uma Nova Terra.
A Nova Terra será habitada por seres santos de todas as épocas e de todas as nações. Por um lado a ressurreição dos justos é uma necessidade para completar os habitantes da Nova Terra. Por outro lado a Nova Terra será uma necessidade para comportar os remidos deste velho mundo.
A expressão “és pó e em pó de tornaras” e “o pó volte a terra como era” são tão comuns aos ouvidos de nos estudantes da Bíblia que quando vemos a expressão “do pó à vida” parece ser uma maravilha quase impossível de se tornar realidade. Mas “Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; porque fiel é o que prometeu” (Hebreus 10:23).  
A ressurreição de Cristo é a garantia da nossa ressurreição. Para os Saduceus o fato de Jesus romper os grilhões da morte foi uma grande decepção. Como eles não acreditavam na ressurreição presenciaram a sua principal doutrina cair por terra. A ressurreição do Mestre “Ouvindo os saduceus, que não criam na ressurreição, os apóstolos declararem que Cristo ressuscitara dos mortos, ficaram enraivecidos, compreendendo que se aos apóstolos fosse permitido pregar um Salvador ressuscitado e operar milagres em Seu nome, a doutrina de que não haveria ressurreição seria rejeitada por todos e a seita dos saduceus logo se extinguiria” (Atos dos Apóstolos, pág. 78). 
Bem, a nossa postura a esse respeito é bem diferente da que eles professavam. Porque “...nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça” (2 Pedro 3:13).

Terça
            Quando alguém falha em um compromisso conosco a nossa tendência é não confiar mais nada a essa pessoa, ainda mais se essa atitude nos causou grandes prejuízos.
Ao ser criado o homem Deus lhe confiou o domínio deste mundo que, na época, não estava manchado pelo pecado. Mas o homem se tornou em um péssimo mordomo. Permitiu que satanás deteriorasse em nós a imagem e semelhança com Deus nos outorgadas na criação. Tal atitude conduziu Jesus para morrer na cruz.
Mesmo assim Deus Se propõe a restaurar em nós o primeiro domínio. “E a ti, ó torre do rebanho, fortaleza da filha de Sião, a ti virá; sim, a ti virá o primeiro domínio, o reino da filha de Jerusalém” (Miquéias 4:8). Que Deus maravilhoso nos temos!
Como compreender um amor tão grande. Realmente é inexplicável. Mas Deus vai mais além. Vai nos outorgar o primeiro domínio e ainda nos oferecerá a capacidade de julgar as pessoas que não foram para o Céu inclusive os anjos maus..
Embora “João, em Apocalipse, diz: "Vi tronos; e assentaram-se sobre eles aqueles a quem foi dado o poder de julgar." Apocalipse 20:4. Eles "serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com Ele mil anos." Apocalipse 20:6. Nessa mesma ocasião, de acordo com Paulo, "os santos hão de julgar o mundo". I Coríntios 6:2. Em união com Cristo eles julgam os maus, comparando suas ações, declaradas nos livros, com a Bíblia, decidindo cada caso de acordo com as obras praticadas no corpo. Também Satanás e os anjos maus serão julgados por Cristo e Seu povo. The Southern Watchman, 14 de março de 1905” (A Verdade Sobre os Anjos, p. 288).
Além de compreendermos porque determinadas pessoas se perderam, creio que tal experiência nos mostrará até onde foi o amor de Deus em Sua tentativa de salvar a todos.

Quarta
            Quando eu era jovem trabalhava na roça e por algum tempo moramos na cidade. O trajeto era feito de bicicleta. Independente da distância, o nosso horário de chegar à lavoura era no nascer do Sol e isso exigia que saíssemos de casa com o dia ainda escuro. Como conhecíamos bem o caminho isso nunca foi problema e pedalávamos com vigor.
            Certa madrugada eu fazia uma curva com toda a velocidade possível quando atropelei um lobo que estava distraído comendo algumas frutas esparramadas pelo chão. O animal, apavorado, soltou um uivo ensurdecedor e desapareceu ligeiro. Eu também gritei apavorado. Não sei qual de nós dois se assustou mais.
            Este é o nosso mundo depois do pecado. Os animais são desconfiados conosco e, em alguns casos, eles nos atacam.  Parece que eles viram o que aconteceu no Éden e chegaram à conclusão de que agora o bicho homem não é de confiança.
            A restauração que Deus promete não será apenas na terra e nos homens, ela atingirá também os animais. Diz a Bíblia: “O lobo e o cordeiro se apascentarão juntos, e o leão comerá palha como o boi; e pó será a comida da serpente. Não farão mal nem dano algum em todo o meu santo monte, diz o Senhor” (Isaías 65:25). E mais: “E morará o lobo com o cordeiro, e o leopardo com o cabrito se deitará, e o bezerro, e o filho de leão e o animal cevado andarão juntos, e um menino pequeno os guiará” (Isaías 11:6). Esse é o mundo novo que nos aguarda.
            Lá na nova terra os animais viverão em paz e não haverá mais a desesperada cadeia alimentar. Não veremos mais um leão devorando um indefeso cordeiro e nem o homem se alimentando de qualquer animal.

Quinta
            O sonho de Deus é passear com Adão, comigo e com você no Jardim do Éden pela viração do dia. O relacionamento truncado pelo pecado será restabelecido. Não existirá mais pecado pois foi destruído a raiz e os ramos do mal que cobriram toda a Terra.
            O relacionamento direto do homem com Deus foi interrompido por uma ação preventiva do Criador para que a taça humana não fosse destruída diante de Sua presença.
            Com o pecado a auréola de santidade que cobria o homem foi retirada. Ela será devolvida apenas para aqueles que aceitarem o sacrifício de Jesus. Será o mais importante ato restaurativo de Deus. Pois estar com o Senhor e conviver com ele face a face será é a realização do sonho de Adão, de seus filhos e do próprio Deus. “...Estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que vá. Estes são os que dentre os homens foram comprados como primícias para Deus e para o Cordeiro” (Apocalipse 14:4).

Conclusão
            Vamos concluir o estudo desta semana com as palavras de Ellen G. White: "E a ti, ó torre do rebanho, monte da filha de Sião, a ti virá; sim, a ti virá o primeiro domínio." Miquéias 4:8. Chegado é o tempo, para o qual santos homens têm olhado com anseio desde que a espada inflamada vedou o Éden ao primeiro par - tempo "para a redenção da possessão de Deus". Efésios 1:14. A Terra, dada originariamente ao homem como seu reino, traída por ele às mãos de Satanás, e tanto tempo retida pelo poderoso adversário, foi recuperada pelo grande plano da redenção. Tudo que se perdera pelo pecado foi restaurado. "Assim diz o Senhor ... que formou a Terra, e a fez; Ele a estabeleceu, não a criou vazia, mas a formou para que fosse habitada." Isaias 45:18. O propósito original de Deus na criação da Terra cumpre-se, ao fazer-se ela a eterna morada dos remidos. "Os justos herdarão a Terra e habitarão nela para sempre." Salmo 37:29” (O Grande Conflito, p. 674).

Criaçào e evangelho

Comentário da Lição da Escola Sabatina de 16 a 23 de março de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia - Central de Taguatinga, DF.

Introdução
                Evangelho é o projeto de Deus para recriação do homem.  Criado por Deus e dotado de livre arbítrio, o homem se desviou do projeto divino. As insinuações de Satanás lhe pareceram atrativas e falaram mais alto.
            Ao cair em pecado, humanamente falando, não havia outra saída para o homem senão a morte. Essa condenação se estendeu a todos os filhos de Adão. Diz Paulo: Porque, assim como todos morrem em Adão” (1 Coríntios 15:22).
             Todos os filhos de Adão herdaram a tendência para pecar, portanto todos são pecadores. A Bíblia afirma: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3:230). Uma vez que todos são pecadores, todos estão condenados à morte. Paulo afirma que a salvação do homem era impossível: “Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram” (Romanos 5:12).  
            É nesse momento que o evangelho se aflora “Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne” (Romanos 8:3).
            Com o evangelho Deus abriu uma porta de salvação para toda a humanidade. A morte de Cristo é a certeza de que um dia o Éden será recriado e habitado por seres santos conforme o plano original de Deus.
            Feliz aquele que aceita o convite da salvação e não se envergonha de confessar Jesus diante dos homens. “Portanto, qualquer que me confessar diante dos homens, Eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus” (Mateus 10:32). Aceitar Jesus e confessá-Lo diante dos homens é um ato de coragem. Paulo estava decidido: "Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego” (Romanos 1:16).
            Tenhamos em mente que o plano da salvação custou caro para os céus. Ele só veio à existência porque Deus ama os Seus filhos e deseja a salvação de todos. “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.” (2 Pedro 3:9).

Domingo
            A Bíblia relata a difícil conversa entre Deus e o casal do Éden. Alguns aspectos desse encontro merecem atenção. Primeiro, o pecado distancia o homem de Deus. Segundo, Adão e Eva experimentaram medo de se apresentarem diante de Deus. Terceiro, Deus sabia o que tinha acontecido e Se propôs a procura-los. Quarto, as perguntas feitas a eles tinham por objetivo faze-los pensar quão terrível é o pecado. Quinto, o ato de Deus em procura-los demonstra o Seu amor por eles, mesmo em pecado.  Sexto, o Senhor queria lhes revelar o plano de salvação. 
Creio que a parte mais difícil desse encontro foi quando Deus pediu para Adão escolher o cordeiro mais lindo do rebanho e junto com Deus sacrificá-lo ali. Provavelmente Adão jamais se esqueceu do que presenciara naquele dia: A relva do jardim manchada de sangue. Diz Ellen G. White: “Quando Adão, de acordo com as especiais determinações de Deus, fez uma oferta pelo pecado, foi para ele a mais penosa cerimônia. Sua mão teria de erguer-se para tirar a vida que somente Deus podia dar, e fazer uma oferta pelo pecado. Foi esta a primeira vez em que testemunhou a morte. Enquanto olhava para a vítima ensanguentada, debatendo-se nas agonias da morte, deveria contemplar pela fé o Filho de Deus, a quem a vítima prefigurava. The Spirit of Prophecy, vol. 1, págs. 50 a 53” (A Verdade Sobre os Anjos, p 61). 
Aquele evangelho apresentado no Éden foi planejado desde a fundação do mundo. O Deus que nos criou é o mesmo que nos redime. “...antes de ser criado o homem, foi tomada a providência de que, se o homem não suportasse a prova, Jesus tornar-Se-ia o seu sacrifício e penhor, para que pela fé Nele, o homem pudesse reconciliar-se com Deus, pois Cristo era o Cordeiro “morto desde a fundação do mundo” (Apocalipse 13:18). Cristo morreu no Calvário para que o homem tivesse poder para vencer suas tendências para pecar” (E Receberei Poder – Meditação Matinal, p 352).

Segunda
Achei interessante a observação do autor ao dizer que, após a morte todos nós seremos pó e não macacos. Foi Deus quem disse no princípio: “És pó e em pó te tornarás.” E ao descrever a morte das pessoas Salomão foi claro: “E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu” (Eclesiastes 12:7). 
Não podemos esquecer que a morte passou a todos os homens por causa do pecado. Paulo afirma: “Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram” (Romanos 5:12).
Com exceção de uns poucos como Enoque e Elias, por mais importante que seja a biografia de alguém ela termina com as palavras: “E morreu.” (Ver meditação Reavivar a Esperança, p. 248).
Só compreenderemos melhor o mistério da vida quando formos agraciados dom a eternidade. É curioso que quando isso acontecer esse pó mortal, corrupto e dado ao pecado se revestirá de imortalidade e estaremos para sempre com o Senhor.
Na minha vida profissional já presenciei a morte de muitas pessoas. As funções vitais cessam e poucas horas depois o corpo começa a cheirar mal e a se desintegrar. Já acompanhei algumas exumações e em alguns casos os resíduos do corpo se transformaram em poeira. Depois da queda Deus foi claro:porquanto és pó e em pó te tornarás” (Gênesis 3:19). 
 Seria para nós uma grande dúvida se o nosso fim fosse diferente. Mas da mesma maneira que aconteceu com Abel e Adão lá no principio do mundo, acontece com todos os homens hoje. O nosso consolo é que para os que aceitam o sacrifício de Jesus e se propõem a andar em novidade de vida a morte não é o fim.

Terça
            Caso Deus não provesse um meio de salvação, o homem seria entregue a Satanás e as acusações desse inimigo de que Deus era arbitrário seriam justificadas. Mas Deus agiu completamente ao contrario e em Seu amor proveu um meio pelo qual Satanás seria desmascarado.
            É complicado quando alguém usa de má fé conosco ou talvez nos atinja física e moralmente. A nossa atitude é de repulsa e às vezes de vingança. Com Deus não é assim. A Bíblia afirma: “Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5:8).
            É comum ouvirmos expressões como: “Eu não vou à casa de fulano porque ele nunca veio na minha.” Sempre faço o possível para acompanhar sepultamentos, mas certa vez comentei com a minha esposa: “Não vou mais a nenhum funeral, pois cheguei a conclusão que nenhum destes que acompanhei estrão presentes no meu.” Hoje o nosso amor a Deus não expressa o Seu amor para conosco. Porque “Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro” (1 João 4:19).
            Nem sempre estamos dispostos a nos sacrificar por alguém, a não ser que esse alguém mantenha um relacionamento afetivo conosco. Mas Jesus foi além. “Veio para o que era Seu, e os seus não O receberam” (João 1:11). No bom sentido da palavra Jesus força a situação para nos provar o Seu amor.

Quarta
            A prova de que Jesus Se fez maldição por nos está no Calvário. A Sua promessa no Jardim do Éden foi: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gênesis 3:15). Sim! A semente da mulher feriu Satanás na cabeça. Hoje ele é um inimigo vencido. Não foi fácil, mas Jesus cumpriu a promessa.
            No momento fatal Jesus experimentou o abandono dos céus. É o mesmo desespero que no momento final da história experimentará todo aquele que hoje rejeita o Seu amor. O Seu convite continua soando por todos os cantos da terra: “Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, Não endureçais os vossos corações, como na provocação” (Hebreus 3:15).
            Já vi pessoas dizer que tomam bebidas alcoólicas porque Jesus já pagou todos os seus pecados cruz. Eles se esquecem de dois princípios. Primeiro, Jesus só assume os pecados confessados e abandonados. “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia” (Pr 28:13) Segundo: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Coríntios 5:17). Ser uma nova criatura é viver  de maneira diferente. “Assim andemos nós também em novidade de vida” (Romanos 6:4).
Quinta
            Quando vejo a onda de crimes que assola o mundo; Quando vejo a injustiça se ufanar nos tribunais; Quando vejo o sofrimento martirizando pessoas inocentes; Quando vejo esse velho mundo cambaleando como ébrio me associo a João na sua oração final: “Amém. Ora vem, Senhor Jesus” (Apocalipse 22:20).
            Lá pelos idos de 1970 o comentarista de jornal, Aléx Dryer escreveu: “As coisas caminham de tal maneira que a maior necessidade deste mundo é um novo mundo.” Naquele tempo, a televisão ainda engatinhava, a violência não era tão exacerbada, a poluição não nos sufocava tanto e esse jornalista já havia chegado a tal conclusão. Imagina o que ele diria diante do mundo de hoje!
            Felizmente, Deus viu essa necessidade há milênios e está ordenando as coisas e em breve teremos esse novo mundo tão sonhado por Aléx Dryer. (Leitura sugestiva meditação Reavivar a Esperança, páginas 63 e 190).
            Breve a Sua promessa se cumprirá: “Porque, eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá mais lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão” (Isaías 65:17).
            Para habitar nessa nova terra Deus está recriando um povo especial. Um povo que permitiu ser recriado à imagem Daquele que tanto nos amou. A Sua promessa é: “E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve; porque estas palavras são verdadeiras e fiéis” (Apocalipse 21:5). “Fazer novas todas as coisas” inclui tudo na natureza céu, terra, homens e animais. Ai teremos realmente um mundo novo.
            É necessário que o sonho de Davi seja a nossa oração hoje: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto” (Salmos 51:10). Essa tarefa que está além de nossas forças mas a promessa de Deus é: Deus deseja pôr os homens em direta relação com Ele. Em todo o seu trato com as criaturas, reconhece o princípio da responsabilidade individual. Busca estimular o senso da dependência pessoal, e impressioná-los com a necessidade de direção própria, isto é, individual. Deseja pôr humano em ligação com o divino, a fim de que os homens sejam transformados à divina semelhança” (Conselhos Sobre Saúde, p 345). 

Conclusão
            O evangelho anunciado na criação Se fez realidade no Calvário. Hoje o pecador condenado pode se tornar uma nova criatura e desfrutar de uma vida eterna junto com Aquele que nos redimiu.
Para que essa recriação aconteça em mim é necessário que eu aceite o Seu convite: “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações, como na provocação."          

sábado, 9 de março de 2013

Sábado: feito para o homem



Comentário da Lição da Escola Sabatina de 9 a 16 de março de 2013. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            Neste trimestre já estudamos o sábado em lições anteriores em momentos isolados dentro do estudo semanal. Durante essa semana estudaremos exclusivamente sobre o sábado.
            Quando foi digitar o título do estudo desta semana cometi um equívoco e escrevi: Sábado: feito pelo homem. Seria tudo verdade caso eu estivesse me referindo ao domingo. O sábado tem as digitais do nosso Criador.
Certa vez, um senhor procurou o meu pai e fez um pedido. Disse ele: “A minha casa é pequena e o meu filho que vai nascer necessita de um quarto. O senhor pode construir um quarto em minha casa para ele?”
            O quarto foi construído para atender uma necessidade vital daquela criança. Ela não veio ao mundo por causa do quarto. Mas o quarto foi construído para atender a necessidade daquele garotinho. Com o sábado aconteceu o mesmo. Física e espiritualmente o homem necessita do sábado. E como Deus nos ama Ele criou esse dia especial para nós. Mas para que a sua observância seja completamente revitalizante ele deve ser observado da maneira como Deus nos orienta em Sua Palavra. 
            Jacques Monod, prêmio Nobel, escreveu: “O homem finalmente sabe que ele está sozinho na infinita imensidão do universo.” Mas a Bíblia afirma que não estamos sozinhos. Temos um Criador que nos ama e que interage conosco. E para incrementar esse relacionamento Ele criou um dia especial, dedicado exclusivamente para estarmos com Ele. O sábado é uma declaração de Deus de que não estamos sozinhos.
            Alguém escreveu: “Faça as contas, parar um dia na semana significa parar quatro dias no mês, parar quatro dias no mês, significa parar aproximadamente quarenta e oito dias no ano, parando quarenta e oito dias no ano, significa parar quatrocentos e oitenta dias em uma década. O que significa um ano e quatro meses parado? Raciocine comigo; você já pensou como seria o nosso mundo se a cada dez anos ele repousasse um ano e quatro meses sem receber nem um tipo de poluição? Faça suas contas, quantas toneladas de lixo o nosso planeta não teria produzido nos últimos 100 anos. Pois é exatamente isso um dos benefícios de se guardar o Sábado.”

Domingo
            O sábado é o último ato criativo de Deus. O Senhor decidiu concluir a criação com chave de ouro e, criou esse dia especial. É curioso que no primeiro sábado da criação Deus já deu um exemplo de como deve ser observado esse dia. Imaginemos Deus passeando pelo jardim ao lado do homem conversando amenidades e admirando cada obra da criação. Essa é a maneira que Deus espera que observemos o Seu dia.
            O sábado representa tranquilidade, sossego, paz confiança e muito mais. Ele é a certeza de que temos um Deus criador que Se importa conosco. Ao lado de um Deus assim temos segurança de que estaremos bem guardados.
            A Bíblia nos mostra como o sábado foi criado, qual o proposito de Deus ao fazê-lo. É ela que nos ensina como observá-lo. Com tanta clareza bíblica não dá para entender como a maioria ignora esse dia e observa outro que não tem nenhuma referencia bíblica. É realmente a obra de um grande engano.

Segunda
            Deus mostra na Bíblia que a observância do sábado é um sinal de libertação do cativeiro do pecado. Israel, enquanto viveu no Egito, foi escravo. Não tinha liberdade de adorar o Deus criador e os israelitas chegaram ao ponto de adorar outros deuses.
            Ao serem libertos do cativeiro, foi-lhes outorgada liberdade de adorar ao Deus verdadeiro. O descanso no sábado seria um momento de refletir sobre essa liberdade. Uma liberdade que proporcionava também o privilégio de descansar um dia na semana, coisa impossível no Egito.
            Um dia, pelo sangue de Cristo estaremos para sempre livres da escravidão do pecado. Quando isso acontecer, entraremos no repouso que Deus está preparando para os Seus filhos errantes. “Portanto, resta um repouso para o povo de Deus” (Hebreus 4:9). E Isaias completa: “E será que desde uma lua nova até à outra, e desde um sábado até ao outro, virá toda a carne a adorar perante mim, diz o Senhor” (Isaías 66:23).    
            Uma vez que o homem aceita o sacrifício de Cristo e se propõe a servi-Lo o Senhor o livra da escravidão do pecado. Não somos mais servos de Satanás. Temos a liberdade de servir ao Senhor criador do céu e da terra.
            O sábado acontece a cada seis dias. Mesmo assim Deus pede para não nos esquecermos desse dia especial. Ao lembrarmo-nos de santificar o sábado, jamais esqueceremos que fomos criados e redimidos por Cristo. Mesmo com todas essas conotações Deus viu que Satanás se empenharia ao máximo para apagar esse dia da mente dos filhos de Deus.
Ao conseguir esse intento Satanás não só desviou a mente do homem de o Deus criador, mas apagou de sua mente a lembrança do sacrifício de Cristo na cruz. Prevendo que isso aconteceria o Senhor antecipou ao mandamento do sábado a palavra “lembra-te”. Mesmo assim, apenas uma minoria atenta para o memorial da criação e da redenção.

Terça
            Já mencionei em outros comentários que certa vez, numa manhã de sábado peguei o metrô em Brasília para visitar determinada igreja. Ao entrar me deparei com um senhor vestido com terno e com uma Bíblia na mão.
            Perguntei se ele era um adventista. Respondeu que era de determinada igreja evangélica e que iria participar de um encontro especial. E sem pausar já foi dizendo: “O senhor está transgredindo o sábado porque esta se deslocando a uma distância não permitida para o dia de sábado.” E acrescentou: “Esta escrito lá e você deve saber.”
Procurei saber a que sábado ele se referia. O sábado criado pelos judeus ou o sábado criado por Jesus? E acrescentei: “Nos observamos o sábado e seguimos as orientações de Quem criou o sábado.” Depois de um silêncio de alguns segundos ele me perguntou: “Qual é a próxima estação?”
            Os evangélicos de modo geral insistem que o sábado foi anulado ou pregado na cruz. Os católicos, por sua vez, aceitam que o sábado é o quarto mandamento da lei de Deus, mas afirma que a Igreja Católica, usando de sua autoridade, mudou o sábado para o domingo em comemoração a ressurreição de Cristo. É impressionante como Satanás consegue implantar dúvidas e promover confusão!
            Em nenhuma das manifestações de Jesus a respeito do sábado Ele jamais, pelo menos, insinuou que o quarto mandamento tenha sido abolido. Pelo contrário, o Mestre sempre exaltou a observância desse dia especial. Veja alguns exemplos: “Porque qualquer que guardar toda a lei, e tropeçar em um só ponto, tornou-se culpado de todos” (Tiago 2:10); “E disse-lhes: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado” (Marcos 2:27); “E desceu a Cafarnaum, cidade da Galileia, e os ensinava nos sábados” (Lucas 4:31).
            Jesus tinha por costume fazer duas coisas no sábado, ir à sinagoga e fazer o bem. Imaginemos como Jesus anularia um único mandamento da Lei de Deus e não toda a Lei?

Quarta
            Na nota da página 137, no último parágrafo lemos: “...Em nenhum lugar da Bíblia encontramos algo como o sábado, que aponte tão plenamente para Ele como criador.”
            O sábado é o único mandamento que fala de Deus como o nosso Criador. O quarto mandamento da Lei de Deus é o único que propõe a unir a família, amigos, empregados, patrões e até desconhecidos que estejam entre nós. Considero o sábado um mandamento polivalente.
            A mensagem de Apocalipse 14:6 e 7 é um convite universal para adorar o criador do Céu e da Terra. Não há como adorar esse Deus criador e ignorar o dia que Ele criou e imprimiu as Suas próprias características.
            O sábado não só é um convite para adorarmos o Criador do Universo e do próprio sábado, mas enfatiza também, que o mundo foi criado em seis dias.
            Sabemos que existe um poder que alterou o mandamento do sábado e está convidando a humanidade para dar ao domingo as mesmas características que Deus imprimiu no sábado.
             Em sua carta apostólica “Dies Domini” página 12, o papa João Paulo II afirmou: “É necessário, portanto, reler a grande página da criação e aprofundar a teologia do “sábado”, para chegar à plena compreensão do domingo.”
            Satanás conseguiu um relativo êxito em sua luta para ofuscar Deus da mente dos homens e uma de suas ações foi levar a humanidade a se esquecer do sábado. Não é por mero acaso que o mandamento começa com um sonoro “lembra-te”.
            Pedro fala de um tempo em que os fiéis observadores do sábado e que aguardam a volta de Jesus seriam ironizados. Diz o texto: “Sabendo primeiro isto, que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências,
e dizendo: Onde está a promessa da Sua vinda? porque desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação”  (2 Pedro 3:3-4).
            Parecem que estão a dizer: “Mudamos o sábado para o domingo e nada de especial nos aconteceu.” E quanto a vota de Jesus perguntam com escarnio: Onde está a promessa da sua vinda?
            Quando eu era criança era comum entre os colegas dizer: “Deixa estar o jacaré que a lagoa há de secar.” Sim um dia essa lagoa de engano vai secar, quando a Lei de Deus for escrita no Céu o pavor tomará conta de todos os escarnecedores. E “onde está a promessa de Sua vinda?” Espero que ela esteja bem arraigada no fundo de nosso coração.

Quinta
Quando estudava no antigo CAB lá pelos idos de 1965 ouvi um sermão proferido pelo pastor Flávio Araújo Garcia, naquela época, regente do coral Carlos Gomes.  A sua mensagem foi centrada no verso três do salmo oito. Diz o texto: “Sobre um instrumento de dez cordas, e sobre o saltério; sobre a harpa com som solene.” 
Lembro que ele fez uma analogia do instrumento de dez cordas com a Lei dos Dez Mandamentos. Ele mostrou que toda a beleza do salmo oito deveria ser cantada ao som desse instrumento de dez cordas. Ou melhor, a Lei de Deus. É ela que dá som e harmonia no universo. Sem ela o mundo seria um caos.
Para aquele pastor toda a grandeza de Deus, todo o Seu poder, toda a Sua bondade, toda a Sua orientação sobre justiça e todo o Seu cuidado por nós está centrado na Lei dos Dez Mandamentos. Ele finalizou o sermão dizendo: “Se a tua lei não fora toda a minha recreação, há muito que pereceria na minha aflição” (Salmos 119:92).
Quanta lição encerra o salmo oito! É realmente um salmo propicio para a nossa meditação no santo sábado. É o único dia da semana que tem um salmo especialmente dedicado a ele. Não existe nenhum texto similar na Bíblia que venha focar e dar um caráter especial a outro dia da semana.

Conclusão
            A mente de nossas crianças está dia a dia sendo bombardeada por ideias evolucionistas. Nas escolas, nos meios de comunicação a evolução é enfatizada como se fosse verdade.  O Deus criador, provedor, mantenedor e redentor está cada vez mais distante do pensamento humano. 
O salmo oito deve ser a nossa arma secreta para ser usada a todo o momento, principalmente nas horas sagradas do sábado. Ele nos aproxima de Deus e firma o nosso pensamento de que existe um Criador que nos ama. O sábado é o “dia do Senhor” porque foi criado por Ele. 

domingo, 3 de março de 2013

Mordomia cristã e meio ambiente


Comentário da Lição da Escola Sabatina de 2 a 9 de março de 2013. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            Sempre que estudo o tema da lição de hoje me vem à mente a dupla função outorgada por Deus ao homem depois da criação. Diz a Bíblia: “E tomou o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar” (Gênesis 2:15).
Para mim esse texto retrata toda a mensagem de mordomia e meio ambiente apresentada na Bíblia.
            Há poucos dias visitei um agricultor adventista. Ele demonstrava chateado com as exigências governamentais sobre meio ambiente e ecologia. Segundo ele, com as limitações impostas para preservação do meio ambiente, em breve o mundo não conseguirá produzir alimentos para sustentar sete bilhões de pessoas.
            Até certo ponto esse irmão tem lá as suas razões. Porém, mais interessado que o governo sobre a ecologia deveria estar nós, adventistas do Sétimo Dia e conhecedores da orientação divina dada ao homem nos primórdios de nosso mundo.
            Caso o homem praticasse essa orientação divina o nosso planeta seria quase um Éden e não haveria escassez de alimentos, teríamos melhor qualidade de vida e consequentemente uma longevidade acentuada e saudável.
            Porém, o homem com o seu egoísmo desenfreado e a sua ganancia por dinheiro tem provocado o desequilíbrio na natureza e está arrebentando com o seu próprio corpo.
Doenças, pestes nos animais, catástrofes e um ambiente sofrível tem sido o nosso quinhão.
            A Igreja Adventista do Sétimo Dia insiste em apresentar uma maneira saudável de viver e, nesse contexto, a preservação do meio ambiente faz parte de nossas preocupações.
            Já ouvi algumas pessoas dizer que a nossa preocupação e cuidado com o meio ambiente pouca ou nenhuma diferença faz no planeta, ao vermos como se comporta a humanidade como um todo. Do meu ponto de vista não interessa se a nossa postura está sendo notada ou não. O que realmente me interessa saber é se como mordomos de Deus estamos cumprindo o nosso papel.

Domingo
            Gênesis 2:15 tem uma amplitude que poucos detectam. Essa orientação divina foi dada antes do pecado. Podemos imaginar como era o nosso planeta e, em especial o jardim do Éden. Guardar o jardim do Éden era preservar a própria existência. Infelizmente o homem falhou e a sua primeira desventura foi poluir o jardim do Éden com o pecado. Os nossos pais baixaram a guarda e a terra passou a produzir espinhos e cardos.
            Hoje existe uma preocupação para preservar os animais em extinção. Aos poucos eles vão desaparecendo da face da terra e sua falta já provoca distúrbios em nosso eco sistema. Como mordomos de Deus, estamos falhando redondamente.
            Na criação Adão foi incumbido de dar nomes aos animais. Podemos imaginar como era a fauna naquela época. Adão deu nome a todos eles, mas nós não estamos dando condições para que eles vivam e cumpram o seu papel ecológico sobre a terra. Continuando assim, em breve eles só existirão em fotos e vídeos.
            Criado à imagem e semelhança de Deus, ao homem foi outorgado a glória do raciocínio e do livre arbítrio. Além de um corpo escultural de formas invejáveis ele foi honrado em ter domínio sobre todos os animais. Davi ficou impressionado com os atributos a nós oferecidos. Como somos racionais, ou pelo menos deveríamos ser, temos a responsabilidade de cuidar e responder pelos irracionais.

Segunda
            O tema de hoje aborda Deus como o proprietário de todos os animais. Ele os criou e todos pertencem a Ele.
             O primeiro telefone que vi em minha vida foi na casa de um fazendeiro que morava em minha cidade natal. Ele era criador de gado e o telefone ligava a sua casa com a fazenda. Diariamente ele falava com o seu vaqueiro e passava orientações de como o gado deveria ser cuidado. O vaqueiro, por sua vez, amava o que fazia e mantinha os animais bem tratados, escovados e medicados. Quando algum comprador visitava a fazenda ficava encantado com a qualidade e beleza dos animais. Certa vez, aquela fazenda produziu uma vaca Zebu que, ao ser vendida, alcançou o maior valor visto na região.
            Deus é o fazendeiro, dono de tudo o que está ao nosso redor. Ele passou e continua passando orientações de como devemos cuidar do Seu patrimônio. O exemplo daquele vaqueiro é um desafio para nós hoje.
            O pastor Josué de Castro, falando de Deus, apresenta três motivos para sermos fieis mordomos. 1° - Deus tem a Soberania – “Eu Sou o Senhor e não há outro, além de Mim não há Deus”. Isaias 45:5 (Sal.24:1 e 2; Salmo 50:10-12; Ageu 2:8).
2° - Deus Tem a Supremacia – “Eu Sou o Senhor, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra as imagens de escultura”. Isa. 42:8 ( Dan. 2:20-22). 3º - Deus Tem a Primazia – “Eu Sou o primeiro e Eu sou o último; além de Mim não há Deus”. Isaias 44:6 (Êxodo 20:3; Colossenses 1:18).
Em se tratando de cuidado Deus espera que ampliemos o nosso leque. Como tudo que temos e somos veio Dele, a nossa responsabilidade abrange o cuidado com o nosso corpo, com os nossos talentos, com as nossas posses e a nossa inteligência.
Deus é digno de receber honra e glória porque tudo que há no Universo veio Dele. E a melhor maneira de honra-Lo e glorifica-Lo, é cuidar do Seu patrimônio que inclui tudo que somos e tudo que está ao nosso redor quer perto quer longe.

Terça
            O mandamento do sábado nos ensina três coisas. 1º - Deus é o criador de todas as coisas inclusive do sábado. 2º - O sábado não é nosso, é Dele. 3º - Aos olhos do homem esse descanso nem sempre é necessário, pois ele pode até se esquecer dele. Mas para Deus que nos criou e conhece as nossas limitações físicas o descanso semanal é necessário.
            Ao observarmos o sábado estamos testemunhando para o mundo que Deus é o criador de todas as coisas.
            O descanso semanal como orienta a Bíblia inclui o físico e o mental e quando praticado ele renova a nossa experiência cristã. O sábado é um período de 24 horas em que fechamos as cortinas para o interesse próprio e financeiro e abrimos as janelas da alma para receber as bênçãos que o Criador deseja nos proporcionar.
            Costumo dizer que, caso não existissem o mandamento do sábado e nenhuma outra referencia a este dia em toda a Bíblia, o que temos em Isaias 58:13-14 seria suficiente para observamos o Sábado sem apresentar qualquer questionamento. Diz o texto: “Se desviares o teu pé do sábado, de fazeres a tua vontade no meu santo dia, e chamares ao sábado deleitoso, e o santo dia do Senhor, digno de honra, e o honrares não seguindo os teus caminhos, nem pretendendo fazer a tua própria vontade, nem falares as tuas próprias palavras, então te deleitarás no Senhor, e te farei cavalgar sobre as alturas da terra, e te sustentarei com a herança de teu pai Jacó; porque a boca do Senhor o disse.”
            Podemos imaginar como seria o mundo se toda a humanidade observasse o sábado. A própria terra seria revigorada nesse dia e Deus seria exaltado por todo o planeta. Diz Ellen G. White: “Tivesse sido o sábado sempre guardado, os pensamentos e afeições dos homens teriam sido dirigidos para o seu Criador como objeto de reverência e culto, e jamais teria existido um idólatra, um ateu ou um infiel” (História da Redenção, p. 382-383). 

Quarta
            O nosso estado físico tem tudo a ver com a nossa mente. Caso o nosso corpo seja maltratado a nossa mente será atingida.  Com o nosso cérebro danificado a nossa relação com o Criador será comprometida.
            Caso eu abarrote o estômago o sangue que deveria irrigar o cérebro estará sendo usado para digerir o alimento ingerido e a mente não terá a fluidez que permita o Espírito Santo atuar.
            Deus criou essa máquina humana e ao fazê-lo Ele providenciou um manual de instruções para a sua manutenção. Quando o homem ignora esse manual o corpo e a mente pagam as consequências.
            É curioso que o mesmo mandamento que nos orienta a descansar no sábado é o mesmo que adverte trabalhar os seis dias da semana. Isso mostra o quanto o trabalho é salutar para o corpo humano. Deus sabe que necessitamos exercitar os seis dias da semana. Ele nos deixou os limites para o trabalho e para o descanso.
            Quando o centurião procurou Jesus para que Ele curasse o seu servo, a resposta de Jesus foi: “Eu irei, e lhe darei saúde” (Mateus 8:7). Jesus quer visitar a nossa casa para nos dar saúde.
            Hoje a gulodice, a embriaguez , o trabalho excessivo, a competitividade e a agitação da vida moderna, tem levado milhares prematuramente para a sepultura.  E pior: deixam para trás uma quantidade de lixo que seria bem menor caso tivessem vivido dentro dos padrões deixados por Deus. São pessoas que desprezam a advertência divina: “Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus” (1 Coríntios 6:19-20).

Quinta
A mordomia cristã está calcada em alguns princípios que fazem a identificam como uma criação divina. Deus ao criar todas as coisas disse que tudo era “muito bom”, E nós os seus mordomos, da maneira como tratamos o planeta parece que estamos a dizer: Tudo é muito ruím.
            Vejamos alguns princípios da mordomia:
- Deus é o proprietário de tudo. E falando do ser humano Ele é o nosso proprietário duas vezes. Pela criação e pela redenção ou recriação.
- Somos devedores. Davi preocupado com essa situação Davi exclamou: “Que darei eu ao Senhor, por todos os benefícios que me tem feito?” (Salmos 116:12). Ele mesmo responde: “Tomarei o cálice da salvação, e invocarei o nome do Senhor. Pagarei os meus votos ao Senhor, agora, na presença de todo o seu povo” (Salmos 116:13-14).
- Antídoto contra o pecado. Pecados como a glutonaria, embriaguez, Avareza, etc.
- Entrega total. O fiel mordomo entrega tudo a Deus porque Ele é o proprietário de tudo
- Dar com gratidão e com alegria - Mordomia tem mais a ver com a atitude do que com as ações e, começa com gratidão, não com ofertas. Os macedônicos deram com alegria. (II Coríntios 8:2- 4).
- Parceria com Deus – Ser mordomo é viver e trabalhar em parceria com Deus. E que parceiro! Cristo não nos pede para trabalhar para Ele, mas com Ele.
- Canal das bênçãos de Deus. E todas as nações vos chamarão bem-aventurados; porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o Senhor dos Exércitos” (Malaquias 3:12).
A promessa de Deus para os Seus mordomos é: “Disse-lhe o seu Senhor: Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (Mateus 25:23).

Conclusão
            O mundo em que vivemos é um presente de amor do Deus Criador.  Aquele
que fez o céu, a Terra, o mar e as fontes das águas" (Apocalipse 14: 7). Dentro dessa criação Ele colocou os seres humanos, ligados intencionalmente em relacionamento com Ele, com outras pessoas e com o mundo ao redor. Portanto, como adventistas do sétimo dia, consideramos que a preservação e cuidado do meio ambiente estão intimamente relacionados com nosso serviço para Ele.
"Visto que a pobreza humana e a degradação ambiental estão inter-relacionadas,
comprometemo-nos a melhorar a qualidade de vida de todas as pessoas. Nosso
objetivo é o desenvolvimento sustentável dos recursos, enquanto atendemos às
necessidades humanas. [...]
"Nesse compromisso, confirmam nossa condição de mordomos da criação
de Deus e cremos que a total restauração será alcançada somente quando Deus
fizer novas todas as coisas" (Extraído de "Cuidando da Criação, uma Declaração
da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia sobre o Meio Ambiente", votada
em 12 de outubro de 1992).