Comentário da Lição da Escola Sabatina de 23 a 30 de julho de 2011.
Você é Feliz, ó Israel
Preparado por Carmo Patrocínio Pinto
(Autor da meditação Avivar a Esperança. É membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia
Central de Taguatinga. DF).
Faz sessenta e cinco anos que sou adventista e já li a Bíblia varias vezes. Mas quanto mais estudo mais descubro coisas novas. A Bíblia é um reservatório inesgotável de conhecimento e bênçãos. E por mais que alguém a conheça ela sempre se apresenta como novas a cada manhã.
Antes de sua morte, Moisés proferiu uma bênção profética para cada uma das tribos de Israel. Depois de abençoar a tribo de Aser, o líder conclui com uma bênção outorgada a todo o Israel e extensiva a nós nos dias de hoje. Que mensagem linda:
“O Deus eterno é a tua habitação, e por baixo estão os braços eternos; Ele lançou o inimigo de diante de ti e disse: Destrói-o.
Israel pois habitará seguro, a fonte de Jacó a sós, na terra de grão e de mosto; e o seu céu gotejará o orvalho.
Feliz és tu, ó Israel! quem é semelhante a ti? um povo salvo pelo Senhor, o escudo do teu socorro, e a espada da tua majestade; pelo que os teus inimigos te serão sujeitos, e tu pisarás sobre as suas alturas”(Deteronômio 33:27-29 ARIB).
Ao reler estes versos, as boas lenbranças de como Deus atuou em minha vida ao longo destes setenta anos fervilharam em minha mente. Houve doenças? Sim. Houve momentos de tristezas e dor? Muitos. Mas em nenhum instante duvidei de que eu podia descançar sobre os Seus braços etenos. Por tudo que já vivi e senti posso dizer: feliz és tu, ó Carmo.
Feliz é você meu irmão que desfruta do melhor plano de saúde do mundo. Feliz é você a quem Deus deu vitória sobre os vícios. Feliz é você que aceitou o Norte mostrado na Bíblia. Feliz é você que faz parte de uma igreja que é referência no mundo em educação, saúde, longevidade, música e tantas coisas mais. Feliz é você que mesmo ferido pelo pecado pode ter as suas feridas saradas por aquelas mãos perfuradas no Calvário. Feliz é você que hoje pode e deve contar ao mundo o que Deus tem operado em sua vida. Feliz é você que, pela graça, fará parte daquela grande multidão de salvos que, na Nova Terra, se curvará em adoração ao Criador e Redentor. Quem é como você? Pergunta Moisés e ele memo responde: “um povo salvo pelo Senhor, o escudo do teu socorro, e a espada da tua majestade”. Sim, você faz parte deste grupo especial “que guarda os mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (Apocalipse 14:12). Como é gostoso adorar este Deus!
Dos dez “Ais” mensionados por Izaías, seis estão no capitolo cinco, e dois deles no verso áureo desta semana. Ao ver as belas palavras de Moisés retratadas no título da lição contrastadas com as cinistras palavras do verso áureo, a principio, imaginei que fosse resultado de um infeliz deslize do autor. Mas voltei a si ao lembrar que setecentos anos depois de Moisés proferir as belas palavras encontradas no título da lição, a espiritualidade do povo de Israel mudou muito a tal ponto que eles confundiam com frequencia o certo com o errado na sua adoração.
Israel foi separado por Deus para mostrar ao mundo a quem adorar e como adorar. Porém, por mais que os profetas Iasaías e Geremias se esforçassem para manter este povo em íntima comunhão com Deus, a vida de Israel foi marcada por sucessivos deslizes a tal ponto de culminar com a morte de Jesus. Desde então, Israel que outrora era tão feliz e abençoado foi regeitado por Deus como nação. Hoje, graças a Sua misericórdia, todos que aceitarem o sacrifício de Cristo na cruz e que estão dispostos a adorar a Deus em espírito e em verdade fazem parte do Israel espiritual.
Que o estudo desta semana nos ajude a entender melhor o verdadeiro sentido da adoração.
Na parte de domingo estudamos o complexo sistema de sacrifios implantados por Deus em Israel que prenunciavam a morte de Jesus e a Sua intercessão por nós no Santuário Celestial. Sacerdotes e povo participavam do ceremonial. Após o sacrificio, quatro acontecimentos marcavam a verdadeira adoração.
- O povo era abençoado
- A aparição da glória do Senhor
- Fogo consome o holocausto
- O povo se curva em júbilo e adoração.
O povo era abençoado neste momento pois os seus pecados foram confessados e perdoados. Como é gostoso experimentar a bênção do perdão!
O perdão provinha não de um ser humano qualquer e, para que isso ficasse bem evidente, o Senhor se apresentava de maneira gloriosa sobre todo o povo. Cada israelita tinha uma experiência especial com Deus e o mesmo deve acontecer com cada um de nós. O fogo que saíu de diante de Deus consumiu mais do que todo o holocausto. Ele devorava, também, os pecados confessados de cada filho penitente. Antes do sacrificio ninguém tinha certeza do perão dos pecados. Mas quando a glória do Senhor se manifestava e o fogo consumia a oferta, era uma prova de que os seus pecados também foram queimados pelo fogo. Não existe maior alegria do que a resultante do perdão de nossos pecados. Os israelitas irrompiam em jubilosa adoração. Livres de suas trnsgreções voltavam a ser o povo mais feliz do mundo.
O reverendo David Jones aponta três probabilidades para o procedimento dos filhos de Arão:
“- Eles não acenderam o incenso com as brasas do altar de bronze, resultante do fogo que saíra de diante do Senhor (capítulo 9:24), conforme ordenado, e que nunca deveria ser apagado (capítulo 6:12-13, 16:12).
- Não cumpriram com o horário designado pelo Senhor. O ritual do dia já havia sido cumprido, e parece que eles estavam querendo repetir o belo espetáculo do dia anterior.
- É provável, também, que eles passaram através do véu, para dentro do Santo dos Santos. Eles chegaram diante do Senhor (capítulo 16:1), indo onde não deviam. ”Ellen G. White é clara em afirmar que eles estavam alcoolizados:
“À hora do culto, enquanto as orações e louvores do povo ascendiam para Deus, Nadabe e Abiú, meio embriagados, tomou cada um seu incensário, e nele queimaram o perfumoso incenso. Mas transgrediram o mandamento de Deus por usar "fogo estranho" em lugar do fogo sagrado que o próprio Deus havia acendido, e que Ele ordenara servisse para esse desígnio” (Obreiros Evangélicos, p. 20).
Assim como o calor do mesmo Sol em uma só ação é capaz de endurecer o barro e ao mesmo tempo derreter o gelo, o fogo do Senhor é capaz de queimar os nossos pecados enquanto o pecador rebelde será devorado pelo sopro de Sua boca. “Corremos o perigo de misturar o sagrado e o comum. O fogo sagrado de Deus deve ser usado em nossos esforços. O verdadeiro altar é Cristo; o verdadeiro fogo é o Espírito Santo” (E Recebereis Poder - Meditação Matinal, p.26).
A palavra Jesurum é mencionada quatro vezes na Bíblia e é usada para definir alguém muito amado. Ela pode ser aplicada a Jerusalém como cidade amada por Deus. Embora o nome não seja tão bonito não há nada de errado se eu chamar a minha esposa de minha querida Jesurum.
Quando nos entregamos a Cristo Ele nos acolhe. Deste momento em diante somos o Seu Jesurum preferido. “Não há outro, ó Jesurum, semelhante a Deus, que cavalga sobre os céus para a tua ajuda, e com a sua majestade sobre as mais altas nuvens” (Deuteronomio 33:26). Que promessa linda temos aqui. Ele cavalga sobre os céus e, lá do alto, vê as nossas dificuldades e está sempre pronto a nos ajudar. Se as núvens de tristezas, dor ou solidão pairam sobre nós, a Sua magestade Se revela acima de todas elas.
È gostoso sentir o quanto Deus nos ama. E é a consciencia deste amor inigualável que deve fazer emergir do profundo de nosso ser o sentimento de tributar a Ele louvor, honra e glória. Creiamos na afirmação divina: Vocês Antonio, José, Josefina, Amarildo, todos são pessoas felizes porque acitaram a Fonte de felicidade.
A historia de Ana é um desafio para os egoistas. Muitos jovens promissores não experimentam as bênçãos de um de nossos internatos porque os pais querem tê-los sempre perto de si, como a dizer: este filho continuará sendo meu. Quantos casamentos que foram destroçados porque um dos pais do casal se propos a ficar sempre por perto opinando em assuntos de competencia exclusiva dos dois?
Ana abriu mão de acompanhar o crescimento e desenvolvimento de seu único filho. Gosto de me demorar em alguns aspéctos desta renúncia vejamos:
- Samuel era o filho aguardado por muitos anos.
- Ele foi o primogenito.
- Como explicar a sua decisão para o esposo?
- Como será ter um filho e não ouvi-lo balbuciar mamãe?
- Valeria a pena ter um filho e viver longe dele?
- Como entregar o seu filho querido para ser criado por uma familia completamente desestruturada?
- Como explicar a sua decisão para o garotinho?
- E se ele ficasse doente junto de um velho caduco e de seus filhos embriagados?
- Da época em que eu fiz o compromisso para cá a vida no templo mudou muito e para pior e não há rasão para cumprir o prometido. Ana não pensou assim. O filho foi entregue e só uma vez por ano ela ia visitá-lo. Que desprendimento! Que consciencia de compromisso.
Diz Ellen G. White: "Desde o primeiro despontar da inteligência do filho ela lhe ensinara a amar e reverenciar a Deus, e a considerar-se como sendo do Senhor. Por meio de todas as coisas conhecidas que o cercavam, procurou ela elevar seus pensamentos ao Criador. Depois de separada de seu filho, a solicitude da fiel mãe não cessou. Cada dia ele era objeto de suas orações. Cada ano ela lhe fazia, com as próprias mãos, uma túnica para o serviço; e, subindo com o esposo para adorar em Siló, dava ao menino esta lembrança de seu amor. Cada fibra da pequena veste era tecida com uma oração para que ele fosse puro, nobre e verdadeiro. Não pedia para o filho grandezas mundanas, mas rogava fervorosamente que ele pudesse alcançar aquela grandeza a que o Céu dá valor – que honrasse a Deus e abençoasse a seus semelhantes” (Patriarcas e Profetas, pág. 572).
Porém, o que mais me encanta é ver a sua alegria e exaltação ao nome de Deus por ocasião da entrega do filho. Deveria ser um momento de muita tristeza, mas Ana irrompe em um tributo de louvor e adoração a Aquele que lhe prodigalizou a oportunidade de cumprir com os seus votos. Aparentemente ela tinha apenas um motivo para adorar e louvar o nome do Senhor. Mas nos dez primeiros versos do capitulo 2 de 1 Samuel, Ana enumera dez motivos especiais para adorar o Deus criador.
Nos primeiros anos de vida, Ana instruiu Samuel por palavras e, por exemplo, de como deveria ser a adoração aceitável. Foi com esta bagagem que ao ver Saul ofertar de maneira errada Samuel não titubeou em repreendê-lo. O sumo sacerdote mostrou para Saul que, caso ele fosse obediente aos princípios divinos, não seria necessário oferecer sacrifício.
A ordem divina era que Saul destruísse todos os amalequitas e seus animais. A vitória foi esmagadora, porém, Saul poupou o rei amalequita e um número considerável de ovelhas.Vejamos os equívocos de Saul:
- Ele desobedeceu a ordem divina poupando o rei amalequita e alguns animais.
- Ele próprio ofereceu os sacrifícios usurpando a função dos sacerdotes.
- Ofereceu sacrifícios com os animais que pertenceram aos amalequitas.
- A sua oferta não envolvia nenhum sacrifício financeiro.
- Ele adorou o Deus certo, mas de maneira errada.
- Ao desobedecer a Deus ele deixou de oferecer a melhor oferta.
Saul perdeu o reino porque ignorou a maneira correta de adoração. Saul poderia ter sido o rei mais feliz do mundo, mas ao agasalhar a rebeldia em seu coração a infelicidade o alcançou culminando em uma morte trágica.
Somos o povo mais feliz do mundo. Mas corremos o risco de perder o Céu com a nossa maneira equivocada de adorar.
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