Comentário
da Lição da Escola Sabatina de 2 a 9 de fevereiro de 2013, preparado por Carmo
Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a
Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja
Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Papai
contava a história de um senhor que ao fazer a travessia sobre um despenhadeiro
tinha a disposição apenas um tronco de madeira como ponte sem apoio nas
laterais. Tremulo de medo ele iniciou a travessia e a cada passo que dava
dizia: “Deus é bom.” Quando já estava lá pela metade da travessia lhe veio um
pensamento: “Caso o Diabo me ouça repetir que Deus é bom ele poderá não gostar
e com um chega pra lá dele eu posso cair.” Resolveu então dizer a cada passo:
“Deus é bom, mas o Diabo não é tão ruim como dizem.” Assim ele concluiu a
travessia sem que nada de anormal acontecesse.
Em nossos deslizes dois pontos
merecem atenção. Em primeiro lugar não nos entregamos a Deus por completo e,
nos momentos cruciais nos falta fé de que o poder de Deus tudo pode. Em segundo
lugar, minimizamos o empenho de Satanás e suas astucias para nos afastar de
Deus.
Isso foi o que aconteceu com Adão e
Eva. Eles se envolveram com Satanás. Imaginaram que o simples fato de uma
conversa não teria problema. Deram margem para que ele agisse com as suas
astucias.
Foi no Éden que Deus deu a maior
lição de amor de todos os tempos. Deus sabia do que estava acontecendo e, em
seu amor, saiu ao encontro do casal. E por mais que se escondesse Deus os
encontrou. Deus agiu com amor e não os recriminou pela conduta. Foi ali em meio
às flores do Jardim que o Senhor tomou um cordeiro e, ao sacrificá-lo, mostrou
o caminho de volta. Um caminho que não seria fácil nem para Deus e nem para o
casal caído (Ver página 365 de Reavivar a Esperança).
Ao sacrificar aquele cordeiro, Deus
estava abrindo as cortinas da esperança não só para os nossos primeiros pais, mas
para todos os filhos de Adão que desejarem reintegrar à família celestial.
A queda foi resultado da primeira
invenção do homem. A criação foi manchada. O homem e os seus descendentes
estavam proscritos da vida. Mas Deus prova o Seu amor oferecendo uma chance a
cada filho de Adão.
Domingo
Satanás não veio de cara falar com Eva. Ele se ocultou no animal mais
belo e atraente que existia no Éden. Diz Ellen G. White: “Satanás preferiu fazer uso da serpente como médium, disfarce este bem adaptado ao seu propósito de enganar. A serpente era então uma das mais prudentes e belas criaturas da Terra. Tinha asas,
e enquanto voava pelos ares apresentava uma aparência de brilho deslumbrante,
tendo a cor e o brilho de ouro polido” (Patriarcas e Profetas, pág. 53). Satanás
não faz questão que a sua presença ou nome sejam notados. O importante para ele
é alcançar os seus objetivos. Para esse tipo de coisa ele tem a humildade
suficiente.
Deus agiu de imediato.
Hasteou no Éden a bandeira da esperança e no mesmo instante promulgou a
sentença de Satanás: “Através dos longos séculos de "angústia e
escuridão" (Isa. 8:22) que marcaram a história da humanidade desde o dia
em que nossos primeiros pais perderam o seu lar no Éden até o tempo em que o
Filho de Deus apareceu como o Salvador dos pecadores, a esperança da raça caída
esteve centralizada na vinda de um Libertador para livrar a homens e mulheres
do cativeiro do pecado e da sepultura.
A primeira indicação de tal esperança foi dada a Adão e Eva na sentença
pronunciada sobre a serpente no Éden, quando o Senhor declarou a Satanás aos ouvidos de nossos
primeiros pais: "Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua
semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o
calcanhar." Gên. 3:15. (Profetas e Reis, p. 681).
Os séculos se passaram e Satanás ainda sonha vitória. Continua com as
suas astucias. Foi assim com Jesus no monte da tentação. Graças ao apego do
Salvador
a Palavra de Deus o inimigo foi desmascarado. Mas ele continua ativo nos
dias de hoje. E em seus disfarces às vezes se apresenta como anjo de luz.
Segunda
O autor foca a orientação divina apresentada para o casal em Gênesis
2:17: “Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não
comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.”
O autor enfatiza que
Deus não ordenou que o fruto não fosse tocado. Ele não deveria ser comido. Provavelmente
dois pensamentos vieram à mente de Eva. Primeiro, tocar o fruto poderia despertar
o desejo de prova-lo. Em segundo lugar, tocar o fruto poderia ser para ela, uma
consumação parcial de um ato proibido.
Talvez Eva estivesse
disposta a reforçar a recomendação divina. Ela partiu para o princípio de que
não seria possível comer o fruto sem tocar nele. Até certo ponto ela estava
correta. Pena que ao dialogar com a serpente ela não teve o mesmo raciocínio. Afastar-se
do pecado.
Satanás,
praticamente, aproveitou o pensamento de Eva ao acrescentar algo mais às
palavras de Deus. E ao repetir as palavras do Criador O inimigo também
acrescentou uma pequena palavra de três letras, NÃO.
“Não morreras.” Nesse
caso o resultado foi catastrófico. Além da queda, a doutrina diabólica da
imortalidade da alma se propagou e se enraizou no mundo.
Vivemos em um mundo
onde o engano se propaga com a rapidez do vento. É necessário muita oração e
estudo da palavra de Deus para não ficarmos a quem e nem além do assim diz o
Senhor.
Terça
Eva já conhecia o bem mas não tinha nenhuma noção do que seria o mal.
Ela não sabia que conhecer o mal seria
igualar-se a Satanás e foi essa a sua decisão. Naquele dia ao abrir os seus
olhos ela viu todas as consequências do mal. Chegou à conclusão de que estava
despida de todo o conhecimento divino. “Porque
Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como
Deus, sabendo o bem e o mal.
O autor lição
apresenta três razões que levaram Eva a comer do fruto. Primeiro ele deu a
entender que Deus desejava subjuga-los a um plano cultural restrito para
facilitar o Seu domínio. Em segundo lugar o inimigo mostrou a beleza do fruto.
Lembra que antes Eva estava disposta a nem tocar no fruto. Mas agora foi
seduzida pela contemplação. A contemplação aguçou o desejo de não só tocar, mas
também comer. Isso nos mostra o quanto o inimigo é astuto. E em terceiro lugar
comer o fruto lhe daria aquilo que Deus lhe negara: conhecimento.
A trama foi bem arquitetada por
Satanás e até certo ponto bem sucedida. Ele foi muito hábil. O inimigo usou na
íntegra as palavras de Deus “certamente morrerás”. Apenas ele introduziu entre
as duas palavras um imperceptível adverbio de negação usando apenas três
letras: “não”. Deus usou dezoito letras e Satanás apenas três. Como é fácil
misturar o erro com a verdade!
Vivemos em um século corrompido e
Ellen G. White nos adverte: “Os que
desejam ter a sabedoria que vem de Deus devem tornar-se néscios no pecaminoso
conhecimento deste século, para serem sábios. Devem fechar os olhos, para não
verem nem aprenderem o mal. Devem fechar os ouvidos, para que não ouçam o que é mau e não obtenham o conhecimento que
lhes mancharia a pureza de pensamentos e de ação” (Carta a Jovens Namorados p.
60).
Quarta
Com o pecado Adão e Eva tiveram
não só os olhos abertos. Os seus ouvidos também foram abertos para ouvir uma série
de interrogações dirigidas por Deus a eles. Onde estás? Comeste da árvore? Como
descobriram que estavam nus?
Com o pecado o casal do Éden viu que necessitava
inventar uma serie de respostas para as desconcertantes perguntas a eles
dirigidas pelo Altíssimo. Eles sabiam o peso da condenação que abatera sobre
eles, prova é que tentaram se esconderem e fizeram roupas com folhas de
figueira.
O momento era de profunda angustia e reflexão. Antes
de pronunciar juízos sobre Adão e Eva Deus tomou algumas providencias:
Primeiro, a serpente que se permitiu ser usada por Satanás, recebeu uma trágica
condenação: “Porquanto fizeste isto, maldita serás mais que toda a fera, e
mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás
todos os dias da tua vida.” E depois o
Criador pronunciou o enredo de todo o conflito cósmico que teve início naquele
momento. Disse Deus: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua
semente e a sua semente.” Foi naquele
momento sombrio que Deus prometeu um futuro glorioso para o casal envolvido no
grande conflito cósmico. Dirigindo a serpente, disse Deus: “Esta te ferirá a
cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” (Gênesis
3:14-15).
Adão e Eva sabiam
qual seria o seu destino após o pecado. Creio que jamais eles sonharam com uma
providencia divina que os livrasse da morte eterna. Mas foi ali, envoltos pelo
manto da morte que eles ouviram a primeira promessa de salvação registrada na
Bíblia. Foi então, num ambiente de profunda reflexão que eles contemplam o
sangue de um cordeiro manchando de vermelho o relvado jardim. Daquele momento
para frente não haveria mais dúvidas: “Deus prova o seu amor para conosco, em
que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos
5:8).
Quinta
As novas de grande alegria que
soaram no Éden foram ouvidas, milhares de anos depois, por um pequeno grupo de
pastores que numa noite escura cuidavam de seus rebanhos nas campinas de Belém.
Um coro de anjos os surpreendeu com as grandes novas para todos os seres
humanos: “Não temais, porque eis aqui vos trago novas
de grande alegria, que será para todo o povo” (Lucas 2:10).
Desde então essa mensagem que surgiu no Éden vem
alimentando a esperança de milhões. Ela passou pelo monte Moriá, pousou junto à
cova onde esteve José, passou por Nínive depois mexeu com Zaqueu e Nicodemos.
Ela revigorou a vida do eunuco de Candar e derrubou Paulo do cavalo de sua
prepotência.
Ela capacitou João Hus e milhares de
heróis da fé a suportarem as chamas da perseguição. Por fim, as boas novas do evangelho
eterno continua soando pelo meio do Céu nestes últimos dias. “E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o
evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a terra, e a toda a
nação, e tribo, e língua, e povo” (Apocalipse 14:6). Felizmente essas novas de grande
alegria alcançaram a mim e a você.
Meus pecados são muitos. Sem o
evangelho eterno sou um condenado a morte eterna. Felizmente posso desfrutar da
mesma promessa feita a Adão e Eva, e pela graça de Deus, eu e você poderemos
morar com eles no Éden restaurado.
A mensagem de salvação oferecida a
Adão e Eva naquele momento foi um lenitivo para amainar as trágicas
consequências do pecado. Sofrimento angustia, lágrimas e dor passaram a fazer
parte do seu cotidiano.
Ao mesmo tempo em que
Deus deu a mensagem salvadora do evangelho eterno Ele nos adverte para um dia
de juízo quando Ele porá fim a todo o sofrimento. Em breve Ele terminará com a
raiz e os ramos dessa árvore tão indesejável. “o dia que está para vir os
abrasará, diz o Senhor dos Exércitos, de sorte que lhes não deixará nem raiz
nem ramo” (Malaquias 4:1).
Conclusão
A
história da criação é linda. Porém, tão linda como ela é a história da redenção
e recriação de um novo mundo e de novas criaturas. Diz Ellen G. White: “Entretanto o homem não
ficou abandonado aos resultados do mal que havia escolhido. Na sentença
pronunciada sobre Satanás era já sugerida uma redenção. "Porei inimizade
entre ti e a mulher", disse Deus, "e entre a tua semente e a sua
semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar." Gên.
3:15. Esta sentença proferida aos ouvidos de nossos primeiros pais era-lhes uma
promessa. Antes de ouvirem acerca dos espinhos e cardos, de trabalhos e
tristezas que deveriam ser o seu quinhão, ou do pó a que deveriam voltar,
ouviram palavras que não poderiam deixar de lhes dar esperança. Tudo que se
havia perdido, rendendo-se a Satanás, poderia ser recuperado por meio de
Cristo” (Educação, p. 27).
Nenhum comentário:
Postar um comentário