terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Criação e queda

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Comentário da Lição da Escola Sabatina de 2 a 9 de fevereiro de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            Papai contava a história de um senhor que ao fazer a travessia sobre um despenhadeiro tinha a disposição apenas um tronco de madeira como ponte sem apoio nas laterais. Tremulo de medo ele iniciou a travessia e a cada passo que dava dizia: “Deus é bom.” Quando já estava lá pela metade da travessia lhe veio um pensamento: “Caso o Diabo me ouça repetir que Deus é bom ele poderá não gostar e com um chega pra lá dele eu posso cair.” Resolveu então dizer a cada passo: “Deus é bom, mas o Diabo não é tão ruim como dizem.” Assim ele concluiu a travessia sem que nada de anormal acontecesse.
            Em nossos deslizes dois pontos merecem atenção. Em primeiro lugar não nos entregamos a Deus por completo e, nos momentos cruciais nos falta fé de que o poder de Deus tudo pode. Em segundo lugar, minimizamos o empenho de Satanás e suas astucias para nos afastar de Deus.
            Isso foi o que aconteceu com Adão e Eva. Eles se envolveram com Satanás. Imaginaram que o simples fato de uma conversa não teria problema. Deram margem para que ele agisse com as suas astucias.
            Foi no Éden que Deus deu a maior lição de amor de todos os tempos. Deus sabia do que estava acontecendo e, em seu amor, saiu ao encontro do casal. E por mais que se escondesse Deus os encontrou. Deus agiu com amor e não os recriminou pela conduta. Foi ali em meio às flores do Jardim que o Senhor tomou um cordeiro e, ao sacrificá-lo, mostrou o caminho de volta. Um caminho que não seria fácil nem para Deus e nem para o casal caído (Ver página 365 de Reavivar a Esperança).
            Ao sacrificar aquele cordeiro, Deus estava abrindo as cortinas da esperança não só para os nossos primeiros pais, mas para todos os filhos de Adão que desejarem reintegrar à família celestial.
            A queda foi resultado da primeira invenção do homem. A criação foi manchada. O homem e os seus descendentes estavam proscritos da vida. Mas Deus prova o Seu amor oferecendo uma chance a cada filho de Adão.

Domingo
              Satanás não veio de cara falar com Eva. Ele se ocultou no animal mais belo e atraente que existia no Éden. Diz Ellen G. White: “Satanás preferiu fazer uso da serpente como médium, disfarce este bem adaptado ao seu propósito de enganar. A serpente era então uma das mais prudentes e belas criaturas da Terra. Tinha asas, e enquanto voava pelos ares apresentava uma aparência de brilho deslumbrante, tendo a cor e o brilho de ouro polido” (Patriarcas e Profetas, pág. 53). Satanás não faz questão que a sua presença ou nome sejam notados. O importante para ele é alcançar os seus objetivos. Para esse tipo de coisa ele tem a humildade suficiente.
            Deus agiu de imediato. Hasteou no Éden a bandeira da esperança e no mesmo instante promulgou a sentença de Satanás: “Através dos longos séculos de "angústia e escuridão" (Isa. 8:22) que marcaram a história da humanidade desde o dia em que nossos primeiros pais perderam o seu lar no Éden até o tempo em que o Filho de Deus apareceu como o Salvador dos pecadores, a esperança da raça caída esteve centralizada na vinda de um Libertador para livrar a homens e mulheres do cativeiro do pecado e da sepultura. 
A primeira indicação de tal esperança foi dada a Adão e Eva na sentença pronunciada sobre a serpente no Éden, quando o Senhor declarou a Satanás aos ouvidos de nossos primeiros pais: "Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar." Gên. 3:15. (Profetas e Reis, p. 681). 
Os séculos se passaram e Satanás ainda sonha vitória. Continua com as suas astucias. Foi assim com Jesus no monte da tentação. Graças ao apego do Salvador
a Palavra de Deus o inimigo foi desmascarado. Mas ele continua ativo nos dias de hoje. E em seus disfarces às vezes se apresenta como anjo de luz.

Segunda
 O autor foca a orientação divina apresentada para o casal em Gênesis 2:17: “Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.”
O autor enfatiza que Deus não ordenou que o fruto não fosse tocado. Ele não deveria ser comido. Provavelmente dois pensamentos vieram à mente de Eva. Primeiro, tocar o fruto poderia despertar o desejo de prova-lo. Em segundo lugar, tocar o fruto poderia ser para ela, uma consumação parcial de um ato proibido.
Talvez Eva estivesse disposta a reforçar a recomendação divina. Ela partiu para o princípio de que não seria possível comer o fruto sem tocar nele. Até certo ponto ela estava correta. Pena que ao dialogar com a serpente ela não teve o mesmo raciocínio. Afastar-se do pecado.
Satanás, praticamente, aproveitou o pensamento de Eva ao acrescentar algo mais às palavras de Deus. E ao repetir as palavras do Criador O inimigo também acrescentou uma pequena palavra de três letras, NÃO.
“Não morreras.” Nesse caso o resultado foi catastrófico. Além da queda, a doutrina diabólica da imortalidade da alma se propagou e se enraizou no mundo.
Vivemos em um mundo onde o engano se propaga com a rapidez do vento. É necessário muita oração e estudo da palavra de Deus para não ficarmos a quem e nem além do assim diz o Senhor.

Terça 
Eva já conhecia o bem mas não tinha nenhuma noção do que seria o mal.
Ela não sabia que conhecer o mal seria igualar-se a Satanás e foi essa a sua decisão. Naquele dia ao abrir os seus olhos ela viu todas as consequências do mal. Chegou à conclusão de que estava despida de todo o conhecimento divino. “Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal.
O autor lição apresenta três razões que levaram Eva a comer do fruto. Primeiro ele deu a entender que Deus desejava subjuga-los a um plano cultural restrito para facilitar o Seu domínio. Em segundo lugar o inimigo mostrou a beleza do fruto. Lembra que antes Eva estava disposta a nem tocar no fruto. Mas agora foi seduzida pela contemplação. A contemplação aguçou o desejo de não só tocar, mas também comer. Isso nos mostra o quanto o inimigo é astuto. E em terceiro lugar comer o fruto lhe daria aquilo que Deus lhe negara: conhecimento.
            A trama foi bem arquitetada por Satanás e até certo ponto bem sucedida. Ele foi muito hábil. O inimigo usou na íntegra as palavras de Deus “certamente morrerás”. Apenas ele introduziu entre as duas palavras um imperceptível adverbio de negação usando apenas três letras: “não”. Deus usou dezoito letras e Satanás apenas três. Como é fácil misturar o erro com a verdade!
            Vivemos em um século corrompido e Ellen G. White nos adverte: “Os que desejam ter a sabedoria que vem de Deus devem tornar-se néscios no pecaminoso conhecimento deste século, para serem sábios. Devem fechar os olhos, para não verem nem aprenderem o mal. Devem fechar os ouvidos, para que não ouçam o que é mau e não obtenham o conhecimento que lhes mancharia a pureza de pensamentos e de ação” (Carta a Jovens Namorados p. 60). 

Quarta
            Com o pecado Adão e Eva tiveram não só os olhos abertos. Os seus ouvidos também foram abertos para ouvir uma série de interrogações dirigidas por Deus a eles. Onde estás? Comeste da árvore? Como descobriram que estavam nus?
Com o pecado o casal do Éden viu que necessitava inventar uma serie de respostas para as desconcertantes perguntas a eles dirigidas pelo Altíssimo. Eles sabiam o peso da condenação que abatera sobre eles, prova é que tentaram se esconderem e fizeram roupas com folhas de figueira.
O momento era de profunda angustia e reflexão. Antes de pronunciar juízos sobre Adão e Eva Deus tomou algumas providencias: Primeiro, a serpente que se permitiu ser usada por Satanás, recebeu uma trágica condenação: “Porquanto fizeste isto, maldita serás mais que toda a fera, e mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida.” E depois o Criador pronunciou o enredo de todo o conflito cósmico que teve início naquele momento. Disse Deus: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente.” Foi naquele momento sombrio que Deus prometeu um futuro glorioso para o casal envolvido no grande conflito cósmico. Dirigindo a serpente, disse Deus: “Esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” (Gênesis 3:14-15).
Adão e Eva sabiam qual seria o seu destino após o pecado. Creio que jamais eles sonharam com uma providencia divina que os livrasse da morte eterna. Mas foi ali, envoltos pelo manto da morte que eles ouviram a primeira promessa de salvação registrada na Bíblia. Foi então, num ambiente de profunda reflexão que eles contemplam o sangue de um cordeiro manchando de vermelho o relvado jardim. Daquele momento para frente não haveria mais dúvidas: “Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5:8).

Quinta
            As novas de grande alegria que soaram no Éden foram ouvidas, milhares de anos depois, por um pequeno grupo de pastores que numa noite escura cuidavam de seus rebanhos nas campinas de Belém. Um coro de anjos os surpreendeu com as grandes novas para todos os seres humanos: “Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo” (Lucas 2:10).
            Desde então essa mensagem que surgiu no Éden vem alimentando a esperança de milhões. Ela passou pelo monte Moriá, pousou junto à cova onde esteve José, passou por Nínive depois mexeu com Zaqueu e Nicodemos. Ela revigorou a vida do eunuco de Candar e derrubou Paulo do cavalo de sua prepotência.
            Ela capacitou João Hus e milhares de heróis da fé a suportarem as chamas da perseguição. Por fim, as boas novas do evangelho eterno continua soando pelo meio do Céu nestes últimos dias. “E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo” (Apocalipse 14:6). Felizmente essas novas de grande alegria alcançaram a mim e a você.
            Meus pecados são muitos. Sem o evangelho eterno sou um condenado a morte eterna. Felizmente posso desfrutar da mesma promessa feita a Adão e Eva, e pela graça de Deus, eu e você poderemos morar com eles no Éden restaurado.
            A mensagem de salvação oferecida a Adão e Eva naquele momento foi um lenitivo para amainar as trágicas consequências do pecado. Sofrimento angustia, lágrimas e dor passaram a fazer parte do seu cotidiano.
Ao mesmo tempo em que Deus deu a mensagem salvadora do evangelho eterno Ele nos adverte para um dia de juízo quando Ele porá fim a todo o sofrimento. Em breve Ele terminará com a raiz e os ramos dessa árvore tão indesejável. “o dia que está para vir os abrasará, diz o Senhor dos Exércitos, de sorte que lhes não deixará nem raiz nem ramo” (Malaquias 4:1).

Conclusão     
            A história da criação é linda. Porém, tão linda como ela é a história da redenção e recriação de um novo mundo e de novas criaturas. Diz Ellen G. White: “Entretanto o homem não ficou abandonado aos resultados do mal que havia escolhido. Na sentença pronunciada sobre Satanás era já sugerida uma redenção. "Porei inimizade entre ti e a mulher", disse Deus, "e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar." Gên. 3:15. Esta sentença proferida aos ouvidos de nossos primeiros pais era-lhes uma promessa. Antes de ouvirem acerca dos espinhos e cardos, de trabalhos e tristezas que deveriam ser o seu quinhão, ou do pó a que deveriam voltar, ouviram palavras que não poderiam deixar de lhes dar esperança. Tudo que se havia perdido, rendendo-se a Satanás, poderia ser recuperado por meio de Cristo” (Educação, p. 27). 

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