sábado, 30 de março de 2013

Adultério espiritual (Oséias)

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Comentário da Lição da Escola Sabatina de 30 de março a 6 de abril de 2013, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, (Uma meditação para qualquer ano). O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Pensamento chave: Deus nos ama e a sua misericórdia é capaz de ir muito além do que imaginamos. Mas jamais Ele nos isenta dos resultados de nossas más escolhas.

Introdução
            Oséias é denominado “o profeta do coração quebrantado”, provavelmente por dois motivos. O primeiro, o seu amor não correspondido pela sua esposa Gômer e o segundo, a rebeldia de Israel em rejeitar o amor de Deus.
Ele foi contemporâneo dos profetas Amós e Jonas (Reino Norte Israel), e de Isaías e Miquéias (Reino Sul – Judá). O profeta Oséias e o profeta Jeremias são considerados “Os profetas das lamentações”. Uns afirmam que o seu ministério durou dez anos enquanto outros asseguram que atingiu setenta anos.
Oséias foi contemporâneo de Amós e exerceu seu ministério provavelmente entre 752 e 735 A.C. Os dois profetas situam-se, portanto, no mesmo contexto histórico. O livro de Oséias expõe o coração de Deus. Ele vive no próprio casamento o que Deus estava passando em relação a Israel.
 Os primeiros três capítulos, objeto do estudo desta semana, descrevem a vida conjugal de Oséias. Deus pede que ele se case com uma mulher de moral duvidosa. Ela se separa dele e vai à procura de outros homens. Oséias se mostra misericordioso e faz de tudo para tomá-la de volta. Assim Deus viu a sua noiva, o povo de Israel, se envolvendo com "outros deuses", ou seja, cometendo adultério espiritual. Mesmo depois de tudo o que Israel havia feito, Deus usou de graça e misericórdia para reconciliar com esta esposa adúltera e restabelecer uma nova aliança com ela.
Oséias fala sobre o povo que se vangloriava de sua prosperidade, mas estava se apodrecendo por causa da idolatria, a imoralidade e a injustiça. Amós e Oséias profetizaram principalmente para Israel, e Isaías e Miquéias pregaram mais para Judá.
Oséias viveu nos últimos dias do reino de Israel. Devido a séculos de pecado, aquele povo estava chegando ao fim e, apesar das advertências, ignoravam a sua real apostasia.
A história de Oséias mostra que Deus não nos salva porque sejamos bonitos ou mereçamos seu amor. Ele olha além da terrível feiura de nosso pecado para ver uma alma que ele ama. Ele não vê alguém dominado pelo pecado, mas alguém que pode ser restaurado em sua comunhão com o Criador. Assim como Oséias amava sua esposa infiel e queria resgatá-la de sua vida lamentável, Deus nos ama e quer proteger-nos do pecado. A história desse profeta mostra do que a graça de Deus é capaz.
"Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores" (Romanos 5:8).

Domingo
            O primeiro contato de Deus com Oséias foi de espantar qualquer pessoa. Era uma ordem absurda, pois detonaria com todos os seus sonhos de ter um lar estruturado e cristão.  Oséias teve tudo para recusar a ordem divina pois, aparentemente, Deus não o amava.
            A meu ver, Gômer já era prostituta quando Oséias a procurou embora a maioria dos comentaristas bíblicos sugira o contrário partindo do princípio de que antes destes acontecimentos Israel serviu exclusivamente a Deus.
            Oséias lutou por meio de encenações reais, ele mesmo casando-se de modo intrigante. Certamente ele era conhecido pela sua pureza. Esperava-se que suas atitudes estranhas tivessem algum impacto sobre a mente daquele povo.
            O livro de Oséias mostra quão sublime é a graça de Deus. Veja que o seu próprio nome em hebraico Hoshea significa salvação.
            A vida de Oséias era cheia de sofrimento e dor. A mulher que ele amava desprezava-o. Em vez de lhe agradecer por sua bondade em sustenta-la, ela gastava os bens dele com os seus amantes. Em vez de ficar com o único homem que realmente a amava, ela procurava homens inúteis que a usavam apenas para seu próprio prazer. Ela partiu repetidamente o coração de seu esposo fiel e amoroso.
Mas Oséias ainda amava Gômer, a mulher que o traía. Quando ela estava em dificuldade, ele foi socorrê-la. Quando ela perdeu o rumo na vida, ele a levou para um lugar isolado para reconquistar o seu coração. Oséias esperava que ali no deserto, longe dos amantes e de todo o conforto que antes a cercava, ela viesse a refletir sobre a sua loucura. No deserto ela sentiria as consequências de seus desvios e, quem sabe, voltaria para os braços se quem tanto a amava.
 Revendo a história de Israel notamos que foi num momento de prosperidade econômica e militar que esse povo se apartou de Deus e se mergulhou na prostituição espiritual. Alguém escreveu:Através da vida do profeta Oséias, Deus estabelece uma alegoria para a nação. Israel representava a prostituta e Oséias a graça redentora.”


Segunda 
            Certa vez o meu pai descobriu que um de seus trabalhadores morava em um ranchinho de sapé com um único cômodo. Papai chegou lá justamente no momento em que a senhora da casa tentava ascender o fogo. O fogão era um amontoado de pedras exposto ao relento. O vento soprava forte e a fumaça da lenha molhada envolvia aquela mulher que, a custos, tentava defender os seus olhos.
            Papai não pensou duas vezes. Reuniu um grupo de trabalhadores e reformou a casa. Fez uma espaçosa cozinha com paredes de madeira de lei. Agora aquela senhora tinha um fogão caipira feito de tijolos e protegido da chuva, do Sol e do vento.
            Meses depois, ao retornarmos lá, que decepção! As paredes da cozinha não mais existiam e a velha penúria se restabeleceu. A família havia queimado toda a madeira das paredes no fogão. Apenas um detalhe: ao lado existia um cerrado com lenha à vontade.
            Ao ver a sena imaginei como seria a revolta de papai ao saber do ocorrido. Mas a sua atitude me surpreendeu. Ele comprou tijolos e fez a casa de alvenaria, inclusive a cozinha.
Mas o relacionamento de Gômer e do povo de Israel foi muito mais além. Desabafa Deus: “Ela, pois, não reconhece que eu lhe dei o grão, e o mosto, e o azeite, e que lhe multipliquei a prata e o ouro, que eles usaram para Baal” (Oséias 2:8).
Gômer, semelhante a Israel, recebeu um nome, riquezas e fartura de pão, mas usou todas as dádivas recebidas de Deus ofertando-as aos ídolos. Mesmo assim essa prostituta era amada pelo seu marido.


Terça
No estudo de terça-feira dois aspectos me chama a atenção. O primeiro é que Deus convida a Sua esposa rebelde para acompanha-Lo para o deserto. Esse deserto seria o exilio. Ali a esposa estaria longe dos amantes e estaria em um ambiente que facilitaria o diálogo. Em meio a provas e tribulações e sem ter quem recorrer, Deus esperava que Israel voltasse para Ele. Não estaremos sozinhos em nossos momentos de aflição. O Senhor promete estar ao nosso lado e, além de nos acompanhar, Ele espera que reconciliemos com Ele. “Ou que se apodere da minha força, e faça paz comigo; sim, que faça paz comigo” (Isaías 27:5). Esse é o grande sonho de Deus.
            O seu nome significava “não meu povo” ou não a minha esposa. Parecia ser o ponto final de um amor não correspondido.
Mas Deus, em Sua misericórdia, mudou o significado do nome daquele rapaz. Ao invés de “não meu povo” seria “filho do Deus vivo” (Oséias 9:10). É interessante que, ao longo da história, por várias vezes Deus mudou o nome de pessoas para identificar uma mudança de caráter ou confirmar uma promessa.
Jacó, cujo significado do nome é “enganador”, passou a ser chamado de Israel que significa: "que reina com Deus". Sarai significa “minha princesa” e Sara “princesa de todos” indicando que ela seria a mãe de muitas nações ou de pessoas de todas as nações. E o nome Abrão significa “pai elevado”, enquanto Abraão significa “Pai de uma multidão e Saulo depois da conversão passou a ser chamado de Paulo.”
Deus espera ansioso o dia em que Ele mudará o nome de cada um de nós. Diz João no Apocalipse: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer darei a comer do maná escondido, e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe” (Apocalipse 2:17). Que promessa de restauração!


Quarta
O reinado de Salomão foi o mais próspero de todos os reis que se sucederam entre o povo de Deus. Quando ocorreu o cisma tanto o reino do Sul como o reino do norte respiravam riquezas e opulência.
Mas à medida que o reino progredia em riquezas o povo ia se afastando de Deus. Parece que se tornou a Laudicéia daquele tempo ao exclamar em ações: “Rico sou e de nada tenho falta.”
Ezequiel previu esse quadro com bastante antecedência. Disse ele, “Soberba, fartura de pão, e abundância de ociosidade teve ela e suas filhas; mas nunca fortaleceu a mão do pobre e do necessitado” (Ezequiel 16:49).
Descrevendo as bênçãos de Deus sobre Israel e a apostasia que se seguiu Moisés desabafou: “E, engordando-se Jesurum, deu coices (engordaste-te, engrossaste-te, e de gordura te cobriste) e deixou a Deus, que o fez, e desprezou a Rocha da sua salvação” (Deuteronômio 32:15). (Ler p. 21 da meditação Reavivar a Esperança).
A prosperidade quando mal compreendida e mal administrada é uma porta aberta para o fracasso e a ruina.
Lembro-me de uma época em que meu pai desfrutava de uma boa condição financeira. Como era próprio dele, intensificou mais as suas atividades filantrópicas. Pagava cirurgias e alimentava famílias inteiras. Perto dele ninguém passava fome e nem vivia em extrema miséria.
Ao observar a sua conduta um tio meu, não adventista naquela época, ponderou: “O seu pai parece achar que está rico e isso poderá ser o seu fracasso.” Não vou dizer que foi por causa dessa atitude tão bonita, mas papai viveu os últimos anos de sua vida em uma casinha rústica e com um salario mínimo que alguém providenciou para ele.
Israel não reconheceu que Deus era a fonte de toda boa dádiva.   A sua atitude foi semelhante à de Nabucodonosor: “Falou o rei, dizendo: Não é esta a grande babilônia que eu edifiquei para a casa real, com a força do meu poder, e para glória da minha magnificência?” (Daniel 4:30). Paulo relembra a triste situação dos sacerdotes de seu tempo: “Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu” (Romanos 1:21).
É solene o juízo sobre um próspero fazendeiro que não reconheceu Deus como o provedor de toda a sua fortuna. Diz o texto: “E direi a minha alma: Alma tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Lucas 12:19-20).
Como estamos reagindo diante de tantas bênçãos recebidas como pessoas e como igreja? Tomara que a Laudicéia se converta e volte para o Senhor “perdoador, clemente e misericordioso, tardio em irar-te, e grande em beneficência...” (Neemias 9:1).


Quinta
Deus Se apresenta ao Moisés pesado de língua e violento e o surpreende com um imperativo. Ele deveria voltar ao Egito e libertar os seus irmãos do cativeiro. Para convencer o Seu servo o Senhor faz duas afirmações. Na primeira, Deus diz: “Conheço-te por teu nome” e na segunda: “Achaste graça aos Meus olhos” (Êxodo 33:12-13).
            Com duas afirmações assim, a tendência de qualquer um de nós é de se achar importante e não necessitar de mais nada. Ali estava um Deus que o conhecia e sabia de todo o seu passado criminoso. Mesmo assim, o amava ao ponto de a Sua graça o envolver. Moisés sentiu a necessidade de conhecer este Deus que o amava tanto e humildemente se expressa: “...E conhecer-te-ei, para que ache graça aos teus olhos; e considera que esta nação é o teu povo.”
            Moisés já mantinha um estreito relacionamento com Deus, mas ao ser agraciado pela Sua graça perdoadora ele se surpreendeu e concluiu que pouco conhecia a respeito deste Deus e do Seu amor.
            Agora o desejo de Moisés é: “...perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, o comprimento, e a altura, e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento..." (Efésios. 3:16-19).  Oséias desejava que o povo de Israel tivesse esse conhecimento de Deus. Diz ele: “Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor; a sua saída, como a alva, é certa; e ele a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra” (Oséias 6:3).
A maneira mais eficaz de levar as pessoas ao arrependimento e faze-las conhecer o amor de Deus. Oséias procurou demonstrar essa verdade para os israelitas com a sua própria experiência. Uma experiência que lhe custou muito caro. Ele esperava ter Gômer ao seu lado e, com essa demonstração máxima de amor atrair os seus irmãos de volta ao Senhor e prosseguir junto com eles na jornada rumo ao céu.

Conclusão
             A última advertência de arrependimento dada a Israel antes do cativeiro assírio foi apresentada de maneira dramática por Oséias. Podemos imaginar a decepção de Oséias ao ver o último rei de Israel que, por ironia do destino tinha o seu nome, ser levado cativo para a Assíria! Todo o sofrimento e vergonha pelo qual passou o profeta lhe pareceram em vão.  De imediato, nenhum resultado positivo aconteceu.   Que a sua mensagem não seja em vão para nós hoje.  
            O convite de Deus se estende a todo o pecador e, principalmente para a Sua noiva. “...Hoje, se ouvirdes a sua voz, Não endureçais os vossos corações, como na provocação” (Hebreus 3:15).

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