Comentário
da Lição da Escola Sabatina de 13 a 20 de abril de 2013, preparado por Carmo
Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, Uma meditação para qualquer ano. O
comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de
Taguatinga, DF.
Introdução
Joel nasceu em Judá e
provavelmente tenha
conhecido tanto Elias como Eliseu. As suas profecias tem duplo
significado. Elas se aplicam ao povo de Deus em seu tempo e no final da
história deste mundo. O livro esta dividido em duas partes. Do capitulo um até
o verso vinte e sete do capitulo dois ele relata os juízos de Deus sobre Israel
naquele tempo e o consequente arrependimento que deveria ocorrer.
Do
verso vinte e oito do capitulo dois e todo o capitulo três o profeta lança um
olhar sobre o futuro. Ele fala do dia do juízo, do reavivamento que acontecera
e da misericórdia de Deus para com aqueles que invocarem ao Senhor. Diz: “E há
de ser que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo; porque no monte
Sião e em Jerusalém haverá livramento, assim como disse o Senhor, e entre os
sobreviventes, aqueles que o Senhor chamar” (Joel 2:32).
Os montes e outeiros são
figuras bíblicas para fazer referencia as nações, sendo que os montes
referem-se a reinos pequenos, e outeiros as grandes nações. Israel é comparado
a um monte e as grandes civilizações da antiguidade a outeiros. Ex.: Babilônia,
Egito, etc.
Mosto é uma figura de
alegria, regozijo e leite uma figura de alimento em abundância. A mensagem
anunciada pelo profeta Joel destinava-se tanto aos lideres (anciões) quanto ao
povo de Jerusalém (moradores da terra) em seu tempo e também a nós nos dias de
hoje.
Era costume dos israelitas de rasgarem as suas vestes
diante de algo inusitado, porém, Deus queria que eles rasgassem o coração
(circuncisão do coração). Somente quando o homem 'rasga' o coração é que ocorre
a verdadeira conversão. Esse rasgar o coração seria despojar-se de todo o eu. Somente
Deus tem o poder de rasgar o velho coração e dar um novo coração (Salmo 51:10 e
Deuteronômio 30:6).
Provavelmente livro foi
escrito entre 835 e 800 AC e o texto de Joel mais conhecido no Novo Testamento
é o mencionado por Pedro ao falar do Pentecostes onde ele diz: “Mas isto é o
que foi dito pelo profeta Joel: E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, Que do meu
Espírito derramarei sobre toda a carne; E os vossos filhos e as vossas filhas
profetizarão, Os vossos jovens terão visões, E os vossos velhos terão sonhos;
E também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e as minhas servas naqueles dias, e profetizarão; E farei aparecer prodígios em cima, no céu; E sinais em baixo na terra, Sangue, fogo e vapor de fumo. O sol se converterá em trevas, E a lua em sangue, Antes de chegar o grande e glorioso dia do Senhor” (Atos 2:16-20).
E também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e as minhas servas naqueles dias, e profetizarão; E farei aparecer prodígios em cima, no céu; E sinais em baixo na terra, Sangue, fogo e vapor de fumo. O sol se converterá em trevas, E a lua em sangue, Antes de chegar o grande e glorioso dia do Senhor” (Atos 2:16-20).
Joel é conhecido como “o
profeta do pentecostes”. Existem divergências quanto à interpretação dos
gafanhotos. Uns defendem que eles seriam reais, já que eram comuns na
Palestina. Outros acham que seria uma representação das nações que subjugariam
Israel. E tem aqueles que defendem uma conotação dos gafanhotos com os flagelos
que se sucederão nos últimos dias.
Domingo
A praga dos gafanhotos foi enviada em quatro etapas. Começou
com gafanhotos menos vorazes e terminou com aqueles que devoraram até os caules
das plantas. Creio que se Israel houvesse se voltado para o Senhor assim que
ela começou, Deus a teria interrompido. Mas a praga dos gafanhotos não foi
suficiente para trazer Israel de volta e o Senhor pesou ainda mais a Sua mão
retendo a chuva sobre o Seu povo.
Há pelo menos três teorias
sobre a praga dos gafanhotos. Alguns defendem que ela foi literal e que
aconteceu nos dias de Joel. Outros afirmam que elas foram literais e ao mesmo
tempo ilustrativas, ou seja, o povo de Israel passou pelos dois juízos.
O Comentário Bíblico
Adventista afirma que ela era apenas uma representação dos povos assírios,
egípcios e por fim os babilônicos que em breve dominariam Israel.
De uma
coisa temos certeza. A praga dos gafanhotos não foi o final de tudo. Apenas ela
foi o prenuncio de coisas piores. Ela anunciava a aproximação do dia do Senhor
quando a taça da misericórdia se esgotaria e os Seus juízos seriam aplicados
sem misericórdia.
Vemos
que se Israel e Judá tivessem dado ouvidos aos profetas de Deus a sua história
teria sido outra e o povo de Deus ainda existisse como nação. Mas, à medida que
o tempo foi passando a apostasia foi apenas crescendo até terminar no Calvário
com a rejeição final de Jesus.
Por
atitudes erronias Judá e Israel escolheram e escreveram o seu destino.
Lembremos que “...Tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para
aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos” (1 Coríntios 10:11).
“Deus
não pode abençoar os homens em suas terras e rebanhos quando eles não usam as
bênçãos recebidas para glorifica-Lo” (Signs of the Times, 13 de janeiro de
1890).
Segunda
A destruição foi tão tamanha que interferiu
nas rotinas do Santuário. A adoração diária foi interrompida, pois faltavam
ingredientes para compor as ofertas que o povo devia oferecer.
Deus permitiu que o
caos insurgisse na adoração no Santuário para que o povo tivesse uma noção de
quão longe foram em seu afastamento do Senhor. E mais: O Senhor estava enojado
de seus rituais sem vida e decidiu interrompe-los por algum tempo.
Essa decisão divina afetaria principalmente
os sacerdotes. A sua função exclusiva era ministrar no templo, porém chegou o
momento em que eles não tinham mais o que fazer. Como a subsistência deles
vinha do templo, podemos imaginar a extensão da crise. Pelo relato de Joel 1:18
eles ficaram sem animais para o sacrifício. Diz o texto: “Como geme o animal! As manadas de gados estão
confusas, porque não têm pasto; também os rebanhos de ovelhas estão perecendo.”
Foi nesse momento que o profeta fez um apelo:
“Cingi-vos e lamentai-vos, sacerdotes; gemei
ministros do altar; entrai e passai a noite vestidos de saco, ministros do meu
Deus; porque a oferta de alimentos, e a libação, foram cortadas da casa de
vosso Deus” (Joel 1:13).
Provavelmente muitos
estivessem jejuando não por contrição, mas pela falta de pão. Então Joel faz um
solene apelo: “Santificai um jejum, convocai uma assembleia solene, congregai
os anciãos, e todos os moradores desta terra, na casa do Senhor vosso Deus, e
clamai ao Senhor” (Joel 1:14).
As palavras dos profetas
foram insuficientes para provocar um reavivamento entre o povo de Deus. Então
Ele fez uso da natureza. Calamidades após calamidades atingiram o Seu povo
escolhido. Ele esperava que o impacto lhes fizesse retinir os ouvidos: “Por
isso, assim diz o Senhor Deus de Israel: Eis que hei de trazer um mal sobre
Jerusalém e Judá, que qualquer que ouvir, lhe ficarão retinindo ambos os
ouvidos” (2 Reis 21:12).
Terça
Felizmente o capitulo dois
de Joel mostra um quadro bem diferente do apresentado no capitulo um. Ele
retrata três acontecimentos que mudam por completo a paisagem até então
apresentada.
O profeta inicia o capitulo
falando da proximidade do Dia do Juízo e da turbulência que ele provocará. Depois convoca o povo para um exame de
coração e consequente reavivamento. Com a resposta positiva do povo Deus altera
por completo o Seu tratamento para com Israel. Diz o texto bíblico: “Então o
Senhor se mostrou zeloso da sua terra, e compadeceu-se do seu povo” (Joel
2:18).
O estudo de terça-feira mostra uma profecia de Joel prevista para os
nossos dias.
Com o reavivamento a chuva
serôdia cai em profusão e a terra se torna produtiva. “E o Senhor respondendo,
disse ao seu povo: Eis que vos envio o trigo, e o mosto, e o azeite, e deles
sereis fartos, e vos não entregarei mais ao opróbrio entre os gentios” (Joel
2:19). Completa o verso 26: “e o meu povo nunca mais será envergonhado” (Joel
2:26). Estes dois versos apresenta a mais linda mensagem de esperança para
Israel e para nós que vivemos no tempo do fim. A promessa é que o povo de Deus
nunca mais será envergonhado.
A produtividade da Terra é
uma consequência direta da chuva serôdia. A colheita abundante não é o
principal objetivo da chuva serôdia. Ela visa manter um povo preparado para a
volta de Jesus. Diz Ellen G. White: “Nesse
tempo a "chuva serôdia", ou o refrigério pela presença do Senhor,
virá, para dar poder à grande voz do terceiro anjo e preparar os santos para
estarem de pé no período em que as sete últimas pragas serão derramadas”
(Primeiros Escritos, pág. 86).
Mas Joel não termina por ai.
No capitulo três ele conclui o seu livro mostrando os juízos de Deus sobre
aqueles que humilharam o Seu povo.
Quarta
O estudo de quarta-feira mostra que o reavivamento provocará
uma busca de comunhão com Deus. Diz o profeta Joel: “E há de ser que todo aquele
que invocar o nome do Senhor será salvo” (Joel 2:32).
Estamos
vivendo em tempos solenes. O escurecimento, inexplicável pela ciência, do Sol e
da Lua aconteceu em 19
de maio de 1780. Temos a responsabilidade de anunciar ao mundo a chegada do
grande dia do Senhor. Essa responsabilidade Deus confiou aos adventistas do
sétimo dia.
Diz Ellen G. White: “Em
sentido especial foram os adventistas do sétimo dia postos no mundo como vigias
e portadores de luz. A eles foi confiada a última mensagem de
advertência a um mundo a perecer. Sobre eles incide maravilhosa luz da Palavra
de Deus. Confiou-se lhes uma obra da mais solene importância: a proclamação da
primeira, segunda e terceira mensagens angélicas” (Evangelismo, p 19).
Quinta
Israel vivia um momento onde todos os segmentos entravam em decadência,
até a natureza. Os lavradores estavam desorientados e envergonhados (vs.10 e
11). O profeta
expressa uma palavra de segurança e conforto: Deus garante proteção ao seu
povo: o Senhor é um refúgio para o seu povo, uma fortaleza para os filhos de
Israel. Além disso, o
Senhor também promete sua presença, ele habita em Sião. A Sua presença em
Jerusalém é a prova máxima de nada de mal nos atingirá.
Deus oferece proteção permanente. Com Ele ao nosso lado temos segurança e estabilidade: Judá
será habitada para sempre. Joel oferece um vívido
contraste em relação ao destino que aguarda as outras nações.
Com o reavivamento, vai ter
dinheiro, vai ter casa, vai ter fartura, vai ter família, porque Nele temos
todas as coisas. Quer desfrutar de uma nova vida? Retorne ao Senhor. Com a
mesma sinceridade e o mesmo arrependimento do vs.14. Depois do arrependimento
virá um poderoso derramar do Espírito.
Se o nosso coração soberbo
continuar ocultando nossos pecados e a nossa indiferença para com Deus o
avivamento não virá.
Conclusão
“Ao avizinhar-se o fim
da ceifa da Terra, uma especial concessão de graça espiritual é prometida a fim
de preparar a igreja para a vinda do Filho do homem. Esse derramamento do
Espírito é comparado com a queda da chuva serôdia; e é por este poder adicional
que os cristãos devem fazer as suas petições ao Senhor da seara "no tempo
da chuva serôdia". Em resposta, "o Senhor, que faz os relâmpagos,
lhes dará chuveiros de águas" (Zacarias. 10:1).” Ele... fara descer a
chuva, a temporã e a serôdia, no primeiro mês"” Joel 2:23 (E
Recebereis Poder - Meditação Matinal, p 19).
Existem dezenas de comentários da lição da
Escola Sabatina publicados na internet. Há dois anos que semanalmente postamos
o nosso comentário da lição em nosso blog. Pelo que eu saiba é o único deste
gênero no Distrito Federal. Obrigado pela a sua visita. Dê sinal de vida!
A Classe dos Professores existe para o
enriquecimento espiritual seu e da sua unidade. Parabéns a você que a faz
acontecer!
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