sábado, 10 de agosto de 2013

Unidade: o vínculo do reavivamento

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Comentário da Lição da Escola Sabatina de 10 a 17 de agosto de 2013. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

Introdução
            Ultimamente tenho pensado na possibilidade de a nova Jerusalém ser dividida em bairros onde os mais iguais se agrupem formando subdivisões de uma população não homogenia, mas dividida pelas picuinhas que vivenciamos aqui.
            Quem sabe, veremos situações em que determinado grupo ao participar da programação de sábado queira superar o seu antecessor numa espécie de competição egocêntrica e destrutiva. Provavelmente, a sobremesa do almoço de sábado seja fazer comentários negativos diante das crianças quanto à participação de A ou B no culto divino.
            Com certeza, veremos carruagens de mudanças circulando pelas ruas de ouro à procura de uma mansão onde a vizinhança seja mais receptiva e calorosa aos caprichos e modos de ser do interessado.
            Ás vezes imagino que ao chegarem lá, alguns ao se certificarem de que serão vizinhos de Y ou Z passe de largo e sigam em frente, à procura até de um retorno. As divisões não ficarão apenas por ai. Os bairros preferidos e mais valorizados serão aqueles que se situam às margens do rio da Vida onde a “gentalha” não terá vez.
            Caso isso aconteça é porque, com certeza, erramos o caminho e esse suposto rio da Vida nada mais será do que um o lago de fogo.
            A lição dessa semana aborda um tema difícil de ser vivenciado entre nós e de uma necessidade premente para a descida do Espirito Santo. Creio que o autor, ciente dessa situação, o colocou em pauta e será frustrante para ele e para o Céu se a Igreja considera-lo de maneira leviana e descompromissada.
            A nossa Igreja atual se assemelha, em parte, a igreja de Corinto onde as divergências afloravam e Satanás se divertia prazerosamente. “Pois a respeito de vós, irmãos meus, fui informado pelos da família de Cloé que há contendas entre vós” (1 Coríntios 1:11). O puxão de orelha de Paulo naqueles irmãos, infelizmente, é válido para nós hoje.

Domingo
         Um dos argumentos que os ecumenistas usam para incentivar e promover a união das igrejas é o de que o mundo não acreditará em cristãos divididos entre si. Eles usam as mesmas palavras de Jesus em João 17:21: “Para que todos sejam um; assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti, que também eles sejam um em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.”
         É sabido que a igreja primitiva distanciou muito dos princípios doutrinários pregados por Jesus e confirmados pelos apóstolos. Esse distanciamento deu origem ao movimento da reforma de Martinho Lutero. E desde então as divergências marcam cada denominação religiosa que surge no mundo.
         O estudo de hoje está voltado não para a Babilônia religiosa de nossos dias, mas sim, para a igreja que professa guardar os mandamentos de Deus e que tem a fé de Jesus.
         A oração de Jesus pela unidade da Igreja não foi fácil de ser entendida pelos apóstolos. Foi resultado de muita oração e exame pessoal que eles alcançaram o sonhado patamar proposto pelo Céu: ”Da multidão dos que criam, era um só o coração e uma só a alma” (Atos 4:32).
         Podemos imaginar a felicidade de Cristo ao ver o Seu sonho de unidade aflorar na Igreja primitiva. Esse mesmo motivo de felicidade Ele espera que se manifeste entre nós.

Segunda
         Quando lemos 1 Coríntios deparamos com uma Igreja complicadíssima. Era a igreja de causar calafrios no pastor que fosse indicado para pastoreá-la.  Entre os muitos problemas dos corintianos estava a desarmonia entre irmãos.
Mas a Igreja de Corinto tinha algo de bom. Uma atitude louvável mantinha a igreja de pé. Paulo afirma: “Sempre dou graças a Deus por vós, pela graça de Deus que vos foi dada em Cristo Jesus; porque em tudo fostes enriquecidos nele, em toda palavra e em todo o conhecimento” (1 Coríntios 1:4 e 5).
Os irmãos de Corinto aceitaram de coração os ensinamentos de Cristo. Mas embora tivessem uma base doutrinária sólida permitiram que Satanás semeasse muito joio entre eles.
Havia disputa sobre qual pastor era mais importante. Alguns preferiam Apolo, outros Cefas e um terceiro grupo, aparentemente mais forte defendia Paulo. Ao falar da importância da unidade entre irmãos o apostolo justifica a sua repreensão demonstrando o seu amor por eles. “Não escrevo estas coisas para vos envergonhar, mas para vos admoestar, como a filhos meus amados” (1 Coríntios 4:14).
Ao assemelhar a Igreja a um corpo, Paulo estava apresentando um patamar difícil de ser alcançado pelos corintianos. As porfias eram comuns entre eles e muitas vezes as divergências chegavam aos tribunais seculares. “Rogo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que sejais concordes no falar, e que não haja dissensões entre vós; antes sejais unidos no mesmo pensamento e no mesmo parecer” (1 Coríntios 1:10).
Paulo compara a Igreja ao corpo humano. Essa é uma metáfora fácil de ser entendida porque todas as pessoas tem um corpo e sabem muito bem da importância de cada membro do corpo e a interdependência entre eles.
Por sua vez Pedro também usa uma metáfora inteligente. Para ele todos nós somos tijolos e pedras na edificação de uma casa. Cada tijolo e cada pedra têm a sua importância na solidez da construção. Uma ilustração fácil de entender, uma vez que todos moram em algum tipo de casa e sabe muito bem da importância de cada componente na construção.
A nossa Igreja é parecida com a de Corinto. Temos uma sólida base doutrinária, porém falhamos nos relacionamentos.


 Terça
         O plano de Deus para a Sua Igreja hoje não é diferente do que foi nos dias dos apóstolos. Pregar o evangelho de salvação a toda nação, tribo, língua e povo. A Igreja Adventista do Sétimo Dia não surgiu por acaso.
         A Igreja está centrada nas profecias bíblicas. Ela faz parte dos sonhos de Deus para salvação da humanidade. Se a Igreja não existe por acaso, muito menos nós, não fazemos parte dela por acaso. Temos uma mensagem e a missão de fazê-la conhecida no mundo.
Os comerciantes de Filipos ao ver as vendas de imagens cairem se revoltaram contra os apóstolos e em fúria os prenderam. A principal acusação: perturbadores. ‘’E, apresentando-os aos magistrados, disseram: Estes homens, sendo judeus, perturbaram a nossa cidade” (Atos 16:20).
Os apóstolos estavam sedentos para levar a mensagem de salvação a todo o mundo. Ignorando perigos eles iam de cidade em cidade anunciando a Palavra. Eles eram os perturbadores do mundo de então. Quem dera que todas as cidades e vilas da Terra fossem perturbadas por nós com a mensagem de salvação.
Somos uma igreja com uma missão: testemunhar de Cristo para o mundo. O testemunho individual formará o coletivo. Irmanados em um só objetivo a unidade não será uma exigência, mas sim consequência.

Quarta
          Há poucos dias participei de um encontro de família onde a maioria das pessoas é praticante da Igreja Católica. Nos quinze minutos em que me oportunizaram falar, abordei três pontos especiais: A razão do nosso nome, a organização da Igreja e o nosso estilo de vida. 
         Falar como a nossa Igreja é organizada é um tema que nos deixa muito à vontade. É graças a essa organização que a mensagem está chegando a quase todos os países do mundo. Graças a ela temos um corpo de doutrinas que é pregado de maneira uniforme em todos os cantos do planeta.
         Em 1969 participei do único congresso mundial de jovens de nossa Igreja realizado na Suíça. Ali tivemos uma melhor ideia dos resultados de uma Igreja organizada. Milhares de pessoas vindas de todas as partes do mundo irmanadas em uma só doutrina, propósito e objetivo. De uma coisa não devemos nos esquecer: a mesma unidade doutrinária que professamos deve refletir na unidade dos irmãos entre si.
A organização da Igreja não saiu de uma cabeça qualquer. O Espirito Santo foi e é o Seu mentor. E essa é a razão de nossa Igreja ser o que é.
Os apóstolos trabalharam sob uma liderança. Nenhum deles agia por conta própria. Havia uma liderança colegiada.

Quinta

         Como exemplo de unidade ninguém melhor do que Jesus. Ele foi e é o Líder perfeito. Uma das grandes preocupações de Jesus antes de subir para o Céu foi transmitir à sua igreja orientações sobre a necessidade de se manter unida. Para isso Ele deu o exemplo. ``E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Filipenses 2:8).
         Um ponto importante na vida de Cristo era a Sua unidade com o Pai e o Espírito Santo. E foi esse exemplo de unidade que Ele deixou para a Sua Igreja e foi por essa unidade que Ele orou insistentemente: “Para que todos sejam um; assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti, que também eles sejam um em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste” (São João 17:21).
         Em Mateus 28:16 a 20 Jesus deixou claro que Ele é o nosso líder. A nossa unidade entre irmãos não prosperará caso não estejamos em íntimo relacionamento com o Céu. É de lá que vem o poder para vencermos as tendências da carne.
Essa unidade pela qual Cristo orou não é fácil de ser alcançada. Mesmo depois do Pentecostes os apóstolos tiveram dificuldades em manter o padrão de unidade apresentado por Cristo. Não foi por acaso que naquela época Jesus orou por nós hoje. ``E rogo não somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim “(São João 17:20).

Conclusão
          Concluindo, faço uso das palavras do autor da Lição encontradas na página 89: ``Os discípulos não permitiram que os seus diferentes traços de personalidade, pontos de vista sobre várias questões ou preferencias pessoais impedissem o cumprimento da missão.”
          Diz Ellen G. White: “Quem acha que nunca terá de abandonar uma opinião formada, e nunca terá ocasião de mudar de critério, será decepcionado. Enquanto nos apegamos obstinadamente às nossas próprias ideias e opiniões, não podemos ter a unidade pela qual Cristo orou.” (A Igreja Remanescente, p 26).

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