Comentário
da Lição da Escola Sabatina de 10 a 17 de agosto de 2013. Preparado por Carmo
Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a
Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja
Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Ultimamente
tenho pensado na possibilidade de a nova Jerusalém ser dividida em bairros onde
os mais iguais se agrupem formando subdivisões de uma população não homogenia, mas
dividida pelas picuinhas que vivenciamos aqui.
Quem sabe, veremos situações em que
determinado grupo ao participar da programação de sábado queira superar o seu
antecessor numa espécie de competição egocêntrica e destrutiva. Provavelmente,
a sobremesa do almoço de sábado seja fazer comentários negativos diante das
crianças quanto à participação de A ou B no culto divino.
Com certeza, veremos carruagens de
mudanças circulando pelas ruas de ouro à procura de uma mansão onde a
vizinhança seja mais receptiva e calorosa aos caprichos e modos de ser do
interessado.
Ás vezes imagino que ao chegarem lá,
alguns ao se certificarem de que serão vizinhos de Y ou Z passe de largo e
sigam em frente, à procura até de um retorno. As divisões não ficarão apenas
por ai. Os bairros preferidos e mais valorizados serão aqueles que se situam às
margens do rio da Vida onde a “gentalha” não terá vez.
Caso isso aconteça é porque, com
certeza, erramos o caminho e esse suposto rio da Vida nada mais será do que um
o lago de fogo.
A lição dessa semana aborda um tema
difícil de ser vivenciado entre nós e de uma necessidade premente para a
descida do Espirito Santo. Creio que o autor, ciente dessa situação, o colocou
em pauta e será frustrante para ele e para o Céu se a Igreja considera-lo de
maneira leviana e descompromissada.
A nossa Igreja atual se assemelha,
em parte, a igreja de Corinto onde as divergências afloravam e Satanás se
divertia prazerosamente. “Pois a respeito de vós, irmãos meus, fui informado
pelos da família de Cloé que há contendas entre vós” (1 Coríntios 1:11). O
puxão de orelha de Paulo naqueles irmãos, infelizmente, é válido para nós hoje.
Domingo
Um dos argumentos que os ecumenistas usam
para incentivar e promover a união das igrejas é o de que o mundo não
acreditará em cristãos divididos entre si. Eles usam as mesmas palavras de
Jesus em João 17:21: “Para
que todos sejam um; assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti, que também
eles sejam um em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.”
É sabido que a igreja primitiva
distanciou muito dos princípios doutrinários pregados por Jesus e confirmados
pelos apóstolos. Esse distanciamento deu origem ao movimento da reforma de
Martinho Lutero. E desde então as divergências marcam cada denominação
religiosa que surge no mundo.
O estudo de hoje está voltado não para
a Babilônia religiosa de nossos dias, mas sim, para a igreja que professa
guardar os mandamentos de Deus e que tem a fé de Jesus.
A oração de Jesus pela unidade da
Igreja não foi fácil de ser entendida pelos apóstolos. Foi resultado de muita
oração e exame pessoal que eles alcançaram o sonhado patamar proposto pelo Céu:
”Da
multidão dos que criam, era um só o coração e uma só a alma” (Atos 4:32).
Podemos imaginar a felicidade de Cristo
ao ver o Seu sonho de unidade aflorar na Igreja primitiva. Esse mesmo motivo de
felicidade Ele espera que se manifeste entre nós.
Segunda
Quando lemos 1 Coríntios deparamos com
uma Igreja complicadíssima. Era a igreja de causar calafrios no pastor que
fosse indicado para pastoreá-la. Entre
os muitos problemas dos corintianos estava a desarmonia entre irmãos.
Mas a Igreja de Corinto tinha
algo de bom. Uma atitude louvável mantinha a igreja de pé. Paulo afirma:
“Sempre dou graças a Deus por vós, pela graça de Deus que vos foi dada em
Cristo Jesus; porque em tudo fostes enriquecidos nele, em toda palavra e em
todo o conhecimento” (1 Coríntios 1:4 e 5).
Os irmãos de Corinto aceitaram de
coração os ensinamentos de Cristo. Mas embora tivessem uma base doutrinária
sólida permitiram que Satanás semeasse muito joio entre eles.
Havia disputa sobre qual pastor
era mais importante. Alguns preferiam Apolo, outros Cefas e um terceiro grupo,
aparentemente mais forte defendia Paulo. Ao falar da importância da unidade
entre irmãos o apostolo justifica a sua repreensão demonstrando o seu amor por
eles. “Não escrevo estas coisas para vos envergonhar, mas para vos admoestar,
como a filhos meus amados” (1 Coríntios 4:14).
Ao assemelhar a Igreja a um corpo, Paulo
estava apresentando um patamar difícil de ser alcançado pelos corintianos. As
porfias eram comuns entre eles e muitas vezes as divergências chegavam aos
tribunais seculares. “Rogo-vos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo,
que sejais concordes no falar, e que não haja dissensões entre vós; antes
sejais unidos no mesmo pensamento e no mesmo parecer” (1 Coríntios 1:10).
Paulo compara a Igreja ao corpo humano.
Essa é uma metáfora fácil de ser entendida porque todas as pessoas tem um corpo
e sabem muito bem da importância de cada membro do corpo e a interdependência
entre eles.
Por sua vez Pedro também usa uma
metáfora inteligente. Para ele todos nós somos tijolos e pedras na edificação
de uma casa. Cada tijolo e cada pedra têm a sua importância na solidez da
construção. Uma ilustração fácil de entender, uma vez que todos moram em algum
tipo de casa e sabe muito bem da importância de cada componente na construção.
A nossa Igreja é parecida com a de
Corinto. Temos uma sólida base doutrinária, porém falhamos nos relacionamentos.
Terça
O
plano de Deus para a Sua Igreja hoje não é diferente do que foi nos dias dos
apóstolos. Pregar o evangelho de salvação a toda nação, tribo, língua e povo. A
Igreja Adventista do Sétimo Dia não surgiu por acaso.
A Igreja está centrada nas profecias
bíblicas. Ela faz parte dos sonhos de Deus para salvação da humanidade. Se a
Igreja não existe por acaso, muito menos nós, não fazemos parte dela por acaso.
Temos uma mensagem e a missão de fazê-la conhecida no mundo.
Os comerciantes de Filipos ao ver
as vendas de imagens cairem se revoltaram contra os apóstolos e em fúria os
prenderam. A principal acusação: perturbadores. ‘’E, apresentando-os aos
magistrados, disseram: Estes homens, sendo judeus, perturbaram a nossa cidade” (Atos
16:20).
Os apóstolos estavam sedentos para
levar a mensagem de salvação a todo o mundo. Ignorando perigos eles iam de
cidade em cidade anunciando a Palavra. Eles eram os perturbadores do mundo de
então. Quem dera que todas as cidades e vilas da Terra fossem perturbadas por
nós com a mensagem de salvação.
Somos uma igreja com uma missão:
testemunhar de Cristo para o mundo. O testemunho individual formará o coletivo.
Irmanados em um só objetivo a unidade não será uma exigência, mas sim
consequência.
Quarta
Há poucos dias
participei de um encontro de família onde a maioria das pessoas é praticante da
Igreja Católica. Nos quinze minutos em que me oportunizaram falar, abordei três
pontos especiais: A razão do nosso nome, a organização da Igreja e o nosso
estilo de vida.
Falar como a nossa Igreja é organizada é
um tema que nos deixa muito à vontade. É graças a essa organização que a
mensagem está chegando a quase todos os países do mundo. Graças a ela temos um
corpo de doutrinas que é pregado de maneira uniforme em todos os cantos do
planeta.
Em 1969 participei do único congresso
mundial de jovens de nossa Igreja realizado na Suíça. Ali tivemos uma melhor
ideia dos resultados de uma Igreja organizada. Milhares de pessoas vindas de
todas as partes do mundo irmanadas em uma só doutrina, propósito e objetivo. De
uma coisa não devemos nos esquecer: a mesma unidade doutrinária que professamos
deve refletir na unidade dos irmãos entre si.
A organização da Igreja não saiu de uma
cabeça qualquer. O Espirito Santo foi e é o Seu mentor. E essa é a razão de
nossa Igreja ser o que é.
Os apóstolos trabalharam sob uma
liderança. Nenhum deles agia por conta própria. Havia uma liderança colegiada.
Quinta
Como exemplo de unidade ninguém melhor
do que Jesus. Ele foi e é o Líder perfeito. Uma das grandes preocupações de
Jesus antes de subir para o Céu foi transmitir à sua igreja orientações sobre a
necessidade de se manter unida. Para isso Ele deu o exemplo. ``E, achado na
forma de homem, humilhou-se a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e
morte de cruz” (Filipenses 2:8).
Um ponto importante na vida de Cristo
era a Sua unidade com o Pai e o Espírito Santo. E foi esse exemplo de unidade
que Ele deixou para a Sua Igreja e foi por essa unidade que Ele orou
insistentemente: “Para que todos sejam um; assim como tu, ó Pai, és em mim, e
eu em ti, que também eles sejam um em nós; para que o mundo creia que tu me
enviaste” (São João 17:21).
Em Mateus 28:16 a 20 Jesus deixou claro
que Ele é o nosso líder. A nossa unidade entre irmãos não prosperará caso não
estejamos em íntimo relacionamento com o Céu. É de lá que vem o poder para
vencermos as tendências da carne.
Essa unidade pela qual Cristo
orou não é fácil de ser alcançada. Mesmo depois do Pentecostes os apóstolos
tiveram dificuldades em manter o padrão de unidade apresentado por Cristo. Não
foi por acaso que naquela época Jesus orou por nós hoje. ``E rogo não somente
por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim “(São
João 17:20).
Conclusão
Concluindo, faço uso das palavras do autor da Lição encontradas na
página 89: ``Os discípulos não permitiram que os seus diferentes traços de
personalidade, pontos de vista sobre várias questões ou preferencias pessoais
impedissem o cumprimento da missão.”
Diz Ellen G. White: “Quem acha que nunca terá de abandonar uma opinião
formada, e nunca terá ocasião de mudar de critério, será decepcionado. Enquanto
nos apegamos obstinadamente às nossas próprias ideias e opiniões, não podemos
ter a unidade pela qual Cristo orou.” (A Igreja Remanescente, p 26).
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