Comentário da Lição da Escola
Sabatina de 3 a 10 de agosto de 2013. Preparado por Carmo Patrocínio Pinto,
ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação
para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia –
Central de Taguatinga, DF.
Introdução
O reavivamento vai mostrar para o mundo aquele
crente sem máscaras. Não mais fingimentos de alguém que se diz amar e que no
íntimo guarda indiferenças. Não mais sorrisos pré-fabricados apresentados pelo
rosto e negado pelo coração.
Não
haverá também nenhum pecado que não tenha sido confessado e abandonado. Diante
da conjuntura atual pensar numa Igreja assim parece utópico. Mas se realmente
estivermos empenhados no reavivamento isso terá de acontecer ou não acontecerá
nada.
O
reavivamento não virá por acaso. Sem o empenho de cada membro da Igreja ele não
será realidade entre nós. E o mais sério é que, ou seremos envolvidos nele ou
estaremos sendo atados em molhos para o fogaréu que se aproxima. Não haverá
meio termo.
Talvez
a nossa maior necessidade no momento é
implorar para que o Espírito Santo nos mobilize para que haja confissão
e verdadeiro arrependimento em nós e entre nós.
Domingo
O arrependimento é um dom de Deus que pode ser ou
não aceito por nós.
É
difícil alguém contemplar a Cristo crucificado e não ser tocado pelo Seu grande
amor. O Seu sacrifício é o start que sacode o nosso ser nos alertando para uma
mudança de vida.
O
verdadeiro arrependimento aconteceu na vida dos discípulos. Quando Pedro
aconselhou os seus ouvintes a se arrepender ele estava falando de algo que ele
experimentou a custa de muitas lágrimas.
Para
que haja arrependimento duas coisas são necessárias: contemplar o Calvário e
fazer um profundo exame de coração. Diz Ellen G. White: “Muitos há que,
detendo-se demasiadamente na teoria, têm perdido de vista o poder vivo do
exemplo do Salvador... O que eles necessitam é contemplar a Jesus” (A Ciência
do Bom Viver, p 457).
Caso
não estejamos orando para que Deus opere em nossa vida as mudanças necessárias
para experimentarmos o prometido reavivamento, estamos cometendo um grave
equivoco de vida.
Ao falar da conversão dos corintianos Paulo enfatiza
que eles foram contristados ou seja, eles ficaram entristecidos ao tomarem
conhecimento do que Jesus fez por eles que viviam em pecado. Essa tristeza pelo
pecado faz nascer o desejo de uma mudança de vida.
A
tristeza pelo pecado é mesclada com a alegria de ter a certeza de que Deus
perdoou todos os pecados. Por maior que sejam os nossos pecados a misericórdia
divina a todos suplanta.
O
arrependimento que causa mais dor é o de alguém que se arrependeu de ter
arrependido tarde demais. Esse talvez seja o arrependimento que acontece além
do alcance do Céu. É esse arrependimento que vai martirizar mais pessoas depois
do fechamento da porta da graça. Ele acometerá aqueles que foram insensíveis ao
toque do Espírito Santo.
Essa
é uma situação que poderá nos envolver. Acostumamos frequentar a Igreja e
facilmente tudo se transforma em uma rotina sem vida e monótona e pior,
facilmente nos acostumamos a ela. Temos que, diariamente, renovar a nossa
experiência com Cristo.
Paulo
volta a mencionar a sua conversão e o que mudou em sua vida. O arrependimento
que não leva a uma mudança de vida é aquele que não aconteceu. Paulo é
enfático: “Assim andemos nós em novidade de vida.”
Terça
O arrependimento produz em nós o
desejo de nunca mais repetir a mesma falha. Esse desejo gera a verdadeira
confissão e quando as duas coisas acontecem Deus cumpre a Sua promessa: perdoa. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos
perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1:9).
Quantas vidas já foram restauradas com
essa promessa divida. Em quantas pessoas ela restaurou aquela paz que excede a
todo o entendimento. Essa é a paz que você sentiu quando aceitou a Jesus como
salvador pessoal. É a paz que Ele oferece a toda alma conturbada e aflita.
A confissão deve ser precedida profundo
exame de coração. Cada falha deve ser examinada com um profundo sentimento de
nunca mais cometê-la. É comum ouvirmos orações onde o penitente pede perdão “de
todos os pecados”. Parece que pecamos no
varejo e pedimos perdão no atacado. A promessa divina é: perdão. Mas o perdão
deve ser precedido de um profundo exame pessoal. Temos que identificar uma a
uma as nossas falhas e com o firme proposito de nuca mais pratica-las aguardar
e aceitar o perdão divino.
Mais uma vez Paulo relata a sua
experiência de conversão. Ele afirma: “Pelo que, ó rei Agripa, não fui desobediente
à visão celestial” (Atos 26:19). Ele não
só foi obediente à voz do Espirito Santo, mas foi humilde o suficiente para
confessar os seus pecados e viver em novidade de vida.
Quarta
A nota da lição esclarece bem a diferença
entre o arrependimento genuíno e o falso arrependimento. Os personagens
bíblicos apresentados foram movidos por perda, interesse financeiro,
privilégios e remorso. Jamais se apresentaram a Deus contristados como fizeram
os corintianos. Caso houve alguma tristeza ela foi oriunda de desejos carnais contrariados,
mas não por terem ofendido o Deus criador. As pessoas citadas não foram movidas
por um profundo arrependimento.
Judas é um caso diferente. Ele
reconheceu o seu pecado, mas não buscou o perão divino. Dizem que Judas foi
movido pelo remorso e não pelo arrependimento. O verdadeiro arrependido se
apega a Deus, enquanto aquele movido pelo remorso se apega a si mesmo. O
remorso conduz ao desespero e à morte enquanto o verdadeiro arrependimento
conduz à vida.
Veja que a nota da pergunta apresenta
três características do arrependimento. Ou seja: consciência de que ferimos o
coração de Deus, assumir pessoalmente o pecado cometido e o abandono da pratica
pecaminosa.
O nosso arrependimento não deve ter a
sua origem no medo da justiça divina, embora ela possa contribuir para um
retorno positivo para os braços de Deus.
A Bíblia afirma: “Porque, havendo os teus juízos na terra, os moradores do
mundo aprendem justiça”(Isaias 26:9).
Sem o verdadeiro arrependimento não
experimentaremos o reavivamento. E sem o verdadeiro reavivamento seremos
incapazes de promover uma reforma em nossa vida espiritual. E sem o
reavivamento e a reforma não participaremos da chuva serôdia.
Quinta
No momento em que escrevo esse
comentário vejo, pela televisão, alguns jovens eufóricos depois de terem
confessado com o papa Francisco. Embora saibamos que a Bíblia nos orienta a
confessar diretamente com Cristo e que apenas Ele pode perdoar pecados, não se
pode negar o efeito positivo que tal ato produziu na vida daqueles jovens.
No verso três do salmo oito o salmista
afirma: “Quando eu guardei silêncio, envelheceram os meus ossos pelo meu
bramido em todo o dia.” falando sobre esse verso o pastor batista Elton Melo
faz o seguinte comentário:
- Nós não podemos conviver com a culpa – para isso
Deus criou confissão.
- A não confissão do
pecado nos faz adoecer física (consumiram-se os meus ossos), emocional (meu
bramido durante todo o dia) e espiritualmente (tua mão pesava sobre mim), veja
como isso acontece:
- O silêncio demonstra uma resistência teimosa em
admitir nossa culpa;
- Quanto mais adia, mais você sofre;
- O resultado é: envelhecimento precoce, falta de
paz, peso, opressão sobre o corpo.
- Fraqueza / desânimo / desassossego do coração;
- Os olhos perdem o brilho – sequidão de estio – como
um pingo d`água num asfalto quente;
- Mente confusa.
A cura pela confissão
- Confessar o pecado é o começo do tratamento;
- Confessar com Deus é concordar com ELE sobre o que
ELE nos diz;
- Confessar é agradecer pois já temos o perdão para
todos os pecados;
- Confessar é arrepender = mudar de atitude, ação,
direção;
- Quando confessamos, podemos orar – nossa oração é
ouvida, mesmos distantes;
- Quando confessamos, recebemos a misericórdia sobre
nós;
- Quando confessamos, as dores cessam;
- Quando confessamos, o Senhor nos enche de alegria;
- Quando confessamos, somos justificados (o publicano
e o fariseu).
Ellen
G. White faz uma advertência para a Igreja: “Nas igrejas [adventistas
do sétimo dia] deverá haver admirável manifestação do poder de Deus, mas ela
não influirá sobre os que não se têm humilhado diante do Senhor, abrindo a
porta do coração pela confissão e arrependimento” (Eventos Finais, p 209).
Conclusão:
Confissão, arrependimento e abandono do pecado foram fundamentais
na vida de Davi para que ele se tornasse ``O homem segundo o coração de Deus.”
Caso aspiremos ser bafejados pelo Espirito Santo não
podemos fugir de dar esses passos que fizeram parte da experiência cristã de
todos que no passado, deixando o mundo para trás, se voltaram para Cristo.
“A
Bíblia, tal qual nela se lê, deve ser nosso guia. Coisa alguma é tão adequada a
ampliar a mente e fortalecer o intelecto, como o estudo da Bíblia. Nenhum outro
estudo assim elevará a alma e dará vigor às faculdades como o estudo dos vivos
oráculos”
(Mente,
Caráter e Personalidade Volume 1, p. 93).
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