Comentário
da Lição da Escola Sabatina de te e dois a vinte e nove de novembro de dois mil
e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, membro da Igreja Adventista
do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
No momento em que escrevo esse
comentário faz parte da mídia nacional a conduta de um juiz que ao ser flagrado
dirigindo sem portar a carteira de motorista foi autuado por uma agente de
transito que, conforme determina a lei, ordenou que o seu carro fosse recolhido
ao depósito do DETRAN. O magistrado reagiu afirmando que o seu carro não
poderia ser recolhido por ser ele uma autoridade da lei. O incidente resultou
em uma ação na justiça dando ganho de causa ao juiz que deve ser indenizado
pela agente em cinco mil reais. Que tal associar essa ocorrência com a pergunta
do autor da lição encontrada no primeiro parágrafo do estudo dessa semana? Diz
o autor: “Você já reparou que, às vezes, os ricos e famosos agem como se
estivessem acima as lei?”
O fato causou uma grande interrogação e revolta popular. Como pode uma
autoridade cuja função se prende a execução da lei, transgredir essa mesma lei
e ainda se fazer de vítima? Sem dúvida estamos vivendo nos tempos profetizados
por Isaias: “Por isso o direito se tornou atrás,
e a justiça se pôs de longe; porque a verdade anda tropeçando pelas ruas, e a
equidade não pode entrar” (Isaías
59:14).
Tiago afirma que não cabe a nós a função de julgar. Por
mais que queiramos fazê-lo não temos condições para tal. Certa vez, eu
conversava com um colega na rua. Ele dentro do seu carro e eu de fora. Ao me
aproximar dele fui surpreendido por um mau cheiro horrível. De inicio imaginei,
como pode um enfermeiro usar um carro nessas condições! Voltei o rosto para o
lado numa tentativa de amenizar o odor nauseante e, ao fazê-lo, vi um caminhão
lotado de carcaças de bois recolhidas dos açougues da região.
Temos leis falhas porque foram criadas por legisladores
humanos e muitas das vezes a aplicabilidade da lei é falha por uma única razão:
o juiz também é um ser humano. Davi reconhecia a autoridade de Deus para julgar
porque Ele próprio criou as leis que servem de parâmetro para um julgamento
escorreito. Afirma o salmista: “Justo és, ó Senhor, e retos são os teus juízos” (Salmos
119:137). Nesse caso a expressão
“juízos” se entende por leis.
Domingo
No sentido genérico discernimento é a
faculdade de escolher o certo, ter critério ou juízo; ou efeito de se
distinguir com raciocínio sobre as coisas. Seria
o senso que permite as pessoas a confrontar o certo e o errado, a verdade e a
mentira, o melhor e o pior, a experiência pessoal e a crendice, e assim por
diante.
Biblicamente,
o discernimento é essencial no processo de tomar decisões sábias. Salomão
associa o discernimento à prudência e a falta dele a insanidade mental. “Todo o
homem prudente age com discernimento, mas o insensato põe em evidência sua loucura”
(Provérbios 13:16).
O
discernimento implica em ter mais malicia do que conhecimento. Porque em dados
momentos nem tudo o que sabemos ou conhecemos deve ser propagado. Ainda surge o
perigo de eu estar seguro de determinada informação e no final ela ser
inverídica. Algumas palavras são primas ou irmãs do discernimento. Entre elas
temos cautela, precaução discrição e outras.
O nosso julgar ou mesmo o falar de terceiros será
endossado pela prudência quando agimos com discernimento. Essa é uma atitude
sábia que nos poupa incômodo e prejuízos a terceiros. As nossas palavras e
ações devem estar pautadas na lei de Deus. Ela nos orienta como deve ser o
nosso relacionamento com o próximo. Quando emitimos juízos sobre alguém estamos
descartando a orientação que a lei nos esclarece e, automaticamente, nos
colocamos à margem das glórias do Céu. “A Lei e ao
Testemunho! se eles não falarem segundo esta palavra, nunca lhes raiará a alva” (Isaías 8:20).
Segunda
Existe um dizer popular que cada brasileiro é um juiz de
futebol. Porém, uma observação mais acurada nos mostra que não é só no futebol
que existe essa gama de juízes. Apenas um detalhe: Ao nos colocarmos como um
juiz de futebol estamos, automaticamente, julgando o juiz que apitou o jogo.
Quando julgamos alguém estamos usurpando o lugar de Deus,
o único que tem condições plenas de julgar sem cometer equívocos. Deus tem três
coisas que faz Dele o único juiz capaz de julgar corretamente. Primeiro, foi
Ele que criou a lei ou o padrão de julgamento. Ele é o Legislador por
excelência. Ele tomou a forma humana e, como nós, em tudo foi tentado. Em terceiro
lugar, “... Ele conhece a nossa estrutura; e sabe que somos pó” (Salmos 103:14).
João, de uma maneira apoteótica apresenta o nosso Juiz.
“E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele
chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça” (Apocalipse 19:11). Ele apresenta qualidades difíceis de ser encontradas
nos juízes humanos e muito menos em nós leigos. Ele é fiel, verdadeiro e julga
e peleja com justiça.
Ao
longo de minha vida já me deparei com situações complicadas que me levam a
cogitar como será o julgamento divino. Nesses momentos me vem um pensamento de
alívio, ainda bem que eu não sou Deus.
Terça
Toda
empresa tem um planejamento pré-estabelecido para garantir o seu sucesso. Faz
parte do planejamento a avaliação do planejamento. A avaliação vai trazer luz
sobre os resultados alcançados e confrontá-los com as metas delineadas. O
planejamento é uma arma importantíssima para uma empresa ou mesmo uma pessoa
alcançar os seus objetivos. O planejamento leva um administrador a estabelecer
estratégias. As estratégias são as ferramentas escolhidas para alcançar os
objetivos propostos.
O
planejamento tem o seu lugar no campo espiritual. Para o cristão convertido o
objetivo do seu planejamento é alcançar a estatura de Cristo. Quando o objetivo
é esse as ferramentas para alcança-lo diferem do usual no mundo moderno. Em
nosso planejamento entra um fator prioritário que é a submissão de nossas
expectativas à vontade máxima de Deus. Saímos de nossa autoconfiança e nos
submetemos a direção divina.
Hoje
é comum ver pregadores que fazem de Deus um menino de recado. “Eu determino”,
dizem eles, que esse ou aquele problema seja resolvido. Essa é uma atitude
arbitrária que entra em choque com a maneira de ser que Jesus demostrou quando
esteve entre nós.
Em
nosso planejamento a preposição condicional si é de suma importância. Tiago
deixa claro que essa conduta se contrapõe com a orientação divina. “Eia agora
vós, que dizeis: Hoje, ou amanhã, iremos a tal cidade, e lá passaremos um ano,
e contrataremos, e ganharemos” (Tiago 4:13). E ele mesmo completa: “Digo-vos que não sabeis o que
acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um
pouco, e depois se desvanece” (Tiago 4:14). Planejar sem submeter o nosso planejamento à direção
divina é presunção e um indício forte de sobrepor a nossa vontade a vontade
divina. Para os que agem assim pode vir a sentença: “Mas Deus lhe disse: Louco!
esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Lucas 12:20).
Quarta
A
fugacidade da vida é o quinhão de todos nós. Hoje somos alguém, mas amanhã pouca
ou nenhuma lembrança existirá de nós. Nesse mundo a neblina é algo instável e
volátil. Ao mesmo tempo em que ela ornamenta os vales e os picos das montanhas
sem que menos se espere, ela é diluída pelo Sol e não mais a vemos.
Tiago
nos compara a neblina que por um momento se apresenta com a sua beleza, mas
logo se dilui e se esvai como a água no ralo de uma pia. O interessante é que a
neblina não deixa vestígios nem ao menos pegadas.
Certa
vez eu me encontrava em um posto de gasolina na beira de uma estrada. Enquanto
eu tomava um lanche chegou um caminhão com três pessoas na cabine. Dois mais
jovens e um senhor idoso. O ambiente entre eles era de completa alegria. Em
poucos minutos eles entraram no caminhão e foram embora. Não andaram vinte
metros e manobraram o caminhão de volta. Ao estacionar novamente no posto
aquele senhor já estava morto e semelhante à neblina se foi. Para que tanto
orgulho, para que tanta pose, para que tanta exaltação própria se vai todos
para o mesmo lugar?
Essa
transitoriedade da vida deve ser um alerta para nós. Não sabemos o dia de
amanhã. Quando eu era adolescente existia uma música que era tocada com
frequência nas eletrolas da minha cidade. O refrão dizia: “Tudo passa tudo
passa, nada fica nada fica.” Comparando com a perpetuidade das montanhas, dos
rios e dos mares realmente nós somos como a neblina que passa.
Quinta
Em
Mateus 5:16 Jesus nos adverte: “Assim resplandeça a vossa
luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a
vosso Pai, que está nos céus” (Mateus 5:16). “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e
não o faz, comete pecado” (Tiago 4:17). Jesus espera que o mundo veja as nossas boas obras.
Essas boas obras apresentadas no cálice do amor levarão as pessoas a conhecer o
nosso Deus e, em resultado vão glorifica-Lo.
Tiago
faz uma seria advertência: “Aquele que sabe fazer o bem e não o faz comete
pecado.” Fazer o bem é externar o amor em ações em favor do próximo. Quando
isso deixa de acontecer na vida de um cristão temos ai o grave pecado da
omissão. É um pecado grave por dois motivos. Primeiro porque deixo de
exteriorizar aquilo que Deus fez por mim: amor. E em segundo lugar essa atitude
representa um comportamento egoísta.
Quem
aceita a mensagem de salvação não tem como não saber amar, pois a mensagem de
salvação nada mais é do que a expressão máxima do amor de Deus por nós. Deus
fez o bem para nós nos salvando da morte e, se com tal testemunho, recusamos a
fazer o bem não há mais o que de bom esperar de nós. Paulo afirma: “Porque, se
pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade,
já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas certa expectação horrível de
juízo, e ardor de fogo, que há de devorar os adversários” (Hebreus 10:26-27).
Conclusão
O
nosso verso áureo esclarece: Existe apenas um Legislador e Juiz. Não cabe a nós
pecadores ocupar esse lugar. Existe apenas UM e não dois ou mais.
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