segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Legislador e Juiz

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Comentário da Lição da Escola Sabatina de te e dois a vinte e nove de novembro de dois mil e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

            No momento em que escrevo esse comentário faz parte da mídia nacional a conduta de um juiz que ao ser flagrado dirigindo sem portar a carteira de motorista foi autuado por uma agente de transito que, conforme determina a lei, ordenou que o seu carro fosse recolhido ao depósito do DETRAN. O magistrado reagiu afirmando que o seu carro não poderia ser recolhido por ser ele uma autoridade da lei. O incidente resultou em uma ação na justiça dando ganho de causa ao juiz que deve ser indenizado pela agente em cinco mil reais. Que tal associar essa ocorrência com a pergunta do autor da lição encontrada no primeiro parágrafo do estudo dessa semana? Diz o autor: “Você já reparou que, às vezes, os ricos e famosos agem como se estivessem acima as lei?”

            O fato causou uma grande interrogação e revolta popular. Como pode uma autoridade cuja função se prende a execução da lei, transgredir essa mesma lei e ainda se fazer de vítima? Sem dúvida estamos vivendo nos tempos profetizados por Isaias: “Por isso o direito se tornou atrás, e a justiça se pôs de longe; porque a verdade anda tropeçando pelas ruas, e a equidade não pode entrar” (Isaías 59:14).

            Tiago afirma que não cabe a nós a função de julgar. Por mais que queiramos fazê-lo não temos condições para tal. Certa vez, eu conversava com um colega na rua. Ele dentro do seu carro e eu de fora. Ao me aproximar dele fui surpreendido por um mau cheiro horrível. De inicio imaginei, como pode um enfermeiro usar um carro nessas condições! Voltei o rosto para o lado numa tentativa de amenizar o odor nauseante e, ao fazê-lo, vi um caminhão lotado de carcaças de bois recolhidas dos açougues da região.

            Temos leis falhas porque foram criadas por legisladores humanos e muitas das vezes a aplicabilidade da lei é falha por uma única razão: o juiz também é um ser humano. Davi reconhecia a autoridade de Deus para julgar porque Ele próprio criou as leis que servem de parâmetro para um julgamento escorreito. Afirma o salmista: “Justo és, ó Senhor, e retos são os teus juízos” (Salmos 119:137). Nesse caso a expressão “juízos” se entende por leis.

 

Domingo

            No sentido genérico discernimento é a faculdade de escolher o certo, ter critério ou juízo; ou efeito de se distinguir com raciocínio sobre as coisas. Seria o senso que permite as pessoas a confrontar o certo e o errado, a verdade e a mentira, o melhor e o pior, a experiência pessoal e a crendice, e assim por diante.

            Biblicamente, o discernimento é essencial no processo de tomar decisões sábias. Salomão associa o discernimento à prudência e a falta dele a insanidade mental. “Todo o homem prudente age com discernimento, mas o insensato põe em evidência sua loucura” (Provérbios 13:16).

            O discernimento implica em ter mais malicia do que conhecimento. Porque em dados momentos nem tudo o que sabemos ou conhecemos deve ser propagado. Ainda surge o perigo de eu estar seguro de determinada informação e no final ela ser inverídica. Algumas palavras são primas ou irmãs do discernimento. Entre elas temos cautela, precaução discrição e outras.

            O nosso julgar ou mesmo o falar de terceiros será endossado pela prudência quando agimos com discernimento. Essa é uma atitude sábia que nos poupa incômodo e prejuízos a terceiros. As nossas palavras e ações devem estar pautadas na lei de Deus. Ela nos orienta como deve ser o nosso relacionamento com o próximo. Quando emitimos juízos sobre alguém estamos descartando a orientação que a lei nos esclarece e, automaticamente, nos colocamos à margem das glórias do Céu. A Lei e ao Testemunho! se eles não falarem segundo esta palavra, nunca lhes raiará a alva” (Isaías 8:20).

 

Segunda

            Existe um dizer popular que cada brasileiro é um juiz de futebol. Porém, uma observação mais acurada nos mostra que não é só no futebol que existe essa gama de juízes. Apenas um detalhe: Ao nos colocarmos como um juiz de futebol estamos, automaticamente, julgando o juiz que apitou o jogo.

            Quando julgamos alguém estamos usurpando o lugar de Deus, o único que tem condições plenas de julgar sem cometer equívocos. Deus tem três coisas que faz Dele o único juiz capaz de julgar corretamente. Primeiro, foi Ele que criou a lei ou o padrão de julgamento. Ele é o Legislador por excelência. Ele tomou a forma humana e, como nós, em tudo foi tentado. Em terceiro lugar, “... Ele conhece a nossa estrutura; e sabe que somos pó” (Salmos 103:14).

            João, de uma maneira apoteótica apresenta o nosso Juiz. “E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça” (Apocalipse 19:11). Ele apresenta qualidades difíceis de ser encontradas nos juízes humanos e muito menos em nós leigos. Ele é fiel, verdadeiro e julga e peleja com justiça.

            Ao longo de minha vida já me deparei com situações complicadas que me levam a cogitar como será o julgamento divino. Nesses momentos me vem um pensamento de alívio, ainda bem que eu não sou Deus.

 

Terça

            Toda empresa tem um planejamento pré-estabelecido para garantir o seu sucesso. Faz parte do planejamento a avaliação do planejamento. A avaliação vai trazer luz sobre os resultados alcançados e confrontá-los com as metas delineadas. O planejamento é uma arma importantíssima para uma empresa ou mesmo uma pessoa alcançar os seus objetivos. O planejamento leva um administrador a estabelecer estratégias. As estratégias são as ferramentas escolhidas para alcançar os objetivos propostos.

            O planejamento tem o seu lugar no campo espiritual. Para o cristão convertido o objetivo do seu planejamento é alcançar a estatura de Cristo. Quando o objetivo é esse as ferramentas para alcança-lo diferem do usual no mundo moderno. Em nosso planejamento entra um fator prioritário que é a submissão de nossas expectativas à vontade máxima de Deus. Saímos de nossa autoconfiança e nos submetemos a direção divina.

            Hoje é comum ver pregadores que fazem de Deus um menino de recado. “Eu determino”, dizem eles, que esse ou aquele problema seja resolvido. Essa é uma atitude arbitrária que entra em choque com a maneira de ser que Jesus demostrou quando esteve entre nós.

            Em nosso planejamento a preposição condicional si é de suma importância. Tiago deixa claro que essa conduta se contrapõe com a orientação divina. “Eia agora vós, que dizeis: Hoje, ou amanhã, iremos a tal cidade, e lá passaremos um ano, e contrataremos, e ganharemos” (Tiago 4:13). E ele mesmo completa: “Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece” (Tiago 4:14). Planejar sem submeter o nosso planejamento à direção divina é presunção e um indício forte de sobrepor a nossa vontade a vontade divina. Para os que agem assim pode vir a sentença: “Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Lucas 12:20).

 

Quarta

            A fugacidade da vida é o quinhão de todos nós. Hoje somos alguém, mas amanhã pouca ou nenhuma lembrança existirá de nós. Nesse mundo a neblina é algo instável e volátil. Ao mesmo tempo em que ela ornamenta os vales e os picos das montanhas sem que menos se espere, ela é diluída pelo Sol e não mais a vemos.

            Tiago nos compara a neblina que por um momento se apresenta com a sua beleza, mas logo se dilui e se esvai como a água no ralo de uma pia. O interessante é que a neblina não deixa vestígios nem ao menos pegadas.

            Certa vez eu me encontrava em um posto de gasolina na beira de uma estrada. Enquanto eu tomava um lanche chegou um caminhão com três pessoas na cabine. Dois mais jovens e um senhor idoso. O ambiente entre eles era de completa alegria. Em poucos minutos eles entraram no caminhão e foram embora. Não andaram vinte metros e manobraram o caminhão de volta. Ao estacionar novamente no posto aquele senhor já estava morto e semelhante à neblina se foi. Para que tanto orgulho, para que tanta pose, para que tanta exaltação própria se vai todos para o mesmo lugar?

            Essa transitoriedade da vida deve ser um alerta para nós. Não sabemos o dia de amanhã. Quando eu era adolescente existia uma música que era tocada com frequência nas eletrolas da minha cidade. O refrão dizia: “Tudo passa tudo passa, nada fica nada fica.” Comparando com a perpetuidade das montanhas, dos rios e dos mares realmente nós somos como a neblina que passa.

 

Quinta

            Em Mateus 5:16 Jesus nos adverte: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus” (Mateus 5:16). “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado” (Tiago 4:17). Jesus espera que o mundo veja as nossas boas obras. Essas boas obras apresentadas no cálice do amor levarão as pessoas a conhecer o nosso Deus e, em resultado vão glorifica-Lo.

            Tiago faz uma seria advertência: “Aquele que sabe fazer o bem e não o faz comete pecado.” Fazer o bem é externar o amor em ações em favor do próximo. Quando isso deixa de acontecer na vida de um cristão temos ai o grave pecado da omissão. É um pecado grave por dois motivos. Primeiro porque deixo de exteriorizar aquilo que Deus fez por mim: amor. E em segundo lugar essa atitude representa um comportamento egoísta.

            Quem aceita a mensagem de salvação não tem como não saber amar, pois a mensagem de salvação nada mais é do que a expressão máxima do amor de Deus por nós. Deus fez o bem para nós nos salvando da morte e, se com tal testemunho, recusamos a fazer o bem não há mais o que de bom esperar de nós. Paulo afirma: “Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados, mas certa expectação horrível de juízo, e ardor de fogo, que há de devorar os adversários” (Hebreus 10:26-27).

 

Conclusão

            O nosso verso áureo esclarece: Existe apenas um Legislador e Juiz. Não cabe a nós pecadores ocupar esse lugar. Existe apenas UM e não dois ou mais.

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