segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A Igreja

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Comentário da Lição da Escola Sabatina de dezesseis a vinte e três de agosto de dois mil e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

            A lição dessa semana aborda dois temas, o fundamento da igreja e a unidade que deve caracterizar essa igreja. A lição gasta mais tempo falando da unidade do que do fundamento. Essa preocupação do autor com a unidade deve chamar a nossa atenção.

            A unidade da igreja foi o enfoque da oração sacerdotal de Cristo. Ele sabia que logo depois da Sua partida surgiriam lobos devoradores que não perdoariam o rebanho. Esses lobos continuam por ai perseguindo ou ensinado doutrinas que são preceitos de homens.

  Talvez, um dos motivos principais para esse alerta sobre a unidade é que, qualquer denominação religiosa, ou qualquer movimento separatista tem um ponto em comum: Acreditam que Jesus é o fundamento de suas ideias.

            Uma coisa Jesus deixou bem claro: Ele tem a Sua igreja na Terra. Normalmente costumo dizer que a Igreja Adventista do Sétimo Dia é a minha igreja. Essa expressão demonstra um leve convencimento porque a Igreja não é minha. Ela é propriedade de Cristo.

            No mundo de hoje nos deparamos com um grande número de igrejas que são propriedades exclusivas de pastores, missionários e bispos. Esses líderes são detentores de grandes fortunas que, doadas pelos fieis, vão para os seus bolsos. Qualquer um deles afirma ser a sua igreja liderada por Cristo. Elas não apresentam grandes diferenciações doutrinárias. Parece que a principal diferença entre elas é a conta bancária. Não tem como essas igrejas serem a igreja de Cristo. Elas já têm dono.

            A maioria dos líderes religiosos toma um ou dois versículos da Bíblia como base de suas igrejas. Cada um faz a igreja que atenda melhor as suas aspirações nem sempre tão espirituais. O resultado são igrejas vazias de doutrina e cheias de envolvente proselitismo.

            A igreja Adventista do Sétimo Dia está fundamentada em toda a Bíblia, principalmente no seu conteúdo profético. Jesus, o nosso Líder, deixou orientações seguras. Essas orientações, não aceitas por muitos, nos conduzem ao porto seguro.

 

Domingo

            As palavras de Jesus, dirigidas a Pedro: “Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16:18) são interpretadas pela Igreja Católica Apostólica Romana como sendo Pedro o fundamento da igreja.

 Como Adventistas do Sétimo Dia refutamos esse pensamento. Entendemos que Jesus não disse que Pedro é o fundamento da Igreja. Pouco antes Pedro fez uma declaração de confiança e fé. Ao ser questionado sobre quem é Jesus ele foi enfático e respondeu com firmeza: “E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mateus 16:16).  É com base nessa certeza que a igreja de Cristo é fundamentada. Pedro, como qualquer ser humano cometeu falhas. Ele não é a Rocha e nem a representa.

A Bíblia mostra inúmeras passagens comprovando que Jesus e, não Pedro, é a Pedra em que a Igreja está firmada. Diz Ellen G White: “E todos comeram dum mesmo manjar espiritual. E beberam todos duma mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia, e a pedra era Cristo I Cor. 10:3. Em todas as suas peregrinações, os hebreus tiveram a Cristo como seu guia. A rocha ferida tipificava Cristo, que devia ser ferido pelas transgreções dos homens, para que a fonte de salvação pudesse jorrar para todos” (Atos dos Apóstolos, p. 215). 

 

Segunda

            “Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que seja um, como nós somos um” (João 17:21-22). Esses versos bíblicos tem sido uma das bandeiras do movimento ecumênico. Para os ecumenistas a união é necessária para que o mundo creia em Jesus.

            Como adventistas cremos que a união é necessária desde que fundamentada nos princípios bíblicos. Sabemos que a união pregada hoje está fundamentada não na Bíblia, mas sim, em tradições humanas. Como fazer parte de uma união para ir de encontro com os princípios claros exarados na Bíblia?

            O princípio de unidade apresentado por Cristo vai além do imaginário humano. Equipara-se a unidade reinante na Trindade. É algo sublime e encantador e faz nascer em nós uma interrogação: Como conseguir que seres pecadores e falhos sejam unidos uns aos outros tendo a Trindade como modelo? É bom nem pensar em divisão de igrejas e sim imaginar no nosso relacionamento com os demais irmãos de nossa congregação.

            Satanás tem feito de tudo para despertar a desconfiança e a discórdia entre irmãos. E como ele tem avançado nesse terreno! Nunca a oração de Jesus foi tão oportuna como hoje.

 

Terça

            O modelo de união apresentado por Cristo é algo, aparentemente, inatingível, pois nada mais é que o existente entre os membros da Trindade. Ele se apresenta como um desafio diário para cada um de nós. Vejo nessa exortação algo similar com o encontrado em 1 Pedro 1:16: “pois está escrito: "Sejam santos, porque eu sou santo".

            O desafio de ser santo como Deus é santo e de praticarmos uma união semelhante à existente entre os membros da Trindade parece desanimador. A Trindade não foi manchada pelo pecado. Diferente de nós que temos alternância de humor de acordo com as circunstancias, com os membros da Trindade não há “sombra de variação”. Ellen G. White nos anima: Jamais deveria satisfazer-se com uma profissão vazia. Como Deus é santo em Sua esfera, assim deve o homem caído, mediante fé em Cristo, ser santo na sua” (Atos dos Apóstolos, p. 559). 

            O segredo para alcançarmos essa unidade esta em nossa união com Cristo. Pela nossa natureza carnal é impossível qualquer resultado positivo. Mas ao aceitarmos Jesus somos enxertados Nele. Unidos a Ele somos considerados ramos da Videira Verdadeira e como ramos da Videira Verdadeira vamos produzir não os nossos frutos, mas sim, os frutos que a Videira Verdadeira produz.

            Essa união com Cristo deve ser alimentada diariamente. Temos que sugar a plenos sorvos a seiva que nos transforma. A unidade com Cristo é a chave para alcançarmos a unidade entre irmãos.

 

Quarta

            O ato de julgar os outros está associado a um pensamento de superioridade. Em sua oração o fariseu julgou ser superior ao publicano ao mesmo tempo em que julgava o publicano como alguém distante de merecer o favor divino. Jesus nos mostrou o quanto o fariseu estava equivocado.

            O autor da lição esclarece que em alguns casos é necessário falar alguma coisa com alguém. Mas ele esclarece que antes de falarmos temos que encontrar respostas para três perguntas básicas. Em nosso linguajar comum essas três perguntas são três peneiras. (Ver nota da lição). Caso as respostas sejam todas positivas estamos liberados para o comentário. Aquele que antes de qualquer comentário a respeito de alguém usa as três peneiras terá muito pouco ou nada para falar com tal pessoa.

            Qualquer comentário a respeito de alguém deve ser dirigido diretamente a essa pessoa e não a terceiros. Quando comentamos um suposto defeito de alguém com terceiros caímos no profundo abismo da fofoca. E mais do que isso. Estamos destruindo as bases da unidade. Tal postura nos descendência por completo para o Céu.

 

Quinta

            A recomendação bíblica é clara. Uma adoração mesclada de ressentimentos com alguém não é aceita por Deus. Quantos casos existem por ai. Não houve discussão nem desentendimento e às vezes determinada pessoa nem desconfia de que no íntimo nós não a digerimos. Tudo está bem camuflado e parece que vai muito bem obrigado. Mas ao mesmo tempo em que a nossa adoração e o nosso louvor comovem corações, causam náuseas Naquele que nos criou. Antes de irmos para a igreja adorar temos de ir ao encontro da pessoa com a qual temos algum ressentimento, seja de conhecimento público ou presente apenas em nosso íntimo.

            Durante algum tempo me enamorei com uma moça de origem japonesa. Devido a minha origem o namoro jamais seria permitido por sua família. Certa vez, passávamos pela rua Direita em São Paulo. Em dado momento, demonstrando apreensão ela me falou: “Aquele rapaz assim e assim que vem ao nosso encontro é meu irmão mais velho.” Eu respondi: Quer dizer que agora toda a sua família ficará sabendo do nosso namoro. Ela me disse “não”. Amanhã ele vai conversar comigo. Caso continuemos ele chamará um de nossos irmãos e ambos falarão comigo. Caso não surja efeito ele comunica com mais um até que toda a família tome conhecimento e fale comigo. Persistindo a resistência eu perco a condição de parente e daí para frente serei considerada uma pessoa estranha.

            Os japoneses não possuem uma formação evangélica, mas nesse quesito, praticam a risca o princípio bíblico. Infelizmente a nossa tendência e propagar o fato pelos quatro ventos e, às vezes, nem falamos com a pessoa envolvida.

 

Conclusão

            Creio que uma meditação profunda sobre os questionamentos apresentados no rodapé da página do estudo de quinta-feira seria uma boa maneira de encerrarmos o estudo dessa semana.

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