segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Viver como Cristo

Gostou deste artigo? Então clique no botão ao lado para curti-lo! Aproveite para nos adicionar no Facebook e assinar nosso Feed.

Por Carmo Patrocínio Pinto

 

Temos na Lição dessa semana o maior desafio do cristianismo que é viver como Cristo viveu. Todo esse desafio está ligado a uma palavra apenas: Amor. Esse desafio se torna mais evidente quando estudamos que Jesus nos ama tanto que experimentou a morte de cruz para nos salvar. O Seu imperativo bate de frente com a nossa natureza humana: “Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (João 13:15).

É curioso que viver como Cristo viveu se resume em um morrer diário para o mundo. Paulo afirmou: “Cada dia morro.” Parece contraditório ter uma nova vida e estar morrendo diariamente. Isso acontece porque Satanás não está disposto em perder a sua presa. E dia a dia ele nos apresenta fleches de um mundo com a tentativa de fazer reviver em nós o velho homem. Caso não estejamos dispostos a morrer diariamente para o mundo sedo ou mais tarde vamos morrer espiritualmente.

Muitos consideram o novo mandamento apresentado por Jesus como uma substituição de toda a lei de Deus. É necessário lembrar que nos dias de Jesus chamar a atenção dos judeus para os quatro primeiros mandamentos seria chover no molhado. Todos os judeus tinham um respeito para com a divindade conforme o explicitado nos três primeiros mandamentos e o quarto mandamento que fala sobre o sábado era o mais respeitado de todos. Mas o amor ao próximo estava longe de atender os reclamos do restante da lei. Enquanto os judeus enalteciam os quatro primeiros mandamentos estavam odiando os gentios e tramando a morte de Jesus. O mandamento era novo porque amar o próximo como Jesus amou realmente era algo novo para eles.

 Nesta semana Jesus nos mostrou alguns aspectos de Sua vida que Ele espera sejam refletidos na vida de cada um de nós. São aspectos específicos de quem está a caminho da Jerusalém celestial.

Domingo

            Para viver como Cristo é necessário que saibamos como Jesus viveu nessa Terra. Cada um de nós pode fazer uma resenha de como Jesus viveu. E, nesse esforço, vamos concluir que Jesus viveu expressando amor. Amor pelos excluídos, amor pelos enfermos, amor pelos amigos, amor pelos inimigos, amor pelos pecadores. Amor por você e por mim. Para saber como Jesus viveu os evangelhos nos oferecem informações seguras e precisas.

            - Jesus se compadecia das multidões. Em uma multidão provavelmente existisse pessoas de todos os tipos. Independente do que qualquer uma delas sejam Jesus expressou amor igual para com todos.

            Mateus, no capítulo nove, enumera uma serie de milagres e atos de amor demonstrados por Jesus. Vejamos alguns:

- Ele curou um paralítico. (Mateus 9:2).

- Ele convidou o pior dos pecadores, a vista dos homens, para segui-Lo. (Mateus 9:9).

- Curou uma mulher com fluxo de sangue. (Mateus 9:20).

- Ressuscita a filha do chefe da sinagoga. (Mateus 9:25).

- Curou dois cegos. (Mateus 9:29).

- Curou um endemoninhado. (Mateus 9:32).

Ao ver a grande multidão de pessoas carentes de saúde, dominadas pelo maligno e sofrendo com o peso de seus pecados Ele se expressa: “E, vendo as multidões, teve grande compaixão delas, porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor” (Mateus 9:36).

No capítulo 14 Mateus relata a triste história da execução de João Batista. Ao saber da execução Jesus Se retira do meio do povo. Com o coração cheio de amargura Ele procura um lugar isolado. Mas uma multidão sai a Sua procura e, indiferente a dor que o Mestre experimenta, implora por socorro. “E, Jesus, saindo, viu uma grande multidão, e possuído de íntima compaixão para com ela, curou os seus enfermos” (Mateus 14:14).

No capítulo 15, Mateus relata uma sequencia de acirrados embates contra Jesus, promovidos pelos fariseus. Mesmo em um ambiente adverso, repleto de pessoas que O detestavam, Ele, movido de compaixão, efetuou o milagre da multiplicação dos pães. “E Jesus, chamando os seus discípulos, disse: Tenho compaixão da multidão, porque já está comigo há três dias, e não tem o que comer; e não quero despedi-la em jejum, para que não desfaleça no caminho” (Mateus 15:32).

É comum ver nos evangelhos Jesus se compadecer de grandes multidões. Mas Ele demonstrava amor por uma única alma aflita que o procurasse. Marcos relata que antes de Jesus elucidar as dúvidas do jovem rico, Ele o amou. Nem sempre as pessoas vão responder aos nossos gestos de amor como aconteceu com o jovem rico. Muitos ouvem do amor de Cristo, mas esse amor não lhes toca o coração. Independente do resultado a orientação de Jesus é que amemos o próximo como Ele amou.

 

Segunda

Em princípio, "próximo" refere a uma questão de distancia e espaço: estar próximo quem se encontra na proximidade. Apurando mais: está próximo quem não está distante, também alguém de quem não nos mantemos distantes. Logo se vê que não se trata apenas de espaço, mas de uma atitude mental. Até mesmo as relações de parentesco não são suficientes: numa família, podemos ter uns que são mais próximos e, outros, mais afastados, afetiva ou geograficamente. Não era raro ouvir os Judeus orarem agradecendo a Deus por não haver haverem nascido mulher, escravo ou samaritano. Se tornar próximo é uma tarefa a ser cumprida por aqueles que se identificam como cristãos. A jornada de Jerusalém para Jericó pode representar o contexto de toda a nossa existência. Jerusalém representa o Céu e Jericó representa esse mundo de pecado. O homem assaltado descia de Jerusalém para Jericó. O sacerdote e o levita também desciam de Jerusalém para Jericó. Talvez se eles estivessem indo de Jericó para Jerusalém a conduta deles tivesse sido diferente. As atitudes e a aparência dos que “sobem para Jerusalém” deve ser notada pelo mundo ao nosso redor. Jesus deixou isso muito claro. “Mas não o receberam, porque o seu aspecto era como de quem ia a Jerusalém” (Lucas 9:53). A Bíblia não menciona para onde o samaritano estava indo.  Uma atitude de compaixão para com o próximo deve marcar aqueles que caminham rumo à Jerusalém celestial.

Voltando a parábola, o samaritano era oriundo da região norte de Israel enquanto que o assalto ao homem aconteceu na região sul de Israel. Por lógica o samaritano nada tinha a ver com o moribundo.

Alguém escreveu: “Queres saber então quem é o teu próximo? Aproxima-te. Só esse, de quem efetivamente te aproximaste, foi teu próximo. O resto não passou de uma boa intenção. E de boas intenções sabe bem a sabedoria popular o que é que está cheio.”

 

Terça

            Duas coisas nos chamam a atenção no texto de Mateus 25:31-46. O primeiro item é a surpresa que tomará conta da humanidade no grande dia de Malaquias 4:1: “Porque eis que aquele dia vem ardendo como fornalha; todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como a palha; e o dia que está para vir os abrasará, diz o Senhor dos Exércitos, de sorte que lhes não deixará nem raiz nem ramo.”

            Há poucos dias me deparei com um tabloide de uma igreja da prosperidade. Olhei todo o jornal. Foram dezenas de testemunhos de milagres realizados. Nada de doutrina, nada de alertas sobre a proximidade da vinda de Cristo. Em uma meia página estavam as respostas de perguntas feitas pelos leitores. Em uma delas um leitor queria saber qual o significado de uma citação apocalíptica. O “missionário” respondeu mais ou menos assim: “Eu não gosto de me preocupar com os símbolos encontrados no Apocalipse.” E acrescentou: “muitas pessoas se preocupam em saber isso e aquilo do Apocalipse e se esquecem de aprender sobre Cristo.”

            São pregadores que usam a Bíblia não para se salvar e salvar as pessoas. Usam-na apenas como ferramenta para ganhar dinheiro. Parece que o seu amor ao próximo se resume em amar o que o próximo tem no bolso.  Naquele dia eles dirão: “Fizemos muitas maravilhas” e ouvirão um desconsolado: “Não vos conheço.”

 

Quarta

            Essa é a parte mais difícil do estudo dessa semana. Há poucos meses a casa de minha filha foi invadida por três marginais. Eles amarraram as pessoas e as humilharam. A casa ficou em completa desordem. Roubaram dois carros e até mesmo as compras de supermercado. Deram sumiço nas chaves e romperam a linha telefônica. Enquanto saqueavam a casa faziam ameaças e às vezes observações sarcásticas e sorrisos de mofa. Quando eu soube do ocorrido o meu primeiro pensamento foi o desejo de eliminar um a um. Como amar pessoas assim? Jesus não quer saber como. Ele apenas pede que o façamos. E só existe uma maneira de fazermos: É amar os inimigos como Ele nos amou.

            O nosso amor ou repulsa para com uma pessoa só cresce à medida que a conhecemos mais e mais. Quando vejo a minha revolta ao que os bandidos fizeram e fazem, sinto que conheço muito pouco desse Jesus que nos ensinou dizendo: “O amor tudo suporta” (1 Coríntios 13:7).

            Os líderes judeus amavam apenas os seus iguais, considerando que nem mesmo os próprios judeus se sentiam iguais entre si. Segundo historiadores os judeus estavam divididos em, pelo menos oito classes, ou seja: fariseus, saduceus, samaritanos, essênios, herodianos, zelotes, sicários e publicanos. Lembrando que os samaritanos eram oriundos do norte de Israel e, como sofreram muita influência dos povos vizinhos, os judeus do sul não os consideravam judeus. Os publicanos e os samaritanos eram odiados pelos demais judeus. Amar os nossos iguais é o comum entre nós, é caminhar a primeira milha. Temos que aprender a caminhar a segunda milha e, para completar, estar disposto a perdoar setenta vezes sete.

 

Quinta

            A lição da videira é muito forte. Estar ligado à Videira significa viver como a Videira, se nutrir como a Videira, produzir os frutos que a Videira produz e sentir um desejo ardente de que todos os ramos ao nosso redor sejam enxertados na Videira.

            Quando estamos ligados a Cristo as nossas vontades são submetidas a Sua vontade. Os nossos desejos aos Seus desejos. Em suma não vivemos para nós e sim por Cristo.

            Ligados à Videira não vamos alimentar a nossa alma com os alimentos que o mundo oferece, mas sim, com a seiva pura da Videira. Estar ligado à Videira é estar disposto a ser podado de vez em quando conforme o zelo e propósito do Grande Agricultor.

           

Conclusão

            Viver como Jesus viveu é morrer para nós mesmos e permitir que Jesus habite em nós. É permitir que a Sua vida reflita em nós. Essa mudança de pensar e agir é impossível de ser atingida por nós mesmos. Temos que permitir a atuação do Espírito Santo em nossa vida.

 

  

Nenhum comentário:

Postar um comentário