Por Carmo Patrocínio Pinto
Temos
na Lição dessa semana
o maior desafio do cristianismo que é viver como Cristo viveu. Todo esse
desafio está ligado a uma palavra apenas: Amor. Esse desafio se torna mais
evidente quando estudamos que Jesus nos ama tanto que experimentou a morte de
cruz para nos salvar. O Seu imperativo bate de frente com a nossa natureza
humana: “Porque eu vos dei o
exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (João 13:15).
É curioso que viver como Cristo viveu se
resume em um morrer diário para o mundo. Paulo afirmou: “Cada dia morro.”
Parece contraditório ter uma nova vida e estar morrendo diariamente. Isso
acontece porque Satanás não está disposto em perder a sua presa. E dia a dia
ele nos apresenta fleches de um mundo com a tentativa de fazer reviver em nós o
velho homem. Caso não estejamos dispostos a morrer diariamente para o mundo
sedo ou mais tarde vamos morrer espiritualmente.
Muitos consideram o novo mandamento
apresentado por Jesus como uma substituição de toda a lei de Deus. É necessário
lembrar que nos dias de Jesus chamar a atenção dos judeus para os quatro
primeiros mandamentos seria chover no molhado. Todos os judeus tinham um
respeito para com a divindade conforme o explicitado nos três primeiros
mandamentos e o quarto mandamento que fala sobre o sábado era o mais respeitado
de todos. Mas o amor ao próximo estava longe de atender os reclamos do restante
da lei. Enquanto os judeus enalteciam os quatro primeiros mandamentos estavam
odiando os gentios e tramando a morte de Jesus. O mandamento era novo porque
amar o próximo como Jesus amou realmente era algo novo para eles.
Nesta
semana Jesus nos mostrou alguns aspectos de Sua vida que Ele espera sejam
refletidos na vida de cada um de nós. São aspectos específicos de quem está a
caminho da Jerusalém celestial.
Domingo
Para
viver como Cristo é necessário que saibamos como Jesus viveu nessa Terra. Cada
um de nós pode fazer uma resenha de como Jesus viveu. E, nesse esforço, vamos
concluir que Jesus viveu expressando amor. Amor pelos excluídos, amor pelos
enfermos, amor pelos amigos, amor pelos inimigos, amor pelos pecadores. Amor
por você e por mim. Para saber como Jesus viveu os evangelhos nos oferecem
informações seguras e precisas.
-
Jesus se compadecia das multidões. Em uma multidão provavelmente existisse
pessoas de todos os tipos. Independente do que qualquer uma delas sejam Jesus
expressou amor igual para com todos.
Mateus,
no capítulo nove, enumera uma serie de milagres e atos de amor demonstrados por
Jesus. Vejamos alguns:
- Ele curou um paralítico. (Mateus 9:2).
- Ele convidou o pior dos pecadores, a vista
dos homens, para segui-Lo. (Mateus 9:9).
- Curou uma mulher com fluxo de sangue.
(Mateus 9:20).
- Ressuscita a filha do chefe da sinagoga.
(Mateus 9:25).
- Curou dois cegos. (Mateus 9:29).
Ao ver a grande multidão de pessoas carentes
de saúde, dominadas pelo maligno e sofrendo com o peso de seus pecados Ele se
expressa: “E, vendo as multidões, teve grande compaixão delas, porque andavam
cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor” (Mateus
9:36).
No capítulo 14 Mateus relata a triste
história da execução de João Batista. Ao saber da execução Jesus Se retira do
meio do povo. Com o coração cheio de amargura Ele procura um lugar isolado. Mas
uma multidão sai a Sua procura e, indiferente a dor que o Mestre experimenta,
implora por socorro. “E, Jesus, saindo, viu uma grande multidão, e possuído de
íntima compaixão para com ela, curou os seus enfermos” (Mateus
14:14).
No capítulo 15, Mateus relata uma sequencia
de acirrados embates contra Jesus, promovidos pelos fariseus. Mesmo em um
ambiente adverso, repleto de pessoas que O detestavam, Ele, movido de
compaixão, efetuou o milagre da multiplicação dos pães. “E Jesus, chamando os
seus discípulos, disse: Tenho compaixão da multidão, porque já está comigo há
três dias, e não tem o que comer; e não quero despedi-la em jejum, para que não
desfaleça no caminho” (Mateus
15:32).
É comum ver nos evangelhos Jesus se
compadecer de grandes multidões. Mas Ele demonstrava amor por uma única alma
aflita que o procurasse. Marcos relata que antes de Jesus elucidar as dúvidas
do jovem rico, Ele o amou. Nem sempre as pessoas vão responder aos nossos
gestos de amor como aconteceu com o jovem rico. Muitos ouvem do amor de Cristo,
mas esse amor não lhes toca o coração. Independente do resultado a orientação
de Jesus é que amemos o próximo como Ele amou.
Segunda
Em princípio, "próximo" refere a
uma questão de distancia e espaço: estar próximo quem se encontra na
proximidade. Apurando mais: está próximo quem não está distante, também alguém
de quem não nos mantemos distantes. Logo se vê que não se trata apenas de
espaço, mas de uma atitude mental. Até mesmo as relações de parentesco não são
suficientes: numa família, podemos ter uns que são mais próximos e, outros,
mais afastados, afetiva ou geograficamente. Não era raro ouvir os Judeus orarem
agradecendo a Deus por não haver haverem nascido mulher, escravo ou samaritano.
Se tornar próximo é uma tarefa a ser cumprida por aqueles que se
identificam como cristãos. A jornada de
Jerusalém para Jericó pode representar o contexto de toda a nossa existência.
Jerusalém representa o Céu e Jericó representa esse mundo de pecado. O homem
assaltado descia de Jerusalém para Jericó. O sacerdote e o levita também
desciam de Jerusalém para Jericó. Talvez se eles estivessem indo de Jericó para
Jerusalém a conduta deles tivesse sido diferente. As atitudes e a aparência dos
que “sobem para Jerusalém” deve ser notada pelo mundo ao nosso redor. Jesus
deixou isso muito claro. “Mas não o receberam, porque o seu aspecto era como de
quem ia a Jerusalém” (Lucas
9:53). A Bíblia não menciona para onde o
samaritano estava indo. Uma atitude de
compaixão para com o próximo deve marcar aqueles que caminham rumo à Jerusalém
celestial.
Voltando a parábola, o samaritano era oriundo
da região norte de Israel enquanto que o assalto ao homem aconteceu na região
sul de Israel. Por lógica o samaritano nada tinha a ver com o moribundo.
Alguém escreveu: “Queres saber então quem é o teu próximo? Aproxima-te. Só
esse, de quem efetivamente te aproximaste, foi teu próximo. O resto não passou
de uma boa intenção. E de boas intenções sabe bem a sabedoria popular o que é
que está cheio.”
Terça
Duas coisas nos chamam a atenção no
texto de Mateus 25:31-46. O primeiro item é a surpresa que tomará conta da
humanidade no grande dia de Malaquias 4:1: “Porque eis que aquele dia vem ardendo como fornalha;
todos os soberbos, e todos os que cometem impiedade, serão como a palha; e o
dia que está para vir os abrasará, diz o Senhor dos Exércitos, de sorte que
lhes não deixará nem raiz nem ramo.”
Há
poucos dias me deparei com um tabloide de uma igreja da prosperidade. Olhei
todo o jornal. Foram dezenas de testemunhos de milagres realizados. Nada de
doutrina, nada de alertas sobre a proximidade da vinda de Cristo. Em uma meia
página estavam as respostas de perguntas feitas pelos leitores. Em uma delas um
leitor queria saber qual o significado de uma citação apocalíptica. O
“missionário” respondeu mais ou menos assim: “Eu não gosto de me preocupar com
os símbolos encontrados no Apocalipse.” E acrescentou: “muitas pessoas se
preocupam em saber isso e aquilo do Apocalipse e se esquecem de aprender sobre
Cristo.”
São
pregadores que usam a Bíblia não para se salvar e salvar as pessoas. Usam-na
apenas como ferramenta para ganhar dinheiro. Parece que o seu amor ao próximo
se resume em amar o que o próximo tem no bolso.
Naquele dia eles dirão: “Fizemos muitas maravilhas” e ouvirão um
desconsolado: “Não vos conheço.”
Quarta
Essa
é a parte mais difícil do estudo dessa semana. Há poucos meses a casa de minha
filha foi invadida por três marginais. Eles amarraram as pessoas e as
humilharam. A casa ficou em completa desordem. Roubaram dois carros e até mesmo
as compras de supermercado. Deram sumiço nas chaves e romperam a linha
telefônica. Enquanto saqueavam a casa faziam ameaças e às vezes observações
sarcásticas e sorrisos de mofa. Quando eu soube do ocorrido o meu primeiro
pensamento foi o desejo de eliminar um a um. Como amar pessoas assim? Jesus não
quer saber como. Ele apenas pede que o façamos. E só existe uma maneira de
fazermos: É amar os inimigos como Ele nos amou.
O
nosso amor ou repulsa para com uma pessoa só cresce à medida que a conhecemos
mais e mais. Quando vejo a minha revolta ao que os bandidos fizeram e fazem,
sinto que conheço muito pouco desse Jesus que nos ensinou dizendo: “O amor tudo
suporta” (1 Coríntios 13:7).
Os
líderes judeus amavam apenas os seus iguais, considerando que nem mesmo os
próprios judeus se sentiam iguais entre si. Segundo historiadores os judeus
estavam divididos em, pelo menos oito classes, ou seja: fariseus, saduceus,
samaritanos, essênios, herodianos, zelotes, sicários e publicanos. Lembrando
que os samaritanos eram oriundos do norte de Israel e, como sofreram muita
influência dos povos vizinhos, os judeus do sul não os consideravam judeus. Os
publicanos e os samaritanos eram odiados pelos demais judeus. Amar os nossos
iguais é o comum entre nós, é caminhar a primeira milha. Temos que aprender a
caminhar a segunda milha e, para completar, estar disposto a perdoar setenta
vezes sete.
Quinta
A
lição da videira é muito forte. Estar ligado à Videira significa viver como a
Videira, se nutrir como a Videira, produzir os frutos que a Videira produz e
sentir um desejo ardente de que todos os ramos ao nosso redor sejam enxertados
na Videira.
Quando
estamos ligados a Cristo as nossas vontades são submetidas a Sua vontade. Os
nossos desejos aos Seus desejos. Em suma não vivemos para nós e sim por Cristo.
Ligados
à Videira não vamos alimentar a nossa alma com os alimentos que o mundo
oferece, mas sim, com a seiva pura da Videira. Estar ligado à Videira é estar
disposto a ser podado de vez em quando conforme o zelo e propósito do Grande
Agricultor.
Conclusão
Viver
como Jesus viveu é morrer para nós mesmos e permitir que Jesus habite em nós. É
permitir que a Sua vida reflita em nós. Essa mudança de pensar e agir é
impossível de ser atingida por nós mesmos. Temos que permitir a atuação do
Espírito Santo em nossa vida.
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