sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Nossa missão

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Comentário da Lição da Escola Sabatina de vinte a trinta de agosto de dois mil e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia-Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

            Na Meditação desse ano o pastor Amin Rodor apresenta o resultado de uma pesquisa realizada nos Estados Unidos. A pergunta era: “Caso você encontrasse Deus que pergunta você faria a Ele?” Dos entrevistados 34% desejariam saber “qual é o meu propósito nesse mundo?” Entre outros questionamentos esse foi o que despertou mais curiosidade. (Meditação Encontros com Deus, p. 235).

            A Bíblia é clara quanto a essa questão. Não estamos aqui por acaso. Cada ser humano faz parte do projeto divino de um mundo habitado por seres santos. Satanás abriu um parêntese nesse projeto. O plano de Deus é erradicar o pecado e nos devolver a vida eterna. Para que isso aconteça três coisas vieram à tona: Primeiro, Ele elaborou um projeto de salvação para todo o ser humano. Em segundo lugar, faz parte do projeto que todo o ser humano tome conhecimento dele e, em terceiro lugar, Ele nos dá a oportunidade de participar desse projeto: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2:9). Essa é a resposta de Deus ao questionamento do “por que” de nossa existência.

            Ellen G. White completa: “Todo verdadeiro discípulo nasce no reino de Deus como um missionário. Assim que vem a conhecer o Salvador, desejam levar os outros em contato com Ele. A santificadora verdade não pode ficar encerrada em seu coração. Aquele que bebe da água viva torna-se uma fonte de vida” (A Ciência do Bom Viver, p. 102).

            A Lição dessa semana enfatiza essa missão outorgada a nós pecadores. Deus não usa diretamente seres santos como os anjos para anunciar o plano de salvação para a humanidade. Ele espera que nós pecadores, que um dia experimentamos as alegrias da salvação, compartilhemos com o nosso próximo essa magnífica experiência. A lição dessa semana nos oferece orientações de como sermos eficientes nesse empreendimento divino.

 

Domingo

            É curioso que antes de Jesus ordenar que deixemos a nossa luz brilhar Ele apresenta as nove bem-aventuranças que deve fluir de todo o servo de Deus. Viver as nove bem aventuranças é fazer a nossa luz brilhar. Ser a luz do mundo é irradiar uma vida de intima relação com Cristo de tal modo que as pessoas vejam em nós Aquele que é a Luz do mundo. Ser a luz do mundo é sermos instrumentos refletores da luz que irradia da cruz.

            Depois de Jesus apresentar as bem-aventuranças e antes de ordenar que sejamos a luz do mundo Ele faz uma afirmação curiosa. Disse Ele: “Vós sois o sal da Terra, e se o sal for insípido, como se há de salgar?” (Mateus 5:13). O sal possui duas qualidades especiais. Ele preserva os alimentos e, usado de maneira sábia, dá sabor. Como servos de Cristo temos uma tríplice função neste mundo, ou seja: Primeiro viver o que nos leva a desfrutar das nove bem-aventuranças. Em segundo lugar devemos ser o sal que preserva o mundo de iminente perda total. Em terceiro lugar somos convidados a dar sabor a nossa vida e na vida de quem estiver ao nosso redor. E quando estivermos vivendo essas três situações estaremos aptos a sermos a luz do mundo.

            Jesus pede para que sejamos luz porque o mundo está envolto em trevas espirituais. Diz ele: “Porque eis que as trevas cobriram a Terra e a escuridão os povos” (Isaias 60:2). Enquanto isso aquele que aceita a luz do evangelho se transforma em luz como afirma o texto logo a seguir: “Mas sobre ti o Senhor virá surgindo, e a Sua glória se verá sobre ti” (Isaias 60:2). Que privilégio! Refletir a luz de Cristo.

Existe um lamento sobre aqueles que recusam refletir a luz de Cristo: “Se, portanto, a luz que há em ti são trevas, quão grande serão tais trevas” (Mateus 6:23).

 

Segunda

            Após a morte de Cristo o medo levou os discípulos a se enclausurarem sob sete chaves. Mesmo entre eles a ideia de que seriam os propagadores da mensagem de salvação era algo inadmissível. Como sair da toca e anunciar a plenos pulmões que o Jesus morto pelos judeus era o salvador prometido e ressurreto? Aparentemente seria uma audaciosa tentativa de suicídio. Era colocar o pescoço à degola.

            Imaginemos, nós, enfrentado a mesma situação deles. Sairíamos pregando nas sinagogas e nas esquinas que Jesus era o Cristo vindo dos céus? Humanamente falando a ordem de Jesus era impraticável. Obedecê-la seria suicídio.

 Jesus sabia da debilidade de cada discípulo e do risco envolvido. Em Sua sabedoria Ele deu a solução. Disse Ele: “Mas fiquem na cidade (Jerusalém) até serem revestidos do poder do alto” (Lucas 24:48). ||Português: Nova Versão Internacional||Lucas||24||49Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra” (Atos 1:8). O Espírito Santo proveu duas coisas para os discípulos. Primeiro, lhes ofereceu coragem para falar ousadamente sobre Cristo e, em segundo lugar, lhes ofereceu coragem para, um pouco mais tarde, morrerem martirizados por Cristo.

Duas coisas são necessárias para que sejamos testemunhas de Cristo. Primeiro, manter um relacionamento íntimo com Ele. E em segundo lugar, clamar pelo Espírito Santo. Ser testemunhas de Cristo é partilhar com o mundo o que Ele tem feito por nós e em nós.

 

Terça

Jesus foi enviado do Céu para viver entre nós. Ele deveria mostrar para o mundo o amor de Deus por cada pecador. Sendo Ele a Luz do mundo deveria iluminar o caminho que conduz ao Céu. É curioso que Jesus faz da pregação do evangelho uma corrida de revezamento.  Disse Ele: “Assim como o Pai me enviou, eu os envio” (João 20:21).

Desde que a tocha do evangelho foi arvorada no Calvário ||Português: Nova Versão Internacional||João||20||21 ela tem passado de mão em mão e, graças a esse processo, ela chegou até nós. Caso recusemos carregá-la e passá-la adiante estaremos traindo Aquele que “nos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz”.

Todos nós fomos chamados para a salvação. Esse chamado vem acompanhado de um IDE.  Jesus nos envia ao encontro dos pecadores. Somos os canais por onde Deus espera comunicar a Sua misericórdia a todo o ser humano. Gosto da expressão bíblica onde diz: “Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João.” (João 1:6). Quantos homens foram enviados por Deus em favor da humanidade. Não faltam exemplos: Noé, Moisés, José, Abraão, Isaias e tantos outros.

Que sejam registradas sobre cada um de nós as palavras referidas a João. Houve um homem enviado de Deus cujo nome era Carmo, Maria, Antônio, Severino etc., etc. e etc.

 

Quarta

Jesus não está preocupado em que eu seja membro de uma Igreja. O importante não é ser membro é ser discípulo. E mais importante ainda do que ser discípulo é ser um fazedor de discípulos.

O IDE é um desafio para todos nós que um dia foi alcançado pelas maravilhas do evangelho. Testemunhar para o mundo o que Jesus fez e faz por nós é a razão de sermos um membro da igreja. Posso ser um membro da Igreja por décadas e, quem sabe nunca ter experimentado o que é ser discípulo. Ser discípulo é fazer discípulos.

Um dia alguém tocado pelo Espírito Santo me convidou para palmilhar esse novo caminho e ao mesmo tempo me incentivou a levar outras pessoas a Jesus. Testemunhar e fazer discípulos são a dinâmica do cristianismo. Participar dela é um privilégio.

 

Quinta

            Enquanto escrevo esse comentário a minha atenção é desviada para alguns acontecimentos noticiados pelos meios de comunicação. Na África o Ébola já tirou a vida de mais de mil pessoas. No Oriente Médio os ânimos estão exaltados ao máximo. Bombas semeiam medo, angústia, mortes e separações. Crimes, os mais bizarros nos assustam a cada dia. Diante de tanta calamidade uma pergunta salta de muitos lábios: Até quando?

            Bem, enquanto eu permanecer na igreja apenas alimentando o meu indiferentismo para com aqueles que vivem em trevas, infelizmente essas coisas vão perdurar.  Jesus foi claro: “E este evangelho será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim” (Mateus 24:14). Desejamos ver o fim do sofrimento no mundo? Preguemos o evangelho.

            Os versos de Apocalipse 14:6 -12 era o texto preferido de minha mãe. Realmente é bonito ver essa sequência de anjos voando pelo meio do Céu anunciando o evangelho eterno. Apenas de um detalhe não podemos nos esquecer. Esses anjos somos nós. E se estamos inativos e desinteressados em fazer discípulos, Deus nos descartará e procurará outras pessoas mais dignas do que nós.

 

Conclusão


            Ellen G. White afirma: “Todo verdadeiro discípulo nasce no reino de Deus como missionário” (O desejado de Todas as Nações, p195). Caso você se julga um discípulo de Cristo, mas não está completamente envolvido na tarefa de fazer discípulos, cuidado! A sua conversão talvez tenha sido um grande equívoco.

 

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