Comentário
da Lição da Escola Sabatina de vinte a trinta de agosto de dois mil e quatorze,
preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança e autor de
Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista é membro
da Igreja Adventista do Sétimo Dia-Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Na Meditação desse ano o pastor Amin
Rodor apresenta o resultado de uma pesquisa realizada nos Estados Unidos. A
pergunta era: “Caso você encontrasse Deus que pergunta você faria a Ele?” Dos
entrevistados 34% desejariam saber “qual é o meu propósito nesse mundo?” Entre
outros questionamentos esse foi o que despertou mais curiosidade. (Meditação
Encontros com Deus, p. 235).
A Bíblia é clara quanto a essa
questão. Não estamos aqui por acaso. Cada ser humano faz parte do projeto
divino de um mundo habitado por seres santos. Satanás abriu um parêntese nesse
projeto. O plano de Deus é erradicar o pecado e nos devolver a vida eterna.
Para que isso aconteça três coisas vieram à tona: Primeiro, Ele elaborou um
projeto de salvação para todo o ser humano. Em segundo lugar, faz parte do
projeto que todo o ser humano tome conhecimento dele e, em terceiro lugar, Ele
nos dá a oportunidade de participar desse projeto: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação
santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou
das trevas para a sua maravilhosa luz” (1
Pedro 2:9). Essa é a resposta de Deus ao
questionamento do “por que” de nossa existência.
Ellen
G. White completa: “Todo verdadeiro discípulo nasce no reino de Deus como um missionário.
Assim que vem a conhecer o Salvador, desejam levar os outros em contato com
Ele. A santificadora verdade não pode ficar encerrada em seu coração. Aquele
que bebe da água viva torna-se uma fonte de vida” (A Ciência do Bom Viver, p.
102).
A
Lição dessa semana enfatiza essa missão outorgada a nós pecadores. Deus não usa
diretamente seres santos como os anjos para anunciar o plano de salvação para a
humanidade. Ele espera que nós pecadores, que um dia experimentamos as alegrias
da salvação, compartilhemos com o nosso próximo essa magnífica experiência. A
lição dessa semana nos oferece orientações de como sermos eficientes nesse
empreendimento divino.
Domingo
É
curioso que antes de Jesus ordenar que deixemos a nossa luz brilhar Ele
apresenta as nove bem-aventuranças que deve fluir de todo o servo de Deus.
Viver as nove bem aventuranças é fazer a nossa luz brilhar. Ser a luz do mundo
é irradiar uma vida de intima relação com Cristo de tal modo que as pessoas
vejam em nós Aquele que é a Luz do mundo. Ser a luz do mundo é sermos
instrumentos refletores da luz que irradia da cruz.
Depois
de Jesus apresentar as bem-aventuranças e antes de ordenar que sejamos a luz do
mundo Ele faz uma afirmação curiosa. Disse Ele: “Vós sois o sal da Terra, e se
o sal for insípido, como se há de salgar?” (Mateus 5:13). O sal possui duas
qualidades especiais. Ele preserva os alimentos e, usado de maneira sábia, dá
sabor. Como servos de Cristo temos uma tríplice função neste mundo, ou seja:
Primeiro viver o que nos leva a desfrutar das nove bem-aventuranças. Em segundo
lugar devemos ser o sal que preserva o mundo de iminente perda total. Em
terceiro lugar somos convidados a dar sabor a nossa vida e na vida de quem
estiver ao nosso redor. E quando estivermos vivendo essas três situações
estaremos aptos a sermos a luz do mundo.
Jesus
pede para que sejamos luz porque o mundo está envolto em trevas espirituais.
Diz ele: “Porque eis que as trevas cobriram a Terra e a escuridão os povos”
(Isaias 60:2). Enquanto isso aquele que aceita a luz do evangelho se transforma
em luz como afirma o texto logo a seguir: “Mas sobre ti o Senhor virá surgindo,
e a Sua glória se verá sobre ti” (Isaias 60:2). Que privilégio! Refletir a luz
de Cristo.
Existe um
lamento sobre aqueles que recusam refletir a luz de Cristo: “Se, portanto, a
luz que há em ti são trevas, quão grande serão tais trevas” (Mateus 6:23).
Segunda
Após a morte de Cristo o medo levou os discípulos a
se enclausurarem sob sete chaves. Mesmo entre eles a ideia de que seriam os
propagadores da mensagem de salvação era algo inadmissível. Como sair da toca e
anunciar a plenos pulmões que o Jesus morto pelos judeus era o salvador
prometido e ressurreto? Aparentemente seria uma audaciosa tentativa de
suicídio. Era colocar o pescoço à degola.
Imaginemos,
nós, enfrentado a mesma situação deles. Sairíamos pregando nas sinagogas e nas
esquinas que Jesus era o Cristo vindo dos céus? Humanamente falando a ordem de
Jesus era impraticável. Obedecê-la seria suicídio.
Jesus sabia da debilidade de cada discípulo e
do risco envolvido. Em Sua sabedoria Ele deu a solução. Disse Ele: “Mas
fiquem na cidade (Jerusalém) até serem revestidos do poder do alto” (Lucas
24:48).
“Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e
serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os
confins da terra” (Atos 1:8). O Espírito Santo proveu duas coisas para os
discípulos. Primeiro, lhes ofereceu coragem para falar ousadamente sobre Cristo
e, em segundo lugar, lhes ofereceu coragem para, um pouco mais tarde, morrerem
martirizados por Cristo.
Duas coisas são necessárias para que sejamos testemunhas de
Cristo. Primeiro, manter um relacionamento íntimo com Ele. E em segundo lugar,
clamar pelo Espírito Santo. Ser testemunhas de Cristo é partilhar com o mundo o
que Ele tem feito por nós e em nós.
Terça
Jesus foi enviado do Céu para viver entre nós. Ele deveria mostrar
para o mundo o amor de Deus por cada pecador. Sendo Ele a Luz do mundo deveria
iluminar o caminho que conduz ao Céu. É curioso que Jesus faz da pregação do
evangelho uma corrida de revezamento.
Disse Ele: “Assim como o Pai me enviou, eu os envio” (João 20:21).
Desde que a tocha do evangelho foi arvorada no Calvário ela tem passado de mão em mão e, graças a
esse processo, ela chegou até nós. Caso recusemos carregá-la e passá-la adiante
estaremos traindo Aquele que “nos chamou das trevas para a Sua maravilhosa
luz”.
Todos nós fomos chamados para a salvação. Esse chamado vem acompanhado de
um IDE. Jesus nos envia ao encontro dos
pecadores. Somos os canais por onde Deus espera comunicar a Sua misericórdia a
todo o ser humano. Gosto da expressão bíblica onde diz: “Houve um homem enviado
de Deus, cujo nome era João.” (João 1:6). Quantos
homens foram enviados por Deus em favor da humanidade. Não faltam exemplos:
Noé, Moisés, José, Abraão, Isaias e tantos outros.
Que sejam registradas sobre cada um de nós as palavras referidas a
João. Houve um homem enviado de Deus cujo nome era Carmo, Maria, Antônio,
Severino etc., etc. e etc.
Quarta
Jesus não está preocupado em que eu seja membro de uma Igreja. O
importante não é ser membro é ser discípulo. E mais importante ainda do que ser
discípulo é ser um fazedor de discípulos.
O IDE é um desafio para todos nós que um dia foi alcançado pelas
maravilhas do evangelho. Testemunhar para o mundo o que Jesus fez e faz por nós
é a razão de sermos um membro da igreja. Posso ser um membro da Igreja por
décadas e, quem sabe nunca ter experimentado o que é ser discípulo. Ser
discípulo é fazer discípulos.
Um dia alguém tocado pelo Espírito Santo me convidou para
palmilhar esse novo caminho e ao mesmo tempo me incentivou a levar outras
pessoas a Jesus. Testemunhar e fazer discípulos são a dinâmica do cristianismo.
Participar dela é um privilégio.
Quinta
Enquanto escrevo esse comentário a minha
atenção é desviada para alguns acontecimentos noticiados pelos meios de
comunicação. Na África o Ébola já tirou a vida de mais de mil pessoas. No
Oriente Médio os ânimos estão exaltados ao máximo. Bombas semeiam medo, angústia,
mortes e separações. Crimes, os mais bizarros nos assustam a cada dia. Diante
de tanta calamidade uma pergunta salta de muitos lábios: Até quando?
Bem, enquanto eu
permanecer na igreja apenas alimentando o meu indiferentismo para com aqueles
que vivem em trevas, infelizmente essas coisas vão perdurar. Jesus foi claro: “E este evangelho será
pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim”
(Mateus 24:14). Desejamos ver o fim do sofrimento no mundo? Preguemos o
evangelho.
Os versos de
Apocalipse 14:6 -12 era o texto preferido de minha mãe. Realmente é bonito ver
essa sequência de anjos voando pelo meio do Céu anunciando o evangelho eterno.
Apenas de um detalhe não podemos nos esquecer. Esses anjos somos nós. E se
estamos inativos e desinteressados em fazer discípulos, Deus nos descartará e
procurará outras pessoas mais dignas do que nós.
Conclusão
Ellen G. White afirma: “Todo
verdadeiro discípulo nasce no reino de Deus como missionário” (O desejado de
Todas as Nações, p195). Caso você se julga um discípulo de Cristo, mas não está
completamente envolvido na tarefa de fazer discípulos, cuidado! A sua conversão
talvez tenha sido um grande equívoco.
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