Comentário
da Lição da Escola Sabatina de treze a vinte de setembro de dois mil e
quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto, ex-diretor do Jornal Esperança
e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista
é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga.
Introdução
Na época em que fazíamos
o Jornal Esperança decidimos elaborar uma edição especial sobre a morte e a
ressurreição para ser distribuída no dia de finados. Nesse dia especial fui de
manhã para a porta do cemitério de Taguatinga, DF. Ao concluir a distribuição
do Jornal ali resolvi dar uma volta dentro do cemitério. Naquele passeio me
deparei com um quadro curioso. Um senhor, junto de um túmulo, tentava ascender
uma vela. Como ventava muito ele protegia a bruxuleante chama com um dos
jornais que ele recebeu no portão. Fiquei imaginando: caso ele tivesse lido as
mensagens contidas no Jornal ele não estaria tendo aquela trabalheira naquele
momento. As velas seriam dispensadas.
Como adventistas do sétimo dia temos
um posição clara e irretocável da condição do homem na morte e essa posição não
é criação nossa, mas é o que encontramos na Palavra de Deus.
Quando eu era criança um dos meus
versículos preferidos era o que se encontra em João 11:35. Onde lemos: “Jesus
chorou”. Esse era um dos versículos de minha preferência não pelo seu conteúdo
e sim porque é um dos mais fáceis de decorar. Hoje vejo que ele encerra uma
grande mensagem. Jesus chorou porque naquele momento, ao ver as pessoas
chorarem, Ele viu claramente a tragédia que o pecado causou na humanidade. E mais: Ele, o doador da
vida, sabia que a morte era o quinhão de todo o ser humano porque “... da mesma
forma como o pecado entrou no mundo por um homem, e pelo pecado a morte, assim
também a morte veio a todos os homens, porque todos pecaram” (Romanos
5:12). Ele chorou porque sabia que,
semelhante a Lázaro, em breve Ele também morreria. Morreria para nos livrar da
morte eterna. Ele sabia que poucos entenderiam o Seu sacrifício. Pela Sua morte
um dia poderemos cantar: "Tragada foi a morte pela vitória" (1
Coríntios 15:57).
Quando
em vida entre nós, Jesus deu preciosas orientações sobre o futuro de cada ser
humano depois da morte. Em uma de Suas lições Ele desmascara Satanás que, em
seu primeiro sermão lá no Éden, murmurou: “Certamente não morrerás” (Gênesis
3:4). Diante de um mundo que se deixa levar pelos enganos do inimigo é
necessário que, como adventistas do sétimo dia, anunciemos que o homem é
mortal, porém o plano de Deus é a vida eterna para todos os que crerem Nele.
Domingo
Enquanto
escrevia esse comentário recebi a noticia da morte de um pioneiro de nossa
igreja. Por mais santificada que tenha sido a sua vida ele, semelhante a todos
os seres humanos que passaram pela terra, aguardará no túmulo o soar da
trombeta de Deus.
Quanto
à morte existem algumas crenças que envolvem as pessoas que não tomam a Bíblia
como fonte de conhecimento sobre o assunto. Enquanto a maioria acredita que o
ser humano uma vez morto permanece vivo em algum local do Universo, outros
acreditam que a morte é o fim de tudo. Segundo esse último grupo, quem morre
está inconsciente e jamais voltará à vida. A Bíblia ensina diferente. Jesus
afirmou: “A morte é um sono.” Quem dorme está inconsciente, mas um dia
acordará. Essa é a verdade que nos
difere dos dois grupos citados. Graças a essa verdade temos a esperança de uma
vida além túmulo. Disse Paulo: “Se cremos que Jesus morreu e ressurgiu, cremos
também que Deus trará, mediante Jesus e com ele, aqueles que nele dormiram”
(Tessalonicenses 4:14). “Pois os vivos sabem que morrerão, mas os mortos nada
sabem; para eles não haverá mais recompensa, e já não se tem lembrança deles”
(Eclesiastes 9:5). E mais: “Se cremos que Jesus morreu e ressurgiu, cremos
também que Deus trará, mediante Jesus e com ele, aqueles que nele dormiram”
(Tessalonicenses 4:14).
Segunda
Aquele
que nos deu a vida é a Fonte da vida. Não fomos criados para morrer. Diante das
insinuações de Satanás a morte foi uma escolha que fizemos ao aceitarmos a sua
grande mentira: “Certamente não morrereis” (Gênesis 3:4).
Nós
acreditamos em um Jesus que, segundo as Escrituras, viveu, morreu e ressuscitou
porque tem vida em Si mesmo. A morte foi um parêntese no cronograma divino. O
sonho de Deus de uma vida eterna para os Seus filhos será em breve
concretizado. Hoje o nosso irmão Manoel Rocha dorme como estão dormindo Abraão,
Davi e milhares que descansaram no Senhor. A promessa de Deus é: “Num
momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta. Pois a
trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos
transformados” (1 Coríntios 15:52).
O soar da última
trombeta decretará o fim da morte para os filhos de Deus. Que experiência nos
aguarda! Tornarmos à vida para nunca mais morrer.
“Quando, porém, o que é corruptível se revestir de incorruptibilidade e o que é
mortal de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: "Tragada
foi a morte na vitória"” (1 Coríntios 15:54).
Terça
Temos
que decidir sobre o nosso destino eterno
enquanto estamos vivos. A morte
sela o nosso futuro eterno. Hoje é comum a intercessão em favor de pessoas que
morreram. Satanás incutiu na mente da humanidade que pessoas ímpias que durante
toda a sua vida foram rebeldes ao convite divino têm uma oportunidade depois de
mortas, inclusive independente de sua vontade. Basta que alguém interceda por
elas. É impressionante até onde vão às astucias do inimigo.
Quando eu tinha cinco anos de idade comecei a
frequentar a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Certa vez alguém estava
ministrando o serviço de cântico antes do inicio do culto. Observei que um irmão
mencionava o número de um hino e a congregação cantava. Eu estava sentado no
último banco que consistia de uma tábua apoiada em alguma coisa. Foi então que
mencionei o número cinquenta. Eu não sabia qual era o hino e nem mesmo se tinha
esse número no hinário. O oficiante pediu que a congregação ficasse de pé. Ao
ver os membros se colocando de pé imaginei que tivesse aprontado uma grande
confusão na igreja. Envergonhado me escondi debaixo da tábua enquanto a
congregação cantava “Face a face eu hei de vê-Lo.” (444 do Hinário Adventista).
Eu sei que um dia estarei “face a face” com
Jesus. Acreditando ou não “...todos nós devemos comparecer perante o tribunal
de Cristo, para que cada um receba de acordo com as obras praticadas por meio
do corpo, quer sejam boas quer sejam más” (2 Coríntios 5:10). Naquele dia
ninguém terá como se esconder. As minhas escolhas hoje estão determinando qual
será a minha situação naquele grande dia.
Quarta
Muitos
ao lerem o texto que narra a história pós morte do rico e Lázaro, se esquecem
de que se trata de uma parábola. Essa parábola nada tem a ver com a existência
de um inferno ou purgatório. O objetivo de Jesus em contar essa parábola foi
esclarecer que é em vida que vamos decidir o nosso futuro eterno como é
esclarecido nos versos 27 30 do mesmo capítulo 16. Veja que ela apresenta
algumas incoerências estapafúrdias como essa: Como seria o Céu caso os
habitantes ali estivessem presenciando as agruras dos ímpios no lago de fogo? Esse céu seria realmente um céu?
O
inferno não é um lugar de sofrimento eterno. Caso fosse Deus não seria Deus. A
Bíblia apresenta o inferno como cemitério. “E deu o mar os mortos que nele
havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados
cada um segundo as suas obras” (Apocalipse 20:13-14). Caso o inferno fosse um
lugar de sofrimento, como os ímpios estariam vivos nele?
Por
vezes a Bíblia apresenta o inferno como o momento em que os ímpios serão
eliminados. É bom entender que o inferno como local de destruição dos ímpios
não existe a não ser que entendamos como inferno o processo de purificação de
toda a terra por ocasião da descida da Cidade Santa. Mais do que um local, o
inferno retrata o processo de destruição da morte, do pecado e do seu
originador. “Então
a morte e o Hades (Inferno) foram lançados no lago de fogo. O lago de fogo é a
segunda morte” (Apocalipse 20:14).
Quinta
Provavelmente Paulo estivesse pregando
para alguns saduceus convertidos quando proferiu as palavras de 1 Coríntios
15:17-20. Os saduceus era um grupo de judeus que não acreditava na
ressurreição. Para Paulo eles eram os mais miseráveis dos homens. Estavam
perdendo tempo na igreja.
Realmente Paulo
tinha razão. Tendo em vista que o fim de todos os homens é a morte, frequentar
a igreja para que se não acreditavam na ressurreição?
Os corpos dos
grandes líderes religiosos que surgiram ao longo da história do mundo estão
guardados cada um em seu túmulo. Apena o túmulo de Jesus está vazio. E esse
túmulo vazio é a nossa garantia de ressurreição. Cremos em um Jesus
ressuscitado que está no Céu e em breve voltará trazendo a vida para todos
aqueles que creram em Seu nome.
Em breve o Doador da vida erguerá a Sua voz e dirá para
todos os santos que morreram do Éden ate hoje: “Sai para fora.” Então o coro dos
redimidos fará tremer a terra. “Quando, porém, o que é corruptível se revestir
de incorruptibilidade e o que é mortal de imortalidade, então se cumprirá a
palavra que está escrita: "Tragada foi a morte na vitória " (1
Coríntios 15:54).
Conclusão
É
impressionante como a mentira pregada no Éden tem ganhado espaço nos púlpitos
das igrejas hoje. O nefasto sermão de Satanás tem invadido a mídia e flui de
pregadores com a Bíblia nas mãos. O “não morrerás” está levando milhões para a
morte eterna.
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