Comentário
da Lição da Escola Sabatina de trinta de agosto a seis de setembro de dois mil
e quatorze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto ex-diretor do Jornal Esperança
e autor de Reavivar a Esperança, uma meditação para qualquer ano. O comentarista
é membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Muitos
questionam o fato que nem Jesus nem os discípulos mencionaram explicitamente o
sábado como dia de repouso e, fazem desse pormenor, uma razão contundente para
a não observância do sábado. Seria bom que, antes de entrarmos no estudo dessa
semana focássemos alguns aspectos desse equívoco.
Jesus falar explicitamente da
importância de se observar o sábado seria não só chover no molhado como
reforçar muitas tradições que os judeus criaram para a observância do
sábado. Dois aspectos devem ser
observados no comportamento dos judeus quanto à observância da lei. Primeiro
eles davam uma ênfase muito grande nos quatro primeiros mandamentos. Veja que
um dos motivos pelos quais eles sacrificaram a Jesus foi o ato de blasfêmia.
Quanto ao sábado eles criaram inúmeras regras de como observá-lo, coisa que não
acontece com os demais mandamentos. Enquanto isso eles mimetizavam os demais
mandamentos que disciplinam a nossa relação com o próximo. Essa discrepância
chegou a tal ponto que Jesus contou a parábola do Bom Samaritano.
Outro ponto importante a observar é:
uma ovelha que, em um dia de sábado caísse em um despenhadeiro poderia ser
salva mesmo no sábado, não pelo cuidado para com a ovelha, mas pelo prejuízo
financeiro que a sua morte representaria. O mesmo aconteceu com o quinto
mandamento. Quando o filho poderia negligenciar o cuidado de seu pai caso
tivesse prometido oferecer o mesmo valor em ofertas no templo. Jesus contestou
esse modo de observância dos mandamentos.
O Salvador foi enfático quanto à vigência eterna de toda a lei e quanto
ao perigo de menosprezar um único mandamento. "Não
pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir” (Mateus
5:17). Esse “cumprir” a lei nada tem a ver em terminar com ela, mas sim Se
submeter a ela. Em Tiago 2:10 lemos: “que quem tropeçar em um só ponto
será culpado de todos”.
Caso
a lei fosse anulada por Cristo teríamos um mundo sem normas e sem princípios e
não haveria necessidade de um Salvador e muito menos de igreja e pregadores.
Caso a lei fosse anulada não teríamos pecados e a existência de todas as
igrejas seria um grande equivoco. Jesus exaltou a lei e ela é a norma de
justiça para toda a humanidade.
Domingo
A lei mostra os nossos pecados.
Perante a lei estamos perdidos e condenados à morte. Jesus veio ao mundo
justamente para nos livrar da condenação da lei. Essa libertação é concedida
somente para aqueles que O aceitam como Salvador e Senhor.
Jesus é apto para nos salvar porque
passou por esse mundo e não pecou. Somente um ser santo, incriado poderia
salvar o pecador. Caso a lei de Deus pudesse ser anulada não haveria
necessidade de Jesus morrer por nós. Enquanto nesse mundo, Jesus Se submeteu aos
reclamos da lei. Porém, a Sua vida não conheceu pecado. Ele foi afetado pelas
mazelas do pecado, mas sem pecar.
Caso a lei tenha sido anulada a
morte de Jesus não teria nenhum significado para nós e Ele seria apenas mais um
condenado qualquer a ser executado no império romano.
É justamente pela vigência dessa lei
e consequente transgressão da mesma que Deus elaborou o plano da salvação. O
plano da salvação tem a sua origem na transgressão da lei. Caso Jesus tivesse
anulado a lei todos os que viveram de Jesus para cá estariam salvos e não é
isso que acontece.
Jesus curava nos dias de sábado.
Para os judeus tal atitude era uma transgressão imperdoável da lei de Deus e
surgiu uma grande dúvida: Jesus veio anular a lei? Para maneira de ver dos
judeus, sim. Jesus agiu rápido e esclareceu: “Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não
vim ab-rogar, mas cumprir” (Mateus 5:17). E Jesus foi mais além ao completar o
Seu pensamento: “Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor
que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus;
aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus”
(Mateus 5:19). Essa mensagem foi dirigida especificamente para os líderes
religiosos daquela época e também para os pregadores de hoje.
Segunda
Os que manuseiam a Palavra de Deus têm grande responsabilidade naquilo
que ensinam aos seus ouvintes. Certa vez vi um “missionário” ser interrogado
sobre a carne de porco. O membro de sua igreja queria saber se poderia ou não
se alimentar desse tipo de carne. O “missionário” respondeu: “Quem prega que
comer carne de porco é pecado está ensinando doutrina do diabo.” E pior: esse
mesmo conceito tais “missionários” tem a respeito da vigência da lei de Deus e
de outras verdades bíblicas.
Imagina
que confusão seria se, no Antigo Testamento Deus tivesse um método de salvação
diferente do existente hoje! A Bíblia afirma que em Deus não há mudanças: “Toda
a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em
quem não há mudança nem sombra de variação” (Tiago 1:17). “Ele é o mesmo hoje e
eternamente.” Ele mesmo afirma: “De fato, eu, o Senhor, não mudo. Por isso
vocês, descendentes de Jacó, não foram destruídos” (Malaquias
3:6).
Jesus
ampliou o significado da lei, principalmente dos mandamentos relativos aos
nossos deveres para com o próximo. Esses mandamentos eram quase que ignorados
naquele tempo.
Terça
Histórias
de promiscuidade e adultério sempre fizeram parte da humanidade desde os tempos
bíblicos. Quando Jesus veio ao mundo as coisas não eram diferentes. Ao lermos a primeira carta de Paulo
aos Coríntios temos uma idéia dos absurdos sexuais que existiam mesmo dentro da
igreja.
Jesus atacou o problema de frente e
esclareceu o princípio do sétimo mandamento. Parece que ao falar aos líderes
judeus Jesus estava Se dirigindo a nós cristãos dos dias de hoje. Vivemos
em um mundo onde o sexo movimenta os grandes negócios. A exposição da mulher se
tornou algo obrigatório nas sofisticadas propagandas que vemos nos modernos
meios de comunicação de nossos dias. O convite ao sexo fácil está explicito por
toda parte.
Há poucos dias um site de relacionamentos
usou um outdoor
no Rio de Janeiro exibindo a imagem do Cristo Redentor com os dizeres: "Tenha
um caso agora! Arrependa-se depois." A Igreja Católica tentou processar o
site, mas não chegou a lugar nenhum.
Um psicólogo, falando das mulheres, fez a
seguinte observação: “A mulher moderna sonha em ser noiva, e não esposa. Como
qualquer feminista, sonha em ter direitos, mas não deveres.” Não sei o que esse
psicólogo diz sobre os homens. Com certeza não será muito diferente do
observado entre as mulheres.
Quarta
Os lideres judeus, principalmente os fariseus, se
julgavam detentores da lei dos Dez Mandamentos. Eles se julgavam separados para
essa obra especial. Até ai tudo bem.
Houve um problema. Eles sentiram
a necessidade de regulamentar a lei de Deus.
Nesse afã cometeram três equívocos. Primeiro,
alei de Deus deve ser observada assim como está escrita e dispensa
regulamentação de parte humana. Segundo, incluíram dezenas de itens de como
observar determinados mandamentos, principalmente o sábado que tornava
impossível a sua observação. Jesus os acusou dizendo: "Os mestres da lei e
os fariseus se assentam na cadeira de Moisés. Obedeçam-lhes e façam tudo o que
eles dizem a vocês. Mas não façam o que eles fazem, pois não praticam o que
pregam. Eles atam fardos pesados e os colocam sobre os ombros dos homens, mas
eles mesmos não estão dispostos a levantar um só dedo para movê-los” (Mateus 23:
2-4).
Nessa
regulamentação, como bons judeus, eles não se esqueceram do lado econômico e
fizeram algumas injunções estranhas. Vamos lembrar dois exemplos: Enquanto
instituíram regras como que distancia poderia caminhar no sábado e quanto de
peso poderiam carregar nesse dia eles acrescentaram que se uma ovelha caísse em
um precipício o judeu poderia salvá-la no sábado não pelo respeito aos animais,
mas pelo valor monetário que ela representava. No caso do quinto mandamento, o
judeu poderia fazer um voto de que tudo o que ele deveria gastar com o pai na
velhice fosse doado como oferta. Assim ele abandonaria o pai e o deixaria
morrer desamparado.
Jesus mostrou que tais adendos faziam deles, não
cumpridores da lei e sim transgressores. Disse o Mestre: “Assim
vocês anulam a palavra de Deus, por meio da tradição que vocês mesmos
transmitiram. E fazem muitas coisas como essa" (Marcos7:13). Na sombra de
que feito um voto é obrigatório que o cumpra eles deixavam de observar o
próprio mandamento. “Se um de vocês fizer um voto ao Senhor, o seu Deus, não
demore a cumpri-lo, pois o Senhor, o seu Deus, certamente pedirá contas a você,
e você será culpado de pecado se não o cumprir” (Deuteronômio 23:23).
Quinta
Alguns pregadores ensinam que no
caso do jovem rico Jesus não mencionou o sábado e esse fato constitui em mais
um motivo para não observá-lo. Seria ridículo Jesus mencionar o sábado para um
jovem judeu. Poderia até acontecer de um judeu se esquecer dos outros
mandamentos, mas se esquecer do sábado jamais!
Na
conversa com Jesus o jovem rico deixou claro que não era um fiel observador da
lei. Ele não amava o próximo e quem não ama o próximo não ama a Deus. “Quem não
ama não conhece a Deus, porque Deus é amor” (1 João 4:8).
O amor é
o fio de ouro que entrelaça todos os mandamentos. E aqui vão dois adendos: A
lei é o resultado do amor de Deus por nós. Caso toda a humanidade obedecesse a
lei o mundo seria um paraíso e, se não amamos a Cristo de todo o coração será
impossível observar alei. O cumprimento da lei é o resultado do nosso
reconhecimento do que Cristo fez por nós. Paulo afirma: “Pois o amor de Cristo
nos constrange” (2 Coríntios 5:14).
Conclusão
Gosto da
passagem que encontramos em Isaías 42:21 que fala da missão de Jesus:
“Engrandecer a lei e fazê-la gloriosa.” Para aqueles que pregam que Jesus
aboliu a lei devem ler com mais atenção essa profecia bíblica. E foi isso o que
Jesus fez.
Meditação
Vivemos nos momentos finais da história desse mundo. Em
breve será cobrado de todos nós um conhecimento que hoje muitos negligenciam
obter.
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