Comentário
da Lição da Escola Sabatina de seis a treze de setembro de dois mil e quatorze,
preparado por Carmo Patrocínio Pinto autor de Reavivar a Esperança, uma
meditação para qualquer ano. O comentarista é membro da Igreja Adventista do
Sétimo Dia-Central de Taguatinga, DF.
Introdução
Dentro da concepção dos líderes judeus Jesus foi um contumaz
transgressor do sábado pelo fato de fazer curas nesse dia. Inúmeras vezes essa acusação
vem à tona nos evangelhos e, por mais que Jesus explicasse que fazer o bem no
sábado antes de ser uma transgressão era uma obrigação de todo filho de Deus,
os seus algozes nunca se deram por vencidos. O povo judeu sempre foi zeloso
quanto á observância do sábado extrapolando o que o mandamento diz.
Enquanto os judeus pecavam pelo excesso de
tradições acrescentadas ao mandamento bíblico, temos hoje milhões de
evangélicos que torcem a Bíblia para dar apoio a Igreja Católica que se julga
com autoridade para meter o dedo na lei de Deus alterando os mandamentos de
Deus ao ponto de mudar a observância do sábado para o domingo. Veja as palavras
de um pastor da Igreja Metodista: “Para Deus mais importa que o homem o sirva,
do que o dia que vai descansar, porque “o sábado existe por causa do homem e
não o homem por causa do sábado” (Lucas 2.27). Deus já havia avisado o fim do
sábado há muito tempo dizendo: “Farei cessar todo o seu gozo, as suas festas,
as suas luas novas, os seus sábados e todas as suas solenidades” (Ozéias 2.11).
Esta profecia sobre o fim do sábado foi cumprida em Jesus, “o Senhor do sábado”
(Marcos 2.28) que não guardou o sábado que da forma os judeus queriam” (Pr. Welfany Nolasco Rodrigues). Em um ponto o pastor
está de parabéns ao afirmar que “Jesus não guardou o sábado da
forma os judeus queriam.” Ele guardava
o sábado conforme o mandamento orienta. “Ele foi a Nazaré, onde
havia sido criado e no dia de sábado entrou na sinagoga, como era seu costume.
E levantou-se para ler” (Lucas 4:16). É
ridículo como conseguem torcer textos bíblicos tão claros e explícitos apenas
para dar apoio às heresias de Roma.
Para estes pesam as palavra de Jesus:
“Em vão Me adoram ensinando doutrinas que são preceitos de homens” (Mateus
15:9). E mais: “Todo aquele que desobedecer a um desses
mandamentos, ainda que dos menores, e ensinar os outros a fazerem o mesmo, será
chamado menor no Reino dos céus” (Mateus 5:19). O texto quer dizer que tais
pessoas não estarão no Céu porque lá todos os seres humanos, serão iguais.
Aos que defendem a observância do domingo sem
nenhum apoio bíblico perguntamos: É pecado guardar o sábado? E para os que
defendem o pensamento de que o importante é observar um dia na semana,
independente de qual seja perguntamos: Por que não o sábado que está explícito
na Bíblia de capa a capa?
Os ensinos de Jesus sobre o sábado são claros
e convincentes e não oferecem margem para equívocos a não ser que, semelhante
aos judeus daquele tempo, estejamos dispostos a torcer de maneira proposital o
que a Bíblia diz.
Domingo
A
Bíblia, em vários momentos, nos mostra claramente que Jesus estava presente na
criação e vai mais longe: Sem a presença de Jesus nada seria criado. João
afirma: “Todas as coisas foram feitas por intermédio Dele; sem Ele, nada do
que existe teria sido feito” (João1:3).
Na carta de Paulo
aos Hebreus Ele afirma que além de Jesus ser o Criador de todas as coisas, Ele
é também o mantenedor. É ele que sustenta os mundos criados mantendo cada um em
sua órbita. “O Filho é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do
seu ser, sustentando todas as coisas por sua palavra poderosa...” (Hebreus
1:3). Estando presente na criação, Jesus
participou da criação do sábado. “No princípio era o Verbo. Ele estava com Deus
e era Deus” (João 1:1).
Certa vez li a afirmação de um pastor
evangélico que me despertou o raciocínio de quão longe vai Satanás em suas
tentativas de ofuscar a atuação de Deus na criação do sábado. Aquele pastor
afirmou que a Bíblia é clara ao afirmar que Deus trabalho no sábado: “E havendo
Deus terminado no dia sétimo a Sua obra, que fizera, descansou nesse dia de
toda a Sua obra que tinha feito” (Gênesis 2:2). Deus terminou a Sua obra no
sábado, portanto Ele trabalhou no sábado. O pastor se esqueceu que, além de
descansar, Deus abençoou e santificou esse dia.
Se Deus trabalhou numa parte do sábado isso
em nada descaracteriza o mandamento: “Lembra-te do dia de sábado para o
santificar” (Êxodo 20:8). Como questionar Aquele que foi o nosso Criador, é o
nosso Mantenedor e Se tornou o nosso Salvador? Quão perigoso é usarmos a Bíblia
para justificar os nossos erros e a nossa rebeldia!
Segunda
Pelo
menos três textos são usados distorcidamente para justificar a não observância
do sábado. O primeiro é Mateus 12:8: “Pois o Filho do homem é Senhor do sábado”
(Mateus 12:8). Argumentam que, se Jesus é o Senhor do sábado, jamais Ele vai
requerer que observemos um dia que é Dele e não nosso. O segundo texto esta em
João 5:17: “Mas Ele lhes disse: Meu pai trabalha até agora, e Eu trabalho também.”
Para os contestadores do sábado se Deus Pai e Deus Filho trabalham diariamente
temos plena liberdade de fazer o mesmo. Caso Deus parasse de trabalhar um só
segundo nenhum ser humano estaria vivo para dizer tanta asneira. E, em terceiro
lugar usam as palavras de Jesus relatadas em Marcos 2:27 para justificar a não
observância desse dia. É incrível como conseguem inverter o propósito das
palavras de Jesus. “E então lhes disse: O sábado foi feito por causa do homem,
e não o homem por causa do sábado” (Marcos 2:27).
Jesus,
o Senhor do sábado, mostrou que a rotina no templo exigia que um os sacerdotes
trabalhassem dobrado nesse dia e, nem por isso, eles transgrediam o sábado.
Quantos pastores adventistas chegam ao final de um sábado exaustos pelo excesso
de atividade relacionadas com a igreja desenvolvidas nesse dia.
Está
provado cientificamente que o homem necessita de um dia para repousar. Esse repouso
deve envolver todo o ser. Quantos observadores do domingo reservam esse dia
para irem ao supermercado ou mesmo para assistir a um jogo de futebol ou para
se prepararem para um concurso. O descanso físico é em parte alcançado, mas o
descanso intelectual é inexistente. Observar o sábado como Jesus orienta é uma
garantia de boa saúde e longevidade. O Deus que criou o homem sabe muito bem do
que é bom para a nossa saúde. Ele sabe que o homem necessita do sábado. O
sábado foi criado depois do homem. Antes da criação do homem não havia
necessidade de se criar o sábado.
Terça
Após
quarenta dias de jejum e oração e de
ser tentado pelo Diabo Jesus, cheio do Espírito Santo se retirou para a
Galiléia. Aquele período de comunhão com o Pai antecedeu o Seu ministério. Ao
descer do monte o Salvador desejava continuar na presença de Deus. Esse dia era
especial, era um sábado. Era o dia em
que Jesus, “segundo o Seu costume” reservava para estar na sinagoga. Ali
naquele recinto sagrado o Salvador não era um simples expectante. Ele atuava
sempre que as oportunidades apareciam. Lucas escreveu: “e ensinava nas
sinagogas sendo glorificado por todos” (Lucas 4:15).
Ao
ler o Livro Sagrado, Jesus buscou o texto profético que fala da Sua missão na
Terra. “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar
boas-novas aos pobres. Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos e
recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos e proclamar o ano da
graça do Senhor" (Lucas 4:18).
Foi
num dia de sábado que Jesus falou de Sua missão. Ela resumia em “pregar boas
novas aos pobres”, “libertar as pessoas do pecado”, “restaurar a vista dos
cegos” e “anunciar a graça”. Todo esse leque de atividades poderia e deveria
ser desenvolvido em especial no dia de sábado. Para os líderes judeus isso foi
mais do que um choque, foi uma provocação. Por certo perguntavam eles: Como
pode alguém que guarda o sábado ser ao mesmo tempo um transgressor desse dia
realizando curas? Jesus deixou claro o que se pode e deve ser feito no sábado.
Ele nos adverte: “Porque Eu vos dei o exemplo, para que, como Eu vos fiz,
façais vós também” (João 13:15).
Quarta
Em
Sua mensagem naquele sábado em Nazaré Jesus foi claro ao falar de Sua missão
que envolvia realizar todo o que fosse possível para atenuar o sofrimento das
pessoas em qualquer dia da semana incluindo o sábado. Provavelmente, semelhante
aos sacerdotes de Seu tempo, esse era o dia em que Ele mais trabalhava. Para os
líderes judeus sacrificar no templo no dia de sábado não significava
transgressão, mas curar nesse dia era algo inadmissível.
Para os judeus curar uma pessoa no sábado
significava transgressão do sábado, mas resgatar uma ovelha de um abismo no
sábado não era pecado. Caso ela permanecesse ferida dentro do abismo até o fim
do sábado poderia morrer e o prejuízo financeiro seria irreparável. Então Jesus
reafirma: “Quanto mais vale um homem do que uma ovelha! Portanto, é permitido
fazer o bem no sábado" (Mateus 12:12).
Semelhante postura era adotada pelos judeus
para com os animais ao oferecer-lhes água durante o sábado. Caso eles morressem
de sede o prejuízo era irreparável.
Não faltavam pessoas para acompanhar a Jesus
só com o objetivo de ver o que Ele fazia o deixava de fazer no sábado. Foi
junto ao tanque de Betesda que, para os judeus Ele extrapolou os limites. De
uma só vez Jesus cometeu três falhas graves. Além de curar o paralítico no
sábado ordenou que ele pegasse a sua cama e fosse embora. Mas não ficou só por
aí. A paciência deles se esgotou quando Ele Se identificou como Filho de Deus.
“Disse-lhes Jesus: Meu Pai continua
trabalhando até hoje, e eu também estou trabalhando. Por
essa razão, os judeus mais ainda queriam matá-lo, pois não somente estava
violando o sábado, mas também estava dizendo que Deus era seu próprio Pai,
igualando-se a Deus” (João 5:16-17).
Ainda hoje erroneamente os domingueiros usam esses
textos para contestar a observância do sábado. Para eles se Jesus “trabalhava
no sábado” e declarou que Deus também trabalha, então não há razão para a
observância desse dia. Coitado deles! Caso em algum momento Deus desse uma
pequena pausa em Sua obra mantenedora e o mundo entraria em colapso e toda a
vida se extinguiria.
Quinta
Os discípulos estavam
saindo do templo acompanhado do Mestre. Um detalhe lhes chamou a atenção, a
robustez das colunas que sustentavam a casa. E ao comentar com Jesus esse
detalhe o Salvador fez uma observação que os deixaram intrigados. Disse o
Mestre: “Vocês estão vendo tudo isto?", perguntou
ele. "Eu garanto que não ficará aqui pedra sobre pedra; serão todas
derrubadas" (Mateus 24:3).
Ao
sair do templo Jesus foi para o Jardim das Oliveiras. Ali, em particular, os
discípulos Lhe perguntaram: "Dize-nos, quando acontecerão essas coisas? E
qual será o sinal da tua vinda e do fim dos tempos?" Jesus falou dos
sinais da Sua vinda e do fim do mundo e fez um paralelo do fim do mundo com a
destruição de Jerusalém que ocorreria quarenta anos depois. O templo de
Jerusalém tem três fases na sua história: o templo de Salomão, o templo
pós-exílico e o templo de Herodes, esse último chamava a atenção pela
imponência das colunas. A primeira destruição aconteceu em 586 a. C. o templo
foi destruído pelos Babilônios. A segunda ocorreu no ano setenta, quarenta anos
depois da predição de Jesus.
Lucas
detalha melhor como seria a destruição de Jerusalém: “Pois sobre ti virão dias em que os teus
inimigos te cercarão de trincheiras e, por todos os lados, te apertarão o
cerco; e te arrasarão e aos teus filhos dentro de ti; não deixarão em ti pedra
sobre pedra, porque não reconheceste a oportunidade da tua visitação"
(Lucas 19.43-44). Os historiadores falam da fome que o cerco causou dentro de
Jerusalém ao ponto de crianças avançarem sobre os velhos para tiravam-lhes o
alimento da boca. Segundo historiadores nenhum cristão morreu na
destruição de Jerusalém enquanto um milhão de judeus não cristãos perderam a
vida. A destruição de Jerusalém e do templo foi o duro cálice da ira de Deus
sobre um povo que rejeitou o plano de salvação. O mesmo acontecerá agora no
fim. Aqueles que pisoteiam a lei de Deus serão destruídos.
Jesus
recomendou que o Seu povo orasse para que o cerco de Jerusalém não acontecesse
no sábado, pois causaria um grande transtorno. O sábado foi colocado em
evidência na destruição de Jerusalém e o mesmo acontecerá no final da história
desse mundo.
O
livro de Atos mostra como os discípulos levaram a sério a observância do sábado
nos dias da Igreja Primitiva e a história conta como um poder religioso mudou a
observância do sábado para o domingo sem nenhum amparo bíblico para isso.
Conclusão
Parece
banal um adventista estudar uma lição sobre um tema tão comum entre nós.
Sabemos que o sábado será a pedra de toque no desfecho final da história. Em breve
seremos levados diante de tribunais para explicar o motivo de observarmos esse
dia. Ali será exigido de nós um conhecimento e uma firmeza de propósitos que
muitos negligenciam hoje.
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