sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Dos ouvidos aos pés


Comentário da Lição da Escola Sabatina de três a dez de janeiro de 2015.

Autor: Carmo P. Pinto – Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

            O título de nossa lição poderia ser “proteção total da cabeça aos pés”, pois esse é o foco dos capítulos 4, 5 e parte do capitulo 6 de Provérbios. Salomão continua com o mesmo tratamento carinhoso: “filhos”. O seu desejo é que seus filhos ouçam as suas orientações para, com sabedoria, trilhar os caminhos de Deus. Ele usa um verbo especial: Ponderar. Entre os muitos sinônimos de ponderar encontrados nos dicionários, um me chamou a atenção: ruminar. Uma pessoa ponderada não age precipitadamente. Ela pensa e repensa sobre como deve ser a sua conduta diante de uma situação. Os animais ruminantes, depois de engolir o alimento, o retorna à boca para ser novamente mastigado. Ponderar a vereda dos pés é examinar com calma onde se pisa. Ele admite que em alguns momentos não estejamos pisando no lugar correto e nos adverte: “retira o teu pé do mal”. Creio que só uma orientação dessa vale por todo o estudo da semana.

            Quando o filho pródigo retornou ao lar paterno ele recebeu vestes novas, anel e uma grande festa. O pai não se esqueceu de um presente valioso – Um par de sandálias novo. O filho havia dado mostras de que ouvira a voz do Espirito Santo e estava disposto a andar nos caminhos do Pai. A terra distante, nunca mais! O ato de calçar sandálias novas indica a decisão do filho em palmilhar os caminhos antes abandonados e, ao mesmo tempo, expressam o desejo do pai de que a decisão do filho seja real e permanente. 

A última frase da introdução do nosso guia de estudos o autor nos adverte: “Não é suficiente apenas conhecer o certo e o errado; precisamos saber escolher o certo em lugar do errado.” Vivemos em uma época em que a frágil linha que delimita o certo do errado está quase imperceptível. Esta situação exige de nós cuidado redobrado. “Pondera a vereda de teus pés.”

No estudo dessa semana vamos ver as advertências de Salomão para proteger o nosso lar, as nossas amizades, o nosso trabalho e, por fim, a nós mesmos. Para ele ser sábio é ser bem sucedido em todas estas áreas.

 

Domingo

            Um de meus irmãos tinha um professor bastante idoso. Quando esse professor notava algum aluno disperso em sua aula ele lhe dava um pequeno cutucão com uma régua e dizia: “Presta sentido menino.” Essa parece ser a mesma técnica usada por Salomão. Ele insiste: ouça, pondera, presta sentido, fique atento.

            O capitulo quatro de provérbios é um dos textos mais lindos não só desse livro, mas de toda a Bíblia. A lição aborda os capítulos quatro, cindo e seis. É uma pena que não possamos demorar mais tempo sobre ele. Mas isso não impede que cada um de nós faça uma apreciação pessoal desse capitulo considerando versículo por versículo.

            O capitulo quatro começa com um carinhoso “ouçam, filhos”. Essa maneira de se expressar de Salomão parece insistir para mais do que simplesmente ouvir que seus leitores deem ouvidos aos seus ensinamentos. Dar ouvidos é mais do que apenas ouvir.

            Em Mateus 13:44 somos exortados a seguir o exemplo daquele homem que achando um tesouro no campo abriu mão de tudo o que possuía para adquirir aquele tesouro. A mensagem sugere que qualquer sacrifício que fizermos para adquirir o tesouro da sabedoria vale a pena. Já o texto de Jeremias 29:13 nos garante sucesso quando buscamos a Deus de todo o nosso coração. Esse empenho em buscar a Deus está intimamente ligado com as renuncias que fazemos em prol do tesouro da sabedoria celestial.

 

Segunda

            Salomão usa o capitulo cinco de Provérbios para nos advertir quanto à pureza do matrimônio. Trata-se de uma serie de recomendações para que o filho de Deus não se envolva com relacionamentos extraconjugais. Em matéria de mulher e adultério Salomão tem muito a nos dizer.  Depois de tantos desatinos nessa área ele desabafa: “E eu achei uma coisa mais amarga do que a morte, a mulher cujo coração é redes e laços, e cujas mãos são ataduras; quem for bom diante de Deus escapará dela, mas o pecador virá a ser preso por ela” (Eclesiastes 7:26).

            As advertências de Salomão aos homens são válidas também para as mulheres. O empenho de Satanás é seduzir a todos e destruir por completo a raça humana. Falar sobre pureza nos dias de hoje é se candidatar à mofa e a zombaria. Em minhas corridas nas madrugadas tenho visto quão vulgar se tornou esse tema entre as pessoas.

            Hoje a internet, a televisão, os outdoors e a literatura estão impregnados de sensualismo e convites para uma vida sem escrúpulos. Todo o cuidado parece pouco nessa área. O verdadeiro sábio é aquele que se afasta de tudo isso. Salomão fala por experiência própria: “Porque, filho meu, te deixarias atrair por outra mulher, e te abraçarias ao peito de uma estranha?” (Provérbios 5:20) e “Quanto ao ímpio, as suas iniquidades o prenderão, e com as cordas do seu pecado será detido” (Provérbios 5:22).

Terça

            O meu pai tinha um grave defeito. Confiava em todo o mundo. Ele imaginava que qualquer pessoa era tão honesta quanto ele. Certa vez apareceu um jovem falante, amigo de um primo meu. Ele queria comprar a prazo abacaxis suficiente para lotar um caminhão. A sua conversa era que, depois de vendida a fruta em São Paulo, ele retornaria com o pagamento e compraria mais. Depois do caminhão lotado ele externou o desejo de levar uma segunda lotação. Não demorou muito para ele convencer o meu pai a procurar um vizinho que tinha abacaxi suficiente e avalizá-lo na compra de mais uma lotação. Papai pagou o vizinho na data prevista e o rapaz nunca mais apareceu e nem deu noticias. Anos depois eu localizei essa pessoa. Em pagamento ele nos deu uma televisão. A primeira que entrou em nossa casa e, por sinal, a mais cara do mundo.

            Pelo que sabemos das riquezas de Salomão podemos deduzir com segurança de que ele nunca necessitou do aval de ninguém o que torna fácil ele ser tão arredio a essa prática tão comum nos dias de hoje. Porém ele via ao seu redor as consequências funestas desse “ato humanitário”. E o que vemos hoje? Amizades, antes sólidas, que se desfizeram depois de uma simples assinatura. E vai um lembrete: No Brasil foi aprovada recentemente uma lei que dá direito ao locador de se apropriar da residência do avalista caso o locatário não consiga saldar os débitos. E dai, que tal morar debaixo do viaduto?

 

Quarta

            Como já mencionei algumas vezes tenho o hábito de correr de madrugada e vejo com frequência formigas trabalhando incansavelmente no horário noturno. Eu não sei se elas têm um momento para relaxar e tocar uma violinha. Parece que isso não existe entre elas. Salomão afirma que mesmo não tendo chefe nenhuma fica ociosa.

            Na minha época de estudante industriário no antigo CAB trabalhei com o senhor Felipe, chefe da jardinagem. Ele era um homem exigente e temido pela maioria dos alunos. Às vezes ele se ausentava dizendo que ia a determinado lugar dentro do colégio. Mas ao invés de fazer isso ele se escondia em algum lugar e ficava observando o desempenho dos alunos. Quando voltava o terremoto acontecia.

Jesus afirma que o bom trabalhador não faz apenas o que lhe é exigido. Ele vai mais além. “Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer” (Lucas 17:10). Eu sei que uma atitude assim às vezes desperta ciúmes e intrigas porque a maioria dos trabalhadores não está disposta a fazer um milímetro a mais. Certa vez os trabalhadores de meu pai pediram aumento de salário. Meu pai fez uma proposta. Caso eles produzissem o mesmo que eu produzia ele pagaria o dobro. Apenas um aceitou o desafio. Daquele dia em diante nós dois trabalhávamos separados dos demais. Hoje é comum ver trabalhadores que dedicam mais tempo em conhecer os seus direitos do que produzindo.

 Quantos levam uma vida ociosa. Escolhem tipo de serviço, patrão, salario, condições de trabalho e parece que nada se encaixa em seus perfis. Para esses vale o puxão de orelha de Salomão: “Vai ter com a formiga, ó preguiçoso; olha para os seus caminhos, e sê sábio” (Provérbios 6:6).

 

Quinta

            Em conversa comum de nossos irmãos de igreja no penúltimo sábado do ano de 2014. Ele comentava que chegar o fim de mais um ano ou próximo de uma santa ceia várias pessoas estavam preocupadas em se harmonizar umas com as outras e que no caso dele próprio isso nunca aconteceu. Dizia ele: “Sai ano e entra ano e eu sempre estou em paz com todos.”

Essa foi mais uma preocupação de Salomão. Era o seu desejo que todas as pessoas protegessem a sua própria reputação. E não é por acaso que ele dedica uma boa parte do capitulo seis a esse assunto.

O seu zelo deve resultar em membros de igreja mais dispostos e vigilantes no que tange ao seu relacionamento com o próximo e com Deus. Pessoas equilibradas nesse aspecto desfrutam de uma paz interior que, com certeza, lhes agregarão mais e melhores dias de vida.

Salomão enumera sete coisas que Deus detesta ver entre os seus filhos que são: “Olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, O coração que maquina pensamentos perversos, pés que se apressam a correr para o mal, A testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos” (Provérbios 6:16-19). Desses sete procedimentos nocivos o sábio elegeu o pior deles: semear contendas entre irmãos. Uma pessoa que procede assim se expõe e está sempre em conflito consigo mesma e com os demais membros da igreja.

 

Conclusão

            O autor da lição não teve como demorar em cada verso dos capítulos 4, 5 e parte do capitulo 6 de Provérbios. Ele deixa para que cada um de nós faça um estudo mais detalhado desses capítulos. São orientações que uma vez, colocadas em prática, vão nos proporcionar uma vida protegida das mazelas e desatinos que dominam a humanidade nos dias de hoje.

 

O chamado da sabedoria


Comentário da Lição da Escola Sabatina de vinte e sete de dezembro de dois mil e quatorze a três de janeiro de dois mil e quinze, preparado por Carmo Patrocínio Pinto membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução geral

            No estudo que faremos no primeiro trimestre de dois mil e quinze vamos conhecer um pouco da sabedoria encontrada nas páginas do livro de Provérbios. Tem tudo para ser um estudo fascinante! Que Deus nos oriente para obtermos o máximo que a sabedoria dos autores de Provérbios nos tem a oferecer.

 Semelhante ao livro dos Salmos, o livro de Provérbios tem vários autores. É fácil confundir e atribuir a Davi alguma coisa escrita nos Salmos por outros autores como Asafi ,os filhos de Coré e até por Salomão o autor dos Provérbios. Com Salomão acontece o mesmo. Alguns escritos de Provérbios têm como ator Agur ou tiveram até mesmo a participação de homens que trabalharam com o rei Ezequias.

 

Introdução da semana

            Ao falar sobre escolhas me vem à mente um quadro retratado em nossa Revista Adventista quando eu ainda era criança. Um homem elegantemente vestido que se encontra em uma estrada. Ele está diante de uma bifurcação onde tem uma placa indicando direções opostas. Em uma das setas estava escrito: “Vida eterna” e na outra seta oposta: “Morte eterna.” O quadro parece muito infantil, mas é uma grande realidade em nossa vida ao considerarmos que o nosso futuro será o resultado de nossas escolhas.

            A cada momento de nossa vida nos deparamos com essa encruzilhada crucial e o recado de Deus é: “Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência” (Deuteronômio 30:19). A sabedoria consiste em saber escolher bem. E essa sabedoria nos falta com frequência. Vale mais uma vez a orientação bíblica: “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada” (Tiago 1:5).

            Salomão nos adverte que o maior investimento que devemos fazer em nossa vida é na busca da sabedoria. Diz o sábio: “A sabedoria é a coisa principal; adquire pois a sabedoria, emprega tudo o que possuis na aquisição de entendimento” (Provérbios 4:7). Eu tive um tio bastante curioso. De tudo ele sabia um pouco. Um dia conversando com ele eu disse: o senhor é um homem privilegiado ao que ele me respondeu: “Homem de muito oficio nem por isso.” No seu entendimento era melhor que ele soubesse o máximo de uma profissão e não um pouco de cada uma. A nossa busca pela sabedoria deve ser direcionada a um assunto específico. Deus não está interessado que eu ore pedindo sabedoria para ganhar dinheiro. O nosso clamor deve estar direcionado para a nossa salvação. Quando orarmos com esse propósito o Senhor nos ouvirá.

            O verso áureo nos dá a entender que buscar a sabedoria com o intuito de melhor servirmos a Deus é uma demonstração de sanidade mental.

 

Domingo

            Buscar a sabedoria do Céu parece ser o âmago de nossa vida e quando o fazemos com sinceridade o Senhor acrescenta outras bênçãos. Pela experiência de Salomão notamos que a bênção da sabedoria nunca vem só. Ele pediu sabedoria para governar um povo, segundo ele disse, sábio e entendido. Talvez o sucesso de Salomão esteja em sua humildade. Ele tinha Israel como um povo especial e diferente dos demais povos. E ao mesmo tempo se sentia em desvantagem para governar um povo tão sábio.

            Salomão era filho de Davi, “o homem segundo o coração de Deus”. Ele herdou não só o reino, mas uma incumbência especial: construir o templo. Ele fora colocado como o governador da nação mais importante de seu tempo. Ele tinha tudo para se vangloriar. Ao invés disso ele colocou em pratica a orientação bíblica que “Diante da honra vai à humildade.”

            O princípio da sabedoria é se sentir realmente necessitado dela. Salomão se esvaziou de sua sabedoria própria e ao se esvaziar Deus teve como enchê-lo. Via de regra pessoas autossuficientes são arrogantes e desprezam as demais. Com Salomão aconteceu o contrário, ele desprezou o conhecimento próprio e assim estava preparado para receber a sabedoria do Céu.

            A sabedoria do mundo não acrescenta nada ao ser humano. A verdadeira sabedoria é aquela que desprezando o conhecimento humano se coloca com humildade aos pés de Cristo para aprender Dele. Essa sabedoria é definida por Paulo como “pacífica, tratável e de boa fama”. Essa é a sabedoria que deve permear a nossa vida.

 

Segunda

            A sabedoria divina capacitou e exige dos pais a transmitir para os filhos os princípios da verdadeira sabedoria. Cabe aos pais seguir o conselho bíblico de instruir os filhos diuturnamente. “Deitando-te e levantando-te.” Essa é uma orientação que produz resultados que vão definir o futuro eterno dos filhos. Diz a Bíblia: “E até quando envelhecer não se esquecerá dele.” Esse é o objetivo da educação de berço.

            Na correria do mundo de hoje torna-se cada vez mais difícil esse contato diário entre pais e filhos. Quando surgiu a televisão a preocupação da liderança da igreja era de que ela iria prejudicar o relacionamento interfamiliar. Mas e o que vemos hoje com a internet?  Hoje a “onda” é estar conectado. As pessoas são atropeladas, levam quedas, são assaltadas e se batem umas contra as outras porque estão “conectadas”. Essa mania de conecção pouco ou nenhum resultado positivo oferece.

            Em meio à tecnologia e a fome de conhecimento das coisas do mundo não sobra tempo para a educação de berço. Já podemos ver os trágicos resultados. Famílias desestruturadas, crianças crescendo sem as orientações que um dia as farão sábias. Já presenciamos uma tragédia familiar.

 

Terça

            O convite à sabedoria apresentado por Salomão tem alguma semelhança com o convite para a salvação apresentado por \Cristo. Jesus fez de tudo para que os judeus se desvencilhassem de sua sabedoria própria e se apoderasse da sabedoria do Céu. Quantas orientações preciosas Jesus lhes transmitiu, porém eram perolas atiradas aos porcos.

            Salomão insiste para que haja uma verdadeira conversão entre o povo no sentido de mudar o foco a respeito da verdadeira sabedoria. Em seu veemente apelo o sábio chama o seu povo de néscios e loucos. É uma linguagem pesada e sem rodeios. O que ele diria hoje quando vemos muitos membros da igreja que, indiferentes ao pregador e a mensagem que ele apresenta estão cabisbaixos sintonizados nas informações efêmeras que a tecnologia moderna oferece?

 

Quarta

            A expressão “filho meu” é repetida várias vezes, principalmente nos primeiros capítulos de Provérbios o que demonstra o carinho de Salomão para com o seu povo.

            No inicio do capitulo dois ele enfatiza mais uma vez a importância de se adquirir a verdadeira sabedoria como mostra onde encontra-la. Sem convívio diário com Deus é impossível obtê-la. Ele vai mais longe e insiste de que o desejo de se obter a verdadeira sabedoria deve ter prioridade em nossa vida. Buscar a sabedoria de Deus é mais importante do que prata e ouro.

            Quando vemos o empenho de Salomão em orientar o seu povo não dá para imaginar que esse povo um dia foi destruído por falta de conhecimento. E pior, esse mesmo destino está reservado a cada um que despreza hoje o conhecimento divino. A Bíblia afirma: “O meu povo foi destruído por falta de conhecimento.” Que esse não seja o nosso destino.

            Salomão apresenta a sabedoria de Deus como antidoto contra a perversidade do mundo que nos rodeia. Ele afirma que “O bom siso te guardará, e a inteligência te conservará.” A sabedoria de Deus nos dará a malícia de identificar o certo do errado. “O bom siso te guardará.”

 

Quinta

            Todas as orientações dadas por Salomão nos dois primeiros capítulos do seu livro é para que não aconteça com nenhum de nós o desastre apresentado no verso sete do capitulo três. Ser sábio aos seus próprios olhos é o mais convincente atestado de insensatez humana. Assim como “elogio próprio cheira mal” gabar-se de ser inteligente é nauseante.

            Mais uma vez Salomão coloca o valor da sabedoria acima da prata e do ouro. Ele apresenta a sabedoria de Deus como fonte de saúde e longevidade. Esses textos nos mostram que a pessoa verdadeiramente sábia receberá dois benefícios relativos à saúde. Primeiro será uma pessoa que vive tranquila com Deus e com o seu próximo. Essa tranquilidade resulta em saúde. Por outro lado o conhecimento que vem de Deus lhe mostrará os princípios para se ter uma vida saudável.

            Salomão mostra que a formação da Terra é resultado da sabedoria de Deus. Vemos detalhes nas obras criadas por Deus que demonstram claramente a Sua sabedoria em ação. Assim como a sabedoria de Deus criou um mundo perfeito Ele espera que cada um de nós se apodere da sabedoria que vem do alto e que ela aperfeiçoe o nosso corpo até alcançarmos a estatura completa de Cristo.

 

Conclusão

             A primeira pergunta para reflexão quer saber a diferença entre sabedoria e conhecimento. Do meu ponto de vista a sabedoria é o sábio uso do conhecimento e, ao mesmo tempo é a sabedoria que nos leva a selecionar o conhecimento a ser adquirido.

            A humildade de Salomão em deixar de lado a sua própria sabedoria e buscar com todo o empenho a sabedoria de Deus deve ser um permanente desafio para cada um de nós.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Evangelho eterno


Comentário da Lição da Escola Sabatina de vinte a vinte e sete de dezembro de 2014, preparado por Carmo Patrocínio Pinto membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia – Central de Taguatinga, DF.

 

Introdução

            Parece que o trimestre começou ontem, mas já chegamos ao final dele e por curso normal do tempo marca também o final de mais um ano. Estudamos o livro de Tiago nos últimos três meses e chegamos agora na última lição.

            Por três meses fomos instados por Tiago a sermos proativos em nossa vida cristã. Um cristão proativo é aquele que não se acomoda com um cristianismo de aparências. Ele antecipa situações e faz de sua vida cristã um convite ao mundo para que os homens se desvencilhem das coisas triviais da Terra e se volte para Deus que é compassivo e grande em perdoar.

            Se Tiago viu em seus dias a necessidade de um cristianismo que anunciasse o evangelho por palavras e ações, o que ele diria para nós hoje que vivemos em um mundo voltado para o superficial e fictício?

            O evangelho só é possível ser difundido por pessoas dispostas a sair da inércia e, de maneira prática, mostrar para o mundo as maravilhas de uma vida centralizada em Cristo. Tiago nos mostrou que uma vida cristã monótona e descompromissada nada tem para mostrar para o mundo e, por ironia, é o que Satanás espera ver em todos os que dizem amar a Cristo, mas se omitem de arvorar a bandeira ensanguentada do Príncipe Emanuel.

            Tiago nos mostrou que aqueles que são salvos pela graça, produzem as obras resultantes dessa graça que redime. Paulo afirma que “o amor de Cristo nos constrange”. Isso significa que o verdadeiro cristão      é constrangido a produzir as obras dessa graça que o redimiu. Essas obras implicam em uma vida de testemunho em favor do evangelho. Não são obras para salvar a si próprio, mas sim, para salvar aqueles que estão ao nosso redor. Uma vez salvos pela graça automaticamente nos envolvemos em produzir as obras dessa graça que nada mais são do que inteiro comprometimento em anunciar “as obras Daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.”

            Toda pessoa convertida passa a fazer parte de um povo especial e que tem uma missão especial. Seremos eternamente agradecidos a Aquele que nos redimiu. Diz Pedro: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2:1). Um cristão apático e inoperante não produz as obras de alguém que foi salvo. O cristão convertido é proativo em produzir as obras da graça.

            Não há outro meio de chegarmos à eternidade se não estivermos cem por cento comprometidos em anunciar o evangelho eterno.

 

Domingo

            A mensagem de salvação permeia por toda a Bíblia. A boa noticia da salvação foi apresentada e rejeitada pelos antediluvianos e depois, a voz de Jonas comoveu os ninivitas e a salvação raiou para eles.

            Gosto de comparar Gênesis 3:15 com Isaias 53:4-11. Em Gênesis vemos a promessa de que a semente da mulher (Cristo) seria ferida pela serpente (Satanás) que no final tem a sua cabeça esmagada pela semente da mulher. Isaias descreve o sacrifício de Cristo como um acontecimento já consumado. Os detalhes apresentados por Isaias se cumpriram de maneira fidedigna na vida e morte de Cristo apresentada pelos escritores do Novo Testamento. Gênesis 3:15 apresente a primeira profecia relativa ao evangelho de salvação e a morte do cordeiro lá no Éden foi a primeira boa nova apresentada ao homem mostrando que Deus realmente estava disposto a salvar os pecadores. A mensagem dada no Éden foi aceita e confirmada pelas dezenas de altares construídos pelos patriarcas e foi repetida milhares de vezes no Santuário terrestre durante o Velho Testamento. A mensagem apresentada pelo evangelho eterno é extensiva a toda a humanidade de todos os tempos.

 

Segunda

            “O evangelho encarnado causou estranheza entre os líderes judeus. Na parábola do Filho Pródigo os judeus não se assemelhavam com o pai amoroso e muito menos com o filho perdido. A maneira de ser de cada um parecia mais com o filho mais velho, austero e legalista. Eles se julgavam o modelo de pessoa pronta para entrar no Céu ostentando vestes brancas e barretes vermelhos.

            Os lideres judeus não entendiam como o pai recebeu o filho pródigo sem fazer nenhuma ressalva. Nada lhe foi jogado em rosto. Lendo superficialmente a parábola parece que estamos diante de um Deus permissivo e indiferente a tudo o que fazemos de errado. Acontece que tudo o que o pai poderia ter dito para o filho em recriminações e que deveria lhe jogando em rosto o jovem já havia experimentado lá no longínquo laboratório de um chiqueiro de porcos. O filho mais velho não conheceu as desgraças da terra distante. Ele nunca soube o quanto dói ser sevo do dono da terra. Ele ignorava o que significa ter fome de pai. Ele não sabia dos milagres que poderiam acontecer lá naquele longínquo e inóspito chiqueiro.  O filho mais velho nunca havia dormido com porcos. Não sabia o que era podridão e sujeira. Aliás, ele nem sabia como muitos hoje não sabem que na terra distante existe um chiqueiro esperando pelos pródigos. Enquanto os animais iam grunhindo e revirando a lama putrefata o jovem se sentiu pior do que aqueles animais e, sem se perceber os seus pensamentos se escorregaram naquele lamaçal e mais do que cair na lama ele caiu em si. O filho mais velho não viu nada disso e muito menos aquela queda. As lentes de amor usadas pelo pai viu todo aquele drama vivenciado pelo jovem e, viu e sentiu quanto doeu a queda do filho. Uma dor que doeu muito lá e cá.

O evangelho do amor encarnado em Cristo não perde tempo com perguntas e questionamentos. O Pai estende a mão e resgata todo aquele que, contrito volta da terra distante para os Seus braços de amor.” (Do livro em preparo “Filhos Pródigos”).

Quando estudamos sobre o Evangelho Eterno e a sua relação com o pecador vemos um Deus que não muda a Sua maneira de agir mesmo diante de nossa insubordinação. O evangelho não será pregado por toda a eternidade, mas os redimidos estarão para sempre com Cristo e por toda a eternidade mostrarão para o Universo os resultados eternos do evangelho que um dia os salvou.

            Tiago esperava que cada membro da Igreja primitiva fosse, pelo testemunho, um anunciador das boas novas do evangelho.

 

Terça

            Na estrada de Damasco vai Saulo com sua comitiva. O seu propósito é libertar os seus compatriotas dos ensinos que uma meia dúzia de homens herdou de Alguém que Se dizia O Salvador. O objetivo de Saulo era o mesmo de Cristo: salvar as pessoas.

Apenas um detalhe: Ele estava correto no seu propósito, mas completamente errado em sua maneira de agir.

            Ele não esperava que na estrada de Damasco fosse encontrar o outro Salvador, porém o seu rival. Cercado de capangas dispostos a tudo ele caminha com o olhar fixo em seu alvo, tirar os cristãos de circulação custe o que custar. De repente, um esplendor envolveu a todos. Os seus homens ficam surdos e Saulo cego. A valentia de todos caiu por terra e temerosos se apoiam uns nos outros para se levantarem. Os homens que o acompanham notam que ele conversa com Alguém, mas não entendem nada; apenas chegam à conclusão de que com o líder sego a “missão salvadora” estaria abortada.

            Paulo é convidado a continuar na luta só, que do outro lado. Ao caírem às escamas dos seus olhos ele vê quão equivocado estava em seu projeto de salvar pessoas. Os fariseus perderam o seu melhor justiceiro. Paulo entendeu que a lei apenas apontava os seus erros e que a salvação tão almejada apenas poderia ser encontrada em Cristo. Dai para frente ele defende a lei como norma de vida, mas não como meio de salvação. Foi o seu zelo pela lei que o levou ao conhecimento de Cristo. “Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu” (Filipenses 3:5). Paulo deveria continuar como um zeloso da lei não pera ser salvo mas sim porque foi salvo.

            Dai para frente ele muda por completo o foco do seu sermão. Diz ele ”Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos” (1 Coríntios 1:23).

 

Quarta

            A primeira aliança foi firmada com Israel como nação. A segunda aliança que é uma replica da primeira foi extensiva a toda nação, tribo, língua e povo. A salvação tanto no Velho como no Novo Testamento sempre foi centralizada em Cristo. Tanto no velho como no Novo testamento o perdão de pecados só é possível pelos méritos do sacrifício de Cristo na cruz. A lei nos leva a Cristo o Único que nos livra da sua condenação.

            Os sacrifícios ofertados no santuário propiciavam um perdão condicional. Paulo escreve: “Porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados” (Hebreus 10:4). Na velha aliança a salvação era oferecida de maneira condicional. A nova aliança, com a morte de Cristo, validou a primeira aliança.

 

Quinta

            A Palavra de Deus é maravilhosa. Veja como Apocalipse 12:17 e 14:12 une a pratica da lei enfatizada por Tiago à salvação pela fé oferecida por Cristo. “E o dragão irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra ao remanescente da sua semente, os que guardam os mandamentos de Deus, e têm o testemunho de Jesus Cristo” (Apocalipse 12:17 e “Aqui está a paciência dos santos; aqui estão os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus” (Apocalipse 14:12).

            A guarda da lei não salva, mas no fim será a sua observância que distinguirá os que servem a Deus daqueles que não O servem.

 

Conclusão

            Às vezes sou tentado a imaginar que as horas da madrugada que diariamente dedico para escrever o comentário da Lição representam um tempo perdido quando vejo os poucos milhares que entram em contato com ele, comparado a outros comentaristas com milhões de seguidores. Mas quando vejo os resultados desse trabalho em minha vida, o conhecimento adquirido e que, muitas vezes não vai para as páginas escritas, eu agradeço a Deus pela ideia que Ele me deu. Quanta coisa linda aprendi com o irmão Tiago!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Preparando-se para a colheita




Introdução
            Disponho de um bom material de cunho escatológico que, a pedido, tenho apresentado em algumas igrejas. É maravilhoso ver as profecias se cumprindo a olhos vistos. O seu cumprimento nos mostra que realmente “Vem o fim, o fim vem sobre os quatro cantos da terra” (
Ezequiel 7:2).

            A Bíblia apresenta esse dia como terrível. “Aquele dia será um dia de indignação, dia de tribulação e de angústia, dia de alvoroço e de assolação, dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e de densas trevas” (Sofonias 1:15). Sofonias afirma ser esse um grande dia.  “O grande dia do Senhor está perto, sim, está perto, e se apressa muito; amarga é a voz do dia do Senhor; clamará ali o poderoso” (Sofonias 1:14). Nunca foi tão fácil crer na volta de Jesus como hoje. Não crer na volta de Cristo e não crer na Bíblia. O cumprimento das profecias a respeito da volta de Jesus se multiplica ao nosso redor com uma clareza tal que fico imaginando como Deus tem sido misericordioso para conosco. A cada dia vemos com mais clareza que “Certamente o Senhor Deus não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas” (Amós 3:7). E a respeito à volta de Jesus como Ele nos tem revelado!

            A Bíblia apresenta duas características do dia da volta de Jesus. Primeiro ela o define como um grande dia revestido de angustia, escuridão e de juízo. Em segundo lugar a Bíblia nos apresenta esse dia como algo alegre, risonho e poético. O que faz a suas características desse dia não é o dia em si, mas sim a postura da humanidade nesse dia. Enquanto um grupo de pessoas clama: “Porque é vindo o grande dia da sua ira; e quem poderá subsistir?” (Apocalipse 6:17) outro grupo eufórico se rejubila exclamando: “...Eis que este é o nosso Deus, a quem aguardávamos, e ele nos salvará; este é o Senhor, a quem aguardávamos; na sua salvação gozaremos e nos alegraremos” (Isaías 25:9).

            Jesus voltará a essa Terra com uma missão claramente definida pela Bíblia: “E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas” (Mateus 25:32). É essa separação que causa tanto pavor em um dos grupos e tanta alegria no outro. Cada grupo será colhido e atado em feixes e terá um destino definido: “Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; mas, o trigo, ajuntai-o no meu celeiro” (Mateus 13:30). Cabe a cada um de nós a escolha de sermos joio ou trigo.

            É curioso que o título da lição diz: “Preparando-se para a colheita.” Parece que seria mais prudente mudar o título para: “Preparando-se para ser colhido.” Esse preparo deve ser a nossa máxima preocupação. Paulo nos exorta: “...operai a vossa salvação com temor e tremor” (Filipenses 2:12).

 

Domingo

            Como estudamos na introdução os sinais da volta de Jesus acontecem de maneira clara e inequívoca. Mesmo com tanta clareza e nitidez a dúvida pode assaltar o nosso coração. Um dos fatores que a motiva é a aparente demora para que tudo aconteça. A advertência de Tiago é clara: “Sede pacientes” e para ajudar a nossa compreensão ele usa como ilustração o trabalho do agricultor. Trabalhei muitos anos na lavoura e tenho uma noção do que Tiago está dizendo. Dependendo do que cultivamos a colheita pode se dar em meses ou em anos de espera. Ela representa o momento máximo para o agricultor. A colheita significa fartura de alimento e também de dinheiro. Foi muito tempo preparando o terreno, semeando, carpindo, regando e protegendo das pragas. Foi muito suor derramado visando apenas um momento no futuro: a colheita. Não tem como o agricultor adiantar o relógio. É uma questão de paciência.

            O interessante na ilustração de Tiago é que para que haja colheita é necessária a chuva no momento certo. A chuva é que vai fazer surgir o grão e fazê-lo amadurecer. Sabemos que nesse aspecto a chuva significa a descida do Espírito Santo sobre nós. Ele promoverá duas coisas em nossa vida: reavivamento e reforma. Diz Ellen G. White:

“Necessitam-se agora homens de esclarecida compreensão. Deus convida os que estão dispostos a ser regidos pelo Espirito Santo a liderarem uma obra de completa reforma” (A Igreja Remanescente, p. 71).

            Mais do que orar pelo Espirito Santo temos que estar dispostos a ser usados por Ele. Sem o Espirito Santo o reavivamento não acontecerá e uma completa reforma será uma utopia. Temos que esperar a chuva serôdia como alguém que realmente anseia por ela. Durante os anos em que trabalhei na lavoura passávamos o período sem chuva na nossa região preparando para a semeadura que deveria ocorrer quando chovesse. Ramas de mandioca eram estocadas em um local fresco, as sementes eram selecionadas, o terreno preparado e adubado. Quando caia a chuva a pequena cidade fervilhava. Todos, eufóricos com ferramenta nas mãos partiam para os campos. Havia música e muita determinação para semear. Esperar pela chuva serôdia significa estamos empenhados em se preparar para recebê-la.

 

Segunda

            Por mais que a volta de Jesus esteja demorando para alguns, a qualquer momento que ela acontecer será sempre cedo demais para muitos. O autor da Lição inicia o estudo de hoje com a pergunta: “Está realmente próxima?” Qual é o seu ponto de vista?

            Quando minha família aceitou a mensagem da breve volta de Jesus eu tinha cinco anos de idade. Essa mensagem causou um forte impacto em minha vida e tudo o que acontecia ao nosso redor era analisado à luz das Escrituras para ver se tinha alguma relação com a volta de Jesus. Lembro que na década de sessenta, pela primeira e única vez na história, se elegeu um católico para presidente dos Estados Unidos. Na mesma época surge o papa João XXIII que conclama o Segundo Concílio Vaticano II que, por insistência dos evangélicos passou a se chamar Concílio Ecumênico Vaticano II. Simultaneamente a esses dois acontecimentos surge no Brasil um eloquente pregador, Alziro Zarur, que funda uma instituição espirita voltada para o ecumenismo, a Legião da Boa vontade. Ele falou tanto sobre o ecumenismo que foi condecorado pelo Vaticano. Do meu ponto de vista estava formado o tripé para cumprir Apocalipse 16:13: “E da boca do dragão, e da boca da besta, e da boca do falso profeta vi sair três espíritos imundos, semelhantes a rãs.” Quando estava tudo encaminhado para a tríplice união acontecer o papa João XXIII morreu, o presidente americano foi morto em um atentado e Alziro Zarur também se foi. Os sucessores destes homens vieram com ideias mais moderadas a respeito da tríplice união e o que estava nitidamente a caminho não aconteceu.

            Naquela época foi difícil aceitar as palavras de Tiago 5:8: “Sede vós também pacientes, fortalecei os vossos corações; porque já a vinda do Senhor está próxima” (Tiago 5:8).

 

 Terça

            No estudo de terça-feira somos exortados a exercitar o espírito de união. De princípio achei que esse verso nada tem a ver com o título da lição. Mas de uma coisa não podemos esquecer: Jesus só voltará após três acontecimentos sequenciais que tem a ver com a vida espiritual de cada um de nós. Primeiro é a descida do Espirito Santo que, por sua vez, nos conduzirá ao reavivamento que provocará a reforma de que tanto necessitamos. É hora de perguntarmos: Como o Espirito Santo descerá sobre um povo que amargam críticas entre si ou mesmo contra a igreja?

            É chegado o tempo para se realizar uma reforma completa. Quando esta reforma começar, o espírito de oração atuará em cada crente e banirá da igreja o espírito de discórdia e luta. Os que não têm estado a viver em comunhão cristã, chegar-se-ão uns aos outros em contato íntimo. Um membro que trabalhe da maneira devida levará outros membros a unir-se-lhes em súplica pela revelação do Espírito Santo. Não haverá confusão, pois todos estarão em harmonia com o Espírito” (E Recebereis poder – Meditação, p. 287).

 

Quarta

            O tema central da lição desta semana é a paciência. O autor foi muito feliz ao escrever a nota da lição de quarta-feira. Ele abriu o leque de pessoas bíblicas que manifestaram paciência em situações desesperadoras. Vale a pena conferir.

            Por fim ele apresenta a galeria dos heróis da fé relatada em Hebreus onze. Ela é fantástica, mas sabemos que graças a Deus ela não está completa. Caso ela fosse escrita hoje com certeza teria nomes de pessoas como João Huss, João Calvino, os Valdences e tantos outros. “As pessoas podem morrer pelo que acreditam, mas não por uma mentira” (O Livro dos Mártires - Esse livro escrito por John Foxe, é um dos mais famosos livros da literatura protestante, e apenas entre 1563 e 1684 teve nove edições).[

            Sempre que falamos dos mártires lembramo-nos do principal método de execução, a fogueira. Mas veja o relato de um documentário sobre a Inquisição católica: “Usava-se, dentre outros, os seguintes processos de tortura: a manjedoura, para deslocar as juntas do corpo; arrancar unhas; ferro em brasa sob várias partes do corpo; rolar o corpo sobre lâminas afiadas; uso das “Botas Espanholas” para esmagar as pernas e os pés; a Virgem de Ferro: um pequeno compartimento em forma humana, aparelhado com facas, que, ao ser fechado, dilacerava o corpo da vítima; suspensão violenta do corpo, amarrado pelos pés, provocando deslocamento das juntas; chumbo derretido no ouvido e na boca; arrancar os olhos; açoites com crueldade; forçar os hereges a pular de abismos, para cima de paus pontiagudos; engolir pedaços do próprio corpo, excrementos e urina; a “roda do despedaçamento funcionou na Inglaterra, Holanda e Alemanha, e destinava-se a triturar os corpos dos hereges; o “balcão de estiramento” era usado para desmembrar o corpo das vítimas; o “esmaga cabeça” era a máquina usada para esmagar lentamente a cabeça do condenado, e outras formas de tortura.”

            Ao visitar o Coliseu romano fiquei imaginando quantos heróis anônimos deram a sua vida ali. Nos sinuosos e escuros corredores das catacumbas de Roma pude ver os ossos de milhares de heróis da fé que ali se esconderam, mas foram alcançados e executados. Todos exerceram paciência diante da provação máxima.

 

Quinta

            O juramento é uma prática oficial em vários campos da atividade humana. O juramento faz parte do cerimonial de posse de prefeitos, governadores e do presidente da republica. Antes de receber o meu certificado de reservista tive que fazer o juramento de lealdade à Pátria.   Para todos os formando o juramento é uma parte integrante da festa de formatura. O juramento mais conhecido é o de Hipócrates, o pai da medicina e que é obrigatório a todos os médicos. E o que dizer do juramento entre marido e mulher que na maioria dos casos se dilui no decorrer dos anos? Caso os juramentos feitos em todas as áreas fossem rigorosamente cumpridos com certeza o mundo seria bem diferente. Quantas falcatruas, quantas omissões e quantos abusos são praticados sob a sua sombra! Muitos que prestam juramento parecem dizer: “Juro que estou jurando falso.” E, pelo que parece desde que o mundo é mundo o juramento é considerado apenas uma rotina para muitos. E não era diferente nos dias de Tiago.

            Em casos banais o juramento é usado por pessoas de índole duvidosa. Como as suas palavras não merecem confiança procuram endossa-las com um juramento invocando, às vezes, o próprio nome de Deus. É esse comportamento vulgar que Tiago ataca com veemência. Para ele os cristãos deveriam ter uma linguagem que inspirasse confiança, “sim, sim e não, não”. Essa deveria ser a postura de todo aquele que espera com paciência a volta de Jesus.

 

Conclusão

            Relacionando a volta de Jesus e a paciência para aguardar esse acontecimento dentro do cronograma de Deus vem ao meu pensamento o exemplo de Jó ao dizer: “Ainda que Ele me mate, Nele esperarei.” E “...depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus” (Jó 19:26).